01 :: uma nova oportunidade

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JEON JUNGKOOK

Era quase meio-dia, e meu quarto estava impregnado com o cheiro de soju da noite passada. Desde o dia em que fui expulso injustamente da corporação, as coisas têm sido difíceis na minha vida.

Minha saúde mental piorou recentemente, mas nada que encher a cara não resolva. A verdade é que me sentia mal a muito tempo. Eu acordava todo dia sem vontade de sair da cama, sem perspectiva, sem objetivo. Antes, eu tinha um propósito, uma razão pra levantar e enfrentar o dia, mas agora...

Não sei o que me tornei.

O álcool é a única coisa que me faz esquecer, mesmo que por algumas horas, essa sensação constante de fracasso. Cada gole me ajudava a apagar, a fugir da realidade cruel que minha vida se tornou. Não tenho mais esperança, e fugir se tornou minha maior característica.

Escutei ao fundo meu celular tocando. A princípio, achei que era sonho ou delírio e ignorei, mas a pessoa continuou insistindo. Depois de tocar várias vezes, levantei irritado e peguei o aparelho para ver quem era... era Jin.

— O que você quer? — atendi já sem paciência.

Meus olhos mal abriam, e o sono e a ressaca dominavam cada centímetro do meu corpo.

— Você ainda está dormindo? — a voz de Seokjin soou indignada. — Levanta e se recompõe, consegui um emprego pra você na gravadora.

— É sábado, por que eu deveria acordar cedo? E outra, o que diabos eu faria em uma gravadora? Tá achando que vou virar um idol também?

— Engraçadinho... Conheci um dos seguranças que trabalha na gravadora, e ele me contou que estão procurando por um novo guarda-costas pessoal para o filho do CEO, e na hora eu lembrei de você.

Comecei a rir da proposta maluca dele.

— Valeu, Jin, mas não tenho interesse em ser babá de um adolescente. Não sei cuidar nem de mim mesmo.

— Não é um adolescente. O filho dele é aquele idol que mostrei pra você uma vez, Park Jimin. Ouvi dizer que o CEO vai pagar muito bem, muito bem mesmo.

A resposta dele me pegou feito uma isca. Dinheiro é o que mais preciso atualmente, e cuidar de alguém famoso assim certamente me renderia uma puta grana... Eu conseguiria até pagar um advogado pra provar minha inocência.

— Caso eu aceite, o trampo é tranquilo? Não quero dor de cabeça.

— Digamos que talvez. Soube que ele gosta muito de beber e sair, mas acho que isso não é um problema pra você, haha — ele riu.

Pior que não seria mesmo.

— Ok, eu topo.

A essa altura, não posso ficar escolhendo emprego.

— Boa! Amanhã nós vamos juntos pra gravadora, acorde cedo... Logo eu chego em casa — ele finalizou a ligação.

Nem sei como lidar com rico, muito menos rico, famoso, alcoólatra e festeiro. Espero que esse moleque não me dê trabalho.

Levantei da cama e recolhi as garrafas de soju que estavam espalhadas pelo quarto, além de algumas roupas que deixei jogadas no chão quando terminei.

— Que vergonha, Jk... — repreendi a mim mesmo.

De repente, senti um cheiro delicioso vindo da cozinha, tão bom que me abriu o apetite instantaneamente.

Saí rápido do quarto e fui seguindo o aroma que parecia vir direto do céu; era o Tae, como sempre. Ele estava preparando bulgogi, e só pelo cheiro eu já pude reconhecer o que era.

— Tae! Já disse que te amo hoje? — dei dois tapinhas nas costas dele.

— Você não me compra, mentiroso... — Ele riu. — Deixa um pouco para o Jin, entendeu? Não come tudo.

— Que grosseria, porra... mais alguma ordem, ditador?

Ele olhou para o relógio no pulso.

— Vou entrar em live já já, então já sabe, huh?! Se for jogar na sala, não fique gritando igual da última vez.

Na última live dele, eu e o Jin ficamos jogando... e bêbados, pra variar.

— Não precisa me criticar assim. Vou voltar a trabalhar amanhã, aí você vai voltar a ter paz sem mim.

— Sério?

— Sim, o Jin conseguiu pra mim.

— Fico feliz com a notícia, vou ter paz de você, e de quebra, você vai ocupar essa cabeça logo.

Comecei a encarar ele, rindo sem acreditar.

