Prólogo
"Eu faço a minha própria sorte."
- Shay Patrick Cormac
1750, Solar Amethyst Orchid da Família Fontayne
— Olá, minha pequena... — Antoine sorriu para a neta, que se sentou ao seu lado na cama, colocando a bandeja com o jantar ao seu lado.
— Bonne nuit, grand-père... — Perséfone lhe ofereceu seu melhor sorriso, pegando sua mão e a apertando carinhosamente. — Como o senhor está se sentindo?
— Estou bem... — ele tossiu algumas vezes, fazendo com que a albina o encarasse preocupada e assustada. — E a Leiza, como ela está?
— Bem. — ela sorriu, olhando de relance para a porta por um momento. — Mas ela tem medo do que pode acontecer quando...
Perséfone parou por um instante, engolindo em seco e tentando ignorar o gosto amargo em sua boca e o aperto em seu peito que aquelas palavras deixariam.
— ... quando o senhor se for... — ela pode sentir o leve aperto da mão de Antoine, antes de levantar os olhos ametistas para ele.
— Não se preocupe, querida... Eu tenho tudo planejado aqui para vocês... — ele sorriu, batendo levemente com o nó dos dedos contra a têmpora. — Vocês duas irão ir viver a sua própria aventura. Tenho certeza de que a cidade grande deve ter algo especial a espera de duas jovens espirituosas como vocês...
— Talvez a nossa aventura não esteja na cidade grande, vovô... — ela lhe deu um sorriso travesso, fazendo o velho senhor rir. — Pode estar escondida em alguma floresta ou em um castelo antigo... Como naquele conto La Belle et la Bête, que o senhor leu para mim.
— Tenho minhas dúvidas de que você vá encontrar um castelo no meio dessas florestas, minha Belle Fleur. — ele riu, deixando um sorriso lhe tomar os lábios ao ver a neta rir, parecendo um pouco menos preocupada. — Agora, eu preciso que você me escute com atenção minha querida...
Perséfone o encarou, deixando que o sorriso, que aquele homem lutara tanto para sempre estar ali, fosse esmaecendo aos poucos, até desaparecer e dar lugar novamente a expressão preocupada.
— Não quero que vocês fiquem em um período de luto por mim... Quero que saiam logo após a minha partida, está bem? — ele sorriu quando a neta concordou com um aceno várias vezes. — Ótimo, você sabe o quão perigoso é para você e para a Leiza caso ele descubra que ela está aqui... Lembre-se, minha querida, a vida é uma aventura... E você é uma Fontayne que faz jus a esse nome. Seja forte e não deixe que ninguém diga o que você pode ou não fazer, está bem?
— Oui, grand-père... — Perséfone secou algumas lágrimas com as costas da mãos, antes de ouvir uma batida na porta, se levantando e a abrindo. — Doutor...
Ela comprimentou de forma educada o homem antes de sair e ir buscar abrigo nos braços de Elisabetta.
***
— Eu sinto muito... — o médico colocou a mão sobre o ombro de Perséfone, que olhava sem reação para a porta do quarto, o corpo coberto por um lençol branco. O homem a encarou por um instante, trocando um rápido olhar com Elisabetta que acenou com a cabeça, antes de sair.
— Perséfone... ? — Leiza se aproximou da amiga, que mordia o lábio com força, vendo o pequeno filete de sangue lhe manchar a pele alva, antes de a puxar para seus braços em um forte abraço. — Eu estou aqui...
O soluço alto da albina cortou a noite, enquanto ela chorava nos braços da amiga, ambas inconsoláveis, chorando a perda de quem tanto amavam.
***
— Aqui está... — Eric entregou o envelope a albina, lhe oferecendo seu melhor sorriso de desculpas. — Sinto muito pelo seu avô. Sabe que se precisar de algo estou aqui...
— Agradeço sua ajuda e sua oferta, Eric... Mas não, obrigada. Ainda não esqueci o que aconteceu. — Perséfone pegou a bolsa com o pouco que precisava para a viagem, antes de esconder o dinheiro e agarrar a mão de Leiza, a puxando para longe da propriedade.
— Admiro sua capacidade de guardar rancor. — Leiza deu um pequeno sorriso ao ver que conseguira fazer a amiga sorrir. Ambas pararam por um momento, olhando para a mansão completamente fechada. — Para onde nós vamos agora?
— Albany parece ser um bom lugar para se começar... Ou Nova York, a Elisabetta foi para lá. — Perséfone secou uma lágrima solitária, antes de dar um triste sorriso. — Todos se foram e a casa possui novos donos... Eles possuem empregados, abominam a escravidão, assim como os Fontayne... Eles tem uma filhinha, sabia?
— Tenho certeza de que irão adorar a biblioteca e o atelier então... — Leiza envolveu o braço da amiga, antes que ambas abrissem um enorme sorriso.
— Vamos encontrar nossa aventura! — elas disseram juntas, saindo apressadas para o pequeno porto da vila.
1747, Ruas de Nova York
Liam manteve os olhos por um momento a mais no velho amigo, antes de decidir finalmente se intrometer naquela confusão e o ajudar, antes que os guardas resolvessem aparecer.
