Capítulo 35

— Não imaginava que o inverno daqui seria tão gelado! — Caio resmunga enquanto ajeita o cachecol no pescoço.

— Hello! Estamos na Europa, amorzinho! — Lara revira os olhos, mas logo deposita um beijo na bochecha do namorado.

— Finalmente chegamos! Nem acredito. — Ofereço um sorriso para Lídia, que se aproxima de mim segurando sua mala gigante — Acabei de falar com o missionário Gabriel, a primeira condução já chegou para nos levar. Só estamos esperando a segunda.

— Obrigada por avisar.

— Por nada! — Ela pisca e segue em direção ao grupo de odontologia.

Concentro-me na conversa do casal ao meu lado e reviro os olhos.

— Ainda estão falando sobre o clima? — Coloco as luvas pretas e um outro casaco por cima do que eu já vestia.

— Olha, maninha, acredito que você, como uma boa carioca, sentirá bastante frio.

Cruzo os braços e ergo as sobrancelhas.

— Apenas eu? Já se esqueceu que você também é carioca, Caio? — Desafio e ele ri.

— Já se esqueceu que eu morei no Canadá, Águi? — Depois dessa eu precisei me calar e apenas dar de ombros.

— As vans chegaram, vamos? — Vicente nos chama.

O seguimos, juntamente com o restante do pessoal. As apresentações foram feitas rapidamente e logo já estávamos a caminho de Cáceres, um dos município da Estremadura. Após aproximadamente três horas e meia, chegamos ao grande casarão.

— Espero que tenham feito uma boa viagem! — Uma jovem senhora nos cumprimenta, com seu belo sotaque espanhol, ao saírmos da van.

— Cansativa, mas foi boa! — O pastor Júlio César se Pronuncia — Como vai, missionária Nina?

— Muito bem, pastor Júlio! — A maioria de nós permanecemos em silêncio, apenas observando a breve conversa. Ela olha para o nosso enorme grupo e abre um sorriso — Fico imensamente feliz de ver tantas pessoas vindo ao nosso auxílio!

— A felicidade é nossa, missionária! — Gabriel dá um passo a frente — Sou o missionário Gabriel e estou à frente do grupo de missionários que irão para a Líbia. Obrigada por nos acolher aqui por um breve período.

— Não precisa agradecer! É mais do que nossa obrigação — Alarga o sorriso e mais uma vez nos encara — Sejam muito bem-vindos, missionários! — Olha para trás de si, e só agora percebo dois homens jovens parados na entrada da Casa — Diogo e Murilo irão acompanhar os dois grupos.

— Missionários que ficarão aqui na Espanha, por gentileza me acompanhem — O que aparentava ser mais novo falou — Me chamo Diogo.

Aos poucos o grande grupo foi diminuindo, ficando apenas os rostos mais conhecidos por mim.

— Sou o Murilo — O outro homem se aproxima — Creio que todos que permaneceram aqui irão para a África.

Assentimos e logo o seguimos.

— Com licença, você é missionário também? — Lara questiona.

— Sim. — O jovem abre um sorriso e nos dá passagem para entrarmos em um hall, que mais parecia um pequeno salão — As mulheres ficarão nestes quartos e os homens naqueles — Aponta para os lados direito e esquerdo respectivamente — Os nomes de cada um estão em suas respectivas portas. Mais uma vez, sejam bem-vindos à Espanha!  

Agradecemos, e ele apressadamente se retirou, nos deixando no hall.

— Vocês não o acharam muito... — Lídia pensa por um momento.

— Frio...? Formal...? — Tenta Lara.

— Talvez... — A loira dá de ombros — Eu diria que ele pareia estar com pressa.

— Os espanhóis são assim, meninas! — Digo — Costumam ser diretos e bem expressivos. Sem contar que acabamos de chegar e eles nem nos conhecem direito — Sorrio — Entretanto, acredito que é uma questão de tempo para que ele e os demais, se acostumem. Agora vamos caçar o nosso quarto.

