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Enemies to lovers|college

Por Tommosassy

Oneshot escrita para o dezdrarry

A escola estadual Saint Brutus, popularmente conhecida nessa região da Inglaterra como Centro ST. Brutus para meninos irrecuperáveis, é uma escolha perfeita para correção de adolescentes violentos e mentalmente instáveis. Pelo menos é isso  que pessoas como Valter Dursley dizem para se livrar do sobrinho indesejado e não gastar um centavo a mais com educação, eles devem ir para a escola particular do Duda ou para uma poupança que o bancará após a maioridade, pois segundo Harry, Duda Dursley nunca sairia da casa dos pais.

Valter e Petúnia Dursley são comuns e se orgulham muito disso. Valter trabalha numa firma de perfurações chamada Grunnings e Petúnia é dona de casa. Os dois têm um filho de 17 anos que estuda em uma das melhores escolas da região, não que sirva para muita coisa, afinal o único passatempo preferido de Duda é bater nos colegas de turma. Antes o cargo de saco de pancadas era exclusivamente de Harry, sobrinho de Petúnia, mas agora ele passava a maior parte do tempo em St. brutus, ou como ele gostava de chamar: sua prisão.

Harry James Potter é filho da irmã mais nova de Petúnia, Lily e James. Seus pais morreram em um acidente de carro quando ele ainda era bebê, e ele foi criado pelos tios, que faziam de tudo para dificultar a vida do garoto. Harry não podia estar mais longe do significado de “comum” para desespero dos Dursleys.

De acordo com o dicionário a palavra comum significa: 1 Que pertence a dois ou mais elementos. 2 Realizado por duas ou mais pessoas; feito em comunidade. 3 Que apresenta características compartilhadas pela maioria; habitual. 4 Que não se sobressai ou não se destaca; vulgar. 5 Que ocorre com frequência. 6 Que apresenta pouco valor; insignificante, vulgar. E apesar dos seus tios não se esforçarem em cuidar dele, o garoto Potter naturalmente se destacava. Talvez houvesse algo mágico sobre ele.

Cresceu usando tudo que restava do primo, como uma cópia barata, mas sem parecer realmente integrado àquela família. Os tios eram do tipo que conversavam no café da manhã ou espiavam pela janela para saber sobre a vida das outras pessoas que não cabiam em seu ideal de normalidade. Eles tiveram que pagar a língua ao verem Harry se distanciar cada vez mais deles ao longo dos anos no Centro para meninos irrecuperáveis. Esperavam que Potter fosse corrigido, mas aquele lugar o ensinou a se impor, lhe deu algumas tatuagens e piercings. Talvez, agora, fossem os Dursleys o assunto das fofocas em outras casas da Rua dos Alfeneiros, nº 4, em Little Whinging.

O Centro St. Brutus mais parecia uma prisão. Muros altos, cerca elétrica e portões de ferro. O uniforme dos alunos era uma blusa cinza com o brasão do colégio no lado esquerdo do peito e jeans azul. Tinha pouca área verde em volta da  escola, a não ser que você contasse as árvores secas da floresta proibida. Mesmo se o nome fosse floresta permitida os alunos não iriam até lá, pois a vista era digna de um filme de terror.

O lugar era coordenado pelo diretor Malfoy, que dirigia tudo com mãos de ferro. Lucius era herdeiro de uma família antiga da Inglaterra, inclusive, morava numa mansão enorme em Wiltshire, onde poucos alunos chegariam se não fosse pela viagem do colégio para visitar a Catedral de Salisbury. Muitos dos alunos acreditavam que ele era vampiro, ou qualquer coisa sobrenatural que explicasse o porquê dele odiar todos ali e agir como um tirano.

O Senhor Malfoy tinha um filho. Draco Malfoy.

O filho do diretor era bom demais para Saint Brutus, ele estava acima dos meros mortais daquela região da Inglaterra. O garoto estudava na Grande Escola de Hogwarts, a melhor do Reino Unido, e ficava tão próximo de St. Brutus, que do último andar era possível ver o gramado incrivelmente verde do campo de futebol. A escola ficava em um antigo castelo com altas torres e belos vitrais coloridos. Um jardim em cuidado e mantinha o lago escuro e a densa floresta no terreno.

A maioria dos moradores ricos da cidade mandavam seus filhos para o colégio tradicional. A única outra forma de entrar lá era ganhando uma bolsa de estudos para alunos muito dedicados e inteligentes como Hermione Granger. A garota é namorada do melhor amigo e colega de quarto de Harry, Ronald Weasley. Quando entraram em St. Brutus, Potter achava que Hermione era uma invenção do garoto ruivo, mas em um dos natais que passou com a família do melhor amigo, ele finalmente conheceu a garota de cabelos cacheados, extremamente inteligente e carinhosa com os amigos.

