21 • pra sempre, nós

[🎙️]

PARK JIMIN

Abri os olhos com dificuldade após passar mais uma noite chorando, essa droga de tristeza não vai passar nunca? Que inferno.

Se passou uma semana desde aquele maldito dia, e não consigo fazer outra coisa que não seja não pensar nele e ficar remoendo o que vi. Não fui para a Town nenhuma vez durante todo esse tempo, mas hoje não posso furar com o fanmeeting, e vou pelos fãs. Isso vai me ajudar a me distrair.

Eu virei para o lado na cama e meus olhos foram na direção da mesinha de cabeceira, e olhei a minha aliança que ainda estava ali, como pingente no meu colar.

— Por que eu não consigo simplesmente agir como se você nunca tivesse existido? — Levo as mãos na cabeça como se tentasse tirar meus pensamentos com minhas próprias mãos.

Isso está me consumindo. Eu preciso esquecer ele de vez. Tenho pensado nesses dias se devo tirar "Letter" do disco, meus pais me matariam, mas talvez seja necessário.

Escutei alguém bater na porta do meu quarto.

— Jimin, você já está melhor, preciso que você vá para a Town hoje. — Era minha mãe. Eu menti pra ela que estava doente durante todos esses dias. Soube que ele veio atrás de mim aqui em casa, e certamente foi na gravadora também, eu preciso evitar te ver, só assim eu vou conseguir te tirar da minha cabeça.

— Ok mãe, vou me arrumar.

Não posso mais fugir dos meus compromissos pra ficar chorando feito um idiota o dia todo. Tomei um banho rápido e coloquei uma roupa de frio. Antes de sair, conferi pela janela se ele não estava lá embaixo, e para o meu alívio, não estava.

Eu me olhei no espelho antes de sair, tentando me encorajar.

— Eu não posso lembrar disso enquanto estiver fora de casa. — Respiro fundo e saio.

Encontrei minha mãe na porta de casa, ela também estava saindo para a gravadora.

— Você quer ir comigo?

— Obrigado mãe, mas vou passar na padaria pra comer algo antes de ir.

— Ok, não demore. — Ela entrou no seu carro e saiu, e eu saí logo em seguida com o meu.

Passei em uma padaria próxima de casa e comprei um pedaço de bolo de morango, e comi dentro do carro, ali parado no estacionamento mesmo.

Até o bolo me lembra aquele desgraçado!

Eu estava com saudades dele, e sentia ódio de mim por estar sentindo isso. Como que eu fui me permitir gostar dele? Isso nunca deveria ter acontecido.

E como sou um covarde, ainda não tive coragem de bloquear ele, e todas as mensagens que ele estava me enviando, eu estava lendo. E nesse exato momento, ele mandou mais algumas.

— Eu também sinto sua falta, mas não podemos continuar, não depois do que você fez comigo.

Bloqueei a tela do celular, guardei o que sobrou do bolo e fui para a Town.

Assim que cheguei, fui na sala da minha mãe para perguntar sobre o lançamento do meu disco, que ela e meu pai adiaram e sequer me deram uma nova data.

— Com licença, mãe. — Ela estava conversando com o Jaechan. — Ah, depois eu volto. — Eu já estava fechando a porta novamente.

— Entra Jimin. — A voz dela vem de dentro da sala.

Abri a porta de volta e entrei.

— Bom dia Jaechan. — Me curvei cumprimentando os dois.

— Bom dia Park, quer ouvir a música?

— Música? — Do que eles estão falando?

— A música que seu backing vocal gravou ontem.

Senti um frio na barriga que percorreu por todo o restante do meu corpo assim que ouvi. Eles estão falando do Jungkook?

Que porra estava acontecendo?

— C-claro.

— Podem ir primeiro, preciso fazer algumas ligações e vou em seguida. Ahh, o que você queria falar comigo? — Minha mãe me perguntou.

— Não era nada... — Eu nem lembrava mais o que era.

Eu e o Jaechan fomos para a sala de som. Eu sentia meus passos pesados e meu corpo ficando mole conforme nos aproximávamos da sala.

— Sua mãe ainda não sabe, mas aproveitei e fui com a equipe de filmagem no apartamento dele de madrugada, um pouco antes do sol nascer, e gravamos um pequeno MV para a música.

— Sério?

Será que ele está falando do cover que o Jungkook gravou naquele dia? Não deve ser, não tem porque eles gravarem um MV pra um cover.

