𝐬𝐢𝐱, the moon is beautiful

Can I have a second chance?
Can I have another dance?
Can I start another life with you?









Amaya se encontrava sem rumo.

Mesmo não querendo admitir, ela sabia que Yaga e Kaede estavam certos.

Desde criança, sempre colocou os outros na sua frente, tendo poucos momentos em que realmente pensou no que gostaria de fazer ou não, reflexos de ter sido criada com a opressão constante de um clã inteiro, que só a via como a arma perfeita, o que, definitivamente, Amaya era.

Ela andava pelos corredores do colégio sentindo as lágrimas ainda caindo pelas suas bochechas e isso a fazia se sentir extremamente ridícula, mas ao mesmo tempo não sabia o que fazer.

Como salvaria sua irmã e sua madrasta do seu próprio clã?

Como faria Yoshiro parar de ser o líder?

Como controlaria os Olhos do Diabos estando tão instável?

Amaya conseguia sentir o poder dentro de si querendo ser liberado, corroendo o seu corpo aos poucos. Não foi sem motivo a bronca que levou do seu antigo professor por não estar se cuidando, algo que era visível pelo simples fato de que boa parte das roupas que possuía estarem largas e os maços de cigarros que consumia, mas a feiticeira não conseguia mais parar.

Tudo tinha entrado no modo automático a tanto tempo que mal sabia como era fazer alguma decisão por si mesma, sem pensar em tantas variáveis no meio do processo, enchendo a sua cabeça e causando a clássica insônia que a acompanhava há quase dez anos. Amaya sabia que nesse ritmo não duraria muito, mas ela já não se importava com isso, só se mantinha viva porque sabe que existem pessoas que dependem dela para estarem bem.

Não foram poucas tentativas e as cicatrizes espalhadas pelos seus pulsos e na parte interna das coxas a lembravam todos os dias de como, na opinião dela, era fraca até para isso.

Amaya as sentia queimar contra a sua pele, como se estivessem gritando como ela era inútil, igual a voz que ressoava na sua cabeça, algo que a atormentava desde criança, trazendo a constante lembrança dos poderes e das responsabilidades que tem por puramente existir.

A mulher respirou fundo ao finalmente chegar ao local que tanto procurava e abriu, em completo silêncio, a porta do pequeno depósito do último andar do prédio principal da escola. Andando pelo cômodo um pouco empoeirado, percebeu que o layout estava praticamente o mesmo de anos atrás. Então, seguindo essa linha de raciocínio, a porta para o seu lugar favorito ainda estaria ali.

— Isso! — comemorou ao encontrar a pequena portinhola no canto esquerdo do teto da sala.

Abriu e, com um pequeno salto, se impulsionou para cima e apoiou as mãos nas laterais da abertura, erguendo o seu corpo em seguida e finalmente chegando ao local que precisava.

O "quartel general".

Amaya riu fraco ao se lembrar do nome que Geto tinha dado a esse lugar secreto na escola.

Quando eram adolescentes, esse pequeno pedaço do paraíso já não era utilizado a muito tempo, então, em um dia qualquer no primeiro ano, o "quarteto fantástico" acabou encontrando sem querer o melhor local para ver o céu de todo o colégio. Saindo de um dos depósitos, um pequeno "pátio" com a vista perfeita e totalmente escondido de boa parte do terreno da escola.

Não foram poucas vezes que os quatro mataram aula ali e lembranças boas invadiam a mente conturbada de Amaya enquanto saía da pequena abertura no teto. Porém, o que ela não esperava, é que já teria uma pessoa ali.

Gojo Satoru encarava o fim do pôr do sol com a venda em mãos e a mente completamente cheia.

Ele sentiu a energia amaldiçoada de Amaya se aproximando, mas algo o fez não sair dali. Talvez pudesse ser a vontade de tentar, mais uma vez, conversar com ela ou uma mínima tentativa de conseguir ficar no mesmo ambiente que ela sem criar um clima estranho.

Os dois tinham muitas memórias neste pequeno local, principalmente da época de quando começaram a sair, e estarem nele depois de tanto tempo chegava a ser um pouco engraçado, já que na última vez que estiveram ali eles ainda eram um casal e hoje mal passam de, talvez, meros estranhos.

— Não sabia que você estava aqui — Amaya ousou dizer e conseguiu a atenção de Satoru para si.

— Às vezes venho aqui para pensar.

— Acho que pensámos igual dessa vez — respondeu enquanto se sentava na pequena plataforma e a uma certa distância do outro — Posso ficar?

— Claro, não é como se eu pudesse te impedir de fazer alguma coisa.

— Acho que você está errado nisso — a mulher sussurrou, abraçando as pernas e apoiando o queixo nos joelhos.

