13 :: obcecado por você
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PARK JIMIN
Meu celular despertou às 08h, mas o sono era tanto que eu simplesmente desliguei o alarme e voltei a dormir sem nem pensar duas vezes. Nem sei quanto tempo se passou, mas foi o suficiente pra minha mãe começar a esmurrar a porta do meu quarto, me chamando.
— Jimin, você tem cinco minutos pra levantar, ou vou cancelar vários dos seus contratos! — O tom dela era firme, mas não agressivo. Diferente do meu pai, que sempre apelava pra ignorância, ela sabia exatamente onde cutucar pra me fazer reagir.
— Já vou, mãe! — Respondi, a voz ainda embargada de sono, enquanto levava as mãos ao rosto, tentando espantar o cansaço que parecia querer me afundar de volta no colchão.
Que saco!
Meu corpo inteiro doía, principalmente a cabeça e as costas. Sentei com dificuldade, esfregando os olhos enquanto tentava encontrar forças pra começar o dia. Abri a gaveta do criado-mudo e peguei um relaxante muscular, jogando o comprimido na boca e engolindo sem água. Essas dores precisavam sumir logo, porque o dia prometia ser longo e cheio de compromissos.
Fiquei sentado na beira da cama por alguns minutos, piscando lentamente, lutando pra me manter acordado e reunir coragem pra levantar de vez.
— Que loucura o que aconteceu ontem... — Murmurei, rindo sozinho, enquanto lembrava das coisas que fizemos no carro.
Era impossível negar agora. Por mais que eu tentasse ignorar o que estava sentindo, cada vez mais eu me via gostando dele. Não tinha como fugir disso. Eu já estava bem mais confortável com a ideia de gostar de um homem, mas não dava pra vacilar como fiz na festa de ontem. Aquilo foi arriscado demais.
Infelizmente, assumir um relacionamento, e pior, um relacionamento gay, estava fora de questão. Meu pai não pensaria nem duas vezes antes de quebrar meu contrato, mesmo sendo meu próprio pai. Ele já surtou quando soube através da mídia que eu fiquei com a Nayeon na festa de aniversário dela, imagina descobrir que tô envolvido com o guarda-costas que ele mesmo contratou? Era um cenário catastrófico, e eu sabia disso.
Suspirei, encarando o teto. Até achar uma maneira de lidar com essa situação, a única opção era manter tudo em segredo. Não havia espaço para deslizes.
Assim que voltei dos meus pensamentos, fui até a porta, ainda sem camisa e vestindo apenas um shorts, e, pra minha surpresa, dei de cara com minha mãe, que ainda estava parada ali. A expressão no rosto dela era péssima, como se estivesse segurando o stress.
— Te deixei sair ontem com a condição de acordar cedo hoje, Jimin. Você tem 20 anos, não pode ficar brincando como se fosse um adolescente, ainda mais com a sua carreira. Muitos idols e trainees dariam tudo para estar na sua posição, então é bom que você valorize isso. — Ela cruzou os braços, me encarando com severidade.
A verdade é que a preocupação deles sempre foi com a minha carreira, nunca comigo como pessoa. Se eu fosse alguém comum, talvez eles nem seriam assim, ainda mais considerando a minha idade. Era difícil não sentir essa pressão constante.
— Desculpe, mãe. — Respondi, abaixando a cabeça, sem nem tentar me justificar.
Ela respirou fundo, colocando as mãos na cintura e me lançando um olhar mortal, me examinando dos pés à cabeça.
— Vá colocar uma roupa. Hoje você tem gravação de um comercial e sessão de fotos, aqui em Seoul mesmo... E, inclusive, você já está atrasado. Depois que terminar lá, preciso que você volte para a Town. Você tem muitas coisas do disco novo pra cuidar por lá. — Ela continuou, sem pausa.
— Você vai na gravação do comercial também?
— Não, hoje tem fanmeeting do Yoongi, vou junto com ele e a equipe. Chame o guarda-costas para ir com você, e não se atreva a ir sem ele.
— Ok mãe. — Não tenha dúvidas disso.
— Ah, e hoje eu vou chegar tarde em casa, à noite tenho um jantar com alguns patrocinadores, então, não te quero metido em nenhuma confusão, está me entendendo?
— Tudo bem, sargenta. Mais alguma coisa?
— Vou te mandar a localização do local da gravação.
Ela estava toda arrumada e, modéstia à parte, estava linda, como sempre. Me deu um beijo rápido na testa antes de sair, onde o motorista já estava esperando por ela no carro.
Peguei meu celular e mandei mensagem para o Jungkook, e enquanto ele ainda não respondia, fui me arrumar. Depois de poucos minutos, sua resposta chegou.
Já era de imaginar, ele sempre levantava cedo.
Coloquei o celular na cama e fui arrumar meu cabelo, mas não demorou muito até que outra mensagem dele apitasse, avisando que já tinha chegado.
— Como assim? — murmurei, surpreso.
Peguei minhas coisas e desci apressado.
— Seis minutos, Jungkook, você levou seis minutos! Veio em que velocidade? De um jato? — Falei, incrédulo, enquanto me aproximava dele. Jungkook ainda estava sentado na moto, com as mãos relaxadas nas pernas.
— O suficiente pra não deixar de sentir essa sua boca gostosa. — Ele disse com aquele tom provocador de sempre.
