秋 (Fuyu) - Meu passado, presente e futuro

Presente (26/12/2020 – inverno) / Murano Umezawa



Envolta nas sombras, a enxergo, tão longe quanto antes e ainda assim tão perto como agora. Sinto-a comigo, mas, por que esse pesar tão súbito?
Meu olhar abro para a luz, incomodo invade minhas pálpebras trazendo o leve desconforto, mas em tão pouco se esvai ao chegar das sombras.


— Bom dia.


Rouca soa seu timbre, esse olhar apaixonado qual o verde habita me fita carregando nos lábios o sorriso capaz de subjugar minhas forças, o poder que concedi a ela… Naomi… na calada da noite, em meio a crises que contemplam minha tola existência, sua imagem vinha até mim como o conforto.


— Bom dia. — a respondo arrancando seu sorriso.


Antes de tudo aquilo ocorrer você me disse que eu era o lugar aonde podia repousar, contudo, hoje eu vejo que as coisas entre nós funcionam ao contrario do que acreeditei. Hoje, voce que ainda pernanece en meu coração se tornou o meu refúgio da ovelha quando mais ninguém poderia ser.


— Dormiu bem?


Seu abraço quente, e pensar que sentir sua pele sob a minha durante a noite poderia ser o melhor tranquilizante. Gosto deste abraço e, talvez, ate mesmo alguem como eu possa se tornar refém de hma emoção pura como essa.
Em seu peito me aconchego encontrando a calmaria para minha mente, só de pensar que hoje eu terei que voltar para decidir para onde iremos me faz desejar permanecer aqui pelo resto do dia.


— Tão calada. Pensativa sobre ontem ou preocupada com algo?

— Uma mistura estranhada entre relaxada demais e preocupada com o futuro. Os momentos que chamo de agora me trazem conforto, mas o futuro, esse ainda me incomoda bastante.

—  Aos poucos pode se encontrar, não sera algo difícil.

— Acho que vou me mudar e vir para Tóquio até o final de janeiro. Quero viver minha aqui com a Suyen e criar ela como for possível até decidir o lugar para estar.

— No momento eu não posso vir, particularmente eu ainda espero algumas decisões externas... virei sempre que possível para te ver.

— A instituição?

— Sim, provável que eu me torne incapaz de assumir a cadeira de meu pai. Eu meio que sei dessa decisão, mas estou satisfeito com ela, não vou brigar para ver os últimos instantes do meu pai se tornarem um inferno e ainda tem a Katsumi.

— Entendo.

— Quero que ela se sinta confortável com as decisões não wuero forçar imposições.

— Estou atrapalhando você não é? Parece ter tantas coisas para se preocupar agora que estar ao seu lado para ser um tormento maior.

— Não, o problema é distante de você, mas eu fiz o que pude para manter minha posição como a mão direita dele e por assim vai continuar quando a nova gestora for oficializada.

— Voce carrega tantas coisas no ombro, me pergunto se posso realmente ser alguém capaz de estar ao seu lado como desejo ou se serei apenas alguém que eventualmente acaba atrapalhando.

— Jamais vai ser um empecilho, mas agora de fato é um, queria tanto levantar e sair para ver a cidade após esses meses de distância me pergunto como estará Tóquio.

— Desejar sair então?

— Sim e não. — seus lábios quando se curvam ao sorriso ganham um belo tom. — Mas imagino que tenha muito o que fazer.

— Não muito, mas precisarei ir até um local para buscar minha nova sentença de vida.

— Nova?

— Não sou mais a dona de toda uma linha de restaurantes. Eles agora são parte da herança de meu pai para Suyen, parece que eu irei permanecer apenas como a gestora por enquanto... até seus dezoito anos.

— Parte de mim deseja intervir nisto, dizer que estão errados em não ouvir você... sinto que fazer isso pode complicar as coisas.

