42 • the end
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JEON JUNGKOOK
Era madrugada, 04:27 da manhã pra ser mais exato.
O Jimin estava apagado graças ao calmante que dei, e eu, permaneci na sala com o Namjoon. Acabamos ficando na mansão para proteger ele, e também, fazer companhia para a Hyejin, que está lidando com a morte do Eunwoo.
Eu mal conseguia dormir, e só sabia pensar nas possibilidades do paradeiro do Yohan e da Sra. Yoo, assim como em quem fez isso com o Eunwoo.
Minha tia é minha principal suspeita, mas em todas as vezes em que ela me ligou, eram números privados, ou seja, não há formas de entrar em contato com ela.
E a pior parte; ela não era a única suspeita.
Antes de dar o calmante para o Jimin, ele me contou sobre a conversa que teve com a Hyejin durante o voo, então sei resumidamente as coisas em que ele estava se metendo.
Pode ser tanto ela quanto qualquer outra pessoa buscando atingir a família Park.
Eu estava pirando.
— Jungkook, vá dormir um pouco, você está à horas andando de um lado para o outro. — O Namjoon falou.
Meu corpo todo estava impaciente, e esperar por qualquer notícia estava me matando. Eu tentava parecer forte, mas a real era que eu estava destruído por dentro. Prometi cuidar deles e não cumpri, e só de pensar nisso eu sentia uma raiva absurda de mim mesmo.
Parei em frente à uma das janelas e respirei fundo.
— Eu não consigo...
Ele se aproximou e parou do meu lado.
— São tantas pessoas que podem ter feito isso com o Eunwoo que torna tudo ainda mais difícil.
— Você acha que pode ter sido alguém cobrando alguma dívida? — perguntei.
— Dívida eu acho que não, dinheiro nunca foi um problema, mas ele fez inimigos durante esses últimos anos. Uma vingança, talvez.
A incerteza era sufocante, e tudo que eu queria era que essa tortura acabasse logo.
As horas foram passando e eu sequer consegui fechar os olhos. O Namjoon permaneceu na liderança dos outros seguranças que cuidam da casa, enquanto eu fiquei o tempo todo olhando para o celular, esperando qualquer ligação ou pista.
Eu estava me sentindo a porra de um inútil.
[...]
Às 10:35 da manhã meu celular tocou; era uma chamada do Mingyu. Eu continuava acordado então atendi rápido.
— Jk, é o seguinte. Como você sabe, o caso não está comigo, e se estivesse, isso não aconteceria.
— O que você tá querendo dizer?
— O investigador do caso abriu um inquérito contra a Sra. Park, e ela será investigada sobre a morte do Eunwoo. Vai chegar dois investigadores na casa dela daqui mais ou menos uma hora, então avise ela e a deixe preparada. Não permita que ela saia ou não receba os investigadores, isso só pioraria as coisas.
— Isso não pode ser... Vão perder tempo investigando ela, enquanto o principal culpado está à solta, e o pior, com a chance de estar com meu filho.
— Exatamente. Eu falei com o delegado e insisti nisso, mas ele também a considera uma suspeita, visto que ela se tornaria a herdeira de todo o patrimônio dele, e não só das empresas que já estão sob a gestão dela.
— Que filhos da puta! Eu preciso fazer alguma coisa Min, nem que eu investigue por conta própria. Pra começar, preciso achar minha tia.
— Você acha que foi ela?
— Acho que sim... É minha principal suspeita, mas, também tem aquela situação que te expliquei sobre o Eunwoo, então, pode ser outra pessoa também. Vou te passar tudo que sei sobre minha tia, tenta descobrir qualquer coisa sobre ela, por favor. Eu tô surtando.
— Manda aí que vejo o que eu consigo. E Jk, eu sei que é meio difícil, mas mantenha a calma.
— Difícil não, é impossível.
— Eu sei... Imagino também como o Jimin deve estar, então se mantenha firme, por ele, ou melhor, por eles.
— Vou fazer o possível e o impossível pra consertar tudo.
— Isso aí, esse é o Jeon que eu conheço.
Eu tinha que me obrigar a ser forte.
— Esses dois investigadores, eu conheço?
— Não, eles eram de outras corporações. O investigador que abriu a denúncia contra ela estará junto, e com certeza ele é um filho da puta, então tomem cuidado. Você vai perceber qual deles é assim que chegarem aí. Agora preciso desligar, mas você já sabe, ninguém da polícia pode saber dessa ligação.
— Não precisa nem me pedir isso. Obrigado, Min.
Expliquei para o Namjoon, e ele pediu para uma das funcionárias chamar a Hyejin no quarto dela.
Enquanto eu esperava na sala, vi o Jimin descendo as escadas, quase se arrastando.
Levantei rápido e fui até sua direção pra ajudar.
— Oi, meu loirinho.
— Oi... Acordei achando que era um sonho ruim, mas percebi que é real, e ainda estamos sem ele. — Seus olhos que já são pequenos, estavam inchados de tanto chorar, além da expressão triste, e isso era o suficiente pra me machucar ainda mais.
— Quer comer alguma coisa?
Ele balançou a cabeça negativamente.
— Você não comeu nada desde ontem, Ji.
— Eu tô sem fome, não quero comer.
Assim que sentamos no sofá, ele me abraçou e ficou dessa forma. Eu envolvi seu corpo e rosto próximo do meu corpo, retribuindo o abraço.
— Isso parece uma repetição do dia em que a assistente social levou ele, só que mil vezes pior dessa vez. — ele falou com a voz baixa, tão baixa que mais parecia que estava sussurrando.
— Me perdoe...
Ele me olhou, e com os olhos confusos, perguntou.
— Por que está dizendo isso?
— Eu prometi por várias vezes proteger vocês, e não consegui.
Ele posicionou a mão no meu rosto com carinho, permanecendo com seus olhos nos meus.
— Você não tem que pedir perdão por algo que estava fora do seu alcance. Eu sei que se ele estivesse com a gente, você faria tudo pra nos proteger.
Mesmo com as palavras dele, que eu sei que são sinceras, o sentimento de culpa não se atreveu à sair de mim.
Nesse meio tempo, a Hyejin também desceu as escadas e veio até a sala.
Expliquei sobre a investigação, e ela, que já estava mal, entrou em desespero.
— Eu não tenho nada a ver com isso... Céus, eu abro mão de tudo, se for necessário. Eu jamais cometeria um crime desses, nem com ele e muito menos com ninguém.
— Eu sei disso, e faremos de tudo pra provar sua inocência. Assim que os investigadores chegarem, explique com detalhes tudo que fez nos últimos dias, assim como tudo que passou enquanto casada com ele. Precisamos descobrir o culpado de tudo, assim como temos que achar o Yohan o mais rápido possível.
O Jimin mantinha seu olhar perdido para mim, e eu não sabia o que fazer ou por onde começar, mesmo assim, precisava agir. Ele abraçou a Hyejin e ficou tentando acalmar ela.
Enquanto esperamos eles chegarem, ela fez algumas ligações para seus advogados. De um lado, ela falava no celular andando em círculos pela sala, do outro, o Jimin estava em completo silêncio enquanto olhava para o chão, quase imóvel.
