Capítulo 41

Duas semanas e meia se passaram desde o dia em que chegamos à Cartagena. De acordo com nosso cronograma, já era para estarmos na Líbia, entretanto, alguns protestos que aconteceram por lá, nos obrigaram a atrasarmos nossa viagem em uma semana.

O primeiro grupo já tinha ido na semana passada, e pela misericórdia e graça de Deus, chegaram bem e já estão acomodados. Hoje será a nossa vez. Minha mala já está completamente pronta esperando apenas a chegada da condução que nos levará ao aeroporto.

Após a conversa que tive com Aisha, meus medos foram cauterizados. Sempre que eles tentavam voltar com força, eu clamava, juntamente com meus queridos irmãos e amigos, que se disponibilizaram em me ajudar nesta causa.

Louvo a Deus por tê-los, e por poder andarmos juntos, lado a lado! Como a bíblia diz:

"É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se!"

Quanto a travessia perigosa, acompanhada pelo irmão da Aisha, estava em paz, creio que o próprio Deus estará conosco.

Desço as escadas e sigo em direção ao salão principal, onde acontecia neste exato momento, um estudo da palavra de Deus dado pelo pastor da igreja local, o pai do Henrique.

Ao avistar o meu alvo, sorrio bobamente. Meu coração se enche de gratidão e emoção em poder contemplar um pouquinho do que Deus está fazendo.

Assim que seus olhos encontram os meus, aceno sem chamar muita atenção. Ela pede licença e caminha até minha direção.

— Você não tem ideia de como estou contente em vê-la assim, Nádia! — Seguro suas mãos.

— Eu que estou feliz em estar tendo uma nova oportunidade, Águi! O seu Deus é bom! Realmente bom! — Respira fundo contendo a emoção.

— Nosso! Agora ele também é o seu Deus! — Alargo ainda mais o sorriso.

Alguns dias após se abrir comigo, Nádia me pediu para compartilhar com ela um pouco sobre "esse tal de Jesus", como ela dizia. Aceitei o convite com prazer. Em pouco tempo ela não resistiu, e se rendeu ao Seu amor incondicional.

Passávamos horas e horas juntas, estudando as escrituras. Como nova convertida, ela tinha fome e sede por mais de Deus.

Agora, que estou de partida, ela tem o auxílio dos pastores, presbíteros e missionários locais que irão ajudá-la no que precisar.

— É hoje, né? — Questiona.

— Sim! — Digo.

— Confesso que ainda não consigo entender toda essa loucura, quer dizer, toda essa vontade de ir para a Líbia. Mas o meu desejo é que Deus te acompanhe e te proteja! — Sou surpreendida por um abraço — Espero revê-la em breve!

— Eu também, Nádia! Eu também!

— Boa viagem! Obrigada por tudo! — Nos despedimos e eu começo a caminhar — Ah! — Olho para trás, e a vejo correndo em minha direção — Se encontrar o Zyan, diga que eu ainda estou o esperando! — Pega uma caneta do bolso, em seguida vira a palma da minha mão e começa a escrever — Zyan! Não esqueça.

— Não esquecerei! — Fecho a palma da mão com força — Fique bem, querida!

— Você também! — Abre um pequeno sorriso e volta para o salão.

Alguns segundos depois meu celular toca. Retiro do bolso e sorrio ao ver o contato no visor.

— Oi, papai! — Cumprimento.

— Minha filha! Como vão as coisas por aí? E os preparativos para a viagem? — Ao fundo escuto mamãe perguntar se eu estava me alimentando bem. Seu cuidado e preocupação só me fizeram sentir ainda mais falta da minha família.

— Está tudo bem, pai. Iremos partir daqui a pouquinho. E sim, mamãe, estou me alimentando muito bem!

— Que boa notícia, querida! Fico mais aliviada. — Pelo barulho do outro lado da linha, ela parece pegar o celular da mão de papai — Seu irmão mandou um beijo e desejou uma boa viagem!

— Eu falei com eles ontem, mãe. Ângela está cada dia mais linda! — Suspiro ao lembrar da minha afilhada.

— Está sim, querida! — Silêncio — Sabe quem me ligou ontem?

— Não faço ideia. — Respondo com sinceridade.

— Carmem...

O sorriso que antes estava em meu rosto, se desfaz, e uma leve pontada de tristeza tenta invadir meu coração.

— Como ela está?

— Está bem melhor, mas ainda é muito recente. Não fez nem um ano em que a pequena Hel...

— Mãe... — Suplico e ela entende.

— Perdão, minha filha.

— Tudo bem! — Pigarreio afim de me recompor — Ligarei para ela assim que possível. Amo vocês!

— Também te amamos, Águi! — Papai responde.

— Faremos uma vigília hoje lá na igreja. Estaremos intercedendo por vocês! Que Deus guie sempre o caminho de cada um e os encha de sabedoria! Até breve, minha filha! — Ouço mamãe fungar — Assim que puder, nos mande notícias, por favor!

— Pode deixar! Beijo! — Desligo o celular e solto um pesado suspiro.

Continuo meu caminho. Assim que viro o corredor, percebo Vicente andando apressado, distraidamente. Repreendo-me quando começo a reparar em sua beleza. Ele está ainda mais lindo hoje.

