❝The girl with red lips❞
Era quinta-feira à noite e aqui estava eu, me arrumando pra mais uma festa na casa de um veterano da faculdade. Seulgi com certeza estaria por lá, ela sempre está.
E ela é a razão que me faz frequentar todas as sociais e festas onde sei que estará presente. Faço isso somente com a intenção de encontrá-la, vê-la, já que nosso namoro acabou já fazem algumas semanas e a única que ainda não superou, foi eu. Talvez pareça um pouco obcecada e você pense até que sou uma stalker, mas veja, não é bem assim.
Vê-la de longe é mais do que o suficiente, mesmo que eu tenha me tornado invisível aos seus olhos.
Tenho esperanças de que vou conseguir superar isso em breve. Ninguém sofre por alguém por muito tempo e assim espero que seja.
Seulgi e eu namoramos por cerca de um ano e meio até que Kang disse que os sentimentos já não lhe alcançavam mais. Foi extremamente doloroso, ainda dói quando me lembro. Seus olhos sem brilho e sua expressão fria partiram meu coração em milhares de pedacinhos. Mas eu não podia julgá-la, os sentimentos de qualquer pessoa podem mudar, inclusive os meus.
Pedi que minha irmã me deixasse na festa, sabia que iria beber e não podia dirigir depois. Seria melhor que ela me levasse e na volta eu pediria um uber. Desci do carro e ajeitei minhas roupas – essas consistiam em um short de cintura alta, uma blusa de alças finas em cetim com a parte da frente parcialmente dentro do short e uma jaqueta de couro preto por cima. Nós pés uma bota de salto médio também em preto, até os joelhos; deixei os cabelos ondulados e soltos, sendo parcialmente jogados para o lado esquerdo.
Me despedi da garota e segui até a casa que já estava cheia e tinha o som extremamente alto. Dentro da residência as pessoas dançavam animadas, outras aproveitavam o momento para flertar e outros para encher a cara. Eu estava lá por Seulgi, e para encher a cara óbvio.
Atravessei a sala lotada em direção a cozinha para pegar uma bebida, assim que me aproximei da bancada Sehun – o calouro gato do departamento de direito – me estendeu um copo com uma bebida recém colocada.
Olhei para o copo e depois pra ele, um pouco receosa.
— Não tá "batizada", pode beber. – O rapaz fez sinal de positivo.
— Vou confiar em você. – Levei o copo até a boca e bebi um gole, depois me virei e saí de lá.
Não conhecia bem Oh Sehun, mas sabia que ele não era do tipo que "batizava" bebidas. Ou pelo menos espero. Bebi outro gole do líquido que desceu queimando minha garganta, e então vi Kang Seulgi do outro lado da sala, dançando com Moonbyul – sua melhor amiga, que inclusive acenou pra mim logo que me viu. Kang curvou a cabeça ao me ver, não havia nada em seu olhar, nenhum sentimento, era só um olhar vazio que se dá à um estranho na rua. Talvez.
A música continuava a tocar e ela voltou a dançar, rir e beber como se nada tivesse acontecido, como se sequer tivesse me visto. Aquilo me machucava, mas ainda sim insistia em voltar nessas festas por ela. Como uma idiota.
Decidi sair de lá e ir até outro canto da casa, sei lá, de repente ao menos por ora não queria ficar olhando pra Seulgi. Assim que dei meia volta para começar a andar, meu corpo colidiu com o de uma garota e seu copo com bebida virou todo sobre mim.
Olhei pra menina tão atônita quanto ela pra mim. Seus lábios vermelhos se entre abriram em surpresa. Por alguns segundos ficamos nos encarando sem reação, como duas idiotas.
— Meu deus, me desculpa! Foi sem querer, eu juro! – Ela levou uma das mãos até a boca, parecendo preocupada enquanto analisava minhas roupas.
— Não tem problema, foi um acidente.
— Mesmo assim, você tá bem? Não te machuquei, certo? – Acenei que não com a cabeça forçando um sorriso, a garota continuava muito preocupada. — Vem comigo, vamos secar sua blusa! – Sem sequer me dar tempo de responder, ela segurou minha mão e me arrastou para o andar de cima.