Pouco mais de uma hora depois, os dois investigadores chegaram, e eu realmente não conhecia eles. Colheram nossos depoimentos separadamente, no escritório da casa, assim como fizeram comigo, que fui o último à ser interrogado.
— Jeon Jungkook... 26 anos e tantos crimes assim... Vejo que foi inocentado de dois deles, mas agora, envolvido em mais um? Pra um ex-policial, essas são condutas no mínimo vergonhosas, não acha?
Então é esse o investigador do qual o Mingyu falou.
— Ambos eu não tinha culpa alguma, e no segundo, fui eu quem foi sequestrado.
Ele olhou para os papéis e leu por uns instantes.
— Você foi sequestrado pelo próprio Eunwoo, que foi morto. Isso talvez justificaria uma vingança da sua parte.
Eu não podia acreditar nisso, o desgraçado também estava desconfiando de mim e me acusando?
— Não tenho motivos pra vingança, ele estava preso pagando pelo que fez, e isso já era o suficiente.
— Hmm... — ele anotou algo e olhou ao redor. — Essa casa, ela é enorme, uma verdadeira mansão. O que você está fazendo aqui?
— Como o senhor pode ver nos autos, meu filho e a pessoa que estava cuidando dele estão desaparecidos. Eu não faço ideia do paradeiro deles, e muito menos sei quem está por trás disso, então eu jamais arriscaria ficar em outro lugar em que ficássemos expostos. Creio que o senhor notou com seus próprios olhos a quantidade de seguranças que estão espalhados pela casa.
Ele fez algumas anotações após minha resposta, e voltou a me olhar em seguida.
— Ok. E sobre a criança, qual o último contato que tiveram com ela?
— Nós falamos por vídeo chamada com a Sra. Yoo ontem, na parte da manhã. A Hyejin foi ao nosso quarto um tempo depois do show, assim que soube da morte do Eunwoo. Foi então a partir desse momento que não conseguimos mais contato com a Sra. Yoo. Eu quero acreditar que não, mas tenho quase certeza que os crimes estão envolvidos.
Ele me olhava como se estivesse esperando qualquer movimento ou palavra errada pra me acusar de tudo.
— Por que eu deveria acreditar no que está me dizendo?
— Porque é a verdade, eu só quero achar meu filho. Enquanto vocês estão perdendo tempo nos investigando, o verdadeiro culpado está à solta com ele.
Era claro que eu não deveria responder assim, mas eu já estava no meu limite.
Ele não respondeu, e apenas cerrou os olhos para mim, então, o outro investigador respondeu.
— Sr. Jeon, obrigado pelas declarações, voltamos à nos falar assim que tivermos notícias.
Eles levantaram e foram embora.
Enquanto eu os observava pela janela do escritório da casa, o Jimin entrou.
— Como foi?
— O maldito desconfia de mim também.
Ele me olhou assustado.
— Isso é um teste da vida, não é possível... eu vou surtar.
— Tá tudo bem, eu vou resolver isso.
Nós voltamos para a sala e a Hyejin estava se preparando para sair.
— Onde você vai? — o Jimin perguntou.
— Para a Town. Tenho uma reunião com meus advogados e com alguns funcionários.
— O Nam vai também? Caso contrário, você não vai.
— Ele vai, e já está lá fora me esperando. Vou com outros seguranças também, então fique tranquilo, vou ter cuidado. Me avise se tiver qualquer notícia do Yohan.
Ela se despediu e saiu, e o Jimin foi até o carro com ela. Nesse momento, meu celular que estava na mesinha de centro, vibrou.
Peguei para conferir achando ser alguma mensagem do Mingyu, mas eu estava completamente enganado.
(Aproximadamente 5 milhões de reais)
Meu corpo congelou completamente. Tentei responder a mensagem, mas o número me bloqueou assim que enviou as mensagens.
Também não havia formas de ligar.
Com as mãos trêmulas, pesquisei o endereço. Até conferi mais de uma vez pra ter certeza de que não estava errado, e era isso mesmo. No local havia uma fazenda de gado, próximo a divisa com a Coréia Popular.
Eram 3 horas de carro de Seoul, e além da distância, me aproximar da fronteira à noite era uma ideia péssima, mas eu não tinha outra alternativa.
O Jimin entrou de volta e percebeu minha expressão no mesmo instante.
— O que aconteceu?
Por mais que eu quisesse esconder isso dele, buscando o proteger, eu não tinha esse direito. Desbloqueei a tela e virei na sua direção, e ele ficou desesperado.
— Nós precisamos ir lá agora!
— Calma, eu preciso avisar o Mingyu.
— Você não leu o que está escrito na mensagem?
— Ji, nós precisamos avisar ele, e temos que fazer isso com calm... onde você vai?
Ele nem me ouviu e saiu correndo pela casa, procurando a chave do carro. Eu fui atrás dele, tentando controlar seu desespero.
— Me solta! — ele gritou nos corredores da mansão.
— Eu tô pedindo pra você ter calma! — aumentei a voz, segurando nos seus braços. — Você quer arriscar que matem ele? Não podemos ir lá agora, assim como não existe possibilidade de irmos sem a polícia saber... Nós não sabemos o que vamos encontrar lá, e seria como jogar nossas vidas nas mãos deles. Você tá me entendendo? Nós estamos em desvantagem.
Ele abaixou a cabeça, e com o olhar para o chão, começou a chorar.
— Jimin, confia em mim.
Assim que falei, ele me abraçou, ainda em meio às lágrimas. Suas mãos pequenas apertavam minha roupa com força, como se buscasse aliviar toda a dor que estava sentindo.
— Vamos agir da forma que menos oferecer perigo pra ele, ok?
Ele concordou com a cabeça, onde permaneceu em silêncio enquanto tentava recolher as lágrimas.
Eu não sabia se meu celular estava sendo monitorado, e não podia arriscar. O Jimin procurou pela casa e voltou com um celular aleatório, e usei ele para fazer a ligação ao Mingyu, onde contei sobre a mensagem.
— Bingo, era o que precisávamos!
— Como você acha que podemos fazer isso? — perguntei.
— Temos duas alternativas; a polícia invadir, ou, você servir de isca, levando o dinheiro que estão pedindo.
— Eu vou, não quero arriscar que aconteça algo com ele.
— Ótimo. Então preciso colocar uma microcâmera em você, pra saber a hora certa de agir. Tem uma que é acoplada ao botão de uma blusa, completamente imperceptível. Não sei se estão vigiando vocês, então, mandarei entregar disfarçado de delivery.
— Obrigada Min, por tudo.
— Amigos são pra isso, você sabe. Até depois.
Encerramos a chamada e expliquei para o Jimin o que conversamos.
— Eu vou com você.
Arregalei os olhos para ele.
— Que? Não, você vai me esperar aqui.
— Sem chance, eu vou junto, e se você cogitar me deixar aqui ou me drogar com outro calmante, eu juro que peço divórcio.
