[09] dandelions, ex e erva daninha

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#beatsandcherry

A aula parecia mais longa do que o comum, desde a discussão sobre as provas finais até os trabalhos de conclusão de curso... Era quase o fim, o fim que talvez me levaria para grandes inícios.

Com os olhos fixos no retroprojetor que deixava inúmeras informações na tela branca, eu ia de pouco em pouco anotando o que era passado, enchendo meu caderno com post-its coloridos, as vezes eles iam param até o no meu corpo com o objetivo de que eu lembrasse de cada regrinha gramatical.

No intervalo, eu encontrei com Hyuran na sala dos professores quando fui deixar uma cópia do meu TCC com a professora de Literatura, a mesma que havia pedido que eu fizesse o discurso na cerimônia que ocorreria em alguns dias.

- Aurora, como está indo a preparação do discurso? - a mais velha chamada Min So Yeon, perguntou após retirar os óculos finos do rosto magro, mas de bochechas cheias.

- Está quase finalizado, estou um pouquinho presa na conclusão - mentira, eu estava presa na introdução, mas ela não precisava saber.

- Se quiser posso ajudar, me envie por e-mail ou traga para mim amanhã!

- Tudo bem, darei algumas revisadas - ela balançou a cabeça, mudando a rota de seu olhar para o computador.

Consegui sair ao lado de Moon, contando a ela as novidades sobre JK e ouvindo suas reclamações sobre o "branquelo bagacento que quer aprender piano" assim como ela o descreve.

- Eu aprendi duas músicas para ensiná-lo e quando fui mostrar sabe o que ele disse? - Neguei - "Essas são músicas clássicas, quero inovar, produzir".

- E o que você disse?

- Para ele procurar um profissional, porque eu era professora de música e não um "RM" da vida - referiu a um cantor famoso que produzia a música do próprio grupo musical - Se ele quer aprender a produzir, precisa explorar horizontes, sou só uma ponte para mostrar o caminho.

- Ele vai perceber, afinal qual é o nome dele?

- Min Yoongi - parei no meio do caminho e ela repetiu a ação.

- Ele tem o cabelo preto, olhos de gatinho...

- Olhos de quem vive com sono! - afirmou.

- Se eu estiver certa, ele é o melhor amigo do Jeon, trabalha no bar onde no conhecemos.

- É, deve ser... Ele disse que é barman e usava os copos como instrumento para treinar algumas produções na bateria.

- Ele é vidrado pela música - concordou, não dizendo mais nada por causa da hora, a minha que era a hora de ir e a dela de entrar. Seu turno era o vespertino naquele dia, diferente do meu.

Na saída, eu sentei em um dos bancos em frente a faculdade, guardando um pequeno livro na mochila enquanto esperava Jung Kook, lamentando por não ter trago uma blusa por causa do frio.

Ele havia avisado que estava chegando, que chegaria alguns minutos atrasado por precisar passar em casa para pegar algo, mas não foi tanto tempo assim, porque em menos de 10 minutos seu carro estacionava do outro lado da calçada, eu iria atravessar, mas de longe e pediu que eu esperasse.

Devido ao horário foi impossível não escutar os murmúrios dos universitários, estes que não me importavam e que não pareciam incomodar Jung Kook depois que ele saiu do carro e pegou minha mochila mesmo que não fosse necessário.

- Esperou muito tempo? - perguntou sereno, olhando em meus olhos sem desviar.

- Não, sai agorinha - sorriu, enfiando as mãos no bolso do sobretudo.

- Pedi que esperasse, porque preciso pegar um histórico - abri os lábios soltando um "Oh", mas sorrindo, em seguida caminhando ao seu lado.

- As meninas gostaram de você! - afirmei, vendo os olhares sobre ele - Devem estar se perguntando: "Quem é aquele garoto?".

- Os meninos estão te olhando também! - apontou para uma roda de garotos, reunidos com o semblante fechado parecendo não gostar daquela situação.

- Estamos quites então! - levantou o braço passando por cima de meus ombros, sem me olhar apenas me guiando com ele.

- Sim, estamos quites - sorriu, desfazendo o toque no momento em que paramos na secretaria, eu um pouco atrás.

- Jung Kook! - a mulher de trás da mesa pareceu surpresa por vê-lo ali.

