Capítulo Trinta e Cinco
Marshall Aldrin:
Pensei em tudo o que poderíamos fazer para lidar com a situação de Daniel e sua responsabilidade como pai. Imaginei o que seus parentes devem ter dito a essas crianças.
Sua mãe os deixou para nós porque tinham algo a roubar!
Seus pequenos merdas astutos! Como ela pode dar à luz a vocês sendo contra o que nosso povo acredita? Sua mãe lhes deu a vida, lhes deu nomes, mas o que sabiam que seu pai poderia dar, sendo que só conheceram o ridículo, o desprezo e a humilhação?
Ouvindo tantas coisas contra eles e não ter ninguém que os proteja ou queira defender eles contra os seus valentões, apertou os punhos decidido que iria acabar com a família deles se os visse pessoalmente.
Os olhos de Daniel estavam vazios, sem expressão. Olhei atentamente para ele e franzi a testa, tentando mostrar que estava disposto a ajudar e a entender, mas não podia falar em voz alta o que passava por sua mente.
— Ah, quase perdi uma informação importante — Daniel disse depois de algum tempo, abrindo a boca novamente. — Lembrei que eles não foram oficialmente reconhecidos como meus filhos verdadeiros, certo? É melhor termos cuidado em relação a isso. Pode ser perigoso se alguém souber da existência de dois tríbridos.
Ele estava certo. Seria perigoso para as crianças não terem nenhum tutor, especialmente duas com a mistura de três espécies. Aposto que seus parentes estavam ocupados demais para lhes contar qualquer coisa sobre esse mundo ou os perigos que existiam.
Maxuel me disse que o sangue de híbridos, ou até mesmo de tríbridos, é um ingrediente valioso para alguns feéricos, feiticeiros, anjos, bruxos ou até demônios. No entanto, o clã Dracos é forte, então eles geralmente visam dragões jovens que ainda não despertaram. É por isso que esse clã protege os mais jovens até que eles despertem, mas mesmo estando nesta casa, eles ainda não têm um protetor.
Acenei com a cabeça, vendo Daniel assumir a mesma expressão indiferente que Janet tinha, embora ainda houvesse uma pitada de preocupação ali.
— Não posso evitar, tenho que suportar a ignorância deles que virá à tona quando eu disser que serei o tutor deles— disse Daniel, e apertei sua mão delicadamente. — Obrigado por sua preocupação e por ainda ser uma pessoa importante para mim.
— Bem, não se preocupe, ninguém vai causar problemas comigo aqui, nem com seus irmãos, que vão ficar de olho nas crianças, assim como você fará — falei com um sorriso, e dessa vez a expressão de Daniel mudou para algo um pouco mais alegre.
— Fico feliz em ouvir isso — ele respondeu. — Mas sei que, mesmo assim, teremos alguns sujeitos malucos querendo invadir este lugar quando a família dos gêmeos contar sobre a existência deles para alguém que possa matá-los sem deixar rastros.
— Com isso, podemos cuidar de qualquer pessoa que nos desafiar — falei, e Daniel concordou.
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A ausência de crianças no clã de vampiros por tanto tempo pode ter criado altas expectativas para conquistar os gêmeos. David era o único que parecia não se importar com isso ou com o que os outros estavam fazendo.
Fui informado de que eles foram ameaçados por outros bruxos da cidade quando se aproximaram da casa porque foram rejeitados pelos membros de sua própria família. Não era surpreendente que começassem a chorar imediatamente.
A reação calma de Janet, como se já estivesse familiarizada com esse tipo de tratamento, foi algo que nunca imaginei ver, enquanto Taylor era claramente alguém sensível às emoções dos outros ao seu redor.
Tudo isso era uma situação desconfortável, e eu estava sem ideias sobre como fazer os gêmeos se aproximarem de sua nova família. Podia perceber que o senhor vampiro tinha muitas expectativas em mente sobre ser avô, mas seus netos eram crianças que estavam longe de corresponder a qualquer uma de suas suposições.
