41 • as voltas que a vida dá
[🎙️]
PARK JIMIN
Eu escutei sons de pássaros ao fundo, que formavam uma melodia tão boa que eu queria permanecer nesse sonho pra sempre.
Até que senti o toque de alguém no meu rosto, e isso me fez despertar.
— Bom dia, meu loirinho. — Jungkook já estava acordado, deitado do meu lado enquanto me olhava com seus olhos grandes e lindos.
Os pássaros realmente estavam cantando do lado de fora da janela. Apesar da chuva de ontem, o céu amanheceu azul e ensolarado, e os raios de sol inundavam o quarto com uma luz reconfortante.
— Bom dia... que gostoso acordar vendo você bem de pertinho assim... — minha voz saiu falhada e sonolenta.
Ele estava simplesmente deslumbrante, com o cabelo bagunçado e sem camisa, mostrando sua tatuagem por completo. Seu corpo era como uma obra de arte, uma escultura repleta de marcas da nossa paixão da noite anterior.
Tentei levantar a mão para acariciar seu rosto, mas uma pontada de dor percorreu todo meu braço. Minhas pernas também doíam, e parecia que eu tinha me exercitado por horas.
Sentei na cama e coloquei a mão no ombro, tentando aliviar a tensão.
— Você me quebrou ontem...
— Quem manda você ser uma delícia? — Ele brincou enquanto dava um sorriso pervertido.
Eu queria responder algo bem safado, mas tudo que consegui foi ficar com rosto vermelho, e assim que notou, ele riu ainda mais.
— Para de rir de mim.
— Eu amo suas mudanças de personalidade, mesmo com as inúmeras vezes em que já transamos.
— Não sei do que você está falando, eu sou a mesma pessoa sempre... — brinquei, desviando o olhar.
Me lembro com clareza tudo o que fizemos ontem. Não fiquei tão bêbado assim, não como fiquei no nosso casamento, mas o pouco que bebi ontem já foi suficiente pra acabar com toda a minha timidez.
E essa bendita timidez já voltou.
No momento, meu celular começou a tocar. Peguei rapidamente para ver quem era e, para minha absoluta felicidade, era uma chamada de vídeo da Sra. Yoo. Um sorriso aberto se espalhou pelo meu rosto enquanto eu atendia.
Ela segurava o celular com uma mão e Yohan no outro braço.
— Bom dia, Sra. Yoo, que surpresa maravilhosa!
— Oi, meu querido, bom dia! Olha só quem já acordou com a fome de um leãozinho. — Ela ajustou melhor o celular na direção dele, e isso foi o suficiente para sentir meu coração acelerar. O Yohan segurava sua mamadeira, com seus olhinhos ainda inchados de tanto dormir.
— Oi, filho, como eu senti sua falta. — Aqui, eu já estava segurando o choro.
O Jk se aproximou de mim pra também ver ele. O Yohan olhou atentamente para o celular, soltou a mamadeira e estendeu os braços, pedindo colo pra gente enquanto resmungava. Ele nos reconheceu mesmo através do celular, e aí eu chorei de vez.
— Sra. Yoo, nós já vamos voltar, agora.
— Ohh meu querido, sei que vocês devem estar preocupados com ele, mas estamos bem. Vocês passaram por dias difíceis e corridos, aproveitem a viagem e descansem. Não precisam se apressar para voltar, ele ficará bem.
Ele realmente parecia muito bem com ela, e mesmo com a nossa saudade, ela estava certa. Os últimos dias nós só trabalhamos, e era a chance que tínhamos de descansar antes de voltar.
Olhei para o Jungkook, e pela sua expressão, ele também parecia concordar, então eu tinha que ceder.
— Então voltamos hoje à noite, tudo bem? — falei.
— Sem problemas, vejo vocês mais tarde. Agora vou dar um banho no neném... Yohan, dá tchau para os papais. — Ela mexeu o bracinho dele como se estivesse dando tchau, e desligou em seguida.
Coloquei o celular na cama e senti um certo vazio percorrer pelo meu corpo, enquanto olhava para o chão.
— Ji, se você quiser, nós voltamos agora. — Ele pegou minha mão e fez carinho. — Não quero te ver assim.
— Não, tá tudo certo... ele está bem. Vamos passear em algum lugar.
— Só se você melhorar esse humor.
— Eu vou... Posso só te pedir uma coisa?
— Claro.
— Nem que seja preciso eu contratar a melhor babá do mundo pra vir junto, mas não quero mais viajar sem ele.
Ele sorriu e deu uma apertadinha no meu queixo.
— Eu te prometo isso.
— Obrigado.
Naquele momento, senti vontade de abraçar ele, e assim o fiz. Ele retribuiu enquanto enchia meu pescoço de beijos.
E vamos seguir com o combinado.
O relógio marcava 11:28h, o que me até me assustou quando notei. Acordamos bem tarde, mas depois do que fizemos ontem, ainda nem dormimos o suficiente.
Trocamos de roupa e saímos pelas ruas de Daegu sem destino algum, acompanhados da câmera dele e dos esquipamentos que usa pra filmar.
Enquanto ele dirigia e eu fuçava o aplicativo do mapa, achei a localização do E-World, um parque de diversões incrível que tem aqui em Daegu, referência em toda Coréia.
— Olha! Nós podemos ir? — Apontei o celular na direção dele, que olhou rápido pra voltar à atenção no volante.
