Aceite Mais
- Conversamos da última vez sobre ouvir mais não foi? - ele conferiu sua prancheta de anotações enquanto eu concordava com a cabeça - hoje iremos falar sobre aceitar mais!
- E não é a mesma coisa? - fiz uma careta o que desencadeou uma risada alta do mesmo.
- Tenho que admitir que você é a cliente mais satisfatória que tenho...
- Por que hein? - ajeitei minha postura intrigada
- Você não aceita calada, opina e não tem nenhum medo de falar o que pensa, isso é um ponto positivo é ajuda muito na sua terapia para achar a felicidade. - ele disse olhando em meus olhos e aquilo me deu um estranho e satisfatório arrepio.
- Mas então se não é a mesma coisa, o que é? - mudei rapidamente antes que ficasse vermelha.
- Vamos citar um exemplo para facilitar as coisas ok? - concordei - vamos dizer que seu chefe diga que você precisa relaxar um pouco e delegar duas obrigações pois não está atingindo os objetivos, você aceitaria?
- Eu diria que poderia fazer melhor e tentaria o convencer disso.
- Ok, e se seus amigos vissem seu cansaço e que não está tão bem como antes e lhe pedissem para ir mais devagar.
- Apesar de entender o mundo não gira assim. - disse sorrindo eficazmente - preciso correr para conseguir as coisas e desacelerar não é uma opção.
- Mesmo que custasse sua saúde?
- O que? - pisquei
- Você não aceita conselhos, mesmo que todos queiram seu bem, então isso acaba te prejudicando por que todos preferem se afastar por que você não aceita as coisas com facilidade.
- Mas as vezes eles não entendem meu jeito, e não entendem que...
- Novamente está fazendo! - ele alertou me interrompendo e realmente minha postura estava na defensiva e minha mente pensando em uma boa desculpa - você acha que ninguém lhe conhece ou sabe das dificuldades, mas então o que eles são seus? Acho, ou melhor, tenho a certeza que seus pais lhe conhecem bem para dizer um conselho, seus amigos lhe veem e sabem bem quando algo está errado e seu chefe - deu de ombros - bem ele delega as funções e sabe quando alguém não está atingindo o objetivo.
- Verdade!
- O que menos te conhece aqui, sou eu. Mas noto esse problema em você. Dizer 'sim' passa a ser mais fácil depois que você diz a primeira vez.
- Porém eu sei o que é bem melhor para mim do que os outros.
- Claro não tiro seu ponto - ele me olhou fixamente - mas você se exige tanto que acaba ignorando o melhor para você e nesse momento entra pessoas boas que querem te ajudar, o problema é...
- Eu não aceito e as afasto!
- Exatamente! - ele sorriu - Você está começando a entender. Faça o teste, na próxima vez que alguém lhe dizer algo em vez de arranjar uma desculpa sobre ser necessário, diga 'sim'.
- Eu irei tentar.
- Então, - ele se ajeitou na sua cadeira - você aceita apreciar uma boa comida ocidental comigo?
Pisquei várias vezes, só podia ser um teste e sorri quando minha mente me pregou uma peça providenciando várias desculpas, no entanto fui rápida balançando a cabeça como se expulsasse aqueles pensamentos e disse a palavra que até então era muito difícil para mim.
- S-sim! - sorri me sentindo vitoriosa.
- Ótimo, amanhã às 19hs passo em sua casa. - ele deu um grande sorriso e me senti confusa.
- Não era um teste? - fui rápida perguntando e franzindo o cenho.
- Em parte sim, mas também um convite.
Ok, eu havia sido pega de surpresa e agora teria um jantar com ele e aquele sorriso que mexia comigo.
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