34 • nem tudo são flores

[🎤]

JEON JUNGKOOK

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

| Três dias depois |

As ruas de Seoul estavam cheias; até para correr, estava difícil. Levantei cedo para malhar, na expectativa de que os lugares estivessem mais vazios, mas não adiantou. Mesmo que o dia ainda estivesse nascendo, a cidade já estava completamente viva.

Outra coisa que errei foi não trazer máscara. Achei que passaria despercebido, afinal, não sou famoso, no entanto, pra minha surpresa, algumas pessoas já me pararam na rua pedindo fotos, mais do que nos primeiros dias em que lancei o disco, e sei que isso é resultado do show do Ji.

Em um dos ensaios, o Jaechan me disse que as nossas vendas triplicaram depois do show, e talvez esse seja o motivo para o Eunwoo estar em silêncio nesses últimos dias, mesmo com notícias sobre nós o tempo todo.

Assim que terminei de malhar na academia, aproveitei o retorno para correr de volta pra casa. No caminho, meu relógio vibrou no pulso, era uma ligação do Taehyung. Peguei meu celular no bolso e atendi.

— Você me ligou ao invés de mandar mensagem? Qual é a notícia ruim?

— Cala a boca — ele riu na linha — Preciso que você traga alguns ingredientes pra mim, vou te mandar a lista por mensagem.

— Lista? Porra Tae, tô cansadão, e outra, eu vim à pé.

— Para de graça e vá logo, não demora... Tchau.

Mal consegui responder, e ele desligou na minha cara. Logo após, sua mensagem chegou; era, de fato, uma lista com vários ingredientes.

Mudei meu caminho e fui reclamando até um mercado próximo. Assim que entrei, peguei uma cesta e fui escolhendo cada coisa que ele pediu.

Parei em frente a uma prateleira, procurando a alga, até que uma voz feminina soou atrás de mim.

— Oi, você é o Jungkook? Jeon Jungkook? — Eu me virei e vi que eram quatro adolescentes juntas.

— Sou sim... — Por mais que eu quisesse, nem tinha como mentir.

— Podemos tirar uma foto com você?

— C-claro.

Elas se aproximaram e tiraram uma selfie. Até aquele momento, mesmo sendo algo novo para mim, ainda estava dentro da normalidade do que já havia acontecido hoje, quando uma delas se virou e me perguntou sem receio algum.

— É verdade que você está namorando com o Jimin?

Nesse momento, eu congelei. O Taehyung realmente ia me pagar caro por isso.

— Não estamos, nós somos amigos... Desculpe, eu preciso ir.

Fui me afastando, e elas me acompanharam com o olhar enquanto eu seguia até o caixa. Continuaram olhando e conversando baixo até eu sair do mercado.

Isso tomou proporções gigantescas, e o silêncio do Eunwoo nesses últimos dias tem me deixado maluco. Ele viajou para a China na manhã seguinte às notícias sobre nós dois, e até agora não voltou. E não só isso, não fez uma única ligação para o Jimin, muito menos mensagem. Era nítido o quanto isso era estranho, especialmente vindo dele.

No caminho, minha mente não parava, e eu só conseguia pensar em tudo o que tem acontecido recentemente. Para completar, ainda tem a minha tia me ligando de vários números. A essa altura, acredito que ela já tenha visto algo sobre mim e quer tirar proveito disso, e vou acabar com todas as chances que isso tem de acontecer.

Subi para o apartamento, e o Bam começou a pular em cima de mim assim que passei pela porta. Ele estava enorme, então o pouco que pulava já era suficiente para me empurrar.

— Calma aí, Bam.

Coloquei as sacolas na mesa. O Tae saiu do quarto e olhou criteriosamente cada sacola, na esperança de eu ter esquecido algo para me ofender.

— Você esqueceu a alga, o pimentão e o shoyu...

Conferi cada sacola, e realmente esqueci.

— Foi mal, Tae... tinha umas adolescentes no mercado que me reconheceram, e ficaram perguntando se eu namorava com o Jimin. Eu só quis sair de lá o mais rápido possível.

— Tá tudo bem, mas você já deveria estar pronto pra isso, afinal, as notícias sobre vocês aumentaram mais ainda nesses últimos dias. E outra, não duvido que tenha paparazzis atrás de vocês, loucos por uma foto ou vídeo que renda uma boa grana pra eles, fiquem espertos.

Ele está certo, notícias de qualquer tipo de relacionamento já atiçam a curiosidade da mídia, quem dirá um namoro como o nosso.

— Obrigado pelo conselho, vamos ficar mais atentos.

Ele sorriu enquanto abria uma lata de Coca-Cola.

— Vou começar uma live agora. Envia uma mensagem para o Jin e pede pra ele trazer os ingredientes que faltaram.

— Tá ok, chefe.

O Jimin praticamente me forçou a combinar algo com o Taehyung, pra fazer ele e o Hoseok se encontrarem. O Jin ainda não sabe, e não contei até agora, pois isso era o Tae que tinha que falar, porém, hoje vou ter que contar, afinal, ele estará aqui também.

E não foi só o Jin, ele ainda não contou para ninguém, e nem sabe que eu sei disso. Ele acha que vai ser algo só entre nós, e que apenas o Jimin vem, então, até planejou cozinhar uns petiscos para a gente.

Conhecendo ele como eu conheço, tenho quase certeza que ele vai ficar irritado comigo, mas vou arriscar, porque o Jimin quer isso, e por ele eu faço qualquer coisa.

Ele foi para o quarto dele e começou a live, e eu fui até a cozinha beber água. Como já era de se esperar do Seokjin, a geladeira estava lotada de bebidas.

Fica meio impossível eu proibir o Jimin de beber enquanto todos vão beber mais tarde, mas, confesso que tenho medo. Eu sei que ele vai estar comigo, mas só de lembrar tudo que aconteceu, sinto meu coração apertar.
Quase perder ele foi o suficiente pra me deixar completamente traumatizado, mas não posso ficar agindo assim.

Nesse momento, ouvi um barulho de algo quebrando vindo da sala, que me despertou dos meus pensamentos. Corri para a sala e vi que o Bam tinha derrubado um vaso, que quebrou e espalhou terra por tudo.

— Eu não acredito... Bam, sai daí!