— Claro que podemos. Mas, você não está com dor?
— Já passou...
— Hmm, algo me diz que isso é mentira.
— Se é pra gente ficar, quero aproveitar de verdade. Já tomei um remédio e logo vou me sentir melhor. Quero ir em todos os brinquedos, e levar algumas lembrancinhas pra nossa casa.
Ele sorriu parecendo pensar em algo.
— Vai ser divertido, me trará lembranças da nossa viagem para a Disney em Tókio.
Suspirei me recordando do quanto realmente nos divertimos lá.
— Que lembrança boa, estava tudo perfeito naquele dia. E você nunca me mostrou as imagens que fez lá.
— Postei um vídeo privado no YouTube. Nós ainda éramos um segredo, então não dava pra postar publicamente.
Olhei indignado na direção dele.
— O que? Você até postou e nunca me mostrou? Traidor... Eu exijo ver.
— Não sei se é uma boa ideia... sou amador, o vídeo ficou simples, e tamb...
— Fica quieto, eu quero ver.
Ele riu.
— Ok, meu amor, mais tarde eu te mostro.
[...]
Poucos minutos depois, chegamos. Nós acordamos tarde, então o parque já estava aberto e funcionando à todo vapor. Várias pessoas já estavam presentes, e diversas atrações ocorriam simultaneamente pelo parque.
— Uau, que parque lindo. Todas as vezes que vim pra Daegu, planejei vir aqui, mas nunca deu certo... e agora, tô aqui com você.
— É lindo mesmo, tão colorido e vivo. — ele olhou ao redor. — Vem, vamos naquela montanha russa.
Eu topei na hora, e fomos na direção dela, que era gigantesca e chamava atenção no parque todo. Pagamos mais caro nos ingressos pra passar na frente e não pegar fila.
De perto ela parecia maior ainda, e fazia vários loopings pelo percurso. Era óbvio que eu ia amar e fiz a gente ir mais de uma vez.
Entre um brinquedo e outro, senti meu celular vibrar no meu bolso e parei no meio do caminho pra conferir, abaixo da sombra de uma árvore. Era uma ligação da minha mãe.
— Oi mãe.
— Boa tarde, filho. Só queria te avisar que voltaremos amanhã, tudo bem pra vocês embarcarem amanhã também?
— Hmm, não vai dar, tenho que buscar o Yohan hoje à noite. Mas não se preocupe, voltamos em um voo comercial.
— Estou orgulhosa de quem você se tornou. Bem, preciso desligar, até depois meu amor.
— Obrigado por tudo. Tchau mãe, te amo.
Desliguei e voltamos a caminhar entre as atrações do parque de diversões, e logo, escolhemos outros brinquedos para ir. Dois adultos se divertindo como se fôssemos crianças.
Depois de tudo isso, eu já me sentia faminto.
Enquanto andamos pelo parque buscando algo pra comer, ele filmava quase tudo. Escolhemos uma barraquinha e compramos dois corndogs. Sentamos em um dos bancos que havia pelo parque e comemos ali mesmo.
— Tá gostando?
— Uhum... — Coloquei a mão na frente na boca pra terminar de mastigar e responder. — Só consigo imaginar o Yohan grande, vindo com a gente em lugares assim.
— Vai ser maravilhoso, tô ansioso pra visitar vários lugares do mundo, nós três juntos, e quando for possível, nós quatro, com o Bam junto.
Eu fiquei animado só de imaginar, e minha expressão corporal denunciava isso enquanto eu falava disparadamente.
— No próximo natal nós vamos para a Suíça de novo. Havaí? Levaremos ele também. Bahamas, você já viu? É um paraíso na terra, vi esses dias em um post e pirei. Mar azul cristalino, areia branquinh... O que foi?
Ele me olhava sorrindo, fixamente.
— Eu amo tanto te ouvir animado. Você é surpreendente incrível, Jimin. Espero que o Yohan tenha esse seu jeitinho quando crescer.
Meu coração acelerou e começou a pular do meu peito só de ouvir isso. Senti meu rosto ficar quente, como em qualquer situação em que eu fico com vergonha.
— Para com isso... — sorri sem jeito — Eu não sou exemplo pra ser seguido, nunca fui.
— E porque você acha isso?
— Jk, você não conviveu comigo há uns anos atrás...
— Quem você era não importa, o Jimin de agora que é o pai do Yohan.
Ainda com o sorriso tímido e olhando pra baixo, eu respondia enquanto minhas mãos se entrelaçam.
— Obrigado... obrigado por ter feito eu enxergar as coisas que realmente têm valor na vida... — meu olhar voltou na sua direção. — Se o Yohan for assim como você, vou ser a pessoa mais feliz do mundo.
Ele me olhou e pensou uns segundos antes de responder, e começou a sorrir.
— Eu tô me controlando pra não beijar sua boca aqui mesmo, mas falando assim você não facilita.
— E eu tô louco pra pegar sua algema, prender você na cama de novo e fazer o que eu quiser.
Ele arregalou os olhos, que já são grandes, e seu sorriso de coelho se abriu instantaneamente, junto de uma risada maliciosa.
— Me dê esse copo. — ele pegou meu copo de Coca-Cola e cheirou. — Tem soju aqui, não é possível.
— Para, seu idiota... — dei risada meio envergonhado. — Eu não preciso beber pra dizer que quero transar com você.
