Broken Flower - Parte 2

Achilles encarou o trio de homens a sua frente, os analisando rapidamente. Eles realmente pensavam que os Assassinos eram tão estúpidos assim?

— Sr. O'Brien... — o traidor sorriu para Liam, ao vê-lo se aproximar. O Assassino lhe acertou um soco no rosto, com toda a sua força. Um 'crack' pode ser ouvido, enquanto o nariz do homem começava a jorrar sangue.

— Reze para que ela esteja viva. — ele segurou o homem pelo pescoço, começando a o arrastar na direção do esconderijo de Hope. — Vou deixar os outros para vocês.

Achilles encarou a dupla a sua frente, que de repente perdeu a postura séria e ameaçadora. Por uma infeliz coincidência aqueles homens não chegaram nem ao menos a ouvir falar da protegida dos Assassinos, Perséfone Fontayne.

— Já estávamos vigiando o armazém a mais tempo do que vocês imaginam. — Hope olhou para os homens, dando um sorriso cruel. — Um dos meus pupilos viu o Templário escapar com a mulher de olhos violetas bem a tempo do armazém. Para o azar de vocês, ela é uma pessoa muito querida.

Os homens engoliram seco quando os gritos de dor começaram a ecoar pelo local. Achilles trocou um rápido olhar com Hope, que deu ombros, começando a caminhar em direção ao que seria um pequeno escritório. Liam arrancaria as informações desejadas do homem, o fazendo pagar pelo que havia feito a albina.

Gist se apoiou a porta, olhando para seu capitão. Shay havia o deixado totalmente responsável pelo comando da Morrigan após os dois encontrarem o corpo disforme do traidor e um pequeno 'agradecimento' dos Assassinos. Já havia se passado quase uma semana desde o incidente do armazém e nesse meio tempo, o moreno mal saíra do lado da jovem.

— Shay. — Gist voltou os olhos para Haytham, parado alguns poucos passos atrás de si. — Precisamos conversar.

— Sim, Mestre Kenway. — ele se levantou, beijando a testa da albina antes de sair. — Em que posso lhe ser útil?

— Eu gostaria de saber quem ela é. — Haytham o encarou, enquanto Shay engolia seco algumas vezes, visivelmente nervoso. Eles seguiram para a pequena sala da casa dos Finnegans. Gist estava um pouco surpreso por ter levado alguns dias até que o Grão Mestre finalmente fizesse aquela pergunta, levando em conta o passado de seu companheiro.

— Ela não é uma Assassina, se é isso o que o senhor deseja saber. — Shay levantou os olhos para Gist e Haytham, preocupado. — Ela morava conosco. Era uma protegida. Ela não sabe de nada que possa nos ajudar... Não tem conhecimento de nenhuma informação que possa interessar a nossa causa. É apenas uma... uma civil... uma inocente...

— Acalme-se, Shay. — Haytham lhe deu um mínimo e gentil sorriso, colocando a mão em seu ombro. — Suspeitei que ela tivesse algum envolvimento com os Assassinos, mas confio se diz que ela não sabe de nada.

Gist viu seu capitão sorrir aliviado, passando a mão pelos cabelos bagunçados e soltos, algo um tanto incomum.

— Shay...? — ele e Haytham olharam em direção a fraca voz, enquanto Shay se virava, antes de correr até a mulher de pele alva que se esforçava para se manter em pé, apertando a fina manta ao redor do corpo e se apoiando a parede.

— Perséfone... — ele a segurou, lhe apoiando pela cintura, preocupado e um tanto receoso.

— É você mesmo... — Gist e Haytham se aproximaram alguns passos, vendo as lágrimas descerem sem controle pelo rosto dela e olhando com certa curiosidade os incomuns olhos violeta. — Você...

Shay a apertou contra si ao vê-la fazer uma careta de dor e levar a mão as costelas, descendo ambos para o chão e se surpreendendo quando ela o abraçou.

— Você está vivo. — ela afundou o rosto no ombro de Shay, um soluço alto se fazendo ouvir, enquanto ele a apertava contra si, a puxando para mais perto. — Você está aqui, vivo...

— Sim... — ele sorriu, a encarando quando ela se afastou um pouco, surpreendendo a todos quando o beijou. Um beijo rápido, antes que ela perdesse o que lhe restava de forças, deixando os braços caírem, enquanto seu corpo perdia o equilíbrio, pendendo para a frente. — Eu vou levar você de volta para a cama. Você tem que descansar...

Gist sorriu ao ver seu capitão sorrir, enquanto se levantava com a albina em seus braços e seguia para o quarto.

Perséfone piscou pesadamente. Seu corpo ainda doía, embora fosse uma dor muito mais suportável do que a que sentira antes. Ela havia perdido por completo a noção de tempo quando aquele inferno começou. 'Certo, se eu morri... Por que não escuto, nem vejo o vovô ou a vovó? Bem, as coisas com o Shay foram bem mais recentes. Pode ser por isso...'

Ela olhou ao redor para o pequeno quarto, apertando um pouco a fina manta sobre seu corpo.

'Eu não estou morta... Se estivesse não estaria sentindo dor. Nem estaria sem roupa... Eu acho... Deve ser apenas com uma voz parecida. Eu ainda devo estar sonhando acordada, como estava naquele inferno.'

Ela se esforçou para se sentar, respirando fundo algumas vezes, apesar de sentir as costelas doerem terrivelmente. "Maldito...".

Mentalmente ela agradeceu a Leiza, a amiga sempre falara sobre o que aprendera com os pais, sobre como imaginar algo bom os ajudara a lidar com a dor física. E quando aquele inferno começou, quando a dor se tornou insuportável, sua mente sonhadora fez o trabalho, a enviando para um campo coberto de flores silvestres, cercada pelas pessoas que ela mais amava, sempre a colocando em segurança nos braços de Shay.

