09 :: evitar, encarar ou fugir?

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PARK JIMIN

Passei a noite inteira em claro, me virando na cama com a cabeça fervendo. Não consegui pregar o olho nem por um segundo sequer. O canto dos primeiros pássaros e os raios de sol entrando pela janela me avisavam que o dia já estava começando. Eu estava exausto, morrendo de sono, mas a mente não desligava.

— Eu não acredito nisso... nós nos beijamos mesmo — murmurei, ainda tentando processar o que tinha acontecido.

Sentei na cama e peguei o celular. As mensagens dele estavam lá, esperando para serem lidas. Eu não tive coragem de abrir quando as notificações apareceram ontem, e agora, olhando para elas, minha ansiedade voltou a crescer.

— Ele me beijou... e eu retribuí, mas fugi feito um covarde — falei para mim mesmo, enquanto deslizava o dedo na tela para abrir as mensagens.

Eu sabia que, por mais que tentasse negar, eu queria aquilo. Não só isso, eu gostei tanto que não conseguia tirar da cabeça. O gosto dele, o cheiro, a pele, os lábios... tudo. Onde é que eu estava com a cabeça?

Eu olhava para minha mão, a mesma que ele segurou, como se pudesse encontrar respostas na memória daquele toque. Não fazia sentido o turbilhão de emoções que estava sentindo.

— Isso não pode continuar... eu não gosto de homens. Isso não faz sentido. Eu só... só estou confuso.

Mas quem eu estava tentando enganar? Não conseguia parar de pensar nele, em como o toque dele me afetou de um jeito que nunca imaginei. Cada detalhe daquele beijo, o calor da pele dele contra a minha, o gosto, o cheiro... tudo ainda estava fresco demais na minha mente. Tentei sacudir esses pensamentos, mas era inútil. Eu estava afundando na confusão, e quanto mais tentava sair, mais me via preso nesse desejo inexplicável.

Suspirei e fui para o banheiro. Um banho quente talvez me fizesse voltar à realidade. Eu precisava me arrumar, já que tinha compromissos importantes na filial da gravadora em Nova York, mas o simples fato de saber que teria que encarar ele de novo fazia meu estômago revirar. Como eu iria olhar para ele depois do que aconteceu?

Me vesti rapidamente, com as mãos um pouco trêmulas, e tentei abrir a porta devagar, com a esperança de sair sem que ele percebesse. Eu realmente não queria lidar com aquilo agora, ainda mais sem saber como reagir.

Mas, assim que abri a porta, lá estava ele, parado no corredor me esperando. Seus olhos me encontraram imediatamente, e eu senti meu coração acelerar.

Assim que abri a porta, lá estava ele, parado em frente ao quarto, me esperando. Nossos olhos se encontraram imediatamente, e senti meu coração acelerar. A expressão em seu rosto era uma mistura de determinação e ansiedade, e isso fez meu estômago se revirar.

Ele estava encostado na parede, de braços cruzados, me observando com um olhar sério, mas, ao mesmo tempo, cheio de algo que eu não conseguia decifrar. Um aperto no peito se formou, uma mistura de medo e expectativa. Eu queria que ele se afastasse, mas, ao mesmo tempo, não conseguia imaginar meu dia sem ele.

— E-eu esqueci uma coisa — tentei voltar para o quarto, desejando que a porta pudesse me esconder. Mas ele se aproximou rapidamente, segurou a porta e entrou, fazendo meu coração disparar ainda mais.

— Jimin, para de fugir! Nós precisamos conversar — sua voz era firme, mas havia um toque de preocupação que me desarmou.

Antes que eu pudesse pensar em uma resposta, um dos produtores bateu na porta do quarto, o que fez ele se afastar, um pouco surpreso.

— Sr. Park? — a voz do produtor ecoou pelo corredor, interrompendo o clima tenso entre nós.

Corri e abri a porta, tentando esconder a confusão que estava se formando dentro de mim.

— Oi, Sr. Li, b-bom dia — respondi, minha voz saindo mais tímida do que eu pretendia.

Ele nos cumprimentou cordialmente e começou a confirmar alguns compromissos do dia. Enquanto isso, olhei para Jungkook, que estava no quarto, me esperando com uma expressão impaciente, embora tentasse disfarçar. A tensão entre nós era palpável, e eu podia sentir meu coração acelerando.