Eu já deveria imaginar que ele nunca aceitaria ficar... Eu realmente não devia ter mostrado a mensagem.
— Ji, é muito arriscado. Nós não fazemos ideia de quem está fazendo isso, e se eu te colocar em risco assim e acontecer alguma coisa com você ou com ele, eu nunca vou me perdoar... Eu já tô fodido de raiva de mim mesmo.
— Eu sei que você quer me proteger, mas eu também sei me defender. Nem se você me amarrasse aqui eu aceitaria ficar, e ia cortar as cordas com os dentes. Está resolvido, eu vou.
— Você não entende o tamanho do perigo?
— Entendo, e vou mesmo assim. Vou pedir para um dos seguranças sacar o dinheiro.
Ele saiu de perto e foi para o lado de fora da mansão, atrás do segurança.
Eu conheço ele mais do que ninguém, e é óbvio que não vou conseguir fazer ele mudar de ideia.
Ficamos sentados na sala esperando as horas passarem feito duas estátuas. Eu estava irritado por causa da insistência dele, e ele, nervoso comigo por querer que ele fique.
Depois de duas horas, o motoboy disfarçado chegou e me entregou a camisa em uma sacola de hambúrguer.
E voltamos a esperar a hora passar.
— Se você não comer alguma coisa, não vai comigo. — Minha voz cortou o silêncio.
— Tá me chantageando?
— Estou. Vou preparar algo pra você.
Ele ficou reclamando, enquanto deixei ele falando sozinho e fui até a cozinha.
Conferi os armários e a geladeira, e tinha simplesmente todos os ingredientes que eu podia imaginar. Escolhi fazer algo que ele dificilmente recusaria.
Preparei um molho bem temperado enquanto deixei a massa do tteokbokki cozinhando. Ao juntar ela ao molho, acrescentei muito queijo e servi em duas tigelas. Eu não estava com apetite, mas se eu comer, seria um motivo maior pra ele não recusar.
Levei as tigelas e dois copos de chá gelado em uma bandeja até a sala, onde coloquei na mesa de centro.
Ele estava encolhido no sofá, escondendo o rosto em uma grande almofada que abraçava.
— Vem, vamos comer. — Passei a mão nos cabelos dourados dele, e estendi a mão na sua frente.
Ele afastou o rosto da almofada e olhou na direção das tigelas, em seguida, para mim. Mesmo com uma certa resistência, ele pegou minha mão e levantou, onde nos sentamos no tapete.
Ele pegou o hashi, e mesmo devagar, começou a comer, e eu estava aliviado por isso.
— Obrigado, está muito bom... — sua voz saiu baixa e triste.
Acariciei seu rosto, dando uma apertadinha no seu queixo.
— Tô orgulhoso que você está comendo.
Eu queria ter o poder de não permitir que ele sofresse. Eu preferia sofrer o dobro da dor no lugar dele.
Mesmo em ritmo lento, ele conseguiu comer tudo, comprovando que realmente estava com fome.
Levei as louças até a cozinha, e voltei para a sala, e ali, voltamos a esperar as horas passarem.
Cada minuto parecia durar uma eternidade, e quanto mais a hora se aproximava, mais tenso eu me sentia.
[...]
O relógio marcava 17:00h.
À essa hora, não dava mais para voltar atrás. Após vários contatos com o Mingyu, alinhando os últimos detalhes, nos preparamos para sair.
Mesmo com as súplicas da Hyejin pelo telefone, o Jimin não mudou de ideia e se manteve firme em ir junto.
Sem que ele pudesse ver, coloquei minha arma em um coldre e prendi no tornozelo. Pegamos a maleta com todo o dinheiro, e então fomos para o carro, onde seguimos viagem até a fronteira.
Eu podia ouvir a respiração do Jimin pesada dentro do carro. Coloquei a mão na perna dele com a palma virada para cima, pedindo sua mão. Ele pegou e me olhou, e aquele mesmo olhar triste continuava.
— Por que você tá fazendo isso, Ji...
Eu sentia meu coração pular forte no meu peito, e era um misto de medo, apreensão e insegurança.
— Por você e por ele, eu não tenho medo de nada.
Eu apertava sua mão ainda mais forte.
— Já eu, tô morrendo de medo.
Eu realmente estava, e podia sentir meu suor frio escorrer pelo meu corpo.
— Não fique. — ele levou minha mão até a boca dele e beijou — Nós vamos salvar ele, eu sei disso. Daqui um tempo, isso será apenas uma lembrança ruim.
E depois de quase três horas, chegamos ao endereço. Era uma fazenda rodeada por estradas de terra, mato denso e escuridão. Pela forma que a fazenda estava deteriorada, já imaginamos que estivesse abandonada.
Assim como o frigorífico que me levaram...
— Por favor, Ji, não faça nada imprudente. — minhas palavras saíram quase uma súplica, afinal eu sei que ele dificilmente me ouve.
— Tá, tá, agora vamos.
Não senti confiança alguma na resposta dele, mas agora já era tarde pra voltar atrás ou desistir.
Peguei a maleta e descemos do carro.
Logo na entrada já havia um homem, que acendeu uma lanterna na nossa direção e veio até nós.
— Vocês estão armados? — Ele perguntou apontando uma arma.
— Não estamos.
— Levantem a camisa, os dois. — Ele balançou a arma mandando, e nós obedecemos.
Ele se aproximou do Jimin e olhou nas suas costas.
— Levanta a barra da calça. — ele falou e o Jimin levantou.
— Que merda, ele vai ver a arma... — pensei, sentindo meus batimentos aumentando em segundos.
Agir agora seria nosso fim, e eu não conseguia pensar em uma solução.
Até que, uma voz masculina ecoou de dentro do galpão.
— Deixe eles entrarem.
Eu respirei aliviado sem ao menos demonstrar. Que sorte!
Ele abriu o restante da porta e entramos.
Havia um único homem, parado de costas pra nós, usando terno, luvas, e o cabelo penteado para trás.
Estava escuro, apenas com uma luz amarelada posicionada em cima dele, e outras poucas espalhadas pelo galpão.
Olhei atentamente na escuridão nos cantos do lugar, e consegui notar que o cara que estava na porta, agora também estava aqui.
Olhei para os outros lados e não vi mais ninguém, e por enquanto, eram só os dois.
O cara que estava abaixo da luz, virou na nossa direção, e mesmo olhando seu rosto atentamente, eu não o conhecia. Ele até parecia familiar, talvez seu olhar, mas não sabia ao certo.
— Dois idols? Uau. — ele começou a bater palmas. — Devo dizer que é uma honra, mas me lembro de ter chamado apenas você, Jeon.
Olhei para o Jimin que estava espreitando os olhos para ele.
— Espera aí, você... eu te conheço. — o Jimin falou.
— Conhece? Talvez, não sei... — ele riu.
— Onde está meu filho e a Sra. Yoo? — perguntei cortando a risada irônica do desgraçado.
— Seu filho? Não sei do que você está falando.
Eu dei um passo pra frente, enquanto sentia meu sangue ferver nas veias.
— O que você disse?