Olhei para ele indignado, que também ficou sujo de terra e continuava se esfregando nela.

Limpei superficialmente a sujeira que ele fez e o levei para o banheiro.

— Agora vou ter que te dar um banho, não tem como te deixar com toda essa terra, muito menos te colocar no carro pra levar no petshop. Seu bagunceiro... vou atrasar por sua culpa.

Ele me retribuiu com um olhar triste, como se realmente estivesse me entendendo, e isso me quebrou.

— Me desculpe, ok? — Entendendo ou não, não vou deixar de me desculpar.

Coloquei ele dentro do box e liguei o chuveiro. Tentei tirar toda essa terra no tempo curtíssimo que eu tinha, mas estava quase impossível.

Depois de muita luta e tempo perdido, terminei de dar banho nele e o sequei. Olhei para minha roupa, e eu também acabei ficando todo sujo de terra; era minha vez de tomar um banho.
Ele ficou sentado no tapete do quarto, esperando qualquer movimento meu. Assim que me troquei e peguei a chave do carro, ele começou a pular em mim.

— Você quer ir junto, né? Então vamos, antes que você destrua o apartamento.

Coloquei a coleira peitoral nele e fomos até a saída do apê. Abri a porta do banco de trás, prendi a guia do Bam ao carro e entrei.

Eu precisava dirigir até um determinado endereço, então conectei meu celular ao computador de bordo. O Jimin vai a um fanmeeting, e insistiu para que eu fosse junto. Eu realmente não sei o que vou fazer por lá, ainda mais em meio a todas essas notícias, mas topei.

Liguei o carro e saí. Olhei para o GPS na saída do prédio pra conferir o caminho e vi o ícone de uma mensagem, que eu sequer ouvi chegar. Peguei o celular para conferir e vi que era o Ji, então parei carro pra conseguir responder.

Liguei o carro novamente e mudei o caminho até a casa dele.

Assim que cheguei, fiquei esperando do lado de fora, torcendo para que ele saísse rápido, e também para o Eunwoo não aparecer do nada.

Fiquei distraído e virado para o banco de trás, conversando com o Bam, até que ele abriu a porta e entrou com tudo, o que me assustou.
Meu cérebro entrou em colapso quando olhei para ele e o vi com o cabelo rosa.

— Vamos? Eu tô com fome... — Sim, essas foram as primeiras palavras dele.

— E-espera aí, como você tem coragem de entrar lindo assim, com cabelo novo e falar de comida?

Ele riu e ficou com as bochechas coradas, da mesma cor do seu cabelo. Seus lábios carnudos e rosados combinavam com tudo, até com seu perfume que exalava o aroma de um morango docinho.

— Você gostou? — ele falou enquanto se esticava para trás, buscando alcançar o Bam pra fazer carinho nele.

— Gostar é pouco, meu amor... eu tô hipnotizado por você.

— Obrigado, Kookie... — ele sorriu, me deixando mais apaixonado ainda.

Eu não falei de um modo figurativo, eu realmente estava hipnotizado, e mal conseguia desviar o olhar dele, intercalando entre seu rosto e seu corpo.

Como um completo contraste, ele estava usando um conjunto de roupas pretas, que conseguiam destacar mais ainda a cor dos seus cabelos e de sua pele.

— Tá me ouvindo? — A voz dele me despertou.

— Me desculpa... — dei risada sem jeito. — Você tá realmente me hipnotizando. Dorme comigo hoje?

— O que você tá querendo? — ele mordeu os lábios e pegou a minha mão.

— Quero você todinho.

Até tentei disfarçar colocando a mão na frente, mas ele olhou para baixo e viu que eu estava excitado. Ele deu aquele sorriso gostoso que automaticamente fecha seus olhos.

— Assim não tem como eu recusar, Kookie...

Dois jardineiros apareceram caminhando por perto, o que nos lembrou que ainda estamos na casa dele.

— Vamos sair daqui. — Assim que falei, já liguei o carro e saímos.

— O Bam vai com a gente?

— Não, vou deixar ele no petshop. O Taehyung estava fazendo live, e ele estava destruindo tudo, não dava pra arriscar deixar ele sozinho.

— Não julgue ele, tadinho...

— Ele é teimoso igual você.

Ele sorriu novamente em meio a uma risada contagiante e gostosa de ouvir, e eu tentava olhar para ele e para a direção ao mesmo tempo.

Assim que deixei o Bam e voltei para o carro, ele voltou a reclamar.

— Ok, agora eu tô com fomeeeee... — sua voz saiu contínua, com o mesmo tom de drama que ele sempre faz.

— Ji, você já está atrasado, não temos tempo pra comer...

— E você quer que eu vá para o fanmeeting passando fome?

— Sim, depois nós comemos algo. Sua mãe estará lá, então não vamos dar motivos para ela começar a me odiar, deixe esse papel só para o seu pai.

Ele fez aquele mesmo bico de sempre e cruzou os braços olhando pra frente, dando com os ombros.

— Ok, você tá certo... não ligo também, que se foda a minha fome.

Até bravo ele consegue ficar lindo.

Saímos e fomos até o local que o mapa indicava, que nos levou ao maior teatro que há em Seoul.

Nós entramos, e poucos minutos depois, encontramos a Hyejin conversando com dois staffs nos bastidores. Ela veio na nossa direção assim que nos viu.

— Vocês estão atrasados! Jimin, vá para o camarim, as maquiadoras vão logo em sequência, e volte em menos de cinco minutos. Jungkook, o Jimin me falou que você fotografa bem, e fiquei sem fotógrafo oficial hoje, então quero que você fique registrando algumas fotos do Jimin e do evento, para publicarmos mais tarde, é só por hoje.

Mal tivemos tempo pra raciocinar tudo o que ela falou de uma vez.

— Tudo bem, Sra. Park, eu faço as fotos.

— Obrigada. Ao fim do fanmeeting, vamos para o estúdio tirar as fotos que combinamos. A marca responsável pelo patrocínio exigiu vocês dois, então façam tudo direit... — Nesse momento, um diretor de produção a chamou.

— Não demorem! — Ela mal terminou de falar e saiu.

O Jimin saiu andando tranquilamente, e eu fui atrás dele.

— Você já sabia dessas fotos? — Perguntei.

— Uhum.