— Você pode fazer isso comigo hoje, agora se possível. Não tem algema, mas eu mesmo me amarro, se você quiser.
— Eu bem que queria, nas não, meu corpo ainda está se recuperando de ontem, deixa pra outro dia.
— Você provoca e foge? Que isso Park. Não sei se você lembra, mas eu tenho advogado.
— Vai me processar por não dar pra você?
— Vou.
A expressão dele foi tão séria pra responder que comecei a gargalhar.
[...]
Conversamos mais um pouco enquanto terminamos de comer e fomos para o carro logo depois.
Até poderíamos ir para o hotel, mas o dia estava lindo e eu queria aproveitar. Lembrei que há um lago gigantesco perto de onde estamos, com uma vista linda e muita natureza ao redor, mesmo em meio a cidade, e decidimos ir lá um pouco.
Eu fui dirigindo enquanto ele filmava o caminho. Era na real uma tentativa de filmar, pois eu vi ele virando a câmera pra mim incontáveis vezes.
— Achei que a ideia era gravar o passeio, e não eu.
— E tem como não ficar focando em você? Meio impossível pra mim.
Dei risada com o que ele disse.
— Caralho, como eu amo esse sorriso... — Ele falava enquanto dava zoom com a câmera no meu rosto, ainda me filmando.
— Você vai me ensinar mexer na sua câmera, pois eu quero te filmar também.
— Vou pensar no seu caso.
Eu olhava para a direção e para ele, que continuou com a câmera apontada pra mim. Eu ficava rindo das gravações dele.
No caminho parei em uma conveniência e pegamos algumas garrafas de soju, afinal, não custa nada beber só mais um pouco antes de ir embora pra Seoul.
Quando chegamos, vimos uma grande árvore com uma sombra boa, entre várias outras iguais. Não havia ninguém próximo, então sentamos abaixo dela.
Ao redor também havia várias pessoas sentadas, enquanto viviam suas próprias vidas.
O tempo todo eu permanecia de chapéu e óculos de grau, e ele, com um boné. Não estávamos tão bem escondidos, mas o tempo todo conseguimos ao menos passar despercebidos entre as pessoas, tanto no parque de diversões quanto aqui.
Brindamos com duas garrafas de soju e bebemos enquanto olhamos a vista e conversamos sobre mil assuntos.
Alguns cachorros corriam animados ao nosso redor, e patos enfeitavam o lago, andando em grupos de forma graciosa.
— Que brisa gostosa! — falei.
Tirei o chapéu e o óculos, arrumei meu cabelo e apoiei na grama com os braços para trás. Fechei os olhos, sentindo o cheiro da grama molhada e a brisa leve e gostosa que praticamente acariciava minha pele. Os raios de sol batiam entre as árvores, que também refletiam em nós.
— Nossa...
A voz dele saiu baixa. Abri os olhos e olhei em sua direção, onde vi ele me observar.
— Que loucura... — ele sussurrou. — Como você pode existir? Tipo, como alguém tão lindo como você pode ser real, e não uma computação gráfica?
Dei uma risada boba, e de novo, todo envergonhado.
— Deixa eu te dar um beijo? Vai ser rápido, tô maluco pra sentir sua boca desde o parque de diversões. — Ele pediu já aproximando o rosto de mim.
Estamos em público, e pra ajudar, na Coreia... as pessoas não estão tão acostumadas quanto no ocidente, mas, sinceramente, naquele momento eu sequer me importava e também queria.
Me aproximei e beijei ele rápido, e quando fui afastar, ele segurou na minha nuca, fazendo o beijo durar mais.
Que gosto bom... Nossas línguas se encontravam em uma combinação perfeita, demonstrando o quanto foram feitas uma para a outra. Entre o beijo, ele mordia meus lábios de forma gostosa, fazendo com que eu quisesse ficar assim o resto do dia.
Assim que paramos, olhei ao redor preocupado, mas ninguém sequer notou. Até que olhei de volta para ele e o vi puxar sua camisa até a calça.
— Espera aí, você...
— Sim, fiquei excitado, não me julgue, Park.
Dei risada com a resposta dele e com a sua tentativa de esconder o volume que era bem evidente.
— Se você quiser, eu, bem... eu posso fazer aquilo mais tarde.
Ele arqueou uma das sobrancelhas, me encarando cheio de malícia.
— Aquilo? Não tô entendendo, quero que você fale.
É óbvio que ele já entendeu, e só quer ouvir eu falar as palavras exatas.
— Você sabe bem o que eu estou falando.
Ele aproximou seu rosto no meu.
— Você quer me chupar, é isso?
Engasguei com o ar e comecei a tossir assim que ele falou.
— Não precisa ser tão direto assim...
Ele sorriu, mas dessa vez, sua língua percorria pelo piercing em seus lábios.
— Eu realmente sou o cara mais sortudo do mundo.
— Não crie expectativas, não sou tão bom nisso, não como você.
— Você quer ser modesto assim depois da última mamada que me deu? Ai ai meu loirinho... tava tão gostoso sentindo essa sua boquinha carnuda que quero daquele mesmo jeito.
Senti meu rosto pegar fogo enquanto ele falava a maior barbaridade com toda a tranquilidade do universo.
— Seu pervertido...
— Já tô de pau duro de novo, só de imaginar... Com você eu sou a porra de um pervertido mesmo.