- Senhora Collins, é ótimo revê-la - sorriu gentil.

- Mas também é ótimo ver você de novo, meu cineasta favorito! - ele passou a mão na nuca, tímido - O que trás você aqui?

- Ah, certo, preciso de uma cópia do meu histórico, acabei perdendo o meu na mudança.

- Ah, claro. Posso encaminhar para o seu e-mail? - ele afirmou com um único som, gravando o e-mail em um papel retangular.

- Muito obrigado, foi ótimo ver a senhora.

- Foi ótimo ver você também! Você e Aurora são amigos? - eu responderia que sim, se Jeon não remechesse com os sentidos do meu coração.

- Namorada - arregalei os olhos, sem acreditar assim como a diretora que por instantes pareceu desacreditada, mas depois sorriu.

- Você escolheu bem, ela é uma de nossas melhores alunas, tem uma escrita que comove até os mais duros corações - ele concordou, enquanto eu ainda mantinha o corpo estático até o momento em que ele saiu da sala me levando com ele.

- Jung Kook - chamei, roubando sua atenção - Desde quando a gente namora? - ele curvou as sobrancelhas, sem entender.

- Como assim?

- Lá na sala da diretora, disse que eu era sua namorada - ele corou, soltando uma risada sem graça, antes de começar a correr pelo campus, me fazendo segui-lo.

Ele evitou tocar no assunto, sempre ficando de bochechas rubras quando questionava, por isso em determinado momento apenas deixei quieto, seguindo-o por onde ele fosse. Primeiro o restaurante, onde comemos ensopado de mandu, o que era ótimo, mas com bastante pimenta, depois ele dirigiu por 1h mais ou menos até uma área montanhosa de Seoul, afastada da cidade.

- Trouxe apenas essa blusa? - perguntou quando saímos do carro e timidamente concordei - Disse que precisa se cuidar! - retirou o sobretudo azul marinho, colocando sobre minhas costas, deixando sua blusa de lã evidente na cor preta que ia até seu pescoço.

- Você precisa ficar quente também! - peguei suas mãos por instinto e enfiando-a dentro do casaco.

- Mesmo que esteja ótimo, preciso das minhas mãos - sorriu - Eu tenho outra blusa, vou usar ela! - disse soltando nossas mãos para abrir a porta do carro e pegar a blusa que havia me emprestado ontem.

Ele a vestiu, pedindo que eu segurasse seu telefone e as chaves do carro para que não caíssem de seu bolso. A tela de seu telefone ligou e eu percebi inúmeras mensagens, uma que fez eu engolir em seco, quando o ícone de uma mulher jovem deixava a mensagem: "Quando vem me ver, meu bem?"

- Estamos pensando em construir uma vila antiga aqui para o filme - disse, fotografando o local com sua câmera que deveria ser do tamanho de um cachorro de porte médio.

- Como sabia desse lugar? - tentei ignorar as paranoias que minha cabeça insistia em criar.

- Eu vinha aqui com minha mãe quando era pequeno, no verão surgiam dentes de leão para todos os lados e eu não me cansava de fazer desejos.

- E o que desejava? - observei suas expressões, uma mistura de tristeza e decepção, talvez as lembranças não fossem tão boas quanto pareciam ser através de sua narrativa.

- Que o verão pudesse se repetir! - olhou para mim - Desejava que o verão não fosse embora e eu pudesse desejar que minha mãe não viesse apenas quando os dentes de leão aparecessem.

- Ela vinha, então ela te ama.

- Sim... - abaixou a cabeça - Depois de um tempo passei a vir sozinho aqui, e não desejava mais e sim implorava para que trouxessem ela de volta - sussurrou e pela primeira vez eu vi sua versão frágil, lamentando a mim mesmo por não saber o que fazer. Ele tinha os olhos brilhantes, sem deixar uma lágrima cair, no entanto ele demonstrava a fraqueza pelos seus gestos, o suspiro exausto, as mãos que pressionaram os olhos e a forma como desviou o olhar para longe.

- Jeon - disse a sua frente, segurando um trevo de quatro folhas - Perdas nunca serão preenchidas no nosso coração, mas você pode acalmá-las com as boas memórias e o amor que ainda há aí dentro - tentei sorrir, mesmo que me doesse.

