04 :: o descontrole custa caro

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JEON JUNGKOOK

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| No dia seguinte |

Acabei levantando cedo, sem despertador algum. Na verdade, nem consegui dormir direito; passei a madrugada inteira rolando de um lado para o outro na cama, completamente impaciente. levantei cedo, sem despertador algum.

Ontem, saí da casa dos Park já era quase meia-noite. Chamei um táxi e fui embora o mais rápido que pude. Meu corpo estava completamente dolorido de cansaço e estresse com esse mimado, mas, mesmo assim, nem consegui dormir.

Eu precisava de um café duplo extra-forte.

— Bom dia, senhor guarda-costas.

O Jin se aproximou feito um espírito obsessor enquanto eu estava distraído preparando meu café.

— Que susto, porra!

— Foi mal — ele riu — preparado para mais um dia de trabalho?

— Não, nenhum pouco.

Coloquei uma xícara pra mim, e outra para ele, e sentamos ali no balcão da cozinha mesmo.

— Não seja exagerado, já te disse como agir.

— Queria que fosse fácil assim.

Assim que respondi o Jin, meu celular vibrou em cima da mesa. Eu poderia imaginar que seria qualquer outra pessoa, menos esse cara.

Minha expressão mudou assim que li a mensagem.

— Que cara é essa, viu algum fantasma?

— Pior...

De certa forma, eu preferia que fosse um fantasma mesmo. Virei o celular na direção do Jin para ele ler.

— Ora ora, Park Jimin — Ele respondeu e deu um gole no café  — Melhor responder ele.

Que merda.

Quanto mais eu tentava respirar fundo pra me acalmar, mais irritado eu ficava.

— Esse moleque tá de brincadeira com a minha cara, porque não me avisou ontem?

— Porque ele quer te irritar, simples.

— E ele está conseguindo. Bom, vou ir nessa, até depois.

— Boa sorte, cara.

Peguei meu capacete e desci até o estacionamento. Liguei a moto e pilotei o mais rápido que pude até a casa dele. Assim que passei pelos portões, notei que ele ainda não estava lá fora me esperando. Olhei meu relógio, consegui chegar em oito minutos.

Mas, minha pressa não serviu para nada.

Trinta minutos passaram, e eu continuei ali, esperando. Eu já deveria adivinhar que ele me faria de palhaço, e não deveria ter corrido pra chegar até aqui.

De repente, vi ele saindo da casa, completamente tranquilo, quase cantarolando com os pássaros.

— Vamos com meu carro, eu dirijo — Ele foi andando em direção a mesma Porsche Panamera branca de ontem.

Eu deveria ficar quieto e não reclamar da demora dele, mas, eu não conseguiria continuar meu dia em paz sem ao menos confrontar esse cara.

— Porque me pediu para chegar em dez minutos? — Tentei deixar meu tom de voz o mais amigável possível, mesmo que fosse quase impossível a essa altura.

— Queria ver se você era obediente, parabéns, passou no teste — Ele deu uma risada maligna.

Bem, se ele queria jogar dessa forma, assim será.

— Gostou? Rapidinho você vai se tornar obediente à mim também.

Ele começou a rir exalando raiva.

— Deixa eu ver se entendi, você está me ameaçando? — Suas sobrancelhas arquearam enquanto ele perguntava.

Mesmo com um timbre de voz doce e altura menor, ele tentava me confrontar enquanto cruzava os braços.

— Entenda como quiser. Se quer me fazer de trouxa, vai ser ótimo jogar seu jogo. Agora vamos — Entrei no banco do passageiro.

Ele me olhava em completo ódio do lado de fora, até que entrou também, e não disse mais nenhuma palavra.

Ficamos em silencio o caminho todo. O carro dele tinha um perfume doce de morango, o mesmo cheiro que ele tem. Com certeza esse aroma doce não condiz com essa personalidade amarga.

Enquanto ele dirigia, mantive meu olhar para frente, mas notei que por diversas vezes ele me olhou, com certeza procurando mais motivos pra infernizar minha sanidade.

[...]