Na mesma hora, conferi o nosso redor, checando se havia alguém por perto que pudesse ter ouvido aquilo.
— Não tem ninguém, já conferi. — Ele sorriu, aquele sorriso lindo e perigoso que só ele tem. — Quer ir de moto?
— Hmm, seria uma ótima ideia, mas de carro temos mais privac... — Comecei a falar, mas antes que eu pudesse terminar a frase, Jungkook já estava descendo da moto e tirando o capacete.
Ele realmente não perdeu tempo, né?
Ele assumiu o volante do meu carro, e saímos apressados assim que liguei o GPS no computador de bordo. O local das fotos ficava a uns quarenta minutos de distância, mais ao sul de Seoul.
— Não fica correndo de moto dessa forma, tá me entendendo? — eu o repreendi, tentando parecer sério.
Ele riu, ainda focado na estrada, com aqueles olhos grandes que pareciam brilhar sob a luz do sol da manhã.
— Qual foi? — perguntei, cruzando os braços.
— Tá preocupado comigo? Que lindo que você é. — Ele sorriu olhando pra mim de pouco em pouco enquanto dirigia.
— Não tô não. — Eu cruzei os braços e olhei pra frente, envergonhado.
Ele deu seta e parou no acostamento, em uma estrada pouco movimentada.
— O que foi? O carro deu problema? — perguntei, olhando de um lado para o outro, preocupado.
Ele puxou o freio de mão e se virou na minha direção, com um sorriso travesso no rosto.
— Você fez esse biquinho bravo, eu não aguento assim. Quero o beijo que você está me devendo antes da gente chegar no seu compromisso.
Sorrindo timidamente, olhei para ele. Então, peguei sua camisa e puxei sua boca até a minha. O beijo fluiu de forma tão natural que eu me perdi na sensação.
Me perguntei como pude me contentar com tão pouco com outras pessoas que já me relacionei. O jeito como nossos lábios se encaixavam, como a química entre nós era intensa, me deixava atordoado. Era algo que eu nunca tinha experimentado antes, e eu queria mais.
Entre o beijo, ele parou e me olhou, dando uma mordidinha gostosa no meu lábio enquanto sorria de forma provocante. Ele sabia como me deixar completamente maluco. E mesmo que a vontade de continuar fosse imensa, hoje era necessário resistir.
Fizemos uma pausa entre os beijos, mas logo ele começou a me dar selinhos, um após o outro, como se fosse uma competição de quem se rende primeiro. Quando finalmente paramos de vez, os dois respirando pesadamente, eu sabia que precisava dar um tempo.
— Vamos indo, antes que eu escute outro sermão da minha mãe. — Falei, tentando quebrar a tensão.
— Ok, chefe. — Ele respondeu, a voz ainda carregada de intensidade.
A mão dele se moveu com delicadeza em direção ao meu cabelo, arrumando uma mecha que havia se desordenado durante o beijo. O gesto era simples, mas carregava uma ternura que me fazia sentir especial. Sua mão deslizou até meu rosto, acariciando minha bochecha de forma suave.
Sem pensar, peguei a mão dele e a levei até meus lábios, dando um beijo lento na palma. Olhei em seus olhos, buscando aquele brilho que sempre me atraía.
— Não faz isso, Park... — Ele disse, a expressão no rosto entregando o quanto estava gostando.
— E se eu continuar? — Respondi, dando mais um beijo na sua mão e cerrando meu olhar no dele.
— Vou ser obrigado a te agarrar de novo. — Ele provocou, a voz baixa e cheia de desejo.
Não consegui conter a risada e soltei a mão dele.
— Não ache que você vai fugir mais tarde, pois não vai. — Ele falou enquanto dava aquele sorriso canalha.
— Veremos. — provoquei.
Voltamos a pegar a estrada e chegamos após quinze minutos. A localização nos levou para um prédio grande e todo espelhado em uma rua movimentada de um bairro nobre. Grandes árvores floridas de ipê chamavam atenção na entrada do prédio. Ao chegarmos, fui informado de que a equipe já estava me aguardando no terraço.
Subimos de elevador até o 16º andar. A equipe de filmagem estava toda lá, realmente só faltava eu. Pedi desculpas a todos pela demora e fui para o penúltimo andar me arrumar.
O comercial e as fotos eram para uma marca de roupas. Coloquei um conjunto que escolheram, sentindo a textura suave do tecido na minha pele. Logo, duas staffs se aproximaram para arrumar meu cabelo e fazer a maquiagem. A sensação de ser preparado para as câmeras sempre me deixava um pouco ansioso, mas, ao mesmo tempo, era emocionante.
Após alguns minutos de ajustes e toques finais, voltei para o terraço. O cenário era perfeito, com a vista da cidade ao fundo. O sol iluminava tudo com um brilho dourado, e a atmosfera estava cheia de energia criativa.
Me posicionei diante das câmeras, tentando canalizar toda a confiança que eu tinha. Enquanto as luzes se acendiam e as instruções começavam a ser dadas, eu fiquei tentando padronizar minha respiração. Mesmo acostumado com tudo relacionado à minha carreira, eu me sentia ansioso a cada trabalho e a cada show. Eu não queria apenas dar o meu melhor; eu queria ser perfeito em tudo. Essa pressão era um trauma que carregava há anos, resultado do investimento que meu pai fez na minha carreira, me impedindo até de ter uma infância normal.
