Um - Saiph

Hello, hello!
Cá estou eu, com o primeiro capítulo! Não vou me demorar muito, porque estou tão ansiosa para saber a reação de vocês, quanto vocês estão para ler.
Sendo assim, boa leitura e nos vemos no final!

Ofegante, Harry Potter corria como um louco pela floresta. Seus pés doíam e seus pulmões queimavam, seu corpo inteiro implorava para que parasse e descansasse, mas Harry sabia que não podia. O ômega precisava pensar em sua segurança e na de seus filhotes. Lillian, sua filha mais nova, estava em seus braços e o mais velho, Albus, corria a seu lado, a mãozinha agarrada à dele.

Harry não sabia onde estava, ele não conhecia a floresta, mas sabia que não estava correndo em círculos, porque não ouvia os sons da festividade da alcateia que deixara há pouco tempo. Eles saíram na calada da noite, quando o alfa que matou seus pais e tomou seu corpo a força, Tom, saiu para comemorar com suas meretrizes e seus soldados, deixando-o em casa, achando que estava dormindo com seus filhotes.

O ômega tentou ser esperto, ele passou ervas sobre seu corpo e o de seus filhos, escondendo em grande parte o cheiro deles, para terem algum tempo de vantagem. Tom, provavelmente, só notaria que tinham sumido no dia seguinte, quando não estivesse mais bêbado, mas eles já estariam longe, àquela altura, se os deuses permitissem.

Em algum momento da corrida, seu corpo se recusava a se mover e o choro dos filhotes já estava sofrido demais para que continuasse. Assim, fazendo o mínimo de barulho possível, ele se sentou em uma raiz grande de uma árvore, trazendo Albus para seu lado, Lilian sobre suas pernas. Harry pegou a bolsa que estava em seu ombro, tirando dela um dos sanduíches que tinha feito para a fuga, partindo-o ao meio e dando cada metade para uma das crianças.

O ômega queria chorar, ele queria que aquilo acabasse logo e ele e seus filhos ficassem bem e seguros. Harry fora capturado por Tom quando o alfa invadiu sua alcateia, ele e os soldados sob seu comando mataram e estupraram todos os que viam pela frente. Tom matou seus pais na sua frente, um sorriso doentio enquanto o fazia – o único alento de Harry era saber que seus pais morreram rapidamente, sem sofrer muito.

Os olhos azuis de Tom mudaram quando ele o fitou, brilhando de uma forma nojenta, passando a língua sobre os lábios. Ele agarrou Harry pelo braço, arrastando-o dali, alegando que Potter seria sua parideira, que ele daria luz a seus herdeiros. Foram dois anos até que Tom tivesse conseguido 'amansar' Harry, até que o ômega já estivesse tão triste e machucado que simplesmente deixasse que o mais velho fizesse consigo o que queria.

Todas as noites, enquanto chorava e sentia o corpo inteiro dolorido, Harry implorava em suas orações aos deuses para que não engravidasse. Suas preces não foram ouvidas, porque logo Albus veio. Quando pensava naquilo, o ômega ainda conseguia sentir a ardência da bofetada que levou no rosto quando Tom soube que seu filho era um ômega, não um alfa puro, como ele. Harry também sofreu com isso, porque sabia que o mais velho não pararia até ter um herdeiro alfa. Felizmente, Lilian nasceu alfa pura, então Tom o deixou em paz, dizendo que seu corpo não era mais atraente, depois de duas gestações.

Harry não se importou com aquilo, porque Tom não queria mais tocá-lo e era um alívio, porque ele praticamente fingia que Albus não existia e isso significava que seu filhote não apanharia, porque Lilian ainda não tinha idade o bastante para começar a aprender como ser uma pessoa ruim e isso o deu tempo para fugir.

