Diecisiete - El villαno

Belle


— Quem é vivo sem aparece — levantei a taça de vinho em direção a Antonia —

— Por que me chamou aqui Isabelle? — revirei os olhos e apontei pra cadeira —

— Primeiro odeio que me chame de Isabelle, é só Belle e segundo não posso jantar com minha amiga? — perguntei com o sorriso mais debochado —

— Na última vez acabei presa por sua causa — beberiquei o vinho e sorrir —

— Não vamos lembrar do passado — me aproximei de seu ouvido — Eu sempre te achei muito bonita

— Está me estranhando ? — ela se afastou um pouco abalada —

— Ah Tonia para de negar, eu sei que você também me acha bonita — pisquei pra ela e passei a mão pela sua perna desnuda —

— Toda mulher admira a outra, mais eu não gosto desse papo — dei de ombros e me afastei —

— Bom quando quiser, sabe que estou solteira — sorri de lado e mordisquei o lábio —

— Pra que você me chamou aqui?

— Para conversar apenas. Vamos pedir o jantar?

Após algumas taças de vinho, ela estava bem mais solta e eu pude perguntar se ela sabia algo sobre Dominique e Lorenzo.
Mais a burra não sabia de nada, apenas gastei meu dinheiro atoa.
Após pagar a conta, paguei um táxi para ela ir embora e fui para casa.

Durante o caminho passei por uma esquina, aonde haviam diversas mulheres, foi então que magicamente veio na minha mente uma idéia.
Se eu me transformasse em outra pessoa, nem Dominique nem Lorenzo desconfiariam de mim.
Cheguei em casa e joguei minha bolsa em qualquer canto, peguei meu notebook e sentei com ele sobre o colo.

Comecei a pesquisar, porque hoje em dia tudo se descobre na internet.
Por eu ser médica, eu sei que há alguns procedimentos que podem ser feitos para mudar a aparência.
Cansada de procurar, liguei a tv e fui para cozinha preparar algo pra comer.

Fiz uma salada e grelhei um frango, esquentei meu arroz e arrumei meu prato.
Voltei para sala e passava o filme Uma babá quase perfeita, foi quando a ideia veio a minha mente.
Com bastante maquiagem, roupas diferentes e peruca eu poderia ser outra pessoa.

Peguei meu celular e fiz compras de roupas e perucas.
Após isso, lavei a louça e subi para tomar um banho.

— Olá, bom dia você é a senhorita Prado? — Lunna perguntou e eu assenti —  Pode sentar ali

— Obrigada — sorri e ajeitei minha saia para me sentar —

— Então senhorita Prado, você sempre trabalhou com crianças? — concordo e a mulher olha pro tablet —  Seu perfil e seu currículo são perfeitos

— Eu sou apaixonada por crianças, infelizmente eu não posso ter filhos. Então decidi ocupar meu tempo cuidando do filho dos outros — ela aperta os lábios e digita algo no tablet —

— Bom Ariel , posso te chamar assim ? — concordei — Maria Júlia é uma menina calma, ela já faz praticamente tudo sozinha, só precisamos de alguém que possa ficar com ela quando os pais viajam e ajudá-las nos afazeres. Leva e buscar na escola, dar o almoço

— Ah sim. Desculpa a pergunta, os pais dela viajam muito? — perguntei mostrando interesse —

— Sim , o pai dela é presidente de uma das filiais da empresa Cortez e a mãe é vice presidente da filial daqui de Barcelona. Então vez por outra eles precisam viajar, a menina ficava comigo, mais eu voltei a trabalhar — olhei em volta gravando cada detalhe da casa — Você tem disponibilidade para dormir?

— Claro — sorri e ela digitou algo no tablet —

— Bom Ariel, você pode começar essa semana mesmo. Amanhã no caso, você virá e conhecerá a rotina da menina e dos pais — assenti — Está dispensada, seja bem vinda — apertei sua mão e me levantei —


No outro dia as 7 horas da manhã, cheguei a casa de Dominique, assim que o portão liberou minha passagem vi o carro de Lorenzo.
Meu sangue ferveu e tive que me controlar, para evitar fazer qualquer loucura e dar bandeira.

