8. Irmãs Inseparáveis.
1 semana depois
Estou sentada na arquibancada do estádio de lacrosse. Benjamin Logan Finley tem mudado totalmente minha rotina apenas para segui-lo por aí, o que é interessante.
Gosto disso.
Quando ele disse que eu, ele e Oliver seríamos um grupo, não estava brincando - pelo menos não em parte. A verdade é que Kristen Hildegart não desgruda dele, e eu tenho que aguentar os olhares vindos de Carter Callaway - famintos - sobre mim.
Parada na arquibancada vazia, contemplo meus resumos de geografia, que no momento estão fazendo total sentido na minha cabeça. Infelizmente, não escuto quando todos os jogadores saem do gramado e consequentemente do estádio, ficando sozinha ali e estudando o conteúdo.
Alguns segundos depois, noto uma presença diferente ao meu lado. Viro minha cabeça e sou agraciada pela visão de um Carter Callaway suado acompanhado de um Benjamin Logan Finley que parece uma lagoa.
Reviro os olhos em uma tentativa de mostrar meu descontentamento, mas por dentro não estou tão infeliz assim.
— Estão aqui faz tempo? - Pergunto, mordendo o lábio inferior.
— É... - hesita, dando de ombros - Você parece concentrada, vamos na biblioteca. - Benjamin anuncia, voltando o olhar para a porta.
— Desde quando vão à biblioteca? - A maior mentira inventada por ele. Aquele lugar só é frequentado pelos nerds. Benjamin pode ser tudo, menos nerd.
— Desde que eles retiraram as câmeras de lá e mandaram para o conserto. - Carter Callaway completa meu pensamento.
Arqueio a sobrancelha. Óbvio, lá deve estar cheio de sêmen nos livros. Eca.
— Boa visita ao paraíso. - Sorrio com ironia. - Para os dois. - Pego meus lápis e canetas e coloco-os no estojo. Em seguida, deixo-o na mochila juntamente com meus cadernos.
Quando termino, noto que Ben já foi embora - sem nem se despedir -, mas Carter ainda permanece ali, indo sentar-se ao meu lado.
Consigo sentir sua insegurança ao estar perto de mim e não saber o que dizer, mas finjo que não o conheço mais uma vez, porém logo ele corta o gelo do ambiente com suas palavras.
— Louise, nós precisamos conversar como duas pessoas civilizadas. - Ele inicia, remexendo as mãos com nervosismo.
Ele não estava tão nervoso quando me deu um pé na bunda.
— Diga. - Levanto, colocando a mochila nas costas.
— Eu me arrependo pelo o que disse aquele dia, quando te descartei " feito um chiclete velho". - Diz, remetendo as minhas palavras da noite da festa de Kristen Hildegart.
Então ele lembra do que eu disse?
Ah, que se dane.
Então, para traçar um pouco de felicidade naquela face meio cinzenta, resolvo facilitar as coisas para Callaway.
— Perdoado. - Digo, dando de ombros e passando pelo garoto, que ainda permanece sentado.
Mas ele levanta e começa a me seguir.
— Assim? Tão fácil? - Se assusta, indo até a minha frente quando saímos da parte das cadeiras e vamos até a escada.
— O que esperava? - Arqueio a sobrancelha - Que fizesse você ficar de joelhos e me pedir perdão? Não sou dessas, Callaway. - Paro, olhando-o. - Eu me arrependo de ter gostado de você, me arrependo de ter feito joguinhos entre você e Kristen. Não quero me arrepender de mais nada, nem fazer jogos com você de novo. Estou cansada, Carter. - Mordo meu lábio inferior, lançando meu olhar para a porta.
— Ver você com Benjamin Logan Finley me fez querer morrer, percebi que fiz uma grande besteira. - Olha para o céu, voltando a me fitar.
— Não, você está enganado. Você quer apenas me ter, você não gosta de mim, Carter. Você prefere status ao invés de sentimentos; você prefere Kristen Hildegart ao invés de Louise Adams; você prefere beleza ao invés de caráter. Você não gosta de mim, você gosta de me ter, pois quando se sente ameaçado, corre atrás de mim como um cachorrinho perdido. - Termino minha fala sentindo um nó na minha garganta. É verdade. Infelizmente, tudo o que estou dizendo é verdade.
— Não aceitei Kristen Hildegart no verão porque gostava realmente de você. - Confessa, me visualizando com incredulidade. - Eu só errei no final... - Interrompo-o.
Coitadinho!
