20 • desistir não é uma opção
[🪽]
JEON JUNGKOOK
Acordei e senti um peso horrível na minha cabeça, olhei para os lados e percebi que eu estava no meu quarto.
— Como eu vim parar aqui?
Sentei na cama, mas levei as mãos na cabeça logo em seguida, só o ato de me levantar fez minha dor piorar mais ainda. Além disso, eu sentia meu estômago completamente enjoado, o que estava me deixando com ânsia.
Levantei com dificuldade me encostando nos móveis até chegar ao banheiro, vomitando assim que me aproximei do vaso sanitário.
— Merda, o que aconteceu comigo? Cadê o Jimin? — Apoiei na pia do banheiro e me olhei no espelho, eu estava pálido. Meu olhar se direcionou para baixo e vi marcas de acesso de soro no meu braço.
Assim que vi aquilo, tentei sair rapido do quarto apoiando nas paredes, e fui na direção da sala. O Jin e o Tae estavam sentados no sofá.
— Você acordou, finalmente! — O Jin veio na minha direção e me ajudou a sentar.
— Jin... o q-que aconteceu? — Minhas palavras saíram com dificuldade. Ele e o Tae se olharam assim que eu perguntei.
— Você não se lembra de nada? — Ele volta a me olhar.
Minha cabeça parecia explodir de dor, mesmo assim tentei lembrar o máximo que pude... o que não adiantou muito.
— Eu só lembro de vocês dançando e eu bebendo... vocês estão me assustando, o que aconteceu? Onde está o Jimin?
Ele se abaixou apoiando os braços na perna enquanto respirava fundo.
— Você sumiu na festa, então o Jimin foi atrás de você, e bem... te encontrou em um dos quartos com uma mulher.
— Para com isso, fala sério. — Falei com uma risada um pouco nervosa.
Por alguns segundos eu achei que era uma brincadeira, até perceber que eles continuaram sérios.
— Jin, não brinca, isso é sério?
— Sim, infelizmente.
Eu já estava sentindo meu corpo todo em um estado péssimo, e ele me falar isso foi o suficiente pra tudo piorar.
— Jungkook? Jk, você tá passando mal? Tae, corre, pega um copo de água... — Eu ouvia a voz dele distante enquanto minha vista escurecia e meu coração acelerava, me deixando com falta de ar.
— Jk, respira fundo, você não está respirando cara.
Tentei puxar o ar que foi vindo de pouco em pouco com muita dificuldade.
— Jin, liga para o Jimin de novo. — O Taehyung fala um pouco mais alto. Ele não costuma falar nesse tom, então sei o quanto ele estava preocupado. Os dois estavam.
— Não dá, ele não atende.
Eu permanecia ouvindo a voz dos dois falando ao fundo enquanto eu estava na pior crise de ansiedade que já senti na vida.
— Isso não é possível... isso não é verdade. — Eu sentia meu coração doer. — Jin, como... como isso aconteceu? — Minhas palavras saíram com mais dificuldade que antes.
— Quando ele te achou, você estava apagado, eu tenho quase certeza que te doparam com as bebidas. Te levamos ao hospital de madrugada, então fizeram a coleta do seu sangue pra verificar o que realmente aconteceu. O resultado deve sair em breve, mas precisamos aguardar o contato do médico.
Coloquei as mãos na cabeça em desespero enquanto meu peito apertava ainda mais.
— Eu vou ligar pra ele.
— Você não vai conseguir, está desligado desde ontem.
Eu insisti por várias vezes, e realmente estava.
Tentei levantar, mas a única coisa que consegui foi cair para trás.
— Onde você pensa que vai? — O Tae fala enquanto me segura.
— Eu vou na casa dele.
— Desse jeito você não consegue ir nem à cozinha, senta aí agora. — O Jin responde. — Você precisa melhorar antes, e o principal, precisa do laudo do médico pra provar para o Jimin que armaram pra você.
— Que merda! — Meus olhos encheram de lágrimas. — Eu preciso fazer alguma coisa.
Eles se olham enquanto tentam pensar em uma forma de me ajudar.
— A mulher que estava no quarto com você, eu acho que era a mesma que estava com a Nayeon.
— Então foi ela! Ela deve ter descoberto sobre nosso namoro e feito isso pra me separar dele. Desgraçada.
