17 • olhos que transmitem amor

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PARK JIMIN

Acordei com o som de uma notificação no meu celular. Ainda sonolento e com os olhos entreabertos, minha mão percorreu pela cama procurando o Jk, e ele não estava. Sentei rápido na cama assim que percebi.

Olhei de um lado para o outro como se o procurasse em qualquer canto. Em seguida, peguei o celular pois imaginei que a mensagem que chegou era dele.

Era o Namjoon.

Fiquei aliviado com a resposta do Nam, mas, eu preciso alinhar essas mentiras com o Hobi antes de usar ele. Aconteceu com ele, mas poderia ser facilmente com meus pais, e o Hobi é péssimo pra mentir quando é pego de surpresa.

Liguei no celular do Jk e ouvi o aparelho tocando na mesinha ao lado da cama, ele saiu e não levou junto.

Levantei e fui entre passos silenciosos até a porta do quarto e encostei a orelha nela, e aparentemente não havia ninguém. Coloquei minha roupa e saí.

Eu estava morrendo de sede. Fui na direção da cozinha, abri a geladeira e peguei um jarro de água.

— Bom dia Jimin.

Olhei para trás assustado, quase derrubando o jarro em um pulo que meu corpo deu, era o Taehyung com uma sacola de mercado cheia de lacres de delivery.

— O-oi bom dia Tae... você viu o Jungkook?

— Ele foi correr. Senta aí, vou fazer algo pra gente comer. — Ele aponta para a cadeira e volta para a cozinha.

— O-obrigado.

Que droga, eu estava me sentindo tão tímido que minhas palavras saiam como a de uma criança que ainda estava aprendendo a falar.

Será que ele ouviu o que aconteceu ontem? Só de pensar nisso, sinto meu estômago embrulhar de vergonha. Eu não conseguia sequer puxar algum assunto com ele.

— Você gosta de kimbap (arroz cozido, legumes, peixe e carne enrolados em algas)? — Ele vira pra trás enquanto pergunta.

— Uhum, gosto.

— Ok, então se prepare para o melhor kimbap da sua vida.

Ele volta o olhar para frente, na direção do fogão.

Nesse momento, escuto barulhos de chave, e logo após a porta do apartamento abre; era o Jungkook.

— Bom dia meu loirinho. — Ele vem na minha direção, se abaixa e me dá um selinho, que eu retribuo mais tímido do que eu já estava. Ainda não estou acostumado a demonstrar para as pessoas, mesmo que o Taehyung já saiba.

Ele senta do meu lado.

— Taehyung, que cheiro bom, eu já te disse que você é meu chefe favorito?

— Todos os dias você fala isso. Para de puxar saco e vá pegar os pratos.

— Tenha modos com seu hyung, moleque. — Ele levanta e prepara tudo na mesa. Assim que sentou novamente, eu virei o celular na direção dele, mostrando a mensagem do Nam.

— Que droga... quer que eu te leve agora?

— Vou comer primeiro, estou com fome. — Não vou perder esse kimbap por nada.

Em pouco tempo o Tae termina e senta junto conosco. Nós comemos enquanto conversamos, o que me deixa menos tenso e mais à vontade.

— Eu não vejo o Jin desde ontem à tarde, onde ele está? — O Jk perguntou olhando para o Taehyung.

— Ele foi para Busan, eles terão um fanmeeting e depois, uma sessão de fotos. Acho que é para a nova música.

Meu celular apitou outra notificação enquanto eles conversavam, mas dessa vez era a minha mãe perguntando onde eu estava.

Não respondi ela, mas levantei na cadeira no mesmo momento.

— Tae, obrigado pelo kimbap, estava uma delicia, mas eu preciso ir.

— Eu te levo, minha moto está na sua casa, pra variar...

[...]

Passamos pela entrada de casa, me despedi dele com um carinho sutil nas mãos e abri a porta para descer do carro. Nesse momento, minha mãe apareceu na entrada.

— Quero vocês dois aqui. — Ela solta a bomba e volta pra dentro.

Um filme de possibilidades passou na minha cabeça. Será que ela descobriu que o backing vocal de Letter é dele? Será que ela descobriu sobre nós? Sobre eu ter dormido lá? Não é possível que o Nam contou para ela... Será que querem brigar com ele? Com a gente?

