All Falls Down - Parte 2

Liam se aproximou das duas mulheres, encarando a albina, que desabara nos braços de Hope, chorando alto.

— Liam! — a voz de Leiza o fez se virar, olhando para a entrada da casa. Ela corria na direção deles, com o semblante em um misto de surpresa e raiva. — É verdade? O que o Achilles me disse, é verdade?

Ele já esperava que seu mentor contasse a ela o que havia acontecido.

— Ele não ousou- ... — Leiza parou ao ver o discreto aceno dele.

— Vamos conversar em outro lugar... — ele olhou de soslaio para Hope, antes de seguir de volta para a casa.

— Você não vai contar a ela? — Leiza o encarou, incrédula e irritada. — Liam, ela merece saber a verdade!

— Não. Ele morreu e nada irá mudar isso. — Liam encarou a mulher a sua frente, os olhos cor de ônix brilhando desafiadores e furiosos. — Ela já está sofrendo o bastante por isso. Ela não precisa saber o que ele fez, já acabou. A imagem que nós tínhamos dele foi destruída, mas a dela... ainda é a mesma. E eu não deixarei que ninguém mude isso e a faça sofrer ainda mais. Nem mesmo você, Leiza.

Ela recuou um passo quando ele pousou a mão sobre o cabo da pistola.

— Você não pode estar falando sério? — Leiza o encarou, a voz soando mais alta. Mas o Assassino não mudaria de ideia, ele protegeria a imagem que Perséfone tinha de Shay a qualquer custo. — Por que está fazendo isso?

— Por que ela é a pessoa mais doce e bondosa que cruzou nosso caminho e permaneceu ao nosso lado, mesmo após conhecer todos os nossos pecados. — ele deu um sorriso triste, olhando para o lado de fora da casa. Ele ainda podia ouvir o choro alto e recheado de dor de Perséfone. — Ela sempre cuidou de nós, sempre esteve aqui por todos nós... E está na hora de fazermos o mesmo por ela. A Perséfone não merecia isso, não merecia perder alguém que ama.

Leiza encarou o Assassino por um momento, antes de desistir, mesmo que ainda estivesse furiosa. Por mais que quisesse contar a verdade a amiga, ela sabia que Liam estava certo e que seria inútil ir contra ele.

Liam deixou Perséfone sobre a cama, a encarando por um momento a mais, enquanto pensava em tudo o que havia ocorrido nos últimos dias.

— Acha que ela vai ficar bem? — a voz de Hope o fez se virar, a expressão preocupada em seu rosto evidenciava mais do que ela queria dizer.

— Sim. Nós ficaremos bem. — ele seguiu para fora do quarto, pegando a mão da Assassina e entrelaçando seus dedos, lhe beijando as costas da mão. — Vamos enfrentar isso juntos, por que é assim que fazemos as coisas... Cuidamos dos inocentes... Certo?

— Certo. — ela sorriu, o encarando por um momento a mais quando ele parou com a porta do quarto a suas costas. — Eu ficarei feliz se você me permitir te fazer companhia por mais essa longa noite, Liam...

Ele sorriu, olhando ao redor por um momento, antes de abrir a porta, a deixando entrar. Hope se sentou sobre a cama, o encarando, sabendo o que viria a seguir.

— Não precisa manter essa fachada comigo, sabe disso... — ela lhe ofereceu um pequeno sorriso, antes que o grande Assassino se ajoelhasse à sua frente, deitando a cabeça sobre seu colo, a abraçando e deixando as lágrimas rolarem livremente. Ele podia sentir as mãos de Hope em uma leve carícia, sabendo que ela também chorava, ambos permitindo que suas muralhas desabassem por um momento, por uma noite, antes de assumirem novamente a pose e a atitude fria que se esperava deles. Afinal, eles não deveriam chorar, nem mesmo sentir, a perda de um traidor, independente se um dia ele tivesse sido como um irmão para eles.

Perséfone apertou a capa ao redor do corpo, enquanto caminhava pela tão conhecida trilha. Ela passou por uma árvore, dando um sorriso triste ao ver a flor de tom azulado, cercada por mais alguns botões. O inverno havia ido embora, meses haviam se passado, mas aquela dor ainda estava por ali, sempre acompanhando as doces lembranças.

