Capítulo único:
Notas iniciais: Eu (yoonsweet_) e o Liam (Sweetiessye), resolvemos desenvolver uma fanfic trans, graças ao projeto Tata_verse!
Aliás, o que é melhor que uma fanfic Trans, sendo escrita por um Homem Trans e um gênero fluído?
Os raios solares adentraram pelas janelas abertas, indicando que mais um dia se iniciava.
Como todos os outros dias, Taeyong acordava cansado de se olhar, todas as manhãs, no espelho e não se reconhecer, aquele reflexo não era dele.
O corpo magro e curvado não o agradava em nada, os seios medianos eram como invasores para si, o cabelo longo não o alegrava, era muito sufocante ter quase um chicote batendo na sua bunda e engasgar-se com ele vez ou outra.
Com o tempo de convivência ao lado da mãe, ele sabia que, uma hora ou outra, teria que se assumir, não só para que ela soubesse, mas para sentir amor por si mesmo.
Decidido e com um medo maior que seu cabelo, Taeyong abriria o jogo sobre se ver como um homem trans. As várias possibilidades de uma rejeição eram bastante altas pela morena demonstrar ser uma mulher mais séria e que nunca havia dito nada sobre a sigla LGBTQIA+, mas, o que poderia ser pior? O "não" ele já tinha, então não teria nada a perder.
O rapaz, depois de muita luta, desceu as escadas para se encontrar com sua mãe, que o esperava na cozinha. Kim Sohui sempre foi uma mulher mais reservada, não que fosse fria, muito pelo contrário, era um amor de pessoa, porém, não comentava muito sobre as coisas do mundo. Mas, vamos combinar que ela era um mulherão.
— Bom dia, minha princesa, dormiu bem? — perguntou a mulher, sorrindo como sempre.
Era meio difícil, viver a vida inteira, fingindo ser outra pessoa, ainda mais fingir para a sua própria mãe.
— Bom dia, mãe, dormi sim… — Pausou um pouco as palavras, antes de finalmente continuar com o que queria. — Gostaria de saber se a senhora toparia dar uma volta, sair pela cidade, ter um tempo só nosso, sabe?
— Nossa. — A mulher pareceu surpresa, mas logo abriu um belo sorriso quadrado, este que o jovem havia herdado dela. — Fazia um bom tempo que não passávamos tanto tempo juntas, meu trabalho consome tanto o meu dia a dia, que acabo não tendo tempo suficiente para aproveitar a minha princesa, antes que complete seus dezoito anos...
— Tudo bem mãe, eu sei que você anda ocupada com o trabalho, não tem problema, de verdade. — Acabou sorrindo também, para tranquiliza-lá. — Mas, caso tenha tempo hoje, a gente poderia ir ao parque, tomar um sorvete e nos divertir como fazíamos antigamente.
— Claro, meu amor. — Sohui estava feliz que sua filha queria passar um tempo consigo. — Se quiser, podemos sair hoje à noite, aí aproveitamos, já que será dia das mães.
Como combinado, depois de tomarem o café, decidiram assistir um filme para passar o tempo.
Assim que anoiteceu, ambos resolveram se vestir. Taeyong estava de calça rasgada jeans, uma camisa preta larga que escondia os seios e um All Star branco. Já a matriarca usava um vestido florido, com um salto alto preto. Uma mulher perfeita, com os fortes genes da família Kim.
Encontraram-se, em seguida, na sala de estar. Faltavam apenas três horas para o dia das mães, deixando Tae um pouco nervoso.
— Vamos, meu amor, está na hora — comentou a belíssima mulher, já pegando as chaves de uma BMW branca.
No caminho, para que não ficasse em um silêncio total, a mais velha ligou o rádio do veículo, colocando qualquer música que a agradasse, essa foi Levitating da Dua Lipa, fazendo a mãe e o filho, ainda não assumido, criar um The Voice no carro. Com o tempo, chegaram ao parque, nele encontravam-se algumas pessoas, casais andando de mãos dadas, crianças correndo e é claro, o famoso carrinho de sorvete da Dona Mina.
Sentaram-se em um banquinho da pracinha, muito bem iluminada e florida, e é claro que sua mãe pegou dois sorvetes para comerem; um de abacaxi francês e outro de leite condensado. Óbvio que Taeyong pegou uma mistura dos dois, definitivamente não tem como escolher entre um deles. Um pouco amedrontado, o moreno não sabia como começar aquela conversa e nem descobrir qual seria a reação de sua mãe quando descobrisse que a princesa que sempre sonhou, era um príncipe. Ela gostava da Taeyong que conheceu e criou, e se não gostasse do garoto que sempre havia ficado no armário? O medo de magoar sua tão adorada mãe ainda era enorme.
— Então… — A mulher tentou iniciar um assunto. — Olhando para você agora, me lembrei quando você tinha dois anos de idade. Eu havia acabado de chegar do trabalho e quando entrei em seu quarto, te vi toda maquiada, você tinha pegado minha maquiagem e desenhado uma barba, você lembra?
De repente, a tal memória foi desbloqueada em minha mente.