— Luzes, câmera e ação. — Assim que o diretor falou, as filmagens começaram.
Gravamos vários takes. Nenhum deles tinha falas, mas eu tive que repetir diversas vezes várias poses e movimentos, tanto para as filmagens quanto para as fotos. Cada clique da câmera, cada movimento, parecia amplificar a tensão em meu corpo, mas eu tentava esquecer disso e me concentrar no trabalho.
No fundo, próximo à porta de saída do terraço, vi o Jungkook observando tudo, sem tirar os olhos de mim por nenhum segundo. Respirei fundo para não ficar com vergonha, mesmo já me sentindo um pouco tímido.
Mas, de certa forma, com ele era tudo diferente. O jeito como ele me olhava, cheio de admiração, fazia meu coração acelerar.
Eu sabia que me sentia diferente. Era como se a felicidade estivesse à flor da pele, algo que eu nunca havia sentido com tanta intensidade. Na minha cabeça, eu já era feliz levando minha vida, mas agora, ao experimentar com ele todos esses sentimentos novos, me sentia o dobro mais feliz.
[...]
As filmagens e fotos levaram um pouco mais de três horas. Ao fim, todos da equipe aplaudiram, e eu agradeci o esforço de cada um antes de sair. Fiz um sinal para o Jungkook, e descemos para o andar de baixo. Ele ficou me esperando no corredor enquanto eu trocava de roupa.
Ele ficou quieto até o elevador chegar e continuou assim após entrarmos.
— Tá tudo bem? — perguntei, olhando para ele.
— T-tá sim. — Ele me olhou rapidamente e voltou o olhar para o chão.
Pude sentir que algo o incomodava, mas não sabia o que poderia ser. O silêncio entre nós se estendeu, criando uma tensão estranha no ar.
Passamos pela entrada do hotel e chegamos ao carro que estava estacionado na frente.
— Eu vou dirigindo — falei enquanto estendia a mão, pedindo a chave do carro.
Assim que entramos, eu insisti e perguntei de novo.
— O que você tem?
— Por que você consegue fazer isso comigo? — ele finalmente falou, quebrando o silêncio que pairava entre nós.
Olhei para ele, confuso.
— Como assim?
Ele sorriu de canto, desviando o olhar para baixo, como se estivesse envergonhado.
— Acho melhor eu não te acompanhar quando você for fotografar ou gravar. Eu sequer consigo disfarçar que tô apaixonado por você, e alguém pode perceber.
Senti meu coração acelerar ao ouvir suas palavras. Apoiei minhas mãos na perna dele e me aproximei, quase colando nossos rostos.
— Fala de novo, você tá o quê? — perguntei, tentando conter o sorriso que se formava no meu rosto. Era tão gostoso ouvir isso.
Ele me olhou nos olhos, seu olhar intenso fazendo minha respiração falhar por um momento.
— Eu estou apaixonado por você, Jimin.
Droga... isso foi o suficiente pra me deixar excitado. Ele virou meu rosto de volta, quase encostando nossos lábios, enquanto olhava fundo nos meus olhos.
— E você?
— Eu tô obcecado por você — sussurrei, a confissão saindo de mim como um alívio. O desejo pulsava dentro de mim; que poder é esse que ele tinha sobre mim?
Ele sorriu de um jeito tão gostoso, ainda com nossas bocas próximas. Ele não me beijou, já que lembrou que o carro estava em frente ao prédio.
Assim que soltou meu rosto, seu olhar se direcionou à minha calça, e eu pude sentir o calor subir pela minha pele. O sorriso dele, aquela expressão entre a malícia e a timidez, fez meu coração acelerar ainda mais.
— Daria tudo pra te chupar agora. — Ele mexeu o piercing da boca com a língua, olhando para baixo e depois para mim.
Eu realmente não esperava que ele fosse dizer isso. Na mesma hora, voltei para o meu banco e escondi o rosto no volante, cruzando os braços. Senti meu rosto pegar fogo enquanto minha respiração saía pesada, quase como se tivesse corrido uma maratona.
Ele riu, me observando surtando de vergonha feito uma criança.
— Desculpe, ok? — Ele disse, ainda rindo.
— Não precisa pedir desculpa, é que só... só me pegou de surpresa. — Levantei a cabeça, entrelaçando minhas mãos.
Nunca pensei que ouvir algo normal me deixaria tão desconcertado. Já tinha feito sexo antes dele, mas nunca tinha recebido oral de ninguém, e também nunca tinha feito. O que eu deveria fazer? Como eu deveria reagir?
— Então não fique com vergonha. Não é mentira minha e eu quero mesmo, mas só vou fazer isso se você quiser, e quando quiser.
Mesmo com tudo isso sendo algo novo para ele também, sempre me surpreendia com a facilidade que tinha pra aceitar o que sentia vontade de fazer comigo, desde o começo. Já eu, precisava beber pra criar coragem e ser mais atrevido com ele.
— Tudo bem... Então vamos, né? — Eu continuava tímido. Liguei a chave e saí com o carro, enquanto ele continuava com a mesma risadinha.
— Para de rir de mim, idiota.
Ele apoiou a mão na minha coxa e deu uma apertada.
— Te amo.
Aquelas duas palavrinhas foram suficientes para derreter toda a minha timidez e a minha marra.
— Eu também te amo — respondi, sentindo uma onda de calor subir pelo meu corpo.
