36 • seu sorriso é o meu favorito

[🎤]

JEON JUNGKOOK

| No dia seguinte|

— ... ele ainda não acordou, peça para que voltem daqui algumas horas.

Escutei uma voz masculina falando com alguém, e logo depois, o barulho de uma porta se fechando.

E silêncio.

Com muito esforço eu abri os olhos, ou ao menos tentei, pois um olho mal abria, e quanto mais eu tentava abrir, mais doía.
Olhei preocupado ao redor e entendi que estava em um hospital, e então, me dei conta que aquele pesadelo havia acabado.

Eu respirei fundo, aliviando toda angústia que estava dentro de mim, mesmo assim, ainda estava torcendo para que isso não fosse um sonho, e que eu realmente estivesse a salvo.

Ao meu lado havia um suporte de soro, e como ele era metálico, consegui ver meu reflexo nele. O olho que não consegui abrir estava inchado, além de vários outros machucados pelo meu rosto.

O meu braço esquerdo estava imobilizado até a altura do cotovelo, e eu conseguia lembrar com detalhes o momento em que o Seung-ho acertou repetidas vezes com o taco até quebrar.

Em um lapso de memória, também me veio à mente uma lembrança.

— Jimin? — Chamei com dificuldade, e ninguém respondeu. Eu me lembrava de ver ele, mas, também não sabia até que ponto era realmente uma lembrança ou delírio. Todos os caras que vi estavam armados, não tinha como ele entrar...

Mas, como me acharam?

Do lado direito da maca, próximo a minha mão, havia um botão vermelho, que pelo adesivo, deduzi que era pra chamar alguém, então apertei. Um minuto depois já apareceu um homem, com um jaleco branco e um estetoscópio em volta do seu pescoço.

— Que bom que você acordou, como está se sentindo?

Eu até tentava falar, mas minha voz ainda saía falhada, e eu sentia minha boca completamente seca.

— Quero água... — Foi a única coisa que consegui pedir.

— Ahh claro, só um momento. — ele abriu a porta e pediu para alguém do lado de fora trazer, e voltou para o quarto. — Boca seca, certo? Te demos uma medicação que um dos efeitos colaterais é a diminuição na produção da saliva.

Uma enfermeira entrou com uma bandeja, levantei o braço direito e peguei o copo.
Olhei para o médico assim que terminei de beber.

— Onde está o Jimin? — Minha voz já saiu com menos dificuldade.

Ele me olhou confuso, parecendo não saber de quem eu estava falando.

— Não sei se é ele, mas o rapaz de cabelo rosa que te resgatou está lá fora, inclusive já estava insistindo para entrar, mas não deixamos pois você ainda estava desacor...

— Eu quero ver ele. — mal deixei ele terminar de falar.

Então, foi real, ele realmente estava lá... e não só isso, ele me salvou.

— Ok, vou chamá-lo. Só peço que evite agitação, você quebrou uma costela e não foi preciso cirurgia, porém, ela levará semanas para calcificar. E nem preciso dizer sobre seu braço. — ele apontou na direção, e então, saiu.

Os poucos minutos que esperei me deixaram completamente apreensivo. Eu mal conseguia imaginar tudo que ele fez pra me achar e pra conseguir me tirar de lá em meio a tanto perigo.

Algumas batidas na porta, e então, ele entrou.

Assim que me viu, ele começou a chorar. Abri meu único braço que estava bom, chamando ele, que correu na minha direção e me abraçou forte.

— Ai ai ai... — Assim que ele me abraçou, senti meu corpo todo doer.

— Me perdoa. — ele riu em meio às lágrimas e voltou a me abraçar, mas com menos força. — Eu estava com tanto medo de te perder.

— Que saudade de você, Ji!

Até o aparelho que media meus batimentos denunciava o quão rápido meu coração ficou em finalmente abraçar ele e sentir seu cheiro.
Com tudo que passei na mão daqueles desgraçados, eu realmente acreditei que nunca mais veria ele, e que eu morreria ali.

E se eu não morri, é porque ele deu a vida dele por mim.

— Ji... — assim que chamei, ele levantou o rosto do abraço e me olhou com seus olhos pequenos e marejados. Como ele estava perto, pude ver a quantidade de ferimentos e hematomas estavam espalhados em suas mãos, braços, rosto e pescoço.

— Você é maluco? Olha pra você, todo machucado... não era pra ter feito isso.

Ele deu com os ombros como se fosse algo simples.

— Eu preciso de você, e te salvaria outras mil vezes se precisasse.

Minha mão foi até seu cabelo e em seguida, em seu rosto, onde acariciei sua pele macia. Eu mal conseguia tirar os olhos dele, e mesmo com tudo o que aconteceu, eu me sentia o cara mais feliz do mundo por ter ele comigo.

— Eu te amo tanto, garoto.

Ele deu um sorriso tímido, corando mais ainda as suas bochechas.

— Eu também te amo, Kookie.

Eu precisava sentir o beijo dele mais que tudo. Puxei seu rosto até mim e meus lábios finalmente encontraram o dele.

Eu estava sentindo tanta falta desse toque, desse gosto... e se eu fosse obrigado a viver sem ele, eu realmente não sobreviveria. Sei que isso é algo forte, ou talvez até meio obsessivo de dizer, mas é a verdade, eu realmente não faço questão alguma de viver sem ele.

Todas as metas de vida que tenho agora, literalmente todas, ele está incluso.