Dentro da sala de som, meu coração batia acelerado. As luzes estavam baixas, e eu podia sentir minha tensão no ar. Jaechan mexia nos controles enquanto eu me sentava, tentando manter a compostura.

A música então começou a tocar. Cada nota era como uma punhalada no meu peito, relembrando os momentos que vivemos e o quanto ele significava para mim.

Enquanto a música se desenrolava, eu lutava contra as lágrimas que ameaçavam cair. Eu mal podia acreditar no que estava ouvindo.

— Isso não pode ser real... — Eu murmurava, completamente chocado. Meu corpo era um turbilhão de emoções, uma mistura intensa de sentimentos.

— Esse garoto é incrível, Jimin. — A voz do Jaechan me trouxe de volta dos meus pensamentos.

— E-essa música, ele que compôs?

— Sim, em apenas uma semana. Pensei que já soubesse disso. Criamos a melodia ontem mesmo. Ficou tão perfeita que decidimos fazer um MV, e fiquei aliviado que ele topou, mesmo sendo na casa dele.

Meu coração batia descontroladamente enquanto minhas mãos tremiam. A letra era claramente sobre nós.

— Jaechan, se minha mãe ver isso...

— Ela vai descobrir que é ele. Por enquanto, vou mostrar apenas a música para ela. Converse com ele sobre isso, pois em algum momento precisarei mostrar o MV. A menos que ele não queira mais seguir com isso.

— Ok, vou conversar com ele. — Preciso disfarçar.

Minha mãe entrou naquele momento, sentando ao lado de Jaechan. Ele realmente só apresentou a música, e eu permaneci ali observando cada expressão dela enquanto ouvia.

Quando a música terminou, ela retirou os fones.

— Quero esse garoto aqui na Town amanhã. Jaechan, organize tudo. Vamos lançar essa música.

— Ok Sra. Park.

Era evidente que ela iria adorar, a voz dele é simplesmente incrível.

Antes deles terminarem de conversar, saí disfarçadamente da sala e fui para o banheiro. Meus braços se apoiaram na pia enquanto eu me olhava no espelho.

— Foi por isso que ele aceitou compôr e gravar, a música é para mim.

E de novo, eu comecei a chorar feito um bebê chorão... que droga!

De repente eu escutei a porta abrir, tentei limpar minhas lágrimas o mais rápido que pude, mas não funcionou muito bem.

— Jimin, você está chorando? — Olhei para trás e vi que era o Taemin.

— Isso? Ahh, estava, mas é nervoso do meu disco novo, sabe como é, né? — Dou uma risada sem graça após essa que foi a pior desculpa que já dei na vida.

— Pela forma que seus olhos estão inchados, eu sei que é mais que isso, vem cá.

Ele me abraçou...

Eu nunca me importei em receber abraços dos meus amigos, mas de certa forma, depois das desconfianças do Jungkook com ele, eu comecei a reparar mais nos toques dele.

— Obrigado Taemin. — Eu me soltei do abraço um pouco sem jeito, e me senti mal por ter me sentido assim com um amigo.

— Se quiser conversar comigo sobre isso, estou aqui. — Ele me olha nos olhos pra falar. — Não gosto de te ver assim.

— Juro que não aconteceu nada, mas obrigado pela preocupação.

Ele sorri.

— Quer sair pra beber hoje à noite? Assim quem sabe você se distrai e se anima.

— Não vai dar, hoje tenho um compromisso com minha mãe, mas eu vejo outro dia e te aviso. — Eu nem tinha compromisso algum.

— Ok né?! Vou ficar esperando. Mas se sairmos, será sem o seu segurança, por favor... a propósito, onde ele está? Faz tempo que não vejo você com ele.

— Ahhh ele... ele está de folga.

— Soube que na minha festa ele estava com uma garota em um dos quartos, ele não perdeu tempo para arrumar alguém por lá.

Então ele também já sabia disso...

— Preciso ir Min, depois a gente se fala. — Eu virei de costas e fui em direção a porta.

— Jimin...

Eu virei para trás novamente assim que o ouvi me chamar, e então, ele se aproximou.

— Lembra quando te contei que era bi e você me incentivou a me abrir com minha família?

— Sim, me lembro.

— Você foi essencial naquele momento, e ainda é. Se hoje minha família sabe e me aceita, é graças a você.

