Capítulo 30
— ELLEN LEBLANC! EU VOU TE MATAR!
O grito de Anastasia de dentro da cabine do banheiro do primeiro andar fez a loira dar risadas, ao mesmo tempo que Lúcia tinha uma expressão assustada e Tiana olhava preocupada para a porta trancada do cubículo, principalmente porque já tinha se passado longos quinze minutos com a Bellini em silêncio dentro antes do grito cortante pelo ar.
— Ana, sai daí de dentro. A gente precisa ver como ficou — pediu Lúcia, aflita pela amiga.
— Mas eu não saio mesmo e...MURTA NÃO!
O fantasma da aluna da Corvinal atravessou a porta do cubículo dando leves risadinhas antes de olhar para as outras, balançando o corpo no ar com as mãos para trás.
— Ela está uma graça, o uniforme ficou bem nela desse jeito.
— Por que eu me meti nisso? — a Bellini choramingou de dentro do banheiro.
— Anda logo, senão vamos perder a festa de comemoração das masmorras e essa festa é importante para mim — apressou a loira da Sonserina — Minha primeira festa comemorativa como oficialmente uma artilheira de quadribol.
— Posso ir com a capa até lá?
— Não, de jeito nenhum. Acordo é acordo, anda logo — Ellen a apressou novamente.
A tranca foi ouvida e a porta aberta. Anastasia saiu com uma feição séria e um bico enorme nos lábios, cruzando os braços enquanto olhava para as amigas.
— Eu tô ridícula nisso — justificou olhando a vestimenta.
O vestido de líder de torcida sem mangas era um pouco acima do joelho da corvina, mas ao contrário das vestes azuis que estava acostumada, no lado esquerdo do peito havia o brasão da casa das cobras em cima do triângulo invertido branco que pegava dos seus ombros até metade da barriga, abrindo o restante do tecido em um verde escuro com a saia de pregas. Os cabelos escuros estavam presos em um rabo de cavalo alto com um laço prata e verde, e seus pés calçavam um tênis branco.
— Você está uma gracinha com esse uniforme de líder de torcida da Sonserina, foi uma ótima ideia imitar os trouxas — comentou Ellen colocando as mãos nos ombros da amiga — Já até sei quem vai gostar disso, começa com “Mal” e termina com “foy”.
— Não começa — ela revirou os olhos.
— Eu não começaria se ele não ficasse com um sorriso bobo te vendo — provocou Leblanc.
Anastasia corou fortemente. Desde o episódio da sua briga com Umbridge, em que passou praticamente um dia inteiro com o Malfoy conversando no chão da Torre de Astronomia, ela pôde conhecer uma espécie de outra versão dele que não era babaca ou fazia coisas irritantes para chamar a atenção e ser considerado “o maioral”, na verdade ela preferia mil vezes a versão risonha dele ou até mesmo quando ele fazia alguma gracinha que resultava na corvina dando tapinhas em seu ombro. Depois daquele dia, a garota começou a faltar nas aulas de DCAT e isso lhe rendeu uma ida à diretoria além de sua mãe ter sido chamada, já que Umbridge fez questão de mandar uma carta dizendo que a aluna estava sendo “irresponsável faltando às aulas e podendo manchar o nome imaculado da família Bellini como manchar a memória de August”.
Isso acabou deixando Athena Bellini irada, e nem mesmo Dumbledore ousou impedir a briga entre a mãe de Anastasia e Dolores. No final das contas, a corvina teve que voltar a frequentar as aulas caso não quisesse reprovar o ano.
E todas as manhãs, antes da aula, o Malfoy fazia questão de se assegurar que ela estava bem e até mesmo enviava discretamente bilhetinhos durante a aula perguntando como estava, e sempre a resposta: “se eu azarar ela com feitiço para transformar a cara dela em lesma, teria alguma diferença?”
Foram esses pequenos fatos que não passaram despercebidos por suas amigas, o que resultou em uma pequena “aposta” com Ellen, assim que a Leblanc entrou no time da Sonserina como artilheira, de que ela não conseguiria marcar noventa gols contra Lufa Lufa.
No fim das contas, Ellen marcou cem gols e Malfoy apanhou o pomo de ouro.
— Eu tenho que parar de apostar contra a Sonserina em partidas de quadribol, já é a segunda vez que perco — resmungou a garota sendo praticamente escoltada por Ellen e acompanhada por Lúcia até as masmorras e o salão comunal onde acontecia a festa.
Tiana havia ido para o salão comunal da Lufa Lufa consolar Peter, que deixou o campo arrasado depois da partida esmagadora, dizendo que para narrarem tudo o que aconteceria na festa para ela depois.
Ellen disse a senha e a passagem se abriu, revelando um salão comunal bastante animado com cervejas amanteigadas erguidas e vários grupos brindando.
