39 • você nasceu pra mim

[🎙️]

PARK JIMIN

Acordei com um movimento sútil na cama, abri os olhos devagar, e demorei uns segundos pra lembrar do bebê.
Pulei e sentei na cama assim que despertei, mas pra minha surpresa, mesmo acordado, ele estava quietinho.

Cheguei perto e dei um beijo cuidadoso no cabelo dele, quase viciado nesse cheirinho de neném.

— Bom dia, meu amorzinho. Você está com fome, né? Vou preparar seu leite.

Olhei para o lado da cama e vi o Jungkook dormindo na cadeira, ao lado da cama. Se tem uma coisa que é raro, é eu acordar antes dele, então já consigo entender que ele realmente estava cansado.

E só estando muito cansado pra conseguir dormir em uma cadeira.

Coloquei mais alguns travesseiros em volta do neném e fui até a cozinha preparar a mamadeira. Eu até queria acordar o Jk pra ele deitar na cama, mas sei que se eu fizer isso, ele não vai dormir mais, então não arrisquei e deixei ele onde estava.

O apartamento estava silencioso. O Jin também parecia estar dormindo, e o Taehyung ainda estava no Havaí com o Hobi. Apenas o Bam estava acordado, andando atrás de mim por onde eu ia.

Enquanto separava as medidas da fórmula do leite, uma mão me envolveu por trás, seguido de um beijo no pescoço.

— Bom dia, meu amor. — Olhei pra trás e vi ele segurando o Yohan no colo com um braço enquanto me abraçava com o outro. E o Bam pulando em cima dele.

— Que lindo vocês três juntos... bom dia, Kookie. Porque dormiu na cadeira? Nosso acordo era que você dormisse pelo menos no sofá.

— Até tentei, mas sinto necessidade de te olhar pra conseguir dormir. De certa forma, isso é culpa sua.

— Bobo... — dei risada. — Senta com ele no sofá, já levo a mamadeira.

Ele foi até a sala e ficou conversando com o bebê enquanto esperava. Entreguei a mamadeira pra ele e fiquei sentado do seu lado, enquanto ele amamentava.

— E se a gente fugir? — perguntei.

Ele riu achando que eu estava brincando. Até poderia ser uma brincadeira, mas realmente tinha um fundo de verdade.

— Eu tô falando sério.

— Ji, você sabe que se fizer isso ou qualquer outra loucura, sua carreira acaba, e eu sei o quanto você ama o que faz. Vamos fazer do jeito certo pra gente não precisar abrir mão de nada.

Fiquei com a cara fechada, mas não respondi nada, afinal, eu sei que ele está certo... eu só não queria que ele estivesse certo.

— Não fica bravo comigo, meu loirinho.

— Eu não quero devolver ele.

— Eu sei que não, mas isso é provisório. Se tudo der certo, logo estaremos com ele de novo.

— E se não der?

Ele me olhou enquanto parecia pensar nas palavras que deveria usar.

— Se não der, podemos fazer um novo pedido de adoção. Não vamos desistir.

— Mas você não tá entendendo o ponto, eu quero ele.

Quando ele ia responder, seu celular que estava aos pedaços, tocou.

— É o assistente social, segura ele. — Ele me entregou o Yohan e levantou pra atender. Sua expressão corporal demonstrava que ele também estava tenso com o desenrolar de tudo isso.

— Olá, bom dia. — Ele ficou em silêncio ouvindo, e respondeu. — Tudo bem, obrigado. — Ele desligou.

Eu estava apreensivo.

— O que ele disse?

— O Mingyu me ajudou a entrar com um pedido pra virem só amanhã, considerando que hoje é domingo, e o assistente acabou de avisar que aceitaram.

— Para! Isso é sério?

— Uhum.

Estiquei o braço chamando ele pra perto.

— Me dá um beijo aqui, você é incrível.

Ele abaixou e me deu um selinho lento e bem molhado.

— Vamos para casa nova e fazer nossa mudança hoje, não podemos perder tempo.

— Vamos. — Respondi animado.

Trocamos de roupa e descemos para a garagem. Ainda não temos o assento para bebês, então fui no banco de trás com o Yohan no colo. Ele não tinha roupas, então passamos em uma loja e compramos várias, inclusive, eu exagerei na quantidade.

Assim que saímos da loja, ele colocou o endereço da casa no GPS e olhou pra mim, surpreso.

— Esse endereço é perto do apartamento, isso tá certo?

— Uhum... escolhi próximo pra você ter sempre seus amigos por perto.

Ele sorriu enquanto olhava pra trás.

— É por isso que eu me apaixonei por você. É impossível não se apaixonar por alguém assim.

Eu sorri um pouco envergonhado.

— Você merece.

Ele ligou o carro e fomos para a casa. Mesmo sendo perto, era um bairro um pouco mais residencial, com mais casas e menos apartamentos. Do jeitinho que eu queria.

Já na frente da nossa casa, ele parou e olhou de um lado para o outro.

— Você me passou o endereço certo? Porque aqui só tem essa mansão... deve ser na rua de tr...

— É essa mesmo.

Ele olhou assustado pra mim enquanto virava o corpo pra trás.

— E-essa casa? Jimin, você é maluco?

Olhei assustado pra ele.

— Porquê? Você não gostou? Nós podemos reformar e deixar do nosso jeito...

— Esse não é o ponto. Ela é linda, mas você falou que comprou uma casa, e isso definitivamente não é uma casa, é uma puta mansão. Quanto você pagou nela?

— Eu até achei ela pequena... comparada com a dos meus pais, essa é bem pequena mesmo. Bom, vai ser onde vamos construir nossa vida juntos, nós merecemos algo assim, ou talvez, melhor ainda.

Ele sorriu, parecendo um pouco surpreso e feliz com a minha resposta.

— Acho que já te disse o quanto você é inacreditável.

— E você ama, huh?

— Demais... Sou louco por você e esse seu jeitinho impulsivo.