Jungkook respirou fundo, olhando para cima enquanto mantinha a mão carinhosamente na minha perna.
— Porra, loirinho... Foi tão difícil te convencer a se abrir pra mim, e agora ouço você falar isso... Meu coração tá pulando no meu peito, acho que vou infartar — ele disse, colocando a mão no peito e fazendo uma expressão dramática.
— Não infarta, não. Quero você bem vivo — brinquei, dando um sorriso enquanto olhava para ele e para direção ao mesmo tempo.
— Pra onde estamos indo? Quero te agarrar em algum lugar pra ouvir você falando que me ama de novo.
— Hmm, vou ter que acabar com seus planos, estamos indo para a Town.
— Porra... — Ele sabe que as chances da gente conseguir ficar juntos lá dentro são quase impossíveis.
Eu dei risada dele enquanto ele reclamava.
— Vou ter que ficar na composição das minhas novas músicas, então vou demorar mais que cinco horas. Pode ir pra sua casa com meu carro, eu te aviso quando puder vir me buscar.
— Ok, né. — Ele fechou o rosto.
Que lindo que ele é...
[...]
Entrei com o carro na garagem no subsolo. Ele fez um carinho no meu rosto e, em seguida, desci. Ele pulou para o banco do motorista e saiu com o carro.
Peguei o elevador e apertei o botão do 6° andar. A porta se abriu no térreo, mas ninguém entrou. Quando estava quase fechando novamente, alguém segurou e entrou. Era um dos idols da Town.
— E aí, Jimin.
— Oi, Seokjin! Quanto tempo não te vejo por aqui.
— Faz tempo mesmo. Vi a live do seu show nos Estados Unidos. O que foram aqueles efeitos visuais? Incrível.
— Obrigado! Fiquei feliz com o resultado também. Ah, escutei o novo disco de vocês e está ótimo. A faixa "Make Me Your Soul" foi, sem dúvidas, a que eu mais gostei.
— Obrigado mesmo! Isso é realmente uma honra. Essa eu escrevi com a ajuda de dois colegas com quem divido apartamento. Ah, inclusive um deles trabalha com você, o Jungkook. Demos muita sorte, a música combinou com todas as vozes do grupo e...
Ele continuou falando sobre a música, mas assim que ouvi o nome do Jungkook, minha expressão mudou. Fiquei surpreso e sem jeito, e mal ouvi o que ele ainda estava dizendo. Percebi que nunca toquei nesse assunto com ele; na verdade, não sei quase nada sobre a vida do Jungkook. Eu lembro do apartamento dele. No dia em que ele me levou bêbado, não vi ninguém, então deduzi automaticamente que ele morava sozinho.
Começamos da pior forma possível, e isso me impediu de o conhecer melhor. É ridículo eu não ter procurado saber mais sobre ele, sendo que ele já me conhece tão bem. Eu precisava consertar isso.
— Jimin? Tá tudo bem? Esse não é o seu andar? — A voz do Seokjin me trouxe de volta à realidade.
— Ahh, é sim... — Segurei a porta que estava quase fechando e saí. — Tchau, Seokjin. Até depois.
Fui para uma das salas de composição, onde encontrei dois compositores já esperando por mim. Assim que me sentei, começamos a discutir ideias e a desenvolver o conceito das novas músicas. Precisamos escrever cinco faixas em um tempo apertado, e a pressão da minha mãe estava acirrada. No entanto, minha mente estava tão agitada que eu mal conseguia me concentrar em qualquer coisa.
Como eu pude aceitar namorar alguém e sequer perguntar sobre a vida dele? Eu sou tão egoísta assim?
— Park, tá me ouvindo? — Um dos compositores estalou os dedos na minha frente, me trazendo de volta à realidade.
— Desculpe, o que disse? — perguntei.
— Vamos fazer uma pausa. Você precisa descansar um pouco, Park. Vá tomar um café ou um energético, e só apareça aqui quando estiver melhor — um dos compositores falou.
— Tá... obrigado — respondi forçando um sorriso e saí.
Saí da sala, tentando organizar meus pensamentos. Eu precisava entender mais sobre a vida do Jungkook e como tudo entre nós poderia se desenvolver, mesmo escondidos. Peguei um copo de café expresso e me dirigi à varanda, onde sentei e olhei fixamente para o copo, sentindo uma mistura de vergonha e confusão.
— Mas que merda, por que ele também nunca tocou nesse assunto comigo? É culpa dele também... — tentei justificar meu erro.
Era frustrante pensar que estava tão perto de alguém e, ao mesmo tempo, tão distante. Enquanto eu mergulhava nesses pensamentos, a voz de alguém me interrompeu.
— Oi, Jimin...
Reconheci aquela voz de imediato. Olhei na direção dela e confirmei minha suspeita: era a Nayeon.
— Oi, Nayeon...
— Meu irmão me devolveu o presente que eu dei a você. Me desculpe se fui inconveniente; não foi minha intenção — ela disse, olhando para mim com uma expressão que misturava nervosismo e vergonha.
Senti um nó se formar no meu estômago. Lidar com Nayeon, além das minhas questões pessoais, era o que eu menos queria naquele momento.
— Não precisa pedir desculpas, esqueça isso. Você está trabalhando aqui? — perguntei, lembrando que não era a primeira vez que eu a via na Town.
