16 • nossa música
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JEON JUNGKOOK
A segunda-feira chegou. Assim que abri os olhos, senti um cheiro maravilhoso de comida que estava espalhado pelo apartamento.
— Eu tenho certeza que é o Tae. — Levantei e me arrumei, afinal eu precisaria sair daqui a pouco. Fui direto para a cozinha, e realmente era o Tae.
Ele estava cozinhando enquanto ouvia música, além de jogar, esse era o hobbie dele favorito. Eu e o Jin temos sorte, não sabemos o que é comer mal a mais de três anos.
— Bom dia pro meu chefe favorito. — Dou um tapinha nas costas dele enquanto olho o que ele estava fazendo.
— Você já disse isso várias vezes.
— E não me canso de falar. — Sentei na mesa esperando. — Se apresse com esse japchae, pois estou com fome.
— Problema seu.
— Nossa, que insensível. — Dou risada, e ele também.
O Jin levantou nesse momento.
— Bom dia pra vocês, meros humanos comuns. — Ele senta na mesa e olha para mim.
— Eu vi as notícias na internet, sobre a briga do Jimin.
Isso se espalhou muito rápido...
— Qual briga? — O Tae ainda não estava sabendo.
— Jimin saiu na porrada com um cara que estudou, e o Jk quase matou ele com um soco.
O Tae olha com os olhos arregalados.
— Que loucura... o Jimin está bem?
— Tá sim, só com o rosto um pouco machucado. Meu alívio foi ver que ele também quebrou o cara, mas agora tenho que ficar bem mais atento. — Eu respondi eles enquanto me servia do japchae que o Tae fez.
— E o pai dele? — O Jin perguntou.
— Brigou até comigo...
— Que merda. Se ele brigou só de saber que ele se meteu em uma briguinha qualquer, imagina se descobrir sobre vocês?
— Precisa lembrar disso, Seokjin?
— Foi mal. — Ele ri.
Nós ficamos conversando mais um tempo sobre o que aconteceu, até que meu celular vibrou na mesa, era uma mensagem do Ji me chamando.
Peguei rapidamente mais um pedaço de japchae com o hashi e larguei o restante.
— Tchau gente, vou indo...
Coloquei uma blusa de frio e desci para a garagem, o vento tinha voltado, e de moto a sensação é pior.
Montei na moto e saí. Pilotei rápido, chegando na casa dele em quinze minutos. Ao passar pelos portões, vi a mãe dele entrando em um carro com um motorista, apenas ela.
Mandei mensagem avisando que estava lá e esperei um pouco, e em seguida, o Ji saiu também. Ele parecia um adolescente, com um moletom preto e uma touca também preta.
— Bom dia Jungkook, vamos com meu carro. — Haviam dois jardineiros ao lado, cuidando do jardim, não dava pra ter muito afeto nas palavras.
— Ok.
Fui até a garagem e peguei a Porsche dele, e ele entrou em seguida. Assim que passamos dos portões, sua postura mudou completamente.
— Você tá tão bonito. — Seus olhos pequenos brilham.
— Obrigado meu amor, você também. E seus machucados estão melhores, ainda bem.
— Graças a você. — A mão dele faz carinho na minha nuca. — Vou separar as palavras e trechos que você vai cantar, e vou te deixar no estúdio gravando.
— Ei ei, espera aí, esse não foi o acordo, não vou ficar sozinho.
— Você não vai desistir agora, vai ficar só você em uma sala e um produtor musical na sala ao lado, não precisa ter vergonha.
Puta merda. Minha expressão era de quem queria desistir.
— Como não vou ter vergonha? Eu não sou cantor. E se me verem lá? Eu sou seu guarda-costas.
— Ninguém vai saber, nem de roupas formais você está. E outra, é só o produtor quem sabe. Confia em mim.
Não sei dizer não pra ele...
Respiro bem fundo antes de responder.
— Isso vai custar bem caro pra você.
— Quanto você quer? Eu pago. — Ele pegou o celular e já estava abrindo o aplicativo do banco.
Eu dei uma risada bem maldosa.
— O que eu quero não custa dinheiro.
Olhei pra ele, admirando dos pés à cabeça, e voltei a olhar para direção.
— Eu topo! — Ele sorri.