Ele comeu um pouco, também, respirando fundo antes de continuar a jornada. Isso, até Harry ouvir um galho quebrando. O ômega entrou em alerta no mesmo momento, seu coração batendo tão forte no peito, que ele sentia em suas têmporas, sua respiração ficou mais rápida e errática. Por favor, deuses! Harry implorou em sua mente. Que não sejam eles, ainda não. Está muito cedo.

Mas não era Tom, sem seus soldados. Os homens que apareceram eram desconhecidos para si, o que era ainda pior. Ele apertou Lilian entre seus braços, trazendo Albus também para seu colo. Ambos os filhotes estavam assustados, a alfa escondia o rosto em seu pescoço, recusando-se a olhar para trás. Estavam praticamente cercados, o ômega não sabia o que fazer. Se ele precisasse implorar para manter os filhotes vivos, Harry o faria. Qualquer coisa por suas crianças.

Por entre as árvores, o último daqueles alfas apareceu. Era maior que os demais, tinha o cabelo tão claro que era quase branco – ou foi o que pareceu, devido à pouca luz –, tinha muitos músculos e não usava camisa, mostrando um símbolo pintado em seu peito. Harry não conseguia ver seus olhos direito, mas sabia que estavam sérios, enquanto o fitavam.

Ele tremeu um pouco, sentindo ainda mais medo, mesmo que o cheiro do outro, uma mistura de gengibre e hortelã, fosse reconfortante. O alfa maior grunhiu e todos ficaram em seus lugares. Ele foi o único a se aproximar de Harry, abaixando-se à sua frente, ainda sendo maior que si, mesmo daquela forma. Os filhotes se encolheram ainda mais em seus braços e Potter sentiu a primeira lágrima cair, seguida de muitas outras, até que um soluço escapou de sua boca e Harry chorava copiosamente.

O alfa levantou a mão e Harry apenas fechou os olhos, tremendo e agarrando mais seus filhos, sem mais forças para colocá-los atrás de si, para protegê-los. Mas, ao contrário do que pensou que aconteceria, o alfa não lhe bateu, ele apenas usou os dedos para secar suas lágrimas. Ainda receoso, Harry abriu os olhos e, naquele momento, uma nuvem que cobria a lua se moveu, a luz irradiando sobre o rosto do maior.

Ele apenas conseguiu ofegar, porque mesmo com as muitas cicatrizes sobre sua pele – e eram realmente muitas, impossíveis de contar –, seus olhos quase cinza eram penetrantes e calmos. Não havia ali um pingo de maldade, apenas gentileza e um brilho que ele não soube reconhecer. Aquele era o alfa mais bonito que Harry já tinha visto.

"Não precisa ficar com medo, não vou machucar vocês."

O alfa falou. Sua voz era grave e soou como uma brisa refrescante de primavera, tão convidativa e serena que quase deu sono a Harry, embora aquilo pudesse ser apenas a exaustão de correr por muito tempo com uma criança nos braços. Foi nesse momento que Harry percebeu sua visão ficando turva, seus olhos fechando pelo cansaço.

O perfume do alfa parecia cada vez mais forte, como se ele os perfumasse, para que dormissem. A última coisa que o ômega lembrava de ter visto eram os olhos azuis do outro, uma expressão preocupada em seu rosto.

"Está tudo bem. Estão seguros."

🌀

"Tem certeza disso, Draco?"

Draco Malfoy virou a cabeça, finalmente tirando os olhos do ômega bonito que tinha acabado de encontrar na floresta. O pequeno tinha desmaiado de exaustão, então o alfa o pegou no colo, permitindo apenas que Blaise – por ser um alfa marcado – tocasse nos dois filhotes, então levou todos para sua alcateia, diretamente para sua casa. Ele olhou atentamente para seu amigo, que mantinha os olhos castanho-escuros sérios em si, esperando uma resposta.