— Hey Parkinson! Malfoy! — Ellen chamou enganchando um braço no de Anastasia e outro no de Lúcia indo até a morena que conversava com o Malfoy sentada nos sofás do canto, desviando de algumas pessoas que estavam no caminho — Hoje foi uma bela vitória.
— O trabalho em equipe da Sonserina é sempre perfeito — se vangloriou o Malfoy antes de comer uma varinha de alcaçuz.
— Vou pegar as cervejas amanteigadas, já volto. Façam companhia para as minhas convidadas — pediu a Leblanc se afastando do pequeno grupo, que se acomodava no sofá.
Pansy começou a conversar com Lúcia, a sonserina e a lufana haviam feito algumas rondas juntas na monitoria, além de dividirem a bancada nas aulas de Poções, o que as fez entrar em uma pequena bolha de conversa ignorando os outros dois e saindo dali para ir em outro lugar.
— Por que está vestida assim? — Draco perguntou apontando para a roupa da corvina enquanto estendia o doce em forma de varinha — Não sabia que era tão fã da Sonserina.
— Perdi uma mini aposta — ela resmungou pegando o doce e colocando na boca.
— De novo?
Draco não segurou a risada ao ver a careta da corvina.
— Fazer o quê, eu tô cumprindo minha parte do acordo — ela deu de ombros colocando a mão no colo — Só não sabia que aqui seria tão frio.
— Toma — Draco tirou a própria capa colocando em cima das pernas da garota — Pode vestir.
— Oh não, eu tô legal.
— Você está com os braços arrepiados Bellini, as masmorras são um pouco frias mesmo. Anda, veste.
Anastasia não teve muita escolha e acabou colocando a capa, que ficou tão grande ao ponto das mangas esconderem suas mãos.
— Você não fica ruim com o uniforme da Sonserina.
— Isso é um elogio?
— É, não são todos que podem usar esse uniforme. Você pode.
— Por causa do meu sangue?
— Exatamente. Alguém da sua família poderia usar futuramente também.
— Acho difícil, a maioria vai para a Corvinal e Grifinória, alguns casos foram para a Lufa Lufa, mas Sonserina? — ela balançou a cabeça em negação cruzando as pernas — Ninguém ainda.
— Bom, quem sabe seus filhos? Scorpius? Ou a Elizabeth? Se bem que Astrid tem nome de aluna da Sonserina — comentou o loiro.
— Você acha? E como você lembra disso ainda?
— Ah — ele deu de ombros um pouco constrangido — É que eu gostei dos nomes, principalmente Scorpius, sabe...minha mãe é uma nascida Black, e eles tem isso de estrelas ou constelações.
— Já quer roubar o nome do meu filho Malfoy? — ela cruzou os braços e fechou os olhos como duas fendas — Só se você deixar eu ser madrinha dele.
— Madrinha?
— É, serei uma madrinha muito legal. Por que, não posso?
— Eu preferia que você fosse outra coisa dele.
— Tipo o que?
— Mãe — ele deu de ombros e ela arregalou os olhos, o garoto percebeu que a palavra havia escapado de seus pensamentos e começou a rir — Tô brincando, pode relaxar.
— Tá.
Ela olhou para o outro lado da festa, onde tinha um grupo de alunos mais velhos olhando para ela e comentando algo, ou melhor...para suas pernas.
O olhar deles estavam deixando-a desconfortável, e o loiro ao seu lado percebeu isso quando a viu usar o pano para cobrir as pernas.
— Está com tanto frio assim?
— Não, é só que... é melhor eu ir.
— Quer que eu te acompanhe até o seu salão?
— Não precisa, você teria que subir até a torre e descer até às masmorras, melhor não.
— Eu posso fingir que tô fazendo patrulha, melhor do que andar sozinha pelos corredores.
Anastasia analisou a proposta e olhou de soslaio para os alunos mais velhos, que bebiam whisky de fogo com sorrisinhos que a fazia sentir calafrios.
— Eu só vou avisar a Lúcia pra gente poder ir.
Ela se levantou fechando a capa e andando ao lado de Draco até onde a Diggory estava com Pansy, rindo de algo que deixava as duas vermelhas.
— Eu já vou — comentou a corvina para a lufana — Quer ir?
— Vamos todo mundo. Posso ir com a Lu até os barris do salão comunal dela — disse a Parkinson vendo que Anastasia parecia diferente — Tá tudo bem?
— Tá, só tô cansada mesmo.
Pansy olhou para o grupinho de alunos do sétimo ano encarando Anastasia, mediando-a de cima a baixo e sussurrando algo que lhe rendiam risadinhas. A garota levantou o dedo do meio na direção dos meninos sem que o grupo notasse, mas que os outros notassem muito bem.
— Certo, hã…vamos então? — ela perguntou para os três.
ೃ *ૢ✧
A primeira a ser deixada no seu salão comunal foi Lúcia, que se despediu um tanto sonolenta e Pansy explicou que o whisky de fogo que elas haviam bebido devia estar fazendo efeito na Diggory.