— Você quer falar de mim? Somos dois danificados mentalmente, só o Jin é o mais normal.

— É por isso que somos amigos... Vai trabalhar de quê dessa vez? — ele sentou na mesa e começou a comer.

Também sentei e servi minha tigela.

— Guarda-costas de um idol.

— Hmm, se for alguém igual ao Jin, você tá safe — respondeu com a boca cheia.

— Então não tô safe... — minha risada saiu em um tom tenso. — Park Jimin, conhece?

O olhar dele se dirigiu para mim na mesma hora. Com certeza ele ficou surpreso e sabia quem ele era.

— Bem, quem não conhece ele, não é mesmo?! O idol problemático... Boa sorte — ele riu enquanto apontava para mim com os hashis.

— Cala a boca... Comparado a pegar bandido e trocar tiro, controlar esse cara vai ser moleza.

Eu realmente esperava que fosse.

— Isso aí, confio em você. Bom, vou nessa — ele levantou e foi levando sua tigela junto para seu quarto. — Não esquece de ficar em silêncio, caso contrário, vou fazer umas montagens suas bem constrangedoras e espalhar na internet.

— Respeite seu hyung, garoto.

Ele saiu sem ao menos me responder. Esses jovens de hoje...

Fui para o meu quarto e coloquei uma blusa de frio, calça e tênis. Estamos no início de dezembro, e os dias têm sido cada vez mais frios. Eu precisava me exercitar para começar o novo emprego com energia, então o plano era ir correr no parque próximo ao apê.

Fui caminhando pelas ruas frias, e, assim que cheguei, já fui me alongar. Após alguns minutos, iniciei minha corrida. O clima estava perfeito para correr sem suar, e o aroma úmido do ar preenchia meus pulmões. Enquanto corria, eu observava as pessoas ao redor, cada uma seguindo sua própria vida e rotina, com seus próprios problemas, medos e sonhos.

Sonhos... faz tempo que não sei o que é ter esse sentimento. Afinal, os poucos que eu tinha foram destruídos pela minha realidade desde que nasci. Nunca houve espaço para sonhar, para acreditar que as coisas poderiam ser diferentes. A dureza da vida me ensinou a não esperar nada além de mais dificuldades.

Enquanto corria, esses pensamentos me assombravam. A corrida era minha fuga, meu momento de clareza em meio ao caos.

Às vezes me perguntava como teria sido se minha mãe estivesse viva. Talvez as coisas fossem diferentes, talvez eu tivesse um caminho mais claro, uma razão para acreditar que tudo valeria a pena. Mas essa é uma ilusão que não me permitia ter com frequência. A realidade é dura, e sonhar só faz a queda ser mais dolorosa.

Uma cabeça cheia de traumas não tem espaço para sonhos.

A corrida me trouxe um pouco de paz, ainda mais depois de um dia como ontem. Talvez esse emprego trouxesse alguma mudança, uma nova direção. Ou talvez fosse apenas mais uma ilusão temporária. De qualquer forma, eu não tinha escolha.

[...]

Depois de me exercitar por pouco mais de uma hora, voltei para o apartamento. Na recepção do prédio, encontrei o Jin, que estava voltando da gravadora. Nós subimos juntos no elevador.

— Obrigado pelo emprego, Jin, te devo essa... agora que minha ressaca passou, já consigo te agradecer como um adulto normal.

— Fica em paz, eu sei que você estava mal. Seu hyung aqui é incrível, né? Simplesmente incrível, pode confessar — passou a mão nos cabelos, admirando seu próprio reflexo no espelho.

A pele do exibido até brilhava com tamanha beleza.

— Nossa diferença de idade é de dois meses, nem te considero meu hyung — falei com desdém.

Tirei um cigarro do bolso para fumar assim que o elevador parasse no nosso andar.

— Sou seu hyung, sim. E outra, vou começar a destruir essas porcarias pra você entender que tem que parar de fumar, imbecil — ele puxou o cigarro da minha mão.

Ele estava certo, eu realmente deveria parar de fumar, mas ultimamente eu fumava muito mais do que o normal.

— Eu sei, eu vou parar, logo.

Saímos do elevador e entramos no apê. Depois de um banho para tirar o suor dos exercícios, sentei na cama para secar o cabelo.