Draco Malfoy era a pessoa mais bonita que Harry já havia conhecido na vida. O garoto possuía cabelos loiros naturalmente platinados que sempre estavam bem penteados até o loiro os pentear com os dedos, bagunçando os fios. O garoto de olhos misteriosos numa cor incomum, cinza, que guardam tantos segredos quanto os muros de St. Brutus.

O Malfoy tinha uma beleza angelical, mas seu sorriso era corrompido pelo pecado, e disso o Potter sabia bem. Gostava especialmente daquele riso fácil que se alargava na boca do garoto loiro quando passava os lábios pela pele quente, principalmente, pela tatuagem pequena de um dragão nas costelas. Tatuagem essa feita escondido do pai... Mais um segredo.

Segredos. Os dois garotos compartilhavam muitos deles quando estavam tão próximos a ponto dos cílios baterem juntos, das bocas respirarem o ar quente em meio a respiração entrecortada e dos corações baterem no mesmo ritmo nos peitos colados. Eles próprios eram um segredo que o Malfoy guardava a sete chaves com uma senha criptografada e o Potter ansiava em contar para a primeira pessoa que visse.

As cortinas de tecido fino na janela não eram boas o suficiente para bloquear o sol matinal que iluminava o dormitório. Cada quarto em St. Brutus possuía duas camas, duas mesas de estudo, um guarda-roupa compartilhado e um banheiro. Era um espaço confortável, mas os alunos não podiam decorar como quisessem, então mais parecia uma cela ou um quarto de hospital.

Harry é o primeiro a acordar. Os cabelos negros estavam uma completa bagunça. Ele tateou a mesa de cabeceira em busca dos óculos e enfim pode enxergar no celular que acordou antes do horário. O garoto provavelmente se jogaria novamente na cama e dormiria até o aparelho despertar, mas a mensagem do Malfoy o fez levantar da cama.

Era uma sexta-feira e Draco ia encontrar o pai algumas vezes por mês no final de semana. Nunca trocavam palavras, eram sempre conversas silenciosas entre os olhos verdes e os cinzas, mas mesmo assim o Potter desejava vê-lo.

A calça de flanela vermelha com listras douradas pendia nos quadris, deixando a v line aparente. O abdômen pouco definido estava exposto, mostrando uma única tatuagem no peito no estilo old school em que uma espada transpassa uma cobra.

Harry sente o chão gelado sob os pés descalços enquanto alonga o corpo. Ele olha para a janela e observa os atletas da escola já se exercitando, dando voltas pelo prédio principal. Pega a toalha e segue para o banheiro, onde toma um longo banho quente e aproveita para lavar os cabelos. Geralmente estava atrasado e tinha que tomar banho correndo.

O garoto enrola a toalha na cintura e coloca os óculos de volta ao rosto para poder enxergar o seu reflexo no espelho. Penteia os cabelos, escova os dentes e se dá por satisfeito com o resultado refletido no espelho. O piercing na sobrancelha era o único acessório que usava além dos óculos, passa desodorante e volta ao quarto para vestir o uniforme.

Assim que chegou em St. Brutus, ele se sentia envergonhado em trocar de roupa na frente de outro garoto, mas depois de sete anos dividindo o dormitório, não tinha mais o que esconder do melhor amigo.

Ronald Weasley estava sentado na cama, esfregando o rosto com as palmas das mãos numa tentativa de se livrar do  sono. O cabelo do garoto ruivo um pouco longo na região da nuca estava bagunçado ao acordar e o tom de vermelho combinava bem com a camisa laranja dois números maiores por cima do short preto do pijama.

— É melhor se apressar, ou vamos perder o banho de sol — Harry brinca com o amigo, pois muitos diziam que St. Brutus lembrava uma prisão.

— Essa piada nunca perde a graça — o ruivo comenta. Eles fizeram esse mesmo comentário diversas vezes nos últimos sete anos.

— Estou falando sério. Ou vamos perder o café — joga a toalha molhada na cabeça do melhor amigo e começa a vestir a roupa íntima.

— Porra, potter! — reclama, acertando o Harry com a toalha molhada enquanto o mesmo se esquiva — O que te fez sair da cama tão cedo? — arqueia uma das sobrancelhas. O garoto moreno geralmente estava atrasado.

— Relógio biológico — deu de ombros.
— O Malfoy vem, não é? — pergunta rindo — Você até lavou o cabelo — provoca.

— Vai a merda, Ronald — mostra o dedo do meio e confere o celular.

— Ele vem — afirma o ruivo ao levantar da cama sorrindo convencido, e então pega a toalha — Por que vocês não assumem isso logo? — questiona.

— Você sabe que nunca vai rolar, Ron — comentou, fingindo não se importar.

