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" Há dois tipos de dor: a dor que te torna mais forte e a dor útil, a que reduz o sofrimento"

A G N E S C A S T I E L

Andei apressada com a pá nas costas, tentando fugir de todos os julgamentos que eu estava ouvindo das pessoas e de mim mesma. Minha mente estava uma grande bagunça.

Escolhei um lugar mais distante e finquei a pá no chão começando a cavar. Fiquei fazendo aquilo por horas até que Tara trouxe o corpo da namorada sendo ajudada por Tyler, o qual eu não via a muito tempo. Eles colocaram o corpo da médica dentro da cova e eu comecei a jogar a terra por cima, Tara ficou ali o tempo todo chorando, me fazendo ficar mais angustiada ainda. Depois de terminar corri até o deposito para pegar uma faca.

- Posso pegar uma faca? - pergunto a Olivia que me olhava com desprezo.

- Sim. - ela responde.

Pego uma faca de punho vermelho e saio. Vários pensamentos ruins vem atona e eu fecho os olhos tentando controla - los. Arrumo uma tábua e pulo o muro, indo para dentro da floresta. Me sento em um canto qualquer e começo a gravar o nome de Denise ali.

Uma a fina garoa começou a cair e eu penso em ir embora, mas me lembro que as pessoas não queriam me ver naquele momento, então decido ficar ali, sozinha.

Observo a faca em minha mão molhada pelos pingos da chuva já grossa. Meu reflexo aparece em sua lâmina, eu estava horrível. Estico meu braço e sinto a lâmina cortar minha pele.

_

Termino de fincar a tábua com o nome de Denise e saio sem rumo.

- Agnes? - olho para trás e encontro Carol com a roupa toda molhada, igual a mim. - Está tudo bem?

- Sim... - percebo que demoro demais a responder.

- Pode vir aqui? - ela pergunta e eu nego escondendo os cortes no braço.

Quem iria cuidar deles agora já que Denise está morta por minha culpa?

- Vamos para casa, juntas então? Já está anoitecendo e você pode ficar doente novamente.

- Não...não posso, não ainda.

Corro a igreja abrindo a porta com tudo e assustando Gabriel. Me sento no último banco e abaixo a cabeça começando a pedir perdão por tudo que tinha feito até aquele momento.

Sentia que estava rolando uma festa dentro de mim, uma festa onde a ansiedade, medo e dor eram os protagonistas, só que eu não queria estar naquela festa.

- O que...O que eu tenho que fazer para ter o perdão por tudo que eu já fiz? - pergunto a Gabriel quando ele se senta ao meu lado.

- Se perdoar em primeiro lugar, você já fez o principal, veio até Deus.

- Ele perdoa pessoas que matam outras?

- Se você pedir perdão, ele pode sim perdoar.

- Eu matei a Denise e outros 20 homens.

Ele não me respondeu, só pegou em minha mão e deixou a cabeça tombada sobre a minha.

- Vá para casa, tome um banho, coma algo.

Deixei a igreja e andei até a casa, que eu não sabia se podia chamar mais de minha. Abri a porta de entrada depois de alguns minutos e passei pela multidão entrando no banheiro. Tranquei a porta e retirei minha roupa, a água quente do chuveiro me causou êxtase. Passei a bucha com sabão sobre os meus cortes e os enxuguei.

Talvez toda aquela dor seja útil, para mim, para poder ser melhor, para seguir em frente, ou apenas me recuperar.

Oiiii

A história vai mudar muito daqui pra frente e muito. Faltam 24 capítulos para o livro acabar.
Deixem seu voto e comentário me dizendo o que acham.
Beijos e fuiii

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