— Imagina, qualquer amigo faria isso. — Porque raios ele estava tocando nesse assunto?

— E você?

— Eu? Eu o que?

— Você também é, certo?

Mas que porra é essa? Será que ele sabe de alguma coisa? Não tem como, não me lembro de nenhuma vez que vacilamos perto dele.

— Porque está dizendo isso?

— Nada, minha intuição só. — Ele me olhava com uma energia totalmente diferente da qual eu tô acostumado.

— Intuição? Não me convenceu nenhum pouco.

Ele deu um passo à frente, se aproximando ainda mais de mim, e de forma repentina pegou uma de minhas mãos.

— Jimin, eu tô afim de você.

Ouvir isso foi como sentir um abismo se abrindo no chão abaixo de mim.

— O q-que você disse? — Não... isso não pode ser.

— Você ouviu o que eu falei, Park. E isso não é de hoje. Quando você fez 18 anos eu tive que me alistar, e desde então guardo isso comigo até hoje.

Eu puxei minha mão das mãos dele.

— Nós somos amigos, sempre fomos. Você está confundindo as coisas... é isso, você está confuso.

— Eu tenho 26 anos, você realmente acha que eu não sei o que estou sentindo?

— Isso é loucura, Taemin.

— Porquê? Por eu ser seu amigo ou por eu ser homem?

— Os dois.

Ele coloca a mão na cintura e olha para baixo rindo baixinho, uma risada que não era nenhum pouco alegre. Ele parecia se segurar pra falar algo enquanto voltava o olhar na minha direção, até que ele respira fundo e finalmente responde.

— Tudo bem, Park. Mas não retiro o que eu disse, eu realmente gosto de você.

— Eu preciso ir, Taemin. — Eu saí antes dele ter tempo de responder qualquer outra coisa. Ele ficou em silêncio e o seu olhar me acompanhou até me perder de vista.

Fui para uma das salas de reunião que estavam vazias e ali eu desabei em uma das cadeiras logo depois que tranquei a porta.

— Que merda foi essa que aconteceu? O Jungkook estava certo sobre ele todo esse tempo. — Apoiei meu rosto e meus braços na mesa, ainda sem acreditar em cada palavra que o Taemin disse.

Já não bastava a bagunça que minha cabeça já estava, agora tem isso.

Mesmo que o Jungkook não existisse, eu não teria coragem de me envolver com o Taemin. Não consigo sequer imaginar ver ele de outra forma que não seja como meu amigo. Na verdade, é difícil pensar em ficar com qualquer outra pessoa que não seja o Jungkook...

Quanto mais tento esquecer dele, mais meus pensamentos e circunstâncias insistem em trazer ele à tona.

Fiquei lembrando cada segundo do Jk naquele MV. Meu plano de tentar esquecer ele não estava nem de perto dando certo, ainda mais agora depois dessa música e de tudo isso.

Respirei fundo e depois de longos minutos, saí da sala e fui fazer o restante dos meus deveres na Town. Por algumas vezes encontrei o Taemin e outros idols pelas salas e corredores, mas fiz o máximo pra evitar todo mundo, principalmente ele.

[...]

Enquanto eu ensaiava meus tons agudos com um professor de canto, me avisaram que minha mãe estava me chamando na sala dela.

— Com licença, mãe. — Bati na porta e entrei.

— Filho, entre. Seu pai retorna hoje à noite, e amanhã nós vamos para os Estados Unidos passar o natal em New York. Você vai conosco?

Eu estava tão pilhado ultimamente que esqueci que faltam só dois dias para o natal. Não estou no clima para comemorar, e não quero estragar a celebração dos meus pais com minha energia péssima.

— Obrigado mãe, mas acho que vou passar por aqui mesmo.

Ela me olha enquanto espreita os olhos.

— Se for ficar aqui, não queremos você metido em nenhum escândalo, se não adiaremos seu disco de novo.

— Eu não vou, pode ficar tranquila. — Não tenho ânimo nem pra beber ultimamente...

— Bem, se mudar de ideia, me avise.

— Ok mãe. Sobre o meu disco...

— No começo de janeiro divulgaremos as datas, eu aviso você.

— Tudo bem, vou voltar para o ensaio. — Eu abri a porta e saí depressa e de cabeça baixa, e sem querer esbarrei em alguém que esperava do lado de fora da sala.

