White like Snow - Parte 1

"A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor." 

-Joseph Addison

— Perséfone... — Leiza olhou para a mulher de longas mechas platinadas ao seu lado lhe apertando um pouco mais o braço. — Não acho que isso seja uma boa ideia... Tanto irmos a Boston, quanto ir a tal fazenda.

— Não se preocupe Leiza... — Perséfone olhou para ela, lhe dando um sorriso gentil. — Eles podem nos ajudar. Talvez tenham algo para fazer em Boston e possamos os acompanhar até lá...

Leiza olhou para a amiga, desistindo de tentar a convencer do contrário. Ela olhou para a casa da grande fazenda, apertando um pouquinho mais o braço da amiga, antes que elas fossem cercadas pelo grupo de homens armados.

— Olha só o que encontramos. — um deles deu um passo a frente, enquanto a albina se colocava à frente dela, de forma protetora.

— Corra. — Perséfone jogou a cesta que carregava em direção aos homens mais próximos, criando espaço para que ela fugisse quando foram atingidos pelo chá ainda quente.

— Não. — o homem olhou para seus subordinados, fazendo com que parassem antes de segui-la, dando um sorriso cruel. — Não precisamos daquela negra. Ganharemos uma fortuna só com essa daqui...

Perséfone deu um passo para trás, antes que um deles a segurasse pelos braços. Leiza olhou para trás de relance uma última vez antes de correr para a fazenda. Ela parou ofegante ao lado de um jovem homem, levantado os olhos suplicantes para ele.

— Por favor. Precisa ajudar a minha amiga... — ele a apoiou pelos ombros, enquanto olhava ao redor. Leiza apontou na direção da qual tinha vindo, percebendo pela primeira vez as outras pessoas ao redor. — Eles vão machucar ela... Por favor.

O jovem a soltou ao ouvir o grito, correndo na direção de Perséfone, assim como ela. Ela pode ver, mesmo de longe, o traficante de escravos segurando o rosto da amiga com força, o lábio do homem sangrava.

— Quebre a perna dela, na altura da coxa. Será um pedaço a mais com o qual poderei lucrar. — ele largou o rosto da albina, enquanto outro se aproximava, a segurando pelos tornozelos, levantando suas pernas. Ela esperneou, tentando se soltar, enquanto ele erguia o braço, preparando um forte golpe.

Perséfone gritou quando caiu no chão, se encolhendo e cobrindo os ouvidos ao ouvir uma nova saraivada de tiros, enquanto os traficantes olhavam ao redor. Um grupo de pessoas, todas com o rostos cobertos por capuzes, surgiram. O líder dos traficantes olhou ao redor, medindo forças e sorrindo ao constatar que seu grupo era maior.

Com movimentos rápidos e precisos, Leiza viu os homens serem reduzidos a apenas seu líder vivo. Ela olhou mais uma vez para o grupo, se perguntando quem eles eram.

— Perséfone... — ela correu para perto da amiga, a ajudando a se levantar. — Você está bem?

— Minha perna está doendo... — ela levantou os olhos rapidamente, o grupo parecia estar ocupado com o traficante. — Você pode me ajudar?

— Sim... — ela olhou preocupada para a amiga, a testa criando ruguinhas. O rapaz de antes se aproximou delas, olhando com cuidado para a albina, que fechara os olhos, antes de a pegar em seu colo. — Obrigado.

— Não por isso. — ele sorriu gentil para Leiza, enquanto as levava para dentro da casa.

Achilles olhou para garota de pele extremamente branca, cabelos loiros praticamente brancos e de traços visivelmente europeus e delicados, que mantinha os olhos fechados a qualquer custo. Ele olhou mais uma vez para a garota sentada ao lado dela, pele cor de ébano, longas tranças e olhos cor de ônix, uma era o oposto da outra.

— Então, qual o seu nome? — ele olhou mais uma vez para a albina, que parecia ter chamado a atenção de seu pupilo mais novo. E pelo que sabia dele, aquela garota provavelmente era problema.

— Eu sou a Leiza. — ela deu um sorriso caloroso e agradecido, correndo os olhos escuros e brilhantes pela cozinha. — E a minha amiga se chama Perséfone... Não se preocupe, ela só está assustada.

— Sei. Eu vou olhar a perna dela, enquanto isso, por que não nos conta por que os traficantes estavam mais interessados nela do que em você... O que acha? — ele olhou para a garota, enquanto ela puxava a saia do vestido da amiga até a altura da coxa e concordava com um aceno. — Ótimo.

— Bem, eu não tenho como dar uma explicação convincente... Já que nem eu mesma sei ao certo o por quê... — ela deu uma risada nervosa e Achilles sabia que ela estava mentindo. Então a albina lhe apertou a mão, fazendo com que ela se virasse para a olhar. — Não. Você não precisa fazer isso...