Depois de longos minutos nos beijando e matando a saudade, ele sentou do meu lado e começou a contar como fez pra descobrir onde eu estava, e como entrou sem notarem ele. Além de todas as loucuras que ele fez desde o meu sumiço, ele ainda brigou com Seung-ho, e eu tive a certeza que ele era realmente maluco.

À cada palavra dita eu me sentia mais culpado por ter feito ele passar por isso.

Depois de tantos detalhes, chegamos na parte inevitável, aquela que eu já desconfiava mas não queria aceitar.

— Antes de você atirar no Seung-ho, ele contou que foi meu pai quem pagou ele pra fazer isso com você.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, apenas tentando digerir. Mesmo que eu já imaginasse, no fundo, eu estava torcendo para o Eunwoo não estar envolvido nisso.
No fim, minha intuição infelizmente estava certa.

— E agora? Digo, o que vai acontecer com ele?

— O Mingyu já anexou a denúncia ao inquérito, então acredito que ele vá ser intimado e possivelmente preso, é o que estamos torcendo. Com o Seung-ho morto, pode ser que isso atrapalhe um pouco pra provarmos a culpa dele, mas não vamos desistir até ele responder por tudo o que fez.

Mesmo quase sem consciência, me lembro de despertar do desmaio e ver uma arma no chão. O tempo que eles ficaram falando entre si foi o suficiente pra me arrastar e conseguir pegar o carregador e a arma. Eu já dei aquele tiro na intenção de matar aquele desgraçado, e na hora nem pensei nos problemas que isso poderia trazer.

E o pior é que o problema ainda continua, pois quem mandou é ninguém menos que um dos caras mais ricos e influentes da Coréia, e também, o pai da pessoa mais importante da minha vida.

— Ji, eu preciso sair desse hospital, o Eunwoo não vai simplesmente aceitar uma acusação dessas. Eu sei que você sabe muito bem se defender, mas ele não vai deixar isso passar e só ficar esperando uma prisão, ele vai armar alguma coisa.

— Você vai sair quando o médico falar que pode, o Mingyu está cuidando de tudo. E quanto à mim, pode ficar tranquilo, meu pai não é louco o suficiente pra tentar fazer algo comigo.

— Sim, ele é louco o suficiente pra fazer qualquer coisa.

— O que ele pode tentar fazer é quebrar o meu contrato, mas minha mãe também é proprietária da Town, e ele não vai conseguir fazer muita coisa sem a autorização dela. Até lá, espero que ele já esteja atrás das grades.

Mesmo que ele tentasse parecer forte, era nítido que isso estava machucando ele mais do que qualquer machucado físico.

— Eu sinto muito, Ji. Você sempre falou que ele nunca foi um pai tão presente, mas que ele era uma boa pessoa pra vocês. Eu acho que, no fim, só trouxe coisas ruins pra sua vida...

Ele afastou e me olhou indignado.

— Quem quase morreu foi você, e por culpa minha.

— Não diz isso, você não tem culpa alguma.

— E você também não! Vamos tentar parar de achar um culpado, quando nós sabemos quem é o único que tem culpa. Ao nosso redor, todos nos aceitam numa boa, ele sempre foi o único que criou problemas desde o início. Depois do meu acidente eu já deveria ter cortado qualquer tipo de relação com ele, mas realmente acreditei que meu pai tinha nos aceitado, mesmo do jeito dele... que inocência a minha.

— Não foi inocência, ele é seu pai, você não estava errado em confiar nele, ele errou em enganar o próprio filho.

— Sim, mas fui inocente em não perceber que, no fim, essa "aceitação" não passava de uma parte do plano de ocultar a culpa dele.

Nesse momento, alguém bateu na porta e entrou, era o mesmo médico de antes.

— Desculpe, mas já deixei vocês excederem o tempo da visita, preciso que você saia, rapaz.

— Só mais cinco minutos, doutor, por favor... — O Jimin falou.

— Nem um segundo à mais, precisamos dar a medicação, e em seguida, ele precisa de repouso. — o médico olhou pra mim e continuou. — A boa notícia é que, se seu quadro continuar progredindo assim, amanhã nós vamos liberar ele.

— Ok, eu vou... — ele olhou pra mim e deu tchau de longe. — Te vejo amanhã cedo, Jk.

— Até amanhã, meu amor, eu te amo. — Sua bochecha ficou toda vermelha assim que eu falei em frente ao médico, e isso me fez rir.

Logo em seguida, a mesma enfermeira de antes voltou ao quarto e me aplicou alguns medicamentos na veia. Enquanto aplicava, ela parecia por várias vezes querer dizer algo, mas em todas ela não falava.

Até que ela respirou fundo e tomou coragem.

— Desculpe falar isso nesse momento, mas eu e minhas amigas nos tornamos suas fãs após seu debut, assim como também somos fãs do Jimin. Sentimos muito pelo que aconteceu com vocês, assim como, ficamos muito felizes quando soubemos que você estava bem. Espero que sua saúde melhore cada dia mais.

— Muito obrigado mesmo... — respondi sem jeito. — Tudo isso é algo novo pra mim, digo, achei que ouviriam minhas músicas, mas não que teria fãs.

— Você se tornou bem querido nos fandoms. Acho que você ainda não viu a quantidade de pessoas do lado de fora do hospital por você, certo?

— Como assim?

— Você não pode sair da cama, mas espera aí... — Ela foi até a janela do quarto e tirou uma foto, apontando o celular para baixo, se aproximou e me mostrou a foto.

— Nossa... — Eu não conseguia acreditar, realmente tinha muita gente, e muitas delas estavam com cartazes na mão, onde me desejavam melhoras e boa recuperação.