— Calma calma, aquele chorão está aqui, só estou brincando. — ele ria ironicamente de tudo, e isso estava me irritando cada vez mais.
— Não quero saber das suas brincadeiras, o dinheiro está aqui, quero ele e a senhora do café de volta.
— Hmmm, trouxe a quantia que pedi?
— Sim.
— Abra, eu quero ver.
Abri a maleta e virei na direção dele.
— Uau, isso é tanto dinheiro que estou cheio de planos. Uma viagem seria perfeita, huh?! Um carro de luxo pra sair, talvez até um igual ao do Jimin.
— Eu quero que você e seus planos se fodam. Como você sabe qual é o carro dele?
— Jeon, Jeon, bem que me falaram que você era difícil... Bem, tô de bom humor hoje, então vou ignorar sua pergunta e deixar essa passar. Me entregue a mala primeiro.
— Sem liberar eles? Sem chance.
Ele respirou fundo, e com um único sinal com os dedos, o homem que estava no escuro, se aproximou dele.
— Traga a mulher e aquela criança insuportável. — ele apontou para trás.
— Fala de novo assim do meu filho, que eu mato você, seu filho da puta.
— Filho? Homens não fazem filhos, não combina, entende Jeon? — ele se aproximou de mim e encostou a arma no meu abdômen, gesticulando como a porra de um bêbado.
— Conheço bem seu tipo, famoso "cão que ladra não morde". Valente só porque está com uma arma na mão... solta essa merda que eu te mostro o quanto minha mão combina bem deformando essa bosta que você chama de rosto. Não passa de um covarde.
Ele cerrou os olhos e pressionou a arma na minha barriga.
— E se eu não soltar? Não sei ser justo e adoro trapacear. Você tenta me bater e eu atiro, o que acha? Bang bang! — ele ironizava, apertando ainda mais.
Passos ecoaram da nossa lateral, e o vagabundo se afastou de mim assim que ouviu. Olhei na direção dos sons, e através da escuridão, pude ver a Sra. Yoo se aproximando em passos lentos, trazendo o Yohan em um bebê-conforto que carregava nas mãos.
Ela estava sozinha, e o outro capanga sumiu.
O Jimin imediatamente tentou correr na direção dela, mas eu segurei seu braço.
— Espera, tem alguma coisa errada... — sussurrei.
Antes dele me responder qualquer coisa, a Sra. Yoo falou olhando diretamente para o Jimin.
— Estou tão aliviada em te ver aqui Lin Taewon, ou eu deveria dizer, Park Jimin?
Eu arregalei os olhos para ela, e o Jimin também. Ficamos em silêncio uns segundos tentando processar o que estava acontecendo.
Ela foi até o homem de terno e parou ao lado dele.
— O que a senhora quer dizer? Nós viemos te salvar...
— Me salvar? — ela começou a rir. — Quanta hipocrisia ouvir isso de você, Park... Você matou meu filho e ainda me usou pra conseguir fazer isso.
Isso não pode ser...
— Você está junto com eles? Não, não é possível... Por que está fazendo isso? — O Jimin perguntou, com a voz trêmula.
— E precisa ter um porquê? — ela riu — No início, quando você mentiu pra saber onde meu filho estava, eu realmente acreditei em você, mas uma mulher foi no café enquanto vocês se casavam, e me contou toda a verdade.
— Quem te falou isso? — perguntei.
— E isso interessa agora?
Sem ela dizer, eu já tinha a certeza de que essa mulher da qual ela falou, era a minha tia.
— Devolve meu filho e fiquem com essa merda de dinheiro! — O Jimin gritou.
— Park, sejamos realistas, ele não é seu filho, e nunca vai ser. Ele não foi abandonado, isso foi apenas um pretexto... eu conhecia a mãe dele, e ela me deu ele para cuidar. Meu plano era deixar vocês se apegarem ao bebê, e depois, apenas retirar de vocês. Isso não chega perto da dor que vocês me fizeram passar, mas, eu não conseguiria fazer mal à ele, então toquei no ponto fraco da história de vocês; o velhote dono da gravadora. Era uma tacada só, mandar eliminar ele e deixar vocês serem acusados disso, e advinhem? Funcionou.
Nós caímos feito patinhos, desde o início, tanto que nunca desconfiamos dela.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, o Jimin estava explodindo de raiva, e gritou novamente.
— Sua velha maldita! Você usou uma criança pra nos atingir?
— Jimin, calma.
— Abaixa o tom pra falar com a minha mãe, seu playboy.
— Mãe... então é isso, você é o irmão mais velho do Seung-ho, eu lembro de você na escola. — o Jimin respondeu.
Ali, tudo fez sentido.
— Agora que o inocente percebeu? Desde essa época você e seus amigos já eram uns trouxas que se achavam valentões, e vejo que você não mudou nada, continua sendo um inútil que acha que é o dono do mundo. — ele se aproximava do Jimin, tentando intimidar.
— Se afasta dele, seu desgraçado!
Assim que falei, ele veio na minha direção e me acertou com um soco no rosto. Eu não podia reagir nesse momento, pegar minha arma agora seria um risco enorme para nós, ainda mais com o Yohan aqui. Nós precisamos pegar ele e ir embora, e essa era a chance da polícia agir.
A velha deixou o bebê-conforto com o Yohan no chão, e segurou com a mão no ombro do filho dela.
Eu olhei para o Jimin, e pude ver que ele estava chorando de raiva. Sem conseguir controlar seus sentimentos, ele gritou novamente.
— Sua vagabunda! A porra do seu filho mereceu morrer, assim como vocês dois merecem ir para o inferno junto com ele!
Foi tudo rápido; o cara de terno engatilhou e apontou a arma na direção do Jimin. Eu pulei na frente, e então, um tiro...
O barulho de um único disparo ecoou pelo galpão.
Com o impacto, eu caí no chão, sem nem ver onde acertou. O Ji abaixou na minha direção, mas vi o homem engatilhar e apontar de novo para ele.
— Eu vou acabar com você! — o cara gritou.
Levantei a perna e saquei a arma, e então, disparei duas vezes no desgraçado. Ele caiu assim que o atingiu.
A velha deu um grito e correu até ele, mas nesse momento, ouvimos as portas do galpão sendo estouradas. Os policiais entraram, e assim que ela percebeu, pegou a arma do filho dela, o Yohan, e correu para tentar fugir.
Jimin correu na direção dela, mas um atirador a acertou após poucos passos, e ela também caiu, com o Yohan no colo.
Eu tentei levantar, e nesse movimento de me apoiar no chão perdi a força do meu braço esquerdo. Havia sangue na minha roupa, próximo ao meu tórax.
Muito sangue...
— Merda, levanta porra. — eu pensava buscando forças, mas não funcionava.
Minha visão foi ficando turva, mesmo assim eu continuava tentando me levantar à todo custo. O Jimin pegou o Yohan, e então, correu na minha direção desesperado.
— Jk! Por favor, meu amor, não apaga, fica comigo... — Eu ouvia ele falar e chorar desesperado.
— Rondem tudo agora, ainda tem outro homem foragido! — O Mingyu falou alto para os outros policiais e abaixou do meu lado. — Mas que merda, Jungkook...