— Sim. Estou terminando minha faculdade, então consegui um estágio aqui, na equipe dos figurinos dos idols. Agradeço demais à sua mãe pela oportunidade.
— Ahh, parabéns... — murmurei, tentando soar simpático, mesmo que eu tenha odiado a ideia.
— Obrigada. Bem, eu vim falar com você porque o meu irmão conseguiu o papel principal naquela série que ele fez o teste. Ele ainda não sabe, então decidimos fazer uma festa hoje à noite pra ele, pra dar a notícia e comemorar. Se puder ir, ele vai ficar feliz.
Eu recusaria o convite pra qualquer outra coisa, mas algo que seja para o Hoseok era impossível de recusar.
— Certo, fico muito feliz por ele. Eu vou sim.
— Ok, mantenha segredo até lá. Vou indo então, tchau, até mais tarde. — Ela acenou e saiu.
Respirei fundo e joguei o corpo para trás no banco. Depois de alguns minutos tentando ganhar coragem, finalmente voltei para a sala.
— Park, precisamos de uma faixa romântica no disco novo. — O Seonmin cruzou os braços, olhando firme para mim enquanto eu entrava.
— Mas eu nunca escrevi letra romântica. As músicas assim que tenho são todas compostas por vocês.
— Vai ter que aprender. São ordens da sua mãe. Temos muita coisa pra criar aqui. E outra, será ótimo pra você explorar coisas novas. — O tom dele era sério, mas havia um leve sorriso nos lábios que parecia encorajar.
— Ok, mas não consigo compor isso hoje, preciso de tempo e inspiração. — Respondi, tentando manter a calma.
— Um idol bonitão e desejado como você, o que não falta é mulher linda doida pra ser sua inspiração. — Seonmin piscou, com um sorriso brincalhão.
— Hmmm, sim... — Dei um riso nervoso, completamente sem graça. Que babaca.
[...]
Continuamos ali por mais algumas horas, tentando criar as letras. Enquanto isso, minha mente estava em um completo bloqueio criativo. As ideias pareciam se dissipar como fumaça, e eu lutava para me concentrar.
— Foco, Jimin, você consegue. — Pensei comigo mesmo, tentando empurrar a autocrítica para o fundo da minha mente.
Com esforço, conseguimos criar as outras letras, mas nessa eu realmente travei. Não conseguia pensar sequer em um nome para a música. Olhei para a folha em branco à minha frente, frustrado. As palavras que deveriam fluir estavam completamente travadas.
— Seonmin, hoje não consigo criar essa, desculpe. Tô com a cabeça cheia. Vou tentar escrever quando chegar em casa. — Expliquei, sentindo uma mistura de culpa e alívio.
— Ok, mas amanhã quero ela na minha mão, até meio-dia, no máximo. Ainda temos que criar a melodia dela.
— Não me pressiona. — Respondi, já sentindo a pressão aumentar. — Vou embora, tchau pra vocês.
— Mas ainda não deu seu horár... — Ele começou, mas eu já tinha saído antes de ele ter tempo de terminar a frase. A última coisa que eu precisava naquele momento era ouvir mais sobre prazos e expectativas.
O peso das horas de trabalho me deixou um pouco exausto, mas havia algo mais me consumindo por dentro. Eu amava música, mas odiava quando se tornava uma obrigação. O que deveria ser uma expressão do que sentia, se transformava, de certa forma, em um fardo. Isso me incomodava.
Mandei uma mensagem para o Jungkook e esperei no subsolo; ele chegou poucos minutos depois.
— Qual é o seu compromisso agora? — Ele fez um carinho rápido na minha perna assim que entrei.
— Nenhum. Vamos comer alguma coisa? Estou com fome.
— Vamos. O que você quer comer?
— Hmm, você escolhe.
— Vamos ver... Tem um restaurante aqui perto que serve um bibimbap que é uma delícia, um dos melhores que já comi.
— Então vamos.
Ele deu um sorriso lindo e começou a dirigir. Realmente era perto; chegamos em menos de cinco minutos.
Assim que chegamos, deixei que ele encarregasse dos pedidos.
— Tá afim de sair hoje? Vai ter uma festa para o Hoseok na casa dele — perguntei.
Ele cerrou o olhar para mim enquanto bebia a garrafa de soju que o garçom já tinha servido.
— Na casa dele? Com a irmã dele?
— Sim, foi ela quem me avisou. Vai ser uma festa surpresa pra comemorar o papel principal que ele conseguiu em uma nova série.
— Não sabia que vocês estavam tão próximos assim. — Pela carinha que ele fez enquanto desviava o olhar de mim, já percebi que estava com ciúmes.
— E não estou. Ela está trabalhando na Town; encontrei ela por acaso e ela avisou. Inclusive, pediu desculpas por ter me dado aquelas alianças.
O garçom chegou com os nossos pedidos e logo saiu.
— Melhor eu não ir. Não sou íntimo dele.
— Mas ele já te conhece. E outra, ele sabe que estamos juntos, e é ele quem importa naquela casa, apenas. Vai, por favorzinho, não quero ir sem você, mas também não posso deixar de ir. Ele é meu melhor amigo.
Ele suspirou e só aceitou depois da minha insistência.
— Pedindo assim, não consigo dizer não.
— Eba! Então vamos comer logo.
Nós comemos enquanto nosso papo fluía por mais um tempo. O bibimbap era realmente maravilhoso, e o restaurante era bem aconchegante. Eu não conhecia esse lugar e só conseguia pensar em quanto eu queria trazer o Hoseok aqui.