Esperamos a chuva passar por alguns minutos dentro do carro, mas ela só piorava. Quando vimos o carro do corretor chegar, percebemos que não dava pra esperar mais.

O tempo alegre, caloroso e feliz do Havaí acabou, e voltamos pra realidade triste e depressiva de Seoul.

Eu desci com o Yohan no colo, mas assim que ele desceu também, abriu o guarda-chuva e estendeu os braços pedindo pra o pegar.
Ele foi rápido até a entrada da casa, e eu fui em seguida com um guarda-chuva menor.

O corretor também correu até a casa, tentando fugir do temporal.

— Bom dia, Park. — ele me cumprimentou e olhou para o Jungkook. — E você é...?

O Jk não sabia até que ponto ele poderia responder, mas à essa altura, não somos um segredo mais.

— Esse é meu marido, Jeon Jungkook.

— Prazer em te conhecer Sr. Jeon, sou Kim Ryun, corretor dos Park. Primeiramente, parabéns pela compra.

— Ahh, muito obrigado. Te agradeço por achar ela pra mim.

— É sempre uma honra servir você e seus pais. Venham, vamos conhecer a nova casa. Vou mostrar bem brevemente pra vocês poderem explorar e conhecer ela da forma que preferirem.

Ele foi andando na frente, e o Jungkook aproveitou o momento, chegou perto do meu ouvido e sussurrou.

— Assim você me deixa louco pra te comer, meu marido gostoso.

— Shhhh...

Arregalei os olhos fazendo um gesto de silêncio, morrendo de medo do corretor ouvir, enquanto ele ria sem parar da minha reação.

Mas, vamos ser sinceros, eu também estava louco pra ele fazer isso comigo.

— Eu sei que você quer também, nem sua cara nega.

— Quero mesmo, e daí? — Dei risada.

O corretor se aproximou e disfarçamos.
Ele nos mostrou os cômodos principais da casa e foi embora pra solicitar nossa mudança.

— Precisamos voltar no apê pra separar tudo pra trazerem.

— Você pode voltar, eu vou esperar aqui. Minha mãe está chegando, e não quero sair nessa chuva com ele. — Respondi.

— E vai ficar na casa vazia?

— Mas não está vazia. E também vai chegar algumas coisas que comprei pela internet, então é melhor esperar aqui.

Realmente não estava vazia, já havia vários móveis e eletrodomésticos novos que o antigo dono deixou. Até o sofá era novo e ainda estava com plástico.

Ele demorou pra aceitar, mas com muita insistência minha, e a confirmação da minha mãe que estava realmente chegando, ele foi para o apartamento.

Tirei os plásticos do sofá e sentei. O Yohan era tão calmo, e todo esse tempo ele estava acordado, mas em silêncio, olhando curioso pra todos os lados.

Segurei ele de frente pra mim, e sentia meu coração bater acelerado.

— Você é meu filho, e ninguém vai te tirar de mim.

Ele me olhava enquanto mexia os bracinhos de forma fofa, e eu enchi ele de beijos logo em seguida.

Poucos minutos brincando com ele, escutei um carro estacionando, olhei pela janela da sala e vi que era o carro da minha mãe.
Ela entrou rápido e congelou quando me viu com ele no colo.

— Jimin, você estava falando sério?

Ela mal esperou minha resposta e já se aproximou rápido, olhando para o bebê.

— Céus, como ele é lindo...

— Sim... eu preciso dele, mãe. Você acha que é uma boa ideia se eu chamar meu tio pra me ajudar com a guarda dele?

— Talvez, mas, Jimin, você tem certeza disso? Digo, você ainda é um garoto, não tem nem 21 anos ainda, e um filho é uma responsabilidade pra vida toda.

— Eu tenho certeza, mãe.

Ela me olhou cheia de insegurança no olhar, e olhou para o Yohan por alguns segundos antes de responder.

— Parece que foi ontem que você estava me dando dor de cabeça levando uma vida completamente imatura... olha pra você agora, todo responsável e cheio de si. É por isso que, mesmo me pegando de surpresa, eu nunca proibi seu namoro com o Jungkook. — Ela sorriu, e me deixou completamente emotivo.

— Eu sei que sou novo, mas tô feliz... e quero aproveitar minha vida assim. Eu prometo que vou dar o meu melhor pra tudo funcionar.

— Eu sei que vai. Se você está decidido, vou te apoiar nessa e em qualquer escolha que fizer, e sempre vai ser assim. Vou conversar com seu tio sobre isso.

— Obrigado, te amo mãe.

— Também te amo. — Ela fez um cafuné rápido na minha cabeça, bagunçando meu cabelo. — Fechei o contrato pra você.

— Que?

— Preciso que você e o Jungkook se apresentem em Daegu juntos, em um festival que acontecerá daqui uma semana. Mesmo com aquelas quebras de contrato, depois que vocês se assumiram, algumas empresas nos procuraram pra fazerem contrato de apresentações e publicidade, buscando especificamente vocês dois.

— Uau, isso é sério?

Eu achei que seria justamente o contrário, que cada vez menos empresas nos procurariam.

— Sim. O valor do contrato é bem alto, além claro, do benefício que terá para a carreira do Jungkook, isso se ele ainda quiser seguir com isso.

— Ele quer sim, nós dois queremos. Pode confirmar a apresentação.

— Ótimo.

O Yohan acordou e começou a chorar, e ela me encarou na mesma hora, apontando para a cozinha.

— Vá preparar o leite, eu seguro ele.

Eu nem questionei e o entreguei no colo dela. Peguei as coisas na bolsa que trouxe e fui até a cozinha.

— Wow, essa cozinha é linda... — Eu olhava feliz e entusiasmado pra cada detalhe. Era bem mais bonita que a cozinha da casa dos meus pais, bem mais a minha cara.

Voltei com a mamadeira e entreguei pra ela, que enquanto amamentava, me deu algumas dicas com os cuidados dele.

Aos poucos foram chegando as compras que fiz, inclusive uma geladeira e uma televisão para a sala. E nesse meio tempo, o Jk e o Jin chegaram, e logo depois, toda a mudança.