Isso me deixou muito surpreso, e também, feliz.

— Obrigado por me mostrar, e obrigado por me acompanhar.

— Imagina, você merece. Bem, preciso ir, repouse e evite movimentos bruscos, assim como mantenha essa posição de barriga para cima, logo o doutor voltará para acompanhar você.

Ela pegou uma bandeja com alguns itens médicos e saiu.

Não sei qual remédio ela deu, mas meus olhos começaram a fechar quase automaticamente. Mesmo tentando ficar acordado a todo custo, e ainda chocado com a quantidade de pessoas do lado de fora, em poucos minutos, eu dormi.
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| Dois dias depois |

A promessa do médico me liberar ontem ficou só nas palavras mesmo, pois ele não me liberou.
O Ji passou o dia comigo, e foi minha válvula de escape pra não enlouquecer de ansiedade aqui dentro.

O delegado intimou o Eunwoo e deu voz de prisão, mas por ele ser rico e influente, conseguiu não ser preso em flagrante, pelo menos, não por enquanto.
Em meio a tudo, meu alívio foi saber que o Jimin está ficando no apartamento com os meninos, longe do pai dele, e se depender de mim, assim continuaremos até o casamento.

Ontem o Mingyu também me visitou, e ficamos conversando por um bom tempo. Ele reforçou todas as loucuras que o Jimin fez pra me achar, e a cada palavra dele eu tive a certeza que escolhi a pessoa certa pra ter pelo resto da vida, mesmo que ele seja um louco inconsequente.

O médico entrou no quarto logo nas primeiras horas do dia, e me mirou sorridente.

— Boa notícia Sr. Jeon, vou te dar alta hoje, mas especificamente, agora. Você se recuperou muito bem, agora o restante dos cuidados deverão continuar na sua casa. Só peço que volte aqui uma vez por mês para acompanharmos a calcificação da sua costela.

— Ok, farei isso. Quanto à imobilização...

— Volte daqui dois dias para retirarmos.

— Obrigado doutor.

— Vou chamar o rapaz de cabelo rosa pra te ajudar a organizar seus itens pessoais que estão aqui.

Ele saiu e eu me levantei, e poucos minutos depois, o Ji entrou no quarto.

— Finalmenteeee. — Ele comemorou com uma dancinha, já me tirando a primeira risada do dia.

Fui na direção dele e dei um abraço, bastou isso pra sentir o perfume viciante do cabelo dele.

— Tô louco pra sair daqui. Ainda tem pessoas lá fora?

— Tem. Podemos sair pelo estacionamento, ou pela frente do hospital, você decide.

Olhei pela janela e notei que tinha mais pessoas do que há dois dias atrás.

Nós ainda não explicamos nada oficialmente sobre o que aconteceu, e as pessoas criaram mil histórias. Não podemos falar a verdade, pois isso seria péssimo para a imagem da Town, e consequentemente, também impactaria em todos os idols e grupos vinculados a ela, mas por outro lado, não sabemos o que inventar, não ainda.

— Melhor pelo estacionamento, assim não precisamos explicar nada por agora.

Eu já conseguia andar, não no ritmo normal, mas conseguia. O Ji me ajudou descer com minhas coisas até o estacionamento, e logo entramos no carro, onde ele foi dirigindo.

A Hyejin insistiu para que um dos seguranças dela nos acompanhasse, mas o Jimin recusou.

Assim que saímos com o carro, demos de cara com outras fãs que deduziram que poderíamos sair pelo estacionamento lateral ao hospital. Abri um pouco a janela e acenei com as mãos, agradecendo pelo carinho. Rapidamente começou a aumentar o número de pessoas, então, precisamos sair com o carro.

— Tantas pessoas pra alguém que nem é conhecido.

— Você não era, pois agora você é. E convenhamos que, mesmo com essa quantidade de gente, eu sou seu fã número 1, tô na frente de todas essas pessoas.

— Disso eu não tenho dúvidas, até invadir cativeiro esse fã invade pra me salvar, nenhuma pessoa em sã consciência faria isso.

Ele riu a risada mais gostosa que eu poderia ouvir.

— O amor deixa a gente maluco das ideias mesmo.

Ele me tirou uma gargalhada.

Ele também caiu na risada enquanto seus olhos continuavam focados no volante. Enquanto ele ria, os raios de sol batiam nele através da janela, e bastou isso pra eu ficar com os olhos fixados nele.

Até esses momentos simples conseguiam me deixar com o coração acelerado, com um friozinho bom na barriga. Pra mim que nunca consegui me apegar a ninguém, o que sinto por ele chega a ser surreal.
São em momentos assim que eu fico me perguntando o que fazemos de errado... como pode um sentimento tão bom nos colocar em tantas situações difíceis por preconceito?

— Tá me ouvindo? — Ele estalou o dedo.

— Oi?

— Você não tava me ouvindo?

— Desculpa, meu amor, mas eu tava hipnotizado olhando pra você, e não ouvi mesmo.

Ele riu da minha resposta.

— Eu estava falando que, se eu for continuar no seu apartamento, preciso de algumas roupas e do meu notebook.

— Quer passar na sua casa?

— Hmm, acho que quero, mas temos um problema... Minha mãe está na Town, e não sei se o Eunwoo está em casa, pois o Namjoon está fazendo a segurança dela hoje. Vou ter que arriscar e ir mesmo assim, então prefiro te deixar no apartamento antes.

— E seu plano é ir sozinho até lá?