Draco grunhiu, voltando a mirar o lindo ômega, que dividia seu ninho com os filhotes, parecendo tão à vontade com seu perfume, deixando seus instintos orgulhosos. Ele era tão adorável: tinha os lábios carnudos e o rosto claro era adornado por olhos verdes como a grama fresca – que Malfoy vira mesmo no escuro, por ser um alfa primal –, os quadris eram largos e os peitos pequenos, mesmo que fosse óbvio que já tivesse passado por duas gestações. Tão bonito e tão assustado.

Assim que sentiu o perfume de limão e mel na floresta, perto do território de sua alcateia, ele correu, sendo seguido pelos demais que faziam parte da segurança. Draco sabia que não era nada nocivo, porque ninguém com aquele cheiro poderia ser mau. Ele ficou ainda mais extasiado quando o viu, praticamente perdendo o fôlego e grunhindo para que ninguém se aproximasse. A forma como o ômega encolheu e fechou os olhos quando ergueu sua mão foi de partir o coração; Draco sentiu que queria protegê-lo, o ômega e os dois filhotes.

"Tenho." Ele finalmente respondeu ao melhor amigo. "Não precisa se preocupar, eu cuido deles."

"E se forem perigosos?" Blaise insistiu.

"Não viu a marca no pulso dele? Veio da alcateia do Riddle, deve ter fugido de lá. Ele estava fedendo a medo."

"E se Riddle ou seus homens vierem atrás dele? Ele não gosta de perder as posses." Draco, é claro, não perdeu o tom raivoso que seu amigo usou para falar aquilo. Eles detestavam a forma desprezível como aquela alcateia agia.

"Se Riddle vier, eu o estraçalho." Malfoy disse com convicção. "Ninguém toca nesse ômega ou nos filhotes. Eles são meus, agora."

"Como quiser."

Draco acordou um pouco dolorido. Como tinha colocado o ômega e seus filhotes em seu ninho, o alfa acabou dormindo no chão, ao lado deles, alerta para qualquer coisa. Ele acordou várias vezes, durante a noite, sempre que o menor choramingava, então os perfumava e só voltava a descansar quando notava que o outro estava tranquilo outra vez.

Quando despertou, o alfa estava decidido a convencer o lindo ômega a ficar, ele provaria que seria um bom parceiro e um bom pai, que forneceria e amaria incondicionalmente. Protetor e leal, como um bom alfa deveria ser, como seu pai lhe ensinara. Ainda era muito cedo – Draco normalmente acordava uma hora depois do sol nascer –, então daria tempo para Draco fazer algo que fosse impressionar o outro.

Assim, o alfa deixou sua casa, certificando-se de que todos estavam seguros ali. Draco foi até o limite com a floresta e tirou suas roupas, sentindo aos poucos os ossos quebrando e mudando de lugar, deixando sua forma de lobo assumir. Apenas alfas primais, como ele, podiam fazer aquilo; alfas puros apenas conseguiam uma meia-transformação e alfas comuns nem isso. Em sua forma animal, Draco se apressou a adentrar a floresta, usando seus sentidos para procurar uma presa.

Não demorou muito para alcançar seu objetivo. Havia um cervo um mais separado do bando, que deixou o alfa animado, ele sorriria se pudesse. O vento estava a seu favor, como se os deuses o ajudassem a pegar sua presa. Foi um bota rápido: Draco ficou agachado, entre as árvores, até ter a oportunidade perfeita, então atacou e abocanhou o pescoço do cervo, matando-o rapidamente. Mesmo com a boca suja de sangue, o lobo fez como lhe fora ensinado e fechou os olhos, agradecendo por ter conseguido comida.

Em sua alcateia, eles só matavam em duas ocasiões: se fosse para salvar a própria vida – ou a de alguém indefeso – ou para se alimentar. Sendo assim, o alfa levou sua caça com orgulho, imaginando como o ômega se reogozijaria ao ver que ele era um alfa forte, que poderia lhe oferecer a melhor caça.