Ela afastou algumas mechas do rosto, as prendendo atrás da orelha e olhando ao redor para as flores silvestres que se espalhavam por todo o familiar caminho, antes de deixar a cesta cair, espalhando as coisas pelo chão, apoiando as costas a uma árvore qualquer. Ela sentiu as pernas ficarem bambas, se sentando no chão e tentando não desmoronar.

Ela olhou para os papéis espalhados pelo chão, encarando por um instante os últimos rascunhos em que estivera trabalhando, antes de tudo acontecer. Então ela sentiu a garganta apertar, o coração se partindo mais uma vez e as lágrimas lhe queimando a pele, enquanto ela pegava os desenhos. Ela encarou o rosto familiar e de sorriso travesso, antes de apertar os desenhos contra o peito, chorando baixinho.

— Eu sinto tanto a sua falta... — ela murmurou entre as lágrimas, antes de se permitir ser novamente dominada pela tristeza e pela dor.

Liam olhou ao redor, procurando por vestígios de Perséfone. A situação com Achilles começara a sair do controle. A albina não mais o enfrentava em suas brigas, apenas saía da casa, vagando sem rumo por horas, antes de voltar cansada e emocionalmente aos pedaços.

— Perséfone... — o nome dela saiu como um baixo sussurro. Ela estava sentada no chão, abraçando um antigo desenho, com lágrimas lhe descendo pelo rosto e com aquela expressão perdida.

Ele se aproximou, juntando todos os outros rascunhos espalhados, os colocando de volta a pequena cesta, antes de se aproximar, lhe oferecendo seu melhor sorriso.

— Oi... — ele pegou suas mãos, fazendo com que ela levantasse os olhos avermelhados para ele. Ela murmurou algo de forma inaudível, mas ele já sabia o que era. — Eu também... Também sinto a falta dele...

Ele colocou a cesta nas mãos dela, antes de a pegar em seu colo e seguir de volta para a casa. Aquilo, aqueles simples desenhos, era o que Perséfone tinha de mais valioso naquele momento, eram as lembranças dela. E ele não permitiria que ninguém estragasse isso. Ninguém, nem mesmo seu mentor e suas suspeitas sem fundamento.

***

— Tem certeza disso? — Hope encarou o minúsculo e velho apartamento. O lugar precisava de uma boa limpeza, mas estava em bom estado. Liam arrastou algumas caixas para longe de uma janela a abrindo, deixando que a luz e o ar fresco tomassem conta do ambiente.

— Sim. Respeito muito o Achilles, mas essa situação com a Perséfone já passou dos limites. — ele parou, encarando as ruas do lado de fora. Há poucos dias eles haviam descoberto que Shay estava vivo e que começara a os caçar. — Todos sabemos que o Shay jamais a colocaria em perigo entrando em contato com ela, apesar do bilhete que ele deixou naquele rascunho aquela noite. Não acho justo que o mentor praticamente a interrogue toda vez que ele faz um movimento, sendo que é óbvio que ela não sabe de nada.

— Eu sei. Mas sabe como ele é... E ela não se desfez de nenhum dos desenhos, esse era um dos principais motivos para as brigas deles... — Hope olhou ao redor, para a pequena sacada que havia no quarto e sorriu. — Talvez ela goste daqui... Sociável como é, vai se dar muito bem...

Talvez fosse justamente daquilo que a albina precisasse. De um lugar onde pudesse recomeçar... mais uma vez.

— Vai escurecer em algumas horas, melhor pedirmos para arrumarem isso aqui logo. — Liam olhou ao redor uma última vez, antes de sair. Ele deu um pequeno sorriso ao ver a albina conversando animada e eufórica com uma simpática senhora.

— Liam! — Perséfone se virou para ele, e pela primeira vez em meses ele a viu sorrir, aquele sorriso largo e animado. Ela arrastava a simpática senhora pela mão para perto dele. — Essa é Elisabetta Valentini, ela era a cozinheira do solar Fontayne.

