Capítulo Quarenta e Seis
Daniel Aldrin vamps:
Agora, Marshall é um quadribrido, uma impressionante fusão de quatro espécies sobrenaturais distintas. Esse é um acontecimento que jamais imaginei que pudesse ocorrer, ou que alguém sequer cogitasse. Mas será que ele ainda é a mesma pessoa de antes? Ele exibia uma força impressionante, uma determinação que rivalizava com a de qualquer indivíduo. Lembro-me dele enfrentando desafios, me fazendo refletir sobre meu passado, e nunca desistindo de mim. Poucos teriam a audácia, e eu sabia exatamente de onde ele tirara aquela coragem: herdara-a de sua mãe. Eu teria apostado que agora Marshall poderia se livrar de qualquer adversário em questão de segundos.
Liguei novamente para o número de telefone de sua mãe, mas ninguém atendeu. Fiquei frustrado e tentei novamente, sem sucesso. Praguejei contra todas as pessoas que não estavam por perto quando eu precisava daquele maldito telefone. Foi então que meu celular tocou.
— Oi, Daniel! Me diga que ele acordou?! — A Sra. Aldrin falou do outro lado da linha. — Já se passaram três dias e nada.
— Sim, ele acabou de acordar. Apenas está se acostumando com a nova situação. — Respondi, fazendo uma breve pausa. — Sra. Aldrin, algo mais aconteceu. Parece que ele não perdeu nenhum dos outros aspectos sobrenaturais. O caçador e o bruxo permaneceram ativos. Estávamos preparados para que um deles se dissipasse, mas ambos permaneceram intactos.
— Quer dizer que ele está com os poderes de caçador e bruxo ativados? — Ela indagou do outro lado da linha. — O lado feérico, eu sabia que permaneceria, mas os outros dois ainda estão ativos. Isso é algo extremamente raro de se presenciar. Então, meu filho se tornou o quê?
— Um quadribrido, uma mistura de quatro espécies sobrenaturais diferentes. — Respondi, e do outro lado da linha pude ouvir as exclamações chocadas das pessoas presentes.
— Estou indo para a sua casa imediatamente para verificar como ele está! — Ela declarou e desligou o telefone.
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Cruzei os braços e me apoiei contra a parede da sala de estar, observando meus filhos se agruparem ao meu redor, aguardando que eu dissesse algo.
Em questão de minutos, a família de Marshall chegou para vê-lo. Meu pai tentava acalmá-los em relação à mudança de Marshall, explicando que ele havia se transformado em uma espécie totalmente nova para os sobrenaturais.
— Então, temos dois assuntos para discutir — falei, encarando as crianças confusas diante de mim. — Sei que vocês estão preocupados com Marshall e com o que ele pode estar sentindo, de acordo com o que ouviram sobre a melhor maneira de se tornar menos aterrorizante após a transformação. Quero que saibam que ele agora possui o triplo da força.
— Quer dizer que precisamos tomar cuidado ao abraçá-lo ou fazer qualquer coisa do tipo? — perguntou Janet, olhando para Taylor. — E como estão as emoções dele?
Taylor concentrou-se nas emoções de Marshall e deu um passo para trás, fazendo uma expressão enojada.
— As emoções dele estão muito intensas, mas não há confusão ou algo do tipo — explicou Taylor, olhando para mim e para a irmã. — Então podemos agir normalmente.
Decidi ir até Marshall primeiro.
Abri a porta, e Marshall emitiu um som rouco.
— O que foi, meu amor? — inclinei a cabeça na altura de sua boca.
— Banho. — ele resmungou, fechando a expressão.
— Está bem — concordei.
Abri o chuveiro e voltei para buscá-lo, erguendo seu corpo gentilmente nos braços. Como ele não conseguia ficar em pé, sentei-o suavemente em uma bancada de mármore, retirei sua roupa com delicadeza e depois o ergui novamente.
Entrei debaixo d'água, usando meus ombros como escudo para protegê-lo. Queria verificar se a mudança na umidade e temperatura o deixaria desconfortável. Quando percebi que ele não estava protestando, gradualmente introduzi seu corpo sob o jato d'água, começando pelos pés, caso a sensação fosse muito forte. Parecia gostar da água, inclinando o pescoço e abrindo a boca. Não pude deixar de notar suas presas, que achei lindas, brancas, brilhantes e pontiagudas.
Pressionei-o contra mim por um instante, abraçando-o. Depois, permitindo que seus pés tocassem o chão e ainda sustentava seu corpo com um braço. Com a mão livre, peguei um frasco de xampu e apliquei um pouco em sua cabeça. Massageei seu cabelo até formar espuma e depois enxaguei. Com um sabonete, acariciei sua pele o melhor que pude, tomando cuidado para não deixar cair, e então me certifiquei de enxaguar até que não restasse mais nenhuma espuma.
Enrolei-o novamente em meus braços, desliguei a torneira e o tirei do chuveiro. Peguei uma toalha, a coloquei sobre a bancada, sustentando-a entre a parede e o espelho. Com cuidado, secando seu cabelo, seu rosto, pescoço, braços, pés e pernas.
Sua pele ficaria hipersensível por algum tempo, assim como sua visão e audição.
— Obrigado por cuidar de mim — ele sussurrou, e eu o beijei antes de guiá-lo de volta para o quarto. Peguei uma roupa que sua mãe havia trazido e o vesti, garantindo que ele ficasse o mais confortável possível.
— Sempre cuidarei de você, meu amor — respondi com um sorriso, e então o beijei com delicadeza nos lábios.
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Meu pai permitiu que a Sra. Aldrin entrasse no quarto para ver seu filho, e é claro que eu tive que ficar ao lado. Ambos começaram a conversar, e ela parecia estar em choque ao ver Marshall, que era o primeiro de uma nova espécie.
Eu conseguia entender o ponto de vista dela. Os tríbridos já eram raros por si só, e agora um quadribrido.
Em certo momento, senti o aroma do oceano e virei-me em direção à porta. Lá estava Maxuel, parado na soleira, emanando uma elegância esbelta, vestindo roupas impecáveis e com cabelos dourados.
— Marshall, finalmente acordou. Como está se sentindo?— Maxuel perguntou enquanto se acomodava na beira da cama.
— Eu que pergunto, que visual é esse? — Marshall perguntou, claramente surpreso.
— Estava querendo dar uma atualizada no visual, algo mais condizente com os tempos modernos — Maxuel respondeu, estalando a língua. — Maeru disse que fiquei bonito com esse visual, mas ele sempre diz essas coisas para mim.
— Imaginei que isso iria acontecer, mas combina com você — Marshall comentou. — E que cheiro é esse?
— Os descendentes do meu irmão mais novo me deram esse perfume — Maxuel respondeu, apontando para si mesmo. — Agora, me diga como está se sentindo? Antes de entrar, me contaram que você se tornou um Quadribrido.
— Até agora, parece bem comum. Nada de diferente, exceto que minhas emoções ainda estão um pouco confusas — Marshall disse. — Será que isso tem algo a ver com o desequilíbrio no mundo dos mortos?
— Possivelmente, já que no mundo atual tudo pode acontecer quando algo desse tipo ocorre — Maxuel respondeu. — Mas deixe isso de lado por enquanto. Concentre-se em se adaptar a tudo isso por agora. Devemos treinar amanhã de manhã.
Maxuel continuou conversando com Marshall, e eu comecei a pensar sobre o dia de amanhã, quando treinava com ele na velocidade vampiresca pela primeira vez.
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Marshall tomou uma inspiração profunda, enchendo seus pulmões de ar fresco, e em seguida, deu início a uma corrida veloz para se distanciar da casa. Eu o segui de perto, nossos passos sincronizados como se compartilhássemos uma mente.
Tudo o que precisamos foi de uma única passada longa para alcançar o lugar que ele mencionara anteriormente. Seus olhos brilhavam com determinação, e seus pensamentos pareciam se mover a uma velocidade vertiginosa. Um único passo bastou para ele aterrar seu pé direito com precisão, aplicando a pressão exata para impulsionar seu corpo em direção ao destino. Antes mesmo de um segundo se completar, já estávamos diante do local.
Ele lançou um olhar para o canteiro de obras que se estendia à nossa frente e depois para mim.
— Eu queria fazer uma surpresa. Vou construir uma casa para nossa família aqui. — Revelei, lembrando-me de que tudo isso fora possível graças aos meus irmãos, que haviam secretamente me ajudado. — Será o lar dos gêmeos e o nosso para sempre.
Um sorriso iluminou o rosto de Marshall. Ele se aproximou e, com ternura, depositou um beijo nos meus lábios. Meus braços envolveram a sua cintura com firmeza, trazendo-o ainda mais para perto. Nossos lábios se uniram em um beijo apaixonado, e apesar da intensidade, eles permaneceram suaves. Ele correspondeu com a mesma paixão, e em questão de segundos, encontrávamo-nos no chão.
— Epa — ele exclamou, quebrando o beijo, o que me fez rir. — Eu não tinha a intenção de agarrar você dessa forma. Você está bem?
Minhas mãos acariciaram seu rosto, e um sorriso brincou nos meus lábios.
— Com você aqui, eu sempre estarei bem. — Declarei antes de beijá-lo novamente. — Eu te amo.
Ele se afastou, olhando profundamente nos meus olhos.
— Eu também te amo — respondeu com ternura.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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