Same Blood - Parte 1
'Amigos são a família que nos permitiram escolher.'
- William Shakespeare
Perséfone ajeitou mais uma vez a bandeja sobre a mesa, olhando ao redor pelo pequeno gazebo cercado de pequenos arbustos que começavam a florescer. A grande harpia planou pouco acima dela antes de pousar sobre uma viga, a encarando.
A albina sorriu, voltando os olhos para o portão do forte a tempo de ver Leiza passar pelos guardas acompanhada de Elisabetta.
— Pensei que tivesse desistido. — ela sorriu para a amiga antes de ser seu corpo envolvido pelos braços de Elisabetta.
— E então, quando aquele belo rapaz volta? Deve estar com saudades dele e de suas noites quentes, não? — Elisabetta riu ao ver o rosto de Perséfone ser tomado por um rubor enquanto Leiza gargalhava pela reação da amiga.
— Quem olha assim pensa que ela tem mesmo vergonha de algo. Ai! — ela riu, esfregando a canela sob a mesa enquanto Perséfone a encarava com uma expressão emburrada. — Ora, vamos. Até parece que é segredo o que duas pessoas adultas, perdidamente apaixonadas e cheias de luxúria vão fazer entre quatro paredes.
— Mas não precisa espalhar por toda a cidade. — a albina colocou uma mecha alva atrás da orelha antes de começar a servir o chá para as três.
— Ei, tem certeza de que seus amiguinhos templários não irão se importar com as minhas visitas? — Leiza olhou ao redor, vendo os dois homens deixados por Haytham para cuidarem da segurança de Perséfone passarem por elas.
— Nem um pouco. — Perséfone sorriu, ignorando os olhares extremamente atentos dos guardas sobre o trio.
Haytham Kenway não a via como um inimigo ou uma ameaça. Com o passar dos dias, ele passara a ver Perséfone como o que ela realmente era, uma civil e um obstáculo para a continuidade de Shay na Ordem. Ele sabia que assim que completasse sua missão envolvendo a caixa precursora o moreno se afastaria da Ordem Templária para ter uma vida tranquila ao lado da mulher que amava. E ele não o julgaria por isso, afinal, há quase uma vida atrás havia feito o mesmo.
Leiza tinha os olhos sobre Perséfone, observando com atenção o sorriso da amiga e seu ar tranquilo e alegre, tão diferente das últimas visitas no apartamento. Por mais que não quisesse admitir Shay fazia bem a amiga, cuidando dela e a protegendo. A morena sorriu, olhando para a amiga por um momento a mais enquanto ela trocava algumas palavras com Elisabetta.
— A conversa está muito agradável, mas acho que preciso ir. — Eden planou por um momento antes de pousar no antebraço de Leiza, vindo de algum lugar próximo ao porto. — Ele reconheceu a Morrigan. Logo eles devem estar chegando e pode ser ruim um encontro... Pelo menos por hora.
— Vai voltar? — Perséfone se levantou, se aproximando da amiga que ajeitava suas roupas.
— Sempre, minha irmã. — ela sorriu, envolvendo a albina em seus braços e lhe dando um apertado abraço. Apesar da despedida e da incerteza, ambas tinham um sorriso no rosto ao se separarem. Nem mesmo a súbita aparição de Haytham nos portões as afetou.
Leiza sorriu uma última vez para a Perséfone antes de seguir para fora do Forte, cruzando com Haytham no caminho, ambos se cumprimentando de forma respeitosa.
— Perséfone. — um mínimo sorriso surgiu nos lábios do Grão Mestre ao vê-la lhe oferecer uma xícara de chá fumegante e um pãozinho com algum tipo de cobertura açucarada.
Haytham percebeu o olhar de Elisabetta sobre si, notando sua expressão um tanto preocupada. Ele tocou a aba de seu chapéu antes de se sentar, ouvindo com atenção a albina narrar algumas de suas desventuras na cidade.
A aproximação do sempre marcante navio de velas vermelhas fez com que Haytham se levantasse, se afastando após uma curta e educada reverência, seguindo para o exterior do forte. A agitação que se seguiu atiçou a curiosidade de Perséfone que logo deu lugar a saudade ao ver Shay surgir nos portões a fazendo se levantar e correr para seus braços como se nada mais importasse.
Haytham olhou com desprezo para a figura a sua frente, segurando em sua mão a carta enviada pelos Assassinos.
— Acredita nele? — Haytham voltou seus olhos para Shay, que encarava a figura presa a uma cadeira com desprezo.
— Sim, não vejo por que ele mentiria sobre isso. — o moreno deixou que um pesado suspiro escapar antes de voltar a andar de um lado para outro.
— Em todo o caso, se tivermos alguma dúvida, a srta. Fontayne pode nos confirmar isso. — o Grão Mestre olhou para o homem, que gemeu baixinho levantando a cabeça e percorrendo com os olhos o local. — Acho que nosso visitante acordou.