É claro, eles tinham na alcateia os caçadores, mas era uma questão de orgulho no cortejo, que um alfa o fizesse para mostrar ao ômega que tinha interesse, que ele poderia prover. Era loucura, ele sabia, querer cortejar um ômega que ainda nem sabia o nome, um ômega que já tinha filhos, mas Draco apenas sabia que deveria fazer aquilo, porque quando sentiu o perfume de limão e mel, ninguém jamais poderia ocupar aquele lugar. Seu alfa apenas sabia que aquele era o ômega deles.

Malfoy voltou para casa, deixando o corpo do cervo na varanda, antes de entrar e mudar de forma outra vez, sua pele humana voltando. Ele foi até o banheiro anexado ao quarto, lavando-se rapidamente, antes de se vestir e voltar ao cervo. Com cuidado, o alfa tirou sua pele e separou a carne, certificando-se de pegar as partes mais macias, para os filhotes comerem.

Os alfas de sua aldeia eram ensinados, por tradição, a cozinhar. Eles aprendiam para usarem como ferramenta de cortejo – cozinhar para seu pretendente era muito lisonjeiro – e Draco estava feliz de finalmente usar aquela habilidade, já que nenhum ômega antes permitiu que ele o fizesse, mesmo sua antiga noiva. Ele estava orgulhoso de si mesmo, quando terminou o ensopado, sabendo que o cheiro da comida estava bom.

Draco mal podia esperar pela reação do outro.

🌀

Quando Harry acordou, o cheiro de gengibre e hortelã estava por toda parte. Ele estava deitado em um local macio e reconfortante e os perfumes de canela de Albus e de abacaxi de Lilian indicavam que seus filhotes estavam consigo. Harry quase voltou a dormir. Quase. Então ele se lembrou do que aconteceu na noite anterior, erguendo-se rapidamente, saindo do lugar onde estava deitado.

Seus filhotes não acordaram, ele agradeceu. Potter olhou ao redor, percebendo que estava em um quarto e que o lugar em que dormia era um ninho enorme, cujo dono ele não fazia ideia de quem era. A ideia de Tom tê-los encontrado passou rapidamente por sua mente, logo indo embora, quando não sentiu seu cheiro ali. Para si, Tom cheirava como carne podre, era terrível.

Ele olhou ao redor, não encontrando ninguém por perto, então o cheiro maravilhoso de ensopado de carne chegou às suas narinas. Harry seguiu o cheiro, temeroso, embora todos seus instintos gritassem que aquele era um local seguro. O ômega chegou à cozinha, encontrando o alfa da noite anterior de costas para si. Ele não usava camisa, então Harry via perfeitamente suas costas largas, cheia de músculos definidos, assim como cicatrizes de diferentes tamanhos.

O alfa se virou, notando-o ali. Pelos deuses, ele era ainda mais bonito na luz total. Seus olhos eram azuis claros, quase cinzas e seu cabelo era realmente em um tom claro de loiro; seu rosto anguloso era gentil, a mandíbula quadrada e as mãos eram grandes, bem grandes. Harry se pegou ofegando. Ele também era alto, parecia ainda maior que na noite anterior.

Sua boca se abriu em um sorriso enorme, que o pegou de surpresa. Harry nunca esperaria um alfa como aquele sorrir daquela forma, não depois de tudo o que passou nos últimos nove anos. Foi ainda mais inesperado quando o alfa se ajoelhou à sua frente, segurando suas mãos com tamanha delicadeza, que o ômega achou que ainda estivesse sonhando, então beijou seus dorsos várias vezes. Então, o loiro as soltou, curvando-se ainda mais, sua testa praticamente encostando no chão, o que o assustou.

"Está acordado." O outro disse, sua voz saindo muito feliz.

"Ah, sim." O ômega deu um passo para trás. "Quem é você? Onde estou?"

"Oh, é verdade." O alfa ergueu a cabeça, olhando para si com íris brilhantes como estrelas. "Eu peço perdão por minha falta de modos, ômega. Eu estava tão empolgado. Eu sou Draco, Draco Malfoy. E você?"