— Você precisa falar primeiro com o Hoseok.
Peguei meu celular pra mandar uma mensagem para ele, até que notei o contato do Ji.
Estava sem foto.
— Porque isso tá acontecendo? — Abaixei a cabeça em desespero, o Tae pegou meu celular em seguida e olhou.
— Ele apagou seu contato, ou te bloqueou... Que merda, Jk.
Busquei forças da onde eu nem tinha e levantei, indo em direção a porta.
— Você não vai sair. — O Jin falou.
— Eu não vou perder ele! — Minha voz saiu quase como uma súplica.
Fechei a porta e saí.
Desci com dificuldade até a garagem e peguei minha moto. A casa dele não é longe, então consigo chegar rápido mesmo pilotando devagar. Já na mansão, os seguranças abriram o portão sem nem contestar ou proibir, ele não deve ter falado nada ainda.
Enquanto eu desligava a moto, aquele segurança enorme da casa apareceu.
— Boa tarde, o Jimin está?
— Se você que é o guarda-costas dele não sabe, como eu vou saber? Entra lá e confere.
Era isso que eu precisava.
— Ok, obrigado.
Subi e passei entre vários funcionários da casa, até chegar no quarto dele, que estava trancado.
— Ji? Jimin você está aí? Eu preciso falar com você.
Silêncio.
— Jimin, por favor, eu não fiz nada, nós precisamos conversar. — Bati outras diversas vezes na porta.
O silêncio continuou.
Apoiei minha cabeça na porta tentando pensar o que eu deveria fazer, até que uma das funcionárias se aproximou.
— Olá, você está procurando o menino Park?
— Ahh oi, estou sim, sou o guarda-costas dele.
— Ele pegou o carro e saiu bem cedinho, e não voltou ainda.
Eu não acredito nisso...
— Certo, obrigado.
Desci e voltei para a moto.
Mesmo sem saber se ele me bloqueou ou não, mandei mensagem para ele.
Esperei ele durante uma hora em frente a sua casa, e ele não voltou nesse tempo, muito menos respondeu minhas mensagens.
Eu não sabia nem se ele estava lendo.
Eu conheço ele, ele vai ficar fugindo até me fazer desistir, mas isso não vai acontecer. Eu preciso de outro plano pra te encontrar.
Peguei de novo meu celular e mandei mensagem para o Hoseok, ele é minha esperança pra conseguir encontrar o Jimin.
Alguns funcionários já estavam começando a me olhar, eu estava por muito tempo ali, e isso poderia piorar ainda mais a minha situação, então subi na moto e fui para casa.
Entrei no apartamento e desabei meu corpo no sofá, o Jin já tinha ido para a gravadora, mas o Tae estava lá e veio para a sala quando me ouviu chegar.
— Conseguiu achar ele?
— Não. — Levei as mãos no rosto. — Eu falei com o Hoseok, ele vai tentar me ajudar a me encontrar com ele sem ele saber.
O Tae sentou do meu lado e passou a mão nas minhas costas em forma de conforto.
— Sinto muito por isso, Jk.
Eu me livrei da dor que eu sentia de ser acusado de um crime, e agora tô quase perdendo ele.
— E se eu ligar no hospital?
— Eles pediram pra esperar o contato deles, você precisa relaxar. Ficar de cabeça cheia assim só vai te atrapalhar pra resolver isso. Você se livrou ontem de uma injustiça que cometeram com você, eu tenho certeza que você vai se livrar dessa também.
— Assim que eu resolver toda essa armação com ele, eu vou atrás de quem fez isso.
— Você acha que foi a irmã do Hoseok?
— Sim, mas, eu não consigo não pensar naquele Taemin como uma opção também.
— Taemin? Aquele idol que estava em serviço militar?
— Sim, eles são amigos, ele voltou a pouco tempo. Mas desde o primeiro momento que vi ele, senti seu olhar completamente diferente para o Jimin.
— Ou pode ser só coisa da sua cabeça.
— Minha intuição não erra, nunca errou.
— Vou fuçar na internet pra ver o que descubro sobre ele.
Ele realmente poderia descobrir qualquer coisa, e qualquer informação é uma oportunidade.
— Obrigado Tae...