— Vamos esquecer isso por hora, não assuntos tão urgentes e nem mesmo algo ruim que não possa ser alterado. 

— Tem razão.


Dos lençóis se esvai deixando apenas o perfume de sua pele, a nudes de seu corpo encaro, uma visão qual me perderia sempre que pudesse.
Em meio ao armário busca algo, e num instante retorna a meu encontro com roupas e adereços esses imagino que sejam para mim.


— O que é isso?

— Vamos sair? Hoje é um dia bom para sairmos por aí antes de voltarmos para Takayama.

— Quer explorar a cidade?

— Sim? 


E no sorriso singelo foi onde me perdi, nem mesmo outras palavras precisou dizer e logo estava eu ali em sua frente. Acho que essa é a primeira vez em toda a minha vida que estou conforme os rumos que tomamos, desta vez eu realmente quero acertar as coisas e tornar a vida que levo mais leve e suportável.

Quando encaro a seus olhos tudo que sinto é uma enorme vontade de permanecer ao seu lado, não importa como, quero ser aquela que permanecerá ao seu lado como a mulher que dará suporte a sua vontade e a única dentre todos que amará.


Presente (15/01/2021 — Inverno) / Murano Umezawa


No espelho me fito encarando a beleza deste vestido celeste, mal posso acreditar nisso, um casamento no começo do ano é sem dúvidas um evento a qual não esperava estar. 

— Este colar, um presente a sua altura.


Ao redor de meu pescoço põe o colar prateado, pelo espelho encaro a seus olhos brilhantes. Está tão linda com seu vestido escuro ao longo de seu corpo esbelto.


— Às vezes acho que me estima demais, mas juro, irei me acostumar com isso.

— Tem muitas coisas com as quais precisamos nos acostumar. Uma delas é com o fato de estarmos juntas agora, sem mais alguém para atrapalhar.

— Isso é algo que ainda não consegui, mas estou quase adepta desta nossa nova realidade. 

— Vai ser a mulher mais bonita no casamento.

— Sua irmã é a noiva. Ela será a mais bonita não importa o que façamos, mas, você continua sendo a mulher mais bonita que conheço.


Minha face toca deixando sob minhas maçãs o calor gentil que percorre suas mãos.


— Continua sendo mais bela que ela, mas quando paro para pensar juro que não esperava esse casamento tão rápido, quer dizer, eu sabia sobre gostarem um do outro e que tem todo um passado.

— São como éramos no passado?

— Quase. O noivo, Jun, bem ele tinha interesse em mim durante um tempo até eu descobrir que ele realmente se interessava por ela. 

— Não o julgo… é difícil não se atrair por você.

— É mais fácil eu me perder do que você. Bem, no final o que aconteceu foi eles terem se afastado e voltado e afastado de novo até que agora assumiram que sentem algo.

— Ainda assim é um casamento rápido.

— Talvez até seja, particularmente concordo com você sobre o ritmo deles ser um tanto rápido para pouco tempo. Contudo, eles esperaram demais, merecem fazer da forma que acharem certos.

— Acho que tem razão.

— De qualquer forma, isso não importa neste instante, também temos nossa preocupação, e você sabe qual é.

— Eu ainda não me sinto muito confortável com isso, morar juntas é um passo grande, tenho medo de acabar não gostando de minha ausência.

— Podemos ser mais rápidas Murano.


Segura minha mão e sob meu olhar deixa o brilho dos seus. Ela não está errada, nem um pouco, eu apenas não quero que fique distante como casamentos costumam funcionar.


— E ainda tem a Suyen e a Katsumi.

— Elas se dão bem, se conversamos podemos fazer dar certo.

— Tenho medo, é apenas isso.

— Não tenha, lembra? Estamos juntas e sempre estaremos. E caso realmente não deseje não tocarei no assim de novo, apenas, bem, gostaria de ser realmente parte da sua vida.

— Tenho medo que acabemos ficando distante com o passar do tempo.