Isso já deu início a uma crise de ansiedade em mim, minha respiração quase não saía. Ele desceu do carro e veio na minha direção.

— Ei, respira, vamos lá, vai dar tudo certo. Tira a aliança do dedo.

Céus... ainda bem que ele me lembrou.

Tirei e coloquei no meu bolso, respirei fundo e entramos.

Meu pai estava andando pra lá e pra cá na sala falando no celular, e minha mãe sentada no sofá mandando ele parar. Isso me deu a pior das impressões possíveis.

Eles descobriram tudo... É isso, eu tenho certeza.

Eu sentei no sofá, e o Jk ficou em pé atrás de mim.

Meu pai desliga a chamada e senta no sofá em seguida.

— Jimin, precisamos que você vá para o Japão. Você vai renovar seu contrato com a Elle Magazine e fazer algumas fotos para a revista do próximo mês. — Meu pai senta enquanto fala comigo.

Eu joguei meu corpo para trás em completo alívio, eu estava sofrendo à toa.

— E quando seria isso?

— Hoje.

— O quê? Mas eu tenho compromisso. — Eu não tinha nenhum compromisso.

— Desmarque.

— Ok. — Abaixei a cabeça, concordando, afinal, a expressão dele estava péssima.

— Jungkook, tudo bem para você ir junto? Se não puder, colocarei outro guarda-costas com ele nesse período. Vocês precisarão ficar por três dias lá.

— Por mim, tudo bem, Sr. Park.

A resposta rápida dele me deixou aliviado; eu não ia querer ir sem ele.

— Ok, vocês embarcarão em um avião comercial hoje à tarde. Vou pedir para prepararem as passagens. Já deixem as bagagens prontas; eu não quero atrasos.

— Vocês vão também? — Perguntei direcionando meu olhar para eles, torcendo para que digam não.

— Não, vou viajar para o Reino Unido amanhã, e sua mãe ficará cuidando da Town. Estamos com vários lançamentos ultimamente e não dá para nós dois nos ausentarmos.

Que alívio.

Ele sempre viajou muito, e quando eu era jovem, isso me machucava bastante. Já hoje, me acostumei tanto com sua ausência que é estranho quando ele fica muito tempo em casa.


Mesmo sendo tão ocupado, ele sempre se preocupou comigo e com minha mãe, nos proporcionando tudo do melhor na nossa vida, disso eu não tenho o que reclamar.

A voz da minha mãe me trouxe de volta dos meus pensamentos.

— Jimin, se comporte lá, essa é uma das suas maiores parcerias, e qualquer escândalo tipo o último, acabaria com o contrato. E se isso acontecer, quem vai acabar com você sou eu.

— Ok mãe.

— Agora vá para a Town, eu vou em seguida, você vai participar de uma música do Taemin.
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Apresentação de Personagem

LEE TAEMIN (이태민)
26 anos ; idol e dançarino.

Taemin, como é mais conhecido, é um dos idols que estão há mais tempo com a Town, debutando aos 16 anos e permanecendo até hoje. Ele voltou há pouco tempo do serviço militar e está retomando sua carreira, que mesmo em hiatus por 2 anos, continuou fazendo sucesso. Lee se tornou amigo de Jimin e o ajudou com o início da carreira.

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— Espera aí, ele voltou do exército? — Não consegui conter minha animação; ele foi quem mais me ajudou a conseguir debutar, e não o vejo há mais de dois anos.

— Sim, e já está retomando a carreira. Os números dele estão surpreendentes mesmo após esses anos. Precisamos aproveitar para lançar um disco novo, e ter você em uma música dele ajudará ambos.

— Isso é ótimo. Eu vou indo então. — Levantei depressa, me despedindo dos meus pais.

— Com licença, Sr. e Sra. Park. — O Jk se curva e sai em seguida.

Entramos no carro, e notei que ele estava quieto demais.

— Ei, tá tudo bem?

— Sim, por que está perguntando isso? — Ele franziu a testa com uma expressão confusa.

