Capítulo 35
Notas (iniciais) da autora: Hey pessoal, como estão?
Sei que demorei um pouco, peço desculpas, mas espero compensar vocês com esse capítulo que se passa com a Anastasia enquanto ela está desacordada e pode trazer algumas respostas para o que está acontecendo, além de surpresas.
Boa leitura!
Tudo o que Anastasia pode ver na frente dela assim que abriu os olhos foi a neve. Em cada canto, desde a copa das árvores até o chão com grossas camadas, a neve era a protagonista do cenário onde a corvina estava. Ao se levantar, notou que estava sem a sua varinha e vestida com um vestido roxo claro até os pés e de mangas curtas, mas o frio não lhe abatia, muito pelo contrário, parecia que ela nem estava sentindo-o.
— Que estranho — ela falou ao começar a caminhar e ver que não tinha nada ali exceto neve e árvores, e não parecia que estava em nenhum dos terrenos de Hogwarts então...onde estava?
Andando mais um pouco, ela chegou em uma trilha e resolveu segui-la, porque deveria levá-la para algum lugar, não tinha como estar sozinha naquela floresta. Ao afastar um galho da árvore que estava no caminho de sua visão, o sorriso involuntário veio em seus lábios ao notar um homem parado perto de uma casa e, agarrando a barra da saia para não atrapalhá-la, ela correu.
— Olá! Senhor! Pode me ajudar? Eu estou aqui e nem sei onde é aqui.
Quando o homem levantou o rosto, Anastasia estacou no lugar com os olhos arregalados. As feições estavam do mesmo jeito, os olhos brilhantes e até mesmo a postura de quando havia visto da última vez.
— Papai?
— Olá Anastasia.
As mãos da garota começaram a tremer assim como suas pernas, fazendo-a pensar em como era possível aquilo estar acontecendo. Seu pai havia morrido, estava morto há anos, mas parecia tão vivo ali parado na sua frente.
— Isso só pode ser um sonho ou delírio, não é possível — ela falou se aproximando devagar de August, como se ele fosse sumir a qualquer instante e ela estivesse sozinha naquela floresta — Ou então...eu morri, só pode ser isso. Estou morta, não estou?
— Sempre esperta e curiosa minha pequena — o homem sorriu orgulhoso — Mas não, você não morreu. Estamos no meio do véu que separa o vivo dos mortos, por isso continuo do mesmo jeito.
— Isso é... — ela ergueu a mão em direção ao rosto do pai e ele fez o mesmo. A pele dele estava quente como costumava ser, e assim que notou que podia de fato tocá-lo, ela se jogou nos braços do homem abraçando-o com força e então, começou a chorar.
August apertou a filha nos braços, fazia tantos anos que havia partido e vê-la ali, uma moça em vez da criança que havia deixado para trás, fez com que seu coração pela primeira vez doesse por perder momentos importantes de sua menina.
— Me desculpa pai, me desculpa, foi minha culpa.
— Não foi querida, olhe para mim — ele segurou o rosto da filha com as duas mãos e secou as lágrimas dela com os polegares — Eu iria entrar naquela loja de qualquer jeito, porque eu vi alguns antigos comensais da morte entrando ali e não podia arriscar que fizessem mal as pessoas. Você não teve nada haver com isso, e eu que lhe peço desculpas, porque eu não deveria ter te deixado para trás.
— Você não precisa pedir desculpas pai, nunca.
— Você também, e espero principalmente que nunca mais chore em seus aniversários. E antes que pergunte, sim, eu sempre estou por perto te vigiando e me parte o coração ver que se culpa por isso.
Anastasia deu um sorriso fraco assentindo.
— Tudo bem. Hã...pai?
— Sim.
— Poderia dizer onde exatamente estamos e principalmente, porque estou vestida desse jeito? — falou se referindo ao vestido roxo que usava.
— Ah, esta casa é a da família de sua mãe, Arnaud, e tem alguém querendo falar com você lá dentro.
— Quem?
August sorriu diante a pressa da filha e apenas pegou-a pela mão, conduzindo para dentro da residência.
— Você vai descobrir em instantes.
