Capítulo Trinta e Três

Daniel vamps: 

A garota de pele clara e cabelos castanhos exibia uma trança que pendia até a parte inferior das costas. Seus olhos escuros analisavam meticulosamente todos os presentes no recinto até pararem em mim e Marshall. A seu lado, havia um rapaz de pele clara, cabelos escuros e uma mecha que pendia sobre sua testa. Seus olhos, também escuros, denotavam constrangimento por estarem ali.

Meu pai rompeu o silêncio.

— Daniel, Marshall — chamou, apresentando. — Estes são Janet e Taylor; a mãe deles era da linhagem dos Dracos.

A menção dos Dracos remetia a uma linhagem que descendia de dragões que se relacionaram com humanos séculos atrás. Segundo os mitos que eu havia lido, como castigo do Deus do Sol, os descendentes dos Dracos eram amaldiçoados a viverem no subterrâneo ou morreriam sob a luz do sol. No entanto, a Deusa da Lua concedeu uma contramaldição, permitindo que os Dracos encontrassem suas outras metades que caminhavam à luz do dia e da noite, possibilitando-lhes viver na superfície. Essa união era rara; apenas dois em mil Dracos conseguiram esse feito.

— Ele é nosso pai — Janet disse, pulando do sofá. — Ele se envolveu com nossa mãe e a abandonou depois de uma noite.

Lilly e Teddy resmungaram com desdém, fazendo-me revirar os olhos.

— Eles eram assim antigamente — disse Lilly, e Teddy concordou. — Aposto que ele não mudou nada.

Meu pai tentou manter a conversa no tom certo.

— O que aconteceu com a mãe de vocês? — perguntou gentilmente.

— Nossa mãe morreu durante o parto depois de perder sua outra metade em um acidente de carro — Janet explicou. — Nossa família nos manteve em segredo desde então, pois ninguém sabia que você era nosso pai biológico.

Taylor acrescentou em voz baixa:

— Se outras pessoas souberem sobre nós, tentarão nos matar por desrespeitar o que a Deusa da Lua fez por nossa espécie. Então decidimos nos esconder para que ninguém descobrisse nossa existência.

Meu pai continuou:

— Alguns Dracos levam a benevolência dos deuses acima de tudo e são até violentos em sua devoção. Alguns chegaram a matar.

Era óbvio que eles eram Tríbridos, com o sangue da minha família se misturando ao dos Dracos, criando uma mistura complexa e poderosa. Eles estavam sendo tratados como inferiores por conta dessa mistura de sangue e por sua mãe se envolver comigo.

Janet continuou com um tom amargo:

— Só somos híbridos de vampiro e Dracos.

Geovane observou:

— Os vampiros não podem se reproduzir, a menos que sejam híbridos com outra espécie sobrenatural. Você e seu irmão são Tríbridos.

Os Tríbridos eram uma mistura de três espécies sobrenaturais diferentes, herdando pontos fortes e algumas fraquezas das raças primárias, além de atributos únicos. Eram extremamente raros, uma vez que representavam uma quebra na ordem natural, uma fusão de duas linhagens poderosas.

Pensei em Marshall, que era uma mistura de feérico e caçador sobrenatural, e imaginei que dentro dele havia também um elemento bruxo, apenas esperando para se manifestar.

Janet então disse:

— Nossos parentes nos esconderam até agora, dizendo que, se nossa existência fosse revelada, envergonharia o clã. Mas, com a situação atual do clã, parece que não podem mais nos esconder. Eles disseram que não poderiam cuidar de nós para sempre e que não devemos culpá-los, afinal, nossa mãe também fazia parte dessa história.

Os Dracos não tinham o conceito de casal como os humanos, então quando uma criança nascia, era criada apenas pela mãe. No entanto, quando as circunstâncias se complicavam, a verdadeira paternidade podia vir à tona, como aconteceu no caso deles.

Geovane perguntou:

— Como eles descobriram que Daniel era seu pai?

Janet respondeu:

— Após a morte de nossa mãe, procuraram uma vidente que mostrou como você e ela se conheceram... e depois só você.

Ela me olhou com ceticismo e, de forma sarcástica, disse:

— Seja bonzinho com a gente, papai. Nada de flertar por aí.

Marshall olhou para mim e riu.

— Daniel, acho que ela é a sua versão feminina — Ricky brincou com um sorriso.

— Sempre achei que o primeiro a ter filhos na família seria o Ricky — comentou Teddy, tirando trezentos dólares e entregando a Lilly. — Droga.

— Espera, vocês fizeram uma aposta sobre quem seria o primeiro a ter filhos? — perguntei incrédulo.

— Desculpe, mas você era um grande mulherengo — justificou-se Lilly. — A aposta era sobre quem dos dois teria filhos antes dos trinta anos.

Ricky acrescentou com um sorriso:

— Isso é totalmente falso, eu sou a pessoa mais amável do mundo.

Marshall revirou os olhos.

— Isso é uma mentira completa, não alimente ilusões na sua mente.

Meu pai deu o sinal para encerrar a pequena reunião e levou as crianças para um tour pela casa. Foi nesse momento que David entrou na sala, com passos firmes.

Nos últimos três meses, ele havia se dedicado à magia e, na festa que organizou, surpreendeu a todos com fogos de artifício incríveis depois de inúmeras tentativas.

Meu pai perguntou com interesse:

— O que aconteceu?