Eu realmente sou comprado por ele de forma fácil...
Chegamos na Town. Assim que entramos, subimos de elevador e ele me levou até uma sala.
— Essas são suas partes, ele vai te instruir do restante. Eu preciso ir na parte de som pra fazer a melodia, mas eu volto aqui. Obrigado por isso. — Os olhos dele brilham enquanto me entrega alguns papéis.
Eu queria sair correndo, mas a animação dele não me permitiria.
Ele quase me jogou pra dentro da sala e saiu apressado. E um homem que estava lá dentro, de costas, virou para mim.
— Bom dia, você deve ser o Jungkook, certo?
— Oi, bom dia, sou sim.
— Me chamo Jaechan, sou produtor musical. O Jimin comentou que te ouviu cantar e gostou da sua voz. Bem, você já fez isso alguma vez?
— Nunca fiz.
— Tudo bem, vem, preciso ouvir um pouco da sua voz antes pra saber quais tons usaremos.
Ele me leva em uma sala pequena, onde as paredes eram revestidas de abafadores de som, e no meio um microfone, fone e alguns equipamentos.
Ele me entrega o fone e arruma minha posição na distância correta do microfone.
— Eu estou na sala do outro lado do vidro, agora não tem regras, quero que você cante alguma música, qual quiser. Quando essa luz pequena acender, pode parar. — Ele aponta para uma luz próxima ao microfone.
Ele sai, fecha a porta e vai para a outra sala. Que merda Jimin, só você pra me fazer passar por isso.
— Caralho, eu tô me sentindo muito nervoso, preciso respirar. — Penso sozinho tentando me acalmar.
Com todo esse nervosismo, não conseguia lembrar de nenhuma música. Ele estava esperando, então eu precisava pensar em algo rápido.
Até que lembrei da música que o Tae estava ouvindo hoje cedo enquanto cozinhava.
— Já escolheu alguma música?
— S-sim, Falling, do Harry Styles.
— Boa escolha, vou soltar a melodia. — Ele corta o microfone dele que estava no meu fone, e então, a música inicia.
Respirei fundo tentando buscar um fio sequer de coragem, e então, comecei a cantar.
(ouçam de fone e imaginem ele na sala cantando)
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O tempo todo que cantei, observava a luz para saber a hora pra parar de cantar. E ela não acendeu por nenhum momento. Ou ela estava quebrada, ou ele realmente me fez cantar a música toda de propósito.
O fone me ajudou a ter um pouco mais de coragem e me soltar, realmente parecia que só eu estava lá.
Fiquei parado sem graça após terminar, esperando o que eu deveria fazer.
Ele abriu a porta e entrou na sala.
— Uau! Isso... isso foi incrível.
— Obrigado... — Respondi um pouco sem jeito enquanto coçava a cabeça.
Ele cruza os braços enquanto me olha.
— Quando tiver audições, vou te inscrever.
Senti aquela sensação de quase um mini infarto percorrer pelo meu corpo.
— Não, não, não, melhor não.
Ele continua me olhando, mas agora com uma expressão de indignação.
— Bem, pense nisso com cuidado, não posso insistir.
— Ok, pensarei, obrigado.
— Vamos continuar. Posicione-se novamente ali, quero que mantenha um tom mais agudo e repita todos esses trechos que estão na folha. O ideal seria gravarmos isso com a melodia de fundo, mas o Jimin está criando agora. Mas, confio em você, vai dar tudo certo.
Ele sai da sala novamente, eu volto minha atenção para os papéis na minha mão. Ele está repleto de palavras e frases soltas.
Então comecei.
Pelo vidro não dava para ver nada além do meu próprio reflexo. Tentei não olhar para não ficar mais nervoso do que eu já estava. Ele foi falando comigo pelo fone, corrigindo algumas partes. Demoramos bastante para tudo dar certo.
Droga, eu estava louco pra fumar.
[...]
— Muito bem Jungkook, finalizamos. — Tirei o fone da cabeça, e em seguida ele abriu a porta.
Assim que saí, vi que o Ji estava na sala junto com o produtor.
— O-oi Jimin.
— Oi Jungkook, isso foi ótimo, estou orgulhoso. — Ele sorri.