Tudo isso aconteceu em apenas uma semana. Taylor conversava com a família de sua maneira única, mas Janet era completamente diferente, nunca permitindo que ninguém se aproximasse. Era algo que não se via com frequência naquela casa, e também me fez apreciar o lado paternal de Daniel.
Não importava qual fosse a personalidade dessas crianças, o importante era que eram da família dos vampiros, que os tratavam como as coisas mais preciosas do mundo. Olhando para tudo isso agora, eu podia dizer que eles não sabiam muito sobre sua herança sobrenatural além do básico.
No entanto, acho que ainda eram jovens demais para começar a treinar suas habilidades. Observando de lado, eu estava determinado a reunir informações sobre as coisas de que eles precisariam.
O senhor vampiro sugeriu que os mandássemos para a escola, e assim fiz. Fiquei pensando se isso era realmente o melhor para esses jovens. Eles eram crianças que não tinham parentes para protegê-los quando chegaram à cidade. Os Dracos os abandonaram, e a injustiça disso era evidente.
Provavelmente, essas crianças haviam sofrido muito e estavam em uma situação em que não tinham escolha. Não havia nenhum arranhão visível em seus corpos, mas eu estava determinado a me vingar por tudo o que fizeram com os dois.
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Alguém estalou seus dedos na frente do meu rosto, trazendo-me de volta ao presente e afastando-me dos meus pensamentos.
— Você está me ignorando novamente! — acusou Juliano. — Se não vai ouvir o que tenho a dizer, nem precisava ter vindo me ajudar a escolher um presente de quatro meses para a Megan.
Olhei para as joias que ele estava examinando, cada uma delas de tamanho e estilo diferentes, até com pequenas variações em detalhes.
— Bem, então pode escolher sozinho. Tenho muitas coisas para fazer e... — parei abruptamente, percebendo que estava prestes a revelar que iria visitar uma bruxa ligada à família da minha mãe.
— E quem você vai encontrar? — perguntou Juliano, examinando cada anel.
— Ninguém importante. — Estalei a língua e apontei para um anel com um pequeno rubi. — Acho que a Megan vai gostar desse.
Ele analisou o anel e pegou-o com um grande sorriso.
— Vou levar este. — Disse à vendedora, voltando-se para mim com as sobrancelhas arqueadas de curiosidade. — Então, com quem você vai se encontrar?
— Não é da sua conta. — Disse com desdém, acenando com a mão. — Posso ir agora?
— Você sabe, até hoje eu nunca vi você ou o Daniel usando alianças de namoro. — Juliano comentou, o que me fez revirar os olhos.
— Não nos prendemos a essas coisas, e o Daniel e eu somos fiéis um ao outro. Talvez um dia a única aliança que usaremos será a de noivado ou casamento. — Falei, estalando a língua, o que surpreendeu Juliano. — Ele já disse que me pedirá quando a maldição de sua família acabar ou quando seus problemas com os filhos se resolverem.
— Nunca imaginei que isso aconteceria com você. — Ele murmurou, fazendo-me revirar os olhos novamente.
Minutos depois, a vendedora retornou com a pequena caixa de anéis, e partimos. Enquanto caminhávamos pelas lojas do shopping, eu estava perdido em meus pensamentos, com Juliano tentando descobrir com quem eu ia me encontrar. No entanto, o processo não foi agradável para ele e ele estava à beira de um surto.
— Eu não vou te contar. Pare de tentar descobrir isso. — Disse, vendo Daniel se aproximando de nós. — Agora eu realmente preciso ir, minha carona chegou.
Me despedi e fui na direção de Daniel, que me olhava com curiosidade, ficando ainda mais intrigado quando peguei em sua mão e o puxei na direção oposta da que Juliano estava.
— Imagino que você ainda não contou nada para ele. — Daniel comentou, mas ignorei suas palavras. — Antes que eu me esqueça, trouxe os gêmeos comigo, então teremos mais dois na sua reunião com a família da sua mãe.
Olhei para ele, tentando sorrir de forma amigável. A verdade é que não tínhamos muitas informações sobre a família da minha mãe ou como eles realmente eram.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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