Capítulo Quarenta e Sete

Daniel aldrin vamps:

Me levantei da cama e coloquei uma calça de couro limpa e uma camiseta escura. Marshall dormia profundamente ao meu lado. Quando o beijou, o mesmo se mexeu.

—  Vou ao primeiro andar —  disse, acariciando seu lindo rosto. — Meu tio pediu ontem para ter uma conversa séria comigo e com os meus irmãos.

Ele concordou, roçou a palma da mão com os lábios, e voltou a mergulhar no sono reparador que tanto necessitava. Abri o ferrolho da porta e me dirigi às escadas. Sabia que mostrava um estúpido sorriso de satisfação no rosto e que faria o Rick zombar de mim.

Mas estava pouco me importando com o meu irmão ou o que ele pensava sobre melação. Aposto que Paul deve resmungar do jeito que nada romântico do namorado.

Empurrei o quadro e fui para o corredor do quarto do meu tio. Não pude acreditar no que vi à minha frente.

Meu pai com uma estaca de madeira contra seu coração e meu tio com as mãos levantadas impedindo meu pai de se mover. E, então, David irrompeu no lugar e congelou.

Evidentemente, meu pai estava pronto para acabar com a própria vida.

—  Pai, abaixe suas mãos... — Falei lentamente dando um salto para frente.

—  Daniel! Espere! — Meu tio disse e perdeu o controle.

A estaca se moveu e me joguei em cima do meu pai, jogando a estaca na outra direção, enquanto David olhava ao redor freneticamente e por último gritou.

Meus irmãos invadiram o lugar, aumentando a confusão por completo.

— Que merda está acontecendo aqui? — Lilly falou e pegou a estaca do chão. Meu pai mordeu o lábio com força.

Meu tio apontou para o quarto dele e entramos, comigo, colocando meu pai na cama.

— Ele iria se matar para poder encontrar a mãe de vocês do outro lado — Tio Aart falou. — há viagem que fizemos, foi para ver um amigo meu que consegui ver o futuro. Ele viu o de cada um de vocês, estarão felizes sem que ele esteja ao lado.

— Então tomei a decisão de me matar para poder encontrar Kelly do outro lado. — Meu pai disse finalmente abrindo a boca. — Aart só me impediu, porque falou que deveria me despedir de cada um de vocês primeiro.

Todos estávamos em silêncio, Lilly deu um passo à frente sem nenhuma emoção no rosto.

— Você queria dar fim a sua vida sem falar nada, seria ainda mais doloroso se isso acontecesse. — Lilly disse e olhou para meu pai com olhos brilhantes. — Eu sei como sente falta dela, mas se for dar fim a sua vida para encontrá-la deve se despedir dos seus filhos que nunca mais irão vê-lo.

Realmente sabíamos como ele sentia falta da nossa mãe e pelo jeito que meu tio falou, meu pai estava finalmente decidido a dar fim a sua vida e encontrar minha mãe.

— Meu propósito na vida era ensinar a vocês a encontrarem seus caminhos para a vida e posso admitir que, finalmente, consegui cumprir esse objetivo, quero que todos sejam felizes. Ensinei tudo com amor e fiz tudo direito por eles. Eu sei que seguirão os melhores caminhos nesta vida e só me darão orgulho para mim e sua mãe. — Meu pai disse sorrindo amplamente. — Cada um terá um futuro fantástico e isso me deixa completamente em paz.

Um silêncio se instalou em nosso meio, mas vi que meu pai já havia finalmente tomado a decisão dele e só devemos respeitar essa decisão.

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Marshall aldrin vamps:

Rolei sobre a cama, meu coração batendo acelerado, enquanto procurava freneticamente por Daniel. Os lençóis se amontoaram ao redor de mim, como testemunhas silenciosas da minha busca desesperada. E então, como um raio, lembrei-me de que ele tinha ido falar com o tio dele sobre algum assunto trivial.

Sentei-me com cuidado, tentando me preparar psicologicamente para a dor que havia me assombrado recentemente. Fechei os olhos por um momento, respirando fundo, pronta para enfrentar qualquer onda de dor que pudesse retornar. No entanto, quando abri os olhos, nada doía. Nada! Com um alívio quase inacreditável, ergui-me da cama. Estava nua e, curiosamente, examinei meu corpo minuciosamente. Nada parecia ter mudado. Movimentei-me de forma animada, testando cada músculo e articulação. Tudo parecia funcionar perfeitamente e obedecia aos meus comandos.

Havia, no entanto, uma mudança notável: eu enxergava perfeitamente, sem os meus óculos. Passei a mão pelo rosto, incrédula, admirando a clareza das coisas ao meu redor.

— Bem, eis uma vantagem— , murmurei para mim mesma. Uau! Tinha presas. Toquei-as com a língua, sentindo a ponta afiada. Ia demorar um pouco para me acostumar a comer com esses dentes afiados. Pensei que o Halloween seria tremendamente divertido a partir de agora.

Segui para o banheiro, maravilhada com a nitidez de tudo. Era como se eu tivesse adquirido uma visão de águia.