— Não deixarei que esse distanciamento ocorra, mas, sabe. Caso realmente não deseje, eu paro, porém, se seguirmos, saiba que tenho ideias boas para o que podemos fazer desde uma casa maior até um lugar mais tranquilo.

— Você planeja muito, entendo o desejo de seu pai.

— E agora meio que não tenho muito o que fazer além de planejar o presente momento.

— Isso me traz segurança. Realmente você é meu porto seguro.

— Farei o possível para poder viver os melhores momentos de sua vida agora, mas, primeiro vamos ao casamento e depois pensamos nisso.

— Sim, de qualquer forma vamos pensar nisso, afinal Suyen volta da França na próxima semana para podermos viver nosso futuro agora em definitivo aqui.


Presente (15/01/2021 — inverno) / Naomi Minamoto


A sala adentro segurando sua mão, eu realmente não sabia que tipo de emoções me tomariam aqui e sendo honesta agora me sinto um pouco distante do que cogitei num primeiro instante.
Durante muito tempo era apenas eu e Nana. Logo depois você chegou e já éramos da mesma idade e com a mesma capacidade, ainda que tomadas por criações completamente diferentes.
No final todas essas diferenças são deixadas de lado agora, e realmente Murano não errou, Nori está linda no vestido de noiva.


— Realmente veio, uma promessa cumprida. E vejo que finalmente assumiu quem ama para o mundo.

— Arrumei espaço em minha agenda. — acabo por sorrir diante do seu sorriso. — Combina com você, essa postura, e pensar que estaria noiva tão rápida.

— Espero que todos estejam certos quanto a isso, odiaria ser uma péssima esposa.

— Não acredito que será, se posso cuidar de uma criança e ir atrás da mulher que amo, você também pode. Acredite, são coisas não muito distantes. 

— Você e suas comparações. Ainda assim como vai Murano? Espero que minha irmã não te mate.

— Estamos indo bem, ou quase, mas não me matará.

— Aguardarei ansiosamente pelo momento onde verei as duas unidas. Sei que ainda que essa união não passe de uma festa, espero poder ver as duas casando.

— Estamos indo devagar, mas um dia também desejo viver esse momento com Murano.

— Logo vão estar em maior sintonia, precisa lembrar dos anos afastadas que passaram. 

— Verdade. Mas não é assunto para hoje, viemos lhe prestigiar e não pedir conselhos.

— Agradeço a presença de vocês duas, inclusive, Katsumi já passou por aqui e quando conversei com ela percebi o quão educada ela é comparada a você.

— Seu senso de humor não muda.


O sorriso logo some de seus olhos, Murano, a deixa seu presente e se retira do ambiente.


— Ela é uma boa garota, fico feliz por você, sério mesmo. A cada dia que se passa percebo o quão bem tem passado apesar de todas essas mudanças recentes.

— Ela tem sido a alegria destes dias assim como a Katsumi, gosto disso, planejar algo bom para elas e ainda tem a Suyen a quem busco me aproximar gradualmente… não me resta muito.

— Soube da novidade então.

— Ouvi por alto, meus parabéns, ser a nova diretora da instituição Minamoto deve render algo de bom no final.

— Não queria isso.

— Vai se sair bem, eu acredito que fará um trabalho melhor do que nosso pai e certamente melhor do que eu faria.

— Obrigada pelas palavras, ainda que eu pense o oposto, saiba que entrarei bastante em contato para saber como agir.

— A vontade.


Pela porta cruza a mais nova vestindo o rosa que tanto lhe cai bem, e mal a viu, ela já está neste estado emocionado. Nana e Nori. Quem diria que anos de distância nos trariam a esse momento, uma foto única das três irmãs unidas.
Deixo a sala após os flashes retornando só salão cuja decoração é brilhante, cores mais claras aliadas de peças de mármores discretas e igualmente elegantes.