Minha mãe ficou um bom tempo cuidando do Yohan enquanto nós três fomos organizando do nosso jeito as coisas que chegavam, junto de alguns funcionários. Até poderíamos deixar só para os eles fazerem essa parte de organizar, mas já vamos passar a noite aqui hoje, então qualquer ajuda era bem vinda.

[...]

E depois de horas, tudo estava no seu devido lugar, até minhas coisas que estavam na casa da minha mãe.

Enquanto alguns funcionários iam embora, nos reunimos na sala. Eu sentia meu corpo cansado, e tenho certeza que todos estavam assim também.

— Jin, obrigado por toda ajuda. — Agradeci.

— Que isso, não foi nada. Como retribuição, podem deixar um quarto desses pra mim, pra quando eu visitar vocês. — Ele riu, brincando com o fato de ter muitos quartos na casa.

— Pode deixar, vou organizar um pra você, te prometo.

Ele olhou no celular e levantou rápido.

— Obrigado, Jimin. Bem, preciso ir embora, a Nayeon vai dormir comigo no apê. E Jk, amanhã eu te devolvo o Bam.

— De amanhã não passa, traz ele aqui antes de ir pra Town.

— Af, tá bom, que cara chato. Não vou roubar seu cachorro... bem que eu queria, mas não vou. Tchau pra vocês, e com licença Sra. Park. — Ele se despediu e foi embora.

Minha mãe foi embora uns minutos depois, e acompanhei ela até a saída.

Era nossa primeira noite aqui, e nós dois estamos famintos depois de um dia pesado como esse. O Yohan estava dormindo no sofá, próximo de nós, e o Jungkook sentado em outro sofá.

Voltei para a sala e subi no colo dele, onde sentei com o corpo de frente para ele.

— Cozinha algo pra gente? — Pedi já achando que ele ia negar.

Sua mão foi rapidamente por baixo da minha camisa, acariciando minhas costas enquanto beijava várias vezes o meu pescoço.

—  Uhum... O que quer comer?

— Você vai mesmo?

— Vou, mas tem uma condição, claro.

— Casei com um aproveitador?

Ele riu e apertou a mão na minha bunda, pressionando contra ele, onde dava pra sentir claramente que ele já estava excitado.
Ele levantou o rosto, que estava no meu pescoço, e me olhou com um olhar canalha.

— Acho que você sabe o que eu quero.

Eu também queria, então nem existe a chance de eu negar.

— Negócio fechado. Mas o Yohan fica em outro quarto, e qualquer choro ou movimento dele nós paramos.

— Trato feito.

Ficamos beijando enquanto nossos corpos se pressionavam, mas fomos interrompidos pelo barulho da minha barriga roncando e pela risada do Jk após isso.

— Quer comer tteokbokki?

— Não. — dei outro beijo e respondi com nossas colas ainda coladas. — Escolhe você.

Ele pensou um pouco e voltou a responder.

— Então vou de táxi até o café buscar minha moto e volto com os ingredientes do que tô pensando em fazer, pode ser? Não posso deixar ela de novo na rua.

— Pode, só não demora, por favor.

Levantei do colo dele, e ele levantou do sofá.

— Vou rápido, te prometo. Tranque as portas. — Ele se despediu e saiu

Ainda estamos sem seguranças na casa, e não era uma boa ideia ficarmos assim por muito tempo, ainda mais depois das coisas que já passamos. Amanhã já vou pedir ao Nam pra providenciar alguns.

Tranquei as portas e subi até suíte principal com o bebê no colo, liguei a banheira e esperei encher um pouco pra dar banho nele. Deixei na temperatura ideal, e coloquei ele cuidadosamente. A água estava tão boa, e junto com o barulho de chuva que batia na janela, ele rapidamente dormiu no banho.

Ainda sonolento, terminei o banho e o levei para o quarto. Passei pomada, coloquei fralda, e depois, uma roupa nova e cheirosa.
Já no colo, o envolvi em uma coberta e enchi de beijos enquanto descia de volta pra sala.

Fiquei esperando o Jk enquanto brincava e conversava com o Yohan. E após mais uma mamadeira, ele pegou no sono. Como ainda ficaremos no andar de baixo da casa, deixei ele dormindo no sofá, protegido por várias almofadas em volta.

Liguei a tv e coloquei em um anime pra assistir, mas enquanto isso, tirei uma foto do bebê e enviei para o Hobi.

Comecei a rir com a reação dele, que realmente não me respondeu mais. Esse joguinho de esconderem o que sentem tá durando mais do que imaginei.
Não sei se eles estão escondendo só de nós ou deles mesmos, mas não tá funcionando pra nenhum dos lados.

E depois de quase trinta minutos, o Jk voltou. Pra quantidade de coisas que ele fez, até que voltou rápido.

Ele colocou as sacolas na cozinha e voltou na sala, onde foi na direção do Yohan. Ele abaixou e deu um beijo nele, seguido de uma afagada carinhosa na cabeça. Ele levantou e veio na minha direção.

— Primeiro um bebê, agora outro. — E começou a beijar meu pescoço.

Depois de uns beijos gostosos, ele foi até a cozinha preparar nosso jantar. Ele começou a cortar alguns legumes, e eu fui atrás dele.

— Quer ajuda?

— Não, quero que você fique descansando. Pode esperar lá na sala.

— Vou ficar um pouco aqui com você... O que vai fazer?

— Gnocchi, é um prato italiano. Ja comeu?

— Nunca, é gostoso?

— Lembra tteokbokki, acho que você vai gostar.

— Se tiver queijo, tenho certeza que vou.

Fiquei observando ele cozinhar, e ele fazia tudo com tanta facilidade que era satisfatório assistir. Até a forma que ele cortava os legumes era bonita.
Até a forma de temperar era lindo. Ele era arte em tudo o que fazia.

Ele mexia nas panelas um pouco e me beijava, fazia outro movimento e me beijava. Eu estava sendo uma distração, mas é claro que eu estava amando, e ele também.