— E em qual momento você pretendia me avisar?

Ele entrou no camarim e pegou umas amêndoas que havia em um pote.

— Agora. — Ele respondeu com a boca cheia.

Coloquei a mão na cintura e respirei fundo.

— Você é inacreditável...

— Se eu falasse antes, você ia recusar, então eliminei as chances disso acontecer... Agora vamos. A câmera e os acessórios dela estão naquela maleta ali. — ele apontou para uma das mesas.

— Fizemos um show juntos, estamos no camarim juntos, terá fotos de nós dois juntos... tudo isso em meio a todo esse caos de notícias rolando. Isso seria tipo, um álbum de divulgação "Jimin e Jungkook são namorados"?

Ele começou a rir.

— Eu tô falando sério... — falei.

Ele se aproximou e me deu um beijo rápido na boca.

— Se a marca que está patrocinando quer nós dois juntos, com certeza querem aproveitar que esse assunto sobre nós está em alta. Se eles vão aproveitar, por que não podemos aproveitar também?

— Talvez porque seu pai vá ficar mais furioso ainda?

— Não vai, eu te garanto.

Isso não foi o suficiente para aliviar a tensão que eu estava, mas não me restava outra opção, não quando se trata de algo que o Jimin quer, e ele sempre vence.

Troquei de roupa, peguei a câmera e todos os acessórios e saí. O Jimin ainda ficou com as maquiadoras, então fui me posicionar.

Como fiquei próximo a platéia, preferi ficar de máscara, para passar despercebido.

Mesmo sendo um teatro grande, todos os assentos da platéia já estavam lotados de fãs, e também algumas pessoas da imprensa. Escolhi um bom lugar para ter visão do palco e fiquei ali esperando.

Depois de alguns minutos, ele entrou.
Faz exatamente dezoito minutos que vi ele, e mesmo assim, ele parecia completamente deslumbrante, como se eu estivesse o vendo só agora.

Ele começou a conversar e brincar com os fãs, e mesmo que eu tivesse que tirar foto de todo o evento, eu só conseguia focar a câmera nele.

— Como eu te amo, garoto...

Não existem palavras capazes de explicar com exatidão o que sinto por ele. É louco imaginar que, no início, achei que eu só estava me sentindo atraído por ele, e assim que eu o beijasse, isso passaria... Quem eu estava tentando enganar?

Só aumentou ainda mais o que eu estava sentindo.

E agora, ele ainda se atreveu a aparecer com esse cabelo e me deixou mais apaixonado ainda.

Fiquei assim feito um bobo o evento todo.

[...]

Depois de pouco mais de duas horas, ele finalizou o fanmeeting. Ainda tirou fotos com alguns fãs, e voltou para o camarim.
Deixei a câmera e os acessórios com um staff, e fui em direção ao estacionamento pra esperar o Jimin.

Em meio a tudo que já vem acontecendo recentemente, o que eu menos queria era encontrar alguém desagradável, e para o meu desprazer, dei de cara com o Taemin próximo a saída.

Era a cereja no bolo que faltava pra terminar de foder com meu psicológico.

— O que você tá fazendo aqui? — Perguntei com rispidez no meu tom.

— Calma, Jungkook. Tá na defensiva?

— Não cite meu nome nessa sua boca. O que você tá querendo?

— Fica em paz, não quero nada com o Jimin, e já entendi que vocês estão juntos. Na real, todo mundo já entendeu, só falta vocês assumirem.

— Não lembro de ter pedido conselhos seus.

Ele respirou fundo e deu o sorriso mais sínico e irônico do mundo.

— Paciência... bem, preciso ir, manda um abraço meu para o Jimin, e diz que esse cabelo rosa combinou muito com ele.

— Ele não precisa do seu abraço, muito menos do seu elogio. Pode deixar que esse papel é meu.

Ele riu mais uma vez e saiu.

— Desgraçado...

É surpreendente como tanta coisa consegue acontecer em um único dia, e eu esperava profundamente que essa fosse a única surpresa ruim.

O Jimin apareceu logo em seguida, e entramos no carro.

— O Taemin veio falar comigo...

— Isso é sério? Ele estava aqui? — ele me olhou surpreso.

— Infelizmente sim.

Ele apoiou as costas no banco e respirou fundo.

— Ignora a existência dele, tá?

— Difícil ignorar com ele vindo falar comigo em qualquer oportunidade que existir. É nítido que ele faz isso pra me provocar, e se continuar assim, eu não vou pensar duas vezes pra quebrar a cara dele.

— Não vai brigar com ninguém, para com essas idéias. E se você fizer isso, só vai servir pra piorar nossa situação com meu pai. Ele adora o Taemin, e adora ainda mais o lucro absurdo que ele traz para a Town.

O Jungkook de antigamente já teria quebrado a cara daquele merda desde o dia em que descobri que ele me dopou. Já o "eu" de agora, tem que suportar a raiva de alguém pra não causar problemas.

— Ok, então espero que ele fique bem longe de você.

Saímos do teatro e fomos direto para o estúdio de fotos. O Jimin foi para um camarim se arrumar, e eu, fui para outro.

Então eu notei que era uma marca de roupas. Eram peças de roupas jovens, então as fotos eram despojadas, assim como o cenário.

Não podemos perder tempo, então rapidamente nos posicionamos no cenário e o fotógrafo começou a tirar as fotos. Haviam poucas pessoas presentes, o que me deixou mais tranquilo, mesmo com aquele desgraçado acabando com minha paciência mais cedo.

Em meio a todos esses clicks, mudamos as poses diversas vezes, à pedido do fotógrafo. Não sei se era impressão minha, mas as poses nos deixavam intimamente próximos, um prato cheio pra alimentar o shipp entre nós.

E também, um prato cheio para o Eunwoo querer me matar.

[...]

Ao fim das fotos, nós dois estávamos exaustos.

Fomos novamente para o carro, mas agora, nossos compromissos de hoje finalmente acabaram.
Buscamos o Bam no petshop e voltamos para o apartamento.

O Tae estava na cozinha cozinhando, e o Jin, deitado no sofá.

— Finalmente vocês chegaram, que demora. — O Jin falou e começou a brincar com o Bam.

— Trabalhando, né? Diferente de você que tá aí jogado feito um defunto.

Ele caiu na risada.

