15 • você é a minha inspiração

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PARK JIMIN

Era domingo, o dia amanheceu com um clima quente, e os ventos de ontem haviam cessado. Acordei com meu celular despertando; ainda era cedo, mas eu precisava levantar.

Senti minha barriga roncar, eu estava me sentindo faminto, então coloquei uma roupa qualquer e desci.

Meus pais estavam tomando café juntos na mesa, me aproximei e sentei junto com eles.

— Bom dia, filho, escreveu a música? — minha mãe disse assim que bateu os olhos em mim.

De que adianta me dar bom dia, e em seguida, me cobrar?!

— Bom dia mãe, já estou quase finalizando.

Isso era uma completa mentira, eu não escrevi uma única palavra sequer.

— Ok, amanhã você já vai para o estúdio para gravar.

— Amanhã???

Os olhares dos dois me fuzilam.

— Ok. — Melhor eu ficar quieto.

— E hoje à noite, você e eu vamos jantar com os diretores de uma marca que querem você como embaixador. Precisamos negociar todos os detalhes. — Meu pai fala enquanto serve mais suco para si.

— Eu realmente preciso ir?

— Sim, eles pediram sua presença. Já combine com seu guarda-costas, ele e o Namjoon irão também.

— Ok.

Terminei de tomar café com eles, que ficaram despejando mais mil compromissos da semana em cima de mim. Subi para o meu quarto, peguei o notebook e sentei na cama.

— Vamos lá, essa música precisa sair agora. — Estralo os dedos como um aquecimento.

Trinta minutos se passaram, e eu ainda estava olhando para a tela em branco.

QUE INFERNO! - Preciso fazer isso em outro lugar.

Peguei meu celular e comecei a olhar o mapa, sem nenhum critério de busca, apenas observando os lugares. Até que meus olhos fixaram em Wangsan Beach. Era uma praia em Incheon, a 1 hora e 30 minutos de distância de Seoul.

Arrumei uma mochila com algumas roupas, um caderno e canetas.

Depois de um tempo, o Jk chegou. Desci para a entrada de casa e parei do lado da porta.

— Posso ir dirigindo?

— Claro. — Ele desceu e foi para o lado do passageiro. Eu entrei, ajustei o banco e os retrovisores.

— Qual praia vamos? — Ele me perguntou.

— Wangsan Beach, é mais perto daqui que as outras praias.

Ligo o carro e partimos. No caminho nos beijamos várias vezes enquanto ouvimos música e conversamos sobre várias coisas.

— Ahh, já estava me esquecendo, meu pai vai ter um jantar hoje a noite e quer que eu vá junto com ele, e pediu pra te chamar.

— S-sério? — O tom que ele fez sequer escondia sua surpresa e tensão.

— O que foi?

— Eu vou, é só que, é a primeira vez que vou ficar perto de vocês dois juntos, melhor eu manter meus olhos longe de você.

Isso me tira uma risada sincera, ao ponto que não consigo responder ele sem rir.

— Você acha graça, né? Culpa sua que fico igual um idiota te olhando. — Ele fala enquanto ri também.

Eu viro rapidamente pra ele.

— Vai dar tudo certo, eu confio em você. — Busco ar novamente após a risada.

Após uma hora, finalmente chegamos e estacionamos o carro em frente à praia.

— Já sei que não posso te beijar lá fora, então vem cá. — Ele me puxa pela cintura e me dá um beijo tão gostoso, que não dá vontade nem de sair do carro.

Finalmente criamos coragem e descemos. O céu exibia sua beleza, intensamente azul, em total harmonia com o oceano, que também ostentava cores deslumbrantes.

— Que delícia esse cheiro de mar.

— Pfff, nem se compara ao seu cheirinho. — Ele responde enquanto me dá uma apertadinha na cintura. — Vem, deixa seu tênis no carro e vamos para a areia.

Guardamos nossas coisas no carro, estendi uma toalha na areia bem próxima do mar, e nos sentamos ali mesmo.

