32 - Lembrou da verdade
Enzo passou o período da tarde inteiro meditando. Segundo Cora, isso poderia ajudá-lo a lembrar da noite que passou com Samantha há três meses.
E ajudou. Depois de tanto tempo, Enzo finalmente conseguiu relembrar de algumas coisas daquele fatídico dia. Infelizmente, nem todas as notícias eram boas para si sobre as memórias recém-recuperadas.
Ele realmente havia transado com aquela insana, lembrou do momento em que a loira estava deitada na cama e ele a penetrava. Só que, diferente do que Samantha grita aos quatro ventos, o pedido não tinha sido dele.
E o buraco no qual seu pau estava encaixado não engravida. E surgiu a memória nitida do mesmo se encapando com camisinha.
Sentia-se absolutamente péssimo por ter tido sua falha de caráter exposta por ninguém menos que ele mesmo. Mas agora tinha certeza de que Samantha não tinha nada em seu ventre, ou pelo menos nenhum feto que dividisse seu dna, porque sexo anal não engravida ninguém.
Estava sentado à beira mar enquanto o sol se punha. Finalmente abriu os olhos e uma lágrima escorreu. Luna tinha razão, as "desculpas" sobre não lembrar o que aconteceu àquela noite eram esfarrapadas demais. Enzo apenas precisava se esforçar mais um pouco.
A verdade é que tinha medo do que ia encontrar. Foi ele quem jogou fora
Limpa a lágrima e respira fundo. A merda já havia sido feita, não tinha como voltar no tempo. Apenas precisava sustentar seus BOs, assumir os erros e entender o motivo de Samantha estar mentindo sobre algo que facilmente pode ser descoberto.
Se eles transassem agora e ela engravidasse, qualquer idiota acharia minimamente estranho a criança nascer três meses depois do previsto.
Contudo, antes de qualquer coisa, conversaria com Luna. Sentia no fundo dk seu âmago a necessidade de se desculpar, por mais que soubesse que seria xingado.
Enzo levanta e caminha em direção à praia. Percebe que Caio está fazendo alguns treinos na areia fofa e chega à conclusão de que a garota está sozinha em algum lugar.
"Ótimo, teremos uma conversa em particular", pensou consigo mesmo ao adentrar a casa e seguir até o quarto de Luna.
Bate na porta algumas vezes e ninguém atende. Ansioso, abre e adentra o quarto. O barulho do chuveiro quente entrega que a garota está se banhando.
— Luna! — Enzo chama alto. — Preciso ter uma conversa séria com você. — Declara encostado à parede.
A cama do quarto estava sem colchão, eles precisaram lavar e colocar ao sol depois do que fizeram durante a madrugada. Enzo revira os olhos só de pensar no que pode ter acontecido.
Luna, que está com um coque repleto de creme, leva a cabeça à porta.
— Estou tomando banho agora, caso não tenha percebido. — Ironiza, grossa como sempre. — Volte depois. — Ela estava prestes a sair quando o Valentine mais velho dá a sua cartada.
— É o meu aniversário, Luna. Já me humilhou o suficiente sendo grosseira e transando com meu irmão de uma maneira que não fazia comigo há meses. — Explica desgostoso. — Seria muito pedir para que se esforçasse e me ouvisse agora por favor? — Ele suplica e Luna revira os olhos.
— Está bem, você ganhou. Vem aqui, então. — Luna volta com a cabeça para dentro do banheiro e Enzo arqueia uma das sobrancelhas, mas não fala mais nada, apenas anda até o banheiro, onde encontra a garota nua e de costas dentro do boxe.
O Valentine mais velho arregala os olhos ao flagrar o corpo nu de sua ex-namorada. Sim, sabia que ela estava tomando banho, mas achou que a mesma ia se enrolar em um roupão, afinal, está em um outro relacionamento agora.
Definitivamente não se sentia confortável com aqui, principalmente porque ela continua sendo extremamente atrativa para os seus olhos e vontades. Por conta do impacto, Enzo fica parado na entrada e Luna percebe.
— Pode entrar, Enzo. Você já me viu tantas vezes pelada, sabe a posição de cada pinta minha. — Fala normalmente. — Apenas sente nesse vaso, evite ficar encarando e fale logo o que precisa, por favor.
— Caio não vai reclamar? — O rapaz questiona enquanto obedece as ordens de Luna. — Querendo ou não, isso é estranho. — Justifica e a garota ri.
— Não, ele não tem que achar nada. Faço da minha vida o que quiser, namorando com ele ou com qualquer outro. — Afirma enquanto tira o crime dos cachos. — Agora fale, estou curiosa o que te fez vir falar comigo após toda aquela discussão no café da manhã.
Enzo respira fundo e abaixa o rosto, envergonhado.
— Passei o dia meditando. — Começa a falar. — Foi difícil, porque sou um pouco hiperativo, mas consegui. E lembrei de tudo o que aconteceu na noite em que supostamente engravidei Samantha. — Luna desliga o chuveiro na hora em que seu ex-namorado profere as palavras e abre a porta, já colocando a cabeça para fora.
— Então? — Pergunta ansiosa, sem fazer qualquer questão de esconder a ansiedade pela resposta.
— Desculpa, Luna... — Sua voz embargada entregava a culpa pelo que havia feito. — Não sei o que deu em mim, eu amo tanto você. Sei que as coisas estavam esfriando entre nós em relação ao sexo, também tenho pela consciência de que isso era minha culpa, mas jamais imaginei que fosse capaz de fazer isso contigo. — Explica enquanto tenta esconder o rosto. Luna sai do boxe e, sem se importar com a própria nudez, ajoelha em frente ao ex-namorado, deixando seus rostos na mesma altura.