Mesmo que a resposta dele não tenha saído em nenhum tom grosseiro ou sarcástico, algo me dizia que não estava normal.

— Nada não, vamos.

Ele liga o carro e dirige para a Town, no caminho conversamos sobre a viagem, mas ele ainda não me parecia bem.

Será que ele não quer ir para o Japão comigo? Eu preciso perguntar, não posso obrigar ele a ir.

Ele estaciona o carro no subsolo e nós subimos de elevador até o andar onde ficam as salas de ensaios. Ele continua em silêncio durante todo o percurso, só respondendo quando eu falo com ele.

Ainda nos corredores, encontrei uma das funcionárias que me pediu para ir à sala 4.

Assim que cheguei na porta, eu ia me despedir do Jk, mas nesse momento, um grito ecoou de dentro da sala.

EU NÃO ACREDITO NISSO! — O Taemin grita de dentro da sala.

— Soube que alguém voltou do exército... — Faço um gesto de continência.

Ele corre na minha direção e pula em cima de mim, me abraçando.

— Puta que pariu, o que você fez pra mudar tanto nesses dois anos? Você tá bonitão demais, moleque. — Ele bagunça todo o meu cabelo.

Nós caímos na risada.

— Você também mudou, tá enorme. Tava fazendo o que no exército? Carregando os tanques nas costas?

— Para com isso haha — Ele ri. — Se prepare que daqui um tempo será você. — Ele passa o braço pelo meu ombro enquanto me aperta.

— Nem me lembre disso, às vezes esqueço que também vou precisar ficar dois anos lá, uma hora ou outra. Quero servir quando eu estiver perto dos meus 30, você foi corajoso em fazer antes do limite.

— Eu teria que fazer de qualquer forma, então melhor acabar com isso de vez. Agora estou finalmente livre.

— Tô com inveja de você.

Ele bagunça meu cabelo de novo.

— E eu tô feliz de te ver e saber que vamos gravar uma música. Meu hoobae favorito e seu hyung, juntos novamente.

— Só faltou o Yoongi pra ficar perfeito.

— Boa ideia, vou falar com a sua mãe. Vem, vamos ensaiar. — Ele me chama e vai andando para dentro da sala.

— Já tô indo. — Falei com o rosto sorridente, até que virei para o Jk, sua cara que já estava fechada, agora estava pior ainda, péssima pra ser mais exato.

— Você não vai falar o q... — Ele nem me deixou terminar de falar.

— Vou te esperar lá fora. — Ele me deu as costas e saiu andando.

— Espera aí.

Ele realmente saiu, e nem esperou eu responder.

— Mas que porra foi isso? — Eu tenho que disfarçar, mas caralho, eu não consigo. Porque ele agiu assim?

Fui para o meio da sala e começamos a ensaiar com os dançarinos, a música dele já estava pronta, então eu só precisava aprender a cantar e a coreografia.

Eu errei vários passos durante o ensaio, tudo porque eu não conseguia parar de pensar nele.

[...]

Passou uma hora, tempo suficiente para aprender todos os passos, mesmo com meus erros. Agora, só precisamos continuar ensaiando para ficar perfeito e natural.

Taemin pega uma garrafa de água e senta no chão para descansar; eu me sento ao lado dele.

— Você está tão famoso que até tem um guarda-costas agora. Gostei de ver Park.

— Meu pai cansou de me ver metido em encrenca.

Ele ri.

— Se quiser, faço você se livrar dele rapidinho.

— Cala a boca. — Dou risada. — Não precisa disso, nós nos damos bem.

— Sério? Não foi isso que eu percebi. — Ele dá de ombros.

— Nós só nos desentendemos, mas logo você vai conhecer ele de verdade.

— Um idol brigando com seu guarda-costas? Vocês são mais do que isso, certo?

Isso me colocou em um nível de tensão absurda.

— D-do que você está falando?

— Vocês já são amigos, para brigarem assim, vocês não são apenas funcionário e patrão.

— Ahhh, sim, sim. — Respirei um pouco aliviado. —Isso, somos amigos.

— Bem, o que acha de sair hoje à noite? Soube que vai ter uma festa naquela boate que eu te levei uma vez. Mas sem seu guarda-costas.