— Ariel né ? — Dominique surgiu atrás de mim como um fantasma —

— Sim, prazer senhora Cortez — apertei sua mão e ela me olhou de cima em baixo —

— Pode me chamar apenas de Dominique, venha conhecer Maria Júlia — entramos na sua casa e pude notar melhor o quanto tudo estava bem decorado — Maju cumprimente a tia Ariel

— Bom dia princesa — me abaixei em sua altura —

— Você é a princesa Ariel, a sereia ? — a menina passou a mão pela peruca ruiva e seus olhos brilhavam —

— Shiiu, não conta pra ninguém — falei baixinho como se fosse um segredo — É um segredo só nosso — pisquei pra ela —

— Eu sou a princesa Anna — ela estendeu a mão e apertei a mão gorducha e fiz uma reverência —

— É uma prazer conhecê-la princesa Anna —  ouvi a risada de Lorenzo e me levantei — Bom dia senhor Cortez

— Bom dia Ariel, pode me chamar apenas de Lorenzo — ele deu um beijo na testa da filha — Bom dia meu amor — Dominique o beijou e eu virei a cara para não ver aquela cena esdrúxula —

— Maju vai pegar sua mochila, que a tia Ariel vai te levar para a escola — a menina concordou e subiu as escadas correndo —

— Acho que minha sogra lhe enviou o e-mail que explicava tudo — assenti — Que bom, na porta da geladeira tem a rotina da Maju e eu chego por volta das 17 horas, se quiser você pode dormir ou ir pra casa, fica ao seu critério. Qualquer dúvida chame a Carmem, ela irá te ajudar no que não souber

— Vamos ? — Lorenzo perguntou e a mesma assentiu colocando a bolsa no ombro —  Princesa papai e mamãe estão indo — a pequena de olhos azuis e cabelos negros desceu a escada e beijou a bochecha dos pais —

Após ela tomar café, levei ela a escola e voltei para a casa. A empregada deles estava no mercado então pode olhar melhor a casa.
Comecei entrando no quarto da filha, todo pintado de rosa e com a decoração de Frozen, um quarto bem infantil.
Fechei a porta e olhei para ver se a mulher havia chegado, mais sem sinal dela.

Abro a porta do quarto dos dois, e quase caio para trás.
Eu sou rica, mais aquele quarto, é três vezes maior que o meu.
Suas paredes brancas, uma cama king size, com cabeceira acolchoada, um verdadeiro quarto de casal.

Entrei no closet ali havia todo tipo de sapato, bolsas e roupas. 
No final uma penteadeira repleta de maquiagens, observo tudo boquiaberta.
Era pra ser minha vida, não dessa desgraçada.

Ouço barulho e saio rápido do quarto, desço para a cozinha e encontro Carmem, arrumando as compras.
A cumprimento e me sento para tomar o café que ela me ofereceu.

— A senhora trabalha aqui a muito tempo? — sirvo café para ela —

— Desde que o senhor Lorenzo veio morar com a senhorita e a filha — ela responde sem tirar os olhos do armário —

— Entendi. Eles são bons patrões, comecei hoje mais já gostei muito deles — digo parecendo a mais simpática de todas —

— Elas são sim, no começo a senhorita Dominique não deixava eu fazer nada. Mais conforme o trabalho foi aumentando, ela deixou eu fazer meu trabalho e agora que ela viaja constantemente precisou de um babá. E você parece ótima, a Maju se apaixonou por você — ela passa a mão pelo rosto e fica me observando — Parece que lhe conheço de algum lugar

— Ah meu rosto é bem conhecido — desconverso e ela assente se afastando —

O dia passa normalmente, após ter tomando café com a Carmen, vou para a escola buscar a Maju.
Acompanho ela na sua rotina, de chegar em casa tomar banho, almoçar, fazer os deveres e por fim a levei pro balé.
Até que a piralhinha dança direitinho, mais no final do dia quem estava morta sou, de ficar seguindo a mini Dominique.


— Ariel, você poderia me fazer um favor? — me aproximo da mesa que Dominique e Angelina estavam no quintal —

— Claro, o que posso fazer?

— Poderia trazer duas cervejas bem geladinhas pra gente — assinto e me retiro —

— Nossa Dominique, ou eu estou ficando louca ou essa garota é a cópia da Belle — paro na porta para ouvir o que as duas falavam—

— Eu hein Angel, tá maluca né? Coitada da garota ser comparada aquele ser maligno — acho graça e tampo a boca para não rir —

— Só de ouvir o nome daquela garota me dá arrepios — Angel faz o sinal da cruz —

Pego as cervejas na geladeira e levo para duas que fofocavam.
Maju vem em minha direção e me chama para brincar, digo para ficarmos ali no quintal para eu pudesse continuar ouvindo a conversa das duas.