— Ah, Sr. Li, v-você vai para a filial agora? — gaguejei, me esforçando para parecer casual.

— Vou sim, por quê? — ele perguntou, levantando uma sobrancelha curiosa.

— Vamos com a gente, eu estou indo para lá também — respondi rapidamente, um impulso quase desesperado de evitar a conversa com Jungkook.

Assim que as palavras saíram da minha boca, lancei um olhar de canto para Jungkook. Sua expressão era clara: ele queria me matar. A frustração em seus olhos me fez sentir um frio na barriga. Ele sabia que eu havia chamado o Sr. Li para evitar ter que falar com ele.

— É uma ótima ideia — continuou o Sr. Li, ignorando a tensão no ar. — Assim podemos alinhar tudo antes das reuniões.

Jungkook ainda estava parado ao meu lado, o corpo rígido, como se estivesse lutando contra a vontade de me puxar de volta para o quarto e mandar o produtor embora. O silêncio entre nós parecia gritar, e eu sabia que estava adiando o inevitável.

— Certo, então vamos — eu disse, forçando um sorriso, tentando acalmar o clima.

Enquanto seguíamos pelo corredor, senti Jungkook ao meu lado, com o olhar fixo na frente, mas a energia entre nós era eletricamente carregada. Eu queria entender o que estava acontecendo comigo, mas a ideia de confrontar aquilo me deixava paralisado.

Entrei no carro e fiquei no banco de trás enquanto Jungkook dirigia, com o Li sentado ao lado dele. Notei que ele me olhava várias vezes através do retrovisor, mas evitei ao máximo devolver o olhar, continuando a agir como uma presa cheia de medo, fugindo de algo que me atraía e ao mesmo tempo me assustava.

[...]

Finalmente, chegamos à filial no centro de Nova York. Ao sair do carro, senti um pequeno alívio por ter conseguido evitar ele no caminho, pelo menos por enquanto. Jungkook ficou esperando em uma sala enquanto eu e o Sr. Li entramos em outra sala de som. Assim que a porta se fechou atrás de nós, um peso parecia ter sido tirado dos meus ombros.

Ali, passei horas ensaiando com o diretor de som. Precisava gravar minhas partes em uma colaboração com um cantor americano, algo que deveria ser emocionante, mas minha mente estava longe. As letras das músicas dançavam na minha cabeça, mas todas as notas estavam embaraçadas com a lembrança do beijo que trocamos na noite anterior.

O diretor, percebendo minha distração, interrompeu:

— Jimin, você está bem? Parece um pouco distraído.

Aquelas palavras só intensificaram a tempestade de emoções dentro de mim, algo que todos sabem que não ocorre comigo. Eu concordei, tentando forçar um sorriso.

— Sim, estou só um pouco cansado. Vamos continuar?

A gravação prosseguiu, mas a cada segundo, o pensamento de Jungkook esperando lá fora me deixava inquieto. As horas se arrastaram, e a pressão de ter que enfrentar essa situação logo aumentava a cada batida do meu coração.

Quando finalmente tivemos uma pausa, uma parte de mim queria correr de volta para a sala onde Jungkook estava, e a outra parte queria fugir para bem longe. A batalha interna parecia interminável, mas sabia que eventualmente teríamos que lidar com isso.

Saí da sala de som, respirando fundo, pronto para o que viesse a seguir. Peguei uma garrafa de água no refeitório e me sentei em uma cadeira próxima à janela, tentando me afastar do caos das gravações. Enquanto bebia, decidi checar meu celular e vi que Jungkook havia me enviado outra mensagem.

— Eu preciso responder.

O pensamento martelava na minha cabeça, enquanto as palavras na tela pareciam me desafiar. Meu coração acelerou ao abrir a conversa.

Senti minhas bochechas queimarem, porque sabia que não era mentira... eu realmente gostei do nosso beijo.

Depois de ler as mensagens, olhei pela janela e observei o movimento das pessoas na rua lá embaixo. O sol brilhava, mas dentro de mim havia uma tempestade. A ansiedade tomava conta, misturada com uma sensação de urgência. Eu precisava enfrentar isso, mas como?