Depois de algumas horas na estrada, chegamos em Daegu, em um local que parecia ser um parque. Havia um rio, árvores e muitas flores. Vi vários funcionários da gravadora, alguns fotógrafos e diversos equipamentos de fotografia.

Fiquei esperando encostado no carro. Era um ponto um pouco alto, então conseguia observar cada passo dele. Ele entrou em um camarim provisório e trocou de roupa algumas vezes. Depois de alguns minutos, percebi que era uma sessão de fotos.

Enquanto ele se preparava para as fotos, eu fiquei observando a movimentação ao redor. As equipes trabalhavam a todo vapor, ajustando iluminação em meio a todo aquele mato. De vez em quando, ele saía do camarim e posava para os fotógrafos, sempre com uma postura bondosa e um sorriso meigo.

— Isso só pode ser brincadeira — minha risada saiu em tom de indignação — Como pode fingir que é fofo assim sendo que é um completo babaca?

E o pior é que as fotos realmente estavam ficando boas, mesmo sendo de alguém tão sem noção quanto esse cara.

[...]

Após mais algumas horas, e diversas trocas de roupa e poses para a câmera, a sessão de fotos finalmente chegou ao fim. Ele parecia satisfeito, embora a expressão de cansaço estivesse começando a aparecer.

Os fotógrafos e a equipe começaram a desmontar o equipamento enquanto ele se dirigia ao camarim para se trocar novamente. Aproveitei a pausa para me esticar e tentar aliviar um pouco o meu cansaço, físico e mental.

Ele veio até o carro, e quando se aproximou, jogou a chave na minha direção.

— Vamos, dirige você.

Antes mesmo de eu responder, ele entrou na Porsche. Entrei no assento do motorista e ajustei os retrovisores.

— Para onde devo dirigir?

— Tenho que ir na casa de um amigo, pode dirigir até Seoul, lá eu mostro o caminho.

Ele parecia calmo, e eu esperava que continuasse assim. O caminho era distante; levamos cerca de três horas para chegar até Daegu, e agora seria as mesmas horas para voltar a Seoul.

No caminho paramos em um restaurante na beira da estrada a pedido deles, e comemos kimchi. O caminho ainda era longo então foi tudo rápido.

Depois de pouco mais de uma hora na estrada, notei que ele acabou dormindo, comprovando que realmente estava cansado. Meu olhar sutilmente se virou para sua direção; o cabelo loiro caído no rosto cobria parte dele, enquanto o sol tímido do fim de tarde entrava pela janela e deixava a pele dele em tons alaranjados.

Voltei minha atenção para a direção e continuei o caminho.

Enfim, chegamos em Seoul, e ele ainda estava dormindo. Parei em uma rua qualquer para acordar ele, sem nem desligar o carro.

— Jimin, acorde.

Ele não respondeu, só resmungou. Empurrei de forma cuidadosa a perna dele.

— Preciso saber onde seu amigo mora.

Depois de insistir algumas vezes, ele finalmente acordou, com dificuldade até para abrir os olhos.

— Vá até Daechi-dong (bairro nobre de Seoul).

— Ok.

Mesmo sonolento, ele foi mostrando o caminho, e depois de mais alguns minutos, chegamos em frente a um apartamento luxuoso, com grandes palmeiras e fontes de água na entrada. Fiquei esperando no carro enquanto ele descia e entrava no prédio.

Meu celular vibrou no bolso, e vi que era uma ligação do Tae, o que era quase um milagre, já que ele não suporta chamadas.

— Uma ligação sua? A que devo a honra do meu streamer favorito me ligar?

— Não pense que quis fazer isso. É que você não vê a porra das suas mensagens, então tive que ligar.

— Foi mal. Dirigi por três horas seguidas, tive que ir com o idol para Daegu.

— Que castigo... Você vem para o jantar? Estou preparando, aí a gente te espera.

— Valeu, Tae, mas podem jantar sem mim. Acho que vou demorar aqui ainda. Deixa um prato pra mim no micro-ondas.

— Pode deixar. Até depois.

Desliguei e coloquei o celular de volta no bolso. Fechei os olhos por alguns segundos com o pensamento distante, mas o barulho do Jimin abrindo a porta do carro para entrar me trouxe de volta para a vida real.

