Powerful - Parte 2

Haytham manteve os olhos por um instante no casa sentado sob o gazebo, conversando por alguns instantes, antes que Shay o visse e se despedisse rapidamente da albina.

— Mestre Kenway. — com um sorriso simpático o morneo o comprimentou, enquanto ele se limitava a um leve aceno.

— Creio que logo tudo estará pronto. — Haythma voltou seus olhos para Perséfone, a tempo de vê-la voltar os olhos em outra direção rapidamente, tentando disfarçar sua curiosidade com uma xícara de chá. — Ela parece tão... animada para isso quanto você.

— Digamos que a curiosidade e o espírito de aventura dela já me causaram alguns problemas. — Shay sorriu, olhando por um momento para a mulher que subitamente tinha sua atenção tomada pelas flores que a cercavam. — Mas não se preocupe, irei a manter longe.. Sei que é algo... privado.

Haytham concordou com um aceno, enquanto Shay se afastava em direção ao prédio e ele se aproximava do gazebo.

— Perséfone. — um pequeno sorriso surgiu ao vê-la levantar os olhos curiosos para si. — Parece estranhamente interessada em nossa cerimônia...

— Em minha defesa, vocês não deviam ter me dito que ela era secreta. — a albina sorriu, servindo uma xícara de chá para ele.

Haytham sorriu, balançando a cabeça em negação algumas vezes, antes de pegar a xícara entre suas mãos, se permitindo desfrutar daquele pequeno momento de normalidade.

— Hm... — os olhos brilhantes e incomuns que o encaravam o fizeram quase rir. A curiosidade e petulância de Perséfone eram quase palpáveis. — Preciso mesmo ficar te chamando sempre de Sr. Kenway? Você não parece ser tão velho.

Ele a encarou surpreso, contendo o riso. Aquela mulher era surreal. E aquilo começava a fazê-lo questionar como teria sido sua criação para que ela tivesse uma personalidade tão única e livre.

— Se isso te incomoda de alguma forma, eu não vejo nenhum problema em abrir uma exceção. — ele sorriu, levando a xícara aos lábios e vendo um sorriso surgir no rosto da mulher a sua frente. — Você pode me chamar apenas de Haytham, se fizer com que você se sinta melhor.

— Obrigado. Não sabe o quanto isso me incomoda... Me lembra da época em que a grand-mère teimou que eu deveria me apresentar a 'sociedade'. — Perséfone rolou os olhos, começando a contar a Haytham sobre suas desventuras em meio ao pequeno círculo de famílias influentes de onde morou, sem notar o estudo meticuloso que ele fazia sobre si. A cada nova informação, a curiosidade do Grão-Mestre apenas aumentava.

— Parece estar gostando do nosso jardim. — Shay se aproximou de Perséfone, se sentando ao seu lado no espaçoso banco de pedra clara, olhando para o desenho que ela tinha em mãos. 

— Eu adorei. Obrigada. — ela sorriu, aninhando seu corpo contra o dele, ainda mantendo parte de sua atenção no rascunho. O moreno sorriu, apoiando seu queixo no ombro dela, lhe beijando o pescoço antes de voltar seus olhos para os dedos delicados que delineavam as linhas das torres de uma das igrejas recém reformadas na cidade.

— Shay. — a voz de Haytham chamou a atenção dos dois, fazendo com que se virassem para a porta de madeira que levava ao interior do forte.

— Eu posso ver? — ela cochichou para ele, o fazendo sorrir, enquanto eles voltavam.

— Infelizmente não. — ele olhou para Haytham e os outros Templários que aguardavam pelo moreno. — E não tente espiar.

Ele voltou a assumir aquele ar sério e sombrio, a deixando sozinha em outro cômodo, lhe beijando a testa antes de sair. Ela bufou irritada, voltando a explorar o local.

Milady. — Gist passou por ela, lhe oferecendo um sorriso gentil, seguindo para a cozinha.

— Gist... — o tom choroso em sua voz fez o loiro rir, enquanto ela se se aproximava um passo a mais dele. — Eu prometo ficar quietinha... Eu só quero ver como é essa tal 'iniciação'...

— Desculpe, milady... — ele riu, voltando os olhos para ela. — Ordens do mestre Cormac e do mestre Kenway.

Ele riu ainda mais quando a albina bufou, um pouco irritada. Antes de pousar os olhos no homem de bigode que a encarava com um sorriso debochado.

— Desculpe, senhorita. Isso é um assunto de homens. Volte para a cozinha que é onde a senhorita vai se sair melhor. — ele sorriu sarcástico para Perséfone, que o encarava incrédula, com aquela raiva crescendo.

— Como é? — ela começou a caminhar a passos irritados e punhos cerrados na direção do homem, antes que Shay a parasse, passando o braço ao redor dela, a encarando.

— Nada disso. — ele a encarou, enquanto ela levantava os olhos brilhantes de ódio para ele. Shay olhou por cima do ombro, encarando o homem. — Vamos para outro lugar.