"Harry Potter. Onde eu estou?"

"Minha casa, eu o trouxe depois de encontrar você e seus filhotes na floresta. Você dormiu bem?" Ele perguntou com expectativa.

"Sim, muito obrigado. Seu ninho é muito quentinho."

"Fico feliz, ômega."

O ômega de Harry se envaideceu com a forma como o outro o chamou. Tom também o chamava de ômega, mas ele o fazia como uma forma de diminuí-lo, uma forma de dizer que ele era inferior. Draco não fez isso, ele disse a palavra como uma adoração, como se Harry fosse uma divindade; lembrou muito a forma como seu pai tratava sua mãe. Draco voltou a segurar suas mãos e Harry desviou os olhos rapidamente para o fogão a lenha, vendo a panela fumegante ali; seu estômago roncou e ele sentiu suas bochechas queimando.

"Você está com fome, ômega?" Draco perguntou, repentinamente se levantando, então pegou Harry no colo. "Eu cacei e fiz um ensopado, vou pegar para você." O alfa disse cheio de orgulho. Ele levou Harry até uma mesa em outra sala, sentando-o em uma almofada enorme, antes de deixá-lo ali. "Espere um pouco."

O alfa logo estava de volta, trazendo a comida em um prato fundo de argila, um outro prato com fatias de pão vindo junto, para acompanhar. Draco se sentou ao seu lado, observando-o enquanto comia; ele estava um pouco constrangido, mas o ensopado estava gostoso, então não tinha problema. Os dois ficaram em silêncio, era estranhamente confortável, até que seus instintos de mãe entraram em alerta, denunciando que seus filhotes tinham acordado.

"Seus filhos estão chorando." Draco disse, levantando-se de seu lugar. Harry entrou em desespero no mesmo momento, porque o rosto do maior ficou sério.

"E-espere, eu posso ir ver o que está acontecendo." Ele choramingou, seguindo rapidamente atrás do outro.

"Não se preocupe, ômega. Coma."

Potter não o ouviu, ele apenas continuou andando. Draco chegou primeiro ao quarto, indo direto para as crianças. Harry entrou em pânico, quase chorando, quando o alfa simplesmente se ajoelhou e passou as mãos delicadamente sobre os rostinhos deles. Os filhotes pararam de chorar no mesmo instante, abrindo os olhos para olhar para Draco com curiosidade. O alfa se sentou no ninho, trazendo as crianças para entre suas pernas.

Harry ficou perplexo em como Lilian simplesmente apoiou a cabeça no peitoral do outro e em como Albus ronronou baixo. Aquilo nunca tinha acontecido antes, eles sempre ficavam muito arredios perto de alfas, mas estavam aceitando o toque de Draco facilmente. Harry suspirou, ele nunca tinha visto um alfa tratar filhotes daquele jeito, tão amoroso e gentil.

"Pronto, está tudo bem." Draco disse, balançando os filhotes. "Tudo bem."

"Quero a mama." Lilian fungou e Harry se aproximou, ajoelhando-se à frente de Draco.

"Mama está aqui, florzinha. Eu estou aqui." Lilian olhou para ele e Harry abriu os braços, recebendo sua filhote ali. A pequena alfa colocou o nariz na curva de seus pescoço, inspirando seu perfume. "Está melhor, filhote?"

"Sim, mama."

"Você deveria terminar de comer, ômega." Draco falou suavemente. "Você precisa estar bem alimentado."

"Obrigado."

Harry respondeu, as bochechas ardendo pela forma como Draco olhava para si. Fazia muito tempo desde que um alfa o olhou daquela forma. Draco se levantou, fazendo Albus se assustar momentaneamente, antes de parecer completamente impressionado por simplesmente ser colocado sobre um dos ombros largos do alfa. Harry apenas foi atrás dele, segurando a mãozinha de Lilian, que estava ao seu lado.