Eu também poderia falar com o Mingyu, mas eu já pedi favores demais a ele ultimamente, melhor não fazer isso por enquanto.
— Por nada. Vou fazer algo pra gente comer.
— Eu não tô com fome.
— Você está sim, ainda mais depois de tudo isso que aconteceu, fica aí e fica quieto.
Não vou me atrever a contrariar ele.
Joguei a cabeça pra trás no sofá enquanto me perdia em pensamentos.
— Sempre que eu tô pronto pra sair do poço, algo me puxa de volta pra dentro dele. Em um mesmo dia eu me livrei da minha acusação, mas também, perdi ele... mas eu não vou desistir.
Meu celular tocou, era um número desconhecido. Será o Jimin?
— Alô? — Atendi o mais rápido que pude.
— Boa tarde. — Era uma voz feminina, e essa voz é familiar... — Não sei seu nome, mas insisti para que o Jaechan me passasse ao menos seu contato. Me chamo Park Hyejin, sou produtora musical.
Era a mãe do Jimin...
— Ahh, o-oi, boa tarde.
— Vou ser direta, ouvi seu backing vocal em uma música e me surpreendi, gostaria de conhecer mais sobre sua carreira. Podemos marcar uma reunião?
O Jaechan não deveria ter feito isso, que merda.
— Hmmm, eu... hmm, posso pensar sobre isso? Sou um pouco tímido. — Que desculpa de merda que eu dei.
— Ok, mas antes disso, você compõe?
— Sim...
— Se aceitar, quero que componha uma música, no ritmo que quiser, e grave uma demo dela na minha gravadora. Mas lembre-se, não tenho todo o tempo do mundo.
— Ok, obrigado Sra. Park.
Ela desligou, e não perguntou meu nome, que alívio.
— Park? Eu ouvi bem? — A voz do Tae ecoou da cozinha.
Me aproximei dele e encostei no balcão.
— Eu fiz o backing vocal de uma música dele, que vai lançar no próximo disco.
— Uau, isso é sério?
Concordei com a cabeça.
— O Jin já tentou te levar nas audições várias vezes e nunca conseguiu, e você cedeu pra ele e até gravaram uma música?
— Pois é... era pra ser um segredo, mas a mãe dele acabou de me ligar me pedindo pra gravar uma demo.
— Teremos Jungkook idol?
— Não.
— Para com isso, Jk.
— Isso nem está em cogitação, pode parar.
Ele para de mexer a panela e olha pra mim quase me matando só com o olhar.
— E porque não?
— Porque não.
— Mas grava pelo menos essa demo, pode ser sua chance de se reaproximar do Jimin.
Ele está certo, realmente é uma chance.
— Eu vou pensar sobre isso.
Nós conversamos enquanto ele finaliza a carne de porco que ele estava fazendo. Eu não estava com apetite, mas o cheiro imediatamente me deixou com fome.
Sentamos à mesa e começamos a comer, e estava tão gostoso, eu realmente precisava me alimentar.
Quando estávamos quase acabando, meu celular apitou varias notificações, eu levantei e corri no sofá pra pegar ele no mesmo momento.
— Tae, depois eu termino de comer. — Eu não estava nem raciocinando direito de tanto ódio. Peguei a chave da minha moto e corri pra garagem, saindo logo em seguida.
Eu preciso ir para a Town.
Pilotei rápido enquanto costurava o trânsito intenso que estava no centro de Seoul, e cheguei em pouco tempo lá. Não tive dificuldade pra entrar, então parei próximo ao elevador da garagem e fiquei ali esperando. O prédio é enorme, minhas chances de encontrar ele aqui são bem maiores.
Fiquei ali por 2 horas, outras pessoas saíram do elevador, e eu permaneci atento a cada vez que a porta do elevador se abria.
Até que, após mais alguns minutos, a porta abriu. Era ele, acompanhado de outro cara que imagino ser um idol também.
Ele me olhou com um sorriso sínico, e veio na minha direção.
— Jungkook... está esperando o Park? Ele não veio hoje.
— Não vim pra falar com ele. — Cruzei os braços enquanto continuava apoiado na moto.
Ele virou na direção do outro idol.
— Me espera lá no carro, eu já vou. — Seu olhar voltou para mim em seguida.
— Veio pra falar com quem? Comigo?