— Hoje vou sair. Se você estiver cansado, pode ir embora — falou.

— Não estou cansado. Para onde vai?

Pela cara dele, com certeza não era a resposta que ele esperava, e isso era ótimo.

— Quero sair pra beber. Preciso ir pra casa primeiro, então fique com o carro e me busque às 22h. Nenhum minuto à mais, caso contrário te denuncio por roubar meu carro.

— Isso vai me colocar em problemas com seu pai, e eu realmente odeio problemas que não são minha culpa.

— Ele não vai saber, a não ser que você conte. E se contar, eu vou infernizar sua vida.

— Mais?

Ele revirou os olhos cheios de ódio.

— Você é tão prepotente... Não sei em qual buraco o Namjoon te achou, mas saiba que na vida real, falar dessa forma com seu chefe te custaria uma demissão.

— Eu? Não, prepotente não, tô apenas jogando seu joguinho.

Ele cruzou os braços irritado, mas ficou quieto.

Era uma péssima ideia sair, mas eu não conseguiria impedir. E, sinceramente, não estou com energia pra ficar segurando um playboy mimado em casa. Não deve ser difícil controlar ele.

Dirigi até a mansão, e ficamos o caminho todo em silêncio. Assim que parei, ele saiu nervoso, e quieto, como imaginei. Voltei para o apê, esperando ansioso pelos poucos minutos de paz que eu teria.

Quando entrei, vi o Tae na sala jogando videogame, enquanto o Jin treinava alguns passos de dança pelo apartamento.

— Meu garoto chegou — o Jin fez cafuné na minha cabeça.

— Sai daqui — afastei ele enquanto ria.

— Olha olha, tenha modos com seu hyung. O Tae falou que você não conseguiria voltar cedo, o que houve?

— E não vou, só vim tomar um banho. Seu amiguinho idol quer sair pra encher a cara, tenho que ir com ele pra garantir que esse malandro não vai se meter em confusão.

— Essa é sua oportunidade, Jungkook, faça amizade com ele logo, se lembre: Se não pode com um inimigo, então junte-se à ele.

Na teoria parecia fácil... Quem dera se fosse.

— Vou tentar, mas ele não é do tipo que gosto de ter amizade, e se tivermos, vai ser fingimento meu.

Fui para o meu quarto e tomei um banho, que aliviou grande parte da rigidez do meu corpo causada pelo estresse e cansaço. Vesti uma roupa confortável, uma jaqueta, comi um cereal na sala enquanto conversava com os meninos, e saí logo depois.

[...]

No caminho para a mansão, só conseguia pensar que a boa grana que o velho estava pagando era o que me mantinha nesse emprego. Caso contrário, já teria desistido dessa vaga.

Deve ser por isso que o pagamento era tão alto.

Quando cheguei na casa dos Park, fiquei esperando por ele do lado de fora. Alguns minutos depois, ele saiu e veio em direção ao carro.

Ele estava usando uma blusa de moletom e um casaco jeans por cima. Sempre achei que um famoso andasse de forma mais extravagante, mas ele estava simples, como quase sempre. Mesmo assim, estava bonito.


Assim que ele entrou no carro, o maldito cheiro de morango se espalhou por tudo novamente...

E agora, eu odiava morangos.

— Além do Hoseok, terá outros amigos meus, então não aja como um guarda-costas.

— Ok.

— E nem tente me impedir de curtir minha noite.

— Ok.

Ele respirou fundo e focou suas atenções no celular.

Assim que chegamos na boate, ele encontrou um amigo na porta. Eu imaginei que ele me ignoraria completamente, e sinceramente, não me importaria com isso. Mas, para minha surpresa, não foi o que aconteceu.

— Hobi, esse é o Jungkook.

O amigo dele me olhou dos pés à cabeça, e já parecia um pouco bêbado.

— Céus, como você é forte, maior do que na fot... — O Jimin agarrou seu braço e o puxou para longe, antes do amigo terminar de falar.

— Foto? — sussurrei desconfiado.