— Sim? — Ele deu com os ombros.

— Nem pense nisso, eu vou com você.

— Você sabe que eu sei me defender, eu não sou criança.

— Eu sei que sabe, e agora sei disso mais que nunca, mas mesmo assim eu vou junto, e não tem discussão.

Ele resmungou mas dirigiu até a mansão.

Assim que chegamos, ele desceu do carro e entrou. Eu queria entrar junto, mas com essa quantidade de seguranças pela casa e eu assim, imobilizado e quase inútil, não seria uma boa ideia.

Em torno de vinte minutos depois, o Ji voltou, puxando uma mala de rodinhas, uma mochila nas costas e outra na mão.
Ele guardou no porta-malas e saímos de lá o mais rápido possível.

Por sorte, não havia ninguém na casa.

Ele dirigiu até o apartamento.

[...]

Assim que descemos do carro, fui até o porta-malas pra ajudar a subir com tudo, mas ele me deu um tapa na mão assim que encostei no carro.

— Nem pense nisso, sua costela está quebrada, você não pode pegar peso. Pode deixar que eu levo tudo.

— Mas...

Ele fechou o porta-malas.

— Fica quieto, vamos subir.

Ele consegue ser tão autoritário e cheio de si que me deixa completamente sem palavras.

E pra ser honesto, eu amo isso.

Entramos no apê e os meninos nos receberam com um bolo e vários petiscos, pra comemorarem meu retorno. O Hoseok também estava presente, completando mais ainda nosso grupo de amigos.

Não só amigos, eles são a minha verdadeira família.

— Obrigado por tudo, gente, e obrigado por não desistirem de mim.

Mesmo em um momento feliz, todos ficaram melancólicos. O Tae logo trouxe garrafas de soju pra todos, pra tirar essa melancolia.

Cada um abriu sua garrafa, e enquanto eu brincava com o Bam, vi o Ji voltar com uma lata de refrigerante nas mãos.

— Você já pode beber, lembra?

— Posso, mas você não. Então só quero beber quando você voltar também.

— Vem cá. — Puxei ele para o sofá e enchi de beijos enquanto ele ria.

Ficamos ali reunidos na sala enquanto os meninos bebiam e comemoraram. Era difícil de acreditar que eu finalmente estava vivendo isso depois do inferno que vivi.

— O Mingyu não quis vir? — O Tae perguntou.

— Eu chamei, mas ele estava cheio de serviço e não pôde vir. Logo vamos combinar um jantar e reunir todo mundo. — O Ji respondeu.

O Jin perguntou várias vezes como tudo aconteceu, então, comecei a contar, desde a briga no restaurante, até o sequestro.
O Jimin me olhava com pavor, afinal, eu ainda não tinha contado para ele em detalhes todas as vezes que o Seung-ho me torturou.

— Por isso que esse lixo agora tá morto, o próximo é o velhote. — O Jin falou.

— Cala a boca, Seokjin!!! — repreendi ele.

— Tá tudo bem... — o Jimin colocou a mão na minha perna. — O Jin está certo, alguém como o Eunwoo tem que pagar por tudo o que fez, seja preso ou de qualquer outra forma que a vida quiser, mesmo que seja morrendo.

Ele não o chama mais de pai, mas era nítido que tudo o que o Eunwoo fez o machucava mais a cada segundo.
Eu odeio ver ele assim, e prometo que farei ele feliz.

[...]

Ficamos ali juntos por horas, bebendo, cantando e tentando distrair de toda essa loucura.

Não pude deixar de notar o quanto o Hoseok e o Tae estavam mais próximos, e mesmo ali entre a gente, eles pareciam estar vivendo no mundinho deles, da mesma forma que foi comigo e com o Ji.

Agora era só uma questão de tempo até eles assumirem que se gostam.

Mesmo que estivesse divertido, eu estava me sentindo com o corpo cansado, e precisava de um banho e da minha cama. Até falei para o Jimin continuar na sala com eles enquanto eu ia para o quarto descansar, mas era óbvio que ele ia querer vir junto comigo.

Eram 16:51 da tarde.

O sol já estava baixo no céu, mas ainda dava o ar da sua presença, e eu, me sentindo um idoso por estar cansado a essa hora, ignorando totalmente o fato de que eu estava em um hospital.

No banheiro, tirei minha roupa pra tomar banho, e no espelho eu me dei conta da quantidade de hematomas que estavam espalhados pelo meu corpo, e isso me deixava com mais raiva ainda.

— Desgraçado...

Eu faria tudo pra ter a mesma oportunidade que o Ji teve de quebrar o Seung-ho, e se eu pudesse, faria o mesmo com o Eunwoo.
Na real, eu também mataria ele, mas o que me impede é ele ser pai do Jimin, pois se não fosse, eu mandaria as leis à merda e torturava aquele maldito, da mesma forma que fizeram comigo.

Assim que terminei de tomar uma ducha quente, voltei para o quarto e fiquei na cama esperando o Ji, que também foi tomar banho.
Enquanto mexia no celular, vi que o assunto mais comentado era sobre nós, e o Jin contou que na Town só falam sobre esse assunto também.

Enquanto estava preso no cativeiro, cheguei a cogitar que fosse o Taemin quem estava fazendo aquilo, visto que a altura e porte físico dos dois são parecidos, mas logo que reconheci a voz do Seung-ho, notei que ele não tinha nada a ver com isso.

Ainda perdidos nos meus pensamentos, o Ji voltou do banho, vestindo um roupão branco enquanto secava o cabelo com uma pequena toalha, me distraindo totalmente dos meus pensamentos ruins.