— A voz de vocês combinam, você chegou no mesmo tom de voz dele, vai ficar ótima no backing vocal. — O produtor fala para mim. — E Jimin, já terminou a melodia?
— Já sim, agora só falta encaixar a voz dele, ensaiar mais algumas vezes com a banda, e nós gravamos.
— Ok, o ideal seria ele cantar o backing vocal junto com vocês, mas entendo seu pedido de não expor ele.
— Obrigado Jaechan.
Ele dá um tapinha no ombro do Jimin.
— Você vai querer assistir o Jimin gravar? — Ele pergunta olhando para mim.
— Quero sim, por favor. — Assim que respondi, o Jimin sorriu disfarçadamente. Eu não perderia isso por nada.
Ele nos agradece, e então, eu e o Ji saímos da sala. Ele me acompanha até a varanda, eu teria que aguardar eles ensaiarem mais algumas vezes antes de gravarem a faixa.
Nós nos sentamos em um banco que tinha ali.
— Ele deixou eu ouvir a música que você cantou, eu não sei nem o que te falar, eu tô realmente sem palavras. Isso foi perfeito Jk!
— Ele não me falou que te mostraria... — Dou risada um pouco envergonhado.
— E não ia, eu que obriguei ele. — Ele ri. — Quando o Jin fez as audições, você não pensou em fazer também?
— Isso não é algo pra mim.
— Porque não?
— Porque não daria certo.
— Caralho, você é teimoso, né?
Dou risada com a explosão dele.
— Vou morder essa boquinha suja sua.
— Para de rir, tô falando sério, vou te convencer, pode ter certeza. — Ele faz uma cara de quem está decidido a me chantagear em breve. — Vou voltar lá e terminar tudo, o Jaechan vai te chamar quando a gente for gravar.
— Tudo bem, meu loirinho.
Ele me dá aquele sorriso lindo e sai.
Eu fico por ali mexendo no celular. Eu queria fumar mas não tinha nenhum cigarro comigo. Na real eu nem queria mesmo, só estava com vontade porque estava nervoso.
— Merda, se controla Jungkook. — Eu repreendo a mim mesmo.
Enquanto navego na internet tentando me distrair, me deparo com várias notícias da briga dele, a maioria defendendo ele, mas algumas poucas, o acusando.
Isso realmente poderia prejudicar o lançamento do disco dele, mesmo que ele tenha agido em defesa própria. Espero que dê tudo certo.
E sobre aquele desgraçado, o que ele fez não vai passar impune.
[...]
Depois de um pouco mais de uma hora, o mesmo produtor se aproximou me chamando.
— Vamos, as gravações vão iniciar.
Eu levanto no mesmo momento em que ouço a voz dele. Acompanho até uma sala maior do que a que gravei, ficamos separados da onde ele e uma banda estava, também por um vidro. Eu fico em um canto para não atrapalhar ninguém, já que tinha bastante gente.
Minha visão se direciona para dentro da sala de gravação, o Ji estava em pé no meio da sala, e ao seu lado tinha uma banda com vários instrumentos. Ele parecia tão confiante que fazia isso parecer a coisa mais fácil do mundo.
Já eu, quase infartei pra conseguir gravar.
Nesse momento, a mãe dele entrou na mesma sala em que eu estava, se posicionando ao lado do Jaechan. Eles conversam por um tempo, até que ele sinaliza que vão iniciar, pedindo silêncio para todos presentes.
O silêncio impera nas duas salas, e então, sua voz suave e apaixonante começa a cantar após ouvir a melodia do início da música...
(Ouçam de fone e imaginem ele cantando, e o Jk observando ele na outra sala através do vidro.
atenção na letra e na voz do Jk)
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— Então é por isso que ele não queria deixar eu ver a música antes de gravar... — Sinto meu coração pular do meu peito, em um ponto que chega a travar minha respiração.
Eu pude escutar minha voz no fundo, e realmente, combinou tanto que eu sequer podia acreditar que era eu. Eu estava sem palavras para o que ouvi, a voz dele é tão linda, e essa música, essa letra, céus.
Eu não conseguia tirar os olhos dele, ao ponto que eu sequer entendia o que as outras pessoas na sala falavam após ele terminar.
Todos aplaudiam entre si, comemorando que tudo deu certo, até que escutei a mãe dele falar com o produtor.
