Capítulo Quarenta e Dois

Daniel vamps:

Coloquei o paletó da Brooks Brothers, ajustando-o nos ombros. Sempre me senti desconfortável em roupas formais, e dessa vez não foi diferente. Nem mesmo informei meu pai sobre o que planejava fazer.

Mesmo que o traje fosse feito sob medida, eu ainda me sentia como se estivesse aprisionado. Minha preferência era por roupas simples, ou até mesmo um moletom.

Dirigi-me ao banheiro e forcei a vista, tentando avaliar meu aspecto. O terno e a camisa eram pretos, isso foi tudo o que consegui discernir. Retirei o paletó e coloquei sobre a bancada de mármore. Passei a mão impacientemente pelo cabelo, prendendo-o com uma tira de couro.

Naquela noite, o avô de Marshall havia organizado uma festa para celebrar o noivado do neto mais novo. A senhora Aldrin e Tony já deviam ter chegado, pois meus irmãos foram buscá-los.

Olhei para o meu reflexo no espelho e, após um breve momento, vesti novamente o paletó. Queria ir mais devagar, compartilhar uma refeição com ela, conversar. Tentei sorrir e forcei minhas bochechas a se esticarem, como se fossem rachar.

Por que estou tão nervoso? Já conheço todos os membros da família de Marshall muito bem. Talvez seja hora de ser mais sincero comigo mesmo.

Passei a mão pelo maxilar, desistindo de ajustar minha aparência.

— Daniel? — A voz do tio Aart ecoou pelo quarto.

A voz profunda dele foi reconfortante e me trouxe de volta à realidade.

Saí do quarto e franzi a testa ao ouvir o assobio do meu tio.

— Olha só você — disse, circulando ao meu redor. — Parece seu pai quando saiu com sua mãe pela primeira vez.

Meu pai e meu tio haviam retornado assim que o primeiro raio de sol surgiu. Meu pai segurava uma grande caixa, mas ignorou todas as perguntas que fizemos. Meu tio também permaneceu em silêncio.

— Não enche. — Respondi, e ele riu. — Não vai para o jantar?

— Mesmo que eu tenha pedido desculpas ao Marshall, ainda há um clima estranho entre nós. — Tio Aart explicou. — Ele não ficaria contente se eu estragasse um momento familiar.

Alguém tossiu, e vi Marshall apoiado na porta com Utily ao seu lado.

— Você faz parte da família do Daniel, então esqueça qualquer clima estranho que tenha havido entre nós nos últimos dias. — Marshall sorriu e piscou para mim. — E posso dizer que você está um gato nesse paletó.

Cruzei os braços sobre o peito, mas o paletó apertado me impedia de movê-los adequadamente, então deixei que eles caíssem ao lado do corpo.

— Só não vou conseguir me mover muito. — Tio Aart comentou, estalando a língua, e Marshall concordou. — Acho que é melhor eu ir me trocar.

Meu tio saiu assobiando enquanto Marshall entrava no quarto, e sua mão brilhou com magia.

— Aprendi um feitiço de troca de roupas — ele explicou, e o paletó brilhou um pouco antes de aumentar de tamanho. — Agora, podemos dizer que você está ainda mais deslumbrante.

— Você é quem está deslumbrante, Marshall — respondi, observando-o de cima a baixo. Seu cabelo estava impecável, seu rosto tinha apenas o toque necessário de maquiagem para realçar seus traços naturais, dando-lhe um ar de inocência.

— Então, pronto para ir? — ele perguntou, e eu assenti. — Os outros estão nos esperando, incluindo seu tio.

Entrelaçamos os braços e deixamos meu quarto para trás.

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O tempo estava claro, calmo e pacífico. As estrelas piscavam acima de nós, mas mesmo a calmaria do céu estrelado não conseguia acalmar a turbulência que se agitava dentro de mim. Meu pulso acelerava, e eu inspirava profundamente, repetidamente, tentando acalmar os nervos.

Sentia minhas mãos tremerem, e tive que fazer um esforço tremendo para mantê-las imóveis, mesmo com os olhares curiosos dos gêmeos sobre mim.

Em cerca de dez minutos, chegamos ao restaurante. Assim que entramos, o salão exalava luxo, um espetáculo para os olhos. No entanto, apesar de toda a beleza e grandiosidade que enchiam o ambiente, a atmosfera estava surpreendentemente calma e alegre.

— Onde seu avô encontra esses lugares?—  comentou Janet com Marshall.

— Na verdade, esta é uma construção que Milo fez com magia empática para ajudar meu avô com o jantar—  explicou Marshall. E, olhando para a mesa, vi o rei das fadas e seu esposo conversando animadamente com os pais de Marshall e William. — Maxuel também nos ajudou com a comida.—

Meus irmãos estavam na mesma sintonia. Juliano sorriu em nossa direção, enquanto Maxuel, que estava conversando ao celular, acenou para nós.

E então, como se fosse um desejo realizado, o jantar terminou de maneira eficiente, sem erros. Um suspiro profundo e silencioso escapou dos lábios de Marshall quando todos começaram a se levantar rapidamente e se dispersar da mesa, prontos para dançar ao som de uma melodia que enchia o ambiente. Eu mal podia acreditar na rapidez com que a magia do rei das fadas fez instrumentos surgirem, encantando a todos com sua música.

O lorde fada segurou o rei pela cintura e o girou com graça, seus olhares presos um no outro.

— Vocês vão dançar?—  perguntou William.

— O senhor?—  meu pai devolveu a pergunta. — No meu caso, só dançava com minha falecida esposa, e não sou grande fã de dança.—

— Não, danço há muito tempo, e nunca gostei muito, para ser sincero. Meu filho e minha esposa eram os que gostavam—  William respondeu, os dois compartilhando memórias e saudades de seus entes queridos.

Levantei-me, puxando Marshall comigo. Ele riu suavemente. Era incrível como todos estavam se entrosando tão rapidamente. Taylor e Janet brincavam ao longe com Utily, enquanto David e Hampher haviam desaparecido da vista de todos, deixando-nos a imaginar onde teriam ido.

Marshall colocou as mãos atrás do meu pescoço, e começamos a dançar ao ritmo da música lenta que tocava.

— Tudo está tão perfeito—  Marshall murmurou, mas depois seus olhos se desviaram para a entrada do restaurante mágico. — Parece que teremos alguns penetras.—

Eu também senti a aura e o cheiro no ar e sorri para ele.

— Vamos nos divertir um pouco—  disse, interrompendo a dança e indo em direção à entrada. Ricky parou de dançar com Paul e seguiu atrás de nós, e vi que Milo também estava vindo.

— Parece que alguns assassinos estão vindo nos pegar—  observou o rei das fadas, e suas espadas surgiram instantaneamente, enquanto o arco de Marshall se materializou em suas mãos.

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Do lado de fora, os Dracos estavam à espreita, prontos para atacar. A tensão pairava no ar enquanto nos preparávamos para o confronto iminente.

Marshall permanecia calmo, apontando sua flecha com precisão mortal a cada disparo, derrubando um inimigo após o outro. Milo, por sua vez, se transformou em uma figura sanguinária, sua expressão endurecida pela batalha. Eu me transformei em lobo e me juntei à luta, atacando com ferocidade, mirando as gargantas e os olhos dos inimigos.

Nossa coordenação era perfeita, desviando habilmente dos golpes dos Dracos e encontrando brechas em sua guarda. Milo desferiu golpes certeiros com suas espadas, que já estavam manchadas de sangue inimigo. Marshall e Milo eram verdadeiros protagonistas nessa batalha, espalhando medo entre os Dracos enquanto seus números diminuíam drasticamente.

Quando finalmente restou apenas um homem de cabelos brancos, o medo era visível em seus olhos. Ele fez um apelo desesperado.

— Deixem minhas crianças viverem. Elas não merecem pagar pelos meus pecados—  implorou ele. Marshall o encarou sem demonstrar emoção.

— Não sou como você ou seus cúmplices mortos —  respondeu Marshall, e uma flecha certeira atingiu a garganta do homem, pondo um fim rápido à sua vida.

Ficamos em silêncio, observando atentamente para garantir que não haveria ressurreições surpreendentes. O campo de batalha ficou tranquilo, e a ameaça dos Dracos finalmente desapareceu.

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No final, Milo pediu aos cavaleiros imperiais que removessem os corpos.

Eu imaginei que as crianças ficariam chocadas ao testemunhar a cena dos familiares de sua mãe mortos. No entanto, elas apenas olharam para tudo por alguns segundos antes de correrem em direção a Marshall, preocupadas com seu bem-estar.

Milo riu enquanto seu lorde observava Marshall atentamente, analisando-o de cima a baixo. O avô de Marshall começou a elogiar seu neto, admirando sua habilidade com o arco e sua rapidez. Apenas Juliano, Megan e Tony estavam chocados com tudo o que havia acontecido.

— Marshall, você pode me ensinar a usar essas armas?—  perguntou Megan.

— Eu também adoraria aprender a usar um arco e flecha —  disse Juliano empolgado, o que me arrancou uma risada.

Claro, eles demonstravam interesse em aprender com Marshall. O lorde de Milo, impressionado com as habilidades de Marshall, continuou a elogiar seu arco e sua destreza.

— Claro, ficarei feliz em ensinar a vocês como usar arcos e flechas —  respondeu Marshall com um sorriso amigável.

Megan, Juliano e Tony pareciam ansiosos com a perspectiva de aprender uma nova habilidade, e isso trouxe um pouco de leveza ao clima após o confronto tenso com os cavaleiros imperiais.

Enquanto Marshall começava a explicar os conceitos básicos do tiro com arco, eu observava a cena com um senso de alívio. Parecia que, apesar de todas as adversidades, nossa família estava se aproximando e encontrando novas maneiras de se conectar. Era um sinal de que, mesmo nas situações mais difíceis, ainda podíamos encontrar motivos para sorrir e seguir em frente.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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