Os dois permaneceram em silêncio vendo o céu escurecer e a noite se instalar, um momento do dia que sempre foi extremamente importante para os dois.

Gojo adorava a noite porque os olhos de Amaya sempre se destacavam no meio da escuridão por causa das labaredas que circulavam as irises azuladas dela, o que ele sempre achou incrível desde a primeira vez que a viu, quando os dois ainda eram meras crianças. Ao olhar para o lado, para poder observar melhor a mulher mais bonita do mundo, na opinião dele, percebeu que tinha resquícios de lágrimas nas bochechas dela e o seu coração apertou.

— Foi um dia difícil? — ele perguntou e Amaya virou o rosto na direção dele, suspirando em seguida.

—  Um pouco — admitiu — Descobri coisas que não queria.

— Sei que talvez eu não seja a pessoa que você queria conversar sobre isso, mas pode falar se quiser. Sempre gostei de te ouvir falar.

— Você me deixava falar por horas — ela riu fraco, lembrando de como o de cabelos brancos a deixava se empolgar com qualquer assunto — Você sabia que o meu irmão era o novo líder do meu clã?

— Sabia, até fui na cerimônia que fizeram quando ele assumiu o cargo.

— Eu não sabia.

— Como assim?

— Eles esconderam isso de mim e só fui descobrir hoje.

— Por que esconderiam algo assim de você?

— Porque eles sabem que sou contra isso — suspirou — Esse cargo era para ser meu e não dele. O Yoshiro não merecia isso.

— E você merece? — Gojo perguntou e viu o olhar de Amaya vacilar.

— Não me faça perguntas difíceis.

— Nenhum de vocês merece aquele lugar e você sabe disso.

— Gostaria de falar isso com tanta certeza.

— Eu realmente não sei como não consegue.

— É complicado — Amaya respondeu, sentindo as suas bochechas queimarem.

— Bem, na minha cabeça, é algo bem simples de entender.

— Tem muitas coisas que são simples para você, mas não são para a maioria das pessoas.

— Tipo o que?

— Sua técnica é o maior exemplo disso. Eu te conheço há mais de 20 anos e demorei muito para conseguir entender.

— Esse é um exemplo válido, mas não foi isso o que quis dizer.

— Então qual foi o sentido?

— Você é uma pessoa incrível e é a única que não consegue enxergar isso.

Amaya se viu sem palavras encarando aquele par de olhos azuis.

A facilidade que ele sempre disse essa frase a assustava desde muito tempo, porque nunca foi algo que ela conseguiu aceitar ou, minimamente, acreditar. A sua família nunca disse tais palavras com muita frequência, somente a mãe dela disse tal coisa enquanto ainda estava viva, uma época há mais de 20 anos atrás.

Ela nunca conseguiu entender o que as pessoas viam de tão especial nela.

— Como consegue dizer tal coisa depois de tudo?

— Porque eu acredito — Satoru respondeu simplista, como se tivesse respondido a pergunta mais óbvia do mundo.

— Não te entendo.

— Por que? — perguntou curioso.

— Depois das coisas que me disse, de tanta coisa que te fiz passar, como ainda acha isso de mim?

Gojo entendeu o que ela queria dizer e suspirou levando o seu olhar para a lua que começava a iluminar a noite.

— Eu não sei o que a levou a fazer tudo que fez — começou a falar, sentindo que a mulher ao seu lado estava completamente focada nele — Porém, ao mesmo tempo, eu sei que não deve ter sido um motivo bobo. Dizer que não fiquei com raiva de você seria uma das maiores mentiras que poderia contar, não foram poucos os dias que peguei a cena de você indo embora se repetindo infinitamente na minha cabeça, só que, no fundo, também tentei de entender. Eu te falei muita coisa dias atrás e sei que não deveria ter dito nada daquilo.

— Não se desculpe — Amaya o interrompeu.

— Mesmo me dizendo isso, você sabe que não vai me impedir.

— Continuou irritante.

— Esse sempre foi e continuará sendo meu charme.

Satoru arregalou os olhos por causa da mais singela surpresa em que se encontrava ao ver uma das cenas mais bonitas do mundo.

Amaya estava rindo.

A risada dela ecoava pelo pequeno esconderijo e a imagem ficaria gravada na mente de Satoru por muito tempo.

A luz da lua banhando os cabelos azulados, um dos sons mais puros do mundo e o sorriso que estampava o rosto da mulher mais importante da vida dele.

Tudo fazia que aqueles segundos parecessem ser infinitos, era como se o mundo tivesse parado e os dois estivessem em uma pequena bolha, completamente isolados do resto.