— Jaechan, a música ficou incrível, mas esse backing vocal... ele não é da Town, certo?
Eu deveria imaginar que ela perceberia, afinal, ela também é produtora, e uma voz nova não passaria despercebida.
— É um backing vocal independente, ele preferiu só gravar, sem receber os créditos. — O Jaechan responde, ele realmente mentiu para ela, pra nos ajudar.
— Chame ele de volta, quero conhecer ele.
— Ok Sra. Park. — Ele olha sutilmente para mim.
Ela entra na sala de gravação, dá um abraço no Ji e troca algumas palavras com ele. Em seguida, ela sai. Ele e a banda também saem.
Assim que ele entrou na sala em que estávamos, todos o parabenizaram. Ele parecia orgulhoso, e ficava tão lindo com essa expressão. Eles conversam e alinham mais alguns detalhes do novo disco. Seu olhar pequeno então se vira para mim, fazendo um sinal para sairmos da sala.
Eu saí em seguida.
— Vem aqui por favor. — Ele dá as costas e anda pelos corredores enormes e cheios de funcionários, até chegar em outra sala. Ele entra e eu entro em seguida. Há uma mesa enorme ao meio, o que parece ser uma sala de reuniões.
Assim que eu passei pela porta, ele a tranca, em seguida se vira na minha direção e me abraça. Eu retribuo, abraçando ele ainda mais forte.
Esse cheiro de morango nele me deixa louco.
Seu rosto vira na direção do meu, e sem dizer nada, ele puxa meu rosto e me beija. Um beijo tão gostoso que sinto aquela mesma sensação de flutuar em nuvens enquanto sinto o toque dos seus lábios.
Nós paramos depois de longos minutos, e ainda com nossas bocas próximas e com minha mão acariciando seu rosto, eu olho nos seus olhos.
— A música... ela é sobre nós? — Posso parecer presunçoso, mas ela realmente nos descrevia.
Ele olha para o chão, nisso pude ver suas bochechas corarem, e então, ele concorda com a cabeça. Seus olhos brilhantes voltam a me olhar em seguida, agora acompanhados de um sorriso tímido.
Eu volto a abraçar ele, mergulhando meu rosto em seu pescoço.
— Assim você me deixou mais apaixonado ainda... — Minha voz sai abafada. Com a confirmação dele, sinto meu coração bater mais forte ainda.
— Essa era a intenção. — Sua mão percorre meu cabelo. — Eu amo você.
Assim que ouvi essas palavras, meu olhar foi na direção dele, que continuava me olhando no fundo dos olhos.
— Eu quero fugir com você, quero que você seja meu para sempre.
Ele dá uma risada tão gostosa quando ouve, e nós rimos juntos.
— Pode me levar embora hoje mesmo.
Eu tô falando sério. Não consigo mais imaginar vivendo minha vida com outra pessoa que não seja você.
Seus olhos surpresos me olham, e então, enchem de lágrimas de repente, mesmo que ele estivesse sorrindo. Era a primeira vez que eu o via assim.
Eu poderia facilmente ficar nesse abraço pra sempre, mas, esse momento mágico entre nós é interrompido por alguém tentando abrir a porta da sala.
— É da limpeza, tem alguém aí? — A voz ecoa vinda do lado de fora.
— Merda! — Ele faz um gesto de silêncio. A pessoa tenta abrir mais uma vez, e então, para. Esperamos por uns minutos, até que ele destrancou e olhou para fora, não havia ninguém por perto, então saímos.
Nos próximos corredores já havia câmeras e pessoas próximas, então tínhamos que agir normalmente.
— Vou terminar mais algumas coisas, e já saio, tudo bem? — Ele fala olhando para mim, ainda no corredor.
— Claro.
— Pensa em um nome para a música enquanto isso, por favor. — Ele sai.
Eu volto para a varanda e fico ali. Ainda sem acreditar na música que ele criou, eu fico sorrindo sozinho enquanto lembro dele cantando cada parte.
Eu estava feito um bobo. Um homem de 25 anos agindo feito um adolescente apaixonado.
Depois de mais um tempo, ele apareceu de volta na varanda, sentando ao meu lado com dois copos de café americano nas mãos.
— Toma, um pra você. — Ele me entrega e nós bebemos olhando a vista do prédio da Town. Dava pra ver Seoul toda pequena.