— Você vai estar fora daqui em uma semana — o Weasley lembra Harry da formatura que iria acontecer em poucos dias — Ele não pode usar o pai como desculpa pra sempre — fala antes de se trancar no banheiro.

O refeitório da escola não estava tão cheio nesse horário da manhã, em que o relógio marcava ser antes das sete, e as pessoas que já ocupavam as mesas conversavam baixo, talvez por não terem acordado totalmente para usarem o potencial de suas vozes. Os alunos usavam a camisa cinza do fardamento com o brasão roxo e dourado de St. Brutus bordado no lado esquerdo do peito e jeans comuns. Harry e Ron seguem para a fila do café da manhã, não muito animados ao verem que o prato do dia era mingau de aveia.

Draco Malfoy estava parado na entrada do refeitório, esperando pelo pai que havia dito ir encontrá-lo, mas surgiu outro assunto mais urgente para resolver. O garoto loiro estava ao lado dos dois amigos mais próximos. Pansy Parkinson era uma garota alta com cabelo Chanel preto e nariz empinado, que lembrava as modelos de passarela e Theodore Nott era moreno com cabelos um pouco longos e um sorriso charmoso.

Os três amigos ainda usavam o uniforme de Hogwarts, blazer preto com o brasão do colégio bordado, calça ou saia na mesma cor do blazer, camisa social branca, sweater cinza e gravata. Eles pareciam deslocados dos outros alunos e focaram em conversarem entre si ou digitar algo nos celulares caros.

Draco procura Harry com o olhar e o encontra rapidamente entre os outros garotos. O cabelo do amigo ruivo era um bom localizador, mas ele conhecia Potter bem demais para achá-lo independente disso. O loiro sorri de canto, mas volta a ficar sério quando vê Theo caminhando em direção a mesa de Harry. Os dois garotos conversam sobre algo e sorriem largamente um para o outro. Em nenhum desses três anos, Draco falou com Potter dentro de St. Brutus. Fazia parte de ser um segredo.

— Então era por isso que você insistiu em vir com a gente, Theodore? — Pansy cruza os braços na altura do peito e arqueia uma das sobrancelhas.

— Por vocês é que não foi — responde direto, arrancando uma risada da amiga.

— Achei que tinha sido pela carona — a morena diz, conhecendo bem o amigo.
— Por isso também — pisca para Parkinson.

— De onde você conhece o Harry? — Draco perguntou depois de observar a conversa dos dois amigos.

— Nos esbarramos algumas vezes. Ele é gato e tem bom papo — explica e percebe que Pansy olha para Draco de soslaio — Você tem algo com ele? — questiona ao loiro.

— Não, vai em frente —  Draco nega.

Nott digita rapidamente algo no celular e um sorriso animado não deixa os seus lábios. A Pansy vendo o amigo concentrado, digita algumas palavras no bloco de nota do próprio celular e passa para o Malfoy que a responde da mesma maneira.

Você é burro ou se faz? deveria dizer que se importa sim!!!!

O Harry é solteiro e faz o que quiser.

Cabeça dura! E eu que junto os cacos depois.

O ruivo observa Draco encarando de longe e volta o olhar para o melhor amigo, que come o mingau sem falar nada sobre o que havia acabado de acontecer.

— Desde quando Theo Nott fala com você? — pergunta curioso, ele não conseguia evitar.

— Trocamos uns beijos naquele dia que você e a Mione foram embora mais cedo do Caldeirão Furado — contou em tom de pergunta para tentar fazer o melhor amigo lembrar da data.

— O Lucius te mata se o Draco não te matar antes — diz o ruivo, sabendo que o diretor não gostava nem um pouco de Harry e o queria longe do filho e dos amigos dele.

— Tô cansado de esperar pelo Malfoy — nega com a cabeça — Talvez seja hora de seguir em frente.

— Com o amigo dele? — o Weasley encara o melhor amigo em repreensão — Me parece que você está tentando chamar atenção do Draco. Não usa o garoto pra isso.

— Sem sermão, por favor — Harry pede — Sua namorada já vai fazer isso hoje à noite, porque ele acabou de mandar uma mensagem dizendo que quer me encontrar.

— Somos muito novos para sermos seus pais — o ruivo murmura exasperado, conhecendo bem o melhor amigo para saber que agia por impulso — Você vai nos dar cabelos brancos muito cedo.

Nas sextas-feiras, os alunos de St. Brutus tinham aulas apenas pela manhã e após uma longa explicação do professor de química, o último ano finalmente é liberado. Harry e Ron pegam suas mochilas no dormitório e vão para a parada de ônibus mais próxima da escola.

Potter checa o celular algumas vezes e sente o estômago revirar por não ter nenhuma mensagem do Malfoy, apenas uma do Nott querendo confirmar se ele vai a noite. Ele respondeu  Theo, confirmando, e bloqueou o aparelho, decidindo que era melhor daquela forma. Ao lado do amigo ruivo, ele espera por quase meia hora até que finalmente passe um ônibus em direção a Londres.