— Tô de folga, tá com inveja?

— Cala a boca.

O Jimin foi na cozinha cumprimentar o Tae, e eu aproveitei a oportunidade pra falar com o Seokjin.

— Consegue me ajudar numa coisa? Vem cá.

Puxei ele para o meu quarto e tranquei a porta.

— O que você tá fazendo? Seja o que for, eu não curto caras...

— Mesmo se curtisse, eu jamais iria te querer.

— Que isso, não precisa humilhar...

— Quieto, me deixa falar. — Ele me fez rir, o que tirou toda a minha concentração. Respirei fundo e continuei — É o seguinte, preciso te falar uma coisa, mas eu preciso que você fique de boca fechada.

Ele sentou na cama e me olhou atento. Se tem uma coisa que ele ama, é fofoca.

— Fala logo.

Eu sentei do lado dele.

— O Tae e o Hoseok se beijaram. Essa nossa "festinha" de hoje é só um pretexto pra fazer os dois se verem, afinal, estão ignorando um ao outro desde o dia em que aconteceu. Então, quando o Hoseok chegar, tenta ajudar, mas finge que você não sabe de nada. Ele não sabe que sabemos disso.

CARALHO! — ele gritou.

— Shhh, fala baixo! — fiz um gesto de silêncio com o dedo na boca.

Ele cobriu a própria boca com as mãos, e soltou devagar, com os olhos arregalados.

— Eu não raciocinei direito... Você tem certeza disso?

— Sim, o próprio Hoseok contou para o Jimin.

Ele ficou pensativo por alguns segundos.

— Eu não sabia que ele curtia homens. Ele é realmente uma caixinha de surpresas.

— Eu fiquei surpreso também. Ele parece estar com vergonha, por isso precisamos apoiar ele.

Nós dois ficamos pensativos por alguns segundos.

— Eu... eu tô feliz por ele... — sua voz saiu baixa, mas orgulhoso.

— Eu também, e é por isso que isso tem que dar certo, se não ele vai nos odiar.

Em todos esses anos, o Taehyung nunca conseguiu se abrir pra ninguém por causa da ansiedade, e saber que isso aconteceu mostra o quanto ele quer e tem conseguido melhorar cada vez mais, independente com quem seja.

Voltamos para a sala e o Ji ainda estava distraindo ele na cozinha enquanto conversavam.

Assim que ele terminou de cozinhar, colocamos tudo na mesa. Ele fez muita coisa, e tudo estava simplesmente perfeito.

— Quanta coisa! Isso é um banquete... — O Ji falou surpreso, enquanto suas mãos pequenas circulavam por cada prato, escolhendo o que comer primeiro.

Todos se serviram e sentamos.

Eu fiquei quieto, mas assim que o Jimin viu os dois bebendo, virou com um olhar piedoso pra mim.

— Você não me compra com esse olhar fofo.

— Por favor...

Sim, ele me compra.

— Vai lá pegar uma garrafa, mas você não vai beber até ficar bêbado, só algumas garrafas está ótimo.

Ele me deu um beijo e saltou do sofá em seguida, indo em direção a geladeira.

— Obrigado, meu amor.

Ele pegou a garrafa e sentou novamente do meu lado, apoiando o corpo em mim. Passei o braço pelo seu ombro, o envolvendo e trazendo pra mais próximo de mim.

O Jin colocou umas músicas e ficamos conversando enquanto comemos e bebemos. Mesmo sendo algo só entre nós, estava divertido, e o Jimin também parecia estar se divertindo.

Com tanta conversa e garrafas espalhadas pelo apartamento, depois de um tempo, todo mundo já estava um pouco bêbado, até o Ji.

A campainha tocou, e imediatamente todo mundo olhou para a porta.

— Que estranho... O porteiro não avisou? — O Tae olhou desconfiado.

— Não... acho que ele não estava na portaria. — O porteiro não estava na portaria? Que mentira horrível que eu contei...

Falei mais cedo com o porteiro e pedi pra liberar o Hoseok quando chegasse, por isso ele não anunciou.

Mesmo desconfiado, ele levantou e foi abrir a porta. Nosso plano de disfarçar deve ter ido por água abaixo, pois nós três não conseguíamos tirar os olhos da porta, em completo silêncio.

Ele abriu, e congelou assim que viu o Hoseok, e em seguida, olhou diretamente para mim. Ele entendeu na hora que armamos pra ele.

— Hobi, que bom te ver aqui! Obrigada por aceitar meu convite, vem, vamos beber. — O Jin cortou o silêncio, puxando o Hoseok pra dentro enquanto mentia que o convidou.

O Taehyung fechou a porta e voltou a virar pra nós.

— Preciso fazer uma live agora... — Ele foi andando direto para o quarto. Eu pulei do sofá e fui atrás dele, e segurei a porta do seu quarto antes que ele conseguisse trancar.

— Você não vai fazer live alguma, nós estamos bebendo juntos, vamos contin...

— Você já sabe, não sabe? — Ele cerrou os olhos pra mim enquanto mal me deixou terminar de falar.

De nós três, ele sempre foi o mais esperto aos detalhes, tornando praticamente impossível mentir para ele por muito tempo.

— Sei...

Ele estava segurando a porta quase fechada, e então, soltou, indo para dentro do quarto. Eu entrei e fechei a porta.

— Ficar fugindo e evitando é pior, e você sabe disso. Mesmo que vocês não queiram ter nada entre si, ainda somos todos amigos, você não pode simplesmente ficar ignorando ele.

— Você não entende...

— Eu não entendo? Me apaixonei por um cara sem nunca ter ficado com um, então eu tenho propriedade pra te falar sobre isso. E mesmo que fosse uma mulher, você não pode ficar agindo assim. Isso não envolve só você, Tae.

Ele levantou e começou a andar impaciente pelo quarto.

— Tá ok, você tá certo, eu não posso ignorar ele, mas também não existe a possibilidade de termos nada.

— E porque não?

— Olha pra mim, Jk... mal consigo sair de casa sem ter uma crise de pânico. Não é só pelo fato dele ser um homem, é também por ele ser uma pessoa pública, assim como o Jimin. Ninguém quer aturar alguém assim como eu, muito menos ele, que pode ter quem quiser na vida.

— E você simplesmente decidiu isso sozinho? A opinião dele não importa?