— O que pensa que está fazendo? — Shay o encarou com os olhos brilhantes de ódio, antes que Liam finalmente parasse em um beco escondido.
— Salvando a sua pele, seu idiota. — ele voltou os olhos irritados para o amigo o encarando. — O que raios deu em você para fazer algo tão estúpido?
— Eles me provocaram. — Shay virou o rosto, ainda com toda aquela fúria, toda aquela dor queimando dentro de si. — E eu sei me cuidar muito bem. Não preciso da sua ajuda!
— Precisa sim. Ou vai acabar indo passar a próxima noite dormindo no chão sujo de alguma prisão. — Liam o segurou pelo braço quando o moreno fez menção de sair de seu esconderijo. — Ou coisa pior... Vamos, eu sei que não é isso o que você quer... nem o que ele iria querer.
Liam ofereceu um pequeno sorriso para o amigo, que o encarou por alguns momentos antes de concordar com um leve aceno.
— Ótimo... Agora, o que acha de ficar longe de confusões por um tempo? — ele sorriu para o amigo, antes de olhar ao redor na rua e sair de seu esconderijo.
— Onde aprendeu a lutar desse jeito? — Shay desviou de alguns transeuntes, seguindo o velho amigo pelas ruas tão conhecidas.
— Aprendi com um... amigo. Talvez eu possa te apresentar a ele... Mas você precisará melhorar esse seu comportamento primeiro. — Liam olhou de soslaio para o amigo, rindo ao ver a expressão um tanto irritada do mesmo. — Quem sabe da próxima vez que ele vier a cidade eu não apresento vocês dois?
***
O velho Mentor olhou para o jovem rapaz de quem tanto ouvira falar nos últimos meses, dando um pequeno sorriso.
— Shay Patrick Cormac. — o rapaz o encarou com os impetuosos olhos castanhos, fazendo uma mesura educada e um tanto rude.
— Achilles Davenport. Bem-vindo a Irmandade, Shay. — ele encarou o rapaz, que trocou um rápido olhar com seu mais velho pupilo, Liam, que sorriu orgulhoso do amigo.
***
1751, Herdade dos Assassinos, Fazenda Davenport, Fronteira
— Eu já lhe disse, Shay. — Liam olhou para o amigo mais uma vez, deixando que um sorriso lhe tomasse os lábios. — Você precisa de uma motivação mais... egoísta pela qual lutar além do bem da humanidade em geral.
— E qual seria essa sua 'motivação egoísta', Liam? — o moreno encarou o amigo com um olhar desafiador, duvidando que o amigo realmente tivesse uma, até ver aquele pesar em seus olhos.
— Redenção. Perdão. — ele deu um sorriso triste para o amigo. Shay conhecia o suficiente do passado de Liam para saber do que ele falava, de que ele se culpava pela morte do pai. — Você tem que encontrar o seu motivo... Então irá parar com todas esses seus... questionamentos, passará a ver nossa missão com outros olhos.
Liam sorriu para o amigo, lhe apertando amigavelmente o ombro, antes de olhar de soslaio para Hope e se afastar, deixando o moreno sozinho com seus pensamentos.
— Por favor. Precisa ajudar a minha amiga... — a jovem negra de olhos cor de ônix o encarou com a respiração ofegante e um olhar desesperado. — Eles vão machucar ela... Por favor.
O grito fez com que aquela fúria queimasse dentro dele, antes que ele corresse na direção do mesmo, pronto para cumprir aquela que ele considerava sua mais importante missão: defender inocentes.
O que Shay Patrick Cormac não esperava era que sua motivação viria a seu encontro, nem que ela teria a pele branca como a neve, cabelos alvos como as areias da mais bela praia já vista e olhos cor de ametista, além de uma personalidade forte e doce.
E Perséfone Fontayne não podia imaginar que sua aventura estaria, não em um castelo no meio da floresta, mas sim em uma fazenda com um pequeno ancoradouro, nem que essa aventura tivesse um navio de velas rubras como sangue e os mais gentis olhos que ela já vira.
Olá Amorinhas... Vamos começar com os agradecimentos, que vão para os doces de pessoas que são as meninxs do grupo "Amigo Literário"(que eu amo mais que chocolate) da @Syren_Girl , que me fizeram voltar a escrever as minhas tão amadas fics com os Assassinos mais sedutores, fofos, fodões e homões da p**** que nós amamos... 😍❤️
Agora o aviso em si... Bem, a mentora aqui consertou alguns furos na história, colocou algumas explicações, dividiu os capítulos em 2 partes e reescreveu um capítulo(Lucky, também conhecido como Capítulo 4). Então... se você chegou até esse capítulo e não quer ler novamente os outros... tudo bem, mas se você tiver paciência e tempo e quiser relê-los, vou amar vocês ainda mais... ❤️❤️
Ah, mais uma coisa... Novamente, pra quem não curte, tá de saco cheio ou sem paciência pra 'hots', eles estarão sinalizados com esse combo: ⚠️🔥 ...
Beijinhos e aproveitem a leitura... 😍❤️
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