- Pessoas aparecem sempre na nossa vida... E algumas são capazes de mostrar outras versões da vida para você - segurou a pequena folha, puxando um bloco de notas e enfiando o trevo ali dentro.

- Exatamente - deixamos aquele clima pesado com as próximas fotos e filmagens feitas por Jeon.

- De onde você é, Aurora?

- Toronto! - lembrei da minha cidade Natal, a mesma que deixei quando tinha 12 anos - Minha mãe é uma desbravadora de mundos, quando meus pais se separam resolvi vir viver com meu pai.

- Você tem parentes coreanos?

- Meu pai - ele concordou, guardando a máquina algum tempo depois de tirar uma quantidade imensa de fotografias.

- Seu nome ser Aurora tem algum significado?

- Tem - sentei ao seu lado, dentro do porta malas - Quando minha mãe contou ao meu pai que estava grávida, eles estavam acampando e nas noites das montanhas frias do Canadá, meu pai afirmou que a Aurora Boreal era o que marcaria aquele momento único para ele e que se fosse uma menina, ela se chamaria Aurora.

- Uma bela história, eles escolheram bem, você é tão linda quanto aquelas luzes no céu - desviei o olhar do seu, tímida demais por conta do elogio.

- Obrigada, mas não...

- Aurora, seus olhos são tão brilhantes quanto aquelas luzes - tocou meu rosto, guiando para que pudéssemos nos olhar.

- Seus olhos também são brilhante, como uma galáxia cheia de estrelas - ele sorriu abertamente, virando para beijar minha bochecha profundamente ao ponto que eu fechasse meus olhos.

- Gosto da forma como você me vê! - proferiu perto de meu ouvido.

- Gosto como me deixa perdida - ele gargalhou, ainda com o polegar colado em meu rosto.

- Como assim?

- Não sei explicar, mas você é um cara maluco que me deixa sem saída... Tipo agora! - olhei suas orbes negras, coladas nas minhas enquanto seus dígitos desciam da bochecha para a curva de meu pescoço - Não sei por que age assim comigo, tão gentil e... - ofeguei com suas mãos em minha cintura.

- E?

- Me faz... - abaixei o olhar - Me faz sentir coisas estranhas.

- Então não estou sentindo tudo sozinho!

- O que?

- No momento não sei te explicar, apenas desfrutar dessas sensações - ele tocou minhas pernas para apoiar sobre as suas apenas pra ficar ainda mais perto, causando um pane no meu fraco sistema.

Seus lábios estavam próximos demais dos meus e a emoção daquele momento era como se nunca houvéssemos nos beijado antes, pelo menos da minha parte. Sua mão subiu até a curva de meu quadril enquanto a outra tocava meu pescoço.

- Mas quando eu descobrir, irei te contar - selou o canto de meus lábios, seguindo para eles em seguida, de maneira gentil e delicada, até o momento em que toquei seu peito, apertando sua camisa na tentativa de que ele ficasse mais perto.

Nossos lábios se movendo tomaram uma certa intensidade quando senti ele invadir com sua língua, causando uma sensação fria na espinha e eu usar o mínimo de conhecimento que eu tinha, mas agradecendo por nossas bocas parecerem ter o encaixe perfeito.

Ele afastou, com os lábios vermelhos por causa do meu batom, mostrando o belo sorriso antes de voltar e beijar a ponta de meu nariz, descendo para meus lábios e finalizando com uma leve mordida na parte inferior que fez com que eu descesse as mãos por seu peitoral.

- Não vamos fazer nada de impróprio aqui, mas podemos aproveitar o lugar quieto e silencioso - disse com a voz rouca, seguindo com selares pelo meu pescoço, tocando áreas sensíveis demais, assim como a mordiscada no lóbulo de minha orelha.

Ele afastou após um último beijo, dessa vez no centro de meus lábios, afastando para me ajudar a sair do porta malas e entrar no carro, dando partida e passando pelas ruas de terra ate pararmos em frente um cercadinho, que Jung Kook não hesitou em pular com facilidade, ajudando-me em seguida por causa do vestido que eu usava.