David respondeu:

— Hampher foi me buscar na escola e quase quebrou o braço do meu professor porque achou que ele estava demorando demais para me liberar.

Neste momento, David viu os dois adolescentes e, surpreso, perguntou:

— Quem são eles?

Tedy respondeu casualmente:

— São filhos do Daniel.

David piscou em confusão, como se nunca tivesse imaginado ouvir algo assim em toda a sua vida. Era compreensível; eu mesmo estava tendo dificuldade em assimilar tudo aquilo.

David finalmente comentou:

— Acho que nunca vou me acostumar com a ideia de que, na minha vida, coisas impossíveis podem acontecer. Mas, mesmo sabendo do passado do Daniel como mulherengo, a hora iria chegar em que uma criança apareceria. — David sorriu e, dessa vez, me senti ofendido. — Peço desculpas, antigamente seu pai não era lá muito confiável.

Olhei chocado para David, que deu de ombros. Meus irmãos riram, e meu pai não escondeu um sorriso de canto de boca.

Janet aproveitou a oportunidade para dizer sarcasticamente:

— Ainda estou avaliando sua personalidade, papai.

Lilly estava entusiasmada:

— Janet, você acabou de subir alguns pontos no meu livro! Vai ser ótimo ter uma compatriota na família.

Eu nunca tinha visto minha irmã tão empolgada. Entendia que, embora fosse incrivelmente poderosa, ela se sentia em minoria, já que, em nosso clã, era a única mulher cercada por seis homens que frequentemente faziam o que queriam.

Com o fim da pequena reunião, meu pai levou os netos para um passeio pela casa.

A casa, agora com mais crianças percorrendo os corredores, ganhou uma atmosfera agitada e animada. Meu pai aproveitou o momento para mostrar os novos membros da família pelos diferentes cômodos e contar histórias sobre a casa, suas memórias e as tradições familiares.

David, que se juntou ao grupo, começou a interagir com os gêmeos, Janet e Taylor. Embora a surpresa inicial ainda estivesse presente em seu rosto, ele rapidamente se adaptou à ideia de que agora tinha irmãos mais novos, por mais surpreendente que fosse.

Marshall, Ricky e Teddy estavam ocupados conversando entre si sobre como a dinâmica da família estava mudando. Era evidente que a chegada dos gêmeos estava mexendo com todos, e cada um tinha sua própria opinião sobre a situação.

Enquanto isso, Lilly parecia empolgada com a ideia de ter mais uma garota na família. Ela e Janet estavam compartilhando histórias e fazendo planos juntas, como se fossem amigas de longa data.

Eu observava toda essa movimentação com uma mistura de sentimentos. A revelação de que tinha filhos desconhecidos era uma surpresa enorme, e a forma como cada membro da família estava reagindo tornava tudo ainda mais surreal.

No entanto, havia uma sensação de unidade, mesmo com todas as diferenças e surpresas. A família estava se adaptando a essa nova dinâmica da melhor maneira possível, e isso me deixava grato por ter um apoio tão forte ao meu redor.

Enquanto as conversas e risadas ecoavam pela casa, eu me peguei pensando no futuro. Como seria a vida agora com Janet e Taylor fazendo parte da família? Quais desafios e aventuras nos aguardavam? Uma coisa era certa: nossa família estava prestes a embarcar em uma jornada única, repleta de surpresas e aprendizados.

E, enquanto eu continuava a observar todos ao meu redor, senti uma profunda sensação de loucura.

Suspirei e fui em direção ao meu quarto.

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O silêncio do meu quarto se estendeu por horas, e a única presença ali era a de Marshall, que permanecia em silêncio, olhando-me com preocupação. Desde o momento em que descobri sobre os gêmeos, parecia que minha mente estava em um turbilhão constante, questionando como poderia ser um pai.

Os acontecimentos recentes haviam sacudido minha vida de maneira inimaginável. Passar o resto de meus dias como um pai, algo que nunca imaginei, me deixava inseguro. Enquanto eu mergulhava em meus próprios pensamentos, Marshall se sentou ao meu lado, colocando uma mão reconfortante em meu ombro.

Suas palavras suaves ecoaram no quarto, dissipando parte da ansiedade que estava se acumulando em mim. 

— Daniel, mantenha a calma. Ninguém aprende a ser pai da noite para o dia, especialmente quando a existência dessas crianças surgiu como um choque. Não se coloque tanta pressão assim.

Meu olhar cansado encontrou o dele, e eu senti um alívio ao ver seu apoio inabalável. Parecia que ele podia ler meus pensamentos e compreender minha angústia.

— Você me ajudaria? Já percebi que Janet parece ser uma versão pequena minha. — Suspirei, sentindo o peso da responsabilidade.

Marshall segurou minha mão com carinho, transmitindo um sentimento de segurança.

— Sempre estarei aqui para ajudar, Daniel. Não pense por um momento que eu te deixaria enfrentar isso sozinho. Estamos juntos, para sempre, e nos ajudaremos mutuamente quando for necessário.

Um sorriso se formou em meus lábios, e nossos olhares se encontraram. Marshall inclinou-se e nossos lábios se tocaram em um beijo repleto de amor e compromisso.

— Eu te amo, meu caçador mestiço — sussurrei, sentindo-me grato por tê-lo ao meu lado.

Marshall sorriu e, com ternura, sussurrou:

— Também te amo, meu vampiro híbrido.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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