— No final quando me trocou por status, popularidade, festas, bebidas e garotas. Sim, eu sei. - Suspiro com impaciência. - Estou sendo dura, mas você tem que entender que acabou.
— Eu gosto de você. - Diz, e pela primeira vez enxergo sinceridade no olhar do garoto. - Além do mais, a Kristen está ficando com o seu amigão. - Revira os olhos, cruzando os braços com um pouco de irritabilidade.
— Então prove.- Falo, visualizando-o com a finalidade de desafia-lo.
— Ah, sério? - Olha para mim com irritação, arqueando a sobrancelha.
— Cansei de ser feita de otária. - Passo por ele, batendo meu ombro no do mesmo propositalmente.
- Agora você bate no ombro das pessoas como forma de despedida? - Fala em um tom mais alto, sem se mover.
— É minha forma de impacto. - Digo, abrindo a porta para sair daquele lugar. Que tóxico.
Estudando em meu quarto, presto atenção quando a porta começa a ranger e a voz da minha irmãzinha ecoa no ambiente. Tímidos passos são dados no chão do local, que aos poucos se aproximam.
— Lou, sei que você está estudando, mas queria conversar com alguém. - Ela diz, sentando-se em minha cama.
Termino de anotar uma coisa em meu resumo e viro minha cadeira para poder vê-la.
Uma criança tão fofa.
— Diga. - Sorrio de forma acolhedora, franzindo o nariz por hábito.
A menininha suspira por hesitação. Percebo o nervosismo no olhar dela, é como se estivesse se perguntando " falo ou não falo?"
— Vocês queriam me adotar, ou foi apenas por...pena? - Pergunta rapidamente, me visualizando com uma tristeza nos olhos.
Aí, coitada.
— Por que está pedindo isso? - Peço, tentando encontrar algo que me responda isso, mas falho miseravelmente.
— É que o Oliver me olha de um jeito meio estranho. - Se retrai, abaixando cada vez mais o tom de voz - Nada contra ele, mas acho que ele não gosta de mim. - Ela morde um lado da bochecha e eu solto uma gargalhada.
Meu irmão é um canalha. Pobre criança!
— O Oliver é mais criança que você e Charlie Alfie juntos, Isla! Nem dê bola, ele tem medo de ser trocado por você ou algo assim, mas sabe o que ele não entende? Nessa casa aqui, tem lugar sempre para mais um. - Respondo-a, sorrindo e levantando-me da cadeira para abraçá-la.
Sento na cama e aconchego-a em meus braços. É legal ter uma irmã mais nova.
— Ele um dia vai me aceitar? - Questiona, levando o olhar até mim, mesmo não conseguindo me enxergar direito por conta do ângulo.
— Óbvio. Isso é passageiro, logo ele volta ao normal. Oliver é o bebezão dessa casa. Ciumento que só! Mas logo passa, e ele volta a ser menos bebê, ou seja, o normal e chato Oliver Adams. Na realidade, desde criança ele foi o irmão mais novo, só não sabe ainda. - Explico em forma de brincadeira.
— Ah, que bom. - Ela sorri e consigo perceber que se sente mais aliviada, o que me deixa feliz também.
Me desentrelaço da garotinha, que me visualiza de soslaio.
— Você é uma ótima irmã mais velha, mesmo que postiça. - Ela comenta, se levantando da cama.
E ali, naquele lugar com uma irmãzinha que nunca imaginava ter, tento encontrar a melhor solução para o meu problema.
— Não somos irmãs postiças. Somos irmãs de verdade. Você sabia? Mesmo que não temos pais e mães iguais, nosso sangue é o mesmo. - Digo.
— É? - Pergunta com estranhamento, arqueando a sobrancelha e mordendo o lábio inferior.
— Óbvio! Só que precisamos fingir. É tipo uma brincadeira. - Sorrio, e ela percebe que eu realmente estou brincando, mas falando sério.
— Então somos irmãs de verdade? - Pergunta retoricamente, iluminando o olhar.
— Óbvio! - Falo de maneira animada.
Então ela faz a coisa mais fofa já existente: dá um passo à frente e me abraça num gesto inesperado.
Que criança mais fofa aaaaaaaaaa.
— Obrigada! - Diz rapidamente, saindo correndo do quarto.
Meu deus, queria realmente ser irmã de nascença dessa menina, mas ela é mais especial assim.
A única coisa que Isla precisa é de uma família que a ame incondicionalmente, que a faça se sentir em casa, assim como a minha tia fez ela se sentir um dia.
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