Antes que eu pudesse organizar meus pensamentos, meu celular tocou. Era uma ligação da minha mãe.

— Oi, mãe.

— Oi, meu amor. Eu vi o show pela live! Você estava impecável. Seu pai e eu estamos muito orgulhosos de você.

— Obrigado, mãe. Tinha muita gente lá, fiquei tão feliz quando vi a plateia cheia.

Conversamos por mais um tempo, rindo e compartilhando detalhes sobre o show, mas, infelizmente, tive que desligar quando o diretor de som nos chamou. O tempo era curto, e amanhã à tarde já voamos de volta para a Coreia. A pressão começava a aumentar, e eu precisava me concentrar no trabalho, mesmo que a mente ainda estivesse fervilhando com tudo o que havia acontecido com Jungkook.

Tive um show incrível, e consegui um feat maravilhoso, mas eu só conseguia pensar nessa droga de beijo.

Respirei fundo e tentei me preparar mentalmente. Sabia que, em algum momento, eu teria que enfrentar a situação entre nós. Mas, por enquanto, precisava me focar nas gravações e dar o meu melhor.

Entrei de volta na sala de som, tentando deixar os pensamentos sobre Jungkook de lado e me concentrar no que realmente importava. O diretor de som estava ajustando os níveis e dando instruções aos músicos, e eu me posicionei no microfone, sentindo o nervosismo me consumir mais uma vez.

— Pronto? — ele perguntou, ajustando os fones de ouvido.

— Sim, vamos lá! — respondi, tentando soar mais confiante do que realmente me sentia.

A música começou a tocar, e eu fechei os olhos por um momento, deixando que as notas me envolvessem. Comecei a cantar, cada palavra trazendo à tona emoções que eu tentava enterrar. A melodia flui e, enquanto cantava, as lembranças de Jungkook e do beijo se misturavam às letras, tornando a performance ainda mais intensa.

Quando finalmente terminamos, a sala ficou em silêncio por um instante. O diretor olhou para mim, com um sorriso satisfeito.

— Isso foi ótimo, Jimin! Você realmente se superou. Vamos fazer mais uma ou duas tomadas para garantir.

Agradeci e continuamos.

[...]

Depois de algumas repetições, finalmente terminamos. Enquanto os músicos se afastavam, percebi que era hora de encarar Jungkook. Saí da sala e fui para o refeitório, onde peguei mais água e tentei me acalmar. A ansiedade ainda estava presente, como uma sombra persistente.

Sentei em uma mesa no canto, respirando fundo, mas a paz que buscava parecia distante.

— Preciso falar com o Hobi antes de tudo — pensei e peguei meu celular para mandar uma mensagem. Mesmo com a diferença de fuso horário, ele respondeu quase instantaneamente.

— O que ele acha que eu tenho que fazer? Namorar com meu guarda-costas? Ele só pode estar louco! O que eu preciso é pôr um fim nisso.

Enviei uma mensagem para Jungkook dizendo que o esperaria no carro. Um frio intenso na barriga me consumia enquanto aguardava, me sentindo um idiota por estar nessa situação. Não demorou muito para que ele chegasse.

Sem dizer uma palavra, ele entrou no banco do motorista, e eu o segui para o banco ao lado. O silêncio era palpável, e a tensão no ar fazia meu coração acelerar.

— Jungkook, eu...

— Vamos sair daqui primeiro — ele interrompeu, ligando o carro e dirigindo até um bar próximo a Times Square.

Assim que chegamos, ele desceu primeiro, e eu o segui relutantemente.

— Se você acha que eu vou beber e mudar de ideia, está muito enganado — avisei, tentando me manter firme.

— Eu vim aqui para eu beber, se não quiser, não beba. Não estou te obrigando — ele respondeu, me dando as costas e entrando no bar.

Aquele simples ato de indiferença só aumentou a confusão dentro de mim. O que eu realmente queria? Eu não tinha certeza. Mas, de qualquer forma, sabia que precisava resolver isso de uma vez por todas.

— Isso só pode ser brincadeira — murmurei, pegando um chapéu bucket que estava no carro e colocando na cabeça, na esperança de ocultar um pouco do meu rosto.