Meu olhar se direcionou ao Jimin, que tentava disfarçar e fazer o amigo ficar quieto enquanto o puxava para a entrada da boate. Eles entraram, e eu os segui logo atrás.

Lá dentro, o ambiente era escuro, iluminado apenas por luzes neon que piscavam em sincronia com a batida alta da música eletrônica. As paredes estavam cobertas com espelhos, ampliando o brilho das luzes e criando uma sensação de espaço infinito. O piso vibrava com o ritmo, e o som era tão intenso que quase dava para sentir no peito.

A pista de dança estava lotada, com pessoas se movendo de maneira animada ao som da música. Algumas mesas e sofás estavam dispostos nas laterais, onde grupos mais reservados bebiam e conversavam em meio ao caos.

O bar, iluminado por luzes coloridas, estava cheio de clientes buscando mais drinks, assim como o Jimin e seu amigo fizeram. Rapidamente os dois já estavam bebendo, enquanto eu fiquei de longe observando ele em meio ao público.

Qualquer deslize desse cara seria motivo para levar ele embora à força.

Mesmo bebendo e se divertindo com os amigos, eu notava que ele me observava com certa frequência.

Cruzei os braços e continuei a vigiar as pessoas ao redor dele, que eram muitas. Então, desviei os olhos por alguns segundos, e quando voltei a olhar, ele havia desaparecido. No momento em que percebi que perdi de vista, ouvi sua voz ao meu lado.

— Você não vai beber?

Como ele apareceu do meu lado assim, de repente?

— Ah, melhor não — eu disse, ainda assustado.

Ele pegou minha mão e me passou um copo de uísque com gelo.

— Bebe pelo menos um.

Eu olhei para o rosto dele entre as luzes dos efeitos e a escuridão da balada. Seus olhos, que já eram pequenos, pareciam quase fechados.

— Para de me olhar com desprezo assim, não está envenenado, se é esse seu medo — ele resmungou, já com certa dificuldade para falar, ou seja, já estava ficando bêbado.

Ele saiu e voltou para perto dos amigos.

Bebi devagar o copo enquanto continuava observando cada passo dele. Apesar de já estar bêbado, ele ainda estava se comportando.

— Isso tem gosto de uísque caro — comentei, observando o copo.

Meu celular vibrou; era uma ligação do Namjoon. Eu não podia me afastar de perto dele, mas não tinha outra escolha, então me afastei da pista e fui para perto dos banheiros, onde a música estava menos intensa.

— Alô?

— Não conseguiu segurar ele dentro de casa, certo?

Merda, ele já estava sabendo...

— Ele é um pouco insistente, foi mal.

— Eu sei que é. Bom, se me quer em silêncio, evite ao máximo que ele se envolva em qualquer coisa que possa ir para a mídia. O pai dele não pode saber disso.

— Ok, ninguém saberá.

— Ótimo. Preciso desligar, então não demorem, e cuide dele.

Quando voltei para a boate e voltei a prestar atenção nele, vi três meninas se aproximarem. A princípio, parecia uma situação normal.

— Mas, espera um pouco... — olhei um pouco mais.

Eram fãs. Uma delas inclusive parecia bem alterada. Em um movimento rápido, ela agarrou o braço dele tentando o abraçar, enquanto ele tentava se afastar.

Imediatamente, me aproximei, peguei o braço da garota e a afastei. Ela tentou ir para cima dele novamente, e a situação estava piorando, pois ele já estava completamente bêbado.

— Se afaste dele, garota insistente do caralho.

Afastei ela mais uma vez, segurei na cintura dele e fomos em direção à saída. O amigo dele veio logo atrás, tentando segurar as meninas que estavam loucas atrás do Jimin.

A balada estava lotada, e entre a multidão, acabamos nos perdendo de vista das garotas. Mesmo assim, decidi levar ele para fora.

— Ei m-me solta — Ele me empurrou — O que você tá fazendo?

Ele mal conseguia falar direito.

— Nós vamos embora.

— Vai embora você, eu não quero — Ele levantou a voz.

— Ah, você vai sim, eu tô mandando! — segurei o braço dele com firmeza.