— Hmm, infelizmente não vai dar, vou para o Japão hoje à tarde.

Ele joga o corpo no chão após minha resposta.

— Eu acabei de voltar, é sério que você já vai viajar?

— Nem me fale... mas volto em três dias. Se eu tiver com ânimo, talvez eu pense na sua proposta de sair. Mas sem o Jungkook, sem chance.

— Então o bonitão de cara fechada tem nome? Bem, que seja, vá com ele então. E lembre-se, eu vou cobrar isso, Park Jimin, assim que você voltar, eu te cobrarei. — Ele me dá um soquinho no braço.

— Eu falei "talvez".

— Você vai sim. — Ele termina de falar e direciona seu olhar para o meu tórax. — E essa aliança? Você está namorando? — Ele aperta os olhos com desconfiança pra mim.

Eu tinha colocado a aliança em um colar que estava usando.

— Ahh, isso? — Peguei o anel enquanto segurei forte com o punho fechado. — Não é uma aliança, é apenas um anel normal. — Melhor eu não contar nada ainda..

— Hmmm... bem, espero que não esteja namorando mesmo, você é muito bonito e novo demais pra isso, fora que seria péssimo pra sua carreira.

— É, verdade... — Dei uma risada completamente sem jeito.

Mesmo com a conversa, eu ainda estava preocupado com o Jk.

— Min, já volto, preciso falar com um produtor.

Levantei e fui até a varanda que ele costumava ficar, mas ele não estava lá. Eu encostei no parapeito para digitar uma mensagem para ele, até que meu olhar se direcionou para a rua.

Ele estava lá embaixo, fumando cigarro.

— Só pode ser brincadeira. — Isso me irritou profundamente.

Entrei rápido no elevador, desci o prédio e fui até ele.

— Porque você está fumando?

Ele estava de costas e se vira quando ouve minha voz chegando próxima a ele.

— Porque eu sempre fumei. — Ele joga fora após a resposta.

— Não, não comigo.

— Eu não estava com você, foi você quem acabou de vir atrás de mim.

Não é possível isso.

— Qual é seu problema Jungkook? Você está agindo assim desde a minha casa.

— Nós estamos na rua.

FODA-SE! — Meu tom aumenta mais ainda.

Ele olha de um lado para o outro e vê que não há ninguém por perto, então pega no meu braço e me puxa até a garagem no subsolo.

— Me solta. — Puxei meu braço de volta o caminho todo, mas era óbvio que eu não ia conseguir me soltar dele. E ele só me soltou quando chegou perto do meu carro.

Ele não diz nada, fica apenas me olhando enquanto eu continuava a falar.

— Se está sendo um problema pra você me acompanhar nas viagens, porque não recusou? — Eu falava enquanto gesticulava com as mãos.

— Que? Do quê você tá falando?

— Do Japão. Você não quer ir e isso tá estampado na sua cara.

— Não acredito... — Ele sussurra para falar enquanto respira fundo. — Em algum momento eu falei isso?

— Não, mas...

— Então não coloque palavras na minha boca. Melhor você voltar antes que seu amiguinho venha atrás de você. — Ele destravou o carro e abriu a porta pra entrar, mas eu coloquei a mão na frente e bati a porta com tudo.

— Então tá tudo explicado, você tá agindo desse jeito porque está com ciúmes do Taemin?

— Claro que não. — Ele tenta abrir de novo, e de novo eu empurro pra fechar.

— Você tá sim, olha pra mim.

Ele realmente olhou nos meus olhos assim que pedi.

— Jimin, eu só saí pra fumar, não estou com ciúmes. Vá lá terminar seu ensaio, vou te esperar aqui no carro.

Olhei pra ele cheio de ódio, e sem responder, dei as costas e saí.

— Eu tenho certeza que não vou conseguir ensaiar assim. — Olho no espelho do elevador enquanto falo com meu reflexo.

Preciso respirar, mas não tenho tempo.

Cheguei na sala e voltamos a treinar a coreografia da música dele. Ou pelo menos, tentamos.

Foi mais uma hora de angústia.

[...]

Ao fim, me despedi do Taemin e dos dançarinos e desci de volta para a garagem. Ele realmente ficou esse tempo todo lá, encostado no carro do lado de fora.