Jungkook se acomodou em uma mesa em um canto mais escuro. Embora ainda fosse início de noite, o bar já estava bastante movimentado. Assim que entrei, me sentei à mesa e um garçom rapidamente anotou nossos pedidos. Jungkook se reclinou na cadeira, com os braços cruzados, me observando atentamente.

O silêncio entre nós era pesado, como se palavras não ditas flutuassem no ar. Eu disfarçava, olhando para todos os lados, reparando em cada detalhe da decoração, buscando assim fugir de encarar a realidade. O bar estava cheio, com risos e conversas ecoando ao nosso redor, mas para mim, tudo parecia distante, como se eu estivesse em um mundo à parte.

Logo, o garçom trouxe nosso pedido. Jungkook pediu uma garrafa de uísque e dois copos com gelo. Ele serviu os copos com um movimento calmo, e, depois de dar um gole, voltou seu olhar para mim, balançando o gelo em seu copo.

— Por que você está fugindo? — ele questionou, a voz baixa e direta.

A pergunta ecoou na minha mente, e por um instante, fiquei paralisado. Eu queria responder, mas as palavras pareciam entaladas na minha garganta. O que eu diria? Que estava com medo? Que tudo o que estava acontecendo me deixava confuso e inseguro?

Ele colocou o copo na mesa e respirou fundo, jogando o corpo novamente para trás, apoiando-se no assento.

— Isso é culpa sua também, Jimin.

— Minha? — respondi, sem acreditar na sua audácia.

— Você também queria me beijar, e nem sequer soube esconder isso.

Num impulso, virei meu copo, sentindo o líquido queimando enquanto deslizava pela minha garganta. A sensação quente do uísque me dava coragem, mas ao mesmo tempo, me deixava mais confuso.

O silêncio pairou sobre nós mais uma vez, pesado e desconfortável. O que havia de errado comigo? Por mais que eu tentasse me enganar, a verdade era que eu ainda queria beijar esse cara mais e mais. Ele parecia ter muito mais coragem que eu, em tudo, mas eu só conseguia fugir.

— Eu... eu nunca fiz isso, você não tem direito de me julgar, tá legal? — minha voz saiu mais alta do que eu pretendia, carregada de defensiva. Coloquei mais uísque no meu copo, como se isso pudesse me ajudar a encontrar as palavras certas.

— Do que você tá falando? — perguntou.

Ele sabia bem sobre o que eu estava falando, mas esse desgraçado queria ouvir da minha boca. Dei mais um gole, respirei fundo, tentando ganhar coragem, e abri o jogo.

— Eu nunca fiquei com um homem! — meu tom saiu mais alto ainda, e eu senti minhas bochechas queimarem enquanto desviava o olhar.

— Eu também não. — Ele se apoiou na mesa, sua voz mantendo uma naturalidade que me surpreendeu.

Ele parecia tão tranquilo com isso que, em meio às minhas paranóias, eu tinha concluído que ele já tinha se envolvido com outros caras.

— O-ok, então é um problema maior ainda. Não podemos mais fazer isso. — Apesar de gaguejar, eu tentava ser firme nas minhas palavras, como se isso pudesse me dar alguma segurança.

— Por que não? — ele perguntou.

— Eu só estou confuso, só isso. Logo vai passar. Vamos só esquecer que esse beijo existiu e seguir em frente — Afirmar isso me fez sentir um pouco mais seguro, mas a verdade é que as palavras saíram vazias. A confusão não era algo que se dissipava facilmente.

Ele me observou em silêncio, como se estivesse ponderando cada uma das minhas palavras. O olhar intenso dele me fazia sentir exposto, como se estivesse nu diante de suas perguntas.

— Não é isso que seu olhar está mostrando — Ele responde com um sorriso canalha.

Eu realmente não conseguia parar de olhar para a boca dele, e ele com certeza percebeu. Para ser sincero, era impossível não olhar; ele parecia tão sexy enquanto mexia no piercing com a língua.

Não só isso, cada parte dele era completamente atraente. Eu não deveria ter bebido...

— Vamos embora. — Me levantei, tentando fugir desses pensamentos.