— E aí, quando sai o casório ? — Angel pergunta e Dominique olha para Maju —

— Não sei, acho que é tudo muito novo pra Maju

— Mais Nique, pensa bem. Você e o Lorenzo são os pais dela, você não acha que ela vai amar ver os pais se casando? — Dominique torce os lábios e meneia a cabeça —

—  Pode ser. O Lorenzo quer que a gente se case quando voltarmos da viagem da empresa

— Ótimo, se precisar de ajuda. Pode deixar que eu organizo tudo.

— Você bem que adora né.

— Bom filinha a mamãe volta daqui há dois ok? — a mais nova assente com os olhinhos transbordando — Não chora meu amor, a tia Ariel vai estar com você

— Mais você e o papai não — ela agarrou as pernas dos dois —

— Princesa do pai, a gente volta logo. Seus avós e seus bisos vão estar aqui, a tia Angel e o tio Arthur e o tio Ruan. Viu quanta gente? Vamos te ligar todo dia — Lorenzo beijou a cabeça da filha —

— Não demora tá ? — os dois beijaram a cabeça da filha e a abraçaram —

— Muito obrigada por ficar assim de repente — Dominique agradece e eu apenas balanço a cabeça — Qualquer coisa você pode me ligar tá?

— Pode deixar que vou cuidar muito bem da sua preciosidade — sorrio e Dominique me olha —

Dominique e Lorenzo se despedem pois iriam para lugares diferentes e logo estou sozinha com a filha.
Ela corre pro quarto e permanece deitada, dava pra ver o quão triste ela ficava quando os pais viajavam.
Era agora que eu teria que pôr meu plano em prática.

Encho um copo de suco e ponho um vidro de Rupinol*, coloco alguns biscoitinhos no prato e subo para dar pra ela.

— Come meu amor, uma princesa precisa se alimentar — digo e ela nega — Então bebe apenas o suquinho — ela pega o copo e começa a beber — Isso bebe tudo.

Após tomar e comer alguns biscoitos, ligo a tv para vermos e depois de uma hora ela pega no sono.
Sacudo ela de leve e vejo que ela dormia profudamente, chego seus sinais vitais para ver se ela estava viva e ainda estava.
Deixo ela deitada no sofá e subo, em seu quarto coloco suas roupas numa mala e alguns brinquedos na mochila.

Arrumo minhas coisas e peço um Uber, com ela no colo e as coisas do lado fora.
Quando o Uber chega, o homem me ajuda a guardar as coisas, durante o caminho ela dorme feito um anjo.
Ao chegarmos na minha casa, pago o motorista.
Coloco ela deitada na minha cama e vou para o banheiro.

Me desfaço do uniforme preto e branco ridículo, da piruca e da maquiagem.
Tomo um banho bem demorado, lavo o cabelo, um banho que eu tomava direito há 1 mês que estava trabalhando naquela casa.
Saio do box e visto minhas peças íntimas, escuto um barulho vindo do quarto e me enrolo no roupão.

— Olá meu amor — digo e Maju me olha com os olhos arregalados —

— Quem é você? — ela pergunta assustada — Cadê a tia Ariel?

— A tia Ariel, morreu — abaixo em sua frente tocando o nariz dela — Eu sou a tia Belle, e você vai se comportar direitinho

— Eu quero minha mãe — a mesma começa a chorar —

— Quietinha, se não a tia vai te colocar num lugar escuro. Cheio de monstros que pegam crianças choronas — digo e a mesma engole o choro — Muito bem, eu trouxe suas roupinhas e alguns brinquedos. Vai ser os melhores dias da sua vida — passo a mão em seu cabelo —

Eu estava com a galinha dos ovos de ouro, agora preciso apenas continuar com meus planos...


Olá meus barcelonenses!
Trouxe mais um capítulo da vilã mais sem noção de Barcelona.

* RupinolRupinol é um medicamento usado para reduzir a insônia, enquanto aumenta o tempo de permanência dormindo. A superdosagem pode manifestar-se por sonolência, estado confusional, coma, depressão respiratória e diminuição dos reflexos.

O que essa louca irá fazer hein?!
Acompanhe os próximos capítulos!
Não esqueçam de deixar suas estrelinhas e comentários são muito importantes pra mim 💖


Até o próximo capítulo ✈️

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