Assim que tudo ficou pronto, sentamos na mesa pra comer.

— Hmmm, isso tá tão gostoso.

Ele realmente consegue ser bom em tudo o que faz.

— Gostoso é você.

— Porque será que eu já sabia que você ia responder algo assim? — Dei risada

— Porque você sabe que eu não resisto em te provocar.

Enquanto comemos e conversamos, comentei sobre o show que participaremos. Será um festival, e outros diversos idols estarão presentes, então é um evento importante pra nós dois.

— Tem certeza?

— Como assim?

— Acho melhor só você se apresentar. Você tem talento de sobra, não precisa de mim.

— Para com isso, eu quero você junto comigo, e não é só eu quem quer, por isso nos contrataram juntos.

Ele ficou pensativo por uns segundos, mas topou.

[...]

Ao fim do jantar, o Jk pegou o Yohan no colo, e com cuidado pra não acordar, levou ele até o quarto que será dele. Lá, já havia uma cama de criança, mas nenhum berço, então enchemos de almofadas ao redor e deixamos ele lá, pelo menos por enquanto.

Amanhã eu quero comprar tudo que falta, mesmo sem uma certeza sobre seu futuro com a gente.

Ele foi para o banheiro tomar banho, enquanto arrumei nossa cama. O quarto também era lindo, com uma grande janela e uma vista linda para o bairro.

Assim que voltou do banho, vi ele com a mão na barriga, mostrando um certo desconforto. Quando ele notou que eu vi, disfarçou.

— Tá tudo bem?

— T-tá sim.

Essa resposta não soou nada convincente.

Ele veio na minha direção, e envolvendo minha cintura, começou a me beijar. Entre os beijos, fomos nos guiando até a cama, e assim que deitei, ele apoiou seu corpo por cima do meu.

Entre os beijos, sua mão acariciava todo meu corpo.

Até que, de novo, ele colocou a mão na direção da costela dele, ali, eu já entendi que não estava tudo bem.

— Se você está com dor, porque não fala nada?

— Porque é só uma dorzinha, já já ela passa. Vem cá.... — Ele apertou mais seu quadril na direção do meu.

Apoiei as duas mãos no peito dele, o segurando.

— Não. Não é só "uma dorzinha", você quebrou a costela à pouco tempo. Eu te avisei que não era pra fazer tanto esforço físico hoje, e mesmo assim você fez. Então não vamos transar hoje.

Ele me olhou perplexo, como se eu tivesse ofendido ele e todas as suas gerações da forma mais cruel possível.

— O que? Nem pensar! Eu tô louco pra te foder.

— Então vai continuar louco assim até amanhã, não quero correr o risco de te machucar.

— Não vai me machucar, eu te garanto.

— Não.

Ele saiu de cima de mim e sentou na cama, mais indignado que antes. Eu estava me levantando, mas ele rapidamente pegou minha mão e me puxou forte na sua direção, onde levou sua boca até meu ouvido.

— E o que eu faço com isso agora? — Ele segurou o pau dele por cima da cueca, eu olhei pra baixo, e vi que realmente estava tão duro que esticava o tecido. Isso foi o suficiente pra também me deixar excitado.

Pra ajudar a cueca era branca...

Fiquei de novo em pé, e em seguida, de joelhos na beira da cama.

— Eu te chupo, então.

Ele sorriu meio desacreditado.

— Não precisa fazer isso, Ji.

— Eu quero.

Ele colocou a mão nos olhos com um sorrisinho cafajeste, e com certeza amou a ideia.

— Você quem manda.

Ele se apoiou no colchão com as mãos pra trás, enquanto permanecia com o mesmo sorriso.

Eu sentia meu rosto pegar fogo, mesmo assim, fiz.

Segurei a cueca dele e coloquei seu pênis pra fora. Era tão grande, e era a primeira vez eu estava vendo com tanta clareza de detalhes, mesmo que eu já tenha feito isso outras vezes.
As veias dilatadas e a cor rosada me deixaram com mais vontade ainda. E pra ajudar, ele não parava de me olhar...

Coloquei a língua na cabeça e fui circulando com ela aos poucos, até colocar a boca de vez. Assim que coloquei, ele apoiou o corpo pra trás, enquanto uma de suas mãos se posicionou na minha cabeça. Ele acariciava meu cabelo enquanto sentia meu movimento nele.

O fato dele parecer durão e ser extremamente gentil comigo sempre me deixa mais excitado ainda.

Curioso pra saber se ele estava gostando, olhei na sua direção, ainda chupando. Ele me olhou nos olhos, e sua língua circulou pelos seus lábios e piercing.

Era óbvio que ele estava gostando, mas mesmo assim, eu queria dar o meu melhor pra ele sentir muito prazer.

Por mais que eu me esforçasse, não cabia tudo na minha boca, mas eu queria que coubesse.
Comecei a chupar mais fundo, mas engasguei na primeira tentativa.

— Calma aí, meu amor... — Ele colocou a mão no meu rosto, enquanto seu polegar passou pelos meus lábios.

— Tá ruim? — Parei e olhei sem jeito pra ele.

— Jamais, tá uma delícia, mas olha pra essa boquinha... não fica tentando colocar tudo.

Se eu já estava tímido, isso meio que me deixou ainda mais.

— Precisa um tamanho desse? — Brinquei tentando descontrair meu nervosismo.

Ele riu e mordeu os lábios.

— É o mesmo que você aguenta dentro de você.

Aqui eu explodi em timidez de vez. Ele chegou com o rosto perto, e segurando firme o meu rosto, puxou na sua direção, onde me beijou. No fim do beijo, mordeu minha boca e falou.

— Me diz que vai continuar...

Concordei com a cabeça, e com a mão no peito dele, empurrei seu corpo, pedindo pra ele voltar a se apoiar para trás.

Uma garrafa de soju me salvaria dessa timidez...

Segurei com a mão cheia e voltei a chupar.