Draco esperou que Harry estivesse sentado no mesmo lugar de antes, então colocou Albus ao seu lado, assim como a pequena alfa estava, então sumiu pelo corredor. Não demorou muito para que o loiro estivesse de volta, trazendo mais ensopado e mais fatias de pão. Os olhinhos das crianças brilharam, quando os pratos foram colocados à sua frente, atacando a comida com voracidade. O ômega olhou para o maior, em dúvida.

"Você não vai comer, Draco?"

"Primeiro eu alimento o ômega e os filhotes, depois eu como." O alfa respondeu. "Eu sou um bom alfa."

"E-eu... sim, parece que sim." Potter gaguejou. "Mas você deveria comer, é a sua casa, no fim das contas."

"Não, vocês primeiro. Preciso ser um bom alfa para você."

Para ele? Como assim? Harry achou que aquele alfa era maluco, porque nada daquilo fazia sentido. Mesmo assim, ele deu de ombros e comeu, até mesmo repetindo o prato – e Draco só aceitou comer quando isso aconteceu –, porque estava mesmo muito gostoso. Normalmente, era ele quem cozinhava, recebendo muitos hematomas, se não o fizesse. Tom era um homem terrível.

Ao final, o ômega estava muito satisfeito. Harry manteve os olhos verdes fechados, apreciando o quentinho que a comida lhe forneceu e o sabor maravilhoso, que ainda estava em sua língua. Seus filhotes também pareciam bem contentes, então tudo bem, ele achava. O perfume de Draco estava por todo o ambiente, deixando-o com uma interminável sensação de estar seguro, seu ômega interior calmo como nunca.

Uma batida soou, talvez fosse a porta da frente. Harry sentiu seu corpo tremer, pensando que aquele alfa era um mentiroso e que tinha contado a Tom onde ele estava, porque a marca em seu pulso era bem óbvia, e agora aquele alfa terrível tinha vindo para levar ele e os filhotes de volta; Potter nem queria pensar na surra que levaria. O loiro se levantou de seu lugar, indo até onde as batidas soaram, Harry não escutou muita coisa, muito ocupado tentando não entrar em pânico.

Ele precisava manter os filhotes a salvo.

🌀

Quando Draco foi até a porta de sua casa, os perfumes de laranjas frescas, menta e melancia já denunciavam perfeitamente quem estaria ali. O alfa primal bufou, ele queria ter um tempo com seu futuro ômega e seus futuros filhotes, antes que seus amigos viessem se intrometer. E abriu a porta, praticamente sendo atropelado pelo ômega ruivo que passou por ela como um furação, sendo seguido de duas betas, uma de cabelo castanho e uma loira.

Rony, o ômega, tinha olhos inquisidores sobre si, uma bolsa de pano em mãos. As duas betas, Hermione e Luna, também traziam coisas nas mãos. Draco olhou para fora, onde Blaise estava, um pouco afastado de sua varanda; o alfa de pele escura ergueu as mãos, como se dissesse que não tinha nada a ver com aquilo. O alfa bufou mais uma vez, fechando a porta, então olhou para os amigos.

"Onde ele está?" Rony perguntou.

"Bom dia, para você também." Malfoy devolveu. "Ele está na sala de jantar, com os filhotes."

"Ótimo, então vamos lá."

Sem dizer mais nada, o ômega saiu em disparada, sendo seguido pelas outras duas, restando a Draco apenas segui-los. Mas Harry não estava na sala de jantar, nem seus filhos. O alfa entrou em desespero, correndo diretamente para seu quarto, encontrando o menor lá, vasculhando suas coisas, à procura da bolsa que trazia consigo na noite anterior. Quando o viu, Harry jogou nele um travesseiro, que Draco rapidamente agarrou, não era como se aquilo fosse machucá-lo.