— Procurando alguém? — Chamo sua atenção. O sorriso que ele abre ao me ver, faz meu coração errar as batidas.

— Ah! Aí está você, Águi! Está na hora. — Diminui o passo e enfia as mãos no bolso da sua calça de sarja preta.

— Só preciso pegar minha mala. Um minuto! — Dou as costas, mas ele me impede de prosseguir.

— Não precisa, Aisha já trouxe aqui para baixo. — Volto a encará-lo, demorando-me um pouco mais em seus lindos olhos — O quê foi? — Vejo um pequeno sorriso lateral se formando em seus lábios.

Droga!

— Nada! — Passo depressa por ele — Vamos logo antes que a gente perca o voo!

— É pra já, chefa! — Reviro os olhos, mas abro um pequeno sorriso.

Como éramos apenas nós três, não foi necessária uma condução de grande porte. Então um bondoso irmão nos ofereceu uma carona. Colocamos as bagagens no porta-malas e voltamos a nos despedir dos que ficaram.

— Nos vemos na semana que vem! — Abraço minha amiga.

— Ai, Águi, estou sentindo que estamos cada vez mais afastadas. — Lara reclama.

— Amiga...

— Eu sei! Estamos em missão! — Abre um sorrisão — E estou muito feliz de poder fazer isso ao seu lado! Te amo! — Dessa vez quem a envolve em um abraço sou eu.

— Eu também amo você, morena! — Suspiro ao me soltar.

— Esses encontros e despedidas estão me deixando doida. — Rimos de seu comentário dramático.

— Ore por nós, ok? — Peço, já prevendo sua reação. Ela revira os olhos.

Bingo!

— Você nem deveria estar me pedindo isso! Já o faço desde o dia em que me ofereci como voluntária no CEM. — Pisco — Oro por vocês todos os dias!

— Eu posso dizer o mesmo!

— Parece que a conversa está boa, mas preciso interrompe-las. — Aisha se aproxima e estende a mão me entregando um pedaço de papel — Aqui está o contato do meu irmão. Ele estará esperando por você... Já sabe o que fazer, certo?

— Sim! Obrigada mais uma vez!

O percurso durará cerca de cinco horas. Théo sentou no carona, e como em todas as viagens, dormiu. Vicente e eu estávamos no banco de trás.

Olho de soslaio para o homem ao meu lado e o pego admirando a paisagem espanhola, que é realmente linda.

— Tem falado com o Caio? — Ele desvia o olhar para mim.

— Sim. Inclusive conversei com ele antes de sairmos.

— Espero que ele esteja mais tranquilo. — Comento com sinceridade.

— Parece que está sim. Fui sincero com ele antes de irmos para Cartagena. Precisamos ser intercessores um do outro. Para isso, ele precisa estar bem e vice-versa.

— Tem razão! — Desvio meu olhar para a janela. Um sorriso brota em meus lábios ao me lembrar de todas as promessas, e que hoje, a que mais desejávamos está se concretizando — Sabe, Vicente, — Volto a encara-lo — fico realmente feliz em estar vivendo a realização de um grande sonho. — Ele assente e me acompanha no sorriso — Mas eu fico ainda mais feliz por estar fazendo isso ao seu lado. Apesar de tudo, como minha mãe disse, essa promessa se cumpriu porque há um propósito muito maior.

Ele pondera as palavras antes de falar.

— Eu também me sinto assim, Águi! Deus jamais se esquece dos nossos sonhos e desejos quando os colocamos em oração, diante dELe.

— Sim. — Concordo — Mudando de assunto, que tal voltarmos um pouco a nossa infância?

Ele franze o cenho.

— Em que momento da nossa infância? — Virei-me, ficando de frente para ele. Não totalmente, pois cinto de segurança não permitia.

— Lembra de quando brincávamos de uma palavra, uma música? — Pergunto com animação.

— Claro! — Ele também se ajeita no banco.

— Essa é boa! — Théo comenta com a voz sonolenta, nos fazendo rir.

— Vai querer participar, doutor? — Ele solta um longo bocejo, mas se anima.

— Só se for para colocar o Ferraço no chinelo! — Zomba do amigo.

— Apenas nos seus sonhos, Alencar! — Ri do grandão, que também se ajeita no banco da frente.

— Ok, eu começo! — Digo — A palavra é... — Olho de um para o outro, fazendo um pouco de suspense — Homem!

— Homem? — Théo coça a cabeça, pensativo.

— Nova criatura sou o velho homem já morreu! — Vicente canta.

— Eu vou dançar naquela terra que ele prometeu! Eu vou, eu vou! — Canto junto com ele.

— Eu vou dançar na chuvaaaa! — Théo completa imitando a voz do Fernandinho. E seguimos a primeira parte da nossa viagem assim, em meio a risadas, louvores e corações completamente dispostos a fazer a vontade do Senhor. Até o Senhor Javé, o irmão que nos deu a carona, entrou na brincadeira. Enquanto louvávamos e adorávamos, o Senhor preparava o caminho em nosso favor!

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Oiii, genteee!! Preparados para os próximos capítulos? A tão esperada viagem chegou. Que Deus guie os passos desses missionários que nos aprendendo a amar ♥️🙏🏼

Att.
NAP 😘

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