A casa número 12 no Largo Grimmauld era clássica e espaçosa. O lugar pertencia a  família de um dos padrinhos do Harry por gerações e ficaria vazia durante todo o final de semana, pois o casal estava viajando. No ano anterior, o juiz finalmente tinha concedido a guarda do Potter ao seu padrinho Sirius Black. Demoraram para tomar a decisão, mesmo que os Dursleys fossem péssimos com o garoto, pois o Sirius era casado com o Remus e a sociedade ainda não via com bons olhos o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo.

O Sirius e o Remus eram melhores amigos dos pais do Harry, mas só o Sirius era padrinho do garoto. Depois desse um ano morando com o casal, o Potter acabou se acostumando em chamar os dois de padrinhos. Sirius, tentou convencer ele a mudar de escola já que Lupin trabalhava em hogwarts mas ele não quis deixar Ron sozinho e só faltava apenas um ano  para sair de St. Brutus.

— Seus pais não vão brigar? — Potter perguntou ao melhor amigo depois de trancar a porta. Conhecia a mãe do Weasley e sabia que ela odiava não ser avisada das coisas.

— Vou pra lá amanhã — conta o ruivo — Mandei uma mensagem avisando que seus padrinhos me convidaram pra jantar e me deixaram dormir aqui — sorri largamente.

— Vou pedir para Sirius confirmar — Harry pisca um dos olhos — Lupin com certeza entregaria a gente.

— E minha mãe nos mataria — afirma.

— Ela mataria você — aponta para Ron — Eu sou o preferido da Sra. Weasley — o ruivo revirou os olhos, mas não discordou. A mãe achava que o Harry era um santo, mal sabia ela…

— Será que o Remus preparou algo? — o Weasley foi em direção a cozinha, pois já era de casa — Tô com fome.

— Quando você não tá? — nega com a cabeça.

Eles comem os sanduíches que Remus havia preparado para o almoço e ficam praticamente a tarde inteira jogando videogame, deixando as atividades esquecidas nas mochilas. No final da tarde, perto do horário combinado com Nott, os dois amigos se arrumam para sair.

O ruivo usa uma camisa preta, calça e jaqueta jeans. Já Potter veste um moletom verde, jeans escuro e coloca vários anéis de prata nos dedos. Ronald ajeitava os fios vermelhos com as mãos de frente para o espelho e o brinco de pressão prata brilhava em sua orelha.

— Esperando uma mensagem dele? — o ruivo pergunta ao observar o Harry conferir o celular várias vezes.

— Estava esperando Nott me mandar o endereço — sorri ao mostrar a tela do celular — Vamos?

Sirius havia deixado dinheiro para o táxi, pois não queria que o Harry pilotasse a moto até tirar a carteira e conhecia bem o afilhado para saber que o garoto era impulsivo como ele. Os dois amigos seguem de carro para um bairro fora de Londres.

A região era conhecida como rota da magia, pois muitas lendas contavam que as bruxas foram as primeiras a se estabelecerem naquela região e se misturaram aos comuns. Ninguém nunca pôde comprovar, mas era um ótimo atrativo turístico, por isso muitos bares e pubs tinham nomes relacionados a esse tema, como o Três Vassouras e o Caldeirão Furado.

A música alta podia ser ouvida do lado de fora do Três Vassouras, algumas pessoas conversavam na entrada. Harry entrega a identidade ao segurança enquanto o Ronald troca mensagens com a namorada. Ao entrar ele vê a garota de cabelos cacheados ao lado dos seus colegas de Hogwarts.

Hermione levanta para receber o namorado e o amigo. A garota estava com os cabelos cacheados presos em um rabo de cavalo alto e usava um cropped branco com uma jaqueta bomber roxa e jeans de cintura alta. Granger beija o ruivo que a abraça pela cintura, envolvendo os dedos nos passadores da calça. Logo depois ela abraça o Potter que a levanta antes de soltar.

— Você veio — Nott levanta e deixa um beijo no canto da boca do Harry, que sente o gosto do cigarro mentolado nos lábios do garoto moreno.

— Eu te falei que viria — umedece os lábios com a língua e sorri de canto.

— Acho que você já conhece todo mundo — comenta Theo — Parkinson — a garota usava um vestido preto colado, meia calça preta e blusa branca de gola alta — e Malfoy — o loiro usava blusa de botões azuis um pouco aberta, jeans escuro e cinto preto. A corrente prata no pescoço era um detalhe que chamava atenção para pele exposta e o cabelo um pouco longo demais insistia em cair nos olhos dele.

— Oi — cumprimenta todos de uma vez. Pansy sorri e Draco apenas assente com a cabeça.