'Eu conheço essa voz... Mas não pode ser ele... Eu preciso fazer isso parar. Confrontar o dono dessa voz e pedir que ele se cale... Antes que eu enlouqueça...'

Perséfone ajeitou a manta ao redor do corpo, se levantando e caminhando aos tropeços pelos corredores, seguindo a voz. Ela desceu com alguma dificuldade a pequena escada, antes de parar, prendendo a respiração por um instante.

— Shay...? — ela repetiu o nome dele, após ouvi-lo ser dito por um dos homens na sala. Perséfone reconheceria aqueles olhos de brilho gentil, não importasse quanto tempo passasse.

— Perséfone... — ele correu até ela, e apesar da nova aparência, aquele ainda era o mesmo Shay. Ainda era seu Capitão.

— É você mesmo... — ela sentiu as lágrimas queimarem sua pele, apesar do pequeno e mínimo sorriso. Então, ela não estivera sonhando ao sentir a dor diminuir à medida que ouvia a voz dele ao seu lado. Ele cumpriu a promessa... Ele voltou por ela.

Shay pegou Perséfone em seu colo, uma ruga de preocupação surgindo em sua testa ao ver os olhos da albina começarem a perder o foco. Ele a deixou sobre a cama, tirando o pesado casaco e as botas, se deitando ao lado dela.

— Você ainda está muito fraca. Descanse um pouco mais... — ele lhe beijou a testa, enquanto ela negava com a cabeça. — Por quê?

— Não quero dormir... — as lágrimas voltaram a rolar pela pele delicada, ainda arroxeada em vários lugares. Com algum esforço ela lhe agarrou a camisa, temendo que ele fosse desaparecer. — Eu não quero acordar e ver que estava sonhando... Que ainda estou naquele lugar...

O moreno deu um pequeno sorriso, apesar de sentir aquela raiva queimar, lhe beijando levemente os lábios e passando os braços ao redor dela, em um apertado abraço.

— Eu não vou a lugar nenhum, minha Rainha. — ele lhe beijou a testa, se aproximando ainda mais dela. — Pode dormir tranquila. Quando você acordar, eu estarei aqui, no mesmo lugar, ao seu lado, cuidando de você...

Ela piscou pesadamente os cílios alvos, dando um fraco sorriso e voltando a dormir, vencida pelo cansaço.

— Ela parece melhor. — Gist olhou para Haytham, ambos parando à porta e encarando o casal por um momento.

— Sim... — Shay passou as mãos pelos cabelos alvos de Perséfone, antes de suspirar, tentando se acalmar. — Gostaria de saber o que disseram a ela... Ela parece não saber o que realmente aconteceu.

— Bem, creio que logo ela poderá lhe responder essa e outras questões, Capitão. — Gist deu um sorriso simpático para Shay. E ele pensou que deveria agradecer ao companheiro por estar cuidando tão bem da Morrigan durante sua ausência.

— Bem, eu vou deixar que vocês descansem um pouco... Mas precisamos conversar mais tarde, Shay. — Haytham o encarou, enquanto o moreno concordava com um leve aceno. Gist fez uma mesura educada, enquanto os dois homens se retiravam.

Shay voltou os olhos para Perséfone, dando um sorriso bobo. Ainda assim, algo o incomodava e ele não sabia dizer o que era. Ele deixou isso de lado, ao sentir os olhos pesarem, caindo no sono. Uma hora, as noites mal dormidas devido preocupação e por se deixar ser consumido por aquela fúria cobrariam seu preço.

Ele piscou algumas vezes, coçando o nariz, antes de ouvir a risada um tanto fraca. Ele abriu os olhos, a tempo de ver Perséfone passando a ponta de uma mecha do cabelo em seu nariz, lhe fazendo cócegas, tentando lhe acordar. Ela lhe deu um de seus animados sorrisos, de quando aprontava algo.

— Ainda acha que está sonhando? — ele a encarou, os olhos semicerrados. Ela corou, balançando a cabeça algumas vezes. — Ótimo.

— Você tem que ir, não é? — ela o encarou, com o semblante triste e preocupado.

— Sim. Mas será algo rápido e você está em boas mãos. Os Finnegans irão cuidar muito bem de você. — ele lhe beijou a testa. Então, Shay se lembrou. — Perséfone... Você e o Liam?

— Hum. Não o vejo há algumas semanas. — ela fechou os olhos, encostando a cabeça ao peito do moreno. — Ele vem ver como estou de tempos em tempos... Ele vai ficar feliz de saber que você está vivo...

Ela levantou os olhos brilhantes para ele, o sorriso esmaecendo ao ver a expressão amarga dele.

— Shay... — ele desviou o olhar, apesar dela entrelaçar seus dedos aos dele. — Por que você não voltou? Por que não veio falar comigo?

Snow, o que exatamente te disseram que aconteceu? — ele baixou os olhos para ela, enquanto ela arqueava as sobrancelhas em uma expressão confusa.

— Que houve um terremoto em Lisboa... E que você morreu nesse terremoto... — ela se afastou um pouquinho, o olhando nos olhos e colocando a mão quente em sua bochecha. — Shay... O que aconteceu?

— O artefato causou o terremoto. Achilles sabia. — ele fechou os olhos respirando fundo algumas vezes. — Eu roubei o manuscrito. Traí a Irmandade...

Ele abriu os olhos, encarando Perséfone a espera de sua reação. Afinal, apesar de não ser uma Assassina, aquelas pessoas também haviam se tornado sua família... E ele os traíra.

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