Trouxemos algumas garrafas de soju, mas não posso pensar em ficar bêbado, não hoje.

— Vou dar um mergulho, vamos?

Eu já estava com o caderno e a caneta na mão.

— Pode ir lá, vou tentar escrever e vou em seguida.

Ele faz um carinho no meu cabelo, tira a camisa e vai para o mar. Fico observando enquanto ele nada, ele é bom nisso e mergulha várias vezes.

O Jimin de meses atrás jamais imaginaria que estaria assim, feito bobo enquanto olho pra alguém.

Conforme vou olhando para ele, de forma completamente natural, começo a escrever. As palavras saem quase como uma legenda do que estava sentindo por ele. Quanto mais o tempo passa, mais eu o amo, e isso transparece claramente na ponta da caneta.

O papel se preenche, marcado por palavras trocadas e novos trechos acrescentados conforme minhas ideias iam aparecendo.

Ele volta do meu lado depois de um tempo nadando, abre uma garrafa de soju e toma com sede.

— Você deveria matar a sede com água, não com soju.

— Olha quem fala, né?

Dou risada da resposta dele. Eu realmente não sou o cara certo pra dar lição de moral, ainda mais se tratando de álcool.

— Tá conseguindo escrever?

— Uhum...

— Posso ver?

— Claro que não. - Fechei o caderno, meio sem jeito.

Ele ri.

— Tá né, vou voltar pro mar, então.

Ele dá um sorriso maravilhoso e corre de volta para a água com aquele corpo encantador. Abro novamente o caderno e as palavras voltam a fluir facilmente. É difícil acreditar que fiquei tão tenso em sair da minha zona de conforto pra escrever algo diferente, que nem percebi que a inspiração para a letra estava bem diante de mim.

Busco expressar em palavras tudo o que eu estava sentindo. Eu queria viver isso de forma completa, sem ter medo ou receio.

Tento transparecer todo esse sentimento na ponta da minha caneta.

Antes eu só deixava a vida me levar, hoje em dia me pego fazendo vários planos para o futuro, isso em diversos assuntos, e na maioria deles, minha mente automaticamente te inclui.

E mesmo com todas as dificuldades, não consigo não te querer.

Minha mão desliza no papel enquanto te observo atentamente.

— Eu amo você. — Penso alto enquanto escrevo e te admiro no mar.

[...]

E finalmente, depois de um longo tempo, CONSEGUI! Eu consegui escrever. Ainda preciso alinhar a melodia e corrigir algumas partes na gravadora, mas o principal eu já consegui.

E graças a você.

Coloquei o caderno de lado, tirei minha camisa e corri apressado em direção ao mar, na sua direção. Mesmo com o calor, havia pouquíssimas pessoas por perto, mesmo assim, não me importei em te abraçar.

Ele joga água em mim enquanto ri, eu me vingo e jogo mais água ainda.

— Para de jogar águ... — Antes que eu pudesse terminar, ele joga mais água ainda. Eu abaixei e fingi que ele me machucou.

Ele veio na minha direção preocupado, colocando as mãos no meu ombro.

— Me desculpe, tá tudo b... — Nem deixei ele terminar de falar, revidei e joguei no rosto dele e corri.

— Você me paga, Park Jimin. — Ele tosse engasgado com a água e corre atrás de mim, eu fujo o máximo que consigo, mas ele me alcança e me joga no mar. Nós dois caímos na água.

Ficamos brincando por um bom tempo, o suficiente pra nos deixar ofegantes.

— P-preciso... preciso descansar. — Eu nem conseguia falar direito.

— Vem, vamos sentar um pouco.

Nós voltamos até a areia e nos sentamos. Coloquei a camisa e um chapéu bucket na cabeça e ficamos conversando.

— Quando você vai gravar a música?

— Amanhã...

— Já? Que rápido. — Ele abre mais uma garrafa de soju.

— Nem me fale. E amanhã de manhã ainda temos que criar as melodias e achar um backvocal pra gravar as vozes de fundo.