Ele não questionou. Levantou, deu o último gole no copo, pagou as bebidas e saiu logo atrás de mim.

— Eu dirijo. — Parei na frente da porta do motorista, estendendo a mão em direção às chaves.

— Você bebeu, eu vou dirigir.

— Mas você também bebeu, e mais do que eu! — retruquei, frustrado.

— Mas aqui sou eu quem está tomando conta de você. Vá para o banco do passageiro. — Ele falou com firmeza, e nem tinha como contestar.

Eu fui para o banco do passageiro e fechei a cara. O que era para resolver não se resolveu. Enquanto ele ligava o carro, olhei pela janela, tentando me acalmar. O movimento das luzes da cidade passando rapidamente refletia a confusão que eu sentia por dentro.

Não falamos uma única palavra sequer, e, para ser sincero, para mim estava melhor assim.

[...]

Assim que descemos do carro, ainda no estacionamento subterrâneo do hotel, ele pegou a caixinha de cigarro para sair e fumar.

— Você nunca acendeu essa merda perto de mim. Por que vai acender agora?

— Eu não te devo explicações, Park. Nós não temos nada. E outra, assim que chegarmos na Coreia, eu não trabalho mais pra você! — Ele explodiu pela primeira vez, e de novo, me deu as costas e foi em direção ao corredor do elevador.

Eu fiquei parado por um momento, surpreso com a explosão dele. A adrenalina correu pelas minhas veias, e minha surpresa rapidamente se transformou em raiva.

— O que você disse? — fui em sua direção, enfurecido e tomado pelo ódio. Minha mente só conseguia pensar na promessa que ele fez de não me deixar; era tudo uma porra de mentira.

Em um movimento impulsivo, ele se virou para mim, e eu o empurrei com força. Ele poderia ter me impedido, mas nem tentou. Seu corpo foi em direção à parede, batendo com força.

Eu já deveria imaginar que ele não deixaria isso passar. Na mesma hora, ele partiu na minha direção e me prendeu contra a parede atrás de mim. Suas mãos seguraram meus braços, e seu corpo ficou completamente encostado no meu, me segurando.

Ele era tão forte que eu mal conseguia me mexer ou soltar minhas mãos.

— Me solta agora — falei, evitando ao máximo olhar nos olhos dele enquanto tentava me desvencilhar com toda a força que conseguia.

— Por que você me empurrou, moleque?

ME SOLTA, CARALHO! — gritei, continuando a me esforçar para me soltar.

— O que foi, Park? Tá com medo de me olhar? — Ele me apertou ainda mais.

— Claro que não! Quem você acha que é? — Olhei para ele, repleto de ódio, mas em poucos segundos ele conseguiu quebrar minhas defesas com um único olhar. Desviei os olhos novamente.

Eu queria sentir raiva dele, mas só conseguia sentir raiva de mim mesmo. Raiva por desejar ele e cada pedacinho do seu corpo, raiva por querer beijar ele de novo, raiva por querer ter ele só para mim...

Senti meu coração palpitar tanto que parecia querer sair do meu corpo. E como nossos corpos estavam grudados, podia sentir o coração dele tão disparado quanto o meu.

Então, cometi novamente meu pior erro: meu olhar encontrou o dele de novo.

Como ele era lindo, que merda...

O rosto dele estava a poucos centímetros do meu. Desta vez, ele não avançou; pelo contrário, começou a me olhar com desejo enquanto mordia sutilmente os lábios. Ele sabia o poder que tinha e que isso me atingiria... e atingiu.

A presa amedrontada caiu de novo na isca...

Eu beijei ele.

Ele soltou minhas mãos no exato momento em que nossos lábios se tocaram. Seu braço forte me segurou pela cintura, me puxando para mais perto, enquanto sua outra mão explorava meu cabelo próximo à nuca, como se quisesse se certificar de que eu estava realmente ali, naquele instante.

Nosso beijo cresceu em intensidade, cada movimento uma mistura de urgência e desejo, a ponto de esquecer completamente que estávamos no estacionamento do hotel. O mundo ao nosso redor desapareceu, e só existia nós dois, perdidos em uma dança que parecia ter durado uma eternidade.