— Nossa Yoongi, me desculpe.

— Fica em paz. Como você está, Jimin? Faz tempo que não te vejo por aqui.

— Estava com uns problemas de saúde, mas já estou melhor.

— Que boa notícia. Ouvi algumas prévias do seu novo disco, tá tudo perfeito, parabéns pelo trabalho.

— Obrigado Yoon, espero que lance logo, estou ansioso.

— Até eu estou. — Ele brinca. — Bem, vou indo, vou entrar em reunião com sua mãe e ela está me esperando, fique bem. — Ele me dá uma batidinha de leve nas costas.

— Obrigado, você também. — Me despedi dele e saí em seguida.

Voltei para a sala de canto e ensaiei mais um tempo.

Por mais que eu quisesse, a música do Jungkook não saía da minha cabeça, muito menos ele em si, e isso tirava completamente a minha concentração.

Não só isso, toda essa história com o Taemin também estava me deixando desnorteado.

Eu errei por várias vezes e assim fiquei por um longo período.

Minha mente precisa de paz!

[...]

Horas depois, após muitas tentativas de ensaio, me arrumei na gravadora mesmo e fui para o fanmeeting aqui em Seoul.

Eu deveria estar com um guarda-costas, mas até agora não tive coragem de inventar uma mentira para os meus pais sobre o Jungkook. Então entrei no carro e fui sozinho.

Ao chegar, fui recebido por diversos fãs que já esperavam ansiosamente há horas. Eu realmente precisava disso.

O palco estava todo decorado com cartazes da capa do meu novo disco, e repleto de luzes por todo lado. Me posicionei e começamos.

Durante horas, fiquei ali me divertindo, conversando e trocando experiências com os fãs. Cantei algumas músicas a capella conforme eles pediam.

Ao final, tirei várias fotos e dei autógrafos, agradecendo a todos presentes. Um pouco emotivo, me despedi. Por mim, eu ficaria ali a vida toda, só para me distrair do poço sem fundo em que estou mergulhado nos últimos dias.

Ao entrar no camarim, fiquei ali por alguns minutos respirando fundo com a cabeça baixa. Estava sozinho quando ouvi a porta se abrir. Sem nem olhar, imaginei que fosse algum membro da equipe, até que...

— Jimin?

Eu virei para trás assim que ouvi essa voz...

Era o Jungkook.

Meu corpo novamente congelou enquanto meu coração disparava.

— O que você tá fazendo aqui? — Levantei no mesmo momento que o vi.

— Eu preciso que você me escute nem que for por cinco minutos, se ainda assim você não acreditar em mim, eu te deixo em paz pra sempre.

— Eu não quero conversar. — Tentei sair, mas antes que eu pudesse me aproximar, ele trancou a porta e tirou a chave.

— Abre essa porta. — Tentei pegar a chave da mão dele, mas era óbvio que eu não conseguiria.

— Jimin, para com isso. — Ele tenta me segurar, mas em um impulso de raiva, eu o empurrei. Ele voltou na minha direção e me prendeu na parede.

— Eu falei pra você parar!

— Eu não quero te ouvir, caralho! Vá atrás daquela vagabunda que você estava agarrando. Eu não quero mais nada com você.

Por mais ódio que eu quisesse obrigar meu corpo a sentir, meu coração não deixava de bater mais forte só de olhar ele e o sentir tão perto assim.

— Ji, eu não fiz nada com aquela mulher, você precisa acreditar em mim, eu tenho como te prov...

NÃO ME CHAME ASSIM! — E então, eu comecei a chorar na frente dele, logo depois de gritar. Tudo que eu menos queria era parecer vulnerável na frente dele. — Eu não te amo mais!

Eu desviei o rosto para o lado.

— Quem você está tentando enganar, Jimin? Você sabe que isso é mentira. Olha pra mim!

Como uma presa medrosa e covarde, eu realmente olhei para ele, e ele retribuiu me olhando no fundo dos olhos.

Meus batimentos triplicaram só nesse momento...

Eu me odeio por me sentir assim.

Ele pegou o celular do bolso enquanto permanecia me segurando, e colocou uma gravação.

— Só escuta isso, por favor.

Eu continuava tentando escapar com o corpo, até que o áudio que ele colocou começou com um diálogo, o que me fez parar. Era o Jungkook e um homem, e eu conheço essa voz... Era o Taemin.