— Quer jantar comigo hoje? — Eu queria inventar qualquer coisa pra ficar mais tempo com você hoje.
— Quero! Onde vamos?
— Hmmm, deixa eu pensar... — Olhei para o alto tentando buscar alguma ideia. — Tem um restaurante...
Antes que eu terminasse, alguém falou antes.
— Oi Jimin, boa tarde. — Meu olhar rapidamente se virou no sentido da voz, era a Nayeon.
Que merda, vamos ficar encontrando essa menina aqui todo dia?
— Oi. — A resposta dele sai simples e direta.
Ela olha para mim e me cumprimenta com um gesto com as mãos, em seguida, volta a olhar para ele.
— Já terminamos o figurino do seu MV, precisamos que você vá lá provar.
— Ok, vamos. — Ele levanta e olha para mim. — Já volto. — Ele sai acompanhado dela.
Que ódio. Eu não queria estar com ciúmes, mas não consigo evitar, afinal eu sei que ela gosta dele. E outra, tenho certeza que ela arrumou esse emprego pra se aproximar dele, esperta.
Mas eu sou mais.
Esperei por mais um tempo e então ele voltou.
— Ufa, acho que agora finalmente podemos ir embora, vamos para o carro.
Nós descemos o elevador e entramos no carro.
— Eu tô tão feliz pela música, e por você ter participado.
Antes de ligar o carro, minha mão carinhosamente percorre seu rosto.
— E eu tô feliz de te deixar feliz. — Ele sorri.
Eu ligo o carro e nós partimos, o caminho todo eu vou com a mão na sua perna, e ele cantarolando enquanto olha pela janela.
Passamos pelos portões da casa dele.
— Vou descansar um pouco, que horas você vem?
— Hmmm, 20:00pm, pode ser?
— Pode. — Ele sorri. — Vai com o meu carro. Até depois, Jk. — Ele desce todo animado.
Eu sofro cada vez que tenho que me despedir dele sem sentir seu gosto.
Deixo minha moto lá e volto para casa com o carro dele.
Assim que entrei no apartamento, notei que não tinha ninguém. Na verdade tem o Tae, mas pelo barulho, ele estava fazendo live. O Jin eu não vi na Town, mas ele deve estar por lá.
Fui para o quarto e tomei um banho demorado, eu passei o dia tenso então conseguir respirar bem agora é um alívio.
Coloquei a cueca e deitei assim mesmo na minha cama. Era pra ser só para eu relaxar, mas acabei pegando no sono.
[...]
Acordei com meu celular despertando. Levantei e fui me arrumar, o que eu deveria usar em um jantar? Não posso escolher nada informal.
Coloquei uma camisa branca ligeiramente aberta na gola, um colete e um blazer. Desci pra garagem rápido, antes de buscar ele eu precisava buscar umas coisas.
Parei primeiro em uma floricultura, depois em uma loja, e por último, em uma joalheria.
Voltei para o apartamento e deixei as coisas no meu quarto. Nesse mesmo momento, meu celular apitou uma notificação, era o Ji me apressando.
Dou risada enquanto leio e respondo, em seguida peguei a chave do carro e saí do quarto.
— Uau, que bonitão! — O Jin praticamente berra assim que me vê passando pela sala. Ele se aproxima, e volta a falar. — Bonitão e cheiroso, deixa eu adivinhar, vai sair com o Jimin, acertei?
— Óbvio. — Dou risada enquanto arrumo meu blazer em um espelho que tem na sala.
— Que lindoooos. — Ele afina a voz pra falar isso. — Bom passeio pra vocês. Cuidado pra não reconhecerem ele. — Ele senta no sofá comendo um lámen.
— Obrigado Jin, pode deixar.
Me apressei e desci de volta para o carro. Cheguei na casa dele em menos de dez minutos, bem mais rápido que o habitual, acho que eu estou ansioso demais.
Desci do carro e fiquei esperando ele do lado de fora. O sol mostrava seus últimos raios solares em tons alaranjados, se preparando para se pôr.
Escutei a porta enorme da casa se abrindo, o Ji sai e um dos seguranças sai logo atrás dele. Assim que ele passou pela porta, seus rosto virou sutilmente na minha direção, com um sorriso tímido.
