Liberdade é não ter medo ( Nina Simone)
Por violeta
As vezes penso que estou perdendo grande parte de minha adolescência, sei que pensar assim é injusto por que tenho tudo que muita gente gostaria de ter, mas eu realmente acho que isso não é tudo na vida, eu tenho dezessete anos e eu nunca sai para uma festa, por que meu pai acha perigoso, ele diz que eu poderia me machucar e que o mundo lá fora é muito cruel, sei que não vivemos em um mundo maravilhoso assim, ouso os noticiários não me permito viver inerte sem saber da nossa realidade. Mas acabo que vivendo sim em outro mundo, meu pai controla até o que como, tento pensar que isso tudo é por amor e proteção, por que ele tem medo me perder igual aconteceu com a minha mãe, mas poxa eu não posso viver pressa nessa casa para o resto da minha vida como se eu fosse algum tipo de princesa em perigo. Mas o que adianta eu pensar assim se não consigo dizer isso para meu pai, já tentei várias vezes mas nunca consegui, então o jeito é viver assim e esperar que algum dia eu consiga ter a coragem de dizer a ele tudo o que eu sinto.
Todos os dias tenho uma programação para seguir, quando chego da aula almoço algo bem leve, meu pai não gosta que eu coma nada que contenha fritura, açúcar, e massa pesada, ou seja nada que tenha graça. Tenho uma dieta regrada de legumes, verduras, frutas e só como carne branca, bom eu nunca morri por conta disso. Logo após o almoço vou para minhas aulas de balé, logo depois tenho aula de piano em casa, seguido de aulas de inglês, espanhol e francês. Quando é mais a tarde consigo descansar um pouco ouvindo minhas músicas deitada em minha cama. Está tarde algo não saia da minha cabeça era a voz do tal Tyler e que voz, o que eu realmente não conseguia entender era por que meu corpo reagiu daquela maneira, isso nunca tinha acontecido comigo, nunca tive esses tipos de sentimentos, nunca mesmo e parece loucura mas nunca me interessei por algum garoto, tudo bem que o mais próximo de um garoto que eu cheguei é o Miguel mas eu acho que ele não conta por que é meu melhor amigo. Mas ao pensar em Tyler e que eu o conheci em um dia e meu corpo reagiu de tal forma me faz pensar que ele tem algo diferente, Julia disse que as garotas do colégio viviam atrás dele, e que ele é realmente muito bonito, como eu gostaria de velo para saber se realmente é bonito como sua voz é.
Ouso uma batida na porta
- Violeta querida está na hora do seu jantar – Graça a nossa governanta diz. Ela é como se fosse uma mãe para mim cuida de mim com tanto amor e carinho, ela está conosco desde que minha mãe morreu, ela tem cuidado muito bem da casa de mim e do meu pai.
- Meu pai já chegou Graça - pergunto
- Não querida, ele pediu perdão disse que hoje está enrolado de trabalho. – Fico um pouco decepcionada eu odeio jantar sozinha, mas eu já estou acostumada meu pai consegue jantar comigo apenas duas vezes por semana, o que realmente é muito pouco.
Sento em nossa mesa de jantar enquanto Graça me serve, uma deliciosa sopa de legumes, e assim mais uma noite sozinha, tento não ficar melancólica por conta disso e apenas agradecer a Deus e ao meu pai por ter comida em minha mesa, uma casa confortável, assim como uma vida também muito confortável, tem muitas pessoas que não tem nem o que comer, por isso não posso pensar como uma garota fútil e infantil.
Na manha seguinte estou sentada em uma das cadeiras ao lado de fora no jardim do colégio, a aula era de ginastica eu realmente não conseguia fazer essa aula, não conseguia acompanhar como os outros alunos, Julia e Miguel já tentaram me ajudar mas eu realmente não era boa em nada, que tinha esporte, com essa situação fui dispensada dessa aula então fico sentada aqui no jardim esperando o tempo passar enquanto escuto música no meu Ipod eu sou completamente apaixonada por músicas clássicas, sou apaixonada por compositores como Mozart, Chopin, Beethoven e é claro meu favorito Mahler. Meu pai diz que minha mãe ouvia muito quando eu estava em sua barriga, e quando eu nasci, confesso que comecei a ouvir por conta dela, mas eu me apaixonei, hoje em dia ocupa a maior parte da minha playlist.