Harry se encolheu em um canto, agarrando-se aos filhotes, como para protegê-los. Aquilo partiu o coração de Draco, porque ele sabia que ainda não tinha a confiança do outro e provavelmente Harry achava que era alguém de sua antiga alcateia vindo buscá-los. O alfa tentou se aproximar, ouvindo um rosnado baixo vir de Harry, e aquilo era tão adorável, uma mamãe protegendo suas crias.

"Ômega, tenha calma." Ele disse, com sua voz de alfa. "Está tudo bem."

"Alfa mentiroso." O outro rosnou de volta. "Chamou eles aqui."

"Não, ômega. Está tudo bem." Ele se abaixou, colocando as mãos sobre o rosto pálido e bonito. "São os meus amigos, sim? Eles trouxeram roupas para vocês."

"Roupas?"

"Isso, ômega. Não são eles, eu prometo. Sou um bom alfa, lembra?"

Harry concordou, soltando os braços que estavam ao redor das crianças. Ele se levantou, deixando os filhotes atrás de si, que imediatamente se agarraram à saia de seu vestido amarrotado. Draco foi na frente, mostrando que eles só viriam se quisessem, ouvindo os passinhos de Harry, que tentava acompanhá-lo. Rony ficou animado no mesmo instante, jogando a bolsa para Draco e segurou as mãos do outro ômega, dando pulinhos de alegria.

"Ah, você é tão bonito!" Rony disse. "Eu estava morrendo de curiosidade de te ver. Eu sou o Rony, nós vamos ser ótimos amigos." O ruivo direcionou os olhos para os dois filhotes. "Ah, eu tenho filhotes da idade deles, podem ser amigos, também."

"Ron, tenha calma, está assustando ele." Hermione disse, revirando os olhos. Ela se aproximou, um sorriso brando nos lábios. "Olá, eu sou Hermione e essa é minha beta, Luna."

"É um prazer." Harry assentiu. "Sou Harry."

"É um belo nome." Luna falou. "Trouxemos roupas e agasalhos para vocês."

"Oh, muito obrigado."

Em sua alcateia, eles trabalhavam com delegação de funções. Os alfas dividiam a caça e a segurança com os betas; alfas, betas e ômegas cozinhavam; apenas betas eram curandeiros – porque eles conseguiam se manter no controle durante ruts e heats –, por tradição; e ômegas faziam as vestimentas deles e serviam como juízes, junto do líder e seu braço direito. Eles acreditavam que os ômegas eram justos de nascença.

Os três visitantes mostraram tudo o que trouxeram e foi com alegria que Draco viu os olhos verdes de Harry ficarem mais brilhantes, ao mirar as roupas delicadamente bordadas, assim como os agasalhos. Aquela parte da floresta era mais fria à noite, principalmente agora, que era fim de inverno. Draco se perguntava como aqueles três não morreram de frio, antes que pudessem encontrá-los.

Harry se deu bem imediatamente com seus amigos, o que o deixou mais aliviado. Os três não demoraram muito por ali, logo indo embora, mas Draco sabia que era apenas questão de tempo até que seus pais, os líderes da alcateia, e seus padrinhos viessem, querendo fazer uma inspeção completa. Isso o fez suspirar.

"São lindos." Harry comentou, enquanto as crianças corriam ao redor dos vestidos e das roupas que tinham ganhado. O ômega tinha um cobertor colorido nas mãos, esfregando o rosto nele, para testar a maciez. "E quentinhos."

"São. Os ômegas da nossa alcateia são muito habilidosos." O alfa disse com orgulho. "Vão ficar ótimos no nosso ninho."

"N-nosso?!" O outro quase gritou, seu rosto assumindo um tom escarlate. "Como assim?"

"Sim, nosso. As crianças precisam ter os ninhos delas. Tenho mais quartos, não tem problema. Posso fazer ninhos novos."

"Mas..." Harry fez uma pausa, desviando o olhar. "Hm, você pretende que eu fique aqui, com você?"