Dei um gole generoso no soju, onde consegui acabar com a garrafa toda de uma vez, e fui logo abrindo outra, tentando fugir da timidez.
— Vai devagar aí, se não vou te levar embora agora pra colocar em prática o que você falou.
— E se essa for minha intenção? Você bem que poderia buscar mais algumas garrafas pra gente.
— Eu vou agora, me espere aqui.
Ele respondeu e levantou em segundos, o que me fez rir. E ele realmente foi.
Fiquei sentado observando a vista enquanto esperava. Peguei o celular e vi as notícias sobre o beijo, que eu já esperava que fossem ter.
— Engraçado, parece que agora não tem mais nenhuma acusação de ser jogada de marketing... — dei risada enquanto falava sozinho.
Vi a sombra de alguém se aproximando. Olhei já falando sobre as publicações sobre nós, achando que era o Jk, mas era quem eu menos esperava.
— Taemin? O-oi... — cumprimentei sem jeito.
Ele também se apresentou no festival de ontem, então eu sabia que ele estaria em Daegu, mas nunca imaginei encontrar ele ou qualquer outra pessoa da Town aqui.
— E aí Jimin, quanto tempo. Te vi de longe e me aproximei pra ter certeza de que era você. Tá sozinho?
— Não, o Jungkook foi buscar umas bebidas pra gente... E você, tá fazendo o que por aqui?
— Eu? Ahh, vim correr um pouco antes de voltar pra Seoul. Sabe como é, né?! Lá é tanto trabalho que qualquer momento livre temos que aproveitar pra descansar.
— Sim, verdade, estamos aproveitando também...
Ele estava usando roupas esportivas, e seu cabelo estava ligeiramente suado, mostrando que era verdade o que ele disse.
Eu ainda estava sem jeito e continuava sentado, e ele, em pé na minha frente, mas não muito próximo. Nós éramos tão amigos... saber que ele estragou tudo e agora, parecemos estranhos assim, me machuca.
— Assisti à apresentação de vocês ontem, e foi muito boa... Você e o Jungkook têm bastante sincronia, e pelo beijo, bem, deu pra ver que estão realmente sérios um com o outro.
— Muito obrigado. E estamos sim, nos casamos, inclusive.
Ele arregalou os olhos, surpreso.
— É sério?
— Uhum.
— Wow... eu realmente não imaginava.
— Pois é. Nós nos amamos, não tinha porquê não fazermos isso.
Pude ver seu olhar se direcionar sutilmente até minha mão, notando a aliança nela. Ele pareceu pensar na resposta por alguns segundos antes de falar.
— Park, eu sei que a esse ponto talvez você não acredite em mim, e eu respeito isso, mas eu fico feliz por vocês. Não vou mentir, eu realmente gostava de você, mas sei que isso ficou no passado, e que agora você está muito bem com ele. Eu sei também o quanto errei, e espero que algum dia você me perdoe pelo que fiz. E se não for demais, espero talvez até voltar a ter sua amizade, assim como antes.
Não sei explicar como, mas eu pude ver honestidade no seu olhar. Processei tudo o que ele falou por uns segundos antes de responder.
— Taemin, eu...
Nesse momento, o Jungkook praticamente brotou do meu lado, e era nítido o quanto sua expressão mudou quando viu ele ali.
— Que surpresa desagradável. O que você tá querendo aqui?
— Você vai ficar na defensiva comigo pra sempre, Jungkook?
— Sim??? Não confio em um pilantra que me dopou e armou pra mim. Ji, vem, vamos embora. — Ele estendeu as mãos pra eu segurar e levantar, mas não segurei. Ele estava olhando para o Taemin e olhou na minha direção assim que notou.
— Eu não quero ir embora agora. — respondi enquanto permaneci sentado.
Ele me olhou desacreditado, mas antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, o Taemin falou.
— Desculpe, não quero atrapalhar vocês. Tchau Park, te vejo por aí. — Ele acenou com a mão e saiu andando, onde em certa distância, voltou a correr ao redor do lago.
Eu não deveria me sentir assim, mas realmente fiquei mal por ele.
O Jk sentou do meu lado com a pior expressão possível.
— O que esse cara estava te falando?
Eu virei o rosto e ignorei ele.
— Jimin, o que ele te falou? — O tom dele mudou aqui.
— Não dá pra você ficar agindo assim pra sempre, tá legal?
Ele cerrou os olhos pra mim.
— O que você tá querendo dizer? Ele conseguiu te envenenar em tão pouco tempo assim?
— Ninguém me envenenou, Jk, não sou uma criança. Ele realmente parece arrependido do que fez.
Ele deu uma risada irônica, mas era claro que não estava achando graça alguma.
— Não é possível que tô ouvindo isso...
— As pessoas mudam, Jungkook.
— Mudam, mas não ele. Nunca vou confiar nesse cara, e me surpreende ele ter te convencido disso.
— Você nem sabe o que ele falou, para de ficar pressupondo as coisas, que merda!
Eu sempre acabo perdendo a paciência mais rápido que ele, e estava estampado na minha cara o quanto isso me irritou.
— Jimin, eu te amo e não quero me desentender com você, muito menos por causa de alguém como ele, então vamos parar com esse assunto.
— Eu digo quando o assunto acaba. Você não tem direito de chegar me acusando de acreditar ou não em algo. Você se acha muito por ser mais velho, mas consegue ser bem mais infantil que eu.