Mesmo fazendo algo simples, ele conseguia ser completamente atraente e apaixonante.

Não só isso, ele me deixava doido com esse cabelo rosa.

— Será que tem alguma proibição quanto à sexo? — Perguntei serio enquanto olhava ele dos pés a cabeça.

Ele riu e sentou do meu lado, com um sorriso gostoso e sútil no rosto.

— E porque você quer saber?

— Olha pra você, como que eu vou resistir? — coloquei a mão por dentro do roupão e segurei na cintura dele. Uma das mangas do roupão caiu, deixando seu ombro à mostra, então aproximei e beijei seu ombro e pescoço.

— Você teve alta hoje, sem sexo. Nos próximos dias, quem sabe...

— Ok, isso doeu mais do que as pauladas que recebi na cabeça no cativeiro...

— Cala a boca, não fala isso. — Ele me olhou perplexo e deu um tapa na minha perna, e eu caí na risada.

Ele também começou a rir.

— Posso pelo menos te beijar? Ou nem isso?

— Um beijo pode.

Puxei ele pela cintura, e beijei seus lábios carnudos. Em um beijo lento, eu podia sentir o toque da sua língua na minha, e até as pequenas mordidas que ele me dava no lábio entre as pausas do beijo. Ele sabe que me deixa maluco, e me olha de propósito.

— Não me olha assim...

— Eu não fiz nada. — ele sorri maliciosamente e volta a me beijar.

— Só um pouquinho, por favor. — Eu estava de cueca, então isso já denunciava que eu estava excitado, só de sentir o beijo dele. Coloquei a mão marcando a silhueta através da cueca, mas nem isso convenceu.

— Sem acordo, amanhã talvez.

Joguei o corpo na cama, tentando aceitar esse balde de gelo que ele jogou em cima de mim.

Enquanto brincamos e ele ria do meu estado, escutei uma notificação no meu celular, que estava do meu lado, perdido entre as cobertas.

Era o Mingyu.

O Ji me olhava curioso pra saber quem era.

— A audiência do Eunwoo será daqui três dias, precisamos de um advogado.

Ele pensou por alguns segundos antes de responder.

— Ainda bem que será rapido. Infelizmente não posso chamar meu tio, mas conheço outro que é tão bom quanto, vou entrar em contato com ele.

— Tudo bem, mas, você vai no julgamento? Acho melhor não ir.

— Mas é óbvio que vou, quero ver ele pagar por tudo que fez.

Ele parecia confiante e forte, e isso poderia enganar qualquer um, mas eu conheço ele mais do que ninguém. Tudo que ele menos queria era que o próprio pai tivesse feito isso, e mal consigo imaginar o tamanho da decepção dele e da Hyejin.

O Eunwoo destruiu tudo, unicamente por preconceito.

Ficamos ali conversando sobre nossos planos futuros enquanto eu fazia carinho nele, tentando o distrair.

Depois de um tempo assistindo tv, nós pegamos no sono.
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| Tres dias depois |

Uma semana se passou desde o dia em que todo aquele inferno finalmente teve fim, e hoje finalmente é a audiência do Eunwoo.
São muitas provas contra ele, mas ele é esperto, e assim como conseguiu fugir da prisão em flagrante, nosso receio é que ele consiga ser absolvido.

Soubemos pela Hyejin que ele contratou o melhor advogado criminalista de Seoul, e isso já foi o suficiente pra nos desestabilizar.

Não podemos agir assim.

Eu já estava melhor e conseguia andar normalmente, só não podia fazer exercícios pesados. Se bem que, com as preocupados últimos dias, eu mal tive tempo ou cabeça pra me exercitar.

O Jimin ainda estava dormindo, ocupando quase a cama toda, me deixando um único fio de espaço.

— Ji, acorda. — Falei acariciando lentamente o seu rosto. Por mim, ele continuaria aqui, mas ele precisa e quer ir junto. Ele também foi intimado como testemunha, assim como Jin, Taehyung e Mingyu.

Depois de mais alguns minutos enrolando, ele tomou coragem e sentou na cama.
Ele esticou os braços para cima enquanto espreguiçava, e me abraçou.

— Bom dia, Kookie.

— Bom dia, meu amor. Eu amo tanto quando me chama assim, que até esqueço que você tá me negando sexo à dias...

— Me denuncia, querido. — Ele brincou enquanto ria.

— Você é maldoso, e eu vou te castigar por isso. Ou você acha que eu esqueci do seu castigo?

— Quer agora?

— Quero.

Ele chegou perto do meu ouvido, e entre vários pequenos beijos no meu pescoço, ele sussurrou.

— Agora não podemos.

— Filho da mãe...

— Olha a boca. — ele riu.

Assim que nos arrumamos e saímos do quarto, os meninos já estavam prontos, esperando na sala. O Tae estava em crise enquanto respirava fundo e o Jin, na sua frente, tentava o acalmar.

— Tae, é melhor você não ir. — Falei preocupado.

— Eu vou... eu vou conseguir.

Sorri agradecido para ele. Sei o quanto isso é difícil, e ainda assim, ele está disposto a superar seus traumas pra me ajudar.

— Obrigado Tae... à vocês dois, obrigado por tudo.

— Você pode pagar bancando uma festinha pra gente, com muito álcool. — O Jin respondeu.

— Você não perde oportunidade... sua namorada sabe que você bebe assim?

— Sabe, ela também bebe junto.