— Não. Eu sei o que é melhor pra mim.

— Infelizmente não posso mudar sua forma de pensar, mas pelo menos vamos até a sala, não tem sentido você ficar aqui no quarto.

Ele respirou fundo e respondeu irritado.

— Eu vou, mas saiba que vou agir como se nada daquilo tivesse acontecido. — Ele levantou e saiu do quarto, pisando forte no chão.

— Esse não foi o conselho que eu te dei...

Ele foi para a sala, e eu fui em seguida. O Hoseok estava sentado com o Jimin e o Jin no sofá, e claramente estava sem jeito. Eles estavam conversando sobre a próxima série que ele vai protagonizar.

O Tae pegou uma garrafa de soju e voltou a sentar em uma das poltronas. Mesmo que quisessem evitar, o olhar de um seguia o outro.
É só uma questão de tempo até ele perceber que não vai adiantar evitar, é nítido que eles se gostam.

[...]

Depois de algumas horas, todos já estavam bêbados, muito bêbados. Pra ser sincero, só eles estão, não consegui beber muito por medo, não sei explicar se é realmente um medo ou insegurança, mas achei melhor ficar sóbrio pra ficar de olho no Jimin.

— ... o mais engraçado é que o Jungkook nem percebeu. — Prestei atenção no fim da frase do Jimin assim que escutei meu nome.

— Do que você tá falando?

— No dia do show... eu bebi no camarim, acho que é por isso que tive coragem de sentar no seu colo. — Ele falou enrolado e pausadamente enquanto ria, e eu engoli seco quando ouvi o que ele disse.

— Ahh, então é por isso que você estava tão à vontade comigo no palco?

— Uhum...

Eu queria dar uma bronca nele por ter mentido pra mim e feito algo que pedi pra não fazer, mas ele me olhou com aqueles olhos pequenos, e as bochechas tão rosa quanto os fios de cabelo dele, foi o suficiente pra me desmontar.

Quando desviei o olhar do Ji por alguns segundos, vi o Hoseok e o Taehyung olhando um para o outro fixamente, em um ponto que a energia entre eles era palpável no ar.

E como eu disse, era só uma questão de tempo.

— Taehyung, posso falar com você? — O Hoseok falou, e todo mundo ficou em silêncio olhando pra ele. Não achei que ele falaria isso, mas como ele bebeu, a coragem veio.

— Sim... — O Tae levantou e foi para o quarto, e o Hoseok foi em seguida.

E nós três ficamos comemorando em silêncio na sala.

Vinte minutos depois e eles continuavam no quarto.

— Eu vou lá ouvir da porta... — o Jimin falou e começou a se levantar, mas segurei ele antes disso.

— Volta aqui, você não vai não.

— Me solta, você não manda em mim.

Nesse momento, o celular do Ji que estava em cima da mesa, começou a tocar. Ele até ignorou a primeira chamada, mas na segunda vez que a pessoa insistiu, ele pegou para ver.

— Que merda... — Ele virou a tela na minha direção, era o Eunwoo.

— Você não vai atender?

Ele franziu a testa e balançou a cabeça negativamente, ignorando o celular. A essa altura, não podemos agir assim.

— Ji, atende.

— Eu tô bêbado...

— Tenta falar pouco, mas ignorar é pior.

— Que inferno! — ele reclamou, mas foi até a varanda e atendeu. Eu estava preocupado, então fui atrás dele.

Pelo seu silêncio na linha, e sua expressão fechada, já consigo saber que não é boa notícia.

— Ok. — ele afastou o celular da orelha e desligou.

— Tá tudo bem?

— Ele quer falar com nós dois.

— E?

— E o que? Não tem mais o que eu falar! — Ele não levantou a voz, mas seu tom com certeza foi ignorante.

— Jimin, fala direito.

Ele respirou fundo e levou as mãos nos olhos, e depois, para mim

— Me perdoa... eu só tô saturado desse assunto, me desculpe mesmo. — Ele me abraçou com os olhos lacrimejando.

— Tudo bem... nós vamos. Onde ele quer ir?

— Em um restaurante, daqui a pouco.

Ok, as duas coisas foram uma surpresa, tanto o lugar quanto o momento, afinal, o Ji estava bêbado.

— Vou tomar banho e colocar outra roupa.

— Espera, vamos ficar mais um pouco aqui, ainda temos tempo.

Voltamos para a sala apreensivos, e poucos minutos depois, o Hoseok e o Tae também voltaram. Não sei a qual conclusão eles chegaram, mas nenhum dos dois falou sobre.

Ficamos conversando mais um pouco, e então, eu fui para o banheiro no meu quarto, e tomei a ducha mais breve que eu poderia tomar.
Coloquei uma camisa social preta, e ergui um pouco das mangas, alcançando quase o cotovelo. Junto, coloquei uma calça preta e um sapato.

Deixei meu cabelo ligeiramente para trás, com um pouco de gel, com alguns fios caídos no rosto. Mesmo que ele possa brigar com a gente, tenho que parecer apresentável, considerando que o restaurante que ele nos chamou é de luxo.

Fui até a sala e nos despedimos dos meninos, então, descemos até a garagem e entramos no meu carro.
O Ji também precisava se arrumar, então dirigi até a casa dele e fiquei o esperando do lado de fora, um pouco mais distante da entrada.

Eu já imaginei que ele demoraria, como sempre. Não vou arriscar sair do carro, então fiquei com os vidros completamente fechados.

Fiquei mexendo no celular enquanto o esperava, até que escutei a porta da casa abrindo, era a Hyejin. Ela entrou em uma SUV preta e saiu dirigindo, sozinha.

Até agora o Jimin não sabe que ela falou comigo, e ela também não conversou com ele. Não cabe à mim esse assunto e eu nem devo me meter, mas, eles precisavam resolver isso entre si.

Depois de alguns minutos com o pensamento distante, vi o Jimin voltando na direção do carro, finalmente. Ele entrou e espalhou seu cheiro pelo carro, me deixando fascinado.

— Que delícia de cheiro, e como você tá lindo.

Ele sorriu junto com seus olhos, que também sorriem juntos.

— Nós dois estamos.