— Minha nossa...
A mesma sensação que senti ouvindo a nossa música, eu senti te olhando agora. Na verdade, eu sinto essa sensação com qualquer coisa que você faça.
Eu preciso disfarçar, afinal tem pessoas por perto, mas eu simplesmente não consigo parar de te olhar.
Que droga, você me deixa feito um obcecado.
— Oi Jungkook. — Ele se aproxima de mim e dá uma piscadinha.
— Boa tarde Jimin, vamos?
Nossa imagem de idol e guarda-costas tem que ser mantida, pelo menos por esse momento.
Nós entramos no carro e saímos.
— Caralho Ji... — Eu respiro fundo em quase um desabafo.
— O que foi? — Ele me olhou preocupado.
— Você tá tão lindo que fico completamente sem jeito, meu loirinho.
Ele dá uma risada tímida enquanto pega a minha mão, e ficamos de mãos dadas. Ele puxa nossas mãos na direção do seu colo.
Eu estava dirigindo, então só podia olhar para ele de vez em quando, mas dava pra perceber que ele estava com a cabeça apoiada no banco, me olhando a todo momento.
Eu viro rápido na sua direção mais uma vez, e nossos olhares se encontram. Quando ele sorri, seus olhos se fecham, e caralho, como eu amo isso. Amo seu cheiro, sua voz, sua pele, seu gosto, seu cabelo.
Eu tô ficando cada dia mais louco por você.
Depois de um tempo nesse amor todo entre nós, chegamos.
— É aqui mesmo? — Ele olha de um lado para o outro.
— É sim, chega de só comer tteokbokki e beber soju.
— Eba, então vamos. — Ele sorri todo animado.
Já fiz as reservas antes, e avisei ao restaurante que era ele quem iria, então acredito que teremos privacidade se alguém o reconhecer.
Assim que entramos, o garçom nos direcionou para uma mesa mais reservada, o local era coberto de decorações naturais, a luz era fraca e aconchegante, com algumas velas espalhadas pelas mesas.
Onde nós sentamos, quem entrasse no restaurante não poderia nos ver. Espero que realmente não o reconheçam, pois só tinha casais aqui.
O garçom volta e anota nossos pedidos, pedi um prato com carne e legumes, ele olha para mim, e então, pede tudo igual. O garçom se retira com os pedidos.
— Não quis pedir nada diferente?
— Não, eu confio em você. — Ele sorri.
Em um gesto completamente inesperado, ele pegou minha mão que estava em cima da mesa, perto da taça de vinho.
— Ei, cuidado. — Eu tento puxar de volta, mas ele segura.
— Não tem ninguém perto...
Ele entrelaça nossos dedos enquanto trocamos carinhos e olhares, e ficamos assim em silêncio, apenas nos olhando. O garçom chega com os pedidos um pouco depois, o que nos faz assustar enquanto soltamos as mãos no mesmo momento.
Nós começamos a comer acompanhados de um bom vinho, estava tudo uma delícia.
— Hmmm... — Ele mastiga e tampa a boca com as mãos que ainda seguravam o hashi. — Minha mãe perguntou quem era o backing vocal da música.
— Eu ouvi ela perguntando sobre isso para o Jaechan também.
— E?
— E o que?
— Você vai lá falar com ela, certo?
— Claro que não, meu amor.
Ele solta minha mão e cruza os braços encostando na cadeira. A birra dele vai começar. — Porque não vai? Você é tão difícil de entender.
Dou risada dele, pois ele realmente parecia bravo.
— Desculpe, eu vou pensar.
— De novo esse negócio de pensar? Eu vou falar com ela, e ponto final. E não fica de risadinha não, não sou palhaço pra ficar fazendo você rir. — Ele vira o rosto, com aquele mesmo bico.
— Um beijo nessa boca aí é suficiente pra você perder toda essa marra.
— Escuta aqui...
— Com licença, senhores. — Um homem se aproximou de nós com cuidado, ele trazia consigo um buque gigantesco de rosas vermelhas nas mãos. Ele tirou dois botões de rosa e nos entregou, em seguida, abriu uma bolsinha e escolheu uma carta aleatoriamente, entregando para o Ji em seguida.
Eu realmente não tinha combinado isso.