— O que você mandou colocarem na minha bebida?
— Como assim? — A cara fingida do desgraçado estava me deixando com mais raiva ainda.
Até então eu ainda estava encostado na moto, eu levantei e me aproximei dele.
— Você sabe do que estou falando, seu filho da puta.
O olhar bondoso dele mudou no mesmo momento, cerrando os olhos e me enfrentando.
— Você está louco?
— Sim, e vou te quebrar em dois se você não confessar que armou pra mim.
Ele coloca as mãos na cintura e começa a rir.
— E quem vai acreditar em você? O Jimin? Se enxerga, ele só está se divertindo com você.
Então foi ele, e ele sabe de nós...
— Quem você acha que é pra dar a porra da sua opinião de merda? — Cheguei mais perto ainda enquanto enfrentava ele.
— Sou amigo dele, e sei o que é melhor pra ele.
— Pra ele você não passa da porra de um amigo mesmo, e nunca vai passar disso, mas pra você eu sei que não, afinal você nem esconde que quer ele.
— E se realmente for isso? O que você tem a ver? Não percebe o enorme abismo social entre vocês? Até quando você achou que ia durar essa brincadeirinha de segurança e idol se pegando pelos cantos?
Dei risada no mesmo momento que ouvi a resposta dele.
— E em qual momento você achou que teria alguma chance com ele? Me dopar pra me afastar dele só mostrou o quão imundo você é, e ele jamais iria querer alguém como você.
— Jungkook, não tenho culpa que você ficou bêbado e saiu pegando qualquer uma, afinal, você é só um hétero sem noção brincando de namorinho gay.
Eu queria arrebentar a cara dele agora, mas isso só me colocaria em problemas.
— Ele vai saber que foi você quem armou isso, seu desgraçado.
— Eu? Hahaha, se você é a porra de um alcoólatra que sai bebendo tudo que te oferecem, o problema é seu, não tenho culpa que você caiu feito um patinho.
Ele me olha enquanto ri, dá as costas e sai andando, entrando em um carro e partindo em seguida.
— Isso era tudo que eu precisava. — Apertei meu relógio e parei a gravação.
Agora eu precisava arrumar um jeito de mostrar isso para o Jimin, e na melhor hora, vou quebrar esse cara.
Subi na moto e fiquei pensando antes de sair.
— Como ele descobriu sobre nós?
E se ele falar isso para os pais do Jimin? Isso poderia nos separar de vez, eu preciso ser mais rápido que ele, até porque eu sei que ele também vai querer envenenar o Ji.
Liguei a moto e fui pra casa, ainda perdido nos meus pensamentos.
— Eu sabia! Minha intuição não erra, eu sabia que esse filho da puta estava afim do Jimin.
[...]
Assim que cheguei em casa, liguei para o Hoseok, que atendeu rapidamente.
— Hoseok, foi o Taemin, aquele maldito confessou, e eu gravei.
— Que loucura, eu não imaginava isso... o Jimin me ligou pra me convidar pra um fanmeeting dele que vai ter daqui uns dias, é sua oportunidade de falar com ele. Vou te passar o endereço assim que eu souber onde vai ser.
— Obrigado por toda sua ajuda Hoseok.
— Por nada, preciso desligar pra voltar para as gravações, até depois.
Nós desligamos.
Pela primeira vez no meu dia, eu tô conseguindo respirar um pouco mais aliviado. Eu vou te provar que eu não fiz nada e vou ter você de volta.
Deixei meu celular de lado e fui tomar banho, o Tae estava em live, então tentei não fazer muito barulho.
Voltei para a sala e fiquei na varanda vendo a lua nascer através do horizonte. Peguei meu celular e liguei para a mãe do Ji.
— Oi boa noite, Sra. Park, eu topo.
— Que notícia maravilhosa, componha a música e me avise quando estiver pronta.
— Ok, obrigado.
Voltei para a sala e joguei meu corpo no sofá.
— Eu sinto que vou me arrepender disso, mas agora é tarde.
Peguei meu notebook e tentei escrever algo, mas minha única inspiração eu não tinha comigo... Eu estava sentindo tanta falta dele que nem conseguia raciocinar.
Então, mesmo que fosse cedo, eu deitei e fui dormir.
[...]