Eu queria beijar ele ali mesmo, e tava ansiando por isso. Pra ser sincero, eu queria bem mais que um beijo, e tava louco pra ele conseguir dormir comigo pra matar toda essa vontade que tô dele.

Liguei o carro e saímos da casa, antes que eu o agarrasse ali mesmo.

[...]

Assim como vimos no mapa, o restaurante era luxuoso. O Ji falou com um rapaz que logo nos levou para uma mesa, completamente isolada das demais mesas.
Chegamos primeiro, então sentamos e pedimos dois sucos.

Eu estava me sentindo tenso, e Essa sensação se intensificou quando vi o Eunwoo se aproximar de nós, acompanhado de três seguranças.

Nos levantamos e nos curvamos, cumprimentando ele.

— Boa noite Sr. Park. — Falei.

— Sentem-se. — Ele gesticulou com as mãos, dispensando nosso cumprimento com certo desdém.

Ele pediu o cardápio e ele mesmo escolheu todos os pratos, sem sequer saber o que como ou não.

A cara do Eunwoo não era boa, mas a do Jimin era pior ainda, e não era tristeza, era expressão de ódio, mirando o pai dele diretamente. Isso era ruim, porque quando ele está assim, fala o que vem na mente, sem ao menos raciocinar.

E pra piorar tudo, ele ainda estava um pouco bêbado.

O Eunwoo pediu uma garrafa de uísque, que chegou primeiro que os pratos, e ele ficou bebendo em silêncio por uns minutos.

— Você não vai beber? — ele me olhou arqueando uma das sobrancelhas. — Eu sei que você bebe.

— Obrigado Sr. Park, eu bebo, mas hoje prefiro beber suco.

Ele olhou nos meus olhos por uns segundos, e voltou a olhar para o copo, ficando assim até os pratos chegarem.

— Então pai, pode falar. — a voz do Jimin cortou o silêncio.

Ele deu mais um gole no copo, colocando ele vazio na mesa, de forma firme.

— Quando permiti isso entre vocês, nosso acordo era não expor. Dito isso, o que foi aquilo no show?

— Não foi nada, interações entre os idols são normais nos palcos. — o Ji respondeu.

— Ahh, então o que eram aquelas inúmeras notícias sobre todo mundo desconfiando de vocês?

— Desculpe, Sr. Park, a culpa foi minha. — assim que respondi, o Jimin colocou a mão na minha frente, olhando o pai dele.

— Você chamou a gente pra um jantar pra quê? Se era pra ficar jogando na cara o que fizemos, porque simplesmente não nos falamos em casa?

Eu sabia que ele ia perder a paciência. Eu não devia ter deixado ele beber...

O Eunwoo deu um sorriso sútil de canto.

— Se acalma, Jimin. Você já é um adulto, é vergonhoso ficar agindo como um adolescente.

— Você falou certo, sou um adulto, logo, eu sei dos meus atos. Você sabe que não houve consequências ruins, pelo contrário, as notícias e as divulgações sobre nós só aumentaram, assim como a venda dos nossos discos, e também os contratos de parceria.

— Sim, eu sei muito bem, a empresa é minha, então eu sei quanto aos meus lucros, não preciso de você me dizendo isso. Chamei vocês porque convidei mais duas pessoas bem especiais.

Do que ele estava falando? Eu e o Ji nos olhamos com estranheza, até que o Eunwoo olhou para atrás de nós.

— Ahh, falando nelas...

Olhamos para trás, e nem em mil anos eu imaginaria isso.

— Isso não pode ser... — Sussurrei incrédulo.

— O que? Quem são eles? — O Ji sussurrou confuso olhando pra mim enquanto o pai dele levantou para cumprimentar.

Eu senti minha visão ficando levemente turva, enquanto meu coração apertava e batia acelerado.

— Jungkook, meu querido, quanto tempo...

Eu não consegui responder. Minha respiração foi gradativamente ficando mais pesada, enquanto minhas mãos formigavam.

Essa mulher foi a pior coisa que aconteceu na minha vida... na minha e na vida da minha mãe.
Não é possível que tudo aquilo vai voltar.

Ela se sentou na mesa e tentou encostar as mãos na minha cabeça, e eu me afastei imediatamente. O Jimin me olhava confuso, sem entender nada, e assustado com a minha reação.

— Desculpe, mas, quem são vocês? — Ele não hesitou em perguntar.

— Olha minha falta de delicadeza. Prazer, me chamo Sohee, sou tia do Jungkook, esse é meu filho JoonHo. Estamos a tanto tempo procurando pelo meu sobrinho, estou feliz de finalmente ter o encontrado.

O Jimin não respondeu e voltou a me olhar. Eu nunca contei para ele sobre as coisas que ela fez, mas já comentei uma vez que morei com ela e que fui embora assim que pude.
Mesmo sem saber, ele viu como eu fiquei e entendeu que ela não era uma boa pessoa. Ele virou furioso para o Eunwoo.

— O que você pensa que tá fazendo?

— Eu? Estou ajudando uma família a se reunir. Ela e a família têm procurado o Jungkook há anos, e soube que ele debutou pela Town, então me procurou pedindo ajuda para o encontrar. Qual o mal nisso?

Eu deveria saber que esse silêncio dele teria um preço, e o preço foi bem caro.

— Você não tinha esse direito... — Falei olhando para baixo, com o olhar fundo.

— O que você disse, garoto? — O Eunwoo me perguntou com um tom de indignação. Eu levantei o rosto e o olhei nos olhos.

— Não fui claro? Você não tinha a porra do direito de se meter nisso! — Fechei meu punho e dei um soco na mesa, enquanto levantava a voz, louco de raiva.
Eu queria quebrar esse velho desgraçado e partir ele em pedacinhos. Me levantei, peguei no braço do Jimin e puxei ele.

— Vamos embora daqui.

Ele sequer hesitou e veio junto.

— Vocês dois, voltem aqui agora!

Ele se levantou e ficou chamando, mas sequer olhei para trás.

O Jimin entrou no carro, e assim que abri a minha porta, minha tia apareceu atrás de mim e segurou meu braço.

— Você não vai fugir dessa vez.

— Esquece que eu existo, caralho! — Puxei meu braço tentei entrar no carro, mas ela segurou a porta.

— Esquecer? Não. Tudo que você está conquistando, eu também tenho direito. Sou sua única família, se lembra?