Ele abre a carta e lê um pequeno bilhete que tinha dentro, seu sorriso aparece. Em seguida ele me mostra.
Havia uma frase e vários desenhos de planetas ao redor.
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"E haverá alguém que venha um dia e te ofereça uma galáxia inteira, quando você só esperava um único planeta."
- O Pequeno Príncipe
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Esse livro é lindo, mas essa frase, que sugestiva... Olhei em volta de forma sútil procurando o homem que nos entregou, mas não achei ele mais.
Voltei meu olhar para o Ji, ele guardou o bilhetinho e ficou olhando fixamente para a carta. Até que em um despertar de ideias, seu corpo quase pula.
— Letter!!!!
— O que?
— A música... ela vai se chamar Letter (carta em inglês). Como se fosse uma carta que eu fiz pra você. — Ele fala tão animado que nem fica tímido com o que disse.
— Letter, perfeito. Boa escolha meu amor.
Ele parece tão feliz; e isso também me deixa feliz.
Nós conversamos mais um tempo enquanto jantamos, de sobremesa, era óbvio o que ele pediria.
— Por favor, me traz dois desses doces de morango. — Ele aponta para o cardápio. O garçom sai e logo volta com as sobremesas.
Ele come animado, como sempre. No começo eu não suportava sentir esse seu cheiro, e hoje estou aqui feito um idiota querendo sentir a todo momento.
Assim que terminamos, paguei a conta e saímos. No carro, o caminho todo ele me abraça e beija no rosto e no pescoço.
— Calma aí meu amor. — Dou risada do fogo dele e tento controlar ele, afinal ele estava enfiando a cabeça dele bem na minha frente enquanto eu dirigia.
Sua mão que estava apoiada na minha perna, pegou com vontade no volume que inevitavelmente já estava na minha calça.
— O que você tá querendo? — Olho para ele enquanto falo. Seus olhos já estavam mais pequenos que o normal.
— Quero você... — Que olhar safado, nossa. — Vamos pra sua casa? — Ele aperta mais ainda.
E isso é ótimo, porque eu realmente ia chamar ele pra ir no apartamento.
— Você quem manda meu amor.
Ele morde a boca entre um sorriso sacana enquanto volta para o banco. Preciso ensinar você a ser safado assim mesmo sem beber.
Assim que chegamos no prédio, o Ji começou a me beijar, ainda no elevador. Eu agarro sua cintura gostosa e beijo mais ainda. O elevador abre e continuamos assim até a porta do apartamento.
Eu abri e estava tudo em silêncio, o Jin não estava lá. Imagino que o Tae esteja em live, pois dava pra ver luzes de led saindo por baixo da porta do quarto dele.
Se ele está em live, não vai ouvir nada.
Ele entrou primeiro, algumas poucas luzes iluminavam o quarto, então seus olhos foram direto para a cama.
— Eu não acredito nisso! — Ele até aumenta o tom de voz para falar enquanto corre para a cama.
Eu tinha certeza que a primeira coisa que ele pegaria era a pelúcia, e acertei.
Ele pegou e voltou para o meu lado, me dando um abraço forte.
— Muito obrigado por isso. — Ele estava todo animado, mesmo sendo algo simples. Ele voltou para a cama de novo, pegou a caixinha e abriu.
Ele congelou quando viu um par de alianças dentro dela, virando o corpo na minha direção em seguida.
— I-isso... isso...
— Faltou a gente fazer do jeito certo, né? — Vou na direção dele, pego a caixinha e olho nos seus olhos. — Eu sei que você não pode usar sempre, mesmo assim quero ter algo que simbolize o que temos, mesmo que só entre nós.
Ele estende a mão com os dedinhos pequenos balançando, pedindo para colocar a aliança.
— Eu aceito! — Seus olhos brilham como uma estrela que acabou de nascer em uma nebulosa.
Eu sequer consegui colocar a aliança nele, coloquei a caixinha na cama e agarrei ele.
Assim que começamos a beijar, já direcionei o corpo dele até a cama. Nos primeiros segundos ele já estava tirando meu blazer.
Que delícia.
Nós tiramos a roupa em uma fração de segundos, e logo voltamos a beijar com o toque dos nossos corpos. Nós dois já estávamos muito excitados.