— A arquitetura oriental, faz tempo que não venho a um casamento assim. — toca meu braço. — Ela está bem? Deixei meus cumprimentos primeiro para poderem conversar melhor. Seria errado de minha parte permanecer lá. 

— Nori é reservada demais, mas não pensaria nada de mais disso. Fora que falamos sobre a instituição e poucas coisas mais comuns sobre irmãs.

— Ainda assim é mais confortável para mim, mas, por hora vamos para nossa mesa?

— Sim. 


No enlaçar de nossas mãos, os olhares de alguns presentes, aqui temos o ditado, prego que muito se destaca para baixo é martelado. Porém, eu não importo mais, ainda que seja martelada para baixo, me contento apenas em tê-la ao meu lado.
Próxima do altar chegamos, a cadeira de acrílico transparente puxo para ela que possa sentar.


— Boa noite. 

— Nana. — sento-me na cadeira. — Você realizou um bom trabalho, para alguém que nunca cursou design, ajuda bem nossa irmã.

— Yuriko diz que é um talento natural, talvez eu deva fazer algo quando for para Quioto, uma faculdade talvez.

— Então realmente vai sair do interior?

— Sim, gosto da vida lá, mas gosto mais ainda da pessoa com quem partilho meus momentos.

— E pensar que a irmã dele seria um par para você.

— As coisas são complicadas, temos um “gap” entre nossas idades. — a vejo arquear seus dedos. — Mas vai ser minha primeira experiência vivendo com alguém que não seja nosso pai ou mãe.

— Espero que esteja fazendo o certo.

— Eu também.


A iluminação das lâmpadas são diminuídas, trazendo a luz suave de lanternas brancas presas a fios de náilon. É charmoso pensar no cuidado que teve, algo que chega a ser aconchegante e intimista. 


— É lindo. — ouço o timbre suave de Murano.


Dobrados entre uma lanterna e outra posso avistar os origamis, até mesmo sua dobra mostra o quão atenciosa foi nesses detalhes e isso é o que tornar a decoração tão única. Pela entrada os olhares se perdem encarando ao noivo, Jun, e pensar que após nossos caminhos se cruzarem você terminaria neste altar se casando com minha irmã que situa entre a megera e a incrível presença. 
Fico feliz em ver como mudou, não apenas você, sei que essa força de transformação que carrega inspirou a ela nessa mudança não ares como na vida e particularmente vejo com bons olhos a mudança.

Que a tradição japonesa esteja sob vocês, que estes origamis e suas mil dobras e resultem na realização de um desejo para ambos, ainda que eu acredite que este já tenha sido feito.
E no acorde sonoro a vejo entrar ao lado de meu pai no salão, ela realmente é uma Minamoto, e realmente ela é uma mulher linda.


— Sabe… 

— Oi?

— Não é nada… devaneios meus.


Seguro sua mão observando o prosseguir da cerimônia, no deixar do altar as palavras que marcam sua cerimônia cujo ápice atinge no alçar do véu da noiva. Me sinto feliz, mas triste, eu vejo o pesar nos olhos Murano e o quanto isso era algo que ela desejava no passado quando eramos apenas garotas empolgas com peças ao invés de garotos como muitas outras.

Com a deixa do casal que se divertem junto a outros convidados. Ao seu lado deixo o salão, fora dos olhares vamos ao encontro do mirante cercado pelo lago cristalino, observo o quanto esse casamento lhe deixou emotiva.
Em meu abraço a envolvo sentindo seu corpo, gosto dela o suficiente para sentir os temores que afundam sua mente em dúvida. Murano, quero te confortar e não deixar que nada lhe perturbe.


— Casamentos realmente carregam uma carga emocional muito forte e, ainda assim, são incrivelmente belos de se ver. — afago as lágrimas que escorrem por sua bochecha. — Lembra de quando estávamos naquela peça, se me lembro bem, ela era problemática aos adultos.