Entrei no banco do passageiro e ele entrou em seguida. Se fosse tudo como antigamente, eu só ignoraria. Eu sempre odiava quando as coisas não funcionavam do jeito que eu queria, então apenas descartava as pessoas.

Mas com ele, é tudo diferente. Mesmo que as coisas sejam do jeito dele, eu ainda quero ele na minha vida.

— Jk, me desculpe por gritar com você, mas eu não gosto que me acuse.

Ele me olha enquanto eu continuo falando.

— Não tem motivo pra você sentir ciúmes do Taemin, ele é realmente meu amigo.

— Isso é o que você acha.

— Porque tá dizendo isso? Porque ele me abraçou? O Hobi já me abraçou várias vezes e você nunca agiu assim.

— O olhar dele pra você não é de um amigo.

— Para com isso, você tá pirando, sério. — Eu passo a mão no cabelo da nuca dele, ele até tenta desviar, mas eu sei que ele quer meu carinho. — Mesmo que ele me olhe de qualquer outra forma, o que importa é o que eu sinto. E eu amo você.

Ele tentava evitar contato visual, mas com a minha resposta, seu olhar veio em minha direção.

— Me desculpe. — Ele fala isso ainda cheio de orgulho, e desvia o rosto para a janela do carro de novo. Ainda com a expressão séria.

Eu levo meus braços na sua direção e abraço bem forte.

— Meu ciumento. — Enchi seu rosto com vários beijinhos aleatoriamente, o que desmontou na hora as armaduras dele. Seus braços também vieram na minha direção, me envolvendo em um abraço.

— Você ainda vai viajar comigo?

— Claro que vou. — Ele responde com o rosto ainda apoiado no meu ombro.

— Não quero mais você me dando gelo assim, por favor. Eu não consegui seguir meu dia em paz sabendo que você estava assim.

Ele me abraça mais forte e levanta o rosto.

— Então não fique agarrando ele, por favor. — Depois dessa resposta, nem preciso mais que ele assuma que estava com ciúmes, isso já foi uma confissão.

— Ok meu amorzinho, agora vamos sair daqui, alguém pode aparecer aqui na garagem e nos ver. — Passei a mão carinhosamente no rosto dele, que me retribuiu com um sorriso sem jeito.

Isso foi um lembrete do quanto eu não fico em paz sem você.

Ele liga o carro saímos. Enquanto dirige, ele olha para minha direção.

— Você está com fome?

— Uhum, vamos comer algo antes de embarcar?

Ele parece pensar nas possibilidades enquanto olha pra frente, e volta a olhar para mim.

— O Tae foi visitar os pais dele, posso cozinhar algo, se você quiser.

Virei meu corpo na direção dele em completa surpresa.

— Você também cozinha?

— Não tão bem quanto o Taehyung, mas sei me virar

— Então vamos. — Apoiei minhas mãos no meu banco entre as pernas enquanto mexia elas em animação.

Ele começa a rir bem baixinho.

— O que foi?

— Eu amo quando você fica animado com algo, parece uma criança.

— Para com isso. — Dou um tapinha na perna dele enquanto dou risada.

Chegamos no apartamento dele, eu corri para o sofá e me joguei, enquanto ele guardava a chave e ia para a cozinha.

— O que você quer comer?

— Hmmm... — Meu cérebro percorre por todas as opções que me vieram em mente, mas só consigo pensar em uma coisa.

— Tteokbokki com queijo, sem pimenta.

— Eu tinha certeza que você pediria isso. — Ele ria enquanto tirava a jaqueta que estava usando e levantava as mangas da blusa que usava por baixo. — Vou fazer, meu bebê.

— Eu amei isso, me chame assim pra sempre.

Ele abre um sorriso lindo pra mim. Estou aliviado que ele voltou ao normal comigo, mas ainda preciso resolver esse ciúmes dele com o Taemin, isso não faz sentido.

Fiquei mexendo no celular enquanto ele preparava tudo, mas assim que abri meu instagram, me deparei com algo.

— O que é isso? — Meus batimentos se intensificaram quando vi um post recente do Jk com uma foto que tiramos uns dias atrás.