O lugar era lindo, havia um pequeno lago bem azul, rodeado pela grama alta que ia até um pouco acima dos nossos calcanhares, Jeon caminhou na frente, pedindo que eu tomasse cuidado por alguns lugares estarem molhados e que eu poderia escorregar, mas conseguimos chegar até duas pedras e sentar sobre elas, enquanto eu repetia seus gestos. Do lugar que estávamos, podia ser visto as montanhas cobrindo o sol ao fundo.

- É um cenário lindo, não é? - concordei em um som único, admirando a paisagem que ia escurecendo aos poucos.

- Sim! Muito... - sussurrei a última palavra, pensando nas coisas que rodeavam a nossa volta - Jung Kook, pode me emprestar as notas do seu telefone? - pedi, vendo ele desbloquear o telefone e abrir nas notas, entregando o objeto para mim com o rostinho curioso.

Eu gostava de escrever em momentos como aquele, momentos onde a natureza me cercava, que transpassavam minha alma, com profundidade e sentimento... Escrever para mim era como narrar cada sensação, cada instante que eu vivia, podendo narrar com amor, tristeza, raiva, ou decepção, era poesia mesmo que eu não soasse poeticamente.

- O que está escrevendo? - olhou por cima, enquanto eu digitava rapidamente.

- Lembra do discurso que preciso fazer, tive uma ideia. Vou falar sobre... Momentos... - olhei seu rosto, que estava quase colado ao meu.

- Vai ficar ótimo, pelo pedacinho que consegui ler, está ficando incrível - ri nasalado, escondendo o telefone, enquanto ele suspendia as pernas para apoiar o queixo sobre os braços.

- Obrigada - continuaria digitando, se seu celular não começasse a tocar com a foto daquela garota bonita, a mesma que havia enviado a mensagem mais cedo, a foto mostrava uma moça jovem, cabelos loiros e compridos, rosto oval, olhos verdes e um sorriso aberto, parecendo iluminar tudo em volta. - Alguém está te procurando! - salvei o que tinha escrito, ignorando se depois ele poderia lê-las ou não, afastando-me das pedras para que ele atendesse com calma, ouvindo seu suspiro de longe, ignorando a chamada.

- Não importa, tem pessoas que são como uma "erva daninha" - disse simplista - Tiramos elas das nossas paredes, porém continuam insistindo em nascerem.

- Ela pode estar precisando de você! - afirmei, depois de passar pela cerca com cuidado, dessa vez sem o auxílio de Jeon.

- Tenho certeza que não, ela só quer acabar com os momentos bons da minha vida.

- E quem seria ela? - encostei na porta do carro, cruzando os braços enquanto ele dizia tudo de cabeça baixa.

- Aelin, conheci ela na faculdade - parou coçando a nuca - Namoramos por um tempo, mas terminamos porque sempre brigávamos - suspirou, vagando os olhos por todos os cantos, menos até os meus.

- Você ainda gosta dela, não é? - ele levantou o olhar para mim, abrindo os lábios na tentativa de dizer algo - Por isso não apagou o número dela?

- É passado, não temos nada e isso não importa agora - desviei o olhar, tentando não parecer magoada ou abatida por aquela situação.

- É claro que importa. Se você gosta dela, precisa enfrentar a situação, mas se não gosta precisa ser firme, apague o número e a bloqueei, não mantenha o contato na sua agenda como se fosse um número de operadora, onde sempre está atrás de você e ao invés de resolver, ignora as ligações - ele ficou em silêncio, rodeando o carro para entrar sem dizer mais nada.

A viagem fora um silêncio perturbador, eu até fingi que estava dormindo para que ele tentasse relaxar e em meio ao meu fingimento, senti ele parar e cobrir meu corpo com sua blusa, tocando meu rosto com uma de suas mãos.

- Eu prometi que não iria te magoar... - sussurrou após um suspiro, voltando a dirigir com cautela, enquanto eu fingia dormir o que me levou a um profundo sono sem ao menos perceber... Momentos onde estamos confusos, o melhor a se fazer é perder a consciência em meio aos sonhos.

Oieeee! Fim de semana chegou e tem atualização?

Mas e ? O que acharam do capítulo?
Vocês acham que o JK ainda gosta da Aelin?
Bem, isso o tempo dirá! 🤭

Bem, eu espero que tenham gostado do capítulo!

Bem, então é isso é até segundaaa! 💙

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