— Só depois que eu arrancar esse bigode da cara dele. — ela deu uma passo a frente, antes de ouvir o moreno bufar e a pegar, a jogando sobre o ombro. — Shay. Patrick. Cormac. Me põe no chão.

— Pra quê? — ele segui a passos largos para o quarto, passando por Gist que tinha um sorriso no rosto, se divertindo com a situação.

— Pra eu mostra pra aquele bigodudo com quantos morteiros se faz uma Morrigan! — ela balançou as pernas, o fazendo sorrir.

— De onde você tirou isso? — ele riu, olhando por cima do ombro para a albina, que se mantinha apoiada aos cotovelos. — Você não pode bater no mestre Lee, Snow. Ele é o braço direito do mestre Kenway.

— Tenho certeza de que o sr. Kenway vai sobreviver sem o braço direito. — ela balançou as pernas, o fazendo rir. — Você ouviu o que ele falou? Nem você fala desse jeito comigo. Não é ele que vai falar assim!

— Perséfone. — Shay se virou ao ouvir a voz de Haytham, fazendo a albina reclamar. — Eu peço desculpas pelo comentário do sr. Lee.

— Então posso ir ver? — ela se mexeu no ombro do moreno, dando um gritinho quando quase caiu, antes que Shay a colocasse no chão.

— Entendo a sua curiosidade, mas infelizmente não. — o Grão Mestre a encarou, lhe oferecendo um mínimo sorriso, como pedido de desculpas pelo incidente, a olhando curioso. Pelas informações que havia recebido, esperava um comportamento diferente vindo de uma mulher que recebeu a mais alta educação. Ainda assim, aquilo não o surpreendeu.

— A senhorita vai descansar, lá no quarto. Eu volto mais tarde para ver como você está. — Shay a encarou com um olhar gentil, apesar da expressão séria. Ela concordou com um leve aceno, finalmente cedendo. — Eu tenho um presente para você mais tarde.

Ele não pode evitar um sorriso ao ver o rosto dela se iluminar, enquanto ela seguia alegremente para o quarto.

— Acho que podemos começar. — Haytham encarou o jovem homem à sua frente, notando a mudança de postura, enquanto eles seguiam para a sala e começando a iniciação.

— Que o Pai da Compreensão nos guie a todos. — Shay colocou o anel, o encarando por um instante com certo pesar, se lembrando de seu antigo dono. 

Perséfone sorriu, olhando a pequena comitiva de homens que deixavam o forte. Logo a maioria deles se espalhou, desaparecendo nas ruas da cidade, cada um indo cumprir seu papel naquela importante organização da qual agora Shay era parte. E por um momento, ela se perguntou quanta sorte ou azar tinha para ter ido parar no meio de duas 'organizações secretas', ainda por cima, rivais. 

— Parece estar ficando entediada. — Shay surgiu, se sentando logo atrás dela, a puxando para si e lhe beijando o pescoço.

— Um pouco. Isso demorou mais do que você prometeu. — ela fez uma expressão dengosa, brincando com uma pequena margarida amarela entre seus dedos. — A propósito... Eu tenho um par de perguntas para lhe fazer.

— E eu ficarei feliz em respondê-las... — colocou a pequena caixa de madeira entalhada sobre o colo da albina, sorrindo. — Depois que você abrir seu presente.

Perséfone desatou o laço de cetim branco com enfeitava a caixa, passando os dedos sobre os ramos de flores miúdas pintados na madeira, se permitindo admirar por um momento a mais o fecho em formato de rosa.

— É linda. — ela sorriu, abrindo a caixa e se deparando com materiais para aquarela. Seu sorriso se tornou maior, enquanto ela voltava os olhos para Shay. — Como conseguiu isso?

— Andando pelas ruas de Lisboa. — ele sorriu, pegando um dos pincéis e o olhando por um momento antes de o devolver ao conjunto. — Logo que o vi na loja imaginei que fosse gostar. Agora, que questões eu devo lhe responder, minha Rainha?

— Obrigada. — a albina se aninhou em braços em um abraço, num misto de saudade e preocupação. Aquelas lembranças ainda estavam ali e não parecia querer ir embora tão cedo. — Quanto às minhas perguntas... De onde veio aquela idéia com as flores e a essência de lavanda?

— Bem... Eu me encontrei com Elisabetta quando estava voltando para casa e ela me disse que você está bem irritada. — ele sorriu travesso, a puxando contra si. — Fiquei o resto do caminho pensando em como poderia te agradar. Quando vi o jardim, tive a ideia. Eu iria propor um banho, mas você já tinha se antecipado quanto a isso.

— Sortudo. — Perséfone o encarou, fingindo irritação o que o fez rir. — Agora... Minha última pergunta... Do que você me chamou ontem?