Após escovar o cabelo e vestir uma roupa simples, encaminhei-me até a escada. Ao alcançar o andar inferior, deparei-me com os gêmeos conversando com David, todos sentados no sofá. Ao longe, ouvi vozes vindas da sala, soando friamente calmas.

— Marshall! —  Os gêmeos me viram e correram em minha direção, envolvendo-me em abraços calorosos como se temessem que eu desaparecesse novamente. — Você está bem?

— Estou, de verdade, estou muito bem,—  respondi, o que era espantoso, considerando o estado em que eles me tinham visto da última vez.

Janet deu um passo para trás, enquanto Taylor ainda estava grudado em mim. Observei atentamente os olhos de Janet e franzi a testa.

— O que aconteceu?—  perguntei, notando o medo em seu olhar. — Andem, podem me contar o que estão escondendo.—

Depois de insistir mais um pouco, finalmente cederam, revelando tudo o que havia ocorrido antes de eu acordar.

— Eles estão na sala de jantar,—  Janet falou.

— Obrigado —  respondi, sorrindo para eles antes de me dirigir para o corredor, onde o som das vozes se tornava mais alto.

Adentrei a sala de jantar, e no momento em que apareci na soleira da porta, toda conversa cessou. Todos viraram a cabeça, seus olhares fixos em mim. Daniel se levantou e caminhou na minha direção, olhando-me com intensidade. Sem dúvida, eu tinha interrompido uma conversa sombria, pois cada um deles tinha uma expressão séria.

— Vocês não estão brigando com o meu irmão, se é isso que está pensando —  Aart disse como se estivesse lendo minha mente. — Então não se preocupe.

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Depois de uma breve contemplação sobre a atmosfera do lugar, deixei escapar um suspiro, minhas emoções parecendo enredadas na situação. Foi então que Daniel, com sua gentileza característica, se aproximou e me envolveu em um abraço reconfortante, enterrando seu rosto em meio aos meus cabelos.

— Marshall —  sussurrou ele suavemente ao meu ouvido, enquanto suas mãos acariciavam minhas costas com um toque suave e carinhoso, — você poderia dizer aos meus irmãos que devemos seguir a ordem da idade, do mais novo para o mais velho? —  Seu tom era um sussurro quase imperceptível, carregado de sentimentos. — Meu lindo esposo.

Ele então me afastou levemente, sua boca encontrando a minha em um beijo doce e cheio de ternura. Depois, seus olhos sorriram para mim enquanto ele acariciava meus cabelos com suavidade.

Aquele gesto me arrancou um sorriso tímido, mas eu neguei com a cabeça.

— Essa decisão é do seu pai, e essas serão suas últimas palavras para os filhos —  respondi, passando por ele.

— Você não pode fazer isso, precisa estar ao meu lado —  Daniel disse em choque. — Até meu próprio esposo não quer me apoiar nisso.

Revirei os olhos, impaciente com o drama dele, e me dirigi ao senhor Vamps, que observava seus filhos com olhos brilhantes.

— Escolha com calma —  aconselhei, com um tom tranquilo. — Esta é uma decisão que pertence apenas a você, e a mais ninguém.—  Ele sorriu fracamente em minha direção.

Todos os filhos estavam decididos sobre o que fazer, mas o senhor Vamps não mostrou nenhum sinal de alteração em sua escolha pessoal.

A tensão na sala era palpável, cada um de nós enfrentando suas próprias batalhas internas enquanto esperávamos a palavra final de um homem que havia moldado nossas vidas de maneiras profundas. Os irmãos de Daniel se mantinham em silêncio, observando o pai com olhares ansiosos.

O senhor Vamps permanecia imóvel, contemplativo, como se estivesse revendo em sua mente todas as memórias e experiências que o haviam levado a essa decisão crucial. Seu rosto, marcado pelo tempo e pelas vicissitudes da vida, mostrava traços de cansaço e sabedoria.

Então ele finalmente quebrou o silêncio que se arrastava, com uma voz que carregava o peso de anos de experiência e responsabilidade.

— Filhos —  começou ele, olhando para cada um deles com um olhar que transmitia amor e determinação  — a vida é feita de escolhas difíceis, e é chegada a hora de eu fazer a minha última grande decisão como pai.

Seus olhos encontraram os olhares expectantes dos filhos e, por um breve momento, pareceram se encher de lágrimas. Era evidente que ele estava se despedindo de uma era e passando a tocha para a próxima geração.

— Marshall está certo,—  continuou ele, — esta é uma decisão que só eu posso tomar, pois envolve o legado que deixarei para todos vocês. E depois de muita reflexão, minha decisão é a seguinte... vou ir para pos-vida, já vivi por muito tempo e quero me encontrar com a mãe de vocês e ficar do outro plano junto dela.

Com as palavras finais proferidas, o silêncio foi quebrado apenas pelo som suave da respiração coletiva da família, que agora enfrentaria as consequências dessa decisão unidos, mais uma vez, pelo legado deixado pelo patriarca da família Vamps.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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