Delirium tremis
Vem...
Larga esse sentimento de ter sido largado por um outro qualquer
Vem...
Deixe para trás a amargura da vida, da dor e da ferida
Vem...
Que a tristeza escorra em sua forma líquida limpando o coração e a alma.
E vem...
Alegrar-se, festejar e pular feito um louco ao som da música.
**
Ah! Os efeitos da bebida, que desce amarga e quente soltando os músculos e relaxando os nervos.
Vem...
Ver o céu pegando fogo e fazer gestos obscenos aos cavaleiros que se aproximam com suas máscaras de fome, doença, destruição e morte.
Vem...
Mostre que aqui a mesa está vazia há tempos, a humanidade quase extinta, as cidades se erguem sobre escombros e os sobreviventes são doentes.
Vem...
E deixe que vejam seu sorriso arreganhado e babante. O brilho de seus olhos insanos, insones. A dor que dilacera.
**
As pessoas saem do cinema e quase tropeçam no homem. – "Velho bêbado. Como alguém pode se degradar tanto". – Eles não entendem seu heroísmo.
Acabou de salvar a humanidade e o mundo. No lugar de louros, recebe chutes. – "Da próxima vez que vierem deixo acabarem com tudo e vocês que se fodam". - E ri, o riso da vingança. Gargalha às duras penas que têm passado. Olha para o horizonte inconformado. Só ele vê os quatro vultos já bem pequenos ao longe.
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