A garota abriu uma das portas como se conhecesse bem o lugar, era o banheiro. Entramos juntas, ela me entregou uma toalha e também pegou uma pra me ajudar a secar, mas fiz sinal de que não precisava. Eu estava de frente pra pia e de costas pra ela, esfregava a toalha sobre a blusa de cetim e minhas coxas – que também ficaram molhadas. Olhei o reflexo no espelho e a acastanhada ainda me encarava aflita.
Neste instante reparei no quão bonita ela era; seus lábios eram cheinhos, mas não muito, estavam vermelhos por conta do batom que usava. Ela tinha praticamente minha altura e usava um vestido preto de alças finas e veludo, justo, seus cabelos castanhos estavam lisos e livres.
Comecei a rir quando não aguentei mais aquele clima bizarro, talvez a bebida já estivesse fazendo efeito. A garota dos lábios vermelhos me olhou, agora aflita e confusa.
— Você tá preocupada demais, não é pra tanto. – Tentei minimizar a situação pra tentar fazer com que ela não se preocupasse tanto.
— Ah, é que fiquei com receio de que estragasse suas roupas.. – Mordeu o lábio inferior sem graça.
— Não estragou, tá tudo bem. – Dei uma voltinha pra que ela visse. A ouvi soltar um suspiro de alívio e em seguida pôde sorrir.
— Ah, que bom! – Expressou realmente aliviada, até seu semblante já havia mudado. — A propósito, eu sou a Jennie Kim. – Ela estendeu a mão, estendi a minha e apertei a sua.
— Eu sou a Bae Joohyun. – Abri um sorriso amigável à ela.
— Acho que agora podemos voltar pra festa né? – Jennie quebrou o breve silêncio que havia se instalado entre nós, concordei imediatamente como se tivesse acabado de sair de um transe.
Deixamos o cômodo juntas, a festa ainda rolava obviamente. Quando descemos as escadas, Seulgi me lançou um olhar, porém, logo desviou. Peguei meu copo que havia deixado num móvel do andar de baixo, pretendia ir para o lado de fora, mas então senti Jennie tocar meu braço. Parei de caminhar, ela se aproximou do meu ouvido e perguntou:
— Você veio com alguém? – Balancei a cabeça negativamente. — Eu também não, será que podemos ficar juntas? Agora você é a única garota que eu conheço aqui, e não quero ficar sozinha.
— Claro. – Respondi, também com os lábios próximos ao seu ouvido por conta da música alta.
— Eu só preciso pegar outra bebida. – Balancei a cabeça positivamente.
— Vamos até a cozinha, a minha também acabou.
Na verdade alguém tinha bebido no meu lugar.
Jennie segurou minha mão e com muita dificuldade nós passamos pelo aglomerado na sala de estar. Muito mais pessoas haviam chegado, a casa já não estava cabendo mais ninguém – não ia demorar pra que algum vizinho acabasse chamando a polícia por causa da bagunça.
Chegamos na cozinha sãs e salvas, procurei por um copo limpo e Jennie por alguma garrafa que ainda tivesse bebida.
— Estamos com sorte! – A Kim expressou animada, me virei em sua direção e a vi balançando uma garrafa cheia de whisky na altura do rosto. — Vamos levar e tomar lá fora? – Questionou e eu não hesitei em assentir, já queria ir pra fora de qualquer jeito.
Caminhamos até o jardim na entrada da casa, é o lugar com menos pessoas que pudemos encontrar, os fundos estava lotado assim como o resto. Nos sentamos na grama baixa que tinha lá e abrimos a garrafa, preenchendo até a metade nossos copos.
Nós bebemos alguns goles do whisky antes de começar a conversar, mas não ficamos bêbadas. Talvez um pouquinho mais animadas. Descobri que ela era irmã de um dos veteranos que tinha organizado a festa e que também, era um ano mais nova do que eu.
— Por que veio sozinha? – Jennie questionou bebendo um gole do whisky diretamente da garrafa. Apesar disso, seus lábios continuavam vermelhos e isso não parava de chamar minha atenção.