A garota leva as mãos ao rosto do ex-namorado e ergue na direção do dela. Compadecida com sua dor, pois também estava doendo nela, pergunta.
— Por mais que não queira saber, preciso que me conte o que aconteceu. — Respira fundo. Lágrimas também estavam começando a escorrer em suas bochechas. — A gravidez é de verdade, afinal.
— Não, não. — Ele limpa as próprias lágrimas. — Nós fizemos sexo anal. — Luna bufa com a nova informação. — Ela insistiu muito para que fosse até seu apartamento. Então fui. Lá nós bebemos mais, ela me deu várias bebidas que não faço ideia do que eram. Inclusive... — Enzo respira profundamente. — Acho apaguei por isso, ela me fez ter um coma alcoólico.
Luna ouvia atentamente cada detalhe que saía da boca de seu ex-namorada. Seu coração estava apertadíssimo, sentia que havia sido injusta com o rapaz à sua frente. Se tudo isso se confirmar, ele poderia, até mesmo, denunciar Samantha por estupro. Toda essa merda estava ganhando um percurso muito mais sério do que imaginava.
— Tem certeza de que foi sexo anal? Pode ter se enganado e gozado dentro. — Luna pergunta com desdém.
Agora sabia que, em condições normais, Enzo não faria isso. Mas, independente da informação, o fato dele ter procurado em outra o que poderia ter "em casa" fazia suas entranhas se contorcerem. Como o seu próprio ex-namorado enfatizou, o relacionamento deles não estava na melhor fase.
— Ah, eu tenho certeza. É o tipo de coisa que não esqueceria, você sabe bem disso. — Enzo fala com um leve sorriso ladino. — E eu usei camisinha.
— Então não tem bebê? — Pergunta surpresa e levanta em um impulso, colocando os seios na altura do rosto de Enzo. Ele fixa o olhar nos gêmeos que tanto degustou nos últimos anos.
— Não. — Fala hipnotizado.
— Então eu vou matar aquela puta na porrada. — Declara e sai batendo os pés em direção à saída do banheiro.
Enzo segura o braço dela e a puxa cuidadosamente. Contudo, por estar úmida, Luna escorrega e cai no colo do ex-namorado, que usava uma regata e um calção de banho.
Com os rostos colados, ambos pareciam ter perdido a capacidade da fala. Depois de um longo minuto, Enzo se pronuncia.
— Não, pelo menos agora. — Fala calmamente. — Quero que ela se perca na própria trama. Depois disso, pode acabar com ela. — Explica e Luna assente.
— E sobre nós? — Pergunta Luna.
— Não quero pensar sobre isso agora, principalmente com você pelada no meu colo. — Respira profundamente. — Mas não acho que tenha volta. Eu te amo, entretanto, não muda o fato de estar namorando o meu irmão.
Luna balança a cabeça positivamente.
— Concordo, querido. — Luna respira profundamente. — Eu te amo, mas não muda o fato de você ter buscado outro corpo, independente de qual, enquanto nosso relacionamento estava frio. Eu sempre estive ali, mas só que ao invés de tentar resolver, simplesmente 'comeu' o cu de outra. — Explica magoada.
Enzo também concorda.
— É um motivo plausível, também. Acho que nós dois vacilamos, afinal. E... — Ele engole em seco. — Eu estou afim da Lina. Isso é um problema pra você?
Luna arqueia uma sobrancelha, surpresa com a confissão. Literalmente não era uma coisa que esperava ouvir.
— Eu roubei o gêmeo dela. — Luna sorri. — Nada mais justo que ela ficar com o meu. — Balança a cabeça negativamente. — Brincadeiras à parte, não me importo. Só quero a sua felicidade. Apenas evite na minha frente.
— Nunca vou me perdoar por ter perdido uma mulher como você, Luna. — Enzo declara e ela sorri. — É sério, porque se dependesse de mim, você separava do meu irmão agora.
— Mas não vai acontecer. — Luna sorri.
— Eu sei. Só que posso te fazer um pedido? O último? — Ele pergunta e Luna assente.
— Depende. Qual? — Devolve o questionamento.
— Posso te dar um último beijo? E depois finalizamos esse relacionamento com tudo esclarecido. Nenhuma pendência, nem mágoas. — Propõe e Luna, sem falar nada, une os lábios aos dele.
Enzo invade a boca da ex-namorada com sua língua, explorando cada centímetro, como se quisesse marcar na memória o gosto dela. Luna retribui e leva uma das mãos à nuca dele. O rapaz agarra um dos seios desnudo, foi inevitável.
Após uma longa e excitante troca, Luna se afasta e sorri. Enzo faz o mesmo, apesar de não querer.
— Foi bom ter namorado com você, Enzo Valentine. — Ela declara.
— Digo o mesmo, Luna Simões. — Enzo responde e levanta sem jeito, por conta da ereção. — Estou indo.
Ele sai do banheiro e, em seguida, do quarto. Estava pensativo e chateado, mas com o coração aliviado por ter esclarecido as coisas com Luna.
Depois que tudo isso passasse, principalmente as mágoas, quem sabe poderiam se tornar bons amigos. Afinal, na cabeça dele, a garota estava em um relacionamento com seu irmão.
Por fim, voltou para o quarto que estava divindo com Samantha. A garota não estava lá. Ele respirou aliviado, então deitou na cama e tirou um cochilo.
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