— Hm... — um sorriso malicioso surgiu nos lábios do moreno, que se aproximou da albina, afundando o rosto em seu pescoço, mantendo a voz baixa e o tom rouco. — Snow... Minha Rainha... Amor... Minha Primavera... Perséfone...

A cada palavra um arrepio percorria o corpo dela, a fazendo suspirar, enquanto Shay sorria contra sua pele, lhe beijando o pescoço.

— Nã-Não foi nenhum desses... — ela limpou a garganta, respirando fundo. Shay se afastou, lhe encarando o rosto por um momento e sorrindo ao ver suas faces rosadas, enquanto pensava por um momento.

Mhuirnín? — ele manteve os olhos sobre ela, enquanto Perséfone concordava com um aceno, o encarando com os curiosos olhos ametista. E por um momento, até mesmo ele se viu surpreso e curioso pela forma como a chamara na noite anterior, afinal fazia tanto tempo desde a última vez que ouvira aquela expressão.

— Sim. O que quer dizer? — Perséfone sorriu quando ele envolveu sua mão, a apertando carinhosamente.

Minha querida. Eu sou filho de irlandeses, Snow. — o moreno sorriu, entrelaçando seus dedos. — Morei muitos anos com meu tio e sempre o ouvia chamar minha tia dessa forma, em nossa língua materna.

— É tão bonito... Eu gostei. Diz de novo. — Perséfone sorriu, se aninhando contra o moreno, enquanto ele dizia novamente.

— Sua vez. — ele sorriu quando ela voltou os olhos surpresos para ele. — Adoro quando você diz algo em francês... Mesmo seja a língua de alguns dos soldados que muitas vezes querem me matar, quando ouço você falando parece ser um idioma completamente diferente.

— Está bem, mon-chéri... — ela sorriu, lhe beijando levemente os lábios. — Vou começar a praticar um pouco mais do meu francês com você, Amour.

— Hm, gostei desse. — Shay sorriu, a apertando um pouquinho mais contra si ao ouvir sua risada. Sabia que teria que deixá-la novamente em breve. — Snow...

— Eu sei. — ele sentiu o peito pesar ao ver o sorriso dela esmaecer. — O sr. Kenway me disse que vocês tem algo a resolver e que ele precisa da Morrigan. Só... me prometa que vai tomar cuidado e que vai voltar.

— Eu sempre vou voltar por você, mhuirnín. — Shay sorriu, lhe acariciando o rosto e lhe dando um demorado e apaixonado beijo.

Gist olhou para o convés do navio, deixando um pequeno sorriso tomar seu rosto ao ver a tripulação ocupada com suas atividades, enquanto eles se aproximavam cada vez mais do porto. Shay passou, delegando algumas ordens para a chegada ao porto antes de entrar na cabine.

— Senhor, temos um problema. — Gist soltou um pesado suspiro ao ouvir essas palavras, seguindo o marinheiro para a amurada do navio. O homem apontou para o cais, onde dois criminosos dos Assassinos mantinham um homem de joelhos, lhe apontando um par de pistolas para a cabeça.

Ele ficou os observando a medida que a Morrigan se aproximava, curioso. Os criminosos sinalizaram para eles algumas vezes, balançando um lenço de cor branca.

— Acho que vai querer ver isso. — Gist apontou para as figuras quando Shay se aproximou, as olhando com certa curiosidade. Ele viu o Capitão encarar a figura encapuzada de joelhos por alguns instantes.

— Não faço ideia de quem seja. Por que estão aqui? — ele saiu do navio, sendo seguido de perto por Gist. — O que isso significa?

— Um presente do sr. O'Brien e da srta. Jensen, em agradecimento por ter salvo a senhorita Fontayne. — os criminosos se afastaram deixando o homem aos pés de Shay. Uma adaga estava cravada em sua coxa, junto a um bilhete.

— Bem, essa é a letra dele... — Shay olhou com atenção para as palavras escritas em tinta negra, trincando o maxilar, alternando os olhos entre a carta e o homem à sua frente. — Isso não pode ser verdade...

— Mestre Cormac? — Gist encarou o homem, cujo os olhos castanhos brilhavam de ódio.

— Gist, posso lhe pedir um favor... — Shay voltou os olhos para ele, que concordou com um leve aceno. — Por favor, leve ele para um lugar onde possamos ter mais... privacidade. Eu só vou dar uma olhada em como a Perséfone está.

— Posso lhe perguntar quem ele é, Mestre Cormac? — Gist olhou para o homem, o segurando pelo braço e o levantando.

— De acordo com essa carta... Ele é o responsável por... pelo que aconteceu a ela... — Shay respirou fundo, tentando se acalmar apesar da fúria que tomava conta de si.

Gist encarou com curiosidade o bilhete ainda nas mãos do moreno, que seguia lentamente em direção ao forte.

— Vamos. — ele empurrou o homem, ouvindo suas reclamações e esbravejos, os ignorando. Ainda assim, algo chamou sua atenção ao ouvir a figura dizer seu nome. Jaques Fontayne.

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