Diferente de mim, ele não precisa beber pra se soltar. Ele nunca teve vergonha de nada, nem de demonstrar o prazer que está sentindo, e nesse momento, ele gemia e me olhava durante todo o tempo.

Com uma mão no meu cabelo, e a outra se apoiando no colchão, ele ajudava no movimento.

Depois de um tempo, meu joelho já estava dolorido, mas foquei em nem me importar com a dor.

Até que ele pegou e tirou da minha boca em um movimento rápido.

— Esper...

— Me dá aqui. — Eu mal deixei ele terminar de falar e peguei de volta.

Foi tudo rápido. Assim que peguei e coloquei na boca de novo, ele gozou. Inevitavelmente, minha boca, queixo e bochecha ficaram lambuzadas com o esperma dele.

Ele veio rápido com as mãos no meu rosto, e começou a limpar.

— Me desculpa.

— Para com isso, fui eu quem quis.

Ele ficou corado, o que era algo raro de acontecer. Sentei do lado dele, e com uns lenços de papel que estavam na mesinha ao lado da cama, ele limpou meu rosto.

— Jimin, Jimin... o que foi isso?

— Não é como você faz, mas eu tentei...

Ele começou a beijar meu pescoço, até que pegou minha mão e colocou de volta por cima da cueca dele.

— Amei tanto que tô excitado de novo.

Ele realmente estava, sendo que acabou de gozar.

— Mas como ass...

Antes de eu terminar, ele ficou em pé, me puxou e me prendeu na parede ao lado da cama, onde voltou a me beijar. Entre os beijos, ele abriu o botão da minha calça e colocou meu pênis pra fora.

— O que você vai fazer?

— Quero sentir seu pau no meu.

Senti meu corpo todo arrepiar quando ele falou isso.

Ele segurou os dois com uma mão só e começou a nos estimular juntos. Eu já estava molhado, e ele também, e o som que eles faziam friccionando um no outro era como música.

Segurei forte na pele dele e puxei sua boca pra perto da minha, combinando elas em um beijo cheio de prazer. Beijos esses que eram interrompidos a todo momento pelas nossas respirações ofegantes.

Ele diminuía o movimento da sua mão algumas vezes, e ficava me olhando, viciado em cada expressão que eu fazia, até que, em uma delas, coloquei minha mão por cima da mão dele.

— C-continua... mais... mais rápido...

Ele deu aquele sorriso cafajeste que eu sou apaixonado.

— Tá gostoso?

— Uhum... — Minha resposta soou como um gemido.

Realmente estava tão gostoso que eu não aguentei segurar por muito tempo. Assim que ele voltou a nos masturbar mais rápido, senti meu corpo todo contrair. Com um gemido intenso e prazeroso, gozei na mao dele. Ele gozou junto assim que percebeu meu orgasmo, enquanto sua língua deixava um rastro no meu pescoço.

Eu me sentia exausto, minhas pernas tremiam e minha respiração era pior que a de um maratonista.

Ele limpou a mão, e, depois de sentar, segurou as minhas mãos e me puxou para o seu colo. Um sorriso iluminava seu rosto enquanto nossos olhares se encontravam. Seus dedos acariciavam gentilmente a minha orelha, enquanto eu podia ver seus olhos circulando por mim.

— Eu te amo, Jimin.

— Eu também te amo, Kookie.

Ele sorriu e deu uma mordida no meu lábio inferior, ainda me olhando nos olhos.

— Por mim eu te devorava inteiro aqui.

Enquanto beijava meu pescoço, escutamos o Yohan começar a chorar. Empurrei ele o mais rápido e desesperado que pude, e levantei correndo pra ir até o outro quarto.

Chegando lá, dei de cara com meu maior pesadelo.

— Droga, é cocô...

Assim que abri a fralda, entrei em colapso.
Corri de volta pro nosso quarto, e com uma cara de quem precisava de socorro, implorei ajuda.

— O que foi?

— Você... bem... pode trocar a fralda dele?

Ele começou a rir.

— Se quer ser pai, tem que encarar fralda suja também.

— Eu sei, mas é só dessa vez, por favor. Se não, eu vou passar mal.

Ele ficou rindo de mim e foi assim até o quarto. Eu fui atrás dele e fiquei observando de longe enquanto ele trocava.
Seus movimentos eram cuidadosos, demonstrando que sabia exatamente o que estava fazendo. Ele limpou o Yohan, passou pomada, talco, e depois, uma fralda nova.

— Você faz isso tão bem, como aprendeu?

— Olhei um vídeo no YouTube ontem a noite... Prontinho.

Ele pegou o Yohan no colo, apoiou a cabeça dele no seu ombro, começou a ninar ele. Eu fiquei feito um bobo assistindo, e em poucos minutos, ele voltou a dormir pesado.

O Jk colocou ele de volta na cama e fomos para o nosso quarto.
Tomamos banho juntos, e mesmo com mãos bobas pelo corpo, não fizemos nada além dos beijos.

Ele deitou primeiro na cama, e eu fui logo depois, onde deitei no seu peito.

— Ainda não acredito que tudo isso realmente está acontecendo. — Ele falou enquanto seus olhos grandes e curiosos olhavam para o quarto.

— É tão louco pensar nisso. Imaginei que minha vida seria completamente diferente...

Enquanto conversamos, ainda admirados com o rumo que nossas vidas tomaram, fui ficando sonolento, e com o Jk ainda falando, peguei no sono.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

| No dia seguinte |

O momento que eu menos queria, chegou. A campainha tocou e estremeceu todo o meu corpo.

— O assistente social chegou. — O Jk falou, enquanto eu estava na cozinha preparando a mamadeira.

Eu congelei.

Eu não queria devolver o Yohan, e se isso não fosse me colocar em problemas, eu fugiria agora mesmo com ele, pra qualquer lugar do mundo.

O assistente, acompanhado de uma mulher, entraram e sentaram na sala. Eu fui em seguida com o Yohan no colo.

Dispensando apresentações, o assistente começou a falar.

