秋 (Fuyu) - Despedidas (Parte II)
Estar próxima da vidraçaria me acalma, essa situação não me é tão agradável. Ao menos algo quebra esse silêncio, não pensei que estaria diante destes olhos após longos anos desde meu casamento.
— Posso sentir a tensão entre vocês.
Queria poder dizer que é sua imaginação, porém quando encaro os daquela que admirei sinto culpa e não conforto.
— É um prazer conhecer você. Não esperava encontrar alguém familiar a Kana, todas às vezes em que viemos ninguém aparecia.
— Na verdade, eu sou quem está surpresa, não sabia que Kana estava no Japão… não sabia que ela ainda saia da Tailândia nessa data.
— Realmente ela não sai bastante, mas hoje era especial, é importante que veja sua mãe em um dia como esse tão importante.
— Nossa mãe gostava desta data, dizia que apesar de a nossa tradição ser outra deveríamos ao menos estar com quem é amado.
— Onde nasci temos esse dilema, cozinhamos refeições intermináveis e saborosas… arrumamos a mesa e quando o dia vira celebramos com uma ceia.
— Entendo, fico feliz em saber que nesse lugar ela tenha uma amiga tão especial como você. A vida se torna mais tranquila e interessante frente a tantas dificuldades ou simplesmente prazeres.
Deixo sob o prato a xícara, e no destoar de meu olhar encontro a sua expressão leve. Difere daquilo que imagino como uma companhia para minha irmã, mas muito é pelo tempo passado desde nosso último encontro no casamento.
Agora que percebo, seu dedo anelar porta um brilhar incomum, uma aliança, sem dúvidas é alguém dedicada o suficiente para largar sua casa e estar aqui com ela.
— Se me permite a pergunta, como se conheceram?
— Isso é uma pergunta curiosa, em exato, eu não sei bem quando nos conhecemos. — o cenho franze. — É uma questão difícil de responder com lógica. Posso dizer que tivemos muitos primeiros encontros.
— Minha irmã nos últimos momentos em que a vi era mais solitária, não tinha muito daquilo que já foi na adolescência.
— Acredite se quiser, mas foi ela quem veio até mim… por diversas vezes nos encontramos…, porém uma única vez foi marcante e essa talvez seja nossa primeira ocasião de encontro.
— Ela elaborou algo de inusitado?
— Sim, por assim dizer, apesar de sociável, eu nunca gostei muito de chamar atenção e justo num momento de atenção ela veio salvando meu pescoço.
— Você sabe o motivo disso? — talvez ela não saiba da opção dela… — Minha irmã talvez seja difícil de lidar e por isso pode ser complicado.
— Se refere ao fato dela gostar de mulheres? Imagino que seja sobre isso.
Busco seu semblante e nele encontro a curva de lábios mais cheios que carregam uma sincera alegria qual vejo em poucos. Ouvir suas palavras me fazem acreditar se ainda devemos ser tão reservados quanto a relacionamentos com semelhantes, afinal, todos temos o desejo de amar e ser amada nessa vida.
— Sua expressão mudou, está surpresa, talvez fique ainda mais ao saber que essa aliança é de nosso casamento.
— Casamento…
— Apesar da impossibilidade legal, somos casadas desde o ano passado… admito que seria bom compartilhar seu nome, mas não me importo, nossos sentimentos não serão medidos por um papel.
— Eu nunca pensei em minha irmã vivendo desta forma, ainda mais após o meu casamento.
— O que houve nele?
— Nós discutimos, mas ela sempre esteve certa quanto isso e apenas agora pude reconhecer.
— Existem coisas que funcionam melhor com o tempo. Contudo, ainda acho que você reconhecer diz muito sobre seu desenvolver.
— Tem razão sobre isso, mas ainda não havia percebido que cometi tantas falhas.
— Agora que ficou mais solta, desejo perguntar, você não estranha o fato de sua irmã mais velha estar casada comigo? Toda vez que pensava sobre isso, me questionava sobre como sua família lidaria com essa revelação considerando a minha.
— Ela não contou sobre mim, não é?
— Não, ela não fala sobre a família que deixou aqui além de seu pai e mãe.
Atravessando o arco da porta de vidro surge com a mesma expressão de antes, fechado, mas para mim unicamente. Sua acompanhante se achega para o lado da janela, permitindo seu sentar na cadeira onde estava.
— Fiz o que deveria, podemos voltar ao hotel Sam.
— Claro, mas talvez possamos continuar aqui um pouco mais.
— Não desejo atrapalhar.
— Não atrapalha em nada, nós viemos apenas para zelar a passagem de sua mãe. E não é como se tivéssemos muito trabalho em nossa casa.
— Tudo bem…
— Agora percebi um ponto, eu não me apresentei antes, — estica sua mão entregando-me um sorriso. — me chamo Sarocha ou apenas Sam, é um prazer conhecê-la.
— Foi deselegante de minha parte também, não me apresentei corretamente. Murano Hoshino, a irmã mais nova da Kana.
— É um prazer conhecê-la Murano.
Ao seu lado, o bufar seguido pelo franzir de sobrancelhas, uma atitude comum a ela, não foge de seus padrões mais comuns.
— Sinto que estou atrapalhando algo.
— Não está nem um pouco, Kana que está mais sensível hoje.
— Mesmo que não fosse o caso, preciso ir embora, resolver algumas pendências.
— Antes…
Kana encara a mim com seu sorriso incomum de desconforto tão comum quanto o franzir de seu cenho caricato de uma jovem mulher.
— Onde está sua aliança? Disse que não a tiraria caso não fosse importante, era o juramento que fez com o Hanzo.
— Realmente foram palavras quais eu disse, ainda assim não pude manter elas e ambas.
— O que houve?
— Não pude manter minhas palavras devido ao divórcio que nos separou, Hanzo e eu optamos por seguir caminhos divergentes um do outro.
— Divórcio?
Se levanta confusa, as palmas sob a mesa pressionam a ela e sem perceber atrai os olhares daqueles em nosso entorno.
O segurar de seu braço a conduz de volta para a cadeira, semelhante, tomo meu assento mais uma vez encarando os olhos qual portam agora uma expressão distinta daquilo que via.
— Recente foi essa minha decisão, nos separamos para que ainda possamos viver algo além de desgosto e desordem.
— Então acabou com o acordo de seu pai?
— Quantos isso não sei, irei encontrar ele hoje, mas não sei muito bem o que posso esperar.
— Como está a menina? Como você está?
— Vai ficar bem, ela e eu aprenderemos a lidar com essa adversidade. Também não estou sozinha, tenho alguém em quem posso me apoiar.
— Fazia tempo que seus olhos não brilhavam ao falar de outra pessoa além de sua filha, espero que possa sair deste momento que vive.
— Irei fazer isso. Acredite em mim.
— Sendo assim não posso tomar mais de seu tempo, vá e fale com aquele velho. Apesar de difícil, algumas despedidas são necessárias, essa se mostra de extrema necessidade.
— Nisso concordamos com certeza, mas ainda assim farei de um jeito qual não me arrependa.
— E antes que vá, pode contar comigo caso não se sinta bem. Apesar de que pelo que vejo existe alguém já esperando por você , e isso certamente lhe traz força… boa sorte irmãzinha.
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