forgetting him, almost died
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O QUE EU ESTAVA FAZENDO poderia ser considerado loucura por qualquer tolo com a mínima capacidade de pensar por si... não, alguém que pensa não estaria sozinho na floresta no meio da noite, usando a lanterna do celular como guia.
Mas é preciso. Quando for embora de Forks e sair de suas divisas até perde-las de visão, eu não levarei comigo as memórias ruins.
Hoje será o dia em que irei matar nossas memórias.
Consegui trocar meus saltos pelos tênis que por precaução deixei no carro. Imaginei que em algum momento cederia aos meus instintos naturais e arrancaria aquelas coisas que machucavam meus tornozelos, quase entrei em estado de êxtase ao tira-los. A jaqueta jeans que achei jogada no banco do passageiro pertencia a Phill, não era quente o suficiente para me manter longe de um resfriado ou algo pior porém estava disposta a correr este risco.
As cigarras e corujas eram os únicos sons que me acompanhavam.
— por que você tinha que ser tão impulsiva, Maya!
Exclamei para mim mesma, puxando o vestido longo de baile que ficou preso nos ramos de um arbusto coberto de musgo, foi difícil de soltar e a costura chegou a romper criando uma fenda até a altura do joelho. Ao balançar suas folhas tive a impressão de que ouvi passos que se aproximavam por trás. Virei rapidamente apontando a fraca luz do meu telefone e tudo que vi foi um cervo ao longe.
Assustado com a presença repentina da luz, ele correu adentrando a mata mais densa.
Caminhei alguns poucos minutos até finalmente ver o pinheiro, majestoso como sempre, ele me pareceu intocado como na última vez que estive aqui.
Corri na direção daquelas raízes sobressaindo e cavando para fora da terra. Com minhas próprias mãos cavei o solo úmido coberto por ramos secos e folhas sem vida, fiz isso até sentir que meus dedos tocaram em alguma superfície sólida.
A caixa de madeira vermelha estava um pouco mais funda do que calculei e quando apoiei toda minha força para puxar, perdi o meu equilíbrio, caindo de bunda no chão.
Ouch!
Busquei pelo celular que tinha caído num outro lugar e quando me arrastei na direção da luz voltei a ter aquela uma estranha sensação de estar sendo observada, novamente temi ser algo inventado pela minha mente.
Levantei lentamente meus olhos e notei um par de sapatos sociais preto, parados bem ali.
— você tem bastante fôlego para alguém que está usando um vestido tão justo, cara mia. — meu corpo colocou-se de pé quase que como um impulso.
— Isaac? — meu telefone continuava ali, jogado no chão porém a luz da lua cheia me permitia uma clara visão do que estava em frente. — você... me seguiu?
— bem, falando assim parece que sou um pouco psicopata não acha? — ele sorriu de soslaio. Sim, eu acho completamente. — sabe cara mia, quando te vi naquela festa, tão solitária pelos cantos, eu me reconheci em você no mesmo instante. — cada passo que ele dava adiante, eu recuava. — pensei que você seria uma companhia perfeita.
Meu cérebro entrou em um mecanismo de luta e fuga, olhando para todos os lados elaborando a melhor opção para sair desta situação na qual me coloquei.
Lembrei das técnicas que Charlie me ensinou a muito tempo atrás para lidar com situações assim; falar o que eles querem ouvir e parecer o mais convincente possível.
— bem, eu posso te dar o meu número e amanhã podemos conversar e tomar café, o que acha?
— não é este tipo de companhia que me refiro, cara mia. — eu não pisquei os olhos antes de sentir meu corpo ser erguido do chão. Isaac me segurava no ar com apenas uma mão, uma força inexplicável. — no momento que vi você soube que seria minha amada, então resolvi que te transformaria em algo como eu.
Batia meus pés contra o ar e segurei em sua mão, tentando encontrar as forças que me restaram para gritar, a falta de ar causada por seu aperto me deixava tonta, tudo que consegui proferir foram gemidos de dor que rasgavam minha garganta tentando sair.
— o que é você... — com muito esforço consegui falar.
—em breve descobrirá. — Isaac me colocou no chão e envolveu meu corpo com o seu por trás. Meu queixo ficou apoiado entre sua mão esquerda que apertava minhas bochechas, a mão livre agarrou meu pulso com tanta força que os ossos estalaram, me deixando imobilizada e impedida de lutar. Virando minha cabeça para o lado, ele deixou meu pescoço completamente exposto. — isso pode doer, cara mia. Mas quando voltar, será uma poderosa vampira.
Vampira?
Seu hálito frio estava perto suficiente de mim. Eu me debati mais uma vez e então... galhos quebraram como se alguém se aproximasse em alta velocidade.
Tudo aconteceu rápido e tudo que me recordo foi de ver um grande vulto preto saltar sobre nós e me jogar no chão. Isaac foi levado para longe.
Minhas forças foram embora e a visão embaçada permitia-me ver nada além do que parecia um grande cachorro formando uma barreira entre mim e aquele que dizia ser um vampiro.
Estava atordoada e tonta pela pancada em minha cabeça que nada parecia estar no lugar; a lua cheia duplicada balançava no céu e as árvores giravam em nossa volta mas eu ainda podia ver aqueles dois.
— não se envolva nisso, cachorro! — a criatura rosnou fazendo o chão tremer e meu coração palpitar forte. Então uivou, uivando tão alto que pareceu romper meus tímpanos. Coloquei as mãos nos ouvidos para tentar abafar o agouro do cão negro, havia algo molhado na ponta de meus dedos e ao trazer minhas íris na direção da pele vi o que parecia ser sangue. Mais escuro do que os vestígios de terra molhada na palma da minha mão. O líquido denso e quente acariciando meu rosto antes de pingar sobre a jaqueta jeans. — parece que as coisas não ficaram favoráveis para mim.
Então nós estávamos cercados por outras duas grandes figuras, lobos. Eu preciso sair daqui.
— argh! — gemi de dor ao tentar levantar e senti cada vez mais as forças deixarem meus ossos cansados.
— receio que terei que te buscar uma outra hora, cara mia. Mas não se preocupe, eu não vou te abandonar... você é minha.
Isaac pareceu saltar sobre as árvore e sumir floresta quando os lobos correram atrás dele, menos um.
O grande lobo negro virou em minha direção e a última coisa que me lembro de ver antes de perder os sentidos foram intensos olhos que refletiam a luz manchada de terra sobre meu telefone.
Teria sido tudo um delírio causado pela pancada em minha cabeça?
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