— Bom, vamos lá. O bebê se chama Shin e tem 3 meses de vida. A mãe infelizmente é usuária de drogas e desde o início mostrou imposição para ficar com a criança, mas a família dela insistiu.

— Então, poderemos ficar com ele? Não tem como ele viver com uma mulher dessas. — O Jk perguntou.

— Os avós da criança solicitaram a guarda dele, e pelo parentesco, eles são prioridades. É claro que não o entregaremos diretamente, mas ele precisará ir para o abrigo até a decisão do juiz de o entregar a família. Agradecemos a vocês por cuidarem dele nesse período.

— Tem alguma forma de reverter isso? — Minha voz saiu repleta de medo.

Ele me olhou assim que terminei de falar, e folheou alguns papéis que carregava nas mãos.

— Park Jimin, certo?

— Sim.

— Só se a família abrir mão, o que não foi o caso. Outra possibilidade é se a família for desestruturada... Lar com muitas brigas, consumo de drogas, entre outras circunstâncias. O juiz não concederá a guarda à uma família com problemas.

Eu me sentia perdido a cada palavra, e meu coração estava apertando tanto que eu estava ficando com falta de ar.

A mulher que estava o acompanhando, se aproximou de mim, e estendendo os braços, pediu o Yohan de volta. Meu olhar foi direto para o Jungkook, que também estava mãos atadas, assim como eu.

Não havia nada que a gente pudesse fazer pra impedir.

Com as mãos trêmulas e segurando o choro, eu o entreguei, e então, mesmo que eu não quisesse fazer isso, eu não aguentei segurar mais e voltei a chorar. A mulher saiu com ele nos braços, e o assistente se aproximou de mim.

— Lares temporários são difíceis pois geram esse apego, mas logo vocês esquecem. Obrigado por toda ajuda. — Quando ele falou isso, olhei cheio de ódio em sua direção, pronto pra quebrar a cara desse vagabundo, que saiu logo em seguida.

O Jungkook colocou a mão na minha frente e sussurrou.

— Não faça nada.

Quando ele se certificou que eles saíram, eu desabei a chorar ainda mais, mas dessa vez, eram lágrimas de ódio.

— Logo eu esqueço? Desgraçado, se eu pudesse quebraria a cara dele no chute. Como colocam um filho da puta num trabalho como esse?

Quanto mais eu xingava, mais eu chorava.

O Jk então se aproximou, e sem dizer nada, me abraçou. E eu retribuí, sentindo meu coração vazio e dolorido. Não há palavras que possam me confortar nesse momento.

Sentei sem forças, e meu primeiro pensamento foi destruir a família dele, se é que podem ser chamados assim. Isso pode soar egoísta, pois realmente era, mas eu não quero saber, o Yohan é meu e nada vai mudar isso.

— Eu preciso descobrir quem é a família dele. — Falei em meio às lágrimas.

— E o que você pretende? Ameaçar eles até desistirem?

— Não, só que... — pensei por uns segundos. — Eu não sei o que fazer, tá satisfeito? Por mim, eu acabava com eles, um por um.

Ele sentou do meu lado e respirou fundo.

— Eu vou descobrir quem são, e vamos ver se são boas pessoas pra criarem ele.

— E se não forem?

— Se não forem, ele será nosso. Eu te prometo.

Abracei ele e chorei mais um pouco, mas logo ele pegou o celular e saiu falando com alguém, buscando resolver tudo isso. Já eu, peguei o meu celular e liguei para o meu tio, que atendeu rápido.

— Oi tio, bom dia.

— Bom dia meu garoto, a Hyejin acabou de me ligar contando tudo o que aconteceu. Você ainda está com a criança?

— Não, pegaram ele agora. — Eu comecei a chorar feito um fraco na linha.

— Estou indo na assistência social.

— Ok, eu te encontro lá.

— Jimin, não, espere. Só eu vou, é melhor. Se necessário, eu te chamo.

Eu estava cheio de incerteza, mas ele insistiu que era melhor assim, então confiei e aceitei.

Ainda no sofá e meio desorientado, o Jungkook apareceu de volta, já pegando as chaves do carro.

— Eu vou na delegacia onde o Mingyu trabalha.

— Eu vou também. — Levantei e fui em direção a porta.

— Ji, é melhor você ficar.

— Que inferno, Jungkook! — Em uma explosão de raiva, eu comecei a gritar. — Não posso ir com o meu tio na assistência social, e também não posso ir com você? Eu não quero ficar esperando aqui feito a porra de um inútil, você sabe que eu odeio me sentir desnecessário. Eu quero ele de volta!

— Ei ei, calma, respira. — Ele segurou nos meus braços, tentando conter minha raiva.
Mesmo no meu surto, ele puxou e me abraçou, envolvendo minha nuca com sua mão e trazendo meu rosto pra mais perto dele.

— Você pode ir sim comigo, me desculpe meu loirinho.

E eu voltei a chorar.

— Obrigado...

Pegamos o carro e fomos até a delegacia.

Assim que chegamos, o Mingyu nos recebeu na sala dele com uma expressão um tanto quanto positiva.

— Achei a oportunidade que precisam. Assim como a mãe, a família inteira tem passagem pela polícia por vários crimes, desde estelionato até tráfico e consumo de drogas. Se já tiverem um advogado, peçam pra que ele me contate imediatamente.

Isso brilhou como uma luz de esperança em meio ao um túnel escuro e triste que estamos.

Liguei para o meu tio e passei o endereço da delegacia. Eu e o Jungkook ficamos esperando na sala de espera por qualquer notícia.

Eu entrelacei as mãos sem jeito, sabendo que vacilei em aumentar a voz com ele.

— Me desculpe por gritar com você mais cedo. — Eu estava envergonhado pela forma que agi, e nem conseguia olhar pra ele direito.

Ele segurou no meu queixo e virou meu rosto pra ele. Seus olhos grandes e brilhantes me miraram.

— Você não tem que pedir desculpas, meu amor. Eu sei o quanto isso te machucou e está machucando, à mim também está.