Dou uma puxadinha no seu braço e ele deita de costas, apenas com uma perna ligeiramente erguida.
Peguei o lubrificante na gaveta do lado da cama e passei em mim, ele já estava respirando fundo e alto só de ver.
Meu sorriso aparece na mesma hora.
Passei lubrificante nele também e enfiei um dedo, depois dois. Eu estava em êxtase enquanto ouvia você gemer baixinho, isso porque eu nem enfiei em você ainda.
As costas dele já estava toda marcada da minha boca e minha mão.
Encaixei meu pênis nele, e então, enfiei bem devagar. Ele gemia enquanto sua mão apertava com força o lençol da cama.
— Ei, tá doen... — Ele nem me deixou terminar a pergunta.
— Não pergunta isso de novo, só enfia mais. — Ele olha pra trás com um olhar muito canalha pra mim.
— Caralho meu loirinho, que delícia... — Comecei a socar com força nele.
Ele geme enquanto chupo seu pescoço e continuo movimentando, e ele apertando o lençol cada vez mais.
— Isso tá tão bom... — Sua voz sai em meio aos seus gemidos.
Aperto as nádegas dele enquanto abro mais ainda. E assim ficamos por longos e deliciosos minutos.
O plano era mudar de posição, mas estava tão gostoso que simplesmente não nos soltamos. Meu corpo apoiou no seu enquanto minha boca percorria seu pescoço e nuca.
Assim que senti seu corpo se contorcendo e a intensidade do seu gemido aumentando, eu sabia que você gozaria.
E ele realmente gozou na cama, sem ao menos eu estimular ele, nem ele a si mesmo. Ele gozou só de me sentir dentro dele...
Isso me faz ficar louco, então eu cheguei ao ápice também, logo depois dele.
— C-caralho... — Eu estava sem ar, então deitei do lado dele praticamente jogando meu corpo. O Ji ainda continuava de costas pra mim, também respirando ofegante.
Ele vira o corpo na minha direção e me abraça, mesmo que nossos corpos estivessem suados.
— Eu já falei que amo você hoje? — Ele passa a mão no meu cabelo.
Eu me sento na cama, esticando meu corpo até a mesinha da cabeceira e pego a caixinha das alianças.
Sentei de volta na direção dele e segurei a aliança, pedindo seu dedo. Ele sentou de frente para mim e me deu sua mão, eu coloco no seu dedo sem seguida.
Ele fica admirando sua própria mão, em seguida, pega minha mão e coloca a aliança em mim.
— Eu não posso usar sempre, mas você eu quero que use todos os dias.
— Hmmm ok, só se a gente tomar banho juntos agora.
— Você é comprado muito fácil. — Ele ri. — Vamos. — Ele levanta e me puxa.
— Por você eu sou mesmo, não nego nem para os meus amigos.
Nós vamos para o banheiro, e lá nós realmente tomamos banho juntos, sem sexo.
Pelo menos, só dessa vez.
Brincamos com a espuma por um bom tempo. Qualquer lugar que toco no seu corpo, o deixava com cócegas. Sua risada virou quase uma droga pra mim, e tô completamente viciado.
Ao fim do banho, nós corremos de volta para o quarto e deitamos na cama.
— Você quer que eu te leve embora? — Diz que não, por favor.
— Não, quero dormir aqui. — Ele se aconchega no meu peito.
— Eu estava torcendo tanto pra você responder isso, vem cá. — Envolvo ele em um abraço gostoso enquanto acaricio seu cabelo dourado.
Ainda não consigo acreditar que ele fez uma música sobre nós, e com nós dois cantando.
Isso é a melhor coisa que eu poderia ganhar na vida, tudo isso na verdade.
Eu pego no sono com essa sensação maravilhosa de ter você nos meus braços.
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Gente, esse capítulo ficou enorme, se vocês não gostarem, me avisem pfvr.
Aproveitando, eu sei que o Jimin já disse que Letter foi para o ARMY, mas na minha história ela é para o JK, e ponto acabou KKKKK
Esse capítulo foi bem especial pros nossos jikook 🖤
Hoje chegamos no #1 na tag jikook, isso me deixou tão feliz!!!!! Obrigada por isso gente 🫂
Não esqueçam de votar e comentar pra me incentivar, e até o próximo capítulo!
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