Ele respirou fundo, e era claro que o clima ficou péssimo entre nós.
— Ji, chega, não quero mais falar disso.
— Não me chame assim!
Peguei a sacola com as garrafas que ele trouxe e levantei cheio de raiva.
Ele ainda nem tinha levantado, mesmo assim fui andando na frente dele, até o carro. Sentei no banco do motorista e fiquei esperando ele, que demorou pra vir, de propósito.
Ele sentou no banco do passageiro e me olhou.
— Você bebeu, é melhor eu dirigir.
— Foda-se!
Liguei o carro e saí, e ele não insistiu.
Fomos o caminho todo em silêncio. Eu via ele me olhar descaradamente por várias vezes, mas eu evitava olhar na sua direção.
Eu não podia acreditar que tivemos um dia tão bom pra acabar assim.
[...]
Assim que estacionei na garagem, desci primeiro do carro e bati a porta de propósito. Por mim, eu iria sozinho no elevador, mas demorou pra chegar depois que eu chamei, e tivemos que subir juntos.
O mesmo silêncio continuou o percurso inteiro até o andar em que estamos hospedados.
Eu não queria ficar dentro do quarto nesse clima, então pensei; vou subir, colocar outra roupa e ir sozinho para algum lugar do hotel, onde eu ficaria até o horário do voo. Esse era o plano.
Ao menos, eu pensei que era.
Abri a porta e entrei, e ele entrou em seguida, mas, assim que fechou, agarrou minha cintura e me puxou contra a parede. Seu corpo prendeu o meu, enquanto ele segurava meus braços.
— Me solta, Jungkook!
— Que coincidência, foi exatamente assim que você fez depois que nos beijamos em New York, tentando fugir de mim. — Ele sorria enquanto olhava pra minha boca.
— Eu não quero saber das suas lembranças, muito menos desse seu sorrisinho sínico. Você não foi legal comigo e estragou nosso dia. Eu tô irritado, então me solte agora!
— Para com isso, Ji.
— Eu já falei pra não me chamar assim!
Eu tentava me soltar à todo custo, mas era claro que isso era inútil. Eu não tinha nem metade da força dele e mal conseguia me mexer.
Ele ficou só me olhando, esperando eu desistir de tentar fugir. Assim que parei, notando que eu só estava gastando força à toa, ele voltou a falar.
— Me desculpe, ok? Só tenta me entender, se eu não tivesse feito de tudo pra descobrir que foi ele quem me dopou, eu estaria até hoje sem você, e pra sempre ficaria, por culpa dele.
Desviei o rosto e olhei para o lado, em silêncio.
— Me responde.
— Quem me garante que essas suas desculpas não são falsas? Você só está tentando fazer com que eu me acalme.
— Não são, eu realmente agi mal com você, mas simplesmente não consigo esquecer o que ele fez comigo.
— Eu sei o que ele fez, mas ele está arrependido. Ele mesmo falou que sabe o quanto estamos bem, e o que ele sentia por mim ficou no passado. Eu cresci com o Taemin, e ele não é ruim. Ele agiu muito mal com a gente, e isso não tem como esquecer, mas todo mundo erra. Ele entendeu que errou e seguiu a vida dele, e você sabe disso. Ou voltamos a ter algum tipo de problema com ele? Não.
Ele ficou me olhando, e durante uns segundos, só fez isso. Nenhuma palavra, apenas o olhar.
— Se você não vai me responder, me solte.
Suas palavras voltaram a sair, bem mais calmas que as minhas.
— Ji, eu quase te perdi por várias vezes, e tenho um medo absurdo que isso volte a acontecer. Não consigo sequer pensar na possibilidade de passar por tudo de novo.
— Não vai acontecer, muito menos vindo dele. Com tudo o que se passou entre nós, realmente não conseguimos mais ser amigos quanto antes, mas ainda assim, não quero ficar ignorando ele quando o vejo em algum lugar. Ele trabalha na Town, e será assim sempre, e está me incomodando encontrar com ele pelos corredores quase todo santo dia e ignorar... eu não sou assim.
Ele parecia ouvir cada palavra minha atentamente. A expressão que ele fez quando viu o Taemin já tinha ido embora completamente, dando lugar à expressão que sempre me olha, acompanhado de um olhar triste.
— Tudo bem, me desculpe. Você está certo, eu só... só preciso trabalhar melhor isso em mim. Eu não quero ficar me desentendendo com você.
Ele soltou minhas mãos, mas apoiou a cabeça no meu ombro, com os braços soltos para baixo, e em silêncio. Eu odeio admitir, mas também vacilei com ele...
— Me perdoe por levantar a voz com você, eu não tenho esse direito, não depois de tudo o que você passou por minha causa. — falei baixo e um pouco envergonhado.
Aqui, toda minha raiva já tinha cessado.
Com a testa ainda apoiada no meu ombro, ele envolveu minha cintura com um braço, me puxando de volta pra perto dele.
— Eu te amo tanto que não sei lidar com esse sentimento...
— Eu fui bem claro contando para ele que estamos casados, e o próximo passo é que todos saibam disso. Eu também te amo, e é muito... e jamais vou me cansar de esfregar na cara do mundo que foi você quem eu escolhi. Confia em mim, por favor.
Ele levantou o rosto e vi seus olhos circularem pelo meu rosto, e então ele foi rápido e me beijou. Sua mão segurava minha cintura, me apertando cada vez mais.