— Isso não pode ser...

Assim que ouvi tudo, ele me soltou e eu desabei no sofá que tinha ao lado.

Eu não podia acreditar que ele teve coragem de fazer isso.

O Jungkook colocou a mão dentro da jaqueta que estava usando e tirou um envelope, me entregando em seguida. Era o resultado de algum exame.

— Isso prova que ele realmente me dopou. Eu não sei como, mas ele descobriu sobre nós, e a festa deve ter sido só um pretexto pra fazer isso comigo. A mulher é dançarina da Town, e deve conhecer ele de lá.

Eu não conseguia falar e muito menos reagir. Ele armou tudo isso pra no fim, dar em cima de mim.

— Eu te falei desde o início, eu jamais faria isso com você...

A voz dele foi ficando distante, e minha vista foi escurecendo aos poucos.

— Ji? Jimin, você tá b...

Eu desmaiei.

Não sei quanto tempo eu fiquei desacordado, mas foi o suficiente pra ouvir vozes de várias pessoas ao redor conforme minha consciência ia retornando.

Até que eu consegui abrir os olhos.

— Ele voltou. — Uma staff falou, e em seguida vi o Jungkook próximo.

Eu sentei no sofá.

— Park, precisamos te levar ao hospital. — Um dos produtores falou.

— Eu não quero, foi só a minha pressao que caiu. Eu preciso ir embora.

— Eu levo ele embora. — O Jungkook respondeu logo em seguida.

Ele me ajudou a levantar e me levou até o meu carro, me colocando no banco do passageiro.

Antes mesmo dele entrar no carro, eu comecei a chorar, em um choro que era o mais intenso que tive, eu precisava liberar essa dor. Eu não podia acreditar que o Taemin fez isso, e o pior, eu não acreditei no Jungkook.

Ele entrou rápido no carro assim que ouviu.

— Ei, não precisa chorar.

— Me p-perdoa... me perdoa por duvidar de você. — Minhas palavras mal saíram em meio ao meu choro.

Ele me puxou pra si e me abraçou.

— Você não tem que pedir perdão, Ji, isso não foi sua culpa. — A mão dele fazia carinho no meu cabelo enquanto me abraçava e me acolhia nos seus braços. Isso me fez chorar mais ainda enquanto eu retribuía o abraço.

— Eu estava com tanta saudade de você. — Eu falei enquanto sentia meu coração acelerar só de estar nos braços dele, e eu também podia sentir o coração dele pular tanto quanto o meu.

Estou em um ponto que não consigo mais continuar minha vida normalmente sem ele.

— Eu também estava, meu loirinho, você não tem noção do quanto. — Ele me olha nos olhos enquanto sua mão continuava fazendo um carinho gentil no meu rosto. — Eu falei que não desistiria de você, e nunca vou.

Voltei a mergulhar meu rosto no abraço dele.

Infelizmente havia pessoas próximas do carro e ficar parado ali só levantaria suspeitas, mesmo que os vidros do carro fossem escuros.

— Vamos sair logo daqui.

— Minha moto está aqui, vou ter que ir com ela.

— Me dê sua chave. Estendi a mão e ele prontamente entregou sem nem questionar.

Saí do carro e deixei a chave com um dos produtores, que designará um dos seguranças para levar embora ao apartamento dele.

Voltei para o carro e comecei a dirigir.

— Para onde estamos indo? — Ele me olha enquanto pergunta, e eu não consigo evitar olhar para ele o tempo todo.

— Vamos nos hospedar em um hotel, só por hoje.

— Um hotel? — Ele olhou na minha direção um pouco surpreso.

— Uhum.

— Amo esse seu jeitinho de fazer o que quer na hora que quer.

— E eu amo que você sempre topa tudo.

— Você quem manda, meu amor, sempre.

Parei o carro em um semáforo e olhei para ele, me perdendo por alguns segundos nos meus pensamentos. Ele é tão lindo, e sinto meu corpo ferver só de estar perto dele.

Quase que inevitavelmente, esses segundos já foram o suficiente pra me deixar excitado. Ele viu o volume na minha calça e deu uma risada bem maliciosa enquanto olhava pra cima, voltando a olhar pra mim em seguida.

— Eu tô vendo, sabia?

— Para com isso. — Eu ri. — Você vai me deixar envergonhado.