Isso me deu um misto de sentimentos. Ele não tem vergonha alguma de assumir entre os amigos que namora com outro homem. Afinal, dá pra ver nitidamente que não é uma mulher.

Eu queria poder ter essa liberdade também... Eu queria comentar na foto, mas isso iria me expor.

Fiquei admirando enquanto lia a legenda que dizia "eu te amo."

Tenho esperança de algum dia ter um relacionamento público com você, sem medo ou receio das pessoas, e sem prejudicar minha carreira.

Fui até a cozinha e abracei ele por trás enquanto ele estava concentrado com as panelas. Coquei o celular na frente dele, mostrando o post.

— O que significa isso?

— Eu e o meu amor. — Ele vira o rosto de lado pra responder.

Bloqueei a tela do celular e voltei a abraçar ele.

— Eu te amo. E algum dia serei eu postando, pode ter certeza.

Ele vira o corpo na minha direção enquanto encosta no balcão.

— Não vamos ter pressa, por favor, não quero correr o risco de te perder.

Dei um beijo rápido na sua boca.

— E não vai, confia em mim.

Ele me puxa de volta e me dá um beijo de verdade, nossas línguas se tocam em um sabor apaixonante, e ficamos assim por longos minutos, o suficiente pra ele esquecer das panelas.

— Ei, vai queimar...

Ele pula assustado e desliga o fogo, e por sorte, não queimou.

— Isso é culpa sua, você sabe, né? — Ele ri. — Vem, vamos comer. Ele prepara a mesa e nós sentamos, estava tão cheiroso que nem esperei ele e me servi primeiro.

— Hmmmm, que delícia, isso tá simplesmente incrível. — Falei ainda de boca cheia enquanto apontava para minha tigela, mostrando o queijo puxando para ele.

Ele sorri todo orgulhoso pra mim.

— Que bom que você gostou, meu loirinho. — Ele pega minha mão e começa a fazer carinho.

— Eu amei! Nem precisamos mais ir à restaurantes, eu tenho você. E outra, eu quero outra receita assim que a gente voltar pra Seoul.

Ele entrelaça nossos dedos.

— O que você quiser, eu faço.

— Assim você me deixou animado. Então na próxima vez quero massas, algo italiano.

— Tudo bem. — Seus olhos transmitiam amor e pareciam gritar isso de forma ensurdecedora.

No começo acreditei que era só minha mente confusa e logo iria te esquecer, mas quanto mais o tempo passa, mais eu me apaixono.

Eu sorrio de volta pra ele, perdido em meus pensamentos enquanto nossas mãos brincam.

Ficamos cheios de amor e carinho enquanto comemos e conversamos, e isso foi melhor do que se estivéssemos em qualquer outro lugar.

— Hoje nós vamos chegar tarde no Japão, mas amanhã não temos compromisso, então o dia será só nosso. Quero passear pra vários lugares, até montei um roteiro.

Abri meu celular no bloco de notas e mostrei para ele.

— Vejamos, vamos até para a Disney?

— Simmmm, tô muito ansioso!

Ele sorri, então termina de ler e devolve meu celular.

— Você quem manda meu amor.

Terminamos de comer, e demoramos mais do que imaginamos. O Jk foi para o quarto fazer as malas dele enquanto eu fiquei sentado na cama o ajudando.

Depois de um tempo organizando, guardamos as malas dele no carro e fomos para minha casa.

Chegando lá eu desci do carro. Ele desceu em seguida e já estava encostando no carro na intenção de ficar me esperando.

— Vem, vamos me ajudar também. — Estendi a mão chamando ele.

— Eu? Entrar na sua casa e no seu quarto? Melhor não.

— Por favor, eu te ajudei com as suas malas, e outra, meus pais nem estão aqui.

— Mas os funcionários estão.

— Idai? Vem, vamos. — Peguei no pulso dele e puxei.

Eu insisto, e mesmo inseguro, ele entra comigo, e subimos as escadas em direção ao meu quarto.

— Uau, seu quarto é maior que meu apartamento inteiro. — Ele olha para os lados surpreso.

— Da nossa casa vai ser maior ainda.