Volto para a realidade quando alguém tira meu fone, ao mesmo tempo sinto o cheiro inconfundível de canela, mas tudo acontece tão rápido que percebo que é ele somente depois que eu já havia me assustado.
- Me perdoa não queria assustá-la
- Nunca te falaram para não chegar assim em alguém, principalmente se essa pessoa for cega – digo não queria ser grossa, mas eu realmente me assustei
- Não, nunca, mas acho que não parei para pensar que esse detalhe é realmente importante, até agora – ele sorri automaticamente meu corpo fica completamente quente.
-Tudo bem, o que está fazendo aqui
- O que você está fazendo aqui, por acaso está matando aula, que coisa feia – dou uma risada com o seu falso tom de reprovação
- Eu não faço esse tipo de coisa, mas e você estava- pergunto
- Na verdade sai para fumar um pouco, se não iria acabar dormindo naquela aula de Filosofia.
- Fumar mata e com certeza você vive nos limites do perigo – brinco tentando abafar o fato de acabar de me intrometer em sua vida. Ele solta uma gargalhada que é impossível não rir junto
- Vivo no limite gata, mas acho que morrer por fumar com certeza não será o motivo, não dizem que o cigarro mata lentamente, pois então do jeito que vivo minha vida acho que posso morrer por outros motivos.
Não sei se deveria ter medo dele, ou me afastar por que ele realmente parece perigoso, mas eu realmente não sinto medo nenhum. Queria vê-lo agora saber realmente o que aquelas palavras significam
- Bom no meu caso, acho que levara um tempo para que eu morra, eu praticamente não vivo – as palavras saem da minha boca tão triste, que eu me impressiono.
- Então apenas viva – ele diz como se fosse a coisa mais fácil do mundo
- Não é tão fácil assim
- A vida é uma merda que nada é fácil, certo ou faça algum sentido, mas se não desafiarmos ela, provavelmente seremos engolidos.
- Como tem tanta certeza assim – pergunto, sentindo completamente o peso de suas palavras, que parecem me atingir por completo
- Não tenho – ele diz apenas
- Bom, para alguém que não gosta de filosofia, acho que você realmente tem sabias palavras.
- O que eu posso dizer, sou muito difícil de se entender – rimos juntos, parece que nos conhecemos a muito tempo. Relaxo meu corpo quando sinto seus dedos em meu cabelo
- Não se assuste, só estou tirando uma abelha que estava aqui
- Tudo bem
- Você cheira bem – ele diz não me preparando para o que vem a seguir, sinto seu nariz em meu pescoço, tento me afastar mas ele me impede
- O que...
- Ainda não intendo como nunca a vi aqui
- Não deveria, fazer isso – digo me afastando de seu toque
- Na verdade fazer isso é o que eu queria fazer desde que a vi, e não somente isso pode ter certeza
- Mal nos conhecemos, ao menos sabe meu nome mocinho – tento ser o mais dura possível.
- Violeta, acertei
- Si sim
- Bom agora posso fazer o que eu quero
- CLARO QUE NÃO- praticamente grito, e ele ri
- Foi o que pensei – então o sinal toca, deveria agradecer, mas não sinto nenhum pouco de vontade, apesar do seu atrevimento, eu realmente gostei de conversar com ele
- Hora de irmos – ele diz, me levanto pegando minha bengala, mas então meu corpo se esquenta novamente, e meu coração bate tão rápido que parece que vai sair do meu peito
- Você é realmente de tirar o folego, e pode ter certeza que estou sendo muito cavaleiro, porque o que eu realmente estaria fazendo agora, é te beijando até o meu desejo desaparecer por completo, ou pelo menos uma parte dele, eu quero você Violeta, de todas as formas possíveis não consigo pensar que alguém pode ser tão inocente assim, só me da mais vontade de tela e fazer toda essa doçura e inocência sumirem.
Ele diz bem próximo de minha orelha, sinto seu corpo se afastando de mim, acho que realmente vou cair de joelhos
- Aproposito me chamo Tyler – escuto seus passos se afastando
- O que foi isso – tento intender, principalmente o que está acontecendo com meu corpo, meu coração, pego minhas coisas e vou para a aula.
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