— Vim pra ver alguém. – Fui o mais breve possível, não queria dar muitos detalhes.
— E viu? – Balancei a cabeça positivamente. — Pela sua expressão não deve ter sido das melhores.
— Nada que eu já não esperasse... – Suspirei meio chateada comigo mesmo por me forçar a isso sabendo que me machuca. — Mas não vamos falar sobre isso, não vale a pena. – Peguei a garrafa de suas mãos e também bebi um gole. — E você, por que veio sozinha?
— Nenhuma das minhas amigas quis vir e eu precisava me divertir, então aqui estou eu. – Gesticulou com os braços, sorri achando a garota engraçada. — Você costuma frequentar essas festas sempre?
— Sim e você?
— Nem sempre. Mas agora acho que vou, ficou interessante de repente.
Sorri pra ela, voltamos a beber mais do whisky. Nossa conversa perdurou por mais algum tempo, até deitarmos na grama e começarmos a falar sobre tudo que há de mais aleatório em nossas vidas – como se nos conhecêssemos há anos. Jennie não era só bonita, mas também legal e engraçada, sabia conversar e manter o assunto.
Olhamos o céu estrelado por um tempo em silêncio, talvez nos cansamos de falar, ou talvez já estivéssemos bêbadas. Me sentia um pouco bêbada, mas não tanto. Viramos o rosto na direção uma da outra ao mesmo tempo, até sorrimos mas depois ficamos sérias. Seus lábios vermelhos continuavam chamando minha atenção, pareciam macios e quanto mais eu os encarava, mais convidativos eles se tornavam.
Levantei o olhar, dessa vez para os olhos escuros e brilhantes dela. Jennie me encarou sem desviar o olhar e então sem qualquer aviso prévio se aproximou e eu senti os nossos lábios se chocarem. Fora um selinho rápido, mas foi o suficiente pra que eu sentisse o quão macios eram e suficiente para despertar o meu desejo por mais.
Jennie havia dado o primeiro passo, como se tivesse me dado permissão. Então não hesitei em me aproximar devagar e juntar nossos lábios novamente, mas dessa vez, com mais intensidade. Nossos lábios se encaixaram perfeitamente, e nossas línguas se entrelaçavam como se tivessem sido feitas uma pra outra. Uma de suas mãos estava na minha cintura, me puxando contra si, enquanto meus dedos estavam entrelaçados aos seus fios. Íamos do intenso ao calmo em questão de segundos, tornando o beijo nada monótono e bastante especial.
Era meu primeiro beijo em outra garota em muito tempo, e eu nunca pensei que meus lábios pudessem se encaixar tão perfeitamente aos de outra pessoa. E que bom que isso aconteceu. Pela primeira vez fui à uma festa em mais uma tentativa de encontrar Seulgi, – e forçar minha presença – no entanto acabei encontrando outro alguém, tão interessante quanto, que fez a minha noite – que havia começado melancólica – valer muito mais apena.
— Talvez eu tenha encontrado uma razão para continuar frequentando essas festas.
Falei quando paramos o beijo, estava um pouco ofegante mas de alguma forma animada e feliz. Voltamos a encarar o céu novamente, pude ouvir Jennie – que também estava ofegante – soltar uma risadinha baixa. Em seguida ela segurou uma das minhas mãos.
— Então neste caso, espero te encontrar em todas elas.
»»»»»»
hello babies!
primeira oneshot yuri que eu posto, tô muito nervosa porque não sei se vocês vão gostar, se alguém vai ler ou se vai flopar. (but, ok)
bom, espero realmente que tenham gostado mesmo que tenha sido um tanto simples.
queria salientar que essa oneshot é basicamente um teste, se ela for bem recebida e tiver um bom engajamento, mais pra frente pretendo postar uma short ou long fic yuri (não necessariamente com esse shipp).
então, se gostarem não se esqueçam de comentar bastante e deixar o votinho! preciso muito do feedback.
obrigada por ler, XOXO ❤
Plot by: stormbaek
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