Liam comprimentou a senhora com um pequeno sorriso e um aceno, antes que ela o envolvesse em um apertado abraço, o deixando sem jeito.

— Agora sei porque você é assim... — ele deu alguns tapinhas nas costas da senhora, que se afastou com um largo sorriso, enquanto Perséfone deixava escapar uma risada.

— Eu ensinei tudo o que essa ragazza sabe sobre cozinhar. — Elisabetta passou o braço ao redor de Perséfone, a puxando para um caloroso abraço. O sotaque carregado e o sobrenome não negavam que a mulher viera da Itália. — Nós moramos ali... Seu avô nos deixou uma pequena fortuna, o suficiente para abrirmos essa bella panetteria.

A mulher sorriu orgulhosa, apontando para a pequena lojinha com vitrines de vidro bem cuidadas e uma grande e bela placa sobre ela.

— Ah, querida. Estou tão feliz de vê-la de novo. E de saber que você vai morar aqui, pertinho de mim. — ela sorriu para Perséfone, lhe apertando de forma carinhosa o rosto, o que a fez rir.

Liam sorriu. A mudança de ares certamente fariam bem a albina.

Perséfone deixou um largo sorriso tomar seu rosto, enquanto arrumava suas mais recentes aquisições na pequena estante. Ela correu os olhos pelo pequeno apartamento iluminado pela luz do sol poente.

Na varanda, mais flores do que ela poderia contar, todas tragas por Liam após a insistência da albina. No quarto, o baú aos pés da cama recheado de vestidos e capas, presentes de Hope e Leiza.

— Eu sinto a sua falta, sua cabeça dura... Mas não vou falar com você até você pedir desculpas... — ela olhou para o desenho da amiga, passando a mão pela folha e dando um pequeno sorriso.

Ela seguiu para a cozinha, deixando uma risada escapar ao ver o pequena refeição deixada ali por Elisabetta, antes de começar a cantarolar baixinho, preparando um chá.

O som de passos atrás de si, fez com que a albina pegasse a faca deixada de forma estratégica sobre a bancada. Anos convivendo com Assassinos resultam em importantes aprendizados, como reconhecer os passos de alguém. E ela não conhecia aqueles passos.

Perséfone olhou por cima do ombro a tempo de ver alguém estranho se aproximar, pronto para lhe cobrir a boca. Com um movimento rápido, resultado dos treinos com Hope, ela abriu um rasgo no antebraço de seu agressor, antes de ser agarrada pela cintura por um segundo homem. Ela esperneou, acertando o ar a sua frente a esmo e com sorte alguns poucos golpes.

"Não pare de se mover, chute, mesmo que não veja nada. Uma hora vai acertar algo.", Hope lhe dissera uma vez, enquanto elas caminhavam pelas ruas da cidade. Agora, mais do que nunca esses conselhos lhe eram tão preciosos.

Algo a acertou na nuca, fazendo sua visão embaçar e seu corpo fraquejar. Ainda assim ela pode sentir quando foi amordaçada, amarrada e jogada dentro de uma carruagem, sumindo na noite escura.

***

— E então... é ela? — os olhos da albina brilharam, recheados de fúria enquanto ela olhava para os homens a sua frente. O homem bem vestido se aproximou dela, pegando uma faca e lhe rasgando o vestido, exibindo a marca na lateral de seu quadril.

— Sim. — ele entregou uma pequena bolsa com dinheiro a um dos homens, olhando por um momento a mais para a mulher presa a sua frente. — Não me importo em como, apenas consigam a informação que preciso e serão recompensados.

Um dos homens, o estrangeiro de sotaque forte, se aproximou de Perséfone, lhe soltando a mordaça e uma das mãos, a segurando com firmeza.

— Vamos começar... — o homem a encarou sério, aumentando o aperto ao redor do pulso da albina. — Onde está essa tal caixa dos Assassinos?

— Vai pro inferno! — ela vociferou, impulsionando o corpo para frente e tentando se soltar. — Se acha que me assusta ou que vou te contar algo, está muito enganado!

O homem balançou a cabeça algumas vezes, antes de lhe torcer o pulso, a fazendo gritar.

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