Ele apoiou a mão na minha perna e me deu um beijo no pescoço, e um beijo virou dois, três, até que a mão dele pegou no volume da minha calça.

— Ei... calma aí, se não eu... eu vou matar nós dois aqui. — Eu já estava ofegante enquanto dirigia.

— Eu não resisti, desculpe. Você pode chegar logo nesse hotel?

Eu ri com a resposta dele enquanto tentava recuperar o ar.

— Estamos chegando já.

[...]

Fomos em um hotel luxuoso um pouco mais afastado do centro de Seoul, eu cobri meu rosto com uma máscara e coloquei uma touca antes de descer do carro.

— Faz você as reservas, por favor, e pega o melhor quarto.

Nós descemos e ele foi fazer o check-in enquanto fiquei esperando. Assim que ele finalizou, pegamos o elevador e subimos até o último andar do hotel.

O quarto era todo espelhado, com decorações luxuosas e elegantes, e mais parecia um apartamento inteiro. Assim que entramos, joguei a chave do carro na mesa e sentei no sofá que havia lá.

— Eu não posso acreditar que quase perdi você por causa de uma armação.

Ele sentou do meu lado.

— Tô tão aliviado que tudo isso terminou, e agora você tá aqui comigo.

Nossas mãos se entrelaçam enquanto se acariciam, e nossos olhos fixam um no outro.

— Eu ouvi sua música...

— É sério? — Ele arregalou os olhos enquanto seu corpo deu um pulo. — Mas, você só ouviu, ou...

— Eu vi o MV também.

Ele me olhou tímido enquanto eu continuei falando.

— O MV, sua voz, você, a melodia... tudo, está tudo tão perfeito! Nem sei te explicar o que senti quando vi, eu só queria chorar.

— Quando sua mãe me ligou, eu pensei muito em recusar, mas vi ali uma oportunidade de chegar em você, mesmo que fosse só através da música. — Ele passou uma das mãos no meu rosto. — Eu estava machucado demais sem você.

— Eu tentei por tudo te esquecer durante todo esse tempo, mas eu simplesmente não consegui, e ver sua música virou uma chave na minha cabeça. Meu coração doeu só de imaginar você me esquecendo.

— Nem se eu tentasse por anos, eu jamais conseguiria. Eu amo você. — Ele fala enquanto me olha nos olhos.

Aqueles mesmos olhos que sempre transmitiam amor.

— Eu também te amo. — Encostamos nossas testas enquanto sentíamos a respiração um do outro.

Eu me aproximei e o beijei. Céus, como eu estava com saudade desse beijo. O toque dos lábios dele faziam meus batimentos aumentarem intensamente, em um movimento que parecia que ia sair do meu peito.

Ele retribuiu em seguida, me envolvendo com seus braços enquanto sua mão circulava livremente pelo meu corpo. Agora eu sei que realmente não consigo mais viver sem esse toque.

— Espera aqui. — Parei e corri para o banheiro onde havia uma banheira enorme, e liguei ela.

Em seguida, voltei para o sofá e me sentei no colo dele, de frente.

— Eu quero tomar banho com você.

Um sorriso malicioso apareceu no seu rosto no mesmo momento em que ele entendeu onde eu queria chegar.

—  Eu tô com tanta saudade de você. — Ele aperta forte a minha bunda enquanto fala com a boca bem perto da minha.

Dei um selinho bem demorado e então, minha boca percorreu até o ouvido dele.

— Eu também estou. — Sussurrei e dei uma mordidinha, enquanto minha mão percorria pelo seu abdômen. Ficamos nos provocando por alguns minutos ali e fomos para o banheiro.

Coloquei uns sabonetes, espumas e algumas garrafas de soju ao redor da banheira. Não podia também faltar algumas velas.

Ele tirou a roupa e eu vi que ele já estava completamente duro, e pra variar, eu não conseguia parar de olhar. E ele olhava pra mim com mais desejo ainda quando me via secando ele.

Tirei a minha roupa, e obviamente eu também estava excitado, assim que ele viu, se aproximou e voltou a me beijar, ali de pé mesmo.

Nossos quadris se movimentavam enquanto nossos labios se tocavam. Mesmo com o frio, nossos corpos estavam quentes de desejo um do outro, e dava pra sentir isso através da nossas peles.

— Vem. — Ele entra na banheira e me ajuda a entrar.

Nos sentamos de frente um para o outro enquanto bebemos soju. Eu estava tão feliz de estar ali com ele, finalmente, depois de tudo que passamos.