Se passaram 2, 4, 7 dias, e eu ainda não tinha me encontrado com o Ji, isso estava me consumindo lentamente conforme os dias iam passando.
Conforme os dias eu fui escrevendo vários trechos da música, e hoje estava focado em terminar. Peguei meu notebook e continuei escrevendo. Na vibe que eu tô não consegui criar nada diferente, apenas uma música triste.
Após todos esses dias, eu já estava começando a me perguntar se eu realmente era a pessoa certa pra ele. Eu não quero desistir, mas, nós realmente somos muito diferentes. Ele nunca precisou esconder nada dos pais, e agora, por culpa minha, ele precisava esconder um namoro e mentir em várias situações.
Apoiei as costas no sofá enquanto coloquei o notebook do meu lado.
— Eu preferia te odiar Park Jimin, doeria menos.
Respiro fundo olhando para o alto.
— Bom dia Jk. — O Jin passa pela sala indo em direção a cozinha.
— Bom dia Jin.
— Alguma novidade?
— O laudo do meu exame de sangue sai hoje, eu vou poder finalmente saber o que colocaram na minha bebida e provar para o Ji junto da gravação.
— Que loucura o Taemin ter feito isso, eu realmente não imaginava que ele fosse assim.
— Pois é, nem o Jimin imagina... Hoje preciso ir na Town gravar a demo que a mãe dele pediu, espero não encontrar esse desgraçado desse Taemin por lá.
— Mas se a mãe dele te ver, ela vai reconhecer.
— Ela não estará lá hoje. Já conversei com o produtor que me ajudou a gravar o backing vocal, vou gravar com ele de novo.
Ele senta do meu lado.
— Tô orgulhoso que você decidiu fazer isso.
— Eu nem sei porque topei pra ser sincero, espero que não tenha sido uma má ideia.
— Não vai, eu tenho certeza. Posso ver sua música?
Virei o notebook na direção dele, que leu atentamente cada trecho.
— Essa é a primeira vez que te vejo compor algo triste, e imagino qual foi sua inspiração.
Ele me devolveu o notebook de volta e meu olhar se direcionou a tela novamente, passando meus olhos rapidamente por alguns trechos.
— Jin, você acha que eu deveria desistir dele?
Ele estava comendo Doritos, e engasgou assim que ouviu.
— O que? Porque você tá falando isso?
— Não sei... nós somos muito diferentes, em tudo. E se eu estiver atrapalhando a vida dele?
— Eu não acredito que tô ouvindo isso, esse não é o Jungkook que eu conheço. Tá estampado na cara de vocês dois o quanto vocês se gostam, e depois de tudo que você fez todos esses dias pra ter ele de volta, quer simplesmente desistir?
— Eu não quero, mas...
— Não tem essa de "mas", você tá parecendo um covarde, para com isso, Jk.
Ele está certo, porque eu tô cogitando ficar sem ele? Não é possível que meu cérebro considerou as merdas que aquele desgraçado do Taemin falou pra mim.
Meu celular tocou, era uma das funcionárias do hospital me avisando que eu já poderia buscar o resultado do exame. Pulei do sofá assim que ouvi.
— Jin, resultado do meu exame está pronto, vou lá buscar.
— É isso que eu quero ver, e não você com esse papo de desistir.
— Eu não vou. Obrigado Jin. — Desci e pilotei rápido até o hospital.
[...]
Assim que cheguei lá, uma das enfermeiras me levou até a sala de um médico.
— Jeon Jungkook, o resultado do seu exame foi positivo para a substância Alprazolam, popularmente conhecido como "boa noite, cinderela". Não preciso te receitar nenhum medicamento pois após esses dias, a substância já saiu da sua corrente sanguínea.
Bingo! Era o que eu precisava!
— Você suspeita de alguém?
— Sim.
— Um conselho? Leve esse laudo em uma delegacia e faça a denuncia, quem fez isso não pode sair impune.
— Farei isso, obrigado doutor.
Saí com o laudo na mão e cheio de esperanças de ter ele de volta. Não vejo ele há uma semana, fico o dia todo me perguntando como ele está.
Eu só sei pensar nele durante todos esses dias.
Sinto tanto a sua falta...
Montei na moto, mas antes de sair, senti meu celular vibrar no meu bolso.
— Alô?