Ao lado da minha cama, havia um porta-retrato com uma foto da minha mãe. Ela ficaria muito feliz em saber que entrei para a polícia, mas, ao mesmo tempo, acho que ficaria decepcionada em saber que fui expulso da corporação.

Meu pai nos abandonou assim que nasci, e ela me criou sozinha, sempre fazendo o possível para não me faltar nada. Infelizmente, perdi ela quando tinha 15 anos e passei a viver com uma tia que me odiava, e foi assim até meus 18. Entrar na polícia me trouxe uma nova chance de mudar minha vida, mas infelizmente, toda aquela merda aconteceu...

Eu não quero e não posso ficar remoendo isso. Imediatamente levantei e voltei para a sala, buscando ocupar minha mente.

Eu e Jin ficamos jogando videogame enquanto algumas garrafas de soju já começavam a ser devoradas por nós dois. Bastaram umas três garrafas para o Jin apagar no sofá, já eu, continuei jogando, pra continuar me distraindo enquanto a hora passava.

Eu precisava aproveitar aquele que talvez fosse meu último dia de paz.

[...]

Durante o dia, passei um tempo pesquisando algumas opções de advogado, já que, talvez, eu conseguisse pagar com esse emprego. A falta de dinheiro estava se tornando uma barreira significativa para várias situações, e isso só aumentava meu sentimento de impotência.

Assim que Tae terminou sua live, voltou para a sala.

— Tá com fome? — Mesmo com uma expressão de poucos amigos, ele sempre demonstrava preocupação com nós dois.

E bastou ouvir a palavra "fome" para o Jin acordar magicamente.

— Estamos morrendo de fome!

— Mas você não tava dormindo? — Tae falou, já rindo da reação imediata dele.

— Você me invocou quando falou sobre comer. O que acham de sair pra comer? É tudo por minha conta — Jin estava tentando a todo custo tirar Tae de dentro do apartamento, assim como faz quase todos os dias.

— Hmm, melhor não — respondeu Tae.

— Vamos, Tae, por favor... Tem um barzinho novo aqui perto que sempre está vazio, você vai gostar. E depois de beber você nem vai sentir mais nada, prometo — Jin insistiu.

O Taehyung sempre odiou sair e viveria muito bem apenas dentro de casa. Já vimos ele ter uma crise de pânico no meio de um supermercado lotado, e ali tivemos certeza da dimensão da sua fobia. Ele vem tratando com acompanhamento médico, mas cada dia é um passo devagar e constante.

— Se você for, eu roubo alguma coisa daquele idol e dou pra você vender na internet. Ou melhor, leiloar nas suas lives.

Ele sabe que, dependendo do que eu pegar, valeria muito dinheiro.

— Ok — Tae respondeu.

— O que esse "ok" significa? — questionei confuso.

— Significa que vou, mas só se você realmente conseguir algo valioso — Tae disse, com um pequeno sorriso irônico.

Jin deu um tapinha nas costas de Tae, animado.

— Tá vendo? É só isso que precisa! Um pouco de incentivo.

— Então vamos logo antes que eu desista. Não vou ficar por muito tempo, mas espero que você cumpra com sua promessa e me traga algo bom — disse já resmungando.

— Farei isso, fica tranquilo.

No fundo, não era nem uma certeza, mas mentir pelo bem da saúde dele não tinha problema.

Rapidamente nos arrumamos e caminhamos até um barzinho próximo. Os dois foram discutindo sobre um jogo em que estão disputando quem tem o nível e poder maior. O Jin trapaceava em tudo, já o Tae ficava puto com qualquer provocação dele.

Eu só fiquei rindo, afinal, não estava jogando esse. Era um jogo bem futurista, e esse tema sci-fi não me prendia muito, então só os dois criaram seus personagens. O mau humor do Tae e o bom humor do Jin me completavam, por isso nos dávamos tão bem, desde sempre.

Para o nosso alívio, assim que cruzamos a esquina, vimos que o bar estava vazio. Ele com certeza iria embora se estivesse cheio.

Lá dentro, escolhemos uma mesa mais reservada e sentamos. Pedimos algumas garrafas de soju para nós três e ficamos esperando as carnes para grelhar. Eu estava me sentindo ansioso pra começar esse novo trabalho, sentindo que as coisas pareciam finalmente estar caminhando na direção certa, mesmo que em passos lentos e curtos.

— Um brinde ao novo emprego do Jk — Jin levantou a garrafa de soju, e brindamos juntos.