— Acho que não ria assim em anos — Amaya disse, depois de se recuperar.

— Fico lisonjeado em saber que fui a causa disso.

— Idiota.

— Aliás, por que riu? — perguntou curioso e, logo em seguida, se viu surpreso pela resposta.

— Porque é verdade. Sua personalidade "irritante" é o seu charme, quase a sua marca registrada.

— Não sei se levo isso como um elogio ou não.

— Considere como um elogio — a mulher respondeu, sorrindo de leve, o que fez o outro corar um pouco.

— Só voltando ao que estava dizendo antes — começou a dizer, tentando recuperar a compostura — Mesmo que me doa, eu não quero esquecer o que a gente foi. Eu não quero esquecer você e o que significa pra mim.

— Posso ser sincera?

— Claro.

— Eu também não quero — finalmente disse e foi como se tirasse um peso dos seus ombros — O "nós" sempre foi a melhor coisa que já me aconteceu e quero que saiba que me dói ter feito aquilo acabar, de acabar fazendo você desistir.

Eu nunca desisti, Amaya.

— O que?

— Eu nunca desisti de "nós", mesmo depois de dez anos — Satoru disse, encarando as próprias mãos — Sei que aconteceu muita coisa nos últimos tempos, tanto comigo e principalmente com você, mas eu sempre vou querer tentar.

— Eu não mereço você — foi o que Amaya conseguiu dizer, sentindo as lágrimas começarem a cair pelo seu rosto mais uma vez.

— E eu não ligo pra isso — o de cabelos brancos disse, voltando o seu olhar para a mais nova por poucos meses.

— Eu...

— Você não precisa me responder agora — a cortou — Nem eu sei muito bem se estou pronto para isso, é só que eu quero te ter de volta, quero o "nosso reino" de volta.

Amaya sentia o seu coração bater tão rápido dentro do seu peito que chegava a doer.

Não fazia sentido na cabeça dela ele ainda a querer, mesmo depois de tudo.

Porém, do mesmo jeito que ela nunca parou de o amar, Satoru nunca parou de a amar também.

Ela também era a única para ele.

O primeiro e único amor.

Durante todos esses anos, saiu com muitas mulheres, conseguindo uma enorme fama de mulherengo, mas tudo não bastava de uma fachada para esconder o penhasco que ele continuou sentindo pela dona dos olhos azuis incandescentes.

Os famosos "olhos sem limites", já que eles não possuem um contorno determinado.

Amaya sempre foi o que ele quis e não seria agora que pararia de ser. Além de que ela estava ali de novo, a menos de um metro dele.

Mesmo não sabendo o que tinha acontecido e sabendo que ela guardava algo muito grande dentro de si, ao ponto de ir embora, ele queria tentar.

Tentar entender o infinito que Amaya é.

A feiticeira se encontrava em um conflito interno extremamente intenso ao receber aquela proposta, de tentar poder ter o que tinha antes.

Ela abriu mão disso no passado para proteger Satoru e quem ela amava, mas agora, estando no Japão de novo e com tantos problemas que pareciam somente se multiplicar a cada dia que passava, parecia tentador demais, quase como se não fosse real.

Era impossível ela merecer tal coisa.

— Posso pensar? — ela perguntou, um pouco nervosa, quebrando o silêncio que tinha se instalado.

— Claro, acho que também preciso.

Amaya assentiu com a cabeça e se levantou, indo em seguida à abertura logo atrás de si para ir até seu quarto na escola.

Porém, foi interrompida por Gojo a chamando uma última vez.

A Lua está linda.

A mulher se viu boquiaberta com aquela frase sendo direcionada a ela depois de tantos anos, principalmente por causa da gama de significados que ela trazia, sendo o principal deles o poderoso e único "eu te amo".

Com isso em mente e com o coração quase saindo pela boca, reuniu coragem e disse o que queria poder dizer a muito tempo.

As estrelas também, Satoru.





Oi gente! Tudo bem com vocês?

Vou ser sincera, chorei que nem um bebê escrevendo esse capítulo kkkkkk

Agora, queria falar uma coisa! Sei que durante a fic citei diversas vezes algumas cenas do passado da Amaya e do Satoru, mas não se preocupem que vai ter um momento em que nós vamos voltar no tempo e vou contar tudinho pra vocês!

Além disso, o fato de que eles tiveram um passado BEM longo, acaba que faz com essa conversa tenha acontecido dessa maneira e estou torcendo muito para que não tenha parecido algo rápido demais (também tem o fato de que eles não voltaram oficialmente k k)

Bem, espero que tenham gostado! Não se esqueçam de votar e de comentarem o que acharam (AMO ler o feedback de vocês)!

Até a próxima! ♥︎

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top