De forma inesperada, depois que falei, ele cantou bem baixinho o trecho de uma música que estava tocando ali por perto. Eu não podia acreditar no que eu acabei de ouvir, a voz dele era linda.

ESPERA AÍ, o que foi isso? — Eu viro na direção dele completamente entusiasmado.

— Nada. — Ele sorri e disfarça enquanto dá um gole generoso de soju.

— Sua voz, céus! Você nunca me contou que cantava.

— Porque eu não canto. — Ele dá uma apertadinha na minha bochecha.

— Você canta sim! Caralho, eu tô em choque! Você vai fazer os backing vocals da minha música.

Ele ri sem levar a sério o que estou falando.

— Eu tô falando sério, amanhã cedo vou te passar uns trechos e você vai no estúdio gravar.

— Calma aí meu loirinho, você tem que chamar algum cantor pra fazer isso, e não eu.

— Para com isso, agora eu quero você, por favor.

— Vou pensar, tá?

— Se não aceitar, não faremos sexo nunca mais. — Eu cruzei os braços.

— Agora você pegou pesado... ok, eu faço.

— Eba. — Dou um abraço nele. — Muito obrigado.

Ele retribui me abraçando mais enquanto cheira meu pescoço.

— Com uma chantagem dessas, não tem como eu dizer não, né? — Ele ri. — Vou buscar algo pra gente comer, me espera aqui. — Ele vai até uma lanchonete à beira mar que tinha ali perto.

Eu fico sentado sentindo a brisa e o calor do sol bater na minha pele. Pego o caderno de volta enquanto leio a letra.

— Já tenho a letra e o backing vocal, agora preciso de um nome pra música... — Eu olho ao redor tentando pensar em algo... Nada.

Tirei o chapéu e cocei a cabeça, como se tentasse pensar mais. Vou deixar rolar, igual fiz com a letra, logo consigo pensar em alguma coisa, a parte mais difícil eu já consegui, ainda bem.

Fiquei tão animado com a voz dele, vai ficar tudo perfeito.

Peguei outra garrafa de soju e bebi admirando a vista, o sol brilhava radiante no céu, e tudo parecia estar dando certo. Essa minha paz infelizmente é destruída por uma voz.

Essa voz...

— Ora ora, olha quem encontro por aqui... — Era aquele desgraçado que eu sequer lembro o nome, que estava na festa do Hobi.

Estamos a quilômetros de distância de Seoul, como fui encontrar esse louco justo aqui?

Eu olho para ele com desprezo e ignoro.

— Quem você acha que é pra me olhar dessa forma, seu filho da puta?

Levantei na mesma hora que ele me xingou, minha paciência já estava no limite.

— O que você tá querendo, seu desgraçado? — Vou na direção dele. — Faz tempo que você tá procurando confusão comigo.

— Você é bem valente, né? — Ele ri ironicamente. — Realmente achou que eu ia esquecer da vergonha que me fez passar na festa do seu amiguinho?

— Eu não tô nem aí pra você, dá o fora daqui, caralho.

Ele ri enquanto olha para baixo e vira de costas como se estivesse indo embora. Até que de repente, em um movimento rápido e traiçoeiro, ele vira de volta e me acerta com um soco no rosto.

Eu vou acabar com esse maldito!

Após meu corpo ir para o lado com o soco, eu retornei rápido e revidei dando outro soco nele, acertando em cheio o seu nariz.

Seu corpo também foi para o lado. Ele colocou a mão no nariz e percebeu que estava sangrando.

— Eu vou acabar com você! — Ele grita e parte pra cima de mim, e assim que me agarrou, eu também agarrei no pescoço dele. Nós caímos no chão e continuamos brigando.

— Me solta caralho. — Consegui rolar pra cima e dei outro soco nele, que me jogou para o lado em seguida.

As poucas pessoas que estavam ao redor logo nos rodearam, gritando para pararmos.