Nott tinha seu charme. Sabia conversar olhando nos olhos, era divertido e flertava bem. Ele segurava as mãos do Harry por cima da mesa e demorava tempo demais com os lábios no copo de bebida.

— Para de encarar — Pansy sussurra para o loiro — Se você tivesse olhos de laser, eles já teriam sido destruídos.

— Não consigo — penteia os cabelos para trás com os dedos — Não deveria ter vindo. Será que sou masoquista?

— Você é só idiota mesmo — brinca e aperta o ombro do amigo com carinho — Você veio porque está com medo dele ficar com o Nott — afirma — Vai falar com o Harry.

— Meu pai ainda pode prejudicá-lo — respira fundo.

— Lucius Malfoy — fala com raiva — Não dá pra sempre fazer o que ele quer, Draco. Quando você  vai pensar em si mesmo? — perguntou, mas o amigo não respondeu, apenas ficou encarando o copo à sua frente — Vamos dançar.

— Não — nega com a cabeça.

— Não vai ficar aí se lamentando — puxa Draco pela mão para que ele se levante.

O local não tinha pista de dança, só o espaço entre as mesas, mas isso não impedia as pessoas de dançarem. Draco sorri, tentando seguir os passos de dança da amiga que dança de forma provocante. A garota de cabelos curtos abraça o melhor amigo e o guia numa dança em que os corpos se movimentam juntos. Ela convida a Hermione que rapidamente aceita e se junta a eles enquanto o namorado assistia e incentivava o espetáculo dos três.

— O que você tanto olha? — perguntou Nott para Harry e então percebeu o grupo se divertindo próximo a mesa — Ahh — passa a língua pelos lábios — Você e o Draco?

— É — não sabia direito o que responder e termina a bebida para não falar mais.

— Olha, não quero me meter entre vocês dois — Theo nega com a cabeça.

— Eu só não tô acostumado a não estar com ele — explica e ri de si mesmo.

— Bebe pra relaxar — oferece o copo que bebia — Esse é um dos melhores.

— Que merda é essa? — o rosto dele se contorce ao sentir a garganta queimar após virar o copo.

— Whisky de fogo — Nott explica rindo da reação do outro garoto.

— Já sei o que inspirou o nome — brinca — Vou ao banheiro e ver se consigo algo de verdade para beber. Isso aí é quase gasolina.

Potter entra no banheiro e molha o rosto com a água da torneira. O estômago ainda queimava e ele sabia que tinha sido uma má ideia ter bebido aquilo.

— Você tá bem? — ouviu alguém perguntar.

— Pareço bem? — pergunta ao ver o reflexo de Draco com o espelho e respira fundo —  Por que veio atrás de mim?

— Você não pode misturar bebida, Potter — enfiou a mão nos bolsos frontais da calça — E os Notts são famosos pelos whiskies fortes.

— Você lembra? — Harry questiona.

— Perdi meus sapatos pra sempre — sorri ao lembrar de um episódio parecido — Precisa de ajuda?

— Tô bem — o moreno afirma — Só vai embora — pede.

— Desculpa — o loiro fala baixo e depois repete mais alto a mesma palavra.

— Você é um idiota sabia? — Harry negou com a cabeça.

— Sim, eu sei — Malfoy concorda.
— Tão idiota — Potter apoia as costas na pia e encara Draco de frente.

— Não fica com raiva de mim agora? — o moreno se aproxima e o outro não intervém.

— E quando eu vou poder ficar? — o garoto sussurrou tão próximo que Draco poderia sentir o ar quente saindo dos lábios vermelhos.

— Depois disso — responde.

Draco envolve o pescoço de Potter com os braços e une as bocas quentes, degustando o sabor do álcool na língua alheia e se embebedando de sensações tão intensas que provocavam arrepios na pele.

— Droga, Malfoy. Eu te odeio — Harry fala quando separa os lábios dos do loiro num som audível.

Potter segura a mandíbula do loiro e puxa o lábio inferior do outro com os dentes, sorrindo pela reação provocada no corpo do loiro e volta a beijá-lo intensamente. Draco Malfoy empurra o corpo de Harry contra a pia, aprofundando o beijo e pressionando os quadris em um movimento gostoso. Potter leva as mãos à bunda de Malfoy, apertando a região com vontade por cima do tecido do jeans e o trazendo para mais perto.

— Opa — Ronald expressa surpresa ao entrar no banheiro e seu rosto fica tão vermelho quanto seu cabelo.

— Desculpa — Harry pede a ninguém em específico.

— Vamos sair daqui — Draco sussurra baixinho no ouvido do garoto ainda agarrado a si.

— Eu vou me arrepender disso, não vou? — pergunta Potter, mas não teve resposta.

— Ruivo, avise aos outros que estamos indo — Draco aponta para o Weasley — A chave vai estar no lugar de sempre pra você poder buscar suas coisas — diz, conhecendo bem a dinâmica dos dois amigos.