Assim que terminamos, Jungkook me deixou em casa e foi para o apartamento se arrumar.
[...]
Já eram pouco mais de 21h, e notei que minha mãe ainda não tinha chegado, bem que ela avisou que chegaria tarde mesmo. Geralmente era meu pai quem fazia as reuniões de patrocínio, mas ela disse que iria em uma hoje. Deve ser porque meu pai ainda está na Suiça, então ela acaba sendo a responsável.
Tomei um banho quente e rápido e logo fui me arrumar. Depois de organizar minha roupa e ajeitar o cabelo, ouvi a campainha. Ele chegou logo em seguida.
Desci e vi que ele estava incrível em cima da moto, com uma jaqueta de couro aberta e uma calça justa que destacava suas pernas musculosas.
— Vamos de moto? — Meu olho brilhou ao ver meu homem; eu queria me agarrar ao seu corpo durante todo o caminho.
— Claro, você quem manda, loiro.
Dei um sorriso animado, corri até a garagem para pegar um capacete e voltei. Assim que montei na garupa dele, apoiei minha mão sobre a perna, mas ele pegou minhas duas mãos e puxou para cima, encostando no seu abdômen, me aproximando ainda mais dele.
— Segura aqui.
Ele ligou a moto e saímos. A casa do Hoseok não era longe, mas pegamos um trecho de estrada.
A moto dele era potente, e ele acelerava com facilidade.
No caminho, pude sentir sua barriga definida sob uma das minhas mãos, que ficou por dentro da jaqueta dele. Nossa, eu não queria mais tirar a mão dali. Ele reduziu um pouco a velocidade, levantou a viseira e me olhou enquanto acariciava minha coxa.
— Eu amo tanto esse seu cheirinho de morango; até de capacete eu consigo sentir. — falou.
Eu o abracei ainda mais, sentindo seu calor e a segurança que ele me transmitia.
— Quer sentir mais de perto? — perguntei, com um sorriso travesso nos lábios.
— Vou fazer isso já já. — Ele respondeu, me dando uma apertada firme na coxa, como se quisesse garantir que eu estava ali, perto dele.
Ele abaixou a viseira e voltou a segurar minha perna com uma mão enquanto pilotava, aumentando a velocidade e costurando entre os carros com habilidade. O vento batia em nossos rostos e eu mal podia conter a empolgação. Cada curva e aceleração faziam meu coração disparar, não só pela adrenalina, mas pela proximidade dele. Eu poderia sentir sua barriga sob minha mão, e o desejo de não tirar minha mão dali era quase irresistível.
Depois de alguns minutos, chegamos à garagem do apartamento. Ele estacionou a moto com cuidado, e eu já estava ansioso para sair e continuar a noite.
— Só o Hobi sabe sobre nós, então na festa somos amigos. Não sei o que a Nayeon é capaz de fazer se descobrir. — Eu disse, soltando um suspiro ao tirar o capacete e arrumar meu cabelo desordenado pelo vento.
— Tudo bem. — Ele respondeu, me dando uma apertadinha no queixo.
Com isso, caminhamos em direção ao elevador. A expectativa de comemorar algo que o Hoseok quis tanto me deixava animado.
Assim que entramos no apartamento, cumprimentei os pais do Hobi e olhei ao redor, procurando por ele. O lugar estava lotado, cheio de pessoas; algumas da época da escola, que eu não suportava, e outras do acampamento, além de colegas de elenco dele.
— Eu preciso de um ar. Vamos até a varanda? — comentei, sentindo a necessidade de escapar um pouco daquela multidão.
Jungkook concordou e seguimos para a varanda, onde o ar fresco nos envolveu. Nós nos sentamos em dois bancos, e eu fiquei olhando para a cidade noturna iluminada, tentando acalmar os nervos enquanto a gente esperava pelo Hoseok.
— Obrigado por ter vindo comigo... — eu disse, quebrando o silêncio que se instalou entre nós.
— Pela cara que você fez, já imagino que viu pessoas que não gosta, certo? — Jungkook respondeu.
— Talvez... A escola não foi uma época tão legal. Minha vida está tão melhor agora. Acho que ver essas pessoas me lembram desse tempo. É estranho.
Antes que Jungkook pudesse responder, um dos garotos que estudou comigo se aproximou. Ele era alto, magro, e tinha um sorriso que parecia forçado.
— Park Jimin, quanto tempo, cara. Tá famosão, hein?! Aposto que pega a garota que quiser, todo dia. Não precisa ignorar os velhos amigos assim, me arruma umas também. — Suas palavras cheiravam a álcool.
— Nós nunca fomos amigos. — respondi.
Nesse momento, ouvi uma risada discreta de Jungkook com a minha resposta.
— Caralho, Jimin, tá falando assim comigo porque agora tem amigos novos, né? Sempre foi um playboy mesquinho mesmo.
— Não, tô falando porque realmente nunca fui seu amigo. Nem sei o seu nome. — Olhei para o lado, ignorando ele.
— É por isso que sempre dizem que idol é uma merda. A fama sobe pra cabeça. Seu bosta! — Ele estava tão bêbado que, enquanto falava, derramou bebida em nós dois.
— O que você disse? — Jungkook levantou na mesma hora. — Repete.