— E-espera. — Afastei ele e respirei fundo.
— O que foi?
— Essa bebida... meu estômago está revirando.
Senti um enjôo completamente repentino, e sentei rápido na cama, mas foi piorando a cada segundo.
— Vou pegar uma água.
Ele foi até o frigobar, e em seguida, me entregou uma garrafa. Bastou um gole pra sentir o enjôo piorar ainda mais. Corri para o banheiro, e mesmo tendo pavor de vomitar, não consegui segurar.
— Eu vou te levar ao hospital agora.
Ele me ajudou a levantar do chão enquanto eu recuperava a força.
— Não vou, prefiro ficar aqui. Só me deixa descansar um pouco.
Deitei na cama e puxei a coberta em cima de mim.
— Porque você é tão teimoso?
— Não se preocupe, eu tô bem.
Fechei os olhos, mas ainda estava acordado. Eu ainda estava enjoado, e sentia o gosto amargo do soju na boca. Eu bebo à tanto tempo que me sentir mal após poucas garrafas é no mínimo estranho.
Ele sentou do meu lado e começou a acariciar minha cabeça, entre meu cabelo. Mesmo que eu ainda não estivesse me sentindo bem, acabei pegando no sono.
[...]
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Algumas horas depois...
17:35 da tarde.
— Jimin??? JIMIN!!!
Isso... isso é um sonho?
Mais três socos na porta me despertaram. Não era um sonho, e eu pulei da cama assustado.
Era a voz da minha mãe.
Olhei ao redor e vi o quarto vazio. Levantei correndo, coloquei o roupão e abri a porta. Ela estava parada em frente a porta do quarto, chorando, e o Nam atrás dela.
— O que aconteceu?
— Mataram o Eunwoo! — Ela começou a chorar desesperadamente enquanto me abraçava.
Eu congelei e mal conseguia erguer meus braços.
— Não, não pode ser... Nam... — olhei na direção dele, que concordou com um único olhar.
Minha mãe continuava chorando, mas eu comecei a ouvir seu choro cada segundo mais distante.
Meu corpo foi perdendo as forças, e minha respiração travou na garganta. Eu comecei a cair...
... e então, tudo ficou preto.
[...]
— Ji, acorda...
E novamente, ouvi alguém chamar meu nome. Estava tão distante... e eu conhecia essa voz.
Abri os olhos com dificuldade, onde as luzes do quarto estouraram nos meus olhos. Voltei a fechar e escutei novamente.
— ... ele acordou. Jimin, você tá me ouvindo? — Era a voz do Nam.
Tentei abrir de novo e vi ele e minha mãe próximos do meu rosto. Os olhos da minha mãe estavam inchados, e seu rosto molhado em lágrimas que escorriam, e isso foi o suficiente pra me trazer a lembrança do que aconteceu caindo como uma bomba sobre a minha cabeça.
Eu me levantei desesperado e sentei.
— Espera, fica deitado.
— Me solta. — tirei a mão do Nam e olhei na direção dela. — Mãe...
Ela abaixou a cabeça e voltou a chorar.
— Isso não é verdade, não pode ser...
Ouvimos o barulho da porta, era o Jk voltando com uma sacola e dois capuccinos na mão.
Ele viu nós três e nos olhou assustado enquanto soltava tudo em cima de uma cômoda.
— O que aconteceu?
O Nam levantou e chamou ele de canto para explicar. Olhei de volta pra minha mãe enquanto engolia à seco, buscando palavras e forças pra perguntar.
— Quem fez isso?
— Não sei, ninguém sabe... Ele estava sozinho na cela, não tinha como alguém entrar lá.
Eu sentia o frio na barriga piorar cada vez mais enquanto tentava processar que isso realmente estava acontecendo.
E então, imediatamente me veio o Yohan na mente.
— Meu filho!
Peguei o celular com as mãos trêmulas e comecei a ligar pra Sra. Yoo, e só chamava. Tentei insistentemente por várias vezes, e em todas era a mesma coisa.
Tentei me acalmar pensando que ela poderia estar longe do celular, ou qualquer outro motivo normal, mesmo assim senti um medo enorme percorrer por todo o meu corpo, a ponto de voltar a embrulhar meu estômago. Eu corri para o banheiro do quarto e vomitei, de novo.
O Jk veio atrás de mim preocupado.
— Ji...
— Nós temos que ir embora agora!
Minha mãe correu para pegar as malas dela, assim como o Namjoon. Eu fiz as minhas e o Jk me ajudou pra terminarmos rápido.
Fizemos check-out do hotel e fomos juntos no mesmo carro.
Enquanto o Nam foi dirigindo, minha mãe ligava no aeroporto pra avisar sobre o nosso embarque, afinal precisamos de autorização. Ao mesmo tempo, eu via o Jk falar com o Mingyu o tempo todo por mensagem.
No aeroporto, o jatinho já estava pronto, e pouco tempo depois, já estávamos no ar. Ainda levaremos pouco mais de uma hora até chegarmos em Seoul, e só de pensar nisso eu já podia sentir meu estômago embrulhar.
O tempo todo eu insistia em ligar pra Sra. Yoo, e já eram 116 chamadas perdidas.
A incerteza de quem fez isso com o meu pai era o que estava apertando meu coração e me deixando em completo desespero.