Nesse momento, vimos meu tio entrar direto na delegacia, indo com pressa até a sala do Mingyu. Continuamos esperando e ele saiu um pouco depois.

— Isso era o que precisávamos. — Ele mostrou um envelope nas mãos. — Vou até a assistência social. Vocês dois, voltem pra casa, me enviem o endereço de vocês e esperem meu contato.

— Não podemos ir juntos? — Perguntei.

— Melhor não, mas confiem em mim.

Mesmo receosos, aceitamos e fomos embora. Fui o caminho todo triste, e chegando em casa, isso se intensificou. A casa toda tinha cheirinho de neném, assim como todas as suas coisinhas que compramos, que já estavam espalhadas pela casa.

Sentei no sofá, e fiquei com uma das cobertas dele na mão, assim como o meu celular.

Eu odeio perder, seja o que for, sempre odiei, e agora, sinto ódio de mim por não ter impedido isso de acontecer... Eu realmente deveria ter saído correndo e fugindo.

[...]

Depois de horas remoendo essa angústia, eu permanecia segurando forte o celular, aguardando ansioso por qualquer ligação.

O sol estava se pondo aos poucos no horizonte, e o céu, todo alaranjado, parecia tão positivo em meio a todo esse caos que estava acontecendo.

Fiquei sentado na beira da piscina, sozinho, com o olhar fundo. Esse sentimento de culpa estava me consumindo, e eu estava agindo feito um babaca.
Mesmo sabendo que o Jungkook também estava mal, eu precisava de um tempo sozinho, pra não descontar esse sentimento nele.

Assim que eu pedi, ele respeitou e concordou. Enquanto eu fiquei do lado de fora, ele ficou dentro da casa.

Depois de todas essas horas sentado feito uma estátua sem emoções, escutei passos se aproximarem devagar. Ele se abaixou, fez um carinho no meu rosto e falou.

— Tá com fome?

Balancei a cabeça negativamente.

— Você não comeu nada hoje, Ji... Eu fiz tteokbokki com queijo e sem pimenta, do jeitinho que você gosta. Come só um pouco, por favor.

Eu estava sem apetite, mas era impossível dizer não à ele.

— Vamos?

Concordei e fomos até a cozinha.

O tteokbokki que ele preparou estava tão saboroso que, mesmo sem apetite, foi suficiente pra reabrir a minha fome.

E consegui comer a tigela toda, lentamente e em silêncio, mas comi.
Eu realmente estava precisando comer, e isso me deu um pouco mais de energia.

Era nítido o quanto ele estava incomodado por eu agir assim, e assim que terminei de comer, sua voz quebrou o silêncio.

— Ji, eu sei que você quer ficar sozinho, mas eu preciso de você... — Ele estendeu a mão sobre a mesa, pedindo a minha mão.

Eu sempre fui alguém ruim. Nunca soube lidar com meus próprios sentimentos, muito menos com os sentimentos dos outros, o que me fazia não ser tão legal com as pessoas... Não sei em que parte da minha vida eu acertei pra merecer alguém tão bom quanto ele.

Segurei de volta na sua mão, e olhando nos seus olhos, respondi.

— Eu também preciso de você, mas não quero descontar em você minhas frustrações... eu sou um idiota imaturo, e você sabe disso.

— Eu não me importo, afinal suas frustrações são as minhas também. Não são algumas palavras ditas em voz alta que vão me fazer deixar de te amar, ainda mais sabendo da sua dor. Na real, "deixar de te amar" é algo impossível.

Eu realmente não mereço alguém como ele.

Nesse momento, meu celular que estava apoiado na mesa, tocou. Olhei rápido para a tela e vi que era o Hobi. Eram raras as situações em que ele me ligava, geralmente só nos falamos por mensagem, então atendi rápido já imaginando ser algo importante.

— Oi Hobi.

— Jimin, eu tô no meio das gravações e não posso falar, mas olha o site do Korea News agora! Tchau, até depois. — ele desligou.

Fiz o que ele falou no mesmo momento. Abri o site deles e dei de cara com mais uma coisa pra foder com meu emocional.

Eu fiquei louco de raiva e joguei o celular em cima da mesa.

— Bando de desgraçados! — Comecei a gritar descontando minha raiva em tudo o que eu via, até a cadeira foi longe.

O Jungkook se aproximou rápido e me segurou.

— O que aconteceu?

— Se eu fosse uma pessoa anônima, nós não passaríamos por nada disso. Estaria eu, você, o Yohan e o Bam na nossa casa, em paz! Eu quero viver uma vida normal, eu tô cansado de tudo isso!

Eu gritava apontando para o celular em cima da mesa, ele pegou e leu a notícia, que estava aberta na tela.

— Mas que merda é essa... — Ele sussurrou indignado quando leu.

— Enquanto a gente não assumia, eles ficaram especulando tudo da nossa vida até descobrirem, e agora que assumimos, dizem que é mentira?! E ainda nos acusam de marketing... Filhos da puta!

Eram vários problemas nos cercando de todos os lados, e eu estava surtando.

— Olha pra mim. — Ele segurou minhas bochechas, puxando meu rosto pra olhar para o dele. — Teremos o show juntos, certo? Vamos mostrar pra esses arrombados o que é fanservice. Agora, nosso foco é recuperar o Yohan de volta, então esquece disso, tá me entendendo?

Ele estava certo.

Sem conseguir responder ele em palavras, apenas o abracei.

Nossa prioridade realmente é o Yohan, então me esforcei ao máximo pra esquecer dessa porra de matéria do Korea News.

[...]

Ficamos no sofá juntos, esperando qualquer notícia do meu tio, mas infelizmente não tivemos nenhuma, a tarde e a noite toda.

Já eram mais de 22:00 da noite, e nossas chances de ter ele hoje conosco já são nulas.
Enquanto eu estava triste e imóvel no sofá, deitado com a cabeça no colo do Jk, escutamos a campainha tocar.