Ele virou o olhar como um jato na minha direção.

— O que você disse?

— Nada. — Dei risada e virei de costas. Mas na mesma velocidade que ele virou pra mim, ele também se aproximou.

— Eu ainda vou casar com você.

Senti minhas bochechas pegarem fogo assim que ele falou isso.

Eu realmente quero ele pra minha vida inteira.

Ele mexia nos piercings da boca com a língua. Eu queria beijar aquela boca gostosa, mas havia funcionários passando pelo corredor, seria arriscado.

Ele me ajudou a organizar minhas malas e também a descer com elas.

Um motorista e um segurança estavam nos esperando na entrada da casa para nos levar até o aeroporto. No carro, trocamos vários olhares e carinhos sutis.

Em um momento, o Jk começou a mexer na mochila como se procurasse algo, até que pegou uma câmera, ligou ela e começou a mexer nas configurações.

— Policial, chefe de cozinha, guarda-costas, atleta, cantor, e agora criador de conteúdo, você tem mais algum talento?

— Conquistei você, isso é um baita talento.

— Isso eu tenho que admitir, conquistou mesmo — Falando sério agora, o que você vai filmar?

— Nossa viagem, quero guardar pra sempre.

Assim que ele respondeu, meu sorriso automaticamente se abriu para ele, enquanto eu peguei sua mão disfarçadamente e ficamos assim o restante do caminho.

A notícia do meu embarque já tinha vazado entre os grupos de fãs, então certamente o aeroporto estaria cheio. Assim que chegamos, pudemos notar que realmente estava lotado de pessoas.

Ao descer, os fãs que estavam atrás das grades pareciam eufóricos. Um grupo de seguranças me rodeou enquanto eu andava cumprimentando a todos.

Finalmente entramos na sala de embarque. Olhei para o Jk que estava concentrado enquanto mexia na câmera.

— Tem certeza que quer ir junto?

— Você ainda tem dúvidas? Por você eu faço qualquer coisa.

— Não fala assim, se não vou ser obrigado a te agarrar.

Ele responde com um sorriso lindo, e que sorriso.

— Então pode me agarrar já.

— Aqui não posso, mas me aguarde no Japão. — Meu sorriso bem sugestivo aparece, e ele responde com outro mais sugestivo ainda.

Eu já estava louco pra transar com ele de novo, nossa.

Assim que passamos pelo guichê de acesso, ele começou a me filmar, e assim ficou até entrarmos no avião. Ele estava feliz e isso me deixava mais feliz ainda.

A viagem seria rápida; chegaríamos ao Japão em pouco mais de duas horas. Durante o voo, continuamos trocando toques sutis enquanto conversamos.

Ele parecia um pouco cansado, mesmo sem demonstrar, mas com o tempo não aguentou e acabou caindo no sono.

Fiquei na internet tentando matar o tempo, mas o que consegui foi me irritar ainda mais. As notícias sobre a briga não paravam de circular, mas me deparei com uma que conseguiu me desestabilizar.

— Que porra é essa? — Meu pensamento nem processou que eu estava falando alto.

O Jk acordou na mesma hora.

— O que aconteceu?

Entreguei o celular na mão dele, e ele leu. O desgraçado vai a um programa de TV.

A intenção dele sempre foi essa, tentar destruir minha imagem; era por isso que ele queria tanto brigar.

— Eu vou resolver isso, eu te prometo. Vem, deita aqui perto de mim, você precisa desligar.

Realmente preciso relaxar um pouco. Encostei minha cabeça no ombro dele e peguei no sono depois de pouco tempo.

[...]

Desembarcamos no aeroporto do Japão, já era quase noite. Coloquei na cabeça a touca do moletom que eu estava usando, o Jk também.

Lá também havia fãs e imprensa. Passei pelo corredor da saída que já estava todo preparado para nossa chegada, haviam seguranças e grades desde o desembarque até a saída.

O tempo todo o Jk ficou colado do meu lado, com a câmera fielmente nas suas mãos. Do lado de fora, um motorista da Town já esperava para nos levar até o hotel.

Chegamos finalmente, na hora do check-in, lembrei que meus pais alugaram quartos separados (o que era óbvio).