Apesar de querer me desafiar, ele me olhou e ficou quieto. Olhei ao redor para garantir que não havia paparazzis, que era minha maior preocupação. Coloquei a touca da blusa dele na sua cabeça e o levei para o carro.

Enquanto dirigia, escutei ele resmungar várias vezes.

— Reclama alto, não tô te ouvindo.

— Me deixa quieto.

Que direito ele acha que tem de ficar nervosinho?

— Como alguém tão famoso tem coragem de sair de cara limpa para um lugar que claramente não é feito para gente como você? — Minha voz já soava sem paciência.

Ele não respondeu. Olhei para ele e vi que estava olhando para a janela, me ignorando.

— Me responde. — Eu insisti.

— Isso não é da sua conta, caralho! — Ele aumentou a voz.

— É da minha conta sim! Como vou te levar nesse estado para sua casa? Mas que porra!

— Eu não preciso de você, por que você não some? — Ele gritou.

— Para de levantar a voz para mim, ingrato!

— Eu não tô nem aí pra você.

Nós não vamos a lugar algum discutindo assim. Fiquei em silêncio e comecei a dirigir, explodindo de ódio pela teimosia dele.

Ele também ficou quieto, virado completamente para a janela, quase de costas para mim. Perto da casa dele, ele virou pra mim assustado, tampando a boca.

— Para esse carro agora!

Freei com tudo, e ele abriu a porta e começou a vomitar para fora do carro.

— Eu te avisei pra não beber tanto, moleque teimoso.

— Cala a boca, que cara chato! — Ele fechou a porta e, após um longo suspiro, fechou os olhos novamente, apoiando a cabeça no assento.

Liguei o carro e voltei a dirigir. Poucos minutos depois, ele já estava completamente apagado. Se eu o levasse desse jeito para a mansão, isso custaria meu emprego.


Minha única alternativa naquele momento foi mudar o caminho e levar ele para o meu apartamento, mesmo totalmente contra a minha vontade.

Estacionei o carro na garagem, escondi o rosto dele com a touca, e subi o carregando.

— Porra, que moleque pesado...

Já era madrugada, Jin e Tae já estavam dormindo. Entrei no meu quarto e coloquei ele na minha cama. No estado em que ele estava, a única solução era dormir. Assim que ele abrisse os olhos, eu precisava levar ele de volta.

Deixei ele no quarto e fui para a varanda da sala. Acendi um cigarro e no primeiro trago, uma onda de alívio percorreu meu corpo, como se a ansiedade se dissipasse com a nicotina.

— Eu ainda avisei ao Jin que não queria ser babá. Eu mal consigo cuidar de mim mesmo...

Talvez uma criança me daria menos trabalho.

Continuei na varanda, fumando e tentando processar tudo o que estava acontecendo. O som da cidade à noite parecia se misturar com o barulho das minhas próprias frustrações.

Eu olhei para o relógio na parede da sala e percebi que já era pouco mais de 03h da manhã. Eu precisava tentar dormir um pouco antes que o caos recomeçasse. Entrei na sala e, antes de me deitar, dei uma última olhada no meu quarto. O Jimin ainda estava do mesmo jeito, imobilizado pelo sono pesado.

Voltei para a sala, e com um suspiro cansado, me joguei no sofá, exausto e sem esperanças de um descanso real. Fechei os olhos e, finalmente, a escuridão da madrugada me envolveu. Dormir no sofá era a única opção, mas era melhor do que enfrentar mais uma noite sem dormir.

[...]

Eu sonhei com uma voz doce me chamando... Mas espera, esse cheiro... eu conhecia esse cheiro.

Despertei e vi que o Jimin estava sentado ao meu lado, tentando me acordar.

— Ah, você acordou — falei enquanto coçava os olhos e me sentava no sofá.

— Eu posso tomar um banho?

— Pode. O banheiro é dentro do quarto. Vou pegar uma toalha.

— É... hmm, poderia me emprestar alguma camisa? A minha ficou suja de vômito...

— Ok, vou deixar na cama algumas pra você escolher.