— Tchau? — Ron se despede sem saber muito como reagir, mas não estava surpreso que a noite tenha acabado daquela maneira para eles.

Potter insistiu em falar com Nott antes de ir e o garoto pareceu entender a situação. “Somos todos livres”, palavras dele. Acho que ele havia bebido whisky de fogo demais para uma só noite.  Draco e Harry pedem um táxi e o caminho para aquela região de Londres não estava movimentado naquele horário da noite, então não demoraram muito para chegar no Largo Grimmauld.

Os dois garotos trocam beijos acalorados na entrada enquanto Potter tentava destrancar a fechadura, mas era difícil se concentrar naquela simples atividade com Malfoy por todo o seu corpo. O garoto tranca a porta e guia Draco em direção ao quarto tão conhecido por ele, que poderia citar cada coisa que decorava o ambiente com  precisão de detalhes.

— Você é louco — Potter sorri, segurando as bochechas do outro garoto com ambas as mãos — Não sei porque gosto de você.

— Porque eu sou irresistível? — sugeriu Malfoy sorrindo despreocupadamente.

— Tão humilde… — desdenha o garoto moreno — Quem é você? Apolo ou Afrodite? — citou dois deuses gregos conhecidos por reconhecer seus próprios atrativos.

— Se eu fosse um deus, independe de quem fosse — fala com os lábios colados aos de Potter — Gostaria que você me venerasse de joelhos — morde o lábio inferior e acaricia os fios negros do cabelo curto.

Potter não poderia negar um pedido desses.

O garoto se ajoelha no chão do quarto encarando Malfoy de baixo e abre o cinto preto sem pressa alguma, tendo como trilha sonora a respiração pesada de ambos e os carros passando na rua.

Potter passa a língua pelo membro rígido apenas provocando Malfoy, que acompanhava cada movimento com os olhos atentos, ali parado como uma bela estátua grega. A boca quente e habilidosa envolve toda a extensão de uma vez, arrancando um gemido alto do loiro.

Draco envolve o cabelo de Potter com uma das mãos, fodendo a boca quente sem nenhum pudor. Os cabelos cobriam os olhos prateados, agora turbulentos como o céu se preparando para uma tempestade. Malfoy sorri minimamente e abre os lábios numa tentativa silenciosa de externar a sensação do gemido do Harry reverberar por todo o corpo dele pelo contato  da  boca com o membro rígido.

Arrancam as roupas sem nenhuma cerimônia, tateando com a boca e a ponta dos dedos os corpos tão conhecidos um do outro. Draco sente o peso do corpo de Potter sobre o seu, perdido em sensações que os seus membros sendo friccionados juntos provocavam um colapso em seus cérebros. Eles são uma bagunça de pele, saliva e sons desconexos que deixavam suas bocas.

— Me deixa te ouvir — pede falando rouco e o loiro sorri apenas para provocá-lo sem atender o pedido — Malfoy — murmura em tom de ameaça e leva a mão à garganta do loiro envolvendo-a com os dedos levemente.

— Porra, Potter — gemeu arrastado, jogando a cabeça contra o travesseiro de olhos fechados — Era isso que você queria ouvir? — arranhou a nuca dele com as unhas curtas — Eu quero que você me foda — fala contra os lábios do outro —Você sabe como me convencer, amor — coloca as mãos em cima das mãos de Potter que continuavam em seu pescoço.

— Você é tão sem vergonha — Harry sorri soprado, mantendo uma das mãos no pescoço pálido e desce a mão para massagear os membros juntos, fazendo Malfoy gemer manhoso.

Draco se esfrega contra a mão do outro, ofegando por mais. Seus corações batiam acelerados dentro do peito e o vento frio da janela aberta era ínfimo para abaixar o calor daqueles corpos juntos. Os corpos deles encaixam tão bem, é como se as mãos fossem feitas para cada parte do corpo um do outro e suas bocas sabiam mais do que guardar segredos.

— Vira de costas — Potter fala e o loiro o faz prontamente — Lindo — deixa um beijo na nuca dele enquanto colocava o preservativo — Gostoso pra caralho! — esfregou a entrada com os dedos úmidos pelo lubrificante, que estava guardado na gaveta do móvel próximo a cama.

— Harry... — Draco empina o corpo à procura de um maior contato com os dedos do outro — Me fode, Potter... por favor — agarra o travesseiro abaixo de si.

— Então agora nós pedimos, por favor? — Harry sussurra baixinho no ouvido do outro e esfrega seu membro contra a entrada do outro.

— Logo, Potter — exigiu e a virilha atingiu o quadril num ritmo lento e profundo, fazendo o loiro gemer alto.