Ele me deu um soco na barriga que doeu demais, me tirando o ar. Encolhi meu corpo tentando puxar o ar, e nesse momento ele ia me acertar com outro soco, até que o Jk surgiu do nada e avançou nele com tudo, jogando o desgraçado com brutalidade na areia. Ele subiu em cima dele em seguida.

VOCÊ TÁ MALUCO SEU FILHO DA PUTA? — Ele agarrou na gola da camisa dele enquanto gritava. Antes que o vagabundo fizesse ou respondesse qualquer outra coisa, o Jungkook deu um soco forte na cara dele.

Um único soco, foi o suficiente pra fazer ele apagar na hora. O Jk soltou a gola, jogando ele na areia, e veio correndo na minha direção.

— Ji, o que aconteceu??? — Ele me olhou em completo desespero enquanto sua mão trêmula e cuidadosa passava no meu rosto.

Eu sentia minha boca e meu rosto ficarem quentes, passei a mão e percebi que era sangue, ele também acertou meu nariz. O primeiro soco que ele deu de surpresa no meu rosto foi o suficiente pra machucar.

Mas, ainda bem que eu também machuquei ele.

Mesmo com tudo isso, eu estava com tanta raiva que a adrenalina não me permitia sentir dor alguma.

— Vamos para o hospital.

— Eu não quero, quero ir embora. Temos que sair daqui logo.

Hospital só nos trará problemas, ainda mais que ele terá audiência logo. Não posso envolver ele nisso.

Ele me ajudou a levantar, pegou nossas coisas que estavam na areia e me levou para o carro, abandonando o vagabundo na areia, que já estava acordando. Por sorte, todas as poucas pessoas que estavam por lá, viram que foi ele quem me atacou primeiro.

Assim que entramos no carro, ele dirigiu rápido até uma conveniência. Eu fiquei esperando no carro enquanto ele desceu, e logo voltou rápido trazendo curativos, remédio para dor e água.

Ele começou a cuidar de mim.

— Olha o que ele fez com você... — Ele me olhava com uma expressão triste enquanto limpava cada ferimento em mim. — Eu avisei aquele cara que eu ia caçar ele até no inferno se ele fizesse alguma coisa, e eu vou.

— Deixa quieto isso, eu também machuquei ele.

— Nunca! Eu vou torturar aquele desgraçado, isso não vai ficar assim.

— Jk, eu estou falando sério, você já está respondendo na justiça, isso seria péssimo e te colocaria em mais problemas.

Ele sabe que estou certo, mas o seu olhar me diz que ele nem está ouvindo o que estou falando, e que realmente vai se vingar quando tiver oportunidade.

Abaixei o espelho do carro e olhei para o meu rosto.

— Merda, meu pai vai surtar... O jantar é hoje à noite, como vou aparecer assim? — Coloquei a mão na cabeça, tentando pensar em uma solução.

— Vamos falar a verdade, que aquele maldito se aproveitou que eu estava longe e te atacou de surpresa.

Eu respiro fundo tentando processar tudo que aconteceu.

Ele me abraça e depois volta a observar meu rosto, enquanto uma das mãos ajeita meu cabelo, que estava ligeiramente bagunçado.

— Me perdoa...

— Ei, para com isso, perdão por que?

— Eu não fui capaz de te proteger disso.

Eu passo a mão nos cabelos dele.

— Você estava longe, tenho certeza que se estivesse comigo, teria agido rápido. Você não tem culpa alguma.

Ele volta a mergulhar o rosto no meu ombro, me abraçando mais ainda, e ficamos assim por alguns minutos. Ele levanta o rosto e volta a cuidar dos meus machucados.

Ele termina de colocar um curativo ao lado do meu olho esquerdo, e depois, coloca outro no meu nariz.

Minha mão também estava machucada com os socos que dei naquele bosta, então ele cuidou e colocou curativo também.

— Você quer ir pra sua casa?

— Posso ir para a sua? Só um pouco, até a dor no meu estômago passar.