Ele entrelaçou os dedos no meu cabelo e segurou firme, puxando com cuidado para trás, criando uma pressão que me fazia sentir ainda mais vulnerável. E então, sua língua deslizou pelo meu pescoço, despertando sensações que eu não sabia que eram possíveis. Isso me deixou completamente louco, e eu não consegui conter um gemido involuntário.

Impulsivamente, puxei seu quadril para mais perto de mim, e, inevitavelmente, senti mais do que deveria. Mesmo com as roupas, era nítido que dois estávamos excitados. Ele pressionava seu quadril de forma sutil contra o meu, buscando uma intimidade que ia além do beijo, tentando me sentir ainda mais em meio a tudo aquilo.

Mesmo no frio, nossos corpos estavam em chamas, pulsando com uma intensidade que eu nunca havia experimentado antes. No entanto, mesmo com a excitação ardendo dentro de mim, uma onda de vergonha tomou conta. Era como se a realidade tivesse finalmente voltado a mim, trazendo consigo uma sensação constrangedora que eu não conseguia ignorar.

— Ei... espera... por favor — Minhas palavras saíram pausadas, trêmulas enquanto eu o afastava delicadamente, tentando encontrar o ritmo da minha respiração. Me encostei na parede, apoiando a cabeça com a esperança de que a pressão que sentia no peito pudesse se dissipar.

Ele se afastou um pouco, e automaticamente meu olhar foi atraído para sua calça, que ainda estava volumosa. Eu estava da mesma forma, e isso me fez explodir em uma onda de vergonha ainda maior do que já sentia. Com um impulso, me abaixei no chão, cobrindo o rosto com os braços cruzados, como se isso pudesse me proteger das minhas próprias emoções.

O silêncio foi interrompido pelo som de sua risada baixa, um riso que misturava diversão e compreensão. Ele se abaixou também, sem pressa, e, em vez de fazer piadas ou tentar me provocar mais, simplesmente ficou ali, ao meu lado. Ele percebeu o quanto eu estava envergonhado e, de forma gentil, acariciou minha cabeça antes de me envolver em um abraço apertado.

Aquele gesto de carinho me pegou completamente de surpresa. Eu esperava tudo, menos isso. A intensidade da nossa troca tinha sido tão carregada de desejo que o conforto daquela ação me desarmou de um jeito que eu não sabia como lidar.

Então, eu abracei ele de volta, deixando que o calor do seu corpo me envolvesse como um cobertor reconfortante.

— Me desculpe, mas eu preciso pensar sobre isso — disse, minha voz saindo baixa e hesitante. Sentia meu rosto tão quente que era quase insuportável; com certeza eu estava vermelho.

— Tudo bem — Ele sorriu de um jeito que parecia entender a confusão que me consumia. Com um gesto carinhoso, ele deu uma apertadinha de leve na minha bochecha, e isso fez meu coração acelerar ainda mais. — Eu te entendo, só não fique fugindo e me evitando, por favor. Eu ainda preciso cumprir meu trabalho e cuidar de você, independente de tudo.

— Ok — respondi, tentando transmitir um mínimo de confiança, enquanto um sorriso tímido brotava em meus lábios.

— E se puder, não sorri assim também, se não eu não aguento... — Ele falou.

Desviei o olhar, sentindo a vergonha invadir meu rosto. Nos levantamos e pegamos o elevador para subir para nosso andar. Qualquer um que entrasse no elevador notaria o clima intenso entre nós dois, como se a eletricidade no ar fosse quase visível.

Quando chegamos na porta do meu quarto, o constrangimento se tornou quase insuportável. Ambos hesitamos, o ar entre nós carregado de expectativa.

— Boa noite, Jimin — Ele sorriu, e nossa.. aquele sorriso... Era como um raio de sol em um dia nublado, me fazendo sentir tudo ao mesmo tempo: alegria, ansiedade, raiva e desejo.

— Boa noite pra você também — respondi, tentando manter a postura.

Entrei no quarto e desabei na cama, deixando meu corpo se afundar no colchão macio. Olhei para o teto, as palavras ecoando em minha mente como um mantra repetitivo.

— Isso não vai dar certo, mas... por que minha cabeça tá cogitando isso como uma opção? Não tem como termos algo...