— A garota tem 18 anos, você tem 26, para de ficar fazendo ela beber.

— Ela faz muito mais que só beber... — ele deu uma risada sacana.

— Cala a boca, não quero saber disso, que horror.

Ele foi rindo até a garagem.

Fomos todos juntos no meu carro, e o Jimin foi dirigindo, e modéstia parte, ele estava lindo nesse terno. Para a audiência, o advogado pediu para ele descolorir o cabelo e voltar para o loiro.

Mesmo reclamando, ele fez.

Assim que chegamos no fórum, falamos com o advogado e então, entramos na sala de audiência. Ficamos esperando por muito tempo para que começasse.

A respiração do Tae estava pesada, e ele tentava padronizar a todo custo, pra conseguir acalmar.

— E se eu for preso? — ele virou pra mim e perguntou sussurrando.

— Mas porque raios você seria preso?

— Não sei... e paranóia minha?

— É óbvio que é, fica calmo, você não fez nada. Mexe no celular pra distrair.

E parece realmente ter funcionado, ele foi ficando mais calmo gradativamente enquanto se distraía no sofá. A quantidade de gente que tem em volta de nós é o que está deixando ele tão ansioso assim, então espero que isso acabe logo.

Nesse meio tempo, a Hyejin chegou e nos cumprimentou, onde se sentou próxima de nós. Ela também seria testemunha.

Enquanto todos se preparavam mentalmente para audiência, o Eunwoo chegou, acompanhado de dois seguranças e um advogado. Enquanto entrava, ele manteve o olhar reto, e só quando se sentou, olhou na nossa direção.

Era visível o ódio que ele estava sentindo por mim, ou por nós. Olhei para o lado e a expressão do Jimin não era diferente, ele também estava coberto de ódio e mágoa.

Passei a mão nas costas dele.

— Vai ficar tudo bem, meu loirinho.

O juiz entrou e todos ficaram em silêncio, e assim que ele se sentou, se apresentou e começou a ler os autos do inquérito, assim como começou a contar tudo o que aconteceu no dia do sequestro.

O primeiro a dar depoimento foi o advogado do Eunwoo, e para nossa sorte, tudo que ele dizia era inconsistente, sem provas e carregado de mentiras descaradas.
Depois dele, foi a vez do Eunwoo falar.

— Meritíssimo, como consta no processo, meu filho e o referido Sr. Jeon mantêm um relacionamento amoroso. Embora inicialmente tenha sido desafiador para mim aceitar essa situação, como pai dedicado, percebi com o tempo a felicidade dele e acabei por aceitar e me adaptar à sua escolha. Não tenho motivo algum para contratar alguém para prejudicá-lo, visto que tenho uma carreira e uma empresa a preservar.

— Protesto. — Nosso advogado falou.

— Protesto negado. Réu, prossiga. — O juiz respondeu.

Eu podia ver o sorriso estampado na cara do Eunwoo, isso sem ao menos ele realmente sorrir. Ele parecia confiante, diferente do advogado dele, e isso me deixou mais tenso que tudo.

Ele continuou jogando as mentiras sujas dele.

— O sequestro ocorreu exclusivamente por questões pessoais entre eles. Meu filho já teve contato com o rapaz responsável pelo crime durante seus estudos, e essa inimizade entre eles vem desde esse período, como pode ser constatado nos registros do processo, inclusive em relação a uma briga que tiveram recente. É doloroso para mim, como pai, admitir isso, mas tanto meu filho quanto o Sr. Jeon estão completamente enganados a meu respeito, afinal, foi eu mesmo quem contratei ele para acompanhar meu filho.

— Mentiroso desgraçado... — eu sussurrei enquanto sentia a raiva corroer meu corpo.
A forma que ele contava o fazia completamente convincente, e eu sei que a influência que ele tem pode impactar no resultado.

Ele continuou falando, mas dessa vez, falando do Jimin, onde contou várias situações antigas em que o Jimin saía pra beber nas baladas e brigava, coisas que sequer acontecem mais.

Depois de mais alguns minutos de completas mentiras, o juiz chamou nosso advogado, que começou a falar.

— Meritíssimo, como o senhor pode constatar, diversas testemunhas estão presentes para atestar a perseguição incessante do réu exclusivamente por motivos de homofobia contra meus clientes. Park Jimin é um adulto, e seria inadequado julgá-lo por ações de sua adolescência. Além disso, é evidente que não há mais relatos dessas ações, assim como ele é um ativo lucrativo para a empresa e família. A mãe dele, presente aqui, respalda o comportamento do filho, assim como várias outras testemunhas nesta sala. O réu, Sr. Park Eunwoo, nunca aceitou verdadeiramente meus clientes, e é óbvio que ele fingiu aceitá-los para encobrir sua própria culpa. Momentos antes do incidente, houve uma discussão envolvendo o réu e os dois jovens, na qual ficou claro o desejo do Sr. Park em causar desconforto, trazendo à tona um parente que o Sr. Jeon claramente não queria em sua vida.

A audiência continuou por quase duas horas em meio a acusações de ambos os lados. Nosso advogado também contou com detalhes sobre o acidente do Jimin, e como o Eunwoo o levou a força para o Japão, em uma outra tentativa de cárcere.

Quando eu achei que tinha finalmente finalizado o julgamento, o juiz pediu uma pausa.

Não tínhamos tempo pra descanso, então o advogado se aproximou e passou mais algumas instruções. Era nítido que o Eunwoo também foi muito bem instruído, mas não podíamos desistir.

Depois de uma hora, a audiência iniciou novamente.