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Na enfermaria de Hogwarts, Draco dormia todo torto na poltrona ao lado da marca onde Anastasia ainda estava se recuperando há alguns dias. O loiro praticamente vivia no lugar quando Louis não estava ou até mesmo Lúcia, que abria mão de seu turno para o sonserino e em troca, cobria as rondas dele como monitor.
— Papai.... — um sussurro fraco saiu da boca da Bellini, fazendo o garoto acordar em instantes e agarrar as mãos dela — Papai...me desculpe. Eu...
De prontidão, ele checou a temperatura dela e percebeu que estava cada vez mais fria e pálida.
— MADAME POMFREY!
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A mulher olhava pela janela da biblioteca e assim que viu Anastasia Bellini junto com August entrando na casa, suspirou. Daquela vez precisava dar certo.
A porta se abriu alguns minutos depois, pai e filha passaram por ela e o homem andou um pouco na frente da garota para fazer as devidas apresentações.
— Anastasia, essa é Mary Arnaud. Mary, essa é Anastasia Bellini, minha filha.
— Muito prazer Anastasia. Mas acho melhor reformular, porque antes de ser Mary Arnaud, eu era Mary Ravenclaw. A filha mais nova de Rowena.
A Bellini pode notar algumas semelhanças como os olhos azuis brilhantes que mostrava que ela deveria ter sido muito inteligente em seus anos de vida, o cabelo escuro mas ao contrário de Rowena, Mary possuía uma feição mais tranquila, não era séria como a fundadora da Corvinal.
— Sei que deve ser estranho, afinal nunca falaram de mim nos livros de história e quase fui apagada se não fosse meus descendentes que mantiveram minha memória vida, e não lhe culpo se não sabia de mim.
— Eu sinto muito.
— Porque não se senta? Temos tanto para conversar.
Mary apontou para as poltronas próximas da lareira, e quando todos se acomodaram, ela começou a falar.
— Minha mãe nunca foi de fato casada com meu pai, tanto que o sobrenome que carregamos é o dela. Eu era muito nova quando ele morreu, varíola de dragão, mas ela sempre dizia que eu me parecia mais com ele do que com ela. Quando éramos pequenas, mamãe acabou conhecendo Salazar, Helga e Godric, fundando assim, Hogwarts.
— Então você estudou em Hogwarts? — Anastasia perguntou vendo Mary assentir.
— Assim como minha irmã. Fomos da Corvinal, e aprendemos a mexer com magia. Não é surpresa que crescemos na sombra de nossa mãe, eu não me incomodava com isso, mas Helena sim.
— Foi então que ela teve uma briga com Rowena, roubou o diadema e fugiu para a Albânia. O Barão Sangrento foi atrás dela porque eles tinham um romance na época a pedido de Rowena que estava doente, e quando achou Helena, pediu que ela voltasse, mas ela se recusou acabou matando-a em um momento de fúria e se matando em seguida quando caiu na real.
— Vejo que conhece bem a história — Mary elogiou — Foi exatamente isso. Helena sempre teve uma ambição por poder, ela se encaixaria perfeitamente como aluna de Salazar do que de minha mãe. As duas tiveram uma briga séria, e Helena fugiu na mesma noite com o diadema. No começo, mamãe não se importou tanto, mas quando disseram que havia poucos dias de vida ela suplicou para o barão buscá-la. O retorno de Helena como fantasma foi o que matou minha mãe de vez — o olhar de Mary se tornou opaco perdido nas lembranças — Eu perdi minha mãe e minha irmã em um curto período de tempo, e ver dia após dia Helena flutuando como fantasma pelos corredores da escola acabava comigo diariamente porque ela não era mais a mesma, estava vazia e triste. Eu assumi como diretora da Corvinal, dei algumas aulas mas acabei saindo de Hogwarts porque não conseguia encarar mais minha irmã pelos corredores. Viajei por alguns meses, e foi quando conheci meu marido, Luigi Arnaud. Ele não era bruxo, era um homem rico sim mas não havia magia em seu sangue.
— Então, a família Arnaud tem sangue de trouxa em seu sangue — constatou Anastasia vendo Mary concordar.