— Qual foi, grandalhão? Eu nem te conheço, sai fora. — Ele tentou o empurrar, mas Jungkook foi mais rápido e agarrou o braço dele, se aproximando no mesmo instante.
— Escuta aqui, seu porco. Vou te dar 5 segundos pra pedir desculpas a ele e sumir daqui com esse cheiro de chiqueiro. Se não fizer isso, vou atrás de você. Pode correr pra onde quiser, vou te achar até no inferno. E quando eu te achar, vou quebrar cada membro do seu corpo, pra você nunca mais sair por aí sendo um desgraçado como agora.
— E q-quem é você pra me ameaçar? Me solta!
Jungkook apertou ainda mais o braço dele.
— Vou começar a quebrar agora. Cinco, quatro, três, dois...
— Tá, tá, me desculpa! — Ele virou o olhar cheio de lágrimas para mim, mas eu apenas desviei o rosto, sem dar muita atenção.
— Solta esse merda, Jk. — Pedi, e Jungkook soltou no mesmo instante, sem hesitar. O cara saiu tropeçando, cambaleando em direção à saída do apartamento, claramente abalado e fugindo da festa.
— Obrigado por isso, você traumatizou o cara pelo resto da vida. — Ri, tentando aliviar o clima pesado que tinha ficado no ar.
— Essa era a intenção. — Jungkook respondeu com um sorriso discreto, antes de se sentar de volta no banco. Eu dei um abraço rápido nele, sentindo o conforto e a proteção de estar ao seu lado, mas soltei logo antes que alguém pudesse perceber o gesto.
Nos acomodamos ali por mais alguns minutos, continuando nossa conversa enquanto a festa rolava ao fundo. A varanda estava silenciosa e era o lugar perfeito para fugir do barulho lá dentro. Eventualmente, Hoseok chegou. Assim que o vi entrando, me levantei animado, indo até ele.
— Parabéns pelo papel, Hobi! Você merece muito. — Dei um abraço nele, e Jungkook logo se juntou para cumprimentar também.
— Valeu, gente! — Hoseok sorriu, claramente emocionado com o apoio. — É um sonho se realizando, sério. Vou lá falar com o resto do pessoal, e já volto aqui. Fiquem à vontade.
Ele se afastou para cumprimentar as outras pessoas, enquanto eu e Jungkook ficamos observando o movimento da festa, sentindo que o ambiente estava um pouco mais leve.
— Jungkook, hoje... Bem, eu peguei o elevador com o Seokjin, e ele comentou que vocês moram juntos.
— Uhum — Ele respondeu, ainda bebendo um gole de soju. — Eu, ele e outro amigo, Taehyung.
Cocei a nuca, um pouco sem jeito, tentando achar as palavras certas.
— O que foi? — Ele me olhou curioso.
— Bem, eu queria te pedir desculpas... Tudo é sempre tão focado em mim que eu simplesmente esqueci de te perguntar sobre isso. E não só isso, eu não sei quase nada sobre você.
Ele deu uma risada sutil, a típica que ele solta quando está relaxado.
— Tá tudo bem. — Ele passou a mão pelo meu rosto, o toque suave me acalmando. — Pra resumir... Eu não conheci meu pai, e perdi minha mãe ainda muito jovem. Entrar pra polícia foi a forma que encontrei de sair da casa da minha tia, que nunca foi uma boa pessoa. Depois que entrei, eu, o Seokjin e o Taehyung decidimos morar juntos, e estamos assim até hoje.
Havia uma profundidade no que ele disse, algo que me fez perceber o quanto ele carregava dentro de si. Ele realmente não teve uma vida fácil, completamente diferente da minha, que cresci com uma família estruturada e com dinheiro. A vida dele parecia ter sido marcada por lutas constantes, enquanto eu, realmente só era um playboy mimado.
— Eu sinto muito pela sua mãe e por tudo isso que você passou.
— Obrigado, Ji.
Sorri quando ouvi ele me chamar assim.
— Céus, me chame assim sempre, por favor, eu amei. Minha vó me chamava desse jeito.
O sorriso dele, aquele sorriso de coelho que eu tanto adorava, apareceu de novo, iluminando o rosto dele.
— Pode deixar que eu vou chamar — ele respondeu, ainda sorrindo.
Tomei coragem e fiz a pergunta que estava na minha mente.
— Bem, sobre seus amigos... Eles sabem sobre nós?
— O Tae já percebeu há mais tempo do que eu mesmo — ele riu, um som leve e despreocupado. — O Jin, eu ainda não contei. Sei que ele não falaria nada, mas ainda não tive essa conversa com ele.
— Por mim, tudo bem, pode contar pra ele — respondi com naturalidade.
Ele me olhou pensativo, como se estivesse gostando da ideia.
— Amanhã é aniversário do Taehyung. Vamos comemorar só entre nós lá no apartamento. Você quer ir? Fiquei meio sem jeito de te convidar antes porque não sabia se você queria que o Seokjin soubesse, já que trabalham juntos...
— Claro que eu quero! — respondi sem pensar duas vezes.
Ele sorriu, aquele sorriso lindo que me derretia sempre.
— Isso é ótimo. Eu te aviso quando for te buscar.
Os olhos dele brilhavam, e eu podia sentir o quanto isso significava para ele. Assim como o Hobi é importante pra mim, os amigos dele claramente eram pra ele também. Fazer parte dessa parte da vida do Jungkook me deixava ainda mais conectado a ele. Era exatamente o que eu queria.
