Capítulo Trinta e Nove
Marshall Aldrin:
Revelar a verdade para a minha família, que não apenas eu ou minha mãe, foi uma experiência incrivelmente libertadora. Contei tudo a eles, e finalmente consegui relaxar um pouco.
Daniel e eu voltamos para casa, e ele tentou me acalmar, dizendo que eu não deveria ter me preocupado tanto com a situação. No entanto, a sensação de alívio continuava a se espalhar dentro de mim.
Com o tempo, comecei a me abrir mais com os outros membros da família, também ajudando Daniel em seu papel de pai. Além disso, fui responsável por encontrar uma escola adequada para os gêmeos, que aos poucos começaram a se integrar com todos nós. Lembro-me do dia em que meu avô os conheceu; ele agiu como uma pessoa boba e superprotetora, o que foi completamente adorável.
Mas a vida não é feita apenas de momentos felizes, e um dia Janet e Taylor adoeceram com febre alta. Daniel e eu cuidamos deles com toda a atenção possível.
A escuridão gradualmente engoliu o quarto enquanto a lua subia no céu noturno. O som de dois choros distantes preencheu o ambiente, seguido por um suspiro de frustração. Eu torcia uma toalha molhada com toda a força que tinha, iluminada apenas pela fraca luz do quarto. O som da água caindo na bacia era alto e constante, e eu rapidamente coloquei a toalha úmida sobre a testa de Janet, enquanto Daniel fazia o mesmo com Taylor. A febre deles estava tão intensa que parecia evaporar a água da toalha rapidamente.
Ambos os gêmeos estavam inquietos, e suas vias respiratórias estavam inchadas, dificultando a respiração. Janet tentou falar, mas sua voz estava bloqueada pelo inchaço.
— O que está acontecendo com eles? — perguntou David, trazendo mais água para nós.
— Eles estão passando pela mudança de escamas — explicou Geovane da porta. — Dracos passam por isso quando fazem a transição da fase infantil para a adulta. Geralmente é doloroso, mas não pode ser evitado.
— Pensei que o lado lobo poderia impedir isso — disse David.
— Lembra que essa parte não se ativa até que matem alguém direta ou indiretamente. É a maldição dos lobos, enfeitiçados pela deusa lua — esclareceu meu sogro, com uma expressão mais confortável em seu corpo físico.
Embora eu desejasse levar os gêmeos a um hospital, sabia que não podia explicar a situação e que isso fazia parte do crescimento da espécie deles. Portanto, continuei trocando as toalhas e torcendo para que elas resistissem à dor.
Daniel estava tentando acalmar os gêmeos, e quando Janet soltou uma chama de suas narinas, ele teve mais cuidado ao colocar a toalha em sua testa.
— Segurem firme, vamos preparar um medicamento para aliviar a dor assim que o sol nascer — disse Daniel. No entanto, Geovane olhou para ele com ceticismo.
— Está tudo bem, você não precisa inventar remédios para nós. Sabemos que não há cura para a transição de escamas — disse Janet, tossindo fagulhas após suas palavras.
A angústia tomou conta de mim ao ver como ambos estavam sofrendo, mesmo que essa fosse uma parte natural da transição para os Dracos. A pior parte era que não tínhamos nada para aliviar sua dor. Janet estava particularmente inquieta, e estávamos tentando disfarçar o quanto sua condição nos preocupava.
No entanto, decidimos fazer algo para ajudar. Meu sogro pediu a Lilly e Ricky que fossem à floresta colher algumas ervas medicinais. Mesmo que não pudéssemos encontrar uma cura, esperávamos que as ervas aliviassem um pouco o sofrimento deles.
— Vocês podem ir fazer qualquer outra coisa — disse Janet. — Ficaremos bem.—
Interrompi meu trabalho por um momento e olhei para sua condição física. Revirei os olhos diante de sua tentativa de nos afastar.
— Você realmente acha que ficamos desapontados por termos que cuidar de vocês? — Daniel riu. — Deixe de falar bobagens e se concentre em se recuperar logo.