— Jungkook? É o Jaechan, consegue vir agora na Town gravar a demo da sua música? A Sra. Park não está presente, é sua oportunidade.
— Estou indo.
Desliguei e respirei fundo tentando criar coragem pra fazer isso, mas só conseguia pensar em voltar atrás. Mas, levei uma semana pra escrever a música, não posso desistir agora.
Liguei a moto e pilotei para a Town.
[...]
Assim que cheguei, coloquei uma touca, uma máscara e subi. Pela primeira vez eu estava torcendo pra não encontrar o Jimin aqui.
Bati na porta do estúdio, e o Jaechan abriu rapidamente, fiquei aliviado em ver que novamente só havia ele na sala.
— Boa tarde Jungkook, tô animado pra ver sua música.
— Você acha que eu realmente devo fazer isso? Tô um pouco inseguro.
— Óbvio que sim, e tenho certeza que você não vai se arrepender. Se posicione ali no estúdio, quero que você cante primeiro à capella, depois farei as correções, e por último, criaremos a melodia.
— Ok. — Eu estava nervoso, e dava pra notar isso só pela minha expressão corporal.
Parei em frente ao microfone, coloquei o fone e esperei as instruções dele.
— Vamos lá, Jungkook, pode começar.
Respirei fundo e comecei a cantar lentamente. A música trata do que tenho sentido durante todos esses dias sem você. Tentei expressar em palavras todos esses sentimentos. Eu não quero te perder, mas por muitas vezes sinto que talvez essa seja uma opção a ser considerada.
Tento te transformar no vilão que você nunca foi, talvez assim doa menos...
Enquanto minhas palavras saem de forma calma, minha cabeça pensa como se fosse uma multidão, onde todos falam e gritam ao mesmo tempo.
Minha cabeça está uma bagunça sem você.
Assim que terminei, eu sentia lágrimas empoçadas nos meus olhos, e tentei secar disfarçadamente antes que o Jaechan abrisse a porta do estúdio.
— Jungkook, eu... eu tô sem palavras.
— Ficou muito ruim? Eu posso tentar mudar alguns trechos, pra ficar mais harmonioso, ou talvez...
— Não, você não me entendeu, eu tô sem palavras porque isso ficou perfeito. Não tenho nenhuma correção a fazer... E de novo você me surpreendeu, garoto, parabéns.
Eu realmente não esperava isso.
— O-obrigado...
— Vou mandar para a equipe criar a melodia, com uma música assim, já sei que um piano ficará perfeito. Até amanhã à tarde eu te envio a música com a melodia, mas saiba que assim que a Sra. Park ouvir, ela vai querer te ver, então se prepare.
— Ok, obrigado Jaechan.
Coloquei novamente a máscara e saí, mesmo que estivesse no 8° andar, preferi descer de escada pra não encontrar ninguém que me conheça.
Eu realmente estava com vergonha de dar continuidade em toda essa história de música, mas agora já era tarde demais.
Antes de montar na moto, olhei na direção da vaga onde o Ji costuma estacionar o carro dele, e estava vazia. Eu queria ir na casa dele, mas ele não me receberia, muito menos me daria ouvidos. Eu preciso esperar o fanmeeting dele, mesmo que eu esteja morrendo aos poucos de tanta ansiedade.
Subi na moto e fui para casa.
Assim que passei pela porta, notei um cheiro bom rodeando todo o apartamento, e não poderia ser diferente, o Taehyung estava na cozinha.
— Tô fazendo tteokbokki, você quer?
Até isso me lembrou o Ji...
— Quero, sem pimenta, por favor. — Respondi enquanto me sentava no sofá.
— Sem pimenta? Mas você adora pimenta...
— Hoje quero diferente, coloca bastante queijo também...
— É pra já Jeon.
Enquanto eu esperava sentado na sala, o Jin também chegou.
— E aí meus garotos, o mais lindo desse apartamento chegou, se curvem.
— Vai a merda Seokjin. — O Tae riu enquanto ofendia ele.
— Fica quieto que você é gamer, não tem direito de opinar na vida real, nerd.
Os dois ficaram trocando provocações enquanto eu mexia no celular. Abri minha conversa com o Jimin e minhas mensagens continuavam da mesma forma, sem respostas.