Era a vez das testemunhas falarem. O Taehyung conseguiu manter a calma, e mesmo em palavras pausadas, ele também conseguiu fazer sua declaração. Jin, Mingyu e Hyejin também deram seus depoimentos.

Após muita troca de acusações e mais horas a fio, o juiz finalmente chegou a uma decisão, e começou a ler os autos finais.

— Eu, Hin Jion, Juiz da Sétima Vara Criminal de Seoul, declaro o réu, Sr. Park Eunwoo, culpado das acusações de sequestro, agressão, cárcere privado, perseguição e tentativa de homicídio de Jeon Jungkook.

Assim que ele terminou a frase, todos começaram a comemorar. o Jimin me abraçou no mesmo momento, já com o rosto todo coberto de lágrimas.

O juiz bateu novamente o martelo, pedindo silêncio.

— Ordem no tribunal. Julgo também que a outra parte, Jeon Jungkook, cumpra serviços comunitários em troca da pena do crime de homicídio culposo de Yoo Seung-ho, onde o mesmo agiu sob legítima defesa. — Ele bateu o martelo, e então, finalizou as sentenças.

Ali, nos finalmente pudemos comemorar. Eu sentia um peso enorme sair das minhas costas, e tenho certeza que o Ji teve essa mesma sensação.
Ele começou a chorar sem parar, e abraçou a Hyejin logo em seguida.

Os dois estavam chorando.

Mesmo em meio a essa notícia, eu sei que eles são os que mais estão sofrendo aqui, mas do que eu mesmo.

Dois policiais se aproximaram do Eunwoo e o algemaram, onde conduziram ele até a saída do tribunal. Ele ainda nos encarou até sair, sem esboçar expressão alguma, e eu, continuei encarando ele também.

Era nítido que o Eunwoo não aceitaria isso tão fácil assim, assim como sei que ele vai continuar tentando sair, mas até lá já estaremos casados, e ele não será mais o dono da Town.

Tudo isso já será passado, uma parte difícil do passado que tentaremos esquecer que existiu.

Sobre eu e o Ji, mesmo com tantas desconfianças do público, ainda temos um longo caminho à seguir até termos a chance certa de assumir publicamente o que temos, mas só essa vitória já nos encheu de esperança.

Na saída do fórum, o Mingyu se aproximou e nos parabenizou.

— Devemos isso à você Mingyu, obrigado. — Agradeci novamente sem conseguir esconder minha felicidade que estava praticamente estampada no meu rosto.

— Acho que algumas garrafas de soju pagam isso... — ele brincou e riu. — Desculpe gente, mas preciso ir embora, minha filha está gripada, assim como a Aeri, então preciso cuidar das minhas princesas.

Nos despedimos e o Mingyu correu em direção a uma viatura e saiu.

— Nós também vamos ter um algum dia, certo? — O Jimin perguntou.

— Desculpe Ji, um o quê?

— Um filho... Bem, nós não podemos ter um, mas podemos adotar, talvez.

Ok, eu realmente não esperava que ele fosse dizer isso.

— Você tá falando sério?

— Viajei, né? Desculpe... — Ele ficou sem graça e começou a ir na direção do carro.

eu corri e segurei o braço dele.

— Não, você não viajou em nada. E se você quiser, eu também quero.

Nossas mãos se entrelaçaram, e seus olhos pequenos se abriram, completamente brilhantes, e então, ele pulou e me abraçou.

— Então eu quero.

Meu coração parecia que queria pular do meu peito. Ser pai com certeza nunca esteve nos meus planos, mas com ele tudo é diferente.

E se ele quiser o mundo, eu dou.
Por ele, eu sempre estarei disposto a tudo.

Pegamos o carro e fomos embora para o apartamento.

[...]

Assim que chegamos em casa, o Jin trocou de roupa e foi para a casa da Nayeon. Ela nunca mais tentou algo com o Jimin, e a esse ponto, já sabemos que ela realmente gosta dele.
No fim, o plano dele de conquistar ela deu certo, e eu sou muito grato por isso.

O Tae foi para o quarto dele e voltou com uma mala. Eu e o Jimin ficamos olhando para ele, sem entender.

— Espera ai, onde você vai? — arqueei uma das sobrancelhas, desconfiado.

Ele deu risada, saiu do apartamento e bateu a porta.

— Pfff, dá pra acreditar no que ele acabou de fazer?— Reclamei indignado.

— Deixa ele se divertir, é ótimo que ele esteja disposto a sair sozinho assim, se bem que, na minha suposição, ele não vá sair sozinho... — Ele riu enquanto brincava com o Bam.

Peguei meu celular e enviei um monte de mensagens para ele, lembrando de cada remédio que ele precisa tomar, assim como insistindo em saber pra onde ele foi, assim como um pai... um pai chato.

Ele nem respondeu.

— Eu tô com fome... — O Ji reclamou.

— Tava demorando, né? Vou cozinhar algo pra gente, pode ser?

— Uhum, pode. Vou tomar um banho enquanto isso. — Ele me deu um selinho e foi saltitando até meu quarto.

Fui para a cozinha e olhei os ingredientes, pensando o que eu poderia cozinhar. Eu não tinha ideia alguma.

Fui até a porta do banheiro e perguntei.

— O que você quer comer?

— Hmm, quero Tteokbokki, com MUITO queijo, muito mesmo.

— Você não enjoa? Sempre a mesma coisa.

— Não.

— Ok né.