A banheira já estava lotada de espuma, e eu jogava nele enquanto ria, e ele jogava de volta.

Peguei meu celular assim que senti vibrar na beirada da banheira, era o Hobi.

Assim que soltei o celular, ele estendeu a mão na minha direção e me puxou pra cima dele, e logo voltamos a nos beijar. Mesmo debaixo d'água, eu podia sentir perfeitamente o quanto ele ainda estava duro, e eu fiquei mais excitado ainda só de encostar nele.

A mão dele deslizou por todo o meu corpo enquanto nosso beijo continuava intenso. Coloquei a mão no pênis dele e comecei a movimentar, e ele delirava a cada movimento que eu fazia.

Eu queria sentir ele.

Ele colocou lubrificante na mão e penetrou o dedo em mim com cuidado. Ficamos assim até eu me sentir mais à vontade, afinal debaixo d'água não dava pra passar muito lubrificante.

Ele encaixou, e então, eu sentei devagar. Era tão grosso que mesmo que eu já estivesse a vontade, ainda doía quando ele penetrava. Continuei sentando lentamente enquanto doía cada vez menos.

O tempo todo ele me olhava com aquele olhar safado e gostoso, enquanto suas mãos seguravam minha bunda, ajudando no movimento.

Eu olhava obcecado pra ele admirando cada expressão que ele fazia, e isso me excitava mais ainda. Ele mordia os lábios e respirava alto a cada sentada que eu dava nele.

Ficamos assim por muito tempo, o suficiente pra sentir minhas pernas doerem.

— Vamos mudar, vai te machucar assim.

Ele tirou devagar de dentro de mim e me colocou na outra ponta da banheira, ficando dessa vez por cima de mim.

Ele abriu minha perna e penetrou de novo, enquanto se apoiava na borda da banheira. Eu não conseguia evitar gemer a cada socada lenta e gostosa que ele dava, e ficamos assim, bem lentamente durante todo o tempo.

— Eu sou louco por você. — Que voz gostosa.

— Fala de novo...

Ele chega mais perto ainda e segura firme no meu rosto.

— Eu sou louco por você, Jimin!

Caralho...

Minha mão envolve os ombros dele enquanto minha cabeça vai para trás em completo transe de prazer.

Uma das mãos dele aperta minha coxa, e então,  pega no meu pênis e começa a me estimular. Só com ele colocando a mão eu já queria gozar, mas estava tão delicioso que segurei o máximo que pude.

Eu queria que isso nunca acabasse.

Eu gemia e ele me olhava obcecado, e isso me deixava mais excitado ainda. Do mesmo jeito que ele me socava lento, ele também me estimulava lentamente.

Minhas mãos cravam nas costas e na cintura dele enquanto marcam sua pele, quase uma súplica do meu corpo implorando pelo seu cada vez mais dentro de mim. A água estava quente e deixava nossos corpos pegando fogo, mesmo que estivessem debaixo da água.

— Jungkookie... ahhh... — Minha voz mal saía entre os gemidos.

— Que delícia, fala meu nome de novo, fala...

— Jungkook, eu... eu vou...

Cheguei em um ponto que não aguentei mais segurar, e ele percebeu só pela forma que meus gemidos se intensificaram e meu corpo contorceu.

Ele começou a socar forte, e sua mão também começou a me estimular rápido.

Cravei minhas unhas na pele dele mais ainda conforme eu sentia o orgasmo percorrer por cada parte do meu corpo.

Ele também gozou em seguida, enquanto me olhava gozar.

— Caralho... eu.. eu tô sem ar.

Ele deitou no meu peito enquanto seu corpo despencou em cima de mim. Ficamos ali na banheira entre carinhos enquanto ainda tentamos recuperar o ar.

— Eu queria te foder todo dia. — Suas palavras saem ofegantes.

— Então fode.

— Ahhhh, não fala assim, se não eu vou realmente fazer isso.

— É o que eu quero também.

— Ai ai Park Jimin, você me deixa louco.

Enrolamos ali na banheira por mais um tempo até nossos corpos recuperarem a força. Eu saí primeiro e ele ainda ficou lá. Coloquei um roupão do hotel e corri pra cama, ele se secou e veio logo em seguida.

Assim que ele se deitou, eu o abracei e ficamos assim enquanto ele fazia carinho em mim. Eu finalmente estava me sentindo completo.

