10 - Você será o meu novo namorado
Vem para o shopping agora. Luna vai matar seu irmão. Descobriu que a amante dele está grávida". Eu estava no meio de uma corrida na rua do meu prédio quando Lina me mandou essa mensagem.
Sinceramente? Deveria ignorar toda essa droga. Principalmente depois das coisas que Enzo me falou ontem à noite. Eu lá tenho culpa que esse merda não consegue manter o pau dentro das calças? E de todas as amantes do mundo, o maldito foi logo escolher pela ex-peguete psicótica?
Não sou um homem perfeito, sei que tenho meus defeitos morais e é justamente por isso que me mantenho longe de relacionamentos. Pra que vou me envolver com alguém se não gosto da mesma o suficiente para me manter leal? Não faz sentido, é sofrimento para todos, porra. E eu sou novo demais, não tenho que me apegar à ideia de que necessito de uma mulher ao meu lado para ser uma pessoa feliz. Tenho objetivos a cumprir antes de pensar nessas coisas.
Mas nem todo mundo é assim. E pelo que vi ontem, Luna está muito obstinada à foder com a vida de Enzo. Então, por mais que esteja extremamente puto, não seria eu se ignorasse e simplesmente continuasse correndo como se nada tivesse acontecido.
Ignoro o fato de estar sem camisa e, apenas com o celular e carteira no bolso, sigo caminhando em direção ao shopping, que fica a duas ruas do meu prédio.
Assim que adentro o estacionamento do local, me deparo com uma cena que, em outras circunstâncias, seria engraçada. Luna estava arrastando alguma coisa pontiaguda, da qual julgo ser uma chave, no carro de Enzo.
Obviamente me aproximo para impedi-la de continuar, afinal, se algum segurança presenciar essa merda, ela vai presa. Contudo, com muita calma. Enzo não é o fodão? Que lide com a fúria de uma mulher traída.
Luna acaba percebendo minha presença quando chego próximo ao carro e vira o corpo na minha direção. Percebo que seus olhos estão vermelhos. Ela estava chorando. Nunca a vi dessa forma.
— O que foi? — Luna me encara, sendo notável o ódio em seu olhar. — Veio ser mais um telespectador da minha desgraça? Afinal, é impossível que não soubesse de toda essa merda desde o início, é o seu irmão gêmeo. — Ela avança sobre mim e me empurra. Não reajo, apenas deixo-a desabafar. — É a porra do seu sobrinho no útero daquela vadia! — Começa a desferir alguns socos no meu abdômen, me obrigando a segurar seus pulsos.
— Acredite ou não, Luna Simões, sei tanto quanto você. — Passeio meus olhos por todo o seu rosto. Seus lábios estão trêmulos. Minha agora ex-cunhada está muito, muito nervosa. — Venha, vou te tirar daqui, antes que algum segurança apareça e perceba que foi você que fez aquele estrego. — Aponto para o carro de Enzo com a cabeça.
Luna apenas assente com a cabeça, creio que pelo nervosismo que toma o seu corpo. Dadas as circunstâncias, estou surpreso dela não ter feito nada pior do que arranhar o carro do meu irmão. Passo o braço ao redor dos ombros da garota que acompanha o movimento, sem qualquer tipo de resistência.
Caminhamos lentamente em direção à saída do shopping, sendo impossível não atrairmos olhares. Estou sem camiseta, vestindo uma bermuda de moletom e tênis esportivos, afinal, estava treinando. Já Luna está com sua costumeira calça jeans preta, blusa branca, jaqueta de couro e coturno. Um está destoando demais do outro.
Assim que saímos do terreno do shopping, ela segura meu braço que está ao redor de seu ombro e encara meu rosto, nos fazendo parar ali.
— Para onde você está me levando, Valentine? — Ela limpa uma lágrima que escorre em sua bochecha e meu coração se aperta. Odeio ver mulheres chorando. — Independente de onde seja, espero que tenha álcool.
Sorrio como resposta imediata e dou um novo passo, fazendo com que ela me acompanhe.
— Estou te levando para o meu apartamento. — Respondo e a encaro de rabo de olho. Percebo um sorriso malicioso em seus lábios. — Mas não pense besteiras, sua promíscua. Está certo que sua imagem molhada naquela cama segue invadindo minha mente vez ou outra, mas sigo firmemente com o nosso combinado.
Meu comentário faz com que Luna dê uma risada, aliviando o clima pela primeira vez desde o momento em que a flagrei vandalizando o carro de Enzo. Ainda bem, não conseguiria sustentar esse tipo de situação, simplesmente não sei lidar.
— Preciso de um banho, caso não tenha percebido. — Continuo falando. — É que estava correndo quando sua amiga me mandou uma mensagem alertando sobre o que estava acontecendo. E, depois disso, vou te levar ao 'Clube do Amor'. Já foi? — Pergunto e ela suspira.