Fui para a cozinha e comecei a preparar a massa do tteokbokki, e logo em seguida, o molho. Ele saiu do banho e veio até a cozinha, onde ficou do meu lado me observando.

— Já falei o quanto você é lindo? — Ele falou.

— Não chego aos seus pés, meu amor. — estiquei um pouco do corpo, com as mãos ainda sujas de farinha de arroz, e beijei o pescoço dele.

— Liga naquela confeitaria e pede alguma sobremesa pra gente.

— Tá bom.

Enquanto andava pelo apartamento, pude ouvir ele pedir uma torta de morango, a mesma de sempre.

Ele me ajudou a cortar alguns legumes, e no fim o que era só pra ser uma ajuda, fiz ele cozinhar comigo. Passei o dedo no rosto dele com a mão suja de farinha, e como ele é exagerado, encheu a mão de farinha e jogou na minha cara.

— Você me paga, Park.

Comecei a correr atrás dele e me vinguei, jogando mais farinha ainda, e ele mal conseguia ficar em pé de tanto rir. O Bam estava amando a bagunça, e até ele ficou todo sujo.

Foi um momento incrível, mesmo que bobo, e se depender de mim, seremos felizes assim pelo resto das nossas vidas, vendo a felicidade até nas coisas mais mínimas.

Depois de um tempo, o delivery chegou, e ele foi receber a torta, e também organizou a mesa.

Uns minutinhos depois e eu também terminei o Tteokbokki, e então sentamos pra comer.

— Hmmm, que delícia... — ele puxou um tteokbokki pra cima com o hashis, e o queijo repuxou junto.

— Você cozinhou também, é óbvio que ia ficar bom.

Ele sorriu e continuou animado comendo sua tigela, e essa tigela rapidamente viraram duas.

Assim que terminamos, ele jogou o corpo no encosto da cadeira e colocou as mãos na barriga.

— Comi demais, vou morrer...

Isso me fez rir.

— Você comeu duas tigelas, não precisava tudo isso.

— Precisava sim, tava uma delícia, do jeitinho que eu gosto.

Deixamos toda a bagunça na mesa e fomos para o quarto.

Não vou negar que em qualquer oportunidade que estamos juntos e sozinhos, eu queria transar, mas ele estava nitidamente cansado, e agora, também estava com a barriga cheia.

Coloquei uma shorts de dormir e deitei na cama, ele também se trocou e deitou do meu lado.

— Tô amando morar junto com você, e mal vejo a hora de ser oficial. — Ele esticou a mão esquerda, como se estivesse vendo a aliança ali.

— Eu também tô ansioso, meu loirinho.

Ficamos conversando enquanto ele assistia os animes que gosta, e cada vez mais eu podia ouvir sua voz sonolenta e confusa, e depois de alguns minutos, silêncio.

Olhei pra ele e vi que pegou no sono, eu sabia que ele estava cansado, pois não são nem 20:00 da noite.

Já eu, não posso dizer o mesmo, afinal, eu estava completamente sem sono.

Peguei o celular e comecei a mexer, apenas pra matar o tempo, na esperança que isso me desse um pouco de sono, até que vi de novo as mesmas hashtags sobre nós nos assuntos mais falados.

Em um post qualquer, vi uma foto de nós dois juntos saindo do hospital e nela tinha o título "Jimin e Jungkook assumem namoro."

— O que tá acontecendo?

Nesse post, algumas pessoas nos comentários falaram sobre o instagram do Ji. Abri o aplicativo o mais rápido que pude pra entender o que aconteceu, e dei de cara com uma postagem do Jimin, feita à três horas atrás, e com mais de quinze milhões de likes.

Eu precisei sentar na cama pra ter certeza que eu não estava vendo miragem ou coisa que não existe.

— Ele... ele assumiu que namora comigo...

Minha ficha não estava caindo.

Olhei na direção dele, que dormia tranquilamente, abraçado a uma almofada.

Eu mal podia acreditar que esse dia finalmente tinha chegado, o dia em que eu poderia gritar pro mundo "ele é meu" sem medo algum.
Eu desejei tanto que isso acontecesse, que agora, minha ficha não quer cair.

Deitei de frente para ele e fiquei olhando seu rosto, como sempre, hipnotizado.

— Seu sorriso também é meu favorito... Eu te amo, Ji. — Sussurrei enquanto minha mão acariciava cuidadosamente seu rosto. Como não podia ser diferente, seu cheiro de morango me deixava mais hipnotizado ainda. Eu não tinha dúvida alguma que eu era o homem mais sortudo do mundo.

Então, inesperadamente eu me sentei na cama e fiz a coisa mais impulsiva naquele momento: Comprei nossas passagens para o Havaí.

Pra completar a loucura, comprei pra embarcarmos amanhã.

Olhei para ele de novo, e sussurrei.

— Eu quero você pra sempre, e não quero mais esperar por um único dia sequer.

E assim, admirando cada ponto perfeitamente feito no rosto dele, eu peguei no sono.

E também pude garantir um sonho perfeito.
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[🎤]

Olá ami! 👋🏻

Finalmente o velhote vai responder por tudo o que fez, aquele monstro! Vamos torcer pra que nossos jikook finalmente possam viver felizes.

Mas algo me diz que esse post dele vai causar muitoooo!

E o Jimin querendo um filho? Eu tô morrendo de amores, juro pra vocês!
Um bebê querendo outro bebê 🤏🏻

Não se esqueçam de votar e comentar, comentem muito, EU AMO LER OS COMENTÁRIOS! 😭🫂

Até o próximo capítulo!

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