Agora que o sangue esfriou, estou começando a sentir as dores.

— Mas é óbvio que pode, não precisa nem me pedir, meu amor.

Ele liga o carro e fomos embora, levaríamos mais uma hora até chegarmos.

Eu acabei pegando no sono na volta.

[...]

Chegamos em Seoul. Ele estaciona na garagem do apartamento e me ajuda a descer.

Assim que passamos pela porta, demos de cara com o Jin, que estava na sala.

— Puta merda, o que aconteceu com você? — Ele levantou do sofá no mesmo momento que me viu entrando apoiado no ombro do Jk.

— Briguei com um vagabundo. — Respondi enquanto sentamos no sofá. O Jk foi para a cozinha pegar gelo.

— Que merda Jimin, alguém viu?

— Poucas pessoas, mas não sei se me reconheceram.

O Jk voltou com uma bolsa de gelo pra colocar no meu olho, que já estava inchado.

— Ai... — Doeu assim que ele encostou a bolsa.

— Aguenta um pouco aí. — Ele continuou comprimindo o inchaço.

— Porque vocês brigaram? — O Jin perguntou.

— Já estudei com aquela desgraça, mas nunca fomos conhecidos. Faz tempo que ele estava querendo confusão comigo, e me deu um soco sem motivo algum.

— Você revidou, né?

— Claro, não ia abaixar a cabeça nunca, quebrei a porra do nariz dele.

— Boa Jimin, ainda bem.

O remédio que tomei pra aliviar a dor no corpo me deixou sonolento, e o pouco que dormi no carro não foi suficiente pra passar.

— Posso deitar um pouco na sua cama? — Olhei para o Jk.

— Vem, vou te levar lá. — Ele me acompanha até o quarto.

Eu deito e me acomodo na cama. Ele me dá um beijo na testa e anda em direção a porta.

— Fica aqui comigo, por favor.

Ele voltou no mesmo momento que ouviu meu pedido, e deitou do meu lado. Me deu um selinho gostoso e lento, e deitou a cabeça próxima a minha.

Seu braço me envolve em um abraço cuidadoso.

Nós pegamos no sono.

[...]

Acordei sozinho depois de algumas horas, o Jk estava do meu lado, ainda dormindo enquanto me abraçava.

Peguei meu celular que estava ao lado da cama e olhei a hora. Vi também que tinha algumas mensagens do Hobi.

O que eu mais temia, aconteceu... A notícia se espalhou.

— Jk, acorda. — Ele acordou rápido assim que toquei no braço dele o chamando. Viro o celular na sua direção e ele lê a nota.

— Droga, vamos para sua casa. — Ele dá um pulo da cama.

Fomos para o carro rápido, e ele também dirigiu rápido até minha casa. Assim que passamos dos portões, o Namjoon apareceu na porta. Apenas eu ia entrar, mas a voz dele mudou os nossos planos.

— Seu pai quer falar com vocês dois. — Ele dá o recado e entra.

Eu vou na frente e o Jk vem logo atrás de mim. Assim que passamos pela porta, vi meu pai na sala, sentado na poltrona enquanto estava com um copo de uísque na mão.

— Que porra é essa que vocês se meteram?

— Pai, me desculpe, mas eu só me defendi. Fui à praia para escrever a música, ele veio na minha direção sem motivo algum e me deu um soco.

— Assim, sem mais nem menos? Difícil acreditar nisso conhecendo você.

— Sim, foi do nada. Eu já estudei com ele, e pra ser sincero nem lembro nada sobre ele, nem o nome, e isso o irritou, por isso ele veio para cima de mim.

Ele me olha com os olhos cerrados e uma expressão de raiva.

— E você, Jungkook, não fez nada? — O olhar do meu pai para ele é o pior de todos.

— Desculpe Sr. Park, eu tinha ido em uma lanchonete ao lado buscar alguns lanches para ele, não imaginei que isso aconteceria.