Potter estoca devagar, mantendo uma das mãos na cintura de Draco, o que provavelmente deixaria marcas depois na pele branca. As impressões digitais gravadas pela urgência do contato entre os dois corpos. A luz da janela iluminava a pele pálida que ganha um tom rosado pelo esforço exercido e cada toque leva o corpo ao limite, fazendo com que o corpo do Malfoy sinta a eletricidade correr por seu corpo e o Harry observa a cena diante de si como se fosse uma obra de arte, tentando captar cada mínimo detalhe do garoto loiro. 

Draco vem, sujando os lençóis e Harry goza pouco tempo depois. O garoto moreno se levanta com cuidado, sabendo que o outro estava sensível e vai até o banheiro se livrar do preservativo. Pega lençóis limpos no guarda-roupa, mas o loiro não parecia disposto a levantar. Potter tenta ajudá-lo, mas acaba caindo na cama o que provoca risadas altas dos dois. Então o garoto se dá por vencido, vira o corpo de Draco para um lado e forra a cama, repetindo o ato para forrar o outro lado.

— Draco — Harry murmura depois de um tempo. Os dois estavam deitados em silêncio e seus corações batiam calmamente em seus peitos.

— Hum? — inclina a cabeça para olhar diretamente nos olhos verdes.

— Eu não te odeio — diz baixinho — Pelo menos não de verdade.

— Eu sei — Malfoy sorri e Harry sente o sorriso dele em seu peito pelo contato do rosto do outro com a pele exposta.

— Mas eu odeio gostar de você — assume no escuro do quarto.

— Que jeito peculiar de se declarar — comenta Draco e respira profundamente.

— Estou falando sério — Harry afirma — Não gosto de ser um segredo.

— Eu também não — confessa.

— Não é o que parece — fala em um tom triste.

— Quero tentar, Harry — Draco diz depois de um tempo em silêncio.

— Tentar o que? — pergunta o garoto moreno.

— Fazer dar certo — responde o loiro.

— Nós? — Potter pergunta para saber se tinha entendido certo.

— Nós — Malfoy concorda com a cabeça — Vou começar do jeito certo — sussurra  — Prometo.

A janela do quarto estava aberta e o vento frio da noite dava lugar ao calor abafado do sol que invadia o cômodo espaçoso. Potter esfrega o rosto com as mãos e pisca algumas vezes para se acostumar com a claridade. Ele tateia os lençóis bagunçados à procura de Draco, mas o quarto estava vazio.

O garoto levanta, chamando o  nome do loiro, mas não obtém resposta. Veste a primeira calça que encontra no quarto e coloca os óculos no rosto. Desce as escadas com pressa, mas o Malfoy não estava nos cômodos de baixo. Volta ao quarto e procura o celular entre as roupas jogadas no chão e lê a última mensagem “Desculpa por sair assim. Precisei resolver umas coisas. Vou fazer do jeito certo. Te procuro”

— Eu sou um grande idiota — se joga na cama, suspirando alto.

.

— Foi tudo que ele disse? — Ronald pergunta pela segunda vez desde que Harry contou a história ao voltar para a escola na segunda-feira.

— Sim — concorda com a cabeça.

— Você tentou ligar? — questiona o ruivo.

— Não, ele disse que me procurava — ri negando com a cabeça, pois sabia que não iria acontecer — Pode dizer Ron.

— Dizer o que? — pergunta sem entender.

— Eu avisei — responde Potter — Você quer dizer isso a três anos.

— Vem cá — bate no espaço vazio do colchão e abraça o melhor amigo – Eu torci pra dar certo, mas só depois que a Mione deu um soco nele. Malfoy era um babaca.

— Ele ainda é — ri e funga ao mesmo tempo.

— Seus tios vem para a formatura? — o Weasley resolve mudar de assunto.

— Tomara que não — responde sincero — Espero que não tenham mandado nenhuma carta os convidando — comenta e logo depois sorri animado — Sirius e Lupin já até escolheram um terno para mim.

— Seria uma pena terminar St. Brutus numa delegacia de verdade porque o Sirius acertou seu tio por falar alguma besteira — Ron comenta.

— Já pensou? — Harry pergunta e os dois gargalham — Eu não iria me incomodar. O tio Válter merece, mas o Remus ficaria chateado por isso estragar minha formatura.

Os últimos dias em St. Brutus passaram se arrastando e Potter dedicou toda sua atenção aos últimos trabalhos e provas finais. No sábado seguinte, ele veste o terno escolhido pelos padrinhos e se despede daquele quarto que foi sua casa nos últimos sete anos ao lado do melhor amigo.

Os dois amigos cumprimentam suas famílias e Potter agradece mentalmente por seus tios não estarem ali. Ron puxa a namorada para dançar e Harry caminha até a mesa do ponche, vendo os casais preencherem a pista de dança improvisada da quadra do colégio.