"Claro. Eu vou ser o seu alfa, agora." Ele disse com convicção. O ômega soluçou adoravelmente, arregalando os olhos.

"O quê?"

"Eu vou ser um bom alfa, não se preocupe." Draco falou com certeza. "Não precisa se preocupar, ômega, eu posso caçar e posso lutar. Vou manter vocês seguros."

"Eu agradeço, mas tenho filhotes e..."

"Eu sei." Draco o interrompeu. "Vou ser pai deles, está tudo certo."

"Você é muito gentil, alfa, e muito prestativo, mas não posso aceitar." O ômega balançou a cabeça. "Sei que você deve ser um alfa muito bom, Draco, mas deveria procurar um ômega que não tivesse tanta bagagem. Ou tantas marcas na pele."

Harry olhou de forma triste para o pulso direito e Draco seguiu seu olhar para a mesma direção. A marca no pulso do ômega era uma cicatriz de ferro quente, um círculo com as letras T e R, que deixava bem óbvio de onde Harry tinha fugido. O menor suspirou, como se aquilo fosse um sinal de que não era mais um ômega adequado, mas aquilo não importava para Draco, porque Harry era tão bonito e ele sentia que o outro era o ômega certo.

Isso era tudo o que importava.

O alfa segurou o pulso de Harry, passando o polegar sobre a pele saltada pela cicatriz. O mais baixo estremeceu um pouco, seus olhos verdes ganhando um brilho de expectativa, a boca ficando entreaberta. O perfume de limão e mel chegava às suas narinas e deixava-o entorpecido, Draco poderia facilmente se embrenhar naquele cheiro para sempre.

"Ômega, eu não lingo para isso, não se preocupe. Olhe para mim, o que eu seria além de um hipócrita, se falasse das suas cicatrizes, tendo tantas mais?"

"Você talvez mude de ideia depois." Harry suspirou. "Eu sou... era posse do próprio Tom Riddle."

"Não importa, ômega. Eu sou um alfa primal, vou proteger vocês."

"Draco..."

"Mama, a gente pode ficar?" O filhote ômega perguntou. Ele se agarrou à saia lilás do vestido de Harry, mas seus olhos estavam em Draco. "Por favor, mama."

"Cristal, nós..."

"Mama, mama!" A pequena alfa veio também. "Eu também quero ficar. Por favor."

"Aqui cheira bem, mama." O filhote falou de novo. "Eu gosto, não fede como o papai."

Draco não gostou daquilo, não gostou de ouvir a criança que seria seu filhote chamando outro alfa de pai, principalmente se o alfa fosse Tom Riddle. Aquilo era estranho para si, porque ele já ouvia falar da alcateia desprezível, da qual Tom era o líder, há anos, mas não imaginava que ele tivesse filhos ou que estivesse com algum ômega; talvez, esse fosse exatamente o objetivo.

Ele se abaixou, querendo estar mais próximo aos filhotes. O que era ômega se encolheu um pouco, ficando ainda mais atrás de sua mama. Harry colocou a mão em sua cabeça, esperando que ele fizesse alguma coisa.

"Não se preocupe, ômega." Draco disse ao filhote, sorrindo para ele. "Vocês e sua mama vão ficar aqui. Eu vou cuidar de vocês e vou ser seu novo pai."

"Vai bater na mama?" A alfinha perguntou. "Não gosto quando o papai bate na mama."

"Eu não vou." Draco disse de forma séria, ele não tinha gostado nem um pouco de saber daquilo. "Alfas bons não batem em ômegas."

Os filhotes pareceram satisfeitos ao escutar suas palavras, muito decididos em ficar, enquanto pediam a Harry para que ficasse. Draco apenas sorria, deslumbrando-se com eles, então as íris esmeraldas do ômega estavam sobre si e ele assentiu, um pequeno sorriso nos lábios e as bochechas rosadas.

Draco estava extasiado.

E foi isso.
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Amo vocês!

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