Capítulo Trinta

Daniel vamps:

A família vampírica se reuniu para uma rara refeição em família. Na sala de jantar, treze pessoas ocuparam seus lugares. Meu pai, como o líder do clã, ocupou a cabeceira da mesa, com seus filhos de cada lado, seguidos por seus respectivos companheiros. Por último, tínhamos David e Hampher, que chegara à nossa porta ao anoitecer, juntamente com meu preocupado tio Aart.

A atmosfera, como era de se esperar, estava tensa. Embora estivéssemos aquecidos pela comida à nossa frente, o ar estava estranhamente frio, mesmo para nossa espécie. Eu e meus irmãos permanecemos em silêncio enquanto saboreávamos nossa refeição, uma mistura de comida e sangue. Desde que meu tio soltara aquelas palavras três dias atrás, a tensão reinava sempre que estávamos sem os outros membros da família ou quando David não estava presente.

Por outro lado, nossos companheiros pareciam alheios ao clima tenso da mesa. A conversa deles fluía animada.

— Kelsey, esta sopa de abóbora está divina! Nunca provei algo tão cremoso antes — elogiou Kelsey, olhando para Paul. — Você realmente arrasou. E a propósito, não pare de cozinhar para essas reuniões, por favor.

Paul esboçou um sorriso e estalou a língua.

— Só se você fizer mais daquelas sobremesas deliciosas para eu levar ao trabalho, amor — Paul respondeu.

— E nós queremos suas sobremesas também, Kelsey, somos seus fãs número um — Kit e Nicolau acrescentaram em coro. — Seus doces são incríveis!

— Ah, claro, Marshall, você também está incluso. Sou amigo da Megan, afinal, e você me conhece bem — Marshall piscou os olhos, fingindo inocência.

Enquanto eles tagarelavam alegremente, ignorei a tensão à mesa. Olhei para eles com certo espanto, assim como meus irmãos, que pareciam estátuas com os olhos atentos.

Marshall, que se destacara na conversa animada, abandonou repentinamente seus talheres e abordou o assunto principal.

— Sinceramente, estou ficando cansado dessa tensão no ar. O que diabos está acontecendo com todos vocês? — Marshall indagou, olhando para mim e, em seguida, para meus irmãos.

— Por que diz isso? — perguntei, e ele me encarou com ceticismo.

— É óbvio que todos aqui estão à beira de um colapso, e eu preciso de uma razão para não me preocupar com as pessoas ao meu redor. Sou um dos poucos capazes de conviver com uma família de híbridos, mas isso não significa que eu não possa me importar com o que acontece com todos vocês — ele declarou, estalando a língua.

Conhecendo Marshall, ele provavelmente tinha a habilidade de ler nossas emoções mesmo à distância.

— Bom, ficaríamos gratos se você fizesse isso, mas não seria desconfortável cuidar de algo que não está diretamente ligado às suas responsabilidades? — meu tio Aart interveio, quase podendo ouvi-lo completar com palavras não ditas: "Você não faz parte desta família. Pare de tentar se aproximar. Não confio em você. Não é apropriado".

Marshall respondeu com um sorriso tranquilo.

— De forma alguma. Na verdade, estou preocupado com como essa situação afetará as coisas aqui, e o senhor parece estar bastante preocupado com o que acontece nesta casa — Marshall respondeu com calma.

Era uma declaração velada de que ele também não confiava plenamente em meu tio. Após essa resposta, Marshall retomou seus talheres e continuou a comer como se nada tivesse acontecido.

A sala de jantar ficou congelante. Cada pessoa à mesa fazia caretas, embora o fizesse abertamente enquanto pegava mais comida em seus pratos. Apesar de não demonstrarem, podia sentir o suor deles, pois estavam visivelmente desconfortáveis com a situação.

— Ah, em relação à minha ascendência ou de onde venho, não vejo isso como desrespeito. Quem decidirá como conduzirei minha existência não tem permissão para se intrometer nisso — Marshall declarou, mais uma vez quebrando o gelo. — Portanto, suas desconfianças em relação a mim, por eu ser parte feérico e caçador sobrenatural, não me afetam. Além disso, tenho meus próprios motivos para não confiar em você completamente.

— Por que está dizendo isso, Marshall? — meu pai perguntou, buscando entender a situação.

Marshall inclinou a cabeça com um sorriso fraco.

— Além de você, quem mais aqui faria o esforço de me defender? — Marshall indagou, fingindo confusão. — Aart já deixou claro que não confia em mim, então estou apenas defendendo minha honra. Se você tiver alguma dúvida sobre minha presença, Aart, sinta-se à vontade para me questionar diretamente. Estou disposto a demonstrar minhas intenções para dissipar suas desconfianças. — Ele olhou para meu tio de maneira acolhedora. — Além disso, em comparação com o tempo que você já viveu neste mundo, tenho certeza de que não terá inconvenientes em aprender sobre minhas intenções ou pesquisar sobre mim. Esteja à vontade para fazer o que desejar.

As palavras de Marshall deixaram a sala de jantar em silêncio, e todos estavam com os olhos arregalados. Eu o olhava incrédulo, querendo aplaudi-lo e assobiar em completa admiração por sua habilidade de lidar com a situação de maneira tão magnífica.

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Depois do jantar, todos foram para os seus quartos e Marshall veio comigo para o lado de fora da casa para olharmos as estrelas.

— Você odeio o meu tio, não é? — perguntei vendo ele suspirar e quebrando o longo silêncio. Ele espalmou a testa como se estivesse com dor e fechou os olhos.

— Ele é como muitas pessoas que vejo por aí, sempre julgando facilmente os outros por causa das suas origens ou no caso de quem a pessoa é filho. — Marshall falou se aconchegando ainda mais contra o meu peito. — Não odeio ele mas é impossível dizer que gosto dele.

Isso me fez afinal o mesmo estava certo em agir desse jeito e ninguém poderia discordar disso.

— Desde quando você sabia do pensamento dele? — perguntei estalando a língua.

— Desde que revelamos quem é meu pai, já via os olhos julgadores dele ao longe. — Marshall falou. — Mas quando senti a atmosfera dos seus irmãos quando seu tio estava por perto, vi que ele disse algo sobre mim que você não gostou muito disso.

— Como é bom ver que você me conhece tão bem — Falei sorrindo e o puxei para mais perto beijando os lábios dele com delicadeza.

Foi um beijo calmo e suas mãos se entrelaçaram na minha nuca brincando os meus cabelos logo em seguida. Me deitei na grama, vendo ele subir em cima do meu colo com as pernas de cada lado do meu corpo mais suas mãos nunca abandonando meu rosto.

Eu amo a sensação de ter ele tocando meu corpo, como sei que ele sente o mesmo por mim quando faço cada gesto para demonstrar nosso amor um pelo outro.

Sua mão entrou por debaixo da minha camiseta, apertei sua cintura com as minhas descendo até sua bunda e apertei ambos os lados com força. Marshall gemeu entre o beijo, rebolou em cima de mim e então parou se afastando de mim.

— Melhor irmos para o quarto, os outros puderam nos ver — Marshall disse com as bochechas vermelhas e recuperando o fôlego. — Vamos para dentro e poderá fazer o que quiser comigo.

Sorri e me coloquei de pé, com ele em meus braços indo o mais rápido possível para o meu quarto. 

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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