Fui até o quarto, peguei uma toalha e entreguei para ele. Ele agradeceu sem jeito e entrou no banheiro. Um banho era o ideal pra ajudar a amenizar essa ressaca.

Olhei no relógio; eram 05:27 da manhã.

Separei algumas camisas que imaginei que serviriam melhor nele, e deixei em cima da cama.

Já na sala, arrumei meu cabelo no reflexo de um dos quadros da sala. Eu queria fumar, mas era tão cedo que eu tentei resistir ao vício.

Depois de alguns minutos, ele saiu do banheiro, usando uma camisa simples, toda preta, a mais simples entre as que separei.

— Eu preciso te levar embora, antes que seu pai fique sabendo — falei assim que ele apareceu na minha frente, com a toalha nas mãos.

— Vou pegar minhas coisas. — ele agradeceu e voltou para o quarto.

O que aconteceu com ele? Estou tão na defensiva que qualquer ato de obediência dele já me parece suspeito.

Ele saiu do quarto sem dizer muito. Ele parecia estar em algum tipo de transe, ou talvez apenas com uma ressaca forte. Enquanto ele pegava suas coisas, eu observava cada movimento, procurava o celular, até que achou.

— Tá pronto? — perguntei, tentando quebrar o silêncio incômodo.

— Sim.

— Ok, vamos.

O caminho até o carro foi silencioso, e mais uma vez, ele parecia imerso em seus próprios pensamentos. Algo estava estranho, mas eu não sabia o que era, e isso estava me deixando inquieto.

No elevador, falei para ele colocar a touca da blusa de frio que estava usando, para cobrir um pouco do rosto, e ele obedeceu.

Entramos no carro, e o caminho todo ele não disse uma palavra sequer. Não tinha porquê eu insistir e falar algo, então mantive silêncio também.

Passamos pelo portão da sua casa com o sol começando a nascer, e assim que parei o carro próximo à entrada, ele desceu.

— Obrigado — Ele saiu do carro, fechou a porta e entrou na casa.

Um único obrigado. Era algo mísero, e o mínimo, mas vindo dele, já era um bom sinal.

Olhei ele subindo as escadas até entrar. Respirei fundo, encostei a cabeça no volante e, por um breve momento, desejei que as coisas fossem simples assim todos os dias.

Guardei o carro dele na garagem, peguei minha moto e fui embora. Eu me sentia cansado, então voltei o mais rápido que pude.

Cheguei em casa e o silêncio imperava. Ainda era cedo, e nenhum dos dois estavam acordados no apartamento. A exaustão pesava em cada músculo do meu corpo, mas antes de me entregar ao sono, fui até a varanda fazer aquilo que não deveria.

Acendi um cigarro, observando a cidade ainda envolta na penumbra da manhã. A fumaça desceu rasgando pela minha garganta, mas a sensação familiar não trouxe o alívio que eu esperava. Meus pensamentos estavam presos nos últimos acontecimentos da minha vida.

Conviver com aquele moleque estava me deixando tão maluco e com a cabeça tão cheia que eu mal tinha tempo para pensar nas merdas que me atormentavam em casa. Era como tentar cobrir um problema com outro, mas pelo menos estava funcionando.

Após terminar o cigarro, voltei para dentro e decidi tomar um banho. A água quente relaxou meus músculos tensos, mas minha mente continuava a mil. A incerteza de provar minha inocência me machucava, e ultimamente isso estava me preocupando cada vez mais.

Quando finalmente deitei na cama, fui recebido por um cheiro que me fez parar por um instante. O aroma de morango estava impregnado nos lençóis e nos travesseiros, o cheiro inconfundível dele.

— Mas que droga!

Era como uma lembrança persistente de sua presença.

Fechei os olhos, tentando ignorar o perfume que me cercava. A exaustão acabou vencendo, e não demorou muito para que o sono finalmente me dominasse, levando consigo os pensamentos tumultuados e o maldito cheiro de morango que ainda pairava no ar.

Eu te odeio, Park Jimin.
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Obrigada pelo apoio jikookas
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E me perdoem por qualquer errinho 😭

Até o próximo capítulo!


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(Capítulo reescrito em agosto/24)

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