— O meu quarto vai ser só pra guardar minhas coisas. — Ele fala baixinho ao meu lado enquanto eu fazia o check-in.

— Shhhh. — Meus olhos arregalam enquanto olho espantado na sua direção, e depois na direção da recepcionista pra conferir se ela ouviu.

Ele sai rindo, indo para o elevador com as malas; ele realmente adora provocar.

Subimos e guardamos nossas coisas nos quartos. Assim que guardei tudo, fui na porta do quarto dele, que abriu rapidamente.

— Você vai dormir comigo hoje?

— Com certeza.

— Então vamos, e se prepare, amanhã vamos passear muito.

— Ok, meu loirinho. — Assim que me respondeu, o celular dele tocou.

Ele deixou a porta aberta e entrou para atender, e eu entrei em seguida. Sua expressão mudou enquanto ele falava, e assim ficou até o fim da chamada.

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntei apreensivo.

— Remarcaram minha audiência, será depois de amanhã.

Sentei na cama assim que ouvi. Estava tudo indo tão bem que simplesmente esqueci disso.

— Merda, nós ainda estaremos aqui. Vou avisar à minha mãe que vamos voltar antes.

— Não faça isso, Ji. Eu vou voltar para Seoul e você fica aqui, eu peço para o Namjoon enviar outro segurança.

— Isso está completamente fora de cogitação, e nem adianta insistir, eu vou voltar com você.

— Como você é teimoso. — Ele respira fundo.

— Sou mesmo. Vem, vamos para o meu quarto. — Estendi a mão na direção dele o chamando.

— Tudo bem. — No mesmo momento, ele tirou a camisa que estava usando, e eu desviei o olhar. Depois de tudo que já fizemos, não tem sentido eu ter vergonha, mas não consigo evitar.

— Vou indo para o quarto primeiro. — Eu já estava saindo, ele veio na minha direção e me segurou pela cintura.

— Você não tá com vergonha de mim, né? — Ele faz carinho no meu rosto enquanto a outra mão ainda me segura. Pude sentir um ponto gelado na sua mão tocar no meu rosto e lembrei da aliança, que ele ainda estava usando.

Peguei a mão dele e dei um beijo nela enquanto olhava pra ele. Ele sequer me deixou terminar, me puxou mais pra perto e me deu um beijo lento, onde eu pude apreciar a língua dele percorrer por cada ponto da minha boca.

Entre a dança das nossas línguas, também senti que ele ficou excitado.

— Ei ei, pode parar, hoje nós precisamos dormir. — Eu também queria, e muito, mas eu estava com sono

— Que chato que você é, isso é culpa sua. — Ele abaixa com a testa no meu ombro, quase em um protesto.

Dei risada vendo o balde de água fria que joguei no fogo dele.

— Desculpe meu amorzinho, mas eu estou com sono, e com você eu quero ter energia.

— Eu mereço um prêmio de consolação quando a gente transar.

— E qual seria?

— Deixar eu te chupar.

Ele não fica nem vermelho pra falar isso.

Já comigo, meu rosto parecia uma chaminé.

— Eu deixo. — Não falei por pressão, eu realmente queria, só preciso lidar melhor com a vergonha.

— Espera... espera aí, é sério?

— Sim, agora vamos mudar de assunto, eu tô com vergonha. — Quando mais ele continuava no assunto, mais eu ficava tímido.

Ele ri.

— Tudo bem. — Ele estava todo animado.

Isso me faz rir também.

Ele pegou uma roupa de dormir e fomos para o meu quarto. Eu realmente estava caindo de sono, então tomei um banho rápido e deitei. Ele ligou a tv e deitou junto comigo em seguida.

A televisão foi só uma distração, nem estávamos assistindo, e ficamos fazendo carinho um no outro até pegarmos no sono.

O próximo dia seria incrível.

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Hey amores, o que acharam?
Próximo capítulo promete 🗣️

Será que o ciúmes do Jk faz sentido ou é só medo de perder o seu loirinho com cheiro de 🍓?
Veremos em breve hihihi

Não esqueçam de comentar e votar, me incentiva a continuar com a história do nosso casalsinho 🫶🏻

Até o próximo capítulo!

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