— Sim. Garotas, ao invés de flores. Você estava linda, mas não era aluna tão boa em teatro.

— Uma pena que não tenha ficado para a peça.

— Ainda assim nos divertimos muito a assistindo.

— Isso você tem razão.

— Sabe, depois de hoje eu estive pensando sobre isso tudo, eu realmente quero dar esse passo, talvez seja devido ao tempo frio… — aproximo-me de seu lóbulo. — não quero deixar você escapar de mim nunca mais.

— Boba. Para onde eu iria se não você? Apenas você me interessa e continuará assim até o dia em que provavelmente estarei velha.

— Murano eu realmente quero alguém importante para você, e por isso decidi.


Busco a caixa de veludo em meu bolso, o azul, gosto desta cor, ainda que digam ser a mais fria entre todas, mas para mim, é uma cor quente, talvez a mais quente das cores.
Abro-a trazendo o anel a seu olhar que cintila pelas lágrimas, esse é o passo que desejo dar.


— Quero dar o próximo passo em nossa relação, mas apenas se desejar.

— O que é isso? — entre lágrimas seu sorriso. 

— Ainda é cedo, mas, eu quero firmar nosso relacionamento. Sei que não podemos oficializar um casamento pelas condições que vivemos, mas, quero que viva a experiência da cerimônia.

— Sabe que não precisa disso apenas por me ver triste… de verdade… depois passa.

— Eu realmente desejo isso. Casar, ter nossa casa e quem sabe um animal apesar de eu não gostar tanto deles.


Sua mão seguro, em seu dedo ponho o anel, recebendo o olhar avermelhado por suas lágrimas.


— E sobre mudar, vamos fazer isso, já é estranho o suficiente eu viver em sua casa junto da Katsumi e ainda não morarmos juntas. 

— Tem razão. Nisso posso concordar e para ser honesta meu medo após essa cerimônia não parece mais tao grande.

— Então faremos desta forma, eu juro solenemente que serei a melhor mulher do mundo para você e prometo que jamais vou te abandonar.


Encontro a seus olhos e por fim selo o toque nos lábios vermelhos. Prometo que enquanto eu puder e você amar como eu te amo, farei do impossível possível para que você siga brilhando como deve ser.




Avisos!

Gap é uma palavra inglesa que significa lacuna, vão ou brecha. A palavra é também utilizada com o significado de diferença e no caso da história seu significado é o segundo onde há uma diferença de idade entre as personagens.

Outro detalhe são as cerimônias de casamento, o casamento japonês é rodeado de tradições que diferem bastante das comuns em casamentos no Brasil.

Uma das tradições mais representativas do Japão é a utilização de três taças durante a cerimônia.
A primeira taça é usada pela noiva, depois pelo noivo e então pela noiva novamente.

A segunda taça é levada ao noivo, depois usada pela noiva e novamente pelo noivo. Nessas duas ocasiões os noivos só fazem menção de beber o líquido das taças, que pode ser saquê ou champanhe.

Na terceira taça, o ritual se repete, mas com todo o líquido sendo consumido. A primeira taça faz menção ao juramento a Deus, a segunda à gratidão aos pais e familiares e a terceira taça é dedicada às pessoas que vão conviver com a noiva e o noivo depois de casados.

Além da celebração das taças, no casamento japonês é realizada uma oração e um discurso por um religioso que celebra um ritual de purificação de todos os presentes na cerimônia. No altar do casamento japonês ficam dispostos dois rosários budistas simbolizando a união de duas famílias.

Outro detalhe são os tsurus, que são os origamis japoneses, levam sorte ao dia do casamento e são um detalhe atencioso na decoração de um casamento japonês, podendo ser disposto nas mesas ou pendurados em fios. A tradição japonesa diz que dobrar mil tsurus resulta na realização de um desejo.

Enfim era apenas isso que eu queria pontuar.

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