Você fica lindo de terno

Potter lê a mensagem de Malfoy e bloqueia o celular. O garoto loiro deveria ter visto a foto que a Hermione postou com ele e com Ronald nas redes sociais.

— Como vai a festa? — alguém tenta puxar assunto, mas Harry já havia gasto sua bateria social para ser simpático com estranhos.

— Não muito animada — resolve ser educado, pois sabia que Remus iria preferir assim. Potter sabia que o padrinho tinha tanto orgulho quando ele e Sirius se comportavam  — Mas o que eu esperava de St. Brutus? — brinca ao virar para trás e dar de cara com Malfoy.

O terno caía bem nele. Na verdade ele ficava bem de qualquer jeito, até mesmo sem roupa. O tecido vinho contratava com a pele clara, a camisa social não tinha sido totalmente abotoada, deixando a correntinha prata no pescoço à vista e os cabelos loiros caiam no rosto dele como sempre.

— Veio com seu pai? — colocou as mãos no bolso da calça social.

— Não, minha mãe me trouxe — conta. — Meu pai não está muito feliz comigo — diz e Harry sorri soprado.

— O que veio fazer aqui, Malfoy? — perguntou direto.

— Eu sou um idiota — afirma e Potter concorda com a cabeça — Mas queria começar do jeito certo. Contei ao meu pai agora que ele não pode te prejudicar. Confesso que tive medo de decepcionar ele, mas tinha ainda mais medo dele fazer algo contra você — explica — Falei pra minha mãe também e a dona Narcisa ficou feliz em saber que eu tenho um coração — brinca — Ela está até planejando um jantar. Sabia que ela e seu padrinho Sirius são primos? — dispara a falar sem parar.

— Draco — Harry interrompe para que o outro garoto respirasse.

— Eu sumi essa semana, porque precisava resolver tudo. Te falei que queria tentar do jeito certo — respira fundo antes de continuar e Harry percebe que o loiro enxuga as mãos no tecido da calça, demonstrando o nervosismo.

— Você não tem noção da raiva que eu fiquei — fala bravo e Malfoy concorda com a cabeça — Já disse que eu odeio gostar de você? — fala exasperado, passando as mãos no cabelo.

— Esse é o meu jeito de pedir desculpas — fala sincero ao dar um sorriso nervoso, tinha medo de uma resposta negativa de Harry — Se você aceitar — completa.

— Se você for embora de novo… — encara os olhos cinzas do outro garoto, que sente o coração apertar por ter provocado tristeza naqueles olhos verdes.

— Eu vou ficar — garante, entrelaçando os dedos aos de Potter — Quer dançar?

Draco dançava bem ao contrário de Harry que parecia ter dois pés esquerdos, mas o Malfoy não se importava em ficar parado no mesmo lugar apenas movimentando os corpos abraçados no ritmo da música lenta.

— Todos acabaram de descobrir que estamos juntos — Potter afirma.

— Quer que eu te beije pra deixar ainda mais óbvio? — Malfoy brinca.

— Por que você não está surtando? — arqueia uma das sobrancelhas — Esse é o seu papel.

— Não dou a mínima para o que eles pensam, Harry — afirma — Eu posso até gritar se você quiser… — sugere.

— Sim — o garoto moreno concorda com a cabeça achando que que era uma brincadeira.

— Eu amo! — fala alto atraindo os olhares das outras pessoas incluindo o do diretor, que não parecia nada feliz, mas Harry tapa a boca dele com uma das mãos e depois o beija sorrindo bobo.

— Você é doido — nega com a cabeça e sorri largamente.

— Ainda bem que você já sabe disso antes de aceitar namorar comigo — o Harry encara Draco com os olhos verdes arregalados sem acreditar que ele falou em namoro — Sem mais segredos, Potter? — perguntou e Harry concorda com a cabeça.

Nós poderíamos construir um universo aqui
O mundo todo poderia desaparecer
Eu não notaria, eu não me importaria
Nós podemos construir um universo aqui
O mundo poderia desaparecer
Eu só preciso de você por perto
Uncover, Zara Larsson.

×××

Tive essa idea para a oneshot há algum tempo, mas acabei escrevendo outras coisas. Com o dezdrarry tive a oportunidade de finalmente desenvolver essa fic.

Obrigada aos meus leitores que já acompanham minhas fics e estão sempre aqui comigo. Vocês são incríveis 💜 O motivo pelo qual eu continuo escrevendo.
A você que está lendo algo meu pela primeira vez, fico feliz em te conhecer. Seja bem-vinde.

Muito obrigada ruchiaad por essa capa lindíssima, eu estou completamente apaixonada. E um obrigada enorme  a devonsgfs pela betagem. 💜

Drarry shippers de plantão, não deixem de conferir a fic Cenas de filme da missugarpurple  que sai ainda hoje.

- Ella

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