Prólogo

É um tanto estranho, sabe, diário? Mais estranho ainda do que eu ainda ter um diário.

Desde que eu me entendo por gente, eu sou incapaz de sentir emoções. Eu não sinto nada.

Com o tempo, isso começou a se tornar normal para mim. Muito embora eu nunca consegui entender o por quê.

Sim, é claro que eu sou normal perto das outras pessoas. Mas é tudo uma encenação.

Um teatro bem feito.

Mas não se assuste, diário. Não é tão ruim quanto parece. Digo, eu sei que eu estou quebrada, mas eu realmente não ligo.

Meu mundo sempre foi sombrio e solitário. Eu até que estava feliz assim. Não precisava de mais nada. Apenas de mim mesma.

Mas tudo mudou quando eu conheci ele:

Meu Senpai.

Foi em um dia que eu acordei atrasada. Digo, muito atrasada mesmo.

Coloquei uma torrada na boca e sai correndo até a escola. Não me importava com ninguém que passava no meu caminho. Ia atropelando todos mesmo.

Porém, quando eu literalmente cai em cima de um garoto de cabelos pretos, eu não evitei olhar para ele.

E então, meu coração parou por uma fração de segundos.

Ah! A forma que ele pediu desculpas sem jeito, a forma que ele sorriu para mim quando estendeu sua linda mão para me ajudar a levantar.... É indescritível, diário.

Fiquei perdida em seus olhos pretos profundos, e, por um momento, eu me senti humana, viva. Finalmente eu tinha entendido como é que é ter sentimentos, como é ser feliz.

Isso é muito bom!

Por um momento, eu pensei que eu iria ter um ataque cardíaco ali mesmo, naquela rua. Principalmente quando eu aceitei sua ajuda, e ele me levantou daquela rua imunda com seus braços fortes e ao mesmo tempo delicados.

Quando eu ia agradecer, eu fui interrompida.

Sim, interrompida.

Uma garota loira de chiquinhas gritou do portão da casa ao lado. Ela estava chamando o Senpai.

Ele não me deu chances de agradecer mais, e simplesmente se afastou com um: Até mais! Espero que você esteja realmente bem e não tenha se machucado. Mas eu realmente preciso ir. Estou muito atrasado para a escola.

Sim diário, foi fofo a forma que ele falou comigo, tenho que concordar. Mas eu não conseguia sentir mais nada naquele momento. Apenas raiva.

Quando o meu Senpai foi até a loira, esta começou a brigar com ele. Sim, brigar! Não sei o que ela disse, estava mais preocupada em me segurar para não pular no pescoço dela ali mesmo. Tudo o que eu conseguir ouvir foi: não quero que você fique conversando com outras garotas.

Senpai apenas abaixou a cabeça e anuiu. E isso, me deixou com muita raiva.

Ela nunca irá dar o valor à ele que ele merece. Ela não merece ele, não concorda?

Ele pertence a mim, e apenas à mim.

Não há nada que eu não faça pelo Senpai. Não deixarei ninguém ficar entre nós. Não importa o que eu tenha que fazer.

Não importa quantas pessoas eu tenha que machucar.

Não importa quanto sangue eu tenha que derramar.

Senpai será meu.

E ele, não terá escolha.

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