— Você é um guarda-costas, não tem que imaginar que algo vai ou não acontecer, você tem que estar pronto para qualquer coisa, seja ela qual for.

Que merda, ele tá passando por isso por minha culpa.

— O senhor está certo, peço desculpas. Manterei minhas atenções redobradas.

Ele dá um gole no copo de uísque.

— Mais um escândalo desses, e você será desligado desse cargo.

— Pai, isso foi culpa minha, ele não tem nada a ver.

Namjoon me olha com desconfiança ao ouvir minha resposta, mas mantém o silêncio.

— Não quero saber de quem é a culpa, os dois estão errados! — Ele respira fundo e dá outro gole, finalizando o uísque do copo. — Agora que já está na mídia, vamos ter que adiar o lançamento do seu disco, se lançarmos agora pode prejudicar as vendas.

— Mas isso não é justo, eu tô me dedicando pra caramba nele...

— O que não é justo é você ficar igual um marginal brigando publicamente. O disco vai ser adiado sim, mas isso não vai tirar sua obrigação de terminar ele logo. Amanhã quero a última faixa até o fim da tarde. E outra, quero que você invente uma história bem convincente pra justificar isso para seus fãs.

— Ok. — Que droga... agora quem quer torturar aquele filho da puta, sou eu.

— Nós vamos ao jantar mesmo assim. A essa altura, todos já estão sabendo desse seu comportamento, então sua desculpa pra essa atitude já vai ter que começar hoje, se falarem algo sobre.

Eu concordo com a cabeça.

— E você, Jungkook, vá e volte às 20:00pm, nenhum minuto de atraso.

— Ok Sr. Park, com licença. — O Jk levanta, se curva e sai, seguido por Namjoon até a saída.

Meus olhos inevitavelmente acompanham eles.

— Olha para o seu rosto Park Jimin, que vergonha! Quero que você esconda todas essas marcas.

— Ok pai, vou para o meu quarto.

Subi as escadas com um completo desânimo, entrei no meu quarto e me joguei na cama. Amo minha carreira, mas quando ainda não era idol, as coisas eram mais fáceis, e de certa forma, meus pais pareciam se preocupar mais comigo.

Peguei minha mochila que estava no chão, abri e peguei meu caderno, abrindo na página com o esboço da letra. Escrevi em um momento tão bom, não acredito que aquele maldito estragou nosso dia.

Fico arrumando algumas partes e palavras, e descanso um pouco, até dar o horário dessa porra de jantar.

[...]

Próximo do horário, me arrumei colocando uma roupa um pouco mais formal. Em seguida, escutei o barulho da moto do Jk chegando.

Eu desci e meu pai já estava se preparando para sair. Ele me olha dos pés à cabeça, conferindo se eu realmente tinha escondido todas as marcas e machucados com maquiagem.

— Leve a maquiagem no carro para retocar isso quando começar a sair.

— Ok, vou com o meu carro.

Eu saí de casa antes que ele pudesse responder qualquer outra coisa. O Jk estava lindo, com uma roupa social toda preta. Eu amo ver ele com roupas pretas.

— Uau... — Fico bobo admirando ele e entramos no carro em seguida. Assim que fechamos a porta, ele respondeu.

— Você está tão lindo que nenhum machucado é capaz de ofuscar você, meu briguento. — Ele dá uma risadinha sútil. — Pra onde vamos?

— Não sou briguento não. — Dou risada. — Segue o carro do meu pai.

Eles saem e nós saímos em seguida.

O lugar não era longe. Chegamos em uma mansão enorme, rodeada de seguranças e câmeras por todo lado.

Um casal nos recebe na porta de entrada.

— Boa noite, então finalmente estamos conhecendo o famoso Jimin.

— Boa noite. — Cumprimentei os dois enquanto meu pai me apresentava. Após isso, nós entramos. O Namjoon e o Jungkook entram logo em seguida.

Lá dentro, nos acomodamos na mesa de jantar. Eu nem estava com fome mas precisava disfarçar.