Os dois alunos da Sonserina resolveram escoltar Anastasia até o salão comunal que ficava na torre, mesmo ela dizendo que não precisava.
— Boa noite crianças.
Os três se viraram notando que Dolores estava ali, com um sorrisinho falso para Anastasia e o olhar tão venenoso quanto uma naja.
Aquela mulher não descia para a Bellini.
— Boa noite professora — cumprimentou Pansy.
— Senhorita Bellini, vejo que está com roupas que não pertencem a sua casa.
— Hã... é que eu estava com frio e Draco me emprestou a capa dele.
— Então estava fora de seu salão? — perguntou a mulher.
— Sim.
— Estamos comemorando o resultado do jogo — Draco tentou defender a garota — Agora íamos com ela até o salão da Corvinal, para garantir que voltasse.
— Pois bem, então senhorita Bellini, devolva a capa para o senhor Malfoy, por gentileza.
Anastasia sabia que a mulher falaria da roupa que estava por baixo, afinal já estava sendo chamada a atenção por usar uma capa que não era sua. O tecido preto saiu de seu corpo, revelando o uniforme de líder de torcida que Dolores olhou como se fosse um crime.
— Mas o que é isso? O que é essa indecência?
— Uma brincadeira, nada demais professora.
Dolores ofegou ultrajada.
— Nada demais? Nada demais? Ora! Essa...essa...ousadia — ela balançou a varinha na direção dos seios da menina — Escancarada para todos verem! E isso! — apontou para as pernas nuas — Ora! Uma pouca vergonha, não se parece como uma dama. Damas não se vestem assim! Parece roupas de uma meretriz! Menos oitenta pontos para a Corvinal e detenção senhorita Bellini!
A garota abriu a boca incrédula, aquela mulher havia lhe chamado daquilo que havia ouvido? E estava implicando com suas roupas, sendo que elas não tinham nada demais?
— Desculpe professora, mas não sou isso que me acusa, as roupas não tem nada demais, muito pelo contrário, são normais professora — ela retrucou e os dois alunos da Sonserina apenas observavam a cena — Me atrevo a dizer que não é comportamento de alguém que leciona.
Dolores abriu a boca incrédula e a feição ficou de alguém raivosa.
— É a senhorita não se comporta com educação!
— Eu não me comporto? Eu? — perguntou com sarcasmo transbordando na voz antes de respirar fundo — Certo, então tenha uma boa noite professora, mas antes, eu preciso fazer algo.
Anastasia caminhou determinada até Draco juntando toda a coragem que tinha, e o puxou pela gravata verde, somente para ele se abaixar o suficiente para que ela pudesse encostar seus lábios nos dele. Era só um selar simples, Anastasia pode sentir um leve gosto de varinha de alcaçuz vindo dos lábios do loiro enquanto ele sentiu um leve gosto de morango, provavelmente por causa do leve gloss em seus lábios que ele havia reparado desde que havia pisado em seu salão comunal.
O ato de Anastasia fez Dolores espumar de raiva enquanto Pansy se continha para não bater palmas.
— DETENÇÃO SENHORITA BELLINI! POR UM MÊS!
Anastasia soltou Draco, e olhou para a mulher com raiva.
— Agora aceito a detenção. Boa noite professora Umbridge.
A corvina saiu pelos corredores calmamente até chegar no seu dormitório como se nada lhe afetasse, mas a realidade era que era extremamente o oposto, ela estava bem afetada.
Não por causa da Umbridge, não, aquela ali lhe dava nos nervos e fazia ela desejar mentalmente que a mulher não fosse uma professora para ela poder dar o troco a altura e não ganhar punições como havia acabado de acontecer.
O que estava lhe afetando mesmo era o fato de ter tido coragem para dar seu primeiro beijo em Draco Malfoy, o garoto que desde que se conheceram havia lhe irritado de diversas maneiras e lhe provocado de outras tantas.
Com a cabeça no travesseiro e abraçada a um outro, ela encarava o teto azul do dormitório pensando em como iria encarar o loiro nos próximos dias depois desse surto de coragem.
ೃ *ૢ✧
Notas da autora: Hey pessoal, como estão?
E TEVE BEIJO DE DRASIA FINALMENTE! PEGA A CHAMPANHE MEU POVO QUE ESSE CAPÍTULO É UMA FESTA! 🍾
Não foi muito romântico, na verdade foi mais para irritar a Dolores mesmo (aliás adoro Anastasia irritando essa mulher), maaasss foi no súbito da coragem que Ana finalmente beijou Draco. Quem gostou deixa seu coração aqui ❤️
Queria dizer que o quinto ano terá algumas alterações, leves para não perder o enredo raíz, maaasss espero que vocês gostem do que estou preparando. Me digam o que estão achando, quero saber de tudo!
Até o próximo! 💙
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