Eu sentia uma dor intensa no meu peito que foi aumentando cada vez mais.
Ainda com a visão turva, eu vi o Mingyu olhando na direção do Jimin.
— Você também? Droga, chamem outra ambulância agora!
Ele também? Como assim?
Olhei para o Ji e notei que também havia sangue em seu braço, marcando sua blusa. Ele nem tinha notado e olhou assustado enquanto erguia a manga, e então pudemos ver que o disparo que o atirador deu na velha, também acertou o braço dele.
— Merda. — ele foi perdendo as forças quando viu, e como estava com o Yohan no colo, o Mingyu levantou rápido e segurou eles.
Eu fiquei desesperado e tentei levantar de novo, mas um policial socorrista me segurou, assim como outros chegaram e foram na direção do Jimin.
Aqui, eu já sentia minhas mãos geladas, e tudo foi ficando escuro rapidamente. A dor chegou em um nível insuportável.
— J-Jimin...
Eu perdi todas as minhas forças e minha consciência, e então apaguei.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
A morte... Já estive próximo dela algumas vezes.
Passei a vida desejando ela, e agora que tenho o Jimin, tudo que eu queria era viver...
... eu não posso morrer.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
[...]
| Dois dias depois|
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⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Eu podia sentir alguém mexer no meu braço, e logo após, uma picada no braço. Abri os olhos devagar, e um clarão tomou conta da minha visão.
— Isso é um sonho? — pensei.
— Sr. Jeon, você acordou. Fique calmo, vou chamar a doutora. — escutei uma voz feminina falar comigo, e logo após, uma porta se fechando.
Eu sequer vi quem era.
Assim que consegui abrir os olhos, olhei ao meu redor e notei que eu estava em um quarto de hospital.
Olhei em seguida para meu corpo e vi um grande curativo no meu peitoral e ombro esquerdo.
Não era um sonho ou delírio, eu realmente não morri.
Eu só conseguia pensar onde o Jimin e o Yohan estavam, e estava desesperado por notícias. Minhas mãos estavam trêmulas, enquanto a incerteza me fazia querer sair correndo.
Os dois saíram machucados disso, e eu cheguei a conclusão que realmente me odiava por não impedir toda essa merda.
Foi minha culpa por ter permitido ele ir junto.
A porta abriu, e então, outra voz feminina.
— Olá, bom dia, Jeon. Que bom que você acordou. Como está se sentindo? Consegue me responder?
Uma médica chegou perto de mim enquanto falava e anotava o que via na tela dos aparelhos médicos.
— O Jimin e o meu filho, eles estão bem? — falei com dificuldade, sentindo minha boca seca e a voz falhada.
— Ele está ótimo, e o bebê também.
Aqui, era como se o peso de toneladas tivesse saído das minhas costas.
— Faz quanto tempo que eu tô aqui?
— Tem dois dias. Sua evolução foi ótima, e como acordou, creio que logo receberá alta. O disparo acertou no seu tórax, e passou bem próximo do seu coração. Considerando que foi um lugar com altas chances de óbito, vamos dizer que você ganhou mais uma chance de viver de novo.
Eu olhei para o teto, respirando aliviado pela primeira vez após dias de angústia.
— Obrigado, doutora. Eles estão aqui? Por favor, eu preciso ver eles.
Eu estava agradecido pelo meu estado, mas tudo que eu queria saber no momento era deles.
— Vou verificar se ele já chegou. Não levante da cama e nem mude de posição.
— Tudo bem.
Fiquei sozinho por uns minutos, e escutei a porta abrindo um pouco depois.
— Toc toc... — Alguém falou e apontou com o rosto para dentro da sala; era o Mingyu.
— E aí Min.
Ele entrou e se aproximou.
— Sei que não sou quem você estava esperando, mas a enfermeira me falou que você acordou, e como o Jimin ainda não chegou, aproveitei pra entrar. E minha nossa, você está horrível...
— Obrigado por suas palavras de carinho.
Ele riu.
— Foi mal. Você está acabado mesmo, mas logo estará melhor.
— Cala a boca... — dei risada e continuei — Me diz o que aconteceu com aquela velha maldita e o filho dela, por favor.
— Você acabou de acordar e já quer notícia ruim?
— Sim.
Ele deu com os ombros.
— Então tá, né?! O tiro que você deu no vagabundo, vulgo Yoo Shang-ho, não foi fatal, acertou no pulmão, e mesmo assim o desgraçado foi resgatado com vida.
— Merda... e a velha?
— Ela foi pro saco na mesma hora. Só foi uma pena esse mesmo disparo ter acertado o Jimin, mas por sorte, ele está bem.
— Nem acredito que eles estão à salvo.
Ele se aproximou um pouco mais da cama, apoiando as mãos nas barras de proteção.
— Jk, eu sinto muito pelo que aconteceu, de verdade. Estava tudo indo bem, e aquela louca já tinha se afastado do Yohan, então estávamos prontos pra invadir, mas o Jimin ter xingado ela daquela forma foi loucura, e foi tudo tão rápido...
— Relaxa. Nunca passou pela minha cabeça que ela estivesse envolvida nisso, e se eu desconfiasse, eu faria de tudo pra não permitir que o Jimin fosse junto, pois eu sabia o quanto isso machucaria ele.
— Ele gostava dela, dava pra notar... ela conseguiu enganar todo mundo.
— Conseguiu... infelizmente conseguiu.
— Bem, o lado bom é que desmascaramos ela, mesmo que esteja no inferno. Investigamos e descobrimos que o café era um disfarce da família, eles sempre estiveram envolvidos em diversos crimes, inclusive a própria senhora, que tem um histórico longo de estelionato.
— Que loucura... E eles realmente estão envolvidos na morte do Eunwoo?
— Sim. Quem tirou a vida do seu sogro foi um detento do mesmo presídio em que ele estava, em troca de dinheiro. O próprio Shang-ho confessou que encomendou o crime e pretendia pagar o assassino com o dinheiro do resgate, fugindo com o restante.
— Desgraçados. Armaram toda essa merda, mataram o Eunwoo e ainda usaram uma criança pra nos atingir. Se eu pudesse, pegava esse filho da puta e mandava para inferno junto da mãe e do irmão dele.
— Chega de problema, né, Jungkook?!
— Isso ainda não acabou, Mingyu. Eu tenho certeza que foi minha tia quem contou sobre nós para a Sra. Yoo, então tenho que resolver isso com ela.
— Eu não vou ficar te acobertando. Segue sua vida e esquece da existência dessa mulher. Nós estamos investigando ela também, e tudo indica que logo ela também receberá alguma intimação.
— Você me conhece, eu não vou sossegar enquanto eu não puder viver em paz com o Jimin.
Nesse momento, o celular dele tocou.
— É o delegado, preciso ir nessa, a gente se fala. Pare de se meter em problema.
— Vou tentar. Até depois.
Ele atendeu e saiu.
Fiquei deitado aguardando, e pouco tempo depois, escutei alguém bater na porta. Eu me sentia lento e meio sonolento por conta da medicação, então olhei devagar.