Shay voltou seu olhar para o homem enquanto Gist retornava, brincando com a adaga de Liam em suas mãos.
— Vamos fazer nosso amigo falar? — o loiro sorriu de forma cruel, girando a adaga e se aproximando do homem que começou a se debater, tentando se soltar, movendo a cabeça de um lado para outro, na esperança de se livrar da mordaça.
— Se divirtam um pouco antes de conversarmos com o nosso visitante. — Haytham olhou para o homem uma última vez, indo para o corredor que levava ao exterior da velha torre. Uma sentimento satisfatório tomou seu corpo ao ouvir os murmúrios do homem sabendo do que ele havia feito Perséfone passar.
Haytham Kenway era um homem cruel e egoísta, mas ele jamais permitiria ser chamado assim por ter feito mal a uma mulher. Jamais faria com que alguém tivesse que passar pelo mesmo inferno que Jeniffer ou James passaram.
Shay olhou para o homem preso a cadeira a sua frente, com diversos cortes e machucados espalhados pelo corpo.
O pequeno interrogatório havia começado há alguns minutos e não havia os levado a lugar nenhum já que desde que Gist tirara a mordaça de seu prisioneiro ele repetia insistentemente as mesmas palavras.
— Eu estou dizendo a verdade. Se a chamar aqui ela poderá confirmar isso. — o homem levantou os olhos suplicantes para o trio.
— Você tem que admitir que é muito difícil acreditar que vocês tenham algum parentesco, ainda mais tão próximo. — Haytham olhou para o homem, seus olhos transbordando desprezo. Para os três homens presentes era no mínimo complicado acreditar que aquele homem de cabelos e olhos negros fosse parente da doce mulher de olhos ametistas e mechas alvas.
— Se você a trouxer aqui, ela poderá confirmar isso a vocês. Estou lhe dizendo. Eu lhe imploro! — o homem se moveu, tentando aliviar o atrito das cordas contra sua pele, olhando para eles. Shay deu um pesado suspiro, se afastando um pouco com Haytham e Gist.
— Eu realmente odiaria saber que matei um parente tão próximo da Perséfone... — Shay olhou de soslaio para trás, sentindo aquela raiva queimar dentro de si.
— Bem, a senhora Valentini disse que seus avós não se pareciam nem um pouco com ela. E o sobrenome é o mesmo... — Gist cruzou os braços em frente ao peito olhando para o homem com uma expressão ameaçadora.
Shay deu um pesado suspiro, olhando para trás uma última vez antes de ir procurar por Perséfone. Ele deixou um sorriso lhe escapar ao ver albina conversando e tomando chá ao lado de Elisabetta, ainda totalmente alheia ao que estava acontecendo.
— Snow. — ele apertou carinhosamente a mão dela, a fazendo voltar os olhos para ele.
— Finalmente acabou seu 'negócio importante' e vai poder tomar chá comigo? — ela se levantou dando um sorriso animado para o moreno apesar de sua expressão séria.
— Desculpe, Snow, mas isso terá que ficar para mais tarde. Eu... Preciso te pedir uma coisa. — Elisabetta se levantou, se afastando ao notar o tom sombrio dele. — Você pode vir comigo?
— Claro... — Perséfone envolveu o braço de Shay com sua mão, lhe oferecendo seu mais doce sorriso apesar do olhar preocupado. — Aconteceu algo?
— Sim e não. Eu preciso que confirme uma coisa para mim. — ele lhe apertou carinhosamente a mão, enquanto eles seguiam a passos rápidos para o local improvisado do interrogatório, não muito distante do forte.
— Olá, Haytham. — ela deu um sorriso gentil para o Grão Mestre, fazendo com que a expressão do homem se amenizasse um pouco. — Gist.
Ela fez uma reverência curta e educada para o Templário, que tocou a aba do chapéu, oferecendo um mínimo sorriso para ela. E por um momento Shay pensou que aquilo poderia ser uma má ideia. Ela era doce como a primavera, não precisava relembrar todo aquele horror pelo qual passara.
— Snow... Não precisa fazer isso, caso se sinta desconfortável. — ele passou a mão pela bochecha da albina em uma suave carícia a fazendo levantar os olhos para si com aquele doce sorriso ainda presente.
— Não se preocupe. Eu quero ajudar. — ela olhou ao redor do velho prédio abandonado com as paredes de pedras cheias de limo, que agora cheiravam a uma mistura de mofo e sangue. — O que eu preciso fazer?
— Venha comigo. — Shay passou o braço ao redor dela, a guiando até o outro cômodo. Ela encarou o homem à sua frente, ficando estática por alguns instantes enquanto Shay suspirava pesadamente. — Perséfone, esse homem é seu pai?
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