Olhamos as plaquinhas no primeiro quarto, mas só encontrei o meu nome no segundo e último, assim como Lídia. Lara e Sam ficaram no primeiro quarto. O cômodo era grande e cabiam três beliches, permitindo que cada quarto comportasse seis pessoas. No entanto, na plaquinha fixada na porta só tinham quatro nomes, sendo dois deles desconhecidos por mim.

— Olá! — Uma jovem baixinha, que aparentava ter menos de dezoito anos, nos cumprimenta. Seu rosto branco adere um tom de vermelho, sinalizando o constrangimento da mesma. Isso me faz lembrar do dia em que Lídia e eu nos conhecemos.

— Oi! Sou a Agatha e esta é a minha amiga Lídia. — Nos apresento.

— Somos brasileiras! — Lídia responde rapidamente.

Encaro-a com a testa franzida, e ela abre um sorriso amarelo.

— O quê? Estou nervosa. — Resmunga apenas para que eu ouvisse.

— Eu sei. — Nossa nova companheira de quarto responde o comentário da minha amiga — Me chamo Antonella. — Estende a mão, completamente envergonhada.

— É um prazer conhece-la! — Respondo. Percebo que seu sotaque era diferente dos demais espanhóis que conhecemos até o momento — Desculpe minha intromissão, mas você não é da Espanha, é?

Ela balança a cabeça e abre um pequeno sorriso. Pequeno mesmo.

— Não! Sou italiana.

— Que incrível! — Lídia brada — Eu sou doida para conhecer a Itália.

— E eu o Brasil. — Coloca um fio de cabelo atrás da orelha e volta para sua cama.

— Bom, você pode ir quando quiser! Já tem um lugar para ficar. — Lídia sendo Lídia, penso.

— Boa tarde! — Viramos em direção a porta, onde uma linda mulher de olhos incrivelmente negros; cabelo liso na cor chocolate, que ia até a cintura; e pele não tão branca, segurava uma maçã em uma das mãos — manzana.

— Não, obrigada! — Agradecemos.

— Aisha, estas são Lídia e Agatha. — Antonella toma a palavra.

— Ah, as brasileiras! — Morde um pedaço da maçã e se aproxima — Sou Aisha.

— Você com certeza não é daqui! — Lídia afirma, fazendo as mulheres rirem de seu comentário.

— Não! Sou líbia.

— Líbia? — Minha amiga e eu perguntamos chocadas.

A moça franze levemente a testa e assente.

— Por que o que espanto? — Questiona.

— Você veio da Líbia, e pelo visto voltará para lá... — Explico meu motivo do espanto, crendo que era o mesmo da minha amiga.

— Sim! — Começa com cautela — Assim como vocês, sou missionária. Deixei minha família em minha nação e vim servir o meu Mestre. Mas as coisas por lá não estão nada fáceis, e o Senhor me ordenou que retornasse.

— E se os seus pais te encontrarem? — Lídia questiona, com medo pela resposta.

Aisha ri e senta em uma das camas, provavelmente a sua.  Percebendo que ainda estava em pé, apoiada em minha mala, procuro uma cama desocupada.

— Meus pais são cristãos! Quer dizer, meu pai e meu irmão. Mamãe faleceu há alguns anos.

— Sinto muito! — Falamos juntas.

— Tudo bem! — Sorri — Vocês os conhecerão muito em breve.

— Como? — Indago, expressando minha confusão.

— Conhecerão minha família em breve, pois ficaremos hospedados em algumas de nossas casas. — Aisha se levanta e direciona Lídia até outra cama cama — Pode escolher uma das duas. — A moça estava, claramente, achando graça da nossa reação.

Se ficaremos em sua casa, então...

— Espere um minuto! — Minha mente começa a trabalhar — Você é filha do Habib?

— Isso mesmo! — Sorri — É melhor organizarem suas coisas, precisamos nos reunir com os outros em menos de meia hora. Mais tarde nos conheceremos melhor. — Pisca e sai do quarto, acompanhada de Antonella.