A repetição da frase não trazia a clareza que eu esperava. Minhas emoções estavam em um turbilhão.

— Não tem como, — eu murmurei para mim mesmo, sentindo o peso da incerteza se instalar em meu peito. — Mas e se...

As possibilidades pareciam se entrelaçar em uma dança caótica. E se pudéssemos ser mais do que isso? Existe essa chance? Existe alguma chance de alguém como eu viver algo assim?

Suspirei, sentindo a necessidade de clareza em meio à confusão. Era frustrante. Como eu poderia querer algo tão impossível? A realidade era um lembrete constante de que éramos diferentes, de mundos distintos, com obrigações e expectativas que não podiam simplesmente ser ignoradas.

Pra mim, era pior ainda, já que eu era preso a um contrato que ditava até como eu deveria respirar. Minhas decisões não eram realmente minhas, e cada movimento que eu fazia era acompanhado de um peso que me seguia como uma sombra. Era como se a liberdade estivesse sempre ao alcance, mas eu nunca pudesse tocar. O que eu queria era tão simples, mas ao mesmo tempo, tão distante.

Fechei os olhos, tentando silenciar a tempestade de pensamentos. Imaginava a vida que poderia ter, longe dos olhares críticos e das obrigações sufocantes. Poderia ser eu mesmo, gostar de alguem livremente, sem a pressão de uma imagem a manter ou de um futuro a temer. Mas aquela vida parecia tão longe, como um sonho inalcançável.

Por outro lado, a presença dele despertava algo dentro de mim, uma chama que eu não sabia que existia. Cada momento que eu passava perto dele me deixava mais confuso, mas ao mesmo tempo, não queria evitar. O que eu realmente queria? Um relacionamento? Uma amizade? Ou apenas a liberdade de ser eu mesmo?

As paredes do quarto luxuoso do hotel pareciam se fechar ao meu redor, e a solidão me envolveu como um cobertor pesado. Eu precisava de respostas, de um caminho claro a seguir.

Fui para o banheiro e tomei um banho quente, permitindo que a água morna escorresse pelo meu corpo e lavasse um pouco da confusão que eu sentia. A cada gota, eu tentava deixar para trás os pensamentos que me atormentavam.

O vapor do banheiro formava uma cortina entre mim e o mundo exterior, e por alguns minutos, eu pude me sentir de mente limpa. Fechei os olhos e respirei fundo, tentando me concentrar apenas no som da água batendo no chão e no calor que me envolvia, e até que funcionou por uns instantes.

Era um momento de paz, mas mesmo assim, as dúvidas voltavam, como ondas quebrando na praia, incessantes e implacáveis.

Eu não conseguia parar de pensar nele. O toque dos nossos lábios, a intensidade daquele beijo e a forma como sua presença me fazia sentir. A mistura de excitação e medo me deixava em um estado de constante tensão.

Saí do banho, me enxuguei e olhei meu reflexo no espelho. A imagem refletida mostrava alguém confuso, algo que nunca fui.

— O que eu quero? — perguntei a mim mesmo em voz alta, mas a única resposta foi o eco da minha própria voz.

Eu sabia bem o que eu queria.

Vesti uma roupa confortável e voltei a deitar na cama. A TV ao fundo virou apenas um ruído branco, já que eu sequer conseguia prestar atenção no que estava passando. Minha mente estava em um furacão, uma tempestade de sentimentos e incertezas.

Suspirei, me revirando na cama, tentando encontrar uma posição confortável, mas nada parecia funcionar. Os lençóis e travesseiros eram macios, mas meu coração estava pesado, mas nem isso parecia me deixar satisfeito.

Fiquei olhando para o teto, enquanto a luz da cidade filtrava pelas cortinas. A silhueta dos edifícios dançava suavemente, me lembrando de que a vida continuava lá fora, mesmo que eu estivesse preso em minha própria mente.

Aos poucos, em meio aos meus pensamentos que duraram horas de tortura, eu finalmente peguei no sono. A escuridão me envolveu como um manto acolhedor, afastando as dúvidas e os medos, mesmo que temporariamente.
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Espero muuuito que estejam gostando do desenrolar da história :)

Até o próximo capítulo, leitor!

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