— Não tem problema. — ela deu um tímido sorriso, antes de abrir os olhos vagarosamente e levantar o olhar para as pessoas ao seu redor. Achilles percebeu quando Liam, Hope e Kesegowaase deram um passo para trás, surpresos e até mesmo um pouco assustados. Apenas Shay olhava para a garota com certo deslumbre.

— Olhos violeta... — ele sorriu gentil para ela, que pareceu se sentir um pouco mais tranquila. — Mas ainda não entendo...

— Quando eu era mais nova, meu pai viu a Perséfone pela primeira vez e ficou encantado, e um pouco assustado também. Ele se preocupava bastante com ela, sempre conversando com os avós dela. No começo, eu não sabia que problemas uma garota branca e rica como ela poderia ter. — Leiza deu uma risada nervosa, passando os olhos pelas pessoas ao redor. — Então, alguns anos depois, ele me contou uma história e eu entendi por que. Traficantes de escravos e mercenários, sequestram pessoas iguais a ela, que são raras, e as vendem para feiticeiros da nossa terra. Esses feiticeiros as cortam em pedaços, ainda vivas, e usam para fazer poções.

— Isso é cruel. — Liam olhou para a albina, que o encarou com os brilhantes olhos ametista, antes de dar um grito agudo.

— Desculpe. — Achilles sorriu gentilmente para Perséfone, enquanto se levantava. — Acho que agora você consegue andar...

Perséfone mexeu o pé, dando um sorriso agradecido ao homem, antes de se virar para Leiza, que lhe apertava o braço.

— Não... — ela levantou as sobrancelhas, balançando a cabeça. Achilles alternou o olhar entre as duas, curioso, enquanto ela abaixava a voz, ainda assim ele podia entender o que ela falava. — Eu não vou pedir nada a eles. Já fizeram o bastante e mais um pouco...

— Perséfone, estamos sem dinheiro, sem trabalho e basicamente sem casa. Não custa nada... — a albina escondeu o rosto entre as mãos, enquanto Achilles sorria e Leiza levantava o rosto para ele. — Mestre Davenport...

— Não precisa me chamar de mestre, Leiza. — ele a encarou, enquanto seus pupilos começavam a se espalhar, cada um voltando a suas atividades. Perséfone deu um suspiro cansado, antes de apoiar o rosto em uma das mãos, bufando.

— Certo. O senhor tem uma grande propriedade aqui, por acaso não precisa de ajuda? — ela deu um sorriso para ele, apontando para a amiga. — Perséfone é uma excelente cozinheira, sabe pintar, desenhar, cantar e é a garota rica mais inteligente que o senhor irá conhecer

— Ela está exagerando. Eu não cozinho tão bem assim... E nem sou tão inteligente. — ele tentou não rir ao ver o rosto da albina ficar rosado, quase vermelho, enquanto ela desviava o olhar, envergonhada.

— É sim. Ela é boa com números, palavras e conhece mais plantas que eu, que vivia cuidando das coisas na velha propriedade. — Leiza sorriu, voltando os olhos para Achilles. — E eu posso ajudar no que o senhor precisar...

— Bem, será bom ter uma ajuda a mais aqui. Assim meus... pupilos podem se focar apenas no treinamento. — ele sorriu para as duas, enquanto Leiza apertava o braço da amiga, animada. Perséfone apenas sorriu, murmurando um obrigada.

Perséfone olhou mais uma vez pela janela do quarto, enquanto Leiza se jogava sobre a cama do outro lado.

— Eles foram ver a cabana. — ela sorriu, girando o corpo e olhando com curiosidade para a amiga. — O que foi?

— Nada... Só é um pouco triste ter que depender de outras pessoas... de novo. — a albina esticou o braço, dando um pequeno sorriso ao sentir o sol aquecer a pele. — Acho que vamos precisar de roupas novas.

— É. Uma pena termos perdido tudo. Mas vamos nos recuperar... Quando juntarmos dinheiro suficiente podemos ir para outro lugar. Nova York parece ser bem interessante e promissora... — Leiza olhou para a amiga, enquanto ela se sentava na cama, abraçando as próprias pernas e concordando com um aceno. Ela deu um sorriso travesso, ansiosa para implicar com ela. — Ei... Aquele rapaz... Ele ficou te encarando, como se os achasse bonitos...

— Ele só deve ter achado diferente. — Perséfone ficou rosada, fazendo a amiga rir e a encarar. — Pare com isso.

Leiza deu um sorriso maroto, antes que um travesseiro atravessasse o quarto em sua direção. 

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