Nós ficamos ali curtindo por mais um tempo até o Hobi voltar e se juntar a nós. A Nayeon não se aproximou em nenhum momento, o que, para mim, foi ótimo.
Quando a festa chegou ao fim, nos despedimos do Hoseok e saímos juntos. Como não estávamos de carro, Jungkook decidiu parar em uma rua escura e sem movimento antes de seguirmos para casa. Ele ficou um pouco encostado na moto, e não resisti: me aproximei e o beijei. Sua mão, de forma atrevida, foi direto para a minha bunda, entrelaçando-se ao beijo.
— Ei... — eu disse entre um sorriso bobo.
— Desculpe, eu não consigo resistir em pegar no que é meu — ele respondeu, com um sorriso bem safado no rosto. Não pude evitar, então mordi o lábio dele e voltei a beijar sua boca.
Nossas línguas dançavam em uma sincronia perfeita, e o ritmo de nossos beijos só aumentava. O calor da paixão entre nós se intensificava, e não conseguíamos nos separar. O momento se arrastou por longos minutos, nos deixando cada vez mais excitados.
— Vamos pro meu apartamento? — ele perguntou, mordendo o lábio enquanto apertava ainda mais a minha bunda.
Pensei na situação antes da resposta: minha mãe ia demorar para chegar, então eu poderia me demorar também. Além disso, eu tinha bebido demais, e voltar assim poderia causar problemas, já que algum funcionário poderia acabar vendo e me dedurando.
— Vamos — respondi, tentando esconder o sorriso que estava se formando no meu rosto.
Sorrimos um para o outro e montamos na moto novamente, mudando o caminho e seguindo para o apartamento dele.
[...]
Assim que chegamos, notei que estava tudo em silêncio. Os amigos dele provavelmente já deviam estar dormindo.
Entramos no seu quarto, e ele imediatamente se virou para mim.
— Espera aqui, vou tomar um banho rápido pra tirar o soju que aquele desgraçado derrubou em mim. Fica à vontade no apartamento — ele disse, e eu concordei.
Comecei a perambular pelo quarto dele, reparando em cada detalhe. Era tudo tão organizado; até as roupas de cama estavam devidamente esticadas. Com certeza, eu nunca relacionaria esse jeito arrumadinho a ele, o que só prova o quanto eu conheço tão pouco sobre o Jungkook.
Do lado da cama, na mesinha de cabeceira, havia uma foto de uma mulher e um menininho. Observando os olhos grandes e expressivos do garotinho, tive a certeza de que aquele era Jungkook. Fiquei olhando por um tempo, sentindo uma certa dor ao perceber que ele havia perdido sua mãe e que, por causa disso, havia sofrido tanto na vida.
Tentei imaginar como teria sido a vida dele com ela, como seria crescer ao lado de alguém que o amava incondicionalmente. Isso só tornava a conexão entre nós ainda mais especial, pois agora eu entendia um pouco do que ele carregava dentro de si. Eu queria saber mais, descobrir tudo sobre ele e ajudar a lidar com as feridas do passado.
Eu deitei na cama e fiquei olhando para o teto, pensativo. Enquanto isso, ouvia a água do chuveiro caindo e pensei em como a presença dele era reconfortante. Eu nunca imaginei gostar de um cara, e agora que estamos juntos, eu já não conseguia me imaginar sem ele.
Nunca fui de me apegar às pessoas. Me acostumei a ver pessoas indo e vindo da minha vida por interesse, e isso me ensinou a não amar e a não demonstrar sentimentos. Essa estratégia me protegia de decepções, mas com Jungkook, todas as barreiras que construí ao longo dos anos simplesmente desapareciam.
A maneira como ele me olha, como suas palavras me faziam sentir, tudo isso me desarmava. Era como se eu estivesse me entregando a algo novo e desconhecido, uma conexão que eu nunca havia experimentado antes. Eu sentia que, ao seu lado, poderia ser eu mesmo, sem máscaras ou defesas, e isso era ao mesmo tempo assustador e libertador.
Cada momento que passava com ele era como uma nova descoberta, um convite para explorar não apenas quem ele era, mas também quem eu poderia me tornar.
Jungkook realmente tomou um banho rápido. Quando voltou, me encontrou quase dormindo, bêbado e perdido nos meus pensamentos. Ele soltou uma risada suave e sentou ao meu lado, arrumando meu travesseiro antes de deitar junto a mim.
A sensação era quase magnífica, como se eu estivesse flutuando em um paraíso, o álcool em minha cabeça tornando tudo mais leve e sonhador. O toque delicado dele em meu cabelo era reconfortante, como se dissesse que tudo ficaria bem.
Adormeci como um anjo em seus braços, sentindo o calor dele me envolver. Era como se, naquele momento, ele estivesse me protegendo de tudo o que havia lá fora, das preocupações e das dores.
Eu não sabia nada sobre amor, e era como se ele conseguisse me ensinar sem ao mesmo usar palavras.
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[🎙️]
Oi Leitor, está gostando do desenrolar da história?
Espero muito que estejam curtindo.
Postei esse capítulo de madrugada pois estou sem sono e me deu um pico de ideias pra finalizar esse capítulo.
Dessa vez o Ji fugiu kkkkk
Te vejo no próximo capítulo!
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