— Todas as famílias bruxas tem algum antepassado trouxa, mesmo em um período tão conturbado como o caça às bruxas que era muito presente na Europa. Eu contei para Luigi assim que nos casamos, ele não viu problema na verdade ele adorou, tivemos nossos filhos que puxaram a minha família e tinham magia correndo pelo sangue. Eu os ensinei, assim minha mãe me ensinou, e somente algumas gerações depois que um descendente de Ravenclaw voltou para Hogwarts.
Antes que Anastasia falasse algo, batidas fortes soaram contra a porta de madeira.
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— Ela está mais fraca — Madame Pomfrey falou após medir a temperatura da garota desacordada que balbuciava palavras fracas — Ela está falando em italiano?
Draco olhava para Anastasia e tentava entender o que ela falava, mas era difícil entender porque não sabia falar aquela língua.
— Não sei, eu não sei falar esse idioma.
A enfermeira apenas assentiu antes de se alarmar ao ver que algo grave se mostrava em seu feitiço de cura.
— Ela está morrendo.
— O que?
— Está mais fraca e mais pálida, ela está morrendo, senhor Malfoy.
O loiro se desesperou naquele instante.
— Não, não, não — ele agarrou ainda mais a mão da garota olhando para o rosto dela — Anastasia, você não pode morrer. Você não pode me deixar aqui, não pode, não pode.
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— O que é isso? — Anastasia perguntou vendo as batidas ainda mais fortes na porta, quase como se testasse a sua resistência.
Mary trocou um olhar com August.
— Ela está ficando sem tempo Mary e, se puder ir direto ao ponto, agradeceria antes que ela não consiga voltar nunca mais.
— Certo, serei breve. Anastasia, imagino que já tenha sonhado com minha mãe e ela tem pedido para recuperar o diadema perdido. Pois bem, eu queria lhe dar uma missão. Eu não posso descansar tanto assim porque, antes de minha morte, pedi para algumas pessoas de confiança irem atrás do objeto porém nunca o encontrei. Passaram-se séculos e alguém o encontrou porque minha irmã disse para a pessoa onde estava.
— Então o diadema não está tão perdido assim — constatou a Bellini.
— Ele está perdido sim, porque foi impregnado de magia negra. Você tem que achá-lo, e transferir todo o poder bom dele para uma réplica que está no cofre da mansão Arnaud antes que chegue a hora e ele seja destruído. Peça ajuda aos elfos, eles vão te ajudar a encontrar a réplica — explicou Mary pegando nas mãos da garota — Mas saiba que não será fácil, e que mexerá com uma magia muito perigosa que um homem muito ruim colocou nela. Minha mãe não deve ter deixado isso claro, mas eu estou deixando. Você aceita?
— Claro que aceito — a menina respondeu de prontidão — O diadema é muito importante, e eu devo salvar a magia dele.
— Filha — August segurou a mão da menina — Você sabe que isso é uma missão que pode custar sua vida? Sua sanidade?
— Papai, se é meu dever como Arnaud recuperar a magia do diadema antes que seja destruído, eu farei. Uma relíquia dessas que desperta a inteligência mais profunda de alguém não deve ser corrompida por magia negra.
As batidas na porta se tornavam mais altas e mais fortes, até que um grito pode ser ouvido pelos três.
— ANASTASIA! VOLTA! POR FAVOR! EU PRECISO DE VOCÊ!
— Malfoy? — a menina perguntou estranhando a situação, por que Draco estava gritando daquela forma?
— Melhor você ir, ele parece desesperado para tê-la de volta — Mary respondeu olhando para a porta que começava a tremer como se fosse desabar em qualquer momento — Acho que tem alguém muito apaixonado com medo de perdê-la.
— Eu devo começar a ficar preocupado? — August perguntou olhando para a filha — É só ele de pretendente ou tem mais?
— Pai! — as bochechas da menina coraram fortemente.
— Melhor ir agora, seu tempo está acabando — disse Mary dando um abraço em Anastasia e um beijo em sua testa — Tome cuidado, e me desculpe por jogar essa responsabilidade em seus ombros.