— Que você consiga aguentar o playboy — Tae falou rindo.

— Já prendi mafioso armado com fuzil na mão, não vai ser difícil controlar esse moleque.

— Essa eu quero pagar pra ver — Taehyung completou.

— Vai ser moleza.

Enquanto a conversa vai e vem, o garçom nos trouxe alguns pedaços de barriga de porco, junto com vários outros acompanhamentos. O Jin era o mais velho, então sempre usávamos essa desculpa para ele ficar responsável por grelhar as carnes.

— Jin, assisti pelo YouTube sua participação no programa do Shin, sua dança melhorou muito, gostei de ver — Tae sempre acompanhava tudo do Jin, mesmo que fosse durão.

— Valeu, Tae! Estamos com um novo professor de dança, ele tem nos ensinado muitas técnicas novas. Tô muito animado para os shows — Seokjin respondeu e deu um gole no soju — Imagina só se vocês fossem idols também, seríamos o trio perfeito.

Eu e o Tae começamos a rir.

— Valeu, mas não. — Tae desconversou.

Ele me encarou logo depois.

— E você, Jk? Antes do meu debut você ainda foi comigo algumas vezes nas audições. Bons tempos...

— Eu realmente não nasci pra isso, você sabe.

— Por que não quer, você sabe que tem jeito e talento pra isso.

Eu até sabia cantar, mas nunca quis arriscar. Fora o fato de que o Jin tem uma dívida enorme com a gravadora em que trabalha, já que era trainee desde jovem. Nunca estive afim de fazer tamanha dívida, e isso foi o que manteve meus pés no chão na minha realidade.

— Hmm, não olhem pra trás... — o olhar do Taehyung se direcionou para trás de mim — Aquela garota de cabelo ruivo que você namorou um tempo atrás acabou de entrar no bar.

— A Eunji?

— Uhum.

— Que inferno...

Fiquei aliviado que ele me avisou. Eu realmente não estava afim de encontrar com essa mulher surtada, e nem queria que ela me visse. Por sorte, ela sentou em uma mesa longe e não me viu.

— Eu realmente achei que você namoraria com ela, ela é muito gata — Jin fez um gesto com as mãos desenhando uma silhueta feminina no ar — Que desperdício, Jungkook.

— De que adianta ser bonita se a personalidade dela é uma porcaria?

Ele deu com os ombros.

— Não exagere, Jk.

— Se acha que é exagero, namore você com ela então.

— Sou um idol, meu querido amigo. Idols não namoram, já te disse isso.

Eu e o Taehyung caímos na risada com o alto ego dele.

Eles ficaram na mesa grelhando a carne, e eu levantei para ir ao banheiro. Assim que saí para voltar à mesa, dei de cara com a Eunji, que parecia estar indo para o banheiro ao lado.

— Jungkook? Que surpresa te encontrar, faz tempo que não te vejo.

— Pois é, uma péssima surpresa... Com licença.

Ela segurou meu braço, e isso me fez lançar o pior olhar para ela.

— Por que está me tocando? — puxei o braço com raiva.

— Você ainda tá assim comigo? Poxa, Jk, eu já te pedi desculpas pelo que fiz... Ele só era meu amigo, não te traí com a intenção de te fazer mal.

Ela conseguia ser mais canalha com essa porra de desculpa.

— Não quero suas desculpas, e deixei isso muito claro pra você. Não me dirija a palavra quando me ver assim pela rua, entendeu? Prefiro que você finja que eu não existo.

Ela parecia ofendida, mas não deixou isso transparecer por muito tempo, voltando com a cara de coitadinha.

— Você sempre foi tão exagerado, Jungkook. Já passou tanto tempo, você não pode continuar assim. Todo mundo erra.

— Para de tentar se justificar. Nada do que você diga vai mudar o que fez.

Ela deu um passo para trás, finalmente parecendo entender que suas palavras não tinham efeito.

— Tudo bem, se é isso que você quer... Espero que um dia você consiga me perdoar.

— Não conte com isso — respondi secamente.

Ela suspirou, balançou a cabeça e continuou me encarando, então dei as costas e saí de perto dela. Quando voltei para a mesa, o Jin olhou para mim com curiosidade.

— Demorou, hein. Tá tudo bem?

— Uhum... está — respondi, tentando parecer indiferente, sem motivação para contar o que houve.