Que merda, eu não consigo pensar em outra coisa que não seja ele.
Eu preciso te ter de volta.
O Tae terminou o tteokbokki e nos sentamos na mesa pra comer.
— Ele ama tteokbokki assim, até consigo visualizar ele todo animado enquanto puxa o queijo pra comer... — Me perco em pensamentos sobre ele.
— Jk, acorda. — A voz do Jin me desperta.
— Desculpe, gente.
— Nem é difícil de saber em quem você estava pensando. — Ele brinca. — Desde o dia em que isso aconteceu entre vocês, ele não apareceu mais na Town. Ele tem sorte que o pai está viajando, se não ele não estaria fazendo isso.
Ele estava a uma semana sem trabalhar, isso é péssimo... e é culpa minha.
— Você sabe quando será o fanmeeting dele?
— Hmmm, não sei, tem chances de nem ter.
De repente, parecia que o Hoseok estava pressentindo que estávamos nesse assunto, no mesmo momento ele me ligou.
— Oi Hoseok, boa tarde.
— Jk, preciso falar rápido, o fanmeeting dele será amanhã, às 14:00, vou te passar o endereço, tchau. — Ele desliga.
Que notícia maravilhosa.
— Era o Hoseok? — O Tae pergunta.
— Sim, o fanmeeting do Ji será amanhã, é minha chance de provar de uma vez por todas que o Taemin armou pra me separar dele.
— Mas, e se o Taemin contar sobre vocês para os pais dele?
— Eu mato ele.
— Eu não duvido disso. — Ele ri.
Eu sentia o peso de uma rocha enorme sair das minhas costas. Eu finalmente teria meu loirinho de volta.
Isso se ele ainda me quiser...
Eu olhava para o meu celular enquanto via nossa foto no meu instagram. Durante todo esse tempo, eu ainda estava usando nossa aliança, mas eu tinha certeza que ele não estava mais.
— Jin, me empresta seu carro?
— Claro, não batendo, pode usar. — Ele ri.
— Tem mais chances de você bater do que eu.
Terminamos de comer, ajudei a organizar a cozinha e a copa, e então desci pra garagem.
Peguei o carro dele e comecei a dirigir, eu sequer tinha onde ir, só queria dirigir pra passar o tempo. Quando o Ji gravou Letter, ele me enviou a música gravada, mesmo antes do disco dele ser lançado.
Conectei meu celular no aparelho de som do carro e coloquei ela pra tocar enquanto dirigia sem rumo.
A voz dele é a coisa mais linda que já pude ouvir na minha vida, e essa letra prova o quanto deveríamos estar juntos. Eu espero que ele não desista de lançar ela depois de tudo o que aconteceu.
Eu começo a cantar baixinho acompanhando sua voz.
"Amor, não vá embora,
apenas fique ao meu lado,
Eu só quero poder fazer tanto quanto
você fez por mim.
Eu mantenho as promessas que fiz,
Pra você, que me enxergou grande
enquanto eu era pequeno.
Não se preocupe, apenas fique ao meu lado,
Porque não sabemos os dias que nos esperam,
Sei que é assustador e dá um pouco de medo,
Mas nunca se esqueça que
estamos juntos nessa... 🎶"
⠀⠀⠀⠀⠀
— Nós estamos juntos nessa, e eu não posso desistir. Desistir não pode ser uma opção.
Depois de andar em Seoul inteira, na volta pra casa passei em um Starbucks e peguei alguns cafés pra levar embora.
O Tae e o Jin estavam na sala jogando videogame, entreguei o café deles e fui para o meu quarto.
Sentei na beira da minha janela e ali fiquei observando a vista. Até o meu capuccino eu escolhi de morango pra lembrar você.
— Eu espero que eu esteja fazendo a coisa certa em ir atrás de você. Meu coração aperta só de pensar que talvez você realmente não queira mais nada comigo.
Terminei meu capuccino enquanto olhava algumas fotos suas que tirei distraído.
Deitei na cama e continuei ali te admirando, até pegar no sono.
⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀
[🪽]
Olá meu amour 🫂
Espero que esteja gostando da história,
Crio com muito carinho, e nada me deixa mais feliz do que seu comentário ❤️🩹
Comentem sempre, eu amo! 😩
Até o próximo capítulo!
✨
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