— Espera aí, vou ver quem é.

Levantei a cabeça pra ele sair e continuei deitado olhando pra tv, mesmo sem conseguir assistir nada. Eu parecia um depressivo, e mal conseguia me mexer de tanto desânimo.

Eu sei que deveria ao máximo evitar pensar dessa forma, mas com tanta coisa acontecendo, talvez ter morrido naquele acidente não seria algo tão ruim...

Ouvi passos de mais de uma pessoa entrando na sala, mas não tinha forças nem pra levantar e ver quem era, até que vi meu tio em pé ao meu lado.

— Pra que isso, meu garoto?!

— Tio... — Levantei em um pulo, até que olhei para o lado, e vi o Jungkook com o Yohan no colo.

— Eu não acredito... — Desabei em lágrimas e corri desesperado na direção deles.

Peguei o Yohan no colo, e em um abraço apertado, chorei ainda mais profundo, libertando todo medo e angústia que estava sentindo.

— Você voltou pra mim... — Olhei com o rosto em prantos na direção dele, e logo depois, para o Jk.

— Muito obrigado, tio.

Ele sorriu e fez um cafuné no meu cabelo, bagunçando ele, assim como fazia quando eu era criança.

— O que eu não faço por você e pela minha irmã?! Vocês são minha família, e olha como ela cresceu; Agora temos mais dois integrantes, seu marido e seu filho.

Meu filho... Ouvir essas palavras foi como remover todas as dores e medos que eu estava carregando até aquele momento.

Quando eu estava mais calmo, sentamos no sofá e meu tio contou como conseguiu trazer ele de volta para nós, e devemos isso e várias outras coisas ao Mingyu.

— As informações que o amigo de vocês da polícia descobriu foi essencial pra conseguirmos a guarda dele novamente. Até os avós têm problemas com a justiça, pra ser mais específico, são dois golpistas estelionatários.

— Então a guarda dele será nossa definitivamente? — O Jungkook perguntou.

— Não definitivamente. Já entramos com o pedido de guarda definitiva, mas por enquanto, vocês estão com a guarda provisória. Vale lembrar que a adoção homoafetiva ainda é proibida nesse país arcaico, mas tentaremos uma exceção pra vocês, visto que são pessoas com influência, além de ricos. Não dá pra negar que o dinheiro que possuem também pode ajudar.

Respirei aliviado só de saber que ele ficará conosco, e agora com a guarda provisória poderemos provar o quanto estamos prontos pra guarda definitiva.

Conversamos mais um pouco e meu tio foi embora. O Jungkook acompanhou ele até a saída, e quando voltou, sentou ao meu lado no sofá.

— Até seu rosto voltou a ficar mais corado. — Ele fez carinho em mim, e em seguida, no Yohan.

— Tô tão aliviado...

— Eu também estou, meu loirinho.

Enquanto ficamos olhando pra ele meio apaixonados, ele falou.

— Vai manter o nome que a família dele escolheu?

— Não. Será Yohan. Ele não terá nenhum tipo de ligação com essas pessoas, nem o nome, e muito menos saberá quem são.

Ele sorriu e me deu um selinho.

— Yohan é muito mais lindo, convenhamos.

— Sim... — Sorri olhando em seus olhos. — Eu te amo.

Ele me olhou todo bobo, com os olhos grandes e aquele sorriso que sou apaixonado.

— Fala de novo?

— Eu te amo, Jeon.

Ele abraçou eu e o bebê juntos.

— Eu amo você, ele e o que estamos nos tornando.

Meu coração, que já estava batendo forte, começou a pular do meu peito, assim como se fosse a primeira vez em que eu estivesse me apaixonando por ele.

— Obrigado por apoiar todas as minhas vontades. Digo, você não tinha obrigação nenhuma de aceitar ser pai.

— Garoto, eu quero viver o resto da minha vida com você. Filhos, netos, bisnetos, tudo que você quiser, eu quero.

Ele pegou o Yohan no colo, e deu vários beijinhos.

— Só faltou o Bam aqui... — Falei.

— Acho que vou ter que comprar um cachorro de presente pro Jin, só assim pra ele liberar o Bam desse quase sequestro. — brincou. — Amanhã te prometo que pego ele de volta.

— Tá tudo bem, eu sei o quanto o Jin é apegado nele, e o Bam também ama ele...

— Sim, eles se am...

— Isso! Boa ideia!

Ele me olhou confuso.

— O que eu falei?

— Amanhã vamos comprar um cachorro pra eles terem no apartamento.

Ele riu quando viu que eu levei a ironia dele a sério.

— Eles vão amar.

Ambos felizes, fomos para o quarto. Eu não queria ficar longe do Yohan, então, depois de um banho quente e aconchegante, colocamos ele na nossa cama. Ela era enorme, então cabia facilmente nós três.

Enquanto estamos deitados, o celular do Jk tocou. Ele olhou, desligou a ligação e também o aparelho.

— Quem era?

— Spam, deve ser ligação de marketing...

À essa hora? Mesmo estranhando, não perguntei mais.

Com o neném deitado no meio, e nós dois na ponta da cama nos olhando, dormi com a melhor visão que eu poderia ter em toda a minha vida.

Eu tinha certeza que naquele momento, eu era a pessoa mais feliz do mundo, e nada nem ninguém vai conseguir mudar isso.

Ninguém nunca mais vai tirar vocês de mim.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
[🎙️]

Oi lindeza,
Que bom ter sua presença aqui!

Vou dar um spoiler, nossa história está perto do fim, porém, ainda teremos muitos acontecimentos importantes nos próximos capítulos, e eu juro que serão tão intensos quanto tudo que já aconteceu até aqui.

Espero que tenham gostado desse capítulo, e me perdoem pela demora, como sempre digo, os dias têm sido loucos e corridos, mas sempre tento escrever um pouco nas horas vagas (que são raras).

Não se esqueçam de votar e comentar pra incentivar essa mera aspirante à autora e army ❤️‍🩹

Até o próximo capítulo!

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top