— Eu quero que você morra! — Gritei e puxei a porta novamente. Liguei o carro e saí o mais rápido que eu pude.

Eu estava com raiva, e minhas mãos estavam trêmulas. Eu apertava o volante cada vez mais forte, buscando me acalmar, o que certamente não estava funcionando.

— Para o carro ali, deixa eu dirigir. — O Ji apontou para o acostamento; eu obedeci.

Ele saiu e veio na direção da minha porta. Eu também saí e fui para o banco do passageiro. Ele dirigiu em silêncio enquanto eu tentava me acalmar, e ele respeitou isso sem eu sequer precisar pedir.

Depois de uns minutos, ele parou no estacionamento em frente à algumas lojas. Vi ele indo primeiro em uma conveniência, e em seguida, em uma farmácia, voltando com duas sacolas.
Uma delas cheia de soju e alguns snacks.

— Pra que esse tanto de bebida? Nós já bebemos hoje.

— Vou te levar em um lugar que eu amava ir, confia em mim, vai ser legal. Você precisa se distrair.

Ele ligou o carro e voltou a dirigir.

[...]

Ficamos no carro por pouco mais de meia hora. Até que ele parou o carro em um mirante, e de lá, era possível ver toda Seoul iluminada.

Eu desci pra olhar, e a vista era linda, a cidade estava toda iluminada, e a noite estrelada. O ar estava fresco, e o cheiro de grama molhada estava espalhado pelo ar. Haviam mais dois carros parados ali, admirando a vista.

E eu sequer conhecia esse lugar.

Estar aqui me fez esquecer completamente a raiva que eu estava sentindo, e pude pensar com mais clareza.

— Me desculpe, eu acho que piorei as coisas...

— Eu tô aliviado que você fez isso. O que meu pai fez foi golpe sujo, e isso não tem perdão. Me dói lembrar que, no fundo, isso é minha culpa...

— Não diz isso, você não tem culpa alguma, em nada.

— Se você estivesse com outra pessoa, poderia ter um relacionamento normal.

— Eu não quero outra pessoa, eu quero você.

Ele veio na minha direção e me abraçou, e eu retribuí o apertando enquanto mergulhava meu rosto no seu pescoço.

— Quando você quiser conversar sobre isso, tô aqui, sempre. Vem, vamos ficar no carro. — Ele pegou na minha mão e me puxou sutilmente.

Nós entramos e abrimos duas garrafas.
Enquanto conversamos e bebemos olhando a vista, essas duas garrafas rapidamente viraram seis, oito...

Eu estava me sentindo bem ali, então preferi não estragar esse momento contando sobre minha tia.

Ele virou o corpo um pouco na minha direção e apoiou a cabeça no banco, enquanto me olhava. Eu fiz o mesmo.

— Me dá sua mão. — Ele estendeu suas mãos pequenas, pedindo a minha. Assim que pegou, começou a fazer carinho.

— Obrigado por me trazer aqui, Ji.

Ele respondeu com um sorriso lindo, e meu coração acelerou. Ele estava assim como a primeira vez em que beijei ele, e bastou isso pra eu querer outro beijo.

Puxei a sua mão, trazendo ele pra mais perto. Também avancei sutilmente com o corpo em sua direção e o beijei.

A língua dele circulava livremente pela minha boca, deixando um rastro do seu gosto de morango, que eu sou completamente viciado.

Entre o beijo, ele parava algumas vezes e me olhava, em uma delas, deu uma mordida na minha boca.
Em poucos segundos que nossas bocas se afastaram mais uma vez, ele saiu no banco dele e passou a perna por cima de mim, sentando no meu colo. Ele voltou a me beijar, mas, também começou a rebolar em cima de mim.

— Não faz isso, meu loirinho, se não vou querer te foder aqui mesmo.

— Mas é o que eu quero. — Ele mordeu os lábios enquanto me olhava nos olhos, e sua energia exalava prazer.

Olhei surpreso pra ele.

— Mas tem outros carros aqui.

— Só tem dois, e eles estão longe. E outra, os vidros são completamente escuros, ninguém vai ver nada... — Ele voltou a me beijar e colocou a mão por dentro da minha camisa, circulando pelo meu abdômen.

— Vamos, por favor...

Assim era impossível eu negar. Ele passou entre os bancos e foi para o banco de trás, e eu também. Entre as sacolas, ele tirou um lubrificante, e ali eu pude entender o porquê dele ter ido na farmácia. Isso me fez rir, e ele entendeu na hora.

— Para de rir, idiota.

— Vem cá. — Segurei na calça dele e puxei. Ele estava sentado no banco, e eu por cima dele, mas com esse puxão, rapidamente seu corpo deitou. Terminei de tirar sua calça, e depois, sua camisa.

Parei e fiquei olhando para o corpo dele, no que mais parecia um transe.

— Como você é gostoso, Park...

Ele ficou com as bochechas coradas enquanto disfarçava e escondia o rosto entre as mãos.

Tirei minha roupa e o tempo todo ele ficou olhando na direção do meu quadril.

Passei um pouco de lubrificante na mão, e logo depois, em todo o comprimento. Seu olhar seguia movimento da minha mão, e feito isso, ele ergueu uma das pernas segurando atrás do joelho.

— Vem.

Eu sorri e abaixei meu corpo em sua direção. Passei um pouco de lubrificante nele, movimentando pra espalhar, e então, encaixei e enfiei devagar.
Como não o preparei, estava muito apertado. Ele gemeu baixinho assim que me sentiu penetrando, jogando a cabeça levemente pra trás, e eu sequer tinha enfiado tudo.

— Tá doendo? — Mesmo que ele sempre me fale pra não perguntar, eu não consigo.

— Não, continua...

Me apoiei com o corpo mais perto dele e continuei enfiando devagar. Sua mão pequena circulou pelo meu rosto até chegar no meu pescoço, próximo a orelha. Ele me olhava e mordia os lábios a cada socada que sentia.

Eu estava me segurando com uma das mãos apoiada no banco, enquanto minha outra mão apertava a coxa dele.

Poucos minutos metendo foi o suficiente pra deixar o carro todo embaçado, assim como nossos corpos estavam completamente suados.

Ele puxou meu rosto pra perto e mordeu minha orelha.