— Você tem planos para o natal? — Perguntei.

— Hmmm, não costumo comemorar, então geralmente fico em casa bebendo.

Eu me sentei na cama no mesmo momento, indignado.

— Isso é inaceitável.

Peguei meu celular e comecei a mexer.

— O que você está fazendo?

— Espera... espera... aqui. — Apontei o celular na direção dele mostrando uma foto dos Alpes Suíços.

— Que lugar lindo, onde é isso?

— Suíça, nós vamos amanhã.

Ele arregalou os olhos.

— O que? Assim, do nada?

— Sim, eu passei o natal lá quando tinha uns 14 anos, e foi o melhor natal da minha vida, e agora quero viver isso com você.

Ele ri da minha animação.

— Eu vou pra onde você quiser. — Os olhos dele brilham enquanto ele me olha, e eu volto a abraçar em seguida.

— Obrigado, meu amorzinho. Já vou preparar minhas malas hoje.

— Mas, e seus pais?

— Eles vão passar o natal nos Estados Unidos, eu ia passar sozinho em casa.

Ele me abraçou mais forte ainda.

— Isso nunca mais vai acontecer.

— Eu fico aliviado de ouvir isso.

Eu arrumei meu corpo apoiado nele, me aconchegando ainda mais enquanto sentia o carinho das suas mãos. E pela primeira vez depois de uma semana, eu consigo dormir um pouco.

[...]

Eu acordei com a boca seca e uma sede absurda, olhei para ao lado e vi que o Jungkook ainda estava dormindo. Pela janela pude notar que o céu já estava escuro, então peguei meu celular para ver as horas.

Era 23:46h.

— Merda, nós dormimos demais... Jk... — Eu não queria, mas precisava acordar ele.

Ele abriu os olhos assim que chamei na primeira vez.

— Meu pai voltou hoje do Reino Unido, eu preciso ir embora. Se eu dormir fora, vai ser motivo pra escutar ele falando na minha cabeça.

— Vamos, eu te levo.

Colocamos nossas roupas rapidamente e fizemos o check-out no hotel. Ele foi dirigindo e eu fui quase dormindo no banco do passageiro. O caminho todo ele foi com a mão apoiada na minha perna fazendo carinho, o que me deixava mais sonolento ainda.

Assim que passamos pelo portão de casa, vi o carro do meu pai estacionado na entrada.

— Ele deve ter chegado agora, é minha oportunidade. Faz suas malas hoje e não esquece de levar roupas de frio, nós vamos embarcar amanhã cedo.

— Você estava falando sério?

— É claro.

Ele ri.

— Ok, meu amor.

Eu amo quando ele me chama assim.

— Vá embora com o meu carro. Até amanhã, eu amo você.

Os olhos dele brilharam assim que ouviu.

— Eu também te amo, Ji.

Não podíamos nos beijar ali, então só nos despedimos com um carinho nas mãos.

Eu desci e ele foi embora.

Assim que passei pela porta, vi meu pai próximo a entrada, falando no celular. Logo que ele me viu, colocou a mão na frente do celular pra falar comigo.

— Jimin, prepare sua mala, nós vamos para os Estados Unidos amanhã. — Ele falou e voltou as atenções para o celular.

— Eu vou para a Suíça.

O olhar dele se direcionou pra mim no mesmo momento em que ouviu.

— E vai com quem?

— Sozinho.

— Sem o guarda-costas, você não vai a lugar algum.

Era exatamente o que eu queria ouvir.

— Ok, farei ele ir junto. Vou subir para o meu quarto, boa noite, pai.

— Ok, boa noite, filho.

Subi as escadas e desabei na minha cama assim que cheguei.

Eu estava tão feliz que finalmente tinha ele de volta pra mim, e se depender de mim, assim será pra sempre.

Tenho que resolver minha situação com o Taemin logo, ele pode contar isso para os meus pais, e nem consigo imaginar a forma que eles reagiriam.

Certamente seria péssimo, ainda mais com meu pai.

Me acomodei na cama em meio aos meus pensamentos, e depois de poucos minutos, peguei no sono.

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[🎙️]

Oi meu amorrr,
Espero muito que esteja gostando da história.

Finalmente nossos pombinhos estão de volta 🫂

Não esqueçam de votar e comentar.

E até o próximo capítulo!

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