"O garotinho estava no quarto, com os produtos de maquiagem da mamãe, espalhados pelo chão. Havia pegado um delineador na mão e rabiscado todo o rosto, desenhando uma barba — bem engraçada — em volta de sua boca. A dama de uma beleza surreal, caminhou para dentro do quarto de Kim, observando então aquela bagunça, achando engraçado aquilo tudo."
— Você parecia se divertir me vendo naquele estado — comentou rindo, olhando para o rosto da mais velha.
— Confesso que me assustei no começo, mas depois foi bem engraçado. — Ela observou o garoto, com um sorriso quadrado em seu rosto. — Lembra quando você vestiu as roupas de seu pai? E saiu pela casa gritando que era o homem da casa?
"O menino de cinco anos de idade, estava vestindo as roupas de seu pai, correndo pela casa, sendo perseguido pela sua mãe.
— Eu sou o homem da casa, você não é o homem da casa!"
— O que pensou nesse dia, quando me ouviu falar isso tudo? — questionou Kim, meio receoso com a resposta.
— Foi fofo até, lembro-me que você ficou correndo pela casa e só parou quando eu concordei que você era o homem dali.
O clima no parque era um dos melhores, graças à família Kim, que resolveu relembrar alguns momentos engraçados e até mesmo embaraçosos. Não demorou muito para a tão esperada meia-noite chegar, já era dia das mães e Tae estava pronto para dar a Sohui um presente inesquecível.
Seu próprio filho.
Com o coração quase parando pelo nervosismo e sua garganta querendo fechar, a voz do garoto saiu atropelada.
— Você tem um menino!
Um certo alívio invadiu o corpo do Kim, poderia suspirar pelo sentimento livre que o dominava. Sua mãe parecia confusa, não era novidade a lerdeza, por ser herança de família.
— Como assim? Eu tenho outro filho e nem sabia? Você está grávida, Kim Taeyong?
— Eu nem gosto daquela fruta! — Respirou fundo. — Eu to dizendo é que eu não sou uma garota! Tudo bem que eu nasci em um corpo feminino, mas eu não me sinto uma mulher. Eu até pensei em ser uma garota tomboy e nem isso era. Desde criança eu não era igual às outras garotas e no fundo você sabia disso. — Suas mãos foram de encontro ao seu rosto, escondendo um pouco o nervosismo. — Eu não sou uma garota, não sou a sua princesa como você pensa; eu sou um garoto! Independente do "gênero biológico", eu me considero um garoto e é o que importa. Só não queria que a senhora ficasse com cara feia para mim, desculpa esconder isso de você… Pode dizer qualquer coisa, mas, não deixe de me amar só porque sai do armário para você. — Qualquer reação da mulher poderia trazer alívio ou tristeza, o problema é a pior coisa que faz a pessoa ficar entre a vida e a morte: a face sem nenhuma expressão. — Pelo amor de Deus, mulher, diga algo antes que eu infarte agora mesmo!
— Então seus pronomes são ele e dele?
Ele esperava uma reação mais dramática, tipo uns puxões de orelha, um grito, que ela o arrastasse para casa e ficaria umas boas horas reclamando, mas não! A reação foi tão normal que foi como dizer que Taeyong já tinha terminado uma lição de casa.
— … É só isso? — Levantou-se, ficando de frente para a mais velha. — Não vai ter uma reação chocante? Decepcionada? Raivosa?
— Kim Taeyong! Eu conheço a filha, 'pera… Eu conheço o filho que tenho! Acha que eu nunca ouvi seus amigos te tratando no masculino? Acha que eu não reparo que você esconde os seios com uma cinta? Você acha mesmo que eu não reparei que seus hormônios estão mudando? Eu sou velha e não burra.
Era tão evidente assim? Sua própria mãe já sabia, então por que nunca tinha dito nenhuma palavra sobre isso?
— E por que nunca contou nada?
— E por que você não me contou antes? — Xeque mate. O Kim foi pego com outra pergunta para qual não tinha uma resposta concreta. A única coisa que fez, foi abraçar a mais velha com toda sua força. A sensação de ainda ter o amor e carinho de sua mãe depois de contar algo que mudou tantas vidas de pessoas como ele era raro, ainda mais em um país tão duro e conservador como a Coréia do Sul.
Lágrimas de felicidade começaram a rolar por seu rosto, molhando o pescoço de sua mãe.
— Meu filho, meu príncipe, Kim Taehyung — disse a mais velha, com um sorriso quadrado nos lábios, parecia até uma oração.
Ele havia renascido de novo, Kim Taehyung, esse é o seu nome.
Notas finais: e então, gostaram? Dêem amor a fic e a esse projeto incrível, que nos deu a oportunidade de escrever tal obra.
Nossos agradecimentos pela capa maravilhosa feita por @jjmswan e a betagem perfeitinha feita por @Macaah_7
Queria avisar que o co-autor que escreveu comigo, trocou o user e acabei perdendo o contato, mas, obrigado Liam (Sweetiessye) por ter me ajudado a escrever essa obra maravilhosa.
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