— Não, mas a fama é bastante familiar. Podemos ir. Lá tem álcool e promiscuidade, tudo que preciso hoje. — Luna responde e eu rio.
— Não posso xingá-la de vadia, afinal, estamos falando da minha mãe, mas tenho muitos pensamentos sobre as atitudes dela. — Digo, já sentado à bancada do bar. Por motivos óbvios, não levei Luna para uma sala privativa. Aqueles lugares têm efeitos afrodisíacos sobre as pessoas.
— Ah, mas eu posso. — Luna vira a vodka pura à sua frente e sorri de escárnio. — Foda-se que é a sua mãe, é a porra de uma vadia, a Samantha uma biscate e seu irmão um brocha. — Ela conclui.
— Porra, tão brocha que meteu logo um filho. — Pontuo e viro mais uma dose de whisky. Como resposta, imediatamente sou fuzilado por Luna. — Retiro o que disse, um brocha.
— Isso mesmo que imaginei ter ouvido, Valentine. — Ela me encara de rabo de olho e acrescenta mais um pouco de vodka ao copo. Sinceramente, não sei se essa garota vai aguentar essa grande quantidade de álcool sem apagar até o fim do dia.
Em seguida, nós dois ficamos em silêncio, apenas observando o vazio do Clube do Amor em pleno início de semana. Não sei as salas privadas, mas a área central, neste momento, é ocupada apenas por mim, Luna e uma dupla de bêbados e troca palavras sem nexo um com o outro. Ah, o barman também nos faz companhia, mas não parece muito interessado em nada além do dinheiro que ganhará com a diária no fim do dia.
Por fim, percebo que o olhar de Luna segue perdido. Não sei como ajudá-la, não mais. Afirmei que descobriria o que estava acontecendo, mas sequer deu tempo. Ela mesma atraiu o caos para si. E agora estamos neste bar, bêbados, encarando a dupla à nossa frente discutir algo sobre alienígenas.
— Sinto muito que esteja passando por isso, Luna. — Viro-me na direção dela e, talvez motivado pelo álcool acaricio delicadamente seu braço apoiado à bancada do bar.
Ela encara minha mão e sobe lentamente até o meu rosto. Seus olhos ainda brilham pelo choro iminente que tanto segura.
— Ainda estou tentando digerir essa merda toda para decidir o que fazer. — Ela sorri de escárnio. — Admito que tinha muitas expectativas ruins sobre o que Enzo poderia ter feito, mas, nossa, engravidar a Samantha é insuperável. — Balança a cabeça negativamente. — Não tem como piorar.
Friso o cenho e tensiono o maxilar. O pior de tudo é que sim, a situação é pior do que Luna imagina. Ela ainda não sabe do noivado dos dois. Ninguém sabe. Na verdade, há algumas horas, eu imaginava que a garota ao meu lado era a noiva, não a Samantha.
— Até esconderia essa informação de você, mas o que é um peido para quem está cagado? — Pergunto retoricamente e ela vira mais uma dose de vodka. — Segundo minha mãe, eles estão noivos. Na verdade, pensava que vocês estavam, mas agora sei que, no caso, eles estão. Foi o motivo da discussão do jantar de ontem.
— Como assim noivos? — Questiona perplexa. — Discussão? Explique-me essa merda, Caio. — Ela vira o corpo totalmente na minha direção.
Respiro fundo, ainda irritado com a memória recente das palavras afiadas dos meus pais e irmão na noite de ontem. Contudo, Luna está envolvida nesta merda até o talo, então cuspo cada palavra amarga detalhadamente para a garota, que ouve atenta e silenciosamente, apesar da embriaguez que já toma conta de seu corpo.
A cada minuto que passa, conforme explico o que aconteceu e a forma que minha mãe se referiu ao noivado de Enzo e às minhas bochechas, as bochechas de Luna ganham um tom cada vez mais intenso de vermelho.
Assim que concluo meu monólogo, ela me encara com um sorriso carregado de ódio, mas com uma pitada de graça.
— Descobri a minha vingança perfeita. — Ela levanta em um pulo e para à minha frente. — Quer dizer, a nossa.
Ergo uma das sobrancelhas e cruzo os braços, confuso com o que ela estava falando. "Nossa vingança"? Oi? Realmente, a embriaguez nos atinge de maneiras diferentes. Eu fico sociável, enquanto Luna fica mais esquisita que o normal.
— A partir de hoje, Caio Valentine, você será o meu novo namorado. — Luna entrelaça os braços ao meu pescoço e sorri. Em resposta, arregalo os olhos imediatamente. — E não aceito não como resposta, afinal, não foi uma pergunta.
Nota da autora
Gente, não vou mais colocar a artezinha porque o wattpad bugou e está horrível.
O capítulo não está revisado, peço desculpas por possíveis erros.
Espero que gostem. Não deixem de votar e comentar!
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