— Quero ir por cima... — Ele sussurrou no meu ouvido, e meu corpo todo arrepiou.

Na mesma hora eu parei e tirei com cuidado de dentro dele. Sentei no banco e ele sentou no meu colo, onde segurou meu pênis e encaixou nele.

Assim que penetrou, ele começou a subir e descer, enquanto seu pênis pulava junto. Estava tão duro que era impossível não querer tocar.

— Caralho Ji, que delícia... — Coloquei uma das minhas mãos na sua bunda, enquanto com a outra, comecei a masturbar ele.

Ele sorria da forma mais safada possível, e isso era o suficiente pra me excitar ainda mais.

Suas mãos se apoiaram no meu pescoço, enquanto ele jogou a cabeça para trás. Eu olhava tão obcecado para ele que conseguia observar até as gotas de suor escorrendo pelo seu pescoço, assim como suas veias dilatadas.

Ele voltou a olhar pra mim.

— Eu te amo...

Coloquei a mão no seu pescoço e o puxei na minha direção.

— Repete! — Falei com nossas bocas coladas.

Ele sorriu e mordeu os lábios, e após isso, parou de sentar e começou a rebolar lentamente.

— Eu amo você, Jungkook!

Beijei ele, ou ao menos, tentamos. Ele voltou a sentar, então nosso beijo era interrompido várias vezes pela nossa respiração pesada.

Segurei firme no seu cabelo e puxei pra trás, onde minha língua foi na direção do seu pescoço e circulou por cada centímetro, sentindo o gosto da sua pele. Mordidas e chupões não eram suficientes pra saciar todo o prazer que sinto com ele, e seu pescoço já estava todo marcado.

Ele se arrepiava e gemia ainda mais, e suas mãos que antes estavam envolvendo meu pescoço, agora cravaram com força no meu ombro.
Até a sensação da unha dele marcando minha pele me deixava maluco.

Ficamos transando por muito tempo, muito mesmo. Faz vários dias que eu não sentia ele, então a saudade que eu estava dele triplicou meu desejo e meu prazer.

Ele aumentou a frequência que estava se movimentando, e eu, o masturbei mais rápido, e então, ele gozou.
Eu não aguentei mais segurar e apertei forte a sua bunda, e também gozei.

Ele levantou um pouco do corpo pra tirar de dentro dele e desabou em cima de mim.

— Eu não sinto minhas pernas... — Ele sussurrou enquanto respirava fundo.

— O que foi isso, Park? — Minha respiração também estava ofegante. Quanto mais eu puxava o ar, menos ar vinha.

Ele deu um sorriso tímido e sentou do meu lado.

— Isso... isso foi incrível.

Ele encostou em mim e ficou apoiado no meu peito, olhando para o parabrisa, na direção de toda aquela vista.

Fiz um pouco de carinho no cabelo dele, e aos poucos a nossa respiração e batimentos foram ficando mais calmos.

— Ji, não dorme.

— Shhh, nós já vamos embora, só precisamos descansar um pouco. — Ele me abraçou mais forte.

— Coloca a calça, pelo menos. — falei.

Ele reclamou, mas colocou. Coloquei a minha também, e ele e voltou a me abraçar.
Fiquei sentindo o aroma de morango do seu cabelo, até que, inevitavelmente, também peguei no sono.

[...]

Acordei com um som de música vindo do lado de fora. Peguei o celular e olhei as horas, eram 02:36 da manhã.

O carro estava abafado, com os vidros completamente embaçados, e o Jimin abraçado à mim. Seu cabelo estava levemente molhado de suor, assim como o meu. Afastei ele com cuidado e o deitei no banco, e diminuí a temperatura do ar condicionado, buscando nos refrescar um pouco mais.

Eu precisava fazer xixi, então coloquei minhas roupas, abri a porta com cuidado e saí do carro.

Haviam mais carros que antes, e também, algumas pessoas um pouco mais distantes estavam em uma fogueira cantando músicas e tocando violão, mesmo sendo madrugada.

Foi com essa música que acordei.

Eu me afastei um pouco mais, adentrando uma parte com o mato um pouco mais denso.

Mesmo com sono, eu estava atento e com o flash do celular ligado. Assim que terminei, escutei passos pisando nas folhas secas próximo à mim; Olhei imediatamente para trás, mas tudo que consegui foi sentir uma pancada forte na cabeça, e então, tudo ficou preto.

Eu perdi a consciência.

[...]

Abri os olhos com dificuldade, e senti meu corpo todo doer. Não só isso, eu mal conseguia respirar, e sentia minha costela praticamente furando meu pulmão.

Olhei para frente e vi o vulto de quatro homens.

Minha vista estava embaçada, e eu estava todo molhado. Minha vista foi ficando um pouco mais nítida e pude ver sangue nas minhas roupas, que também estavam rasgadas.

— Onde eu tô... — Pensei enquanto tentava entender o que aconteceu comigo.

Além dos homens, não havia mais ninguém. Mesmo com toda essa dor por todo o meu corpo, eu só conseguia pensar onde estava o Jimin, e isso me deixou em completo desespero.

Tentei falar mas comecei a tossir sangue.

Eu estava sentado em uma cadeira, no meio de uma sala escura e vazia, com paredes de concreto puro.

Tentei mexer meus braços, mas eles estavam amarrados para trás, foi quando me dei conta da merda que eu estava metido.

— Q-quem... quem são vocês? — Minhas palavras saíram com dificuldade.

— Ele acordou, apaga ele agora! — Uma voz desconhecida gritou.

Eu mal conseguia respirar, e olhei pra frente; Foi tudo muito rápido. O homem estava com uma touca que cobria todo o seu rosto.

Ele se aproximou de mim enquanto girava um taco de baseball na mão.

— Boa noite, Cinderella!

Essa voz...

Então, ele me acertou na cabeça com um único golpe.

Eu desmaiei.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

[🎤]

AI MDS, esses dois não tem um dia de paz!
Jk passou sufoco o episódio inteiro, pra no fim, o coitado sofrer mais ainda! 😭

E agora?

São tantos suspeitos. Quem você acha que fez isso com nosso Kookie? E se for só um sonho? Ele vai ficar bem? Cadê o Jimin?

Obrigada por acompanhar a história até aqui, e te espero no próximo capítulo!

🥀

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top