Minha mãe estava sentada ao meu lado, e mesmo que estivesse completamente abalada pelo que fizeram com meu pai, ela tentava me apoiar.
— Fica calmo, filho, nós vamos chegar e tudo estará bem.
Seja quem for que tenha cometido esse crime, algo me dizia que também estávamos em perigo.
— Nam, por favor, intensifique a segurança dentro da mansão e coloque seguranças para circular nos quarteirões ao redor dela. Mantenha lá dentro apenas os funcionários essenciais, nada de jardineiros ou outros trabalhadores que não são os nossos.
— Ok, farei isso agora mesmo. — Ele se afastou e sentou alguns assentos depois, mexendo no celular.
— Eu e o Jungkook vamos ficar na mansão com você. Assim que chegarmos em Seoul, você e o Nam vão para lá, e eu vou buscar o Yohan.
— É perigoso vocês irem sozinhos. O Namjoon vai com vocês.
— Não, quero ele cuidando de você. O Jungkook vai comigo, vai ficar tudo bem.
Seus olhos me miravam de forma triste. Após respirar fundo, ela falava com a voz baixa.
— Foram 25 anos casada com ele, mas infelizmente o Eunwoo se transformou nos últimos cinco anos. Ele sempre foi visionário nos negócios, e um bom homem, mas a ambição destruiu ele nesses anos. Ele mexeu com gente que não devia, fez coisas que não devia, tudo em nome de dinheiro e poder.
Ela olhava para as mãos, enquanto mexia elas impacientemente.
Enquanto eu buscava palavras pra responder, ela continuou.
— Filho, eu sei que você sabe sobre o Yoongi. Eu te peço perdão pois sei que não agi certo, e muito menos estou tentando justificar, mas eu e seu pai estávamos vivendo apenas como sócios. Ele me traiu incontáveis vezes, e em todas elas eu perdoei pra manter a imagem da família perfeita, mas era claro que isso nunca daria certo.
As palavras dela vieram como um balde gelado na minha cabeça. Eu estava tão preocupado em curtir a vida bebendo e indo à baladas que simplesmente não enxerguei tudo que estava acontecendo na minha própria casa, debaixo do meu nariz.
— Porque você nunca me contou sobre o que estava passando? Sobre tudo o que meu pai estava fazendo?
— Mesmo com suas irresponsabilidades, você estava vivendo sua juventude... não queria ter que colocar você no meio de todos esses problemas, você não tem culpa.
Respirei fundo, tentando digerir tudo.
— Eu tô sentindo raiva dele, raiva por tudo o que ele fez com você, com nós, mas ao mesmo tempo, tá doendo o que fizeram com ele... eu não sei o que fazer. — eu soluçava enquanto tentava falar em meio ao choro.
Ela também estava chorando, e me abraçou.
Por mais que o Jk quisesse se aproximar ao me ver chorar, ele ficou perto do Nam enquanto eu falava com ela.
[...]
Ficamos por mais uma hora no voo, que mais parecia ter durado uma eternidade.
Assim que chegamos em Seoul, fizemos como o combinado. Minha mãe e o Nam foram para a mansão, e eu e o Jk pegamos o carro dele que ficou no estacionamento, e dirigimos em direção ao café. Ao menos, achei que era o plano.
Ele foi até nossa casa e me pediu para esperar no carro, e em menos de três minutos depois, voltou para o carro.
— O que você foi fazer?
— Nada. Vamos até o café. — ele ligou o carro e saiu.
— Jungkook??? — Insisti.
Revirando os olhos, ele levantou a camisa rapidamente e pude ver o revólver dele na cintura.
— Por que você pegou isso?
— Porque não sabemos quem fez isso com seu pai, e vocês também estão em risco, e você sabe disso.
Ele estava certo...
Apoiei no encosto do banco, onde eu respirava fundo e sentia o enjôo percorrer meu estômago e garganta.
— O que o Mingyu te disse no voo?
— O caso não está com ele, mas ele está tentando auxiliar. Parece que, bem... — Ele queria falar algo, mas hesitou.
— Pode falar.
Ele me olhou com seus olhos grandes, que agora, só transmitiam apreensão.
— Foi um único tiro, enquanto ele dormia. O tiro veio de fora da cela, e as câmeras do corredor estavam desligadas à alguns dias.
Meu coração batia tão acelerado que eu sentia meu peito doer, uma dor física mesmo, como se um caminhão tivesse me esmagado completamente.
— Ji, respira.
Mesmo enquanto dirigia, ele notou que eu mal conseguia respirar.
— Eu tô com medo... e se essa mesma pessoa foi atrás do Yohan e da Sra. Yoo?
— Nós vamos chegar lá e eles estarão bem, ok? Eu te prometo pela minha vida que vou proteger vocês.
Eu tentava me manter confiante, mas estava realmente difícil.
A chuva tinha dado uma trégua em Seoul e a noite já havia chegado.
O café estava fechado como era de se imaginar pelo horário, mas uma porta lateral dava acesso a casa da Sra. Yoo que ficava no andar de cima.
Toquei a campainha e esperamos. Toquei mais algumas vezes, e continuamos esperando. A mesma dor continuava no meu peito, me dando quase uma certeza de que aconteceu alguma coisa.
— Espera aqui.
Ele olhou para os lados, conferindo se ninguém estava vendo, e pulou o muro, conseguindo acesso à escada. Depois de alguns minutos, ele pulou de volta pra fora.