Meu pai e os dois conversam em um papo chato e entediante sobre negócios e investimentos, até que chega uma menina na sala de jantar, de no máximo uns 14 anos.

— Oi, boa noite Jimin. — Esse boa noite dela sai em completo entusiasmo enquanto abana as mãos.

— Caros, essa é minha filha Yuna. Desculpem pela animação dela. Jimin, ela é uma grande fã sua.

— Olá Yuna, prazer em te conhecer.

Ela fica toda corada assim que ouve.

— Nossa, você é tão lindo, nem acredito nisso, posso tirar uma foto com você? — Seus olhos brilham.

Que merda. Claro que não tem problema algum tirar uma foto com ela, mas, sei que ela vai postar essa foto hoje, no mesmo dia que ainda tem notícias da briga circulando. Vão achar que eu saí pra festejar depois de brigar.

— C-claro.

Ela vem do meu lado, tira uma selfie e volta para seu lugar.

Depois disso, o jantar é servido, e todos começamos a comer. Eles começam na verdade na verdade, eu só fingi.

Ao fim do jantar, eles foram pra sala de estar. Namjoon e o Jk estavam ao fundo, e eu não conseguia parar de olhar pra ele. Ao mesmo tempo, a menina ficou do meu lado perguntando várias coisas.

Meu celular vibra.

— Quero ir embora logo... — Penso enquanto respiro fundo.

Eles ficam ali por mais uma hora... uma hora inteira sobre assuntos de negócios e investimentos que eu sequer sei conversar, e muito menos entendo.

Finalmente, todos se levantam para irmos embora.

Que alívio.

— Vamos marcar a sessão de fotos do Jimin após o lançamento do novo disco, avisarei vocês sobre a data. — Meu pai fala enquanto aperta a mão do homem.

Eles se despedem de nós. Entramos nos carros e vamos embora.

No caminho percebi que o Jk estava certo, não vamos ter como desviar o caminho com meu pai andando na frente.

Enquanto dirige, o Jk coloca a mão na minha perna.

— Que horas vou te ver amanhã?

— Vamos cedo para a Town, não se esqueça de não beber, você vai gravar suas partes.

— Você estava falando sério mesmo? — Ele olha pra mim.

— Claro, eu quero sua voz na minha música.

Ele sorri quando ouve.

— Tô ansioso pra ouvir ela, não só ela, seu disco completo.

— Obrigado por isso. — Meus olhos sorriem juntos com minha boca.

— Não sorri assim se não vou sofrer mais ainda por não poder beijar essa boquinha linda hoje.

— Então amanhã temos que nos beijar em dobro, pra compensar hoje. — Dou risada enquanto brinco.

Chegamos em casa.

— Boa noite Jungkook. — Preciso falar sério com ele perto do meu pai.

— Boa noite Jimin, e boa noite Sr. Park. — Ele se curva e sai em direção a garagem para buscar a moto dele.

De forma sútil, observo ele ir embora enquanto entramos e eu fecho a porta.

— Com licença pai, vou dormir, amanhã vou cedo para a gravadora.

— Muito bem, boa noite.

Eu subo para o quarto, tomo um banho relaxante e demorado, sentindo a água escorrer sobre minha pele.

Os machucados ardiam, e ver eles me deixava com mais raiva ainda daquele desgraçado.

— Ainda bem que ninguém perguntou sobre isso no jantar. — Respiro fundo aliviado.

Terminei meu banho e voltei para a cama. Eu já estava com sono então logo ia dormir.

Mandei uma mensagem para o Jk.

— Agora posso dormir bem.

Poucos minutos depois, meu sono veio como um raio.
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Espero muito que tenham gostado do capítulo!

Obs: na montagem que fiz com o caderno na praia, a letra realmente é do Jimin, não botei fé que ia ficar legal mas gostei bastante do resultado de juntar as duas fotos 🖤

Não esqueçam de votar e comentar pra me mostrar que estão gostando da história 😩

Até o próximo capítulo anjos!

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