Era o Jimin.
Aqui, meu coração disparou, e toda a sonolência passou em segundos. Ele correu na minha direção, onde me abraçou enquanto chorava.
— Eu te odeio! — Ele me dava vários tapas no braço. — Porque se jogou na minha frente? Você é maluco? Eu quase te perdi por causa da porra de uma loucura sua.
— Eu faria tudo de novo se precisasse. Eu te amo mais que tudo, e não me perdoaria se eu te perdesse.
Ele voltou a chorar, acompanhado de outro tapa no braço.
— E eu, ficaria como sem você? Seu egoísta!
Puxei ele e o abracei, e ele me abraçou de volta.
Eu mergulhava meu rosto sentindo o seu cheiro.
Ele era o sentido da minha vida, e se fosse pra viver sem ele, eu realmente preferia morrer.
— Me perdoe, meu amor. É por isso que você não deveria ter ido, olha o risco que você correu. Esse tiro poderia ter acertado você, em um lugar fatal, tem noção disso?
— Eu fiquei cego de raiva, me desculpe.
Puxei ele mais perto novamente, abraçando ainda mais forte.
— Não precisa pedir desculpas, vocês estão bem, e é isso que importa.
Olhei para o seu braço, e pelo volume por baixo da blusa, lembrei do tiro que acertou ele.
Ele notou meu olhar e levantou a manga, mostrando um curativo.
— Tá tudo bem, foi só um arranhão.
— Pelo tamanho do curativo, eu sei que não foi um arranhão, Ji.
— Quem está no hospital é você, então agora nossa preocupação é sua saúde. Eu estou bem.
Minha mão circulava pelo seu rosto, agradecido ao universo por ter ele aqui comigo. Era mais uma chance de sermos felizes juntos.
— Onde está o Yohan? Como ele está.
— Está com a minha mãe, ela está cuidando dele. Ele está ótimo, e não se machucou em nada, mesmo com a queda.
Eu me sentia aliviado com a notícia, já ele ficou triste assim que respondeu.
— Eu não consigo acreditar que foi tudo um plano da Sra. Yoo, desde o início... Eu fui muito burro, como não enxerguei a maldade dela?
— Ela conseguiu enganar todo mundo, Ji, infelizmente, mas o plano dela de usar o Yohan pra nos fazer sofrer foi por água abaixo, pois ele é nosso novamente, e sempre será.
Algumas batidinhas na porta nos interromperam. A porta abriu, e era o Jin e o Taehyung, que também vieram me visitar.
— Vocês dois não se cansam do hospital? — Jin brincou quando entrou.
— Essa vai ser a última vez, espero. — respondi.
Ficamos um tempo conversando enquanto contava pra eles como tudo aconteceu.
O Tae nos mostrou algumas notícias pelo celular, e agora, todos sabem que adotamos um bebê. Como eu já imaginei que seria, assim como apoios, também teriam críticas. Eu não me importo com isso, mas sei que o Jimin sim.
Depois de um tempo conversando, os meninos foram embora.
O Jimin puxou a cadeira perto da cama e sentou próximo de mim, onde apoiou a cabeça na minha perna e continuou com seu olhar na minha direção.
Minha mão, com acesso de soro, levantou devagar e foi até seu cabelo, onde meus dedos entrelaçam entre seus fios macios.
— Me desculpe por causar tanto problema na sua vida... Talvez, se eu não tivesse aceitado o emprego de guarda-costas, você estaria vivendo bem, e não correria nenhum risco de vida. — falei.
— E viver sem você? Esse é meu maior pesadelo. Nós ficaremos juntos pra sempre, e tudo o que passamos só serviu pra fortalecer ainda mais o que sinto por você.
Ele era literalmente o sentido da minha vida.
— Obrigado por existir, loirinho.
Ele respondeu sorrindo com os olhos.
— Eu que te agradeço por salvar minha vida... de novo.
[...]
Já eram pouco mais de 20:00h quando eu consegui alta, e pelas palavras da médica, minha recuperação foi ótima, ainda mais considerando o lugar em que o disparo acertou.
Assim que saímos do hospital, fomos até a casa da Hyejin buscar o Yohan.
Assim que vi ele e peguei no colo, senti meu coração desacelerar da ansiedade que vivemos por dias.
— Você voltou pra gente, eu te amo tanto. — falei emotivo enquanto o abraçava.
Ficamos um pouco com a Hyejin, mas logo voltamos para nossa casa.
Entrar com ele no colo e com o Jimin do lado era a certeza de que todo o esforço valeu a pena. Eu me arriscaria outras diversas vezes por eles, mas torcia pra nunca mais passarmos por isso e nem nada parecido.
Era nossa primeira noite juntos após toda essa merda, e tudo que queríamos era ficar grudados.
Nossa cama era grande, então deitamos com ele junto de nós. Eu estava com curativos, e tinha que ter cuidado com a forma que eu deitava.
— Eu queria viver assim todos os dias, sem problemas, apenas nós. — O Jimin sussurrou, me olhando com seus olhos brilhantes e pequenos, segurando a mamadeira que o neném tomava.
— E nós vamos, daqui pra frente seremos felizes, apenas isso.
Era o fim de todo o sofrimento.
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[...]
| Um ano e cinco meses depois |
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O tempo voou.
Parece que foi ontem que beijei o Jimin pela primeira vez, e cá estávamos nós, juntos há mais de dois anos, e com uma família linda pra chamar de nossa.
Faltam sete meses para o meu alistamento, então queremos aproveitar ao máximo esse tempo. Por sorte, vou para um quartel que poderei voltar para casa algumas vezes por semana, e isso foi meu alívio, pois eu não aguentaria ficar dois anos sem eles.
Sei que isso também acontecerá com o Jimin, mais cedo ou mais tarde, mas ele também escolheu se alistar quando estiver próximo do limite, assim, conseguirá aproveitar esses primeiros anos do Yohan, que passam voando.
Com as malas prontas e com o Yohan dormindo, embarcamos no jatinho rumo ao Havaí. Sim, o mesmo lugar em que casamos, aquele que tinha um significado especial pra nós.
Nós compramos uma casa lá, em frente ao mar, e vai ser a primeira vez que vamos passar uns dias nela após a reforma que fizemos.
Tem uns meses que não viajamos apenas para descansar e curtir com ele, que nos acompanha em quase todas as viagens à trabalho, então resolvemos passar alguns dias na praia para aproveitar.
Desta vez ninguém ficou para trás, e o Bam também estava indo junto.
O Yohan estava com quase dois anos de idade, e já falava uma boa quantidade de palavras. "Papai" foi a primeira delas, o que nos deixou bobos de orgulho quando ouvimos, mesmo que a gente brigue até hoje pra saber qual papai ele estava se referindo.
Daí em diante, o neném aprendeu vários nomes e expressões, principalmente reclamar de fome.
Me parecia alguém que conheço...
Ele conseguia ser uma cópia exata do Jimin, com os mesmos trejeitos, gostos e manias, e mesmo nessa idade, já mandava e desmandava em nós dois e na casa.