— Uau! — Lídia senta na cama — Eu sabia que teriam outros missionários, mas não fazia ideia que um deles seria líbio.

— Nem eu! — Jogo um casaco em cima dela, que desperta de seus devaneios — Você ouviu a moça, precisamos arrumar nossas coisas.

— Outra vez...

***

— Acho que aqueles são os outros missionários brasileiros. — Aisha aponta para o nosso grupo, que conversava animadamente, assim que entramos em um grande salão.

— Exatamente! — Lídia sorri ao avistar os outros.

— Venham, vou apresentá-las. — As duas nos seguem em silêncio.

— Oi, meninas! Quanto tempo! — Lara comenta com ironia, e eu ignoro seu comentário.

— Pessoal, estas são Aisha e Antonella. São missionárias e irão para a Líbia junto conosco.

Eles se cumprimentam com alegria. A maioria das pessoas, ao descobrirem sobre a nacionalidade da Aisha, reagem como Lídia e eu, mas logo voltam ao normal.

Sigo até os meus companheiros de profissão.

— Alguma novidade?

— Talvez nós três conseguiremos viajar daqui há duas semanas, logo após o Gabriel, a Lídia, o Cardoso e a Sabrina. — Vicente me atualiza.

— Lídia e Sabrina passarão juntas pelo tal lugar onde eu terei que passar sozinha? — Questiono. Não gostava muito de tocar nesse assunto.

— Sim. Mas até o dia chegar, muita coisa pode acontecer.  — Quem responde é o Gabriel, que chega acompanhado da esposa.

— Estava pensando. — Falo, ganhando a atenção de todos — Acredito que Aisha poderá me ajudar a descobrir uma outra forma de chegar até sua casa.

— Como? — Vicente pergunta.

— Ainda não sei, mas tenho essa certeza! — Eles assentem — Ela mais do que ninguém conhece o percurso e sabe as coisas que acontecem por lá.

— Talvez você esteja certa, doutora. — Théo comenta pensativo.

— Águi, lembra do que conversamos. Não ande ansiosa por coisa alguma, meu bem. Deus já preparou o percurso, apenas descanse nEle.

— Amém! — Suspiro, mas concordo com Sam. — É que às vezes é inevitável pensar nisso....

— Nós entendemos sua preocupação, pois você é a única que passará por isso sozinha.

— Mas você não estará literalmente sozinha, sabe disso. — Vicente me assegura. 

— Mudando um pouco de assunto, viemos trazer uma novidade, o que pode tranquiliza-la ainda mais, Águi. — Gabriel toma a palavra — Acabamos de saber que houve uma trégua no país, e há indícios de uma possível formação de governo.

— Sério? — Já podia sentir a esperança brotando em meu coração — Isso é uma benção.

— Sim, mas precisamos esperar e ver o que acontecerá nos próximos dias. — Continuou — Isso pode nos manter dentro do cronograma ou nos atrasar.

— Continuaremos clamando e buscando a direção do Senhor. — Théo comenta e nós concordamos.

— Exatamente! Enquanto isso, ajudaremos nas atividades daqui. — Gabriel para por um instante antes de se afastar e começar a reunir o restante dos nossos irmãos — Pessoal, tenho um comunicado a fazer. Como já tinha conversado com alguns, iremos ficar na Espanha por aproximadamente três semanas, sendo que o primeiro grupo de missionários viajará daqui a duas semanas, se assim o Senhor permitir. — Pisca antes de continuar — Durante o tempo que permaneceremos aqui, ajudaremos o pessoal que está em missão aqui na Espanha.

— Distribuiremos as listas contendo a função de cada um. Em caso de dúvidas, basta procurar os missionários Gabriel, Vicente, Théo ou eu. — Conclui Sam — Tudo bem?

— Sim! — Concordamos.

É real! O meu maior sonho está se tornando realidade! Obrigada, Jesus!

>>>><<<<

Oiiie!!! Quem aí está animado para  acompanhar a viagem missionária desse grupo especial?? Eita, Jesus, eu estou 😬😬😬

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Att.
NAP 😘

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