— Parece que não tem ninguém em casa, está tudo fechado.
— Não, isso nao pode estar acontecendo.
Comecei a ficar desesperado, e nesse meio tempo, vi um carro preto chegar. Era o Mingyu.
— Falar pra vocês não virem sozinhos nunca funciona, né?
— Não. Já pulei lá dentro pra olhar, e parece não ter ninguém na casa.
Ele olhou para os lados, parecendo procurar algo.
— A vizinhança tem poucas câmeras, vou tentar ver quais eu consigo as imagens. Preciso que vocês vão pra casa, mas porque eu sei que vocês não vão me ouvir?
— Desculpe, mas eu não vou ficar esperando notícias caírem do céu, e você já me conhece pra saber que não vou mesmo. — falei.
— Eu sei que não. Infelizmente preciso avisar vocês da pior parte... pra buscar o Yohan, precisaremos abrir uma ocorrência, e por ser uma criança, creio que a assistência social será avisada. Até se fossem os pais biológicos eles seriam comunicados.
— Isso não pode acontecer, não existe outra forma?
— Não...
Isso é muito, muito ruim.
— Vocês estavam viajando à trabalho, então isso comprova que não foi culpa de vocês. Farei o possível pra que isso não atrapalhe na adoção dele, assim como sei que encontraremos ele e a senhora dona do café. Abriremos uma ocorrência para localizar ela também.
— Obrigado Mingyu.
Continuamos em frente ao café enquanto eu esperava qualquer fio de esperança da Sra. Yoo se aproximar. O Mingyu foi embora para a corporação, e nós entramos no carro e ficamos parados ali na frente.
— Eu não quero passar por isso de novo... eu já fiquei sem você, temendo pela sua vida, não quero sentir tudo aquilo de novo. — eu segurava o choro enquanto falava.
— Você não vai, nós não vamos.
Eu me sentia culpado. Por ter deixado o Yohan em Seoul, e por ter colocado a Sra. Yoo nisso, ela que já estava sofrendo pela morte do filho, não merecia nada de ruim.
Infelizmente não havia nada que pudéssemos fazer, muito menos onde buscar. Tudo que nos restava era esperar qualquer pista que a polícia encontrasse sobre o assassino do meu pai, isso nos abrirá uma luz sobre o paradeiro deles.
Fomos para a mansão da minha mãe, e ficamos com ela esperando por qualquer notícia que fosse.
[...]
Já era madrugada, e nenhum sinal de notícias tinha chegado. O celular da Sra. Yoo continuava ligado, mas chamava até cair.
Mesmo com a quantidade de seguranças que colocamos pela casa, o Jk continuava armado, a todo momento, assim como atendia várias ligações.
Eu estava sentado no sofá, e enquanto ele e o Nam corriam atrás de notícias e pistas, eu me sentia morto por dentro. Não tinha forças nem pra beber um copo de água e a culpa estava me consumindo por dentro.
Assim que terminou uma das ligações, o Jungkook sentou do meu lado, com um remédio e um copo d'água. Eu nem sabia o que era, mas só torcia pra ser algo pra me matar. Levantei a mão com dificuldade e tomei.
— Essa viagem... nós não devíamos ter feito, isso é culpa minha. — sussurrei.
— Jimin, para de se culpar, ninguém tem culpa. Não tinha como a gente sequer imaginar que isso aconteceria.
Eu comecei a chorar profundamente, e ele me abraçava buscando me confortar.
Só de pensar o que fizeram ou estão fazendo com ele e com a Sra. Yoo eu já sentia meu peito doer e chorava cada vez mais.
Eu sou um problema, sempre fui. Qualquer pessoa que se aproxima de mim sai machucada, sempre foi assim.
Eu fracassei em cuidar do meu filho, e eu queria morrer por ter feito isso.
Ele me ajudou a levantar e me levou até meu antigo quarto, onde me colocou na cama. Sem forças, eu apenas deitei. Ele deitou do meu lado, e então, pude ver que ele também estava chorando.
Ele me abraçou e nossas lágrimas pareciam cair em sincronia, demonstrando toda a dor transbordando pelos nossos olhos.
— Eu vou trazer nosso filho de volta, tá me entendendo? Eu prometo isso pela minha vida.
Eu abracei ele ainda mais forte, e fui sentindo meu corpo cada vez mais fraco e lento.
— O q-que... — respirei fundo. — o que v-voce me deu?
— Um calmante. Me desculpe, Ji, mas você precisa descansar.
Eu queria responder, mas minha respiração pesada foi tranquilizando e minhas forças foram zerando, em um ponto que eu mal conseguia abrir a boca pra falar.
— Yohan... — seu nome foi meu último suspiro antes de apagar.
Meus olhos se fecharam enquanto ainda estavam repletos de lágrimas.
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[🎙️]
Oi leitor(a) mais lindo(a)!
Paz? Simplesmente não existe pra esses dois 😭
É com muito pesar e ao mesmo tempo, alegria, que compartilho com vocês que o próximo capítulo será o último dessa fanfic!
Por ser o fim, pretendo e prometo caprichar nele.
Já tô cheia de ideias para uma próxima fic, e se eu puder contar com todo esse apoio que vocês me deram em Under the Starlight, serei a pessoa mais feliz do mundo.
Obrigada por toda sua jornada até aqui.
Te vejo no próximo capítulo!
✨
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