Tae levantou uma sobrancelha, mas não comentou nada. Ele sabia que pela minha expressão, eu não queria falar.

Peguei alguns pedaços de carne e voltei a comer. Estava tão cansado de tudo que até explicar para eles o que houve me desanimava, então não contei. Ela era apenas mais uma lembrança de um passado que eu preferia deixar para trás.

[...]

Depois de beber por mais um tempo, o bar começou a ficar bem movimentado, o que imediatamente incomodou o Tae. Decidimos ir embora com ele, já que ele estava dando sinais claros de desconforto.

No caminho, paramos em uma pequena conveniência e compramos algumas garrafas de soju para abastecer a nossa geladeira.

Já no apê, fiquei embaixo de uma ducha quente, sentindo a água quente cair na cabeça, pensativo. Por sorte, tenho meus amigos, e eles são o que me distraem quando minha mente chega nesses picos de sentimentos ruins, como estou ultimamente.

Encontrar aquela parasita meio que sugou o restante de energia que me restava.

Saí da ducha, enrolei a toalha na cintura e voltei para o quarto. O aquecedor estava ligado, então o quarto ficou na temperatura ideal para dormir só de cueca, mesmo com o frio que batia violentamente nas janelas do lado de fora.

Me acomodei na minha cama e fiquei mexendo no celular, aguardando o sono, que parecia não querer se manifestar.

Na internet, pesquisei por "Park Jimin", já tentando me preparar um pouco mais para o que viria. A maioria dos resultados era sobre seu novo disco e o single principal "Like Crazy", que rapidamente atingiu o primeiro lugar na Billboard. Seu histórico profissional parecia impecável, com vários prêmios atribuídos a ele. Cantor, compositor, dançarino, filantropo...

— Ele é realmente um sucesso — sussurrei.

Além das notícias boas, encontrei o que eu já imaginava: várias fotos e notícias de paparazzis sobre suas noitadas em baladas. Um pequeno escândalo aqui, uma fofoca ali, mas nada muito estrondoso. Alguém que leva uma vida assim com certeza é protegido pela mídia, em troca de dinheiro.

Enquanto olhava cada resultado da minha pesquisa, uma vontade absurda de fumar surgiu. Eu já estava deitado e não queria ceder ao vício, mas considerando o estado de ansiedade em que me encontrava, cedi. Coloquei um roupão e abri a porta da varanda do quarto. Estava ventando muito, então fiquei encostado na parede.

Puxei um cigarro do maço e o acendi, permitindo que a fumaça aliviasse um pouco o nervosismo. A fumaça se dissipava no ar, e eu me perdia em pensamentos sobre como seria enfrentar alguém que vivia em um mundo completamente diferente do meu.

Eu fumava um pouco do cigarro e o vento dissipava o restante da brasa, queimando em poucos minutos. Foi como uma bomba de calmante para o corpo.

Olhei a bituca na mão e joguei fora, já com o peso na consciência.

— Eu preciso parar de fumar...

Mesmo sabendo que era necessário, eu não parava.

Não conseguia precisar o dia exato em que minha vida e saúde mental se tornaram um caos, mas sabia que minha família tinha culpa em quase todos os meus traumas. Traumas com os quais eu não sabia lidar, e, na tentativa de fugir da realidade, eu prejudicava minha saúde com bebida, cigarro e noitada.

Sentia que precisava de uma motivação para recuperar a força de vontade, mas também sabia que, para alguém como eu, motivações não caem do céu. Mesmo sabendo que a mudança só dependia de mim, eu não sabia por onde começar.

Voltei para o quarto e me enrolei nas cobertas, tentando escapar do frio. Já estava menos ansioso, o que me ajudou a começar a bocejar de sono.

Olhei para o teto do quarto, pensativo.

— Que o dia de amanhã seja um novo capítulo na minha vida...

Sentia que mudanças estavam por vir e torcia, mais que tudo, para que fossem boas mudanças.

Finalmente consegui silenciar minha mente e dormir depois de um tempo remoendo esses pensamentos e as milhares de vozes que viviam dentro dela.
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Oi amô! Espero que tenham gostado do capítulos jikookas!
Não esqueçam de votar e comentar, comentem muito para eu saber o que estão achando do desenrolar da história :)
Estou ansiosa para te ver no próximo capítulo!


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(Capítulo reescrito em agosto/24)

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