— Estamos bem— insistiu Janet, o que me surpreendeu.
— Estamos péssimos — Taylor acrescentou, e faíscas saíram de sua garganta, atingindo uma parte da cortina, que começou a queimar.
— Eu vou cuidar disso — Aart disse, girando a mão para extinguir o fogo.
A noite passou lentamente, e a dor dos gêmeos continuou. Enquanto esperávamos o sol nascer, não havia nada mais que pudéssemos fazer além de estar ao lado deles e torcer para que a transição para a fase adulta passasse logo.
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Antes de me dar conta, a respiração dos gêmeos soava constante e um pequeno gemido saiu de seus lábios.
— Papai/ Marshall — Falaram juntos e me deixou Chocado.
Dei tampinhas com nas mãos deles e Daniel fez o mesmo, que havia saído da coberta e esta se moveu e agarraram nossos dedos. Então desesperadamente, não o soltei e o segurei tão forte como se não quisesse deixar ir. Daniel fez o mesmo, com os olhos brilhantes.
— Precisamos trocar as toalhas molhadas. — Falei para Daniel mais ri envergonhado, mas não queria soltar a mão das crianças.
— Muito bem... Iremos trocá-las em um minuto. — ele sussurrou em resposta.
Durante o resto da noite, dormi e acordei repetitivamente, cuidando dos gêmeos junto do Daniel quando as chamas saiam das suas narinas ou gargantas, como também a febre que piorava.
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Despertei nas primeiras horas da manhã, ainda com os olhos pesados de sono. Lutei contra a vontade de voltar a se aninhar sob as cobertas, sabendo que havia algo importante a ser feito. A luz do sol começava a penetrar pelas cortinas, e eu me sentia sonolento, mas determinado.
O desejo por um grande copo de café me inundou, mas eu sabia que precisava aguentar um pouco mais. Ao meu lado, Daniel estava acordado, e agradeci por ele não precisar de tanto descanso quanto eu. Parecia que eu estava desenvolvendo uma dependência de cafeína, especialmente nas manhãs em que o café era mais do que uma bebida; era uma experiência quase meditativa.
Deixei o quarto e segui para a cozinha, pegando qualquer coisa que aparecesse à minha frente, e uma xícara de café recém-feito por Kelsey. Terminei de comer quando meu apetite foi satisfeito, e depois subi de volta para o quarto.
Lá, encontrei Daniel olhando para os gêmeos e, em seguida, seu olhar se voltou para mim, com uma expressão serena acompanhada de um sorriso que começou a se formar em seus lábios.
Ele me pegou nos braços em um movimento suave e me beijou apaixonadamente. O beijo me pegou de surpresa; havia uma intensidade e tensão incomuns, como se algo estivesse prestes a acontecer. Seus lábios pressionaram os meus com firmeza, e ele me puxou mais perto de seu corpo.
— Há algo que eu quero fazer com você, antes de não ser mais humano — ele sussurrou, afastando-se por um momento. Então, com as mãos trêmulas, tirou uma pequena caixa do bolso da calça e a abriu. — Existem mil razões para eu te amar. Você me faz rir e cuida de mim quando estou doente. Você é doce, atencioso e protetor, e protege as pessoas que ama acima de tudo. Quer casar comigo?
Olhei para o anel dourado que ele segurava, com as mãos ainda trêmulas. Peguei ambas as mãos dele e apertei suavemente.
— Já disse antes que é com você que quero passar o resto da minha vida. Lembre-se, nós dois, juntos para sempre! — Respondi com um sorriso, enquanto ele deslizava o anel pelo meu dedo.
Eu podia sentir a urgência em seus lábios enquanto nos beijávamos. Meus braços se fecharam ao redor de seu pescoço, e me senti completamente envolvido naquele momento. Tive que me forçar a interromper o beijo, minha respiração ofegante. Mesmo assim, ele não se afastou de mim. Em vez disso, pegou minha mão esquerda e beijou a ponta de cada um dos meus dedos antes de beijar a aliança, selando o pedido de casamento com amor e ternura.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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