— Darei conta.
A menina olhou para o pai e segurou nas mãos dele.
— Irei te ver de novo algum dia?
— Você pode não saber, mas sempre estou perto de você de uma forma ou outra, principalmente aqui — ele apontou para o lado esquerdo da garota onde ficava seu coração — Eu te amo filha, e sempre a amarei.
— Também te amo pai.
Anastasia se jogou novamente nos braços do homem o máximo de tempo que pode, e foi em direção a porta, abrindo-a e passando após uma última olhada para Mary Arnaud e August Bellini.
Foi então que a escuridão tomou conta de si.
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Draco, de cabeça baixa, balbuciava palavras implorando para que Anastasia ficasse bem, ainda agarrado às mãos da garota que estavam mornas, após algumas poções que Madame Pomfrey conseguiu fazê-la ingerir mesmo adormecida.
— Você não pode me deixar aqui. Com quem vou implicar? Fazer apostas bestas e dividir conversas na torre de astronomia?
Anastasia abriu os olhos devagar, piscando levemente para se acostumar com a dor de cabeça que parecia esmagar seu crânio, até sentir que suas mãos estavam entrelaçadas nas do Malfoy e ele falava consigo mesmo em voz baixa.
— Você me tornou dependente de você Bellini. Eu pensei que isso não aconteceria, que seria uma bobagem passageira, mas você deve ter colocado algo na minha maçã para me fazer sentir o que sinto. Eu só me sinto completo quando te vejo, e agora não pode me deixar aqui, justo agora que...
Com um sorriso fraco ela resolveu acabar com a agonia do loiro.
— Não sabia que estava sentindo tanta a minha falta assim — ela disse em um tom que ele ouviria.
Draco levantou a cabeça rapidamente ao vê-la acordada, os olhos claros arregalados fizeram a garota rir.
— Oi para você também Malfoy.
— Anastasia?
— Sim?
— Você não morreu.
— É, eu acho que não. Só se essa dor de cabeça me matar — brincou dando risada, mas se arrependeu no instante seguinte ao sentir que a latejada que deu no canto esquerdo e não conseguiu reprimir a careta de dor.
— Melhor chamar a Madame Pomfrey.
Anastasia segurou a mão dele antes que se afastasse da marca, fazendo-o olhar para ela.
— Termina o que você ia falar.
— O que eu ia falar?
— É.
— Você estava ouvindo?
— Cada palavra. Então?
Draco pigarrou e abaixou a cabeça para que ela não visse as bochechas que começavam a corar, não era exatamente assim que ele planejava uma declaração para ela.
— Outra hora, se recupere primeiro.
Ela apenas assentiu e soltou a mão do loiro assim que ele deixou um beijo nas costas da mão dela. A enfermeira veio instantes depois dando uma poção para a dor de cabeça, receitando descanso total até o dia seguinte para ver como ela estaria.
— Senhor Malfoy, agora devo pedir para que o senhor volte ao seu dormitório antes que ocupe um desses leitos. Já está há dias aqui.
— Mas eu estou bem, posso ficar mais.
— Draco, descanse — pediu Anastasia — Amanhã ou depois você pode vir me ver, mas preciso que você também fique bom porque se não os papéis vão inverter.
— Promete que vai ficar boa?
— Sem mais sustos. Avise meu primo e os outros, eles devem estar preocupados.
— E diga que só poderão visitá-la amanhã após o café da manhã — a madame respondeu e o loiro somente assentiu.
Draco saiu da enfermaria e Anastasia ficou sozinha no local encarando o teto da escola. A conversa com Mary e seu pai estava fresca em sua mente, o que fez a garota começar a calcular um plano para salvar o diadema perdido.
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Notas da autora: Alguém vivo após esse capítulo? A pressão foi subindo e descendo, parecia que era encarnação de montanha russa. Anastasia encontrou com o pai, recebeu uma missão e quase teve declaração do Malfoy, aiai, haja coração.
Nos próximos capítulos teremos Armada de Dumbledore, a busca pelo diadema e mais momentos Drasia.
Me digam o que estão achando, quero saber de tudo!
Até o próximo!
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