• La cena •
Capítulo 3 - Outra pessoa.
Os olhares envergonhados, a sensação constrangedora e somente o barulho dos talheres deixavam Nacho extremamente constrangido. Eleanor ao contrário do homem, aproveitava a deliciosa comida italiana, o ambiente agradável e parecia bastante confortável com a situação.
Ambos estavam no último prato, uma sobremesa típica da Espanha, quando o jogador decidiu dar início a primeira conversa da noite, pigarreando alto para atrair a atenção da acompanhante.
— Ah... e então... — Fernandez se mexeu desconfortável em sua cadeira, ajeitando a barra de sua blusa de forma desajeitada. — Gostou daqui? — questionou curioso.
— Eu costumo vir aqui, o Atregatto sempre é uma boa escolha. — Eleanor deu de ombros, dando a última colherada em sua panacota.
O silêncio voltou por longos minutos, tempo suficiente para o jogador pensar em diversas maneiras de como poderia ter aproveitado aquela noite. Nacho estava claramente decepcionado com o jantar, pensando que talvez, tudo o que seus amigos diziam era pra inflar ou agradar a filha do presidente do clube em que jogavam. A Eleanor descontraída, risonha e até mesmo brincalhona que eles faziam questão de frisar não tinha aparecido em nenhum momento, chegou até a cogitar que o problema estava nele ou que talvez ela não gostasse da sua companhia.
A princípio esperava uma outra pessoa, a mulher animada que entrou em contato com ele para se encontrarem definitivamente não era aquela indiferente que estava sentada a sua frente, na verdade parecia mais a que pegou o bilhete.
— Você pode me dar a chave do seu carro? — Eleanor pela primeira vez decidiu se pronunciar, fazendo o jogador rir irônico com o pedido inusitado da mulher.
— Posso saber o motivo de querer a chave do meu carro? — o jogador indagou tentando conter a leve desconfiança.
A árabe não respondeu, apenas estendeu a mão esperando que o homem depositasse o objeto ali. Ele analisou o sorriso brincalhão nos lábios carnudos da mulher e pensou por alguns segundos, tentando entender onde ela queria chegar, obedecendo-a prontamente.
— Eu vou ao toalete, você pode aguardar alguns minutos? — perguntou educadamente.
Nacho concordou observando a silhueta marcada da mulher ir em direção ao banheiro e só parando de encarar quando perdeu-a de vista. Aproveitou para chamar pelo garçom e pedir a conta, sabendo que quando ela voltasse o sábado à noite teria sido jogado fora.
Para piorar o restante da noite do homem, Eleanor demorava mais que o normal, a conta tinha sido pedida pela terceira vez e a frustração já estava se transformando em irritação. O jogador já mandava mensagem para alguns amigos, na esperança de encontrar algo pra fazer ao encerrar o jantar, quando um senhor trajando um terno bem alinhado sentou na cadeira a sua frente, lugar ocupado por Eleanor anteriormente.
— Senhor Fernandez, poderia me acompanhar por gentileza? — o sotaque estrangeiro e a ousadia do homem fizeram o jogador estranhar o pedido.
— E por qual motivo eu o acompanharia? — indagou brincalhão, perdendo o sorriso quando percebera o cenho fechado do homem.
— A senhorita Suhaylah está aguardando por você. — Nacho ia começar os questionamentos quando fora barrado pelo levantar da mão do homem. — A conta já foi paga, você tem exatos três minutos para chegar até o seu carro, caso contrário você pode ficar aqui por cinco minutos, ela irá entender. — o sorriso presunçoso foi a última coisa que o jogador deixou, saindo de seu assento e indo até o seu carro.
Sem entender nada da situação, Nacho andava apressado em direção ao seu carro, enxergando de longe as luzes anunciando que ele já estava ligado, entrou no banco de trás raivoso, assim que percebeu a presença de um desconhecido no banco do motorista. Eleanor que aguardava pelo jogador distraída não teve tempo de sentir o pequeno susto com a rapidez que o espanhol sentou ao seu lado.
— O que diabos você está fazendo? — o tom exasperado do jogador fez Eleanor se encolher no banco. — Você é a pessoa mais estranha que eu já conheci. —
— Estranha? Do que você está falando? — claramente ofendida, Eleanor se impôs, ajeitando sua postura no banco.
— Não venha se fazer de desentendida, ou agora você age desse jeito com todo mundo? — questionou irritado. — Você pode parar o carro, por favor. — o jogador pediu ao motorista, que olhou para a mulher pelo retrovisor aguardando uma resposta.
— Desculpa senhor, ainda não chegamos no local desejado pela senhorita Suhaylah. — respondeu firme, voltando sua atenção para as ruas.
— Você pode esclarecer o motivo do sua revolta? — Eleanor questionou atraindo a atenção do jogador, carregando um olhar prepotente e cruzando os braços em irritação.
— Você quer mesmo que eu fale? — indagou a Eleanor, que mantinha seu olhar firme à espera de uma resposta. — Primeiro você negou o meu convite para o jantar, aparecendo três meses depois me intimando para hoje usando a desculpa de que iria se redimir pelo furo. Ótimo, cheguei aqui e você não falou absolutamente nada e claramente não fez questão. Do nada você decidiu sumir, aparecendo com um motorista dentro do meu carro e me arrastando para um lugar que eu não faço a mínima ideia de onde seja. Eu realmente nunca pensei que você fosse o tipo de pessoa que tivesse o nariz em pé, mas pior que isso é ser o oposto dos elogios que recebe. —
Nacho soltou o restante do ar que tinha em seus pulmões, aliviado por ter exposto tudo que estava sentindo em relação a ela, enquanto a mulher parecia processar tudo que escutara, analisando seu comportamento desde o princípio e sentindo um leve remorso por sua atitude indiferente para com ele. Ambos se encaravam, não sabendo o que falar um para o outro, distraindo-se quando o motorista anunciou a chegada ao local indicado por ela.
Assim que saíram do carro, o zagueiro sentiu o arrependimento bater imediatamente, estavam em uma espécie de colina que tinha a vista de boa parte da cidade iluminada de Madrid, na beirada um pequeno piquenique com algumas taças de champanhe, cobertores e castiçais para iluminar o local chamaram a atenção do zagueiro que virou rapidamente em direção a Eleanor que estava encostada na lateral do seu carro.
— Olha... eu não esperava por isso. Estou me sentindo um pouco ridículo com tudo o que falei. — confessou desconcertado, arrancando um leve sorriso da árabe.
— Me desculpa pelo forma que te tratei, eu estava um pouco desconfortável com os olhares no restaurante. — esclareceu tristonha. — Minha intenção não era parecer que eu não queria estar ali... —
O jogador que não estava mais pensando no que tinha acontecido anteriormente, só pensou no cuidado que ela teve ao preparar aquele momento a sós.
— Você não vai vir? — estendeu a mão para Eleanor, esperando ansioso para que ela segurasse.
— Na verdade, o meu motorista já está na portaria chegando aqui. — informou, com o tom de voz entristecido, desviando o olhar para a pequena bolsa em sua mão. — Você pode aproveitar a vista, o lugar é incrível, pertence a minha família então não se preocupe com nada pode ficar quanto tempo quiser. — finalizou com um leve sorriso.
— Ah, claro que não! Não vou ficar aqui sozinho. — se aproximou da mulher e delicadamente segurou a sua mão. Na tentativa de segura-lá mais um pouco ali. — Você preparou tudo isso para chegar aqui e desistir? Eu sei que com um pedido seu motorista não vai se incomodar em aguardar. — Nacho insistiu, sabendo do seu vacilo e que se não consertasse naquele momento, não teria outra oportunidade.
Eleanor torceu os lábios, olhando para as unhas dos pés e negando levemente com a cabeça.
Ao invés de se chatear se surpreendeu com as coisas negativas que o jogador pensava a seu respeito e com toda certeza ela queria que isso mudasse. Caminhou lentamente e sentou no pano largo e acolchoado para apreciar a melhor vista e companhia que Madrid poderia proporcionar.
Nota da Autora:
1.Vocês podem seguir a Eleanor no instagram, acompanhar seu dia-a-dia, alguns spoilers e interagir com a personagem @eleanorperezs
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