Se eu não colocasse limites, os dois comeriam sobremesas e tteokbokki todos os dias, dia e noite.
— Olha o tamanho dele... Nem dá pra acreditar que ele está crescendo tão rápido. — O Jimin fazia carinho na cabeça dele enquanto ele dormia no seu colo no voo.
Sua voz baixinha me trouxe dos meus pensamentos.
— Passou rápido mesmo, e vai continuar passando, por isso temos que aproveitar muito. Cada fase será incrível.
Ele sorriu, mas logo depois, sua expressão mudou.
— Posso saber o motivo dessa carinha?
Ele respirou fundo e respondeu em um tom triste.
— Eu não quero que você se aliste...
— Eu também não queria, meu amor, mas eu não tenho escolha. Você também precisará, então temos que estar prontos.
Ele poderia se alistar junto comigo, e talvez, até conseguiríamos servir juntos no mesmo quartel, mas não podemos fazer isso agora que temos o Yohan.
— Me promete que vai voltar sempre pra nossa casa?
— Eu voltaria mesmo se eu fosse obrigado a ficar em um quartel do outro lado do mundo.
Eu realmente voltaria.
[...]
Mesmo com a longa viagem, foi tudo tranquilo. Ele dormiu na maior parte do tempo, e enquanto estava acordado, se distraía facilmente no nosso colo ou com o Bam.
E após as mesmas onze horas cansativas dentro do voo, chegamos no paraíso. O sol já brilhava intensamente no céu, e antes mesmo de meio-dia os termômetros já marcavam 30°C.
Que saudade desse calor.
Locamos um carro e dirigimos até nossa nova casa. Ela foi reformada recentemente, e desde então, ainda não tínhamos visto pessoalmente o resultado.
E chegando lá tivemos a confirmação; estava perfeita, exatamente do jeitinho que imaginamos. Grandes janelas abertas para o mar nos dois andares, e uma decoração bem típica aconchegante.
Logo na sala já demos de cara com o mar. Sua cor azul parecia cintilante, combinando com o céu que também brilhava em um azul radiante, sem nuvem alguma. O cheiro salgado no ar se espalhava por todo o ambiente, e uma brisa fresca entrava pela varanda, balançando as cortinas.
— Nem acredito que estamos aqui depois de tanto tempo, e agora, em uma casa que é nossa. — o Jimin falou enquanto observava aquele cenário inesquecível pela varanda.
Me aproximei dele e abracei por trás, onde comecei a beijar seu pescoço, sentindo o mesmo cheirinho de morango que nunca mudou.
— Agora não teremos motivo algum pra voltar antes da hora, assim como podemos voltar aqui sempre.
Ele virou o corpo na minha direção, e sem dizer nada, aproximou seu rosto e me beijou.
Que gosto delicioso... tanto tempo juntos, e a cada dia que passa, eu me sentia mais apaixonado e obcecado por ele.
— Papai... — o Yohan grudou nas nossas pernas, já com voz de choro.
Paramos de beijar e o Jimin se abaixou até ele.
— Tá com fome? — ele perguntou.
— Uhum...
— Eu também estou com fome... — o Jimin falou me olhando com aquele bico, tentando me comprar.
E sempre funciona.
— Vou cozinhar algo pra gente, o que acha?
— Você é perfeito, por isso me apaixonei...
— E você é um gostoso, com um pau e uma bundinha mais gostosos ainda, por isso te amo cada dia mais. — sussurrei.
Ele arregalou os olhos e riu, cobrindo a minha boca.
— Shhh, temos duas crianças no ambiente.
— Para de sorrir e morder os lábios então. Nem esconde que gostou de ouvir.
— Gostei mesmo...
Dei outro beijo nele, que foi dar um banho no Yohan.
Olhei os armários e por uns segundos, eu realmente acreditei que haveria comida lá. Como teria se a casa é completamente nova?!
Peguei o carro e fui até uma pequena conveniência que havia a uns 5 minutos da nossa casa.
Mesmo com a dificuldade no idioma, consegui comprar todos os ingredientes.
Na volta parei em uma doceria e comprei alguns doces, e voltei para casa.
Assim que entrei, dei de cara com o Jimin apagado no sofá, e o Yohan correndo e rindo pela sala enquanto brincava com o Bam, com uma caixinha de suco nas mãos.
— Yohan, cuidado pra não cair.
Ele nem me ouviu.
Me aproximei do Jimin e arrumei seu cabelo que estava caído em seu rosto. Ele ficou a viagem toda acordado, e com certeza estava cansado. Eu deixei ele dormindo e fui organizar as sacolas.
— Vou fazer bulgogi pra gente, o que acha filho?
— Quero bolo, papai.
— Não, bolo só depois.
Ele virou a cara todo emburradinho, fazendo bico e cruzando os bracinhos pequenos.
— Tô falando com você, mocinho. — fiz um pouco de cócegas na sua cintura, e rapidinho sua carinha brava se desfez.
Dei um beijo na cabeça dele e levantei.
— Se comer tudo, prometo que deixo você comer de sobremesa o bolo de morango que eu trouxe.
— Tá papai.
— Você parece seu pai, só funciona com uma chantagem.
Ele começou a rir e saiu correndo, brincando, até cansar e sentar em um banquinho próximo a janela.
A cozinha era americana, então eu tinha visão dele enquanto cozinhava.
Eu queria fazer o bulgogi exatamente como o Tae fazia, então mandei algumas mensagem. Para minha surpresa, ele respondeu rápido, mesmo com a diferença de fuso horário.
Ele e o Hoseok estão no Brasil, e de todos os lugares que já visitaram, esse parece ser o favorito deles, já que é a segunda vez que vão.
É nítido o bem que o Hobi trouxe para a vida do Taehyung. Antes, ele mal conseguia sair de casa, nem para fazer compras; agora, eles vivem fazendo tudo juntos e viajando pelo mundo.
Com o Jin, não foi diferente. Ele levou a sério a ideia de conquistar a Nayeon, e agora estão até com o casamento marcado. Ela, que antes parecia uma ameaça para mim, se tornou uma grande amiga de todos nós.
— O Tio Tae comprou um presente pra você.
Ele levantou e correu pra perto.
— O que é?
— Ele falou que é surpresa, quando a gente voltar para casa ele vai lá levar pra você.
— E pro Bam também?
Eu dei risada com a resposta dele.
— Vou dizer pra ele comprar para o Bam também, ok?
Ele concordou com a cabeça e voltou a beber seu suco, sentado em frente a janela, dessa vez levando alguns brinquedos juntos e chamando o Bam para mais perto.
O cheiro bom da carne fritando se espalhava pelos cômodos, mesmo assim o Jimin dormia tão pesado que não acordou.
Coloquei nossos pratos na mesa e junto, um suco de laranja. Poderia ser duas garrafas de soju? Sim, mas, hoje não.
— Yohan, vá acordar o papai.
Ele saiu correndo e acordou o Ji pulando em cima dele, que acordou assustado enquanto eu ria.
— Para de rir, idiota... — ele levantou e se aproximou — Desde quando você cheg... Você já fez tudo? Eu ia te ajudar a fazer. — ele arregalou os olhos, surpreso.
— Você precisava descansar um pouco. Vem, vamos comer.
Puxei a cadeira para ele, que sentou em seguida.
— Você fez bulgogi, que delicia, está tão cheiroso. — ele provou um pedaço da carne de porco, e pela sua expressão, parecia ter gostado.
— O que achou? O Tae me passou a receita dele.
— Hmmm, ficou incrível! Te amo. — ele respondeu com a boca cheia, cobrindo com a mão.
— Eu sei que ama.
— Exibido. — ele riu.
O Yohan quis ficar sentado no chão, e pela bagunça que ele faz pra comer sozinho, era o ideal.
Para mim, o bulgogi não ficou tão perfeito como o que o Tae faz, mas ficou bem parecido. Nós comemos enquanto conversamos sobre várias coisas. Não sabemos quantos dias ficaremos aqui, mas temos certeza que voltaremos sempre.
— Estou animado para o seu show. — ele falou.
— Eu também estou. Espero que as pessoas gostem. — respondi sem jeito.
Esse será meu último show antes do alistamento, e acontecerá em Seoul mesmo. A Hyejin até propôs uma turnê, e me deixou à vontade para escolher, então eu recusei. Uma turnê tomaria conta de todos os meses que faltam, e quero passar esse tempo com a minha família.
Terminamos de comer e fomos descansar um pouco na varanda, enquanto o Yohan e o Bam dormiam na soneca da tarde.
[...]
Passado pouco mais de duas horas, preparamos uma bolsa com alguma trocas de roupas e fomos para a praia.
O Yohan estava louco pra entrar no mar, e saiu correndo assim que pisamos na areia. O Jimin correu atrás dele e eu fiquei rindo dos dois enquanto organizava nossas coisas abaixo da pequena sombra de uma palmeira.
Os dois brincavam na água, e eu fiquei uns minutos sentado, apenas observando.
Mesmo com as notícias e toda a repercussão do sequestro do Yohan, conseguimos a guarda definitiva dele, e essa era nossa maior meta.
E para o meu alívio, minha tia também foi presa por participação no sequestro e na morte do Eunwoo.
Esse assunto ainda machucava o Jimin e a Hyejin, mas era uma dor que eles tentavam superar dia após dia.
A presença do Yohan trouxe cor pra vida de todos, tornando leve a superação dos traumas que todos nós passamos.
— Você não vai entrar? A água tá uma delícia. — o Ji gritou abanando uma das mãos.
— Já vou, meu loirinho.
Ele sorria e se divertia, e o Yohan caía na risada enquanto o Bam pulava ao redor deles, espirrando água pra todo lado.
Nunca imaginei ser tão feliz assim, e às vezes, ficava pensando se tudo era real, se eu realmente merecia tamanha felicidade.
A luz do sol refletia sobre eles, criando uma cena quase mágica. As ondas suaves vinham e iam, e o Bam latia alegremente. Eu me levantei devagar, sentindo a areia quente sob os pés, e comecei a caminhar em direção à eles.
Ali, na imensidão azul, cercado por risadas e amor, tive a certeza de que, sim, eu merecia tudo aquilo, nós merecemos.
O Jimin foi rápido para jogar água em mim. Agarrei ele como vingança e caímos na margem do mar, o que fez o Yohan dar uma gargalhada alegre e boa de ouvir.
As ondas continuavam seu vaivém constante e refrescante, enquanto ficamos nos divertindo juntos.
Ficamos ali o suficiente para o céu começar a se tingir de cores douradas e rosadas, indicando o início do pôr do sol.
— Eu tô sem fôlego, vamos descansar? — A voz do Jimin saiu ofegante.
— Vamos.
O neném também estava cansado, mesmo assim ainda se esforçava pra ter energia para brincar.
Peguei ele no colo e pude sentir sua respiração exausta.
— Papai, eu quero... — ele apontou para uma pequena barraca de sorvetes.
— Boa filho, eu também quero. — o Jimin respondeu.
Comprei sorvetes e sentamos na areia pra descansar e apreciar a vista enquanto comemos.
O Yohan ficou sentado na areia brincando, e o Bam como sempre, ao redor dele.
Senti a mão do Jimin percorrendo pelo meu braço, onde pegou a minha mão, entrelaçando nossos dedos. Sua cabeça se apoiou no meu ombro, e seu cheiro inesquecível de morango tomou conta de todo o meu redor.
— Eu amo você. — O Jimin surrurrou, mantendo seu olhar no por do sol.
— Fala de novo?
Ele olhou nos meus olhos e repetiu.
— Eu amo você, Jungkook, e amo tudo isso que você me proporcionou. — seu olhar foi para o Yohan e para o Bam.
Dei um selinho lento e demorado nele, e enquanto minha mão acariciava seu rosto, ainda próximos, respondi.
— Eu te amo tanto... obrigado à você por tudo.
Ele sorria ouvindo enquanto eu me perdia no seu olhar que se fechava entre o seu sorriso.
Ficamos assistindo o sol se despedir no horizonte, anunciando o fim de mais um dia perfeito. Alguns moradores locais acenderam várias luminárias ao redor da praia, reforçando aquela energia havaiana e deixando com uma luz aconchegante.
O Yohan deitou no colo do Jimin e acabou pegando no sono, e o Ji, se apoiou em mim enquanto olhava para o céu, admirando aquela vista que mais parecia uma pintura de Van Gogh.
Ali, sob o manto estrelado da noite, com os braços da via láctea visíveis a olho nu, eu olhava para o amor da minha vida e sabia que não importava o que o futuro nos reservava, com eles ao meu lado, eu sempre estaria em casa, sempre estaria completo.
Eles são meu verdadeiro lar.
E assim, nossa história continuou, não apenas em palavras escritas, mas também vivendo cada segundo ao lado daqueles que salvaram minha vida, construindo memórias e bons momentos.
Esse era só o início de algo que durará por toda eternidade.
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FIM.
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[🎙️]
Querido(a) leitor(a),
A jornada do nosso casal chegou ao fim, pelo menos, para nós.
Admito que escrever um fim foi um desafio para mim, mas me esforcei ao máximo para criar um momento mágico e de paz para eles, que tanto lutaram para ficarem juntos.
Agradeço profundamente à você que acompanhou a história até aqui. Sua leitura, votos e comentários são mais do que especiais para mim.
Escrever tem sido minha válvula de escape, especialmente durante momentos difíceis nos quais enfrentei na minha vida pessoal. Ainda sou iniciante nisso e peço desculpas por qualquer erro durante os capítulos, e prometo que estou me esforçando para melhorar cada vez mais.
Daqui um tempo pretendo postar uns capítulos curtinhos de bônus pra gente matar a saudade e curtir uns momentos mais íntimos dos dois.
Mais uma vez, obrigada por todo seu apoio, sem você, nada seria possível.
Te vejo na próxima história! 